Rainhas históricas Suivre un blog

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Everton Soares
A mulher histórica não é parte integrante da sociedade, ela é a sociedade como um todo. Conhecer a estrutura da mulher no nosso passado, trazer ao presente e transpor para o futuro. Esse é o caminho para eliminar os preconceitos e criar uma nova concepção.

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A Mulher comunista

A historiografia desenvolvida por Karl Marx vai buscar um modelo de análise da sociedade baseada nas relações de trabalho. Ou seja, como os meios de produção agem para o desenvolvimento da civilização ou como se dá as relações entre senhores e servos em diferentes contextos na manutenção de um sistema.

Ao buscarmos uma análise da mulher na história usando como base esse modelo de pensamento - o marxista - vamos entender a figura feminina dentro das relações de trabalho e poder. Afinal, qual a importância da mão de obra feminina? Por que em um projeto de trabalho ela raramente está em posição de poder, mas muitas vezes subalterna ao patriarcado?

Vamos olhar para a União Soviética. A União Soviética tornou-se o primeiro país do mundo a garantir às mulheres o direito ao aborto legal. Dois anos antes, o Código da Família, promulgado pelos bolcheviques, havia instituído o casamento civil em substituição ao religioso e estabelecido o divórcio a pedido de qualquer um dos cônjuges. O governo que emergiu da Revolução comunista de 1917 também incentivou a educação feminina e encorajou as mulheres a assumirem os mesmos postos de trabalho que os homens pelos mesmos salários. Segundo a historiadora americana e professora da Carnegie Mellon University, Wendy Goldman, os ideais de emancipação da mulher e "amor livre" que inspiraram o movimento feminista ocidental nos anos 60 e 70 já eram debatidos nos primeiros anos da URSS.

No entanto, “a experiência da liberdade foi muito dolorosa para as mulheres”, afirma Goldman. E a culpa foi, em boa parte, dos homens. A facilidade para divorciar levou muitos homens soviéticos a terem relacionamentos breves com mulheres, engravidá-las e abandoná-las. A irresponsabilidade masculina tornou as mulheres mais conservadoras. Elas passaram a exigir o fortalecimento da família e que os homens fossem obrigados a pagar pensão alimentícia, já que o Estado soviético não tinha recursos para cuidar de todos os filhos do amor livre.


Fonte: https://epoca.oglobo.globo.com/ideias/noticia/2014/05/uniao-sovietica-foi-pioneira-nos-bdireitos-das-mulheresb-afirma-historiadora-americana.html


O feminismo socialista constitui uma ideologia na qual defende que o capitalismo reprime a mulher. Na sociedade capitalista, a mulher não assume postos altos no trabalho em razão do preconceito. A justificativa das grandes corporações ao rejeitar mão de obra feminina consiste na ideia de que elas são mais frágeis, pouco funcionais e possuem dependências biológicas que atrapalham os negócios. O que é extremamente controverso, pois hoje entendemos o sexo feminino como o mais ágil, criativo, dinâmico e flexível. Uma empresa que busca melhor rapidez e praticidade precisa da mulher, além de que a presença feminina costuma tornar o ambiente menos hostil.

Essa reflexão não quer dizer que o socialismo é bom para as mulheres ao garantir esses direitos básicos, afinal houveram muitas perseguições contra a mulher em alguns regimes comunistas, assim como nos capitalistas. A questão do trabalho e as relações de poder dentro de uma corporação estão intrínsecas com o papel da mulher na sociedade e na ideologia, seja ela capitalista ou comunista.


15 Avril 2022 20:23:29 0 Rapport Incorporer 1
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Cleópatra, a rainha do Egito

Vamos, enfim, falar de uma rainha. Ou melhor, uma faraó. Cleópatra não foi a única mulher a ter um cargo de poder no Egito Antigo, temos Nefertiti também, mas ela jamais esteve nas sombras de homens poderosos como Alexandre, César e Marco Antônio.

Cleópatra é filha de Ptolomeu 12, nasceu na Grécia e foi a primeira rainha grega a aprender o idioma egípcio, além de adotar as crenças e cultura do Egito. Uma de suas maiores ambições era devolver ao Egito seu antigo esplendor. Ela se casou com seu irmão (o incesto era muito comum na época, afim de manter a linhagem sanguínea) e enfrentou uma guerra contra o mesmo. Auxiliada por Roma, ela transforma a invasão romana em uma aliança para sua nação.

A faraó se tornou amante de Júlio César com o qual teve um filho. O imperador defende os direitos de sua amada ao trono e faz dela a única rainha do Egito. Ela não é recebida em Roma com muita receptividade, devido às tensões que havia no senado romano contra César que é assassinado. Sendo assim, Cleópatra retorna com seu filho para o Egito.

