Esquadrão da Revisão Suivre un blog

embaixadabr Inkspired Brasil Os autores estão indecisos, escondidos, com medo: a Gramática os ameaça de todas as formas. É neste cenário caótico que um esquadrão se formou: soldados competentes em busca de justiça, recrutando mercenários para lutarem ao seu lado e, juntos, combaterem o Obscurantismo. Assim, o Esquadrão da Revisão ergue-se contra a tirania da Gramatica para submetê-la aos autores. Entender como funciona a gramática normativa é a base de qualquer escritor. Passar a ideia da cabeça para o papel de forma harmônica é a maior dificuldade de muitos literatos. Nós queremos, neste blog, mostrar a vocês que a gramática não é uma tirana; ela não passa de uma ferramenta que serve para ajudá-los. Juntem-se ao nosso esquadrão para desvendar os mistérios da Gramática e de suas normas.

#acentuacao #EmbaixadaBrasil #gramática #revisão
73
28.8mille VUES
AA Partager

A pontuação entre as orações reduzidas de gerúndio, particípio e infinitivo

Olá, pessoas! Tudo certo?


Para finalizarmos essa parte dos nossos estudos sobre pontuações entre as orações, neste artigo você vai encontrar umas regrinhas bem simples, que facilitarão bastante o nosso ensino-aprendizado. Espero que já esteja pronto para começar, com sua águinha, papel e caneta preparados!


A pontuação entre as orações reduzidas é bem simples e segue a seguinte regra: quando as orações reduzidas de gerúndio, particípio e infinitivo estão deslocadas — vêm antes da oração principal —, são virguladas.


Sabendo disso, ele fechou o livro. = Quando soube disso, ele fechou o livro.


Terminada a exposição, ela foi embora. = Quando (ou “Depois que”) terminou a exposição, ela foi embora.


As orações reduzidas de gerúndio são pontuadas quando vêm antes da oração principal e também quando colocadas depois da oração principal caso se trate de uma oração coordenada iniciada por “e” ou “e isso” reduzida:


Elizabete estudou como nunca, tornando-se uma das maiores pesquisadoras da universidade. = Elizabete estudou como nunca e se tornou uma das maiores pesquisadoras da universidade.


A competição entre escritores é sempre emocionante, aumentando a empolgação dos escritores e dos leitores. = A competição entre escritores é sempre emocionante e isso aumenta a empolgação dos escritores e dos leitores.


Uma construção não muito recomendável, porém ainda usada, é o uso da reduzida por gerúndio com função de oração adjetiva, e que deve ser virgulada:


O ator famoso da nova novela das sete, vivendo em São Paulo para as gravações, encontrou a ex-namorada em um bar no final de semana.


*E atenção, hein: não se usa gerúndio em orações reduzidas de gerúndio (ou gerúndio no geral) quando denota meio, modo ou instrumento e quando tem função de oração adjetiva restritiva:


A noiva subiu as escadarias correndo.


Vi a moça tomando suco de abacaxi.


O CEO foi acusado de assédio sexual envolvendo a secretária.


Se a reduzida de gerúndio estiver na ordem direta e representar uma oração adverbial final, também não é virgulada:


Sempre escreve ao ex pedindo para ser perdoado.


E é importante falar que também podemos considerar como oração reduzida certos apostos ou predicativos se antecipados. Veja um exemplo:


Exausto, ele deixou o assunto de lado. = Por estar exausto, ele deixou o assunto de lado


Bom, gente, sei que o texto de hoje está bastante curtinho, mas são apenas essas as considerações deste artigo mesmo. No entanto, espero que você não se acomode, hein! Aproveite que os estudos de hoje foram tranquilos para revisar os artigos anteriores. Lembre-se que saber é poder! E se tiver alguma dúvida, deixe nos comentários. Até mais!


Texto por: Karimy


Referências:

  • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Breve gramática do português contemporâneo. João Sá da Costa, 1998
  • Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37.a Edição. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, Editora Lucerna, 2019.

Piacentini, Maria Tereza de Queiroz. Manual da Boa Escrita Vírgula, crase, palavras compostas. 2.a Edição. Rio de Janeiro: Lexikon Editora Digital Ltda, 2015.

23 Novembre 2021 00:00:09 0 Rapport Incorporer 1
~

A pontuação entre as orações subordinadas

Olá, pessoas! Tudo certo?


Neste artigo damos continuidade às nossas aulinhas sobre pontuação entre orações. Na aula anterior falamos sobre as coordenadas e nesta falamos sobre as subordinadas, e você já sabe, não é mesmo: se não se lembra quais são as orações subordinadas (e conjunções subordinadas também, que é de muita ajuda nessa hora), aconselho que volte nos artigos onde falamos sobre elas, para que não se sinta perdido durante as explicações.


Isso dito, pegue seu lanchinho, sua água e se prepare, porque vamos começar!


Segundo Bechara, pág. 398/854, “[...] o transpositor ou conjunção subordinativa transpõe oração degradada ou subordinada ao nível de equivalência de um substantivo capaz de exercer na oração complexa uma das funções sintáticas que têm por núcleo o substantivo.” e “Oração complexa é aquela que tem um ou mais dos seus termos sintáticos sob forma de uma oração subordinada.”


