sbmsilva sofia silva

Inspirado em enigmas de detetives, esta história narra o caso de quatro assassinatos, três foram tortura, mais dois irão acontecer ou não, tudo depende da capacidade dos detetives e da inteligência do homem do vulto preto, que já foi normal e deseja voltar a ser.


Thriller/Mystère Déconseillé aux moins de 13 ans.

#misterio #romance #crime #violência #rituais #investigação #detetive
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I

Um estrondo, um grito…o sangue quente inundava o chão de madeira podre e sujo. Clara sentiu um arrepio, estava escuro, era de noite e a lua não podia ser avistada daquele piso. Se quisesse ver, teria de subir para o segundo. Mas o barulho tinha vindo de cima, e o chão deixou de ser chão identificando-se com o mar vermelho que caía às pinguinhas do teto. Já não estava quente. Clara tinha de subir, já que não podia fugir. A casa era grande, talvez fosse uma mansão, mas o foco agora era encontrar uma saída. Inspirou e expirou o ar há muito contido nos pulmões. Ganhou coragem e começou a subir. Enquanto subia um dos degraus partiu deixando um barulho assustadoramente alto tomar conta do silêncio da casa. Clara então percebeu que aquelas escadas davam duas escolhas, não muito boas, infelizmente. Se pisadas do lado direito rangiam, se pisadas do lado esquerdo partiam. Independentemente do caminho que escolhesse o homem do vulto preto ia ouvi-la e encontra-la, o que não seria bom.

Decidiu subi-las de dois em dois, muito devagarinho, poupando barulho e, talvez chegasse mais depressa. O silêncio incomodava e o coração pulsava como nunca o tinha feito, implorando para sair do peito. Para Clara aquelas foram as escadas mais longas que já subira, mas como tudo na vida tem um fim, também ela chegou ao fim. No cimo das escadas havia uma única vela para um corredor infinito. A casa, até agora, não tinha janelas nem portas. Avançou cautelosamente ansiosa para pegar naquele pequeno pauzinho de vela acesa, única fonte de luz. Passos foram ouvidos. Congelada e dividida entre duas razões era a sua situação atual. Os passos aumentavam e Clara matutava na sua cabeça se devia agarrar na vela e fugir ou ficar parada e esperar que o som cerrasse. Optou pela segunda opção. Os passos abrandaram e foram substituídos pelo barulho de uma maçaneta a rodar seguido de uma porta a ser aberta. O som vinha da esquerda, então, usando a lógica, o caminho escolhido foi o da direita. Agarrou na vela e a passos largos, mas lentos, caminhou pelo corredor silencioso e negro. O corredor não tinha móveis, as paredes de pedra estavam enfeitadas com retratos de pessoas com um olhar sinistro, olhar comum a todas. Sentia-se observada, detestava a sua imaginação que oferecia mais de vinte possibilidades assustadoras criando cenários desagradáveis. Sentiu que caminhava faziam já dez minutos, começava a sentir-se preocupada pensando na ideia de nunca mais sair dali e ter o mesmo destino que o da sua amiga. As suas preces foram ouvidas, após mais alguns passos avistou uma janela. A primeira janela, o primeiro e, quem sabe, possível meio de escapar. Era um alívio, ou seria se não tivesse mais de doze metros de altura e uma gigante árvore que dificultava a visão. “Ao menos entra alguma luz”, pensou. O desespero aumentava e o coração voltou a triplicar a sua função bombardeando mais rápido o sangue pelo corpo, já quente, da jovem mulher de vinte e três anos.

Encostou-se à parede e deixou-se cair lentamente num ato de desistência, resignando-se à sua triste fortuna de que não iria sair daquele lugar e ia acabar por morrer. Moveu-se mais para o lado esquerdo, de modo a ficar perto da janela e, ao encostar-se mais à parede esta moveu-se. Levantou-se num sobressalto e percebeu que era uma espécie de passagem secreta, para ela a única saída. Ainda com a vela na mão desceu as estreitas escadas de pedra, à medida que ia descendo o cheiro a carne viva aumentava dando voltas ao estômago de Clara. Chegou ao fim, desta vez três velas grandes iluminavam o local macabro onde a jovem estava. Perplexa de horrores pela cena diante de si, a vontade de vomitar era cada vez mais, lágrimas escorriam pelo seu rosto e voltou à estaca zero. O local de fraca iluminação, mas percetível, tinha um enorme desenho de um pentáculo no chão coberto com algumas palavras e símbolos, em cada vértice estava uma mulher nua deitada com a cabeça sobre o mesmo, a pele tinha sido arrancada, porém não estava completo, faltavam duas mulheres para completar o símbolo. Clara levantou-se, agora mais do que nunca tinha de fugir, nem que saltasse da janela, se morresse seria uma morte bem mais rápida do que ser esfolada viva. Prestes a chegar ao cimo das escadas a porta abre-se e o homem coberto de preto até aos olhos entra, numa das mãos segurava uma faca na outra uma chave, “Será que ele sabia que eu estava aqui?”, quase como se lesse pensamentos, o homem respondeu num tom rouco e grave:

- Já te deixei passear muito na minha casa. Despede-te de ti mesma.

A adrenalina corria dentro de Clara e, sem pensar no que ia fazer, deu-lhe um murro na cara e correu, empurrando o homem que rolou pelos degraus e riu-se. Enquanto corria ouviu a voz do homem e o seu eco percorrer a casa toda “Não vais sair daqui”, era o que se ouvia e colado a essa frase o som do riso irónico e sádico do homem. Clara correu, desta vez, pelo caminho esquerdo, a sua vela apagara-se entretanto e, sem poder ver, tacteava as paredes como um cego, agarrou numa maçaneta, a porta abriu e ela caiu na relva. Partira o tornozelo, levantou-se e continuou a correr o mais depressa que conseguia, quase a chegar ao meio da estrada, o sol já estava a nascer, “devem ser 6h ou 6h30”, ouviu o barulho de um carro, ia gritar por ajudar quando algo lhe perfurou a garganta, sentiu o sangue quente e o seu sabor, depois disso tudo ficou escuro.

19 Mai 2020 23:43:56 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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