Após o fracasso do primeiro triunvirato em Roma, um segundo é formado. Este planeja uma expansão para o Oriente e Marco Antônio convoca a rainha egípcia para um encontro na cidade de Cilícia. A rainha foi em uma embarcação adornada com ouro e prata para mostrar toda sua riqueza e poder, foi então que Marco Antônio se apaixona por ela. No entanto, ele deve voltar a Roma para se casar com sua destinada.

O imperador romano e Cleópatra deram luz à gêmeos que receberam o nome de Alexandre e Cleópatra pelo casal, mas mesmo assim a rainha se encontrou isolada após a volta de Marco Antônio. A pedido dele, os dois se juntam contra os Partos na Antioquia. Seus terceiro filho nasce, mas a guerra contra os Partos termina em derrota para o casal e Otávio (outro membro do triunvirato) usa isso para instigar os romanos contra Marco Antônio. O homem ainda faz de sua amada rainha da Síria, Cicília, Chipre e Arábia e isso provoca a raiva de Otávio que declara guerra contra a faraó. A frente de uma poderosa frota, Marco Antônio é derrotado por Otávio e seu general Agripa. Acreditando que foi abandonado por Cleópatra, ele comete suicídio com sua própria espada e, ao saber disso, Cleópatra faz o mesmo se deixando (segundo a lenda) ser picada por uma cobra.

Repare como Cleópatra consegue estar em posição de muita influência frente a homens tão poderosos, dominando-os. Ela articula meios para reestabelecer seu poder e de sua nação, mas sem perder sua feminilidade. Na verdade, usando disso como artimanha política. Ela, ainda que uma rainha poderosa, tem amor pelos filhos e é uma boa mãe. Ela também está presente nas batalhas e nos conflitos e também esbanja riqueza, de todas as formas. De certa forma, sem os homens de Roma ela não teria tanta relevância, mas ela soube se aproveitar de grandes nomes e usá-los como escada para seu sucesso. Hoje, ela é usada como símbolo de emancipação, liberdade e poder feminino. Inegavelmente um exemplo de representatividade e força feminina de sua época e que inspirou muitas outras ao longo da história.



13 Mars 2022 18:47:21 0 Rapport Incorporer 1
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A mulher e o sexo

Uma das características substanciais para a sobrevivência de toda espécie, usando o pensamento darwinista, é a adaptação. Não necessariamente força ou quaisquer características que impõem poder. Na realidade, os animais que conseguiram sobreviver a diversas extinções são aqueles que melhor se escondem e que melhor se aproveitam do meio ambiente. Com os seres humanos não foi diferente, afinal somos seres biológicos como qualquer outro. Apesar de termos uma racionalidade muito superior a qualquer outro bicho, ainda temos dependências naturais e, muitas das vezes, nossos instintos animais falam mais alto que nossa frágil consciência criada por uma cultura maleável. Um exemplo disso? Ainda dependemos do sexo. Mas não apenas para reprodução, como também para prazer. Em algumas ocasiões, como passatempo preferido. Todo ser que não seja assexual quer o sexo, variando entre pequenas e grandes proporções. Com o passar dos anos, as noções sobre sexo vão mudando na mente humana e vão se criando novas variações dela que se adaptam ao meio social. O sexo, então, deixa de ser apenas uma necessidade biológica de reprodução e passa a ser também uma forma de emancipação, de maturidade e de aceitação, principalmente entre as mulheres.

Tendemos a pensar que o sexo é um dote masculino, mas esse pensamento está completamente equivocado. A prática do sexo é completamente feminina, não só porque ela possui os hormônios mais latentes, como ela também estuda e amplia seus desejos negados historicamente. Mas vamos com calma: o estupro é uma patologia social praticada por maioria masculina contra as mulheres, isso porque eles (os homens e eu não me incluo nisso) têm pouco controle sobre seus desejos sexuais e não entendem como ele funciona. O machismo estrutural faz o homem pensar no sexo como uma brincadeira. Na antiguidade medieval era incentivado que o homem tivesse muitas esposas, bastardos e frequentasse prostíbulos mesmo que fosse casado. A mulher era o objeto masculino do sexo e foi assim durante muito tempo na história.

Ao menos na sociedade medieval mais religiosa, quando a Igreja já detinha muito poder social, o sexo era uma prática pecaminosa e muitas mulheres eram obrigadas a se isolar nos conventos para se afastarem do desejo do sexo. Na teoria, a "pureza" feminina e masculina seria um método não só de controle dos pecados, como também da natalidade. Na prática, muitas mulheres desejavam experimentar o sexo e muitas delas já experimentaram inclusive na infância. Vale lembrar que era extremamente comum o incesto em famílias de todas as classes sociais medievais, até mesmo entre figuras religiosas poderosas como o papa Bórgia e outros casos de pedofilia envolvendo inúmeros mestres religiosos da época. Ou seja, mesmo que seja possível fugir do sexo, é difícil confrontá-lo.