A oração subordinada é uma oração com função de substantivo, adjetivo ou advérbio. Por isso é dito sempre que elas funcionam como termos essenciais, integrantes ou acessórios de uma outra oração.


As orações subordinadas substantivas normalmente são introduzidas por “que” e às vezes por “se”. Essas orações englobam as orações subjetivas, objetivas diretas, objetivas indiretas, completivas nominais, predicativas, agentes da passiva e apositivas. Agora, como pontuá-las?


Vamos começar pela exceção à regra, que é a oração apositiva. Segundo Cunha e Cintra, “Apositivas [...] exercem função de aposto”. E nós sabemos como o aposto funciona, não é mesmo? Sabemos que há a necessidade do uso da vírgula — ou dois pontos — para demarcar os apostos. A regra não muda quando falamos sobre orações apositivas: é necessário usarmos vírgula ou dois pontos para marcá-las.

Veja só:


Tenho apenas um pedido: que você volte cedo e me traga um livro.


Agora que você já sabe pontuar as orações subordinadas substantivas apositivas, vou te explicar como pontuar as demais orações subordinadas substantivas: basta não pontuar!

Ah, peguei você, né! Mas é isso mesmo. Veja só alguns exemplos:


Era importante que você participasse ativamente da reunião.


Espero que você cresça como escritor.


Vamos então entender como funciona a pontuação nas orações subordinadas adverbiais, que funcionam como adjunto adverbial de suas orações principais. Elas podem ser causais, comparativas, concessivas, condicionais, conformativas, consecutivas, finais, temporais e proporcionais. E quando devemos pontuar essas orações?


É recomendado o não uso da vírgula quando essas orações estão no sentido direto. No entanto, quando as orações subordinadas adverbiais estão colocadas antes das orações principais, a vírgula deve ser usada para marcar isso. E se você não está conseguindo lembrar aí quais são as orações principais, basta lembrar que são aquelas que não são introduzidas por conjunções.

Veja um exemplo:


Quando a reunião acabou, todos foram embora.


A oração iniciada pela conjunção “quando” é a oração subordinada adverbial. Nesse exemplo, ela está deslocada para frente, por isso devemos colocar a vírgula no final dela e no início da próxima oração. Se mudarmos as duas de lugar, a vírgula se faz desnecessária:


Todos foram embora quando a reunião acabou.


Outros exemplos:


Se você me contasse um segredo, eu o guardaria a sete chaves.


Eu jamais falaria com você se não fosse realmente necessário.


À medida que ela se aproximava, meu coração batia com mais força.


Ainda que você diga isso mil vezes, eu ainda vou duvidar da sua palavra.


Talvez você esteja aí pensando sobre o fato de já ter visto orações adverbiais deslocadas, porém sem vírgulas. Mas isso pode acontecer porque a vírgula para demarcar a oração adverbial deslocada não faz diferença no sentido da frase quando se trata do verbo “ser”, principalmente. Observe o exemplo:


Quando eu passo muito tempo lendo no celular / é normal que depois eu sinta dor de cabeça.


No dia que eu estiver com o livro em mãos / será possível dizer que meu esforço valeu a pena.


Sendo assim, podemos dizer que, nesses casos, é facultativo o uso ou não da vírgula para separar as orações. Mas tenha sempre o cuidado de conferir se a frase não ficará estranha, ambígua ou algo do gênero — na dúvida, melhor pontuar.


Quando a oração principal está no lugar dela de direito, que é à frente da oração adverbial, é muito difícil que haja o uso de vírgula, principalmente quando a oração principal é curta. E como a oração adverbial expressa circunstância, ela pode vir intercalada e, nesses casos, é importante isolá-la com vírgulas para demarcar essa intercalação. Por exemplo:


E, quando isso acontece, eu fecho os olhos e respiro fundo.


Há também as orações subordinadas adverbiais proporcionais, que seguem a mesma regrinha de serem virguladas quando estiverem deslocadas, no entanto isso não é bem verdade para as seguintes: “tanto mais… quanto mais”, “quanto mais, melhor”, “quanto mais, mais”, “quanto mais, menos”, etc., que pedem por vírgula sempre. Veja um exemplo:


Quanto mais ele chorava e implorava, menor era a vontade dela de perdoá-lo.


Agora que você já sabe dessas regrinhas, vamos descobrir como pontuar as orações subordinadas adjetivas, que são aquelas que funcionam como adjunto adnominal ou pronome antecedente.


Elas podem ser explicativas, que obrigatoriamente são precedidas por vírgula ou entre vírgulas se intercaladas.


Comprei aquele livro de que falei, que se tornou o primeiro best seller da minha autora favorita.


O documentário sobre o holocausto, do qual ouvi falar pela primeira vez naquele fórum que você me indicou, foi muito bem recebido pelos alunos.


Queria visitar a França, onde ele nasceu.


Gosto de José Saramago, cuja escrita sempre me surpreende.


Agora é preciso tomar muito cuidado na hora de pontuar essas orações porque é bastante comum encontrá-las com o pronome relativo e o verbo auxiliar ocultos. Veja só:


O filho dela, escritor de romances, está para lançar um novo livro. = O filho dela, que é escritor de romances, está para lançar um novo livro.


