suxingpompom Suxing Pompom

Aquele com certeza foi o pior dia da vida de Oh Sehun, fora demitido, e como não bastasse seu ex, havia lhe trocado por um emprego melhor em outro país, e a única coisa que havia deixado na casa onde ambos dividiam era uns post-its antigos e um aluguel atrasado. Parecia que o mundo de Sehun havia desabado, e o que se faz quando tudo está uma merda? Encher a cara no bar mais mixuruca da cidade, e foi o que ele fez. Totalmente bêbado e sem condições para voltar sozinho para casa, Sehun decide ligar para o seu melhor amigo Junmyeon fosse lhe salvar. Ao pegar seu celular, olhou para os números totalmente distorcidos e discou rapidamente o que achava ser o número de seu amigo. Mas acabou cometendo um pequeno engano.


Cuento No para niños menores de 13.

#oh-sehun #Byun-Bakhyun #lay #suho #sulay #yaoi #exo #sebaek #sehun #baekhyun
Cuento corto
0
1.2mil VISITAS
Completado
tiempo de lectura
AA Compartir

Diferença entre 6 e 9


>> Fanfic de co-autoria com a minha [email protected] <<

>> Plot doado pela Natasha Nascimento <<

>> Postada também no Spirit Fanfic <<


.......................................................

A vida era uma bosta, uma grande bosta mal cheirosa. Sehun dizia isso ao tentar limpar o sapato sujo de cocô de cachorro no batente da entrada do prédio. Tinha dificuldades de se apoiar quando segurava uma caixa pesada cheia dos seus pertences, coisas que ficavam em sua pequena mesa na editora que trabalhou por quatro longos anos, e agora pareciam pesar como se fosse chumbo. Entrou no elevador, depois de apertar o número do seu andar, encostou-se no espelho de vidro e suspirou, estava desempregado.

A vida era uma bosta.

O dia tinha sido corrido, de um lado para o outro, estranhamente seu chefe pediu para tratar todas as fotos dos ensaios que a revista produziu durante a semana. Fez o que foi pedido meio carrancudo, já que o seu pagamento do mês anterior estava atrasado. Não foi a primeira vez que acontecia, mas nas outras vezes Luhan segurava as pontas.

Luhan…

Esse nome fazia o seu coração dar pontadas fortes, pensar nele sempre deixava seus olhos cheios de lágrimas. Sehun sempre foi sensível.

Tudo que queria agora era rasgar as fotos de casal que ainda mantinha pela casa e apagar os vídeos do celular, não praguejar a cada vez que pensasse nele era quase impossível. Sehun e Luhan foram um casal. Não eram o casal mais bonito, ou o mais romântico, porém se apoiavam mutuamente. Como qualquer começo de uma vida a dois tiveram seus problemas, um fotógrafo não ganhava muito dependendo da área que escolhia e a quantidade de clientes, e Luhan estava começando uma pequena empresa de TI. O Oh queria tirar fotos de paisagens e momentos felizes, mas isso não estava trazendo retorno ao casal, então arranjou um trabalho em uma revista de moda com a ajuda de Junmyeon, seu melhor amigo de todo o sempre. Nesse momento a vida do casal deu uma pequena guinada, ver o namorado feliz sem o peso de todas as obrigações o fazia feliz também, mesmo que não se sentisse realizado em seu novo serviço. Tudo compensava ao receber post-its com frases motivadoras, e uma letra caprichada, o máximo de romance que o namorado poderia lhe dar, mas tudo bem, não cobraria dele para que mudasse. Amava o chinês de qualquer jeito.

Com os anos se passando, Luhan foi ficando cada vez mais ambicioso, mesmo assim Sehun se mantinha calado, jamais seria aquele tipo de companheiro que corta as asas do outro, não quando Luhan conquistou tudo o que tinha sozinho. No entanto o relacionamento começou a desandar, seu namorado estava a cada dia mais mandão, reclamava o tempo todo, parecia que tinha virado seu segundo chefe.

Um dia qualquer depois de uma sessão de fotos torturante com pessoas vazias, chegou em casa e viu todas as coisas sendo empacotadas, Luhan decidiu que deveriam se mudar para um apartamento maior, ele estava ganhando bem, e aquela caixa de fósforo que eles moravam já não servia mais para o mesmo. O apartamento que foi um presente dado pelos avós de Sehun ― comprado com muito sacrifício, onde viveram muitos momentos bonitos ― tinha se transformado em uma caixa de fósforo na visão de Luhan. Foi a primeira vez que não quis seguir seu companheiro, no entanto se viu fazendo as malas. Luhan tinha planejado tudo tão bem pelas suas costas que até arrumou uma imobiliária para botar o apartamento de Sehun em aluguel.