E a situação das prostitutas? Essa profissão (e isso vai depender da sua noção de profissão) é considerada uma das mais antigas do mundo e realmente é. Na antiguidade elas eram incorporadas ao meio mais comum, fazendo parte das ruas e das casas de seus senhores. Muitas das vezes, nem mesmo a dona de casa e suas filhas estavam isentas desse futuro tão infrutífero. Em alguns casos, meninas e meninos recém desleitados já eram escravizados por povos inimigos e levados para servirem de escravos sexuais ao desejo masculino tão incontrolável. A mulher no tempo sofreu sexualmente e até hoje ainda sofre muito. Uma mudança drástica é necessária nesse quadro, mas ele ainda está relativamente longe de mudar.

Finalizando, falamos de um panorama geral sobre a mulher e o sexo na história, mas como elas pensavam a respeito disso? Numa análise rasa, algumas mulheres gostavam desse estilo de vida, uma vez que não tinham abertura para outros oportunidades. Estamos falando de uma estrutura sólida que não abre portas para a mulher. Em muitos outros casos, a mulher detestava essa vida e faria de tudo para mudar, para deixar de servir ao homem e seus desejos de criança. Elas podiam assassinar seus cônjuges, abandonar e fugir de seus prostíbulos com seus filhos, mas ainda venderiam seu corpo para sustentá-los. Elas poderiam procurar um convento, mas ainda seria hostilizada como ex-prostituta pecaminosa e obrigada a pagar pelos seus pecados no exílio. Enfim, a história do sexo e da mulher é longa, complexa e muito triste.



13 Mars 2022 18:17:52 0 Rapport Incorporer 1
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A mulher pré-histórica

A noção de mulher e toda sua conjuntura recai sobre o olhar social, ou seja, ao contexto e aos conceitos de cada geração que perpassa pela história. Conhecemos a mulher moderna - a heroica, que luta contra o patriarcado - mas temos total desconhecimento da mulher primitiva, aquela que viveu aqui milhares de anos antes do movimento feminista e da emancipação.

Na escola, especialmente, nas aulas de pré-história é comum atribuir o papel da mulher ao papel doméstico, o da casa e da colheita. Enquanto as aventuras, o radical - que é letal - recai sobre o homem. A justificativa mais comum para essa atribuição está na ideia do corpo biológico inferiormente desenvolvido da mulher, da gravidez e da sensibilidade. Uma ideia hoje já muito ultrapassada. Muito antes da descoberta da agricultura, existem vestígios que mostram a mulher como ativa no papel da caça, no auxílio do corte, no manejo de lanças e no deslocamento dos animais que eram mortos para fins alimentares.

Uma coisa a se pensar: a caça não era a principal atividade dos primeiros humanos. Na realidade, muitas das vezes a caça era um desafio extremo, raramente de sucesso. Nos períodos em que a caça estava em baixa, a coleta de folhagens, frutos e raízes era uma tarefa rotineira e garantiam o sustento de todo um grupo. A mulher assumia liderança nessa prática, coletando e selecionando para alimentar sua família. Os homens, muitas das vezes com muitas esposas e filhos, pouco preocupados, mais interessados na segurança da aldeia, na guerra e na caça. Ás vezes passava horas descansando, passeando pela selva. A mulher era a dona do lar, isso é inegável.

No paleolítico, período em que os humanos passavam grande parte do tempo como nômades, temos a presença de pinturas rupestres, atividades artesanais e fabricação de armas com comprovada autoria feminina, como os encontrados na Austrália. Ou seja, a mulher não era apenas a "parceira' do homem ou a cuidadora das crianças, ela era a "mulher da casa" a que sustentava e cuidava do lar, das crianças, idosos e doentes. Além de cuidar de si mesmas e de suas necessidades.

Para finalizar, como a mulher pré-histórica era vista? Para o olhar patriarcal contemporâneo, a zelosa cuidadora. Para o ser primitivo, temos a Vênus de Willendorf, uma figura pequena (11 centímetros de altura), mas que tem um valor gigantesco. Nela, a mulher é avantajada, de seios largos e fartos, cintura suntuosa, bem como uma progenitora. A mulher primitiva representa a fertilidade, mas tem muito poder dentro da sociedade pré-histórica: ela sustenta a casa, planta, colhe, forja e trata dos fracos. O homem, dentro dessa ideia, deveria ter papel secundário, mas a figura impositiva do guerreiro determinado a proteger seu lar ofusca a verdadeira rainha pré-histórica.

11 Mars 2022 22:17:20 0 Rapport Incorporer 1
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