Também existe a possibilidade de haver uma intercalação no meio de uma oração explicativa. Em casos como esses são usados mais duas vírgulas ou então elas são deixadas de lado, dependendo do tipo e do tamanho da intercalação. Veja só um exemplo retirado do livro “Manual da Boa Escrita”, pág. 47:


“O Declínio do Império Americano evoca uma superprodução estrelada por Charlton Heston, que, tendo-se perdido no tempo e no espaço, desembarca em 1986 no Canadá.”


A frase “tendo-se perdido no tempo e no espaço” está bem no meio da oração explicativa, que no caso é “que desembarca em 1986 no Canadá”. Alguns escritores poderiam eliminar a vírgula presente depois de “que”, que marca a intercalação, no entanto o mais recomendado é usá-la.


Diferente da oração subordinada adjetiva explicativa, a oração adverbial adjetiva restritiva não pede por vírgulas. E isso acontece porque ela é indispensável por particularizar, definir ou identificar um substantivo ou pronome expresso anteriormente.

Exemplos:


Guarde os livros, principalmente aqueles que você espalhou pela sala.


Os leitores que rabiscam os livros merecem ser punidos.


Como você pode notar, as orações restritivas também são introduzidas por pronomes relativos e normalmente aparecem intercaladas, porém ainda assim não são virguladas.


*Agora uma observação que se faz bastante importante e que tem a ver tanto com as orações coordenadas explicativas, mostradas no artigo anterior, quanto com as orações subordinadas causais: as orações introduzidas por “pois” e “porque”, que podem ser coordenadas ou subordinadas — e que, segundo Bechara, poderia ser abolida a diferenciação das duas e por isso deixei para explicar sobre elas aqui —, são pontuadas a depender do tamanho que possuem e da ênfase que você quer dar a elas. Sendo assim, a pontuação delas fica a critério do escritor e do que se quer passar. Agora é importante entender que, quando realmente se está tratando de uma causa, a vírgula antes de “porque” não deve ser usada.

Veja um exemplo desse último caso:


Ficaram em destaque não porque merecessem, mas porque não havia outra opção.


Por hoje é só isso mesmo, gente, mas continue ligadinho e estudando de forma ativa, porque logo voltaremos com um pouco mais sobre as pontuações entre as orações. Um abraço e até lá!


Texto por: Karimy


Referências:

  • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Breve gramática do português contemporâneo. João Sá da Costa, 1998
  • Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37.a Edição. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, Editora Lucerna, 2019.

Piacentini, Maria Tereza de Queiroz. Manual da Boa Escrita Vírgula, crase, palavras compostas. 2.a Edição. Rio de Janeiro: Lexikon Editora Digital Ltda, 2015.

9 Novembre 2021 00:00:06 0 Rapport Incorporer 1
~

A pontuação entre as orações coordenadas

Olá, pessoas! Tudo certo?

E nesta aula daremos continuidade à explicação sobre pontuação. Na aula anterior, foram passadas noções mais básicas sobre a virgulação, enquanto nesta aula você verá a pontuação sob o ponto de vista um pouco mais específico, abrangendo as orações coordenadas. Dito isso, caso esteja com qualquer dúvida que seja sobre o que se trata esse tipo de oração (e também se não se recorda sobre as conjunções), aconselho que dê uma olhadinha nos artigos que falam sobre elas para relembrar.

A verdade é que a virgulação pode parecer complicada, porém ela é bem mais simples do que se imagina, desde que você compreenda os termos de uma oração e saiba identificar determinadas situações da língua. Como sempre digo por aqui, o nosso intuito não é fazer com que você decore a nomenclatura de tudo, mas que você seja capaz de reconhecer e identificar a particularidade de cada termo.

Para facilitar seu aprendizado, talvez fique mais simples compreender as orações caso você se lembre também quais são as conjunções e suas funções. Por exemplo: as orações coordenadas sindéticas adversativas utilizam conjunções adversativas, e assim por diante.

Agora, prepare o caderno, pegue uma bebida bem gostosa e vamos lá!

Vamos começar falando sobre a oração coordenada assindética. Essa oração é uma das mais simples na hora de pontuar. Ao olhá-la, você será capaz de reconhecer regrinhas sobre as quais já conversamos no artigo anterior, o que vai ajudar muito também. Mas, para deixar a explicação mais simples, dê uma espiada no exemplo abaixo:

O protagonista se declacou para Juliana, chamou-a para sair, pediu-a em namoro.

Você conseguiu entender a estrutura dessa frase? Chega mais, vamos falar sobre ela: é nítido que essas orações estão unidas através da vírgula. Elas precisam da vírgula para não ficarem confusas. Se tirarmos a pontuação, tudo vai virar uma bagunça, não é mesmo? E, ao analisarmos frase por frase, percebemos com bastante propriedade que cada vírgula separa uma oração completa e com sentido. Se precisássemos transformar essa oração coordenada assindética em oração coordenada aditiva, precisaríamos apenas formar uma relação de coordenação entre uma frase e outra substituindo as vírgulas pela conjunção aditiva “e”.

Agora que você já explorou um pouco mais sobre esse tipo de oração, é importante se lembrar que essas orações coordenadas assindéticas são sempre separadas por vírgula; não possuem conjunções.

Vamos avançar mais um pouquinho nos estudos então. Sobre o que veremos daqui pra frente: você logo perceberá que, assim como nos termos das orações, a ordem das orações coordenadas sindéticas substantivas e adverbiais importam para determinarmos onde terá pontuação, porque a inversão da ordem das orações pede por pontuação.