O apartamento novo era maior, mais bonito, melhor localizado, para onde olhasse dava pra sentir a aura de Luhan, em cada parede, móvel ― que ele fez questão de trocar os antigos ― fotos e os inúmeros post-its que ele distribuía pela casa inteira. Que basicamente mandava tarefas para o namorado executar quando não estava em casa para mandar pessoalmente. Aqueles post-its tão carinhosos viraram motivo de ódio no mais novo.

Com a casa nova veio o carro novo, Sehun tinha carteira desde os 20 anos apesar de nunca ter tido um carro, já Luhan não tinha tempo para ir na auto escola. Decidiu que seria bom que Sehun comprasse um carro para eles, até ajudou a quitar algumas parcelas, mas as quatro finais foram quitadas de uma vez só por Sehun depois de pedir um empréstimo, tendo a promessa de que o companheiro seguraria as contas de casa nos próximos meses. E foi aí que todo o inferno começou.

Mais um dia qualquer, depois de mais uma sessão de fotos torturante com mais pessoas vazias, chegou em casa e viu algumas coisas sendo empacotadas, Luhan decidiu ir embora. Tinha conseguido um emprego muito melhor em Pequim, silenciosamente vendeu sua pequena empresa e planejou rapidamente tudo para ir embora, e foi. Não teve brigas, ou gritos, só as palavras frias de Luhan cortando a sua alma como uma navalha.

“Eu preciso de mais. Nossas vidas não são mais compatíveis, você merece alguém que queira viver assim… desse teu jeito, eu quero viver grande."

O chinês sempre fora ambicioso e abrir mão de Sehun, e tudo que construíram juntos não foi um peso como deveria ser, ele amava Sehun, mas acima de tudo amava a si mesmo, e nada o impediria de crescer. Mesmo sendo cruelmente abandonado ainda tinha esperanças, desde que o outro deixou para trás a maioria dos seus pertences na casa que dividiram. Quem sabe ele não botasse a mão na consciência?

Colocou a caixa no chão e digitou a senha para entrar em casa, antes de abrir a porta e entrar, respirou fundo uma, duas, três… várias vezes.

― Vamos lá Oh Sehun, algo de bom deve acontecer neste dia.

Não poderia ter sido mais tolo, os móveis não estavam mais ali, parte deles… Sentiu uma mini parada cardíaca, respirou fundo novamente, a medida que olhava todos os cômodos, a ficha ainda não tinha caído, um estado de negação talvez, jamais conseguiria descrever esse momento. Esqueceu até mesmo a caixa no corredor quando entrou no quarto. Não era mais a casa dos dois, a porta do closet aberta e pode constatar a falta, a palavra vazio o trouxe a realidade, se jogou na cama ― na verdade, no colchão, porque a cama também foi levada ― Luhan levou metade das coisas de casa. Como? Ele nem queria saber, com certeza era o pior dia de todos!

Precisava apagar, queria dormir por um ano e ver tudo normal quando acordasse, andou pela casa procurando alguma bebida. As bebidas mais caras Luhan havia levado também.

― Filho da puta, miserável! ― praguejou.

Deixou apenas soju na geladeira e uísque barato, se podia chamar aquilo de barato. No uísque continha um post-it com a frase “não beba mais que dois dedos”.

― Pro diabo com seus dedos! ― enquanto entornava a bebida na boca. As bebidas acabaram antes da dor ser anestesiada. Estava deitado no chão com o bilhete do Luhan grudado na testa quando decidiu ir procurar um barzinho legal para se distrair e talvez conhecer gente nova.

Pegou o primeiro táxi que parou e entrou meio afobado por causa da excitação de viver algo novo.

― Para onde senhor? ― o taxista perguntou-lhe.

― Me leve para o melhor bar da cidade! ― respondeu com a voz mais animada do que o normal.

― Há muitos senhor.

― Então me leva ao que você mais gosta. ― deu para ver os olhos do taxista acender pelo espelho do carro.

― Tem um que eu gosto muito, tem muitas pessoas legais, e as mulheres são as mais bonitas e cheirosas da cidade. ― disse sonhador ― Ah, você tem que ver…

Continuou falando sobre mulheres o caminho todo, Sehun fez apenas cara de gay silence não precisava dar explicações para o taxista, contanto que pudesse conhecer pessoas, beber e se divertir estaria tudo bem.

Não viu o caminho que o taxista tomou, estava com a cabeça cheia de muitos pensamentos que nem percebeu que saiu do iluminado bairro de Sinsa, e atravessou a ponte indo ao norte de Seul. Quando o táxi parou se deu conta de que não devia confiar no gosto de terceiros, estava no bairro decadente de Seodaemun. Tinha como piorar?

― Deu 867,80 wons* ― puta merda.

Depois de deixar uma bolada no táxi resolveu entrar no bar indicado, a parte de fora parecia feia, a parte de dentro parecia que era a parte de fora. O ambiente cheirava a frango, álcool e cigarro, tocava umas músicas bem antigas na jukebox, onde tinha um bêbado pendurado nela enquanto chorava. Momentaneamente sentiu um acalento no coração, não era a única pessoa do mundo que sofria por amor, concluiu isso pela sequência de músicas que o bêbado colocava. Decidiu sentar-se em uma mesa, já que o barman parecia um procurado de algum programa policial. Quando parou pra analisar bem, ele era o único que destoava, as pessoas que estavam no bar eram bem… exóticas, mas o que importava? Ele já estava na pior de qualquer forma. Poderia piorar?

23:00 Tentava repelir as cantadas nada gentis de uma senhora que teria idade para ser sua avó.

00:00 Dançava alegremente todas as músicas de término que o bêbado insistia em colocar.

01:00 Pagou uma rodada para todos os "amigos" enquanto contava toda sua história fracassada de amor.

02:00 Cantava a plenos pulmões A Million Roses do Ko Woo Rim, a maior canção de corno da nação.

03:00 O estabelecimento estava se preparando para fechar, e o barman não via a hora de despachar aquele garoto que causou tanto naquela noite.

Na altura do campeonato o vazio bateu de uma maneira forte, a única pessoa que podia ajudá-lo naquele momento era Junmyeon, seu amigo mais sincero e fiel.

Quando seu editor disse para ter novas experiências, não pensou que Baekhyun passaria o dia inteiro debaixo do cobertor vendo filmes, mas foi exatamente isso que ele ficou fazendo. Disse a si mesmo “ver filmes também traz experiências”, apenas mais uma desculpa, não que Byun Baekhyun não soubesse como se divertir ou tivesse medo de fazer algo novo, ele apenas não sentia vontade, vontade alguma. Estava cansado de ver rostos diferentes, mas com as mesma intenções e pensamentos, não lhe acrescentariam em nada para sua história.

Até mesmo os filmes ele já sabia como seguiria, como tudo iria terminar mesmo que não tivesse visto antes. Nada chamava a atenção do escritor ou aguçava sua curiosidade.

Depois do sétimo filme, ele estava cansado, seus olhos não acompanhavam o seu desejo de permanecer acordado. Foi quando olhou as horas, três da manhã, a que horas mesmo ele havia começado sua maratona aleatória? Não lembrava, só queria dormir, nem mesmo levantou do sofá em que estava, apenas desligou a TV e se aconchegou no sofá.

Ser acordado uma hora depois com o barulho do seu celular foi algo inesperado, sua mente não pensou nisso, ele só queria que o som parasse pegou o aparelho e rejeitou a ligação. No minuto seguinte voltou a tocar, ele não iria mais voltar ao sonho louco que estava tendo, no entanto, a pessoa que atrapalhava sua monotonia iria ouvir. O jovem escritor apertou no verde da tela, estava preparado para ofender todas as gerações ― passadas e futuras ― da pessoa do outro lado quando não conseguiu dizer nada, um homem qualquer e bêbado estava desabafando com ele, certo, a outra pessoa estava chorando. O escritor não esperava por isso, não havia sido preparado para lidar com um desconhecido por telefone chorando de madrugada. Sentiu empatia nesse instante, a vida do outro parecia uma droga, ele bem que gostava de fazer seus personagens sofrerem nos livros, mas na vida real não gostava de ver ouvir ninguém sofrendo. Quem diabos era Luhan? E porque estava o chamando de Junmyeon? Era Baekhyun! Esperou aquele desabafo terminar e quando o telefone ficou mudo, pensou que finalmente poderia voltar a dormir em paz. Por mais que sentisse empatia e estivesse curioso, um lado seu disse “apenas durma idiota”, mas a outra voz falou que Baekhyun poderia ir até um bar desconhecido ajudar um estranho.

A medida que se aproximava do endereço dado, duvidava do que estava fazendo. Parou o carro na esquina do bar demorando a sair, quando finalmente teve coragem e adentrou o local, o óbvio veio a sua mente, não sabia a cara do desconhecido, pensou um pouco e deduziu que ele estaria no balcão, existiam três homens debruçados naquele balcão, e um quarto acordado discutindo por mais bebida. Agora qual deles era o seu bêbado? Riu de si mesmo com esse pensamento.

Não iria mesmo acorda os três e muito menos chegar perto do bêbado agressivo, mas já estava ali e foi até o bartender, se metendo no meio da “pequena briga” para obter uma informação.

― Olá! ― disse parando ao lado.

― Eu tenho dinheiro. ― ouviu, ou achou ter sido essas as palavras enroladas que o bêbado dizia.

― Senhor, me ligaram e… ― falou em voz alta, o bartender pareceu respirar aliviado.

― Ele é todo seu. ― não pôde mesmo perguntar mais nada, quando o viu ir acordar um dos três que estavam apagados e quase ― ou de fato ― os expulsar do local. Baekhyun pegou o rapaz pelo braço, apoiou nos seus ombros e saiu carregando até o carro. Encarou o bêbado ao seu lado, não esperava ser um jovem tão bonito. O que ele estava pensando em encontrar mesmo? Não tinha uma ideia sequer, mas iria enviar o desconhecido para casa e voltar para sua.

Dirigindo pela cidade decidiu pegar a ponte Seongsu, pela cara e a roupa do seu passageiro, ele não devia ser do lado norte da cidade. Depois de pensar sobre isso se sentiu mal, era uma forma de preconceito, uma pessoa da parte pobre da cidade poderia se vestir também. Estacionou o carro no acostamento e cutucou o belo adormecido, tinha que saber onde ficava a casa dele.

― Para Junmyeon, me deixa dormir. ― falou enrolado e meio sonolento, batendo na mão de Baekhyun e depois virando para o lado. Nem o cinto de segurança o folgado botou.

― Não sou Junmyeon moleque. Coloque o cinto agora e me diga para onde você vai. ― sacudindo o mais novo pelo braço. A contra gosto o bêbado colocou o cinto e voltou a dormir. ― Moleque! ― o sacudiu de novo, a essa altura já estava muito puto. ― Ei, não me ignora. Para onde você vai?

― Para onde? Para onde mais eu iria? ― disse amargo. ― Luhan me tirou tudo Jun, fui demitido, eu estou para ser despejado, sem um móvel sequer na minha casa. Para onde eu vou? Para sua casa. ― começou a chorar, um choro sofrido, forte, as lágrimas grossas rolavam pelo seu rosto enquanto ficava todo vermelho.

Chorava na frente de Baekhyun sem medo, o escritor jamais choraria na frente de um estranho. Tudo bem que o garoto tinha confundido ele com o tal de Junmyeon ― que Baekhyun supôs ser um amigo ―, entretanto Baekhyun não choraria nem na frente do seu melhor amigo. Aquele garoto era diferente e curioso. Rapidamente veio um clique na sua cabeça, essa situação não aconteceu na sua vida por nada, justamente enquanto vivia naquele marasmo de sempre seu telefone tocou, e foi literalmente encontrado pelo destino. Ele parecia sofrer, tinha reclamado desse tal de Luhan no telefone, e agora disse com todas as letras que Luhan tinha tirado tudo o que tinha, sua curiosidade foi aguçada a níveis extremos. Gostaria de ouvir essa história novamente, agora que estava mais desperto ficaria totalmente atento, prestaria atenção a cada detalhe, sua imaginação já estava a mil. Levaria esse rapaz para casa, o que esse pobre indefeso poderia fazer além de matá-lo?

― É, tudo bem. Pare de chorar. ― tentou consolá-lo timidamente. Estava se sentindo constrangido com todo aquela situação, não era sempre que tinha um rapaz bonito e chorão no seu carro. ― Vou te levar para a minha casa, apenas pare de chorar por favor. ― eles não se conheciam direito, mas o Byun não suportava ver ninguém chorar.

― Obrigada Juni. ― disse fungando. ― Eu só posso contar com você agora.

Uma situação bem triste, Baekhyun era sozinho porque na maioria das vezes escolheu estar sozinho mesmo, mas se precisasse de alguém sabia que tinha pessoas a quem recorrer. Nunca passou pela sua cabeça o que era não ter ninguém em um momento de desespero. Aquilo seria ótimo para o seu livro, pensou. Depois se sentiu maldoso olhando mais uma vez o jovem soluçar, enquanto tentava inutilmente limpar as lágrimas fujonas, era até um pouco fofo. Balançou a cabeça e ligou a chave, voltando para a pista e se dirigindo para a ponte, o destino teria que ser mesmo o seu apartamento em Nonhyeon-dong. Não era milionário, mas ganhou muito bem vendendo seus livros. Colocou uma música baixa para tocar dissipando o clima ruim, seu passageiro não chorava mais, também não dormia, então tentou uma conversa.

― Então, qual é o seu nome?

― Que conversa é essa Jun? ― falou embolado, Baekhyun suspirou, ele ainda estava tão bêbado ao ponto de continuar o confundindo com outra pessoa. Isso daria trabalho.

― Apenas me diga seu nome.

― Oh Sehun. ― respondeu a contra-gosto.

― Então Oh Sehun, quantos anos você tem? ― Sehun ficou quieto enquanto tentava mexer na estação de rádio. Levou um belo tapa na mão. ― Não mexa no meu carro, ele é novo. Me responda. Quantos anos você tem?

― Vinte e cinco. ― virou a cara para a janela, não queria papo. O escritor não tentou mais nenhuma pergunta. Deixou isso para quando estivesse em casa.

Pensou que teria uma viagem tranquila quando Sehun começou a olhar as luzes da noite de Seul pela janela do carro, mas se enganou. Em um dado momento ele começou a mexer toda hora na parte do som do carro e só parou quando conseguiu botar naquela música de corno. Nunca odiou tanto A Million Rose, mas em um dado momento ficou muito engraçado, Sehun cantava com tanta força, e ainda tentava imitar a voz grossa do cantor.

“Escutei uma suave voz que me disse para dar amor e ir embora, essa voz me disse para fazer um milhão de rosas do amor florescerem.

A rosa do amor que só cresce quando você está sinceramente apaixonado.”

Seria pecado rir daquilo? Ele estava cantando com tanta sinceridade, mas não deixava de ser engraçado.

“SEM NENHUM ÓDIO, SEM NENHUM ÓDIO, SEM NENHUM ÓDIO NO CORAÇÃO.”

Baekhyun não estava esperando que Sehun gritasse aquele trecho, o susto foi tão grande que quase perdeu a direção do automóvel. Sorte que no meio da madrugada não tinha quase nenhum carro na rua.

― Porra Sehun, perdeu o juízo???? ― colocou a cabeça no volante e respirou fundo, mais um pouco os dois iam voar pela ponte e virar peixes.

Depois que o susto passou, e recobrou totalmente os sentidos, pensou em como perguntou sobre juízo a um bêbado? Nada mais fazia sentido.

― Jun, o Luhan foi embora de vez. ― começou a chorar.

Ok, seria uma noite longa. Não sabia quem era Junmyeon, mas ele estava lhe devendo.

Ao estacionar o carro, teve que carregar o Oh pelo elevador, era bem difícil quando o outro era bem mais alto, o sentou no chão enquanto apertava o botão do 7º andar.

― Sem nenhum ódio, sem nenhum ódio, sem nenhum ódio no coração. Quando você ama, quando você ama, quando você ama incondicionalmente. ― o fotógrafo ainda cantarolava a mesma música. ― Um milhão de rosas, um milhão de rosas, um milhão de rosas do amor irão florescer. E então poderei voltar para as minhas lindas estrelas.

― Ah não. ― Ficou batendo a cabeça na parede no elevador, até chegar no seu andar.

Naquela altura do campeonato, sua coluna já pedia arrego. Saiu puxando Sehun pelo braço direito, o chão do corredor do prédio era liso facilitando que isso acontecesse, em nenhum momento houve protestos do outro. Bem... Só quando Baekhyun bateu a sua cabeça no vaso de planta da senhora Park. Aquilo deve ter doído, mas como o mais novo acordaria de ressaca no dia seguinte não faria diferença, o escritor pensou. Logo estavam na porta do Byun, o mesmo digitou a senha despreocupado, o bêbado ainda continuava no chão. Abriu a porta, e entrou, o outro continuava caído.

― Sehun, não vou te carregar para sempre, anda faz um esforço e entra. ― aos poucos o mais novo ficou de quatro e entrou engatinhando. O escritor agradeceu de não ser muito fã de álcool, imagina o que aconteceria com a sua imagem caso ficasse se embebedando por aí? ― Vem, senta aqui no sofá, vou te preparar um café.

Foi até a cozinha, e ligou a máquina, se debruçou na bancada cansado. Não devia ter maratonando tanto filme, o relógio na parede estava marcando 05:08 da manhã. Ótimo, não tinha dormido nada, ele merecia isso, era bem feito por ser tão curioso. Quando a máquina de café apitou ouviu um barulho estranho, pela primeira vez realmente se arrependeu de botar um estranho em sua casa, bem, foi a primeira vez e última que fez isso. Correu para a sala com um garfo na mão ― um homem precavido é tudo ― e encontrou o Oh fazendo xixi nos cactos de estimação do seu amigo Kyungsoo. Ah, aquilo não ia prestar…

Depois do café forte e do esporro, Sehun estava meio sonolento,o Byun não podia deixá-lo dormir, não naquele momento onde precisava fazer toda aquela loucura fazer à pena.

― Tudo bem Sehun, me conta tudo o que aconteceu. ― secretamente ligou o gravador do celular, o que era uma besteira, Sehun estava alto demais para se importar com aquilo.

― Jun, posso te falar amanhã? Estou com muito sono. ― fez um biquinho enquanto falava mole, o que Baekhyun considerou muito fofo, mas precisava daquilo antes que o outro recobrar a consciência do que estava acontecendo.

― Não, pode me falando agora. Fui lá nos quintos dos infernos te buscar. Oh Sehun, você me deve isso.

O mais novo suspirou e começou a ditar todos os fatos da melhor forma que a sua embriaguez deixava. Aquela era uma grande história, se sentiu tocado, e algumas vezes com raiva do ex, outras com raiva de Sehun por se deixar ser feito de gato e sapato, mas procurou não comentar. Não queria interferir na narrativa.

― Por isso eu saí para beber naquele bar legal…

― Legal?

― Sim, as pessoas de lá são ótimas.

― Imagino. ― lembrando dos frequentadores que encontrou lá. ― Só mais uma coisa, como você ligou para mim?

― Pelo celular.

― Sim, isso eu entendi. Mas você não tinha o número do seu amigo? Quer dizer, o meu número na sua agenda? ― se corrigiu, já não estava mais se importando se Sehun o confundia com o tal Junmyeon.

― Não consegui achar seu número, as letras estavam embaralhadas. Sorte que eu sabia seu número de cabeça.

Touché, descobriu como tinha sido contatado. Sehun ligou para um aleatório, agradeceu internamente por ele ter ligado para si ao invés de ligar para uma pessoa que poderia lhe fazer mal, ou alguém que não fosse socorrê-lo e acabar dormindo na rua como tantos outros bêbados. Ao olhar o hóspede percebeu que já dormia, ele era um homem realmente lindo, e parecia ter um bom coração, como um personagem de um filme. Pensou no porquê das pessoas tão ruins conseguirem ficar com pessoas boas, enquanto ele estava ali sozinho. Era injusto olhar para aquele homem, seu rosto parecia tão macio, pele lisa sem nenhuma falha, barba bem feita, lábios pequenos e avermelhados, um cabelo sedoso caindo sob a testa, sem falar no porte físico. Era como um Deus da beleza, queria tocar sua face, só isso, saber como era tocar um homem daqueles. Quando se aproximou, Sehun caiu do sofá e vomitou tapete. Ótimo.

Baekhyun apenas cochilou por duas horas, depois de ter que cuidar de Sehun a madrugada toda. Entretanto as duas horas que dormiu não foram muito proveitosas, já que praticamente virou a noite vigiando o outro. Havia vômito no seu amado tapete super fofo, amava pisar nele descalço, deitar quando a inspiração não vinha, ou somente por querer fazer isso. Mesmo assim não odiava Sehun. Não depois de escutar toda história e se compadecer com a dor do outro. Ficou na cama refletindo tudo sobre o que foi contado e conseguia ligar alguns acontecimentos e atitudes ao personagem principal do seu livro, só poderia estar ficando louco.

Levantou e foi até a sala espionar secretamente ― ