Naturalmente Diabólico (HIATUS) Suivre un blog

dicaryophillus Dianthus Já parou para pensar, que a sua salvação pode vir com quatro patas, um rabo longo, olhos amarelos e uma pelagem preta? Dandara pode dizer, definitivamente, que depois que acordou e viu aquele gato preto sentado em seu colo lhe encarando, foi como se algo dentro de si tivesse acordado, nascido. Algo poderoso, que ia muito além de si mesma. Ali estava, sua salvação, sua ruindade, sua resposta, na forma de um gato preto.
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Capítulo 02 (G.P.)

Duas semanas depois


Você sabe, meu bem, como eu sempre fui um tolo apaixonado por palavras bonitas.


Às vezes acreditamos que um plano irá dar errado e, por isso, não o fazemos, pela ansiedade de um futuro que não existe e que será totalmente desastroso. É algo tão intrínseco no ser humano, que chega a ser até um comparativo com os seres do meu mundo, para tentar provar que viemos do mesmo lugar.

Uma tentativa errônea de tentar conseguir uma união dos mundos.

Não os julgo, visto que não estão totalmente errados. Essa união precisa acontecer, meu povo precisa de salvação e essa junção, é o que precisamos.

As terras humanas são extremamente ricas, mesmo que seus habitantes não reconheçam essas riquezas e estejam acabando com elas conscientemente. De qualquer forma, nós precisamos delas, visto que nossos suprimentos estão cada vez mais escassos e nossas terras não estão sendo fortes o suficiente para gerar alimento. E, por conta desses desastres, estou aqui, na Terra, vigiando uma humana.

Eu consegui me infiltrar de forma esplêndida e ainda ser muito bem recebido por ela, sem enfrentar muitos problemas ou impedimentos. Apesar de que eu tenha, quase certeza, de que aquele cara não vai nenhum pouco com a minha cara... Tudo bem que eu não faço por onde, mas também não pretendo.

Tenho um único objetivo e irei fazer o impossível para conseguir atingi-lo, nem que eu tenha que fazer ela se apaixonar por mim, só para depois acabar com tudo. Tudo por eles.

Mas, enquanto não precisamos chegar a níveis tão absurdos, irei aproveitar o máximo que eu conseguir. Afinal, fazia muito tempo que eu não tinha uma, tão merecida, folga e aproveitava como deveria.

Me espreguiço e deito confortavelmente, apesar da melancolia que começa a consumir meus ossos, pouco à pouco se espalhando pela minha carne. Ainda acho engraçado a forma como ela aparece, porque, mesmo que seja por causa Dela, esse sentimento também se parece muito com Ela em sua forma de agir. Ela definitivamente não me deixava triste e para baixo, mas Ela sempre aparecia de forma muito silenciosa, fazendo parecer um gato e, agora, também parecendo a melancolia.

É incrível como os adjetivos sobre alguém podem ir mudando com o tempo, sendo retirado alguns e acrescentado outros. É incrível como mesmo depois de tanto tempo, eu ainda sou capaz de acrescentar mais adjetivos sobre você, continuo mudando alguns e os melhorando... Mesmo depois de tanto tempo, eu ainda sou capaz de dedicar as melhores qualidades a você, mesmo que sempre acabo triste por saber que você não irá mais ouvir, nem irá mais saber suas novas qualidades.

De qualquer forma, antes de cair no sono, lhe direciono as melhores qualidades em belíssimas palavras novamente.

Você sabe, meu bem, como eu sempre fui um tolo apaixonado por palavras bonitas.

11 Février 2022 22:42:38 0 Rapport Incorporer 1
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Capítulo 01 (D.F.)

Eu preciso voltar a viver, mesmo que seja diferente de como era antes.

A garrafa na minha mão direita parece estar sempre escorregando, como se o chão a estivesse puxando para baixo. Ou talvez seja apenas a tal da gravidade.

Meus passos parecem um pouco grande demais e, em alguns momentos, pequenos demais.

Uh, odeio quando isso acontece.

Preciso me sentar.

Com um pouco de dificuldade, eu consigo chegar inteira até o quintal dos fundos e não demoro muito para me encostar na parede de fora e deixar a gravidade me puxar ao seu encontro.

Estou cansada e, além de ter desaprendido a andar, para ajudar, tudo está girando e tudo o que eu mais quero neste exato momento é dormir. Bem, essa parte aqui do quintal parece bem confortável para se tirar um cochilo... apenas um ronco... uma dormidinha... E antes que eu seja capaz de notar, o sono me dominou.

Entretanto, agora terei que lidar com a consequência de ter me esquecido momentaneamente do motivo da minha insônia.

Meus joelhos doem, por causa da queda, e ardem, por conta do chão de pedrinhas ter ralado eles após a queda. O coração palpita fortemente, bombeando sangue loucamente para o meu corpo, acreditando fielmente que estou em perigo, em alerta. E, logo em seguida, vem a dose de adrenalina, para eu correr na direção oposta da cena que estou vendo, para a direção oposta daquilo que está se apresentando como um grande perigo.

Meu corpo está tentando me salvar, tentando sobreviver, mas a cena diante de meus olhos, apenas faz meu cérebro decidir ficar.

"Fuja." Seus lábios dizem, já que não há força para que a voz se faça presente, ainda mais com aquele bicho, meio corvo, meio humano, gigante, que está sobre ele bicando seu estômago. "Fuja."

Engatinho um pouco mais para perto, aproveitando que o bicho está com sua atenção na barriga do meu pai. Ele insiste em me dizer para fugir, mas como eu seria capaz de fazer tal coisa? Como seria capaz de abandonar quem nunca me abandonou? Quem sempre confiou em mim, quem me deu colo quando mais precisei, quem deixou de lado as próprias dores, para poder cuidar das minhas.

— Pai — sussurro, de modo tão baixo que quase sou incapaz de ouvir minha própria voz.

O som da carne sendo cortada, me revira o estômago. É preciso muito esforço para não jogar o recém jantar para fora. Ainda mais que conforme vou ficando mais perto da cena, o volume do som aumenta. Se tornando mais repulsivo e desagradável do que eu poderia sequer imaginar.

Tento chamá-lo novamente, mas seus olhos apenas se fecham e, neste exato momento, o corvo para de bicar e levanta sua cabeça, fixando sua visão em mim.

E estou de volta à realidade. Sai inteira do mundo dos sonhos, ou melhor, pesadelos.

Aquela imagem terrível sai da minha frente, sendo substituída pelo quintal de casa, tão diferente daquele, tão barulhento. Percebo que algumas pessoas da festa saíram da casa e estão continuando a comemoração no meu quintal, era para eu estar junto com elas, mas acontece que acabei bebendo além da conta.

Abaixo a cabeça para, finalmente, averiguar o peso que estou sentindo no meu colo desde que acordei, e encontro um par de olhos amarelos me encarando de volta.

— É... meu amigo, gatinho, será se você poderia me dar licença? — peço ao animal e ele apenas me ignora, se enrolando e deitando no meu colo logo em seguida. — Okay, parece que isso foi uma resposta.

Tiro minha atenção do bichano e a volto para as pessoas ao redor da piscina, tentando procurar alguém que possa me ajudar com esse serzinho em meu colo.

O mais complicado é que dizem que quando um gato se aproxima de você de forma tão pessoal, quer dizer que ele te adotou. Ou seja, esse gato me adotou e isso não é algo bom, é algo péssimo porque eu tenho alergia a gatos.

Se bem, que dizem, que quanto mais tempo você passar com um gato, mais rápido você ficará imune ao pelo dele. Se procede essa informação, eu não sei, mas ainda acho um excelente argumento para ficar com um serzinho tão adorável. Mesmo que eu não tenha ninguém para convencer de que é uma excelente ideia ficar com um gato que apareceu do nada. Entretanto, parando para pensar de uma forma mais aprofundada, terei que convencer o otário do Lucas, que tenho certeza que não irá me deixar em paz por um bom tempo.

— Finalmente encontrei você.

Falando no diabo...

— Mas parece que te encontraram primeiro que eu.— Ele diz se referindo ao gato.

— Eu acho que ele me adotou, Cas — digo alternando meu olhar entre o homem agachado ao meu lado e o felino no meu colo.— Acabei tirando um cochilo aqui, você sabe como eu fico bêbada, e quando acordei, ele tava sentado nas minhas pernas me encarando. Aí eu pedi para ele sair e ele deitou.

O olhar dele sai dos meus olhos e vai para o gato. Não preciso estar raciocinando plenamente, sem nenhum efeito do alcoól, para saber que ele está levando muito a sério a minha lucidez e o quão equilibrada eu estou para poder tomar decisões, tentando entender qual pode ser a melhor solução para resolver esse problema.

Ele encosta a mão nas costas do gato e o bichinho acorda, mas apenas levanta a cabeça para o encarar. Os dois ficam se encarando por um tempo, quase como se estivessem se analisando e decidindo se vale a pena um confiar no outro, ou não.

Eu entendo toda a cautela do Lucas, tem sido dessa forma à um tempo, desde que voltei daquele lugar. Ele sempre está tentando me proteger de todas as formas, ao mesmo tempo em que tenta me colocar de volta no mundo real, tanto que hoje foi mais uma das suas provas disso. Aproveitamos para comemorar que ele entrou para a faculdade que queria e também que estou cada vez mais perto de não precisar de nenhum remédio, por mais que as sessões de terapia tenham aumentado, agora é só para se certificar de que podemos tirar os remédios.

— Acredito que vai ser bom ter um animalzinho para te fazer companhia— diz depois de um tempo de muita reflexão.— Vai também te distrair e irá trazer uma certa responsabilidade.

— Sempre colocando responsabilidades em mim, hein— brinco com ele e recebo um sorriso de volta, junto de um dar de ombros.— De qualquer forma, eu iria ficar com o gatinho, você deixando ou não.

— Então, já está decidido.— Ele diz definitivamente e senta ao meu lado.— Já pensou o que irá fazer agora que está livre? Poderia voltar para a faculdade, terminar seu livro, começar as revisões que tanto queria. A Camis me disse que algumas escritoras só são estão esperando você disser que voltou.

Encosto minha cabeça na parede enquanto deixo minhas mãos sobre o gato, que só voltou a dormir. Pensar em voltar para minha antiga vida... Não sei se parece correto, ou se eu ao menos seria capaz de tanto. É como se eu estivesse traindo a imagem daqueles que perdi naquela noite... Tudo bem, acredito que esse seja um dos pensamentos que terei que levar para a terapia, porque não parece correto.

Eu preciso voltar a viver, mesmo que seja diferente de como era antes. E nada melhor do que começar com o que eu amava e aindo amo, a escrita.

Talvez a única coisa da minha vida antiga que estarei levando para a minha nova vida.

4 Février 2022 19:16:53 0 Rapport Incorporer 0
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Prólogo

A lenda do Submundo


Dizem que ele a viu morrer.
Observou a vida esvair de dentro dela, enquanto tinha que aceitar que não havia nada que pudesse fazer.

Um completo amante desafortunado,
um dos maiores homens do Submundo, repleto de poder,
o mais forte,
mas ainda não tinha poder suficiente para impedir a desvida da Rainha do Destino.

E foi nesse completo luto que sua coroação aconteceu.

Era para acontecer.

(Ou talvez não)

A coroação do Rei das Trevas, só poderia ocorrer, mediante a desvida da Rainha do Destino.

4 Février 2022 19:12:16 0 Rapport Incorporer 0
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Prefácio

Você, senhora do destino, aquela capaz de tudo e de nada, rainha das escolhas. Escolheria salvar o vilão, por seus motivos, ou matá-lo, pelas suas escolhas?

4 Février 2022 19:10:31 0 Rapport Incorporer 0
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