Existem orações sindéticas aditivas com “e” e muitas pessoas pensam que é regra absoluta jamais usar vírgula para separar essa conjunção, no entanto existem algumas concessões, como o fato de que podemos separar a conjunção aditiva “e” quando estamos fazendo isso para separar orações coordenadas com sujeitos diferentes, como:

Os escritores matam os personagens, e os leitores sofrem por isso.

A vírgula antes da conjunção “e” enfatiza a mudança de sujeito e evita ambiguidade e confusão em alguns casos, portanto cabe a você analisar qual o melhor uso desse recurso, mas é importante não exagerar para não gerar desconforto ao leitor. Além disso, na linguagem jornalística e também na linguagem literária vemos isso sendo usado com bem menos frequência do que na linguagem acadêmica.

Também, existem frases que utilizam a vírgula antes do “e” separando duas orações coordenadas aditivas mesmo quando não há sujeito diferente, apenas para dar ênfase ao que se quer dizer. É um uso que exige cuidado redobrado, principalmente para não se tornar um vício da escrita, por isso precisa ser pensado com cuidado e usado de forma estratégica. Um exemplo de bom uso desse recurso seria uma frase como:

Me neguei àquele papel, e me negarei quantas vezes for necessário.

Existe também o seguinte caso:

Os alunos conversavam e brincavam e faziam o que bem entendiam naquela aula.

Alguns gramáticos apontam que é facultativo usar ou não vírgula para separar essas orações, por causa da incidência de muitas conjunções iguais, no entanto a maioria dos gramáticos pede que a vírgula seja utilizada nesse caso, o que deixaria a frase assim:

Os alunos conversavam, e brincavam, e faziam o que bem entendiam naquela aula.

E qual dessas opções você deve escolher para casos facultativos assim? Isso vai depender da sua intencionalidade (ou da banca, caso você esteja prestando um concurso ou algo do tipo).

O importante ao lidar com orações coordenadas aditivas é se lembrar que elas adicionam uma informação à oração anterior. Levando isso em conta, podemos perceber o motivo de a maioria dessas orações serem tratadas como orações sem necessidade de pontuação. Existem muitas outras conjunções que ligam orações coordenadas aditivas e elas também não costumam ser pontuadas, por possuírem essa noção de conexão. Veja um exemplo de oração coordenada aditiva com “nem”:

Não diga isso agora nem amanhã, pense com o máximo de cautela.

O “bem como”, “assim como”, “mas também”, “não só” e equivalentes também fazem papel de coordenativas aditivas, portanto muitas vezes podem ser encontradas sem pontuação, justamente por trazerem essa noção de conectividade. Sim, é isso mesmo que você entendeu! Apesar de “mas também” ser constituído por uma conjunção adversativa, que em via de regra pede por vírgula, pode-se dispensar o uso da vírgula por conta do significado de “mas também”, que pode ser substituído por “e”. Então, você pode ou não usar vírgula para separar “mas também” em uma oração coordenada aditiva. Veja um exemplo extraído do livro “Moderna Gramática Portuguesa”, do gramático Bechara, pág. 396:

“Não só o estudo mas também a sorte são decisivos na vida”

*E já que estamos falando sobre isso, acho necessário dizer que existem casos também onde o “mas” não necessita obrigatoriamente de vírgula, quando ele liga expressões de mesmo valor sintático, por exemplo, e tem o valor de “e”, como em “Sou pobre mas feliz”, e isso acontece porque poderíamos escrever “Sou pobre e feliz. Usar a vírgula ou não nesses casos vai depender de você e do que você quiser passar pro seu leitor, mas é importante prestar muita atenção antes de optar por isso para não cometer equívocos. E lembrando que o mesmo ocorre com a conjunção “porém”.

Seguindo com os nossos estudos, vamos agora para as orações coordenadas adversativas, que são aquelas que vão contra alguma coisa. Essas orações são conhecidas pela utilização das coordenativas “mas”, “porém”, “no entanto”, “entretanto”, etc.

Antes de qualquer coisa, já gostaria de adiantar que não se usa vírgula depois de conjunção e de coordenativas adversativas. Estou pontuando isso aqui porque ultimamente tenho encontrado vírgula depois de “mas”, “porém” e afins em muitos e muitos textos, só que esse uso pode prejudicar a interpretação do leitor. A vírgula depois desses elementos só é usada para marcar frases deslocadas, o que na verdade tem a ver com o deslocamento, não com o elemento adversativo.

*Existe a possibilidade de usar a vírgula depois da conjunção adversativa para representar uma grande pausa, mas isso deve ser feito com muito cuidado e em momentos calculados, do contrário poderá tirar velocidade da sua narrativa e até mesmo deixar a leitura cansativa, por isso não é recomendado.

Agora que você já sabe isso, vamos falar um pouco sobre as orações coordenadas adversativas realmente, e já começo avisando que elas sempre pedem por vírgula antes de aparecerem em cena. Veja um exemplo:

Maria comprou pão, mas esqueceu de comprar leite.

Existe também a possibilidade de você movimentar essas orações, de forma a mudar a estrutura delas. Nesses casos, temos que tomar cuidado redobrado com a pontuação. Veja um exemplo:

Ordem direta:

O leitor estava ansioso, porém o autor continuou procrastinando.

Ordem indireta:

O leitor estava ansioso; o autor, porém, continuou procrastinando.

Viu só como mudamos a estrutura da nossa frase? E, por causa disso, foi inevitável tratar a pontuação de forma diferente. É importante lembrar que “mas” não deve iniciar orações e que, diferente dele, as adversativas “porém”, “todavia”, “contudo”, “entretanto” e “no entanto” podem estar no início, no meio ou no final das orações. Você precisa apenas tomar bastante cuidado com a pontuação.

E quando falamos sobre coordenativas adversativas não podemos deixar de lembrar de “e sim”, “mas sim” e “e não”, principalmente porque há muitas dúvidas na pontuação dessas locuções. Mas fique despreocupado, você vai conseguir compreender o que fazer com elas agora mesmo!

A locução “e sim” tem o significado de “mas”, por isso deve sempre vir precedido por vírgula e o mesmo acontece com “mas sim”. Veja um exemplo:

Não se deve falar da morte do personagem, mas sim do crescimento e andamento da história.

*Importante: a locução “mas sim” pode também ter o “sim” isolado por vírgulas:

Não se deve falar da morte do personagem, mas, sim, do crescimento e andamento da história.

Agora, quando falamos sobre a locução “e não” e “e sim”, com valor adversativo, a vírgula é opcional.

É muito emocionante quando se vê essa questão com olhos de escritor e não apenas de leitor. ou É muito emocionante quando se vê essa questão com olhos de escritor, e não apenas de leitor.

Ele nunca disse que seria jogador de futebol e sim escritor.

ou Ele nunca disse que seria jogador de futebol, e sim escritor.

Agora vamos compreender um pouco sobre o funcionamento da pontuação nas orações coordenadas conclusivas, que são aquelas que dão uma ideia de conclusão com relação ao que se foi falado anteriormente. As coordenativas conclusivas iniciam orações com muita frequência e, nesses casos, são seguidas por vírgula. Veja só:

Você escreveu errado. Logo, preciso que refaça a redação.

Não suporto suas desculpas; portanto, pare com essas bobagens.

É importante a gente sempre se lembrar que, se a oração que vier antes estiver separada por vírgula e a frase estiver na ordem direta, não devemos colocar outra vírgula depois da coordenativa conclusiva. Veja só:

Ele está lendo, portanto não faça barulho.

Você também pode movimentar as orações sem problema algum, mas precisa ficar de olho atento à pontuação:

Inicialmente, portanto, não existe um planejamento concreto para o enredo dessa história.

Quando usamos “pois” com função conclusiva, ele tem o mesmo significado de “portanto”, deve sempre estar depois do verbo e entre vírgulas:

Esta história é maravilhosa. Receberá, pois, muitos comentários.

Agora falaremos um pouco sobre as coordenadas alternativas, que são aquelas que expressam um sentido de alternância entre duas coisas ou mais, seja para mostrar compatibilidade ou incompatibilidade. Essas orações costumam carregar consigo “ora”, “já”, “bem”, “ou” (sozinhos ou duplicados), assim como “já… já”, “quer… quer”, “quando... quando” e alguns gramáticos incluem nessa lista o “seja… seja”, apesar de ele poder ser flexionado a depender da frase (sejam… sejam).

E quando devemos utilizar a vírgula em orações coordenadas alternativas? A resposta para essa pergunta é bem simples, na verdade. Devemos usar a vírgula quando quisermos dar uma noção de pausa à frase, o que quer dizer que a vírgula nesse tipo de oração é facultativa. Veja alguns exemplos:

Ou você fica em casa, ou vai comigo no mercado.

Você vai para casa ou para a biblioteca?

Ele é bastante confuso. Ora diz que gosta dela e ora diz que é só amizade.

Já as orações coordenadas explicativas são aquelas que justificam e explicam a oração anterior. Elas podem ser introduzidas por “porque”, “pois” (no início de oração), “que” (com significado de “porque”), “porquanto”, etc.

Exemplo:

Leve roupas confortáveis, porque lá é bastante acidentado.

Bom, gente, eu sei que parece ser bastante coisa, mas também tenho certeza de que você deve ter conseguido tirar de letra as informações passadas por este artigo. Lembre-se: depois de estudar aqui, é sempre bom pesquisar um pouco mais nas gramáticas para entender cada oração e a virgulação delas com mais propriedade. Na internet você também consegue achar vários exercícios legais para praticar.

Espero que tenha gostado da aula de hoje. Até a próxima!

Texto por: Karimy

Referências:

  • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Breve gramática do português contemporâneo. João Sá da Costa, 1998
  • Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37.a Edição. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, Editora Lucerna, 2019.

Piacentini, Maria Tereza de Queiroz. Manual da Boa Escrita Vírgula, crase, palavras compostas. 2.a Edição. Rio de Janeiro: Lexikon Editora Digital Ltda, 2015.

26 Octobre 2021 14:09:42 0 Rapport Incorporer 2
~

A maravilhosa e temida vírgula

Olá, pessoas! Tudo certo?


Enfim chegamos no ouro, hein?! Muitas pessoas buscam na internet sobre o emprego de vírgulas. Inclusive, aposto que em algum momento você já deve ter buscado algo. É uma coisa bastante normal, acredite. E está tudo bem. O grande problema aqui é outro: a falta de conhecimento nas outras áreas da gramática, como as classes morfológicas. Se você não conhece as conhece, dificilmente vai compreender a explicação de um gramático ou de um professor sobre como usar as vírgulas e as pontuações em geral, isso porque, para pontuar, você precisa saber o que está pontuando.

Justo pelo fato de a grande maioria das pessoas que buscam por informações quanto à pontuação não conhecerem os termos da oração e afins, que existem tantas reclamações acerca do uso da vírgula. Que a vírgula é difícil. Que não dá para entender a vírgula. Que o negócio é pontuar onde quiser. Entre outras coisas. Então, aconselho que, se você ainda não conhece muito sobre as classificações das palavras e afins, leia o conteúdo do blog na sequência correta antes de vir para este artigo. Dessa forma, você vai conseguir compreender tudinho que está escrito aqui.

Então vamos lá desvendar os mistérios da vírgula!


A vírgula pode ser vista sob duas perspectivas: a semântica e a sintática. Mas fique calmo, vou explicar agora mesmo o que isso quer dizer. Observe a seguinte exclamação:

Não vá!


Através do ponto de vista semântico, notamos que, dependendo de onde a vírgula estiver posicionada, o significado do que foi escrito pode ser completamente diferente. Para entender o que isso significa, observe agora outra exclamação:


Não, vá!


Olha só. Tá-dá-dá-dá! Você percebe que usei as mesmas palavras da exclamação anterior, a única diferença é que a primeira não tem vírgula e a segunda tem? O que isso modifica no significado dessas frases?

“Não vá!” significa um pedido para que uma pessoa permaneça onde ela está. Enquanto “Não, vá!” significa um pedido para que a pessoa se retire de onde ela está e vá para outro lugar.

Agora, o ponto de vista sintático do uso da vírgula tem a ver com a utilização da ordem direta. Já falamos em outra aulinha por aqui sobre o uso da ordem direta e indireta das palavras, sobre a relação que as palavras estabelecem entre si. E, quando as palavras estão organizadas na ordem direta (e não há repetição de termos de mesmo valor), não há o emprego de vírgulas.

Vamos exemplificar:


Ana comprou um livro novo no Shopping.


Essa frase está na ordem direta, pois segue o padrão, que é Sujeito + Verbo + Objeto direto + Objeto indireto, ou ainda, Sujeito + Verbo + Predicativo + Adjunto adverbial. O mesmo acontece na seguinte frase:


O proprietário da loja do Shopping vendeu um livro durante o horário de almoço.


É uma frase enorme, não é mesmo? Você colocaria vírgula em algum lugar nela? Acontece que, assim como na primeira frase, essa não precisa de vírgula, pois se encontra na ordem direta.


O proprietário da loja do Shopping = Sujeito

Vendeu = verbo

um livro = objeto

durante o horário de almoço = adjunto adverbial


Quando aprendemos sobre a vírgula, é normal que digam que a vírgula é uma pequena pausa. Essa não é uma definição de todo incorreta, até porque através dela começamos compreender a forma como devemos lidar com essa pontuação, no entanto não é também uma definição completa. Do contrário, cada um pontuaria de acordo com o ritmo de fala que possui ou até mesmo todas as vezes que se sentisse cansado durante a fala. E não é assim. Existem regras para a colocação da vírgula, pois dessa forma podemos evitar ambiguidades, confusões, etc.

Pensando nisso, querido padawan, você deve estar se perguntando quando deverá usar vírgula então. E eu respondo agora mesmo para você!


A vírgula deve ser usada para separar termos de mesma classificação morfológica ou função sintática. O que isso significa? Quer dizer que, sempre que tivermos mais de um termo de mesmo valor (sujeito, verbo, complementos, adjuntos), eles devem, por obrigação, ser separados por vírgula para evitar problemas de compreensão. A vírgula apenas não será necessária caso haja a união dos termos pelas conjunções “e”, “ou” e “nem”.

O que quer dizer, simplificando e com exemplo:


Ana, Joana, Tereza, Maria das Dores e Thiago jogaram a mochila, os tênis e os casacos por cima do muro, ontem, de noite.


Nessa frase nós temos “Ana, Joana, Tereza, Maria das Dores e Thiago” e todos eles são sujeitos da oração — e substantivos. Por todos pertencerem a uma mesma classe de palavras, precisam ser separados por vírgula, salvo no caso do último nome, que está junto do penúltimo através da conjunção “e”. Depois disso, temos um verbo, que é “jogaram” e, em seguida, temos mais três substantivos: “a mochila, os tênis e os casacos”, que são, nesta oração, classificados como objetos. Por terem a mesma função, precisam estar separados por vírgula, salvo pelo último, que está junto do penúltimo pela conjunção “e”. E então temos “por cima do muro, ontem, de noite”, que são adjuntos adverbiais da frase. Por pertencerem à mesma classificação, são separados por vírgula.

Agora que você já entende como essa regrinha funciona, dê uma olhadinha em mais alguns exemplos:


Não vou, não.


Eles estão presos aos ideais, aos desejos e aos padrões impostos pela sociedade.


Ele jamais teve permissão para ver Maria, Rebeca ou Ana depois daquilo.


A vírgula também deve ser empregada para marcar termos deslocados na oração. Um pouquinho para cima neste texto já falamos sobre a ordem direta de uma frase. No entanto também temos a ordem indireta, que é quando deslocamos de lugar os termos da nossa frase.

Um problema muito comum, nesse caso, é a falta de vírgula para separar adjunto adverbial e oração adverbial deslocados. Quando um adjunto adverbial ou oração adverbial está posicionado depois da oração principal, ele está no lugar certo dele, portanto não há necessidade de usarmos vírgulas. Porém é muito fácil encontrar adjunto adverbial ou oração adverbial no começo ou no meio de uma frase, fora de seu local, e é muito importante lembrar de separá-los com vírgula quando isso acontecer.

E aqui vai mais uma informação muito, muito importante, então anote a dica: sempre devemos usar vírgula em orações adverbiais deslocadas. No entanto, quando falamos sobre adjunto adverbial, há concessões: se ele for pequeno, o uso ou não da vírgula é uma questão facultativa, vai depender do escritor e da intencionalidade dele. E o que são adjuntos adverbiais pequenos, oras?! Bom, de acordo com as gramáticas, um adjunto adverbial de uma palavra só é pequeno e por isso os que possuem mais do que uma palavra precisam ser obrigatoriamente virgulados, no entanto a ABL (Academia Brasileira de Letras) diz que apenas adjuntos adverbiais com 3 ou mais palavras são considerados grandes.

Se você for fazer um concurso, é bom ver o que diz a banca, porque cada uma pode ditar algo diferente, hein.

Para compreender melhor, observe os seguintes exemplos:


Léo comprou um livro na plataforma de autopublicação Inkspired.


Nessa primeira frase, não há vírgula justamente porque o adjunto adverbial está ocupando seu lugarzinho de direito. A frase está na ordem direta, como você já deve ter captado.


Na plataforma de autopublicação Inkspired, Léo comprou um livro.


Nessa segunda frase, o adjunto adverbial está no começo da frase, ocupando um lugar que não é dele originalmente. Por causa disso, ele precisa ser separado por vírgula.


Léo comprou, na plataforma de autopublicação Inkspired, um livro.


Nessa terceira frase é onde mora o problema e por isso muita atenção é necessária. É muito, muito comum ver frases como essa com apenas uma vírgula, que seria a última vírgula, no caso (Inkspired, um), e isso quebra completamente a frase, porque separa o verbo (comprou) e seu complemento (um livro), o que não pode acontecer jamais. Então é importante você conseguir identificar onde começa e onde termina o adjunto adverbial para não correr risco de cometer erros quando o deslocamento estiver no meio da frase. O correto é separá-lo integralmente da frase, colocando-o entre vírgulas, em casos assim.

Veja mais exemplos:


Na semana da páscoa, Ana teve muita dor de dente.


Para evitar uma possível briga, Rafael achou melhor não tocar no assunto.


Quando o diretor entrou, Cássia saiu, pois estava cansada de encrencas.


Cansada de tantas encrencas, quando o diretor entrou, Cássia saiu.


Facultativo com uma palavra:


Ontem fui à praia.


Ontem, fui à praia.


Facultativo com até três palavras:


De repente, Raimunda abriu a porta com um pontapé.


De repente Raimunda abriu a porta com um pontapé.


Na Praia Grande, as meninas se divertiram como nunca.


Na Praia Grande as meninas se divertiram como nunca.


Lembrando mais uma vez: ao fazer um concurso, é importante verificar o que diz a banca. Algumas defendem o mesmo que a ABL, mas algumas defendem apenas a justificativa, por exemplo.

Há também uso, claro, de outros elementos deslocados, como o predicativo. Veja só:


Janaina chegou sorridente.


Aqui é importante entender que se imagina que, depois de “chegou”, há outro verbo, que no caso seria um verbo de ligação: “Janaina chegou e estava sorridente”. Vê só como o significado da frase não muda em nada? Em vez disso, apenas complementamos o que se sabe através das entrelinhas, por assim dizer. E como essa estrutura está na ordem direta, não há necessidade de colocarmos vírgula. No entanto, veja o que acontece se mudarmos as posições:


Janaina, sorridente, chegou.


Graças à nossa pequena mudança de lugar, a vírgula aparece. Pelo fato do predicativo “sorridente” ter ido do final para o meio da frase, precisamos isolá-lo usando vírgulas.

Agora, veja como fica se colocarmos o predicativo no começo da frase:


Sorridente, Janaina chegou.


É muito comum encontrar frases com o predicativo deslocado para o início de uma frase sem a vírgula o separando, então é importante tomar cuidado com esse deslocamento. E se você não tomar esse cuidado na hora da pontuação, pode deixar a frase completamente confusa.

Agora veja só como tudo pode mudar:


O rapaz saiu contente.


Nesse primeiro exemplo, temos um predicativo do sujeito e para provar podemos colocar um verbinho ali no meio da frase, veja: “O rapaz saiu e estava contente”. Como está na ordem direta, não há necessidade de virgulação.


O rapaz contente saiu.


Agora, nesse segundo exemplo, temos uma estrutura um pouco diferente. Vê que “contente” não está deslocado? Até porque, se estivesse, precisaria ter vírgulas o isolando do resto da frase. Então o que é esse “contente” nessa frase? Um adjunto adnominal! Esse adjunto está classificando o rapaz como o rapaz contente (podem ter outros, vários rapazes saindo por ali, mas esse é especial, porque ele é contente). “Contente” é uma característica fixa dele, é algo que o caracteriza sempre e com eficiência.


O rapaz, contente, saiu.


Diferente do segundo exemplo, esse terceiro carrega a palavra “contente” entre vírgulas, e isso acontece porque se trata de um predicativo do sujeito deslocado. Ele estava contente no momento que saiu — o que é bastante diferente de ele ser contente como uma característica intrínseca a ele. Nessa frase, “contente” é uma característica momentânea.

Viu só como é importantíssimo prestar atenção? Por isso vivo dizendo nos meus textos pra você voltar em outro artigo caso não se recorde sobre um termo. Precisamos estar afiados pra entender tudo direitinho.

Mas vamos prosseguir, que sei que você tá indo mais do que bem nesta aula!


A vírgula também pode ser usada para indicar a supressão de uma palavra — geralmente o verbo — ou de um grupo de palavras.

Exemplo:


Elas levaram as flores; eles, os chocolates.


Como pode perceber, essa vírgula está marcando o lugar do verbo “levaram”, que foi suprimido na frase.


Eu leio terror; ela, romance de época.


Mais uma vez, um exemplo mostrando a supressão de um verbo.


A vírgula também é usada para separar aposto e vocativo.

Um dos erros mais comuns é a falta de vírgula para separar vocativos em uma frase. E por isso mesmo é necessário que se tenha um cuidado redobrado para identificar os vocativos, até porque esse erro costuma acontecer justamente porque há essa dificuldade de localizar o que é ou não um vocativo.

Antes de qualquer coisa, é importante você entender que o vocativo é como você chama alguém. É um chamamento. E por ser uma forma de chamar uma pessoa, ela não precisa ser necessariamente um nome, como Emanuela, pode ser também um apelido, um xingamento, uma palavra doce — ou até o nome de um doce — , enfim.

O importante é você não confundir o vocativo com o sujeito de uma frase também, o que pode ser muito comum quando se está aprendendo essa pontuação. E para identificar é válido se lembrar que o vocativo não faz parte da frase; ou seja, ele não vai fazer falta se for retirado dela. Além disso, o sujeito não pode ser separado por vírgula do seu predicado, então é bom analisar a estrutura frasal também.

Veja alguns exemplos de vocativos empregados em frases:


Anderson, cadê você?


Meu docinho, onde está doendo?


Quando mesmo, Rafael, que vai ser o evento?


Que horas você foi, Vitória?


Um dia vamos lá, boba!


Percebeu outra coisinha com relação à vírgula e o vocativo? O vocativo não é virgulado apenas se ele vier no início da frase. Ele vai receber vírgula se vier depois da frase e vai ficar entre vírgulas se estiver no meio da frase. Ou seja: o vocativo precisa ficar isolado da frase.


E se você quiser relembrar sobre vocativo e também sobre aposto, basta clicar aqui.


Sobre o aposto e a vírgula: os tipos de aposto que recebem a virgulação são os apostos explicativos, comparativos, circunstanciais e da oração.

Exemplo de aposto explicativo:


A Aniquilação, filme de ficção, é excepcional.


Exemplo de aposto comparativo:


Os olhos do gato, faróis na escuridão, me assustaram.


Exemplo de aposto circunstancial:


Devido ao temporal, nosso clube de leitura foi cancelado esta semana.


Exemplo de aposto da oração:


Ângela disse que não vai mais escrever, o que me deixou preocupada.


E o aposto enumerativo é geralmente separado por dois pontos e a enumeração que o segue costuma carregar vírgulas. Veja:


Ela só queria isto: paz, silêncio e um milhão de reais.


Usamos a vírgula, também, para separar interjeições.

De acordo com Cunha e Cintra, as interjeições vem de regra acompanhadas por exclamação, no entanto Bechara acrescenta que “Podem, entretanto, assumir papel de unidades interrogativo-exclamativas e de certas unidades próprias do chamamento, chamadas vocativo, e ainda por unidades verbais, como é o caso do imperativo”.

Você pode separar as interjeições das frases usando todos os tipos de pontuação. Qual pontuação você usará, dependerá da frase que você estiver escrevendo e também do que você quiser expressar com ela. O importante é jamais se esquecer de usar uma pontuação para separar as interjeições da frase.

A vírgula também é utilizada para separar expressões explicativas ou conclusivas, que podem ser: aliás, assim, isto é, ou seja, ou melhor, por exemplo…


Tenho dinheiro, ou seja, vou comprar um livro. (Só os leitores entendem essa!)


Comprei um livro ontem, ou melhor, anteontem.


Uffa! Acredito que agora conseguimos terminar o nosso apanhado geral. Porque, sim, esse foi um apanhado geral sobre as regras de utilização das vírgulas, mas ainda há muito mais o que ser falado sobre elas, então fique ligadinho aqui no blog, que o próximo artigo vai falar sobre a utilização das vírgulas nas orações coordenadas e subordinadas. Nos vemos lá!


Texto por: @Karimy


Referências:

  • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Breve gramática do português contemporâneo. João Sá da Costa, abril de 1998
  • Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37.a Edição. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, Editora Lucerna, 2019.
14 Septembre 2021 18:14:43 0 Rapport Incorporer 1
~
En savoir plus Page de démarrage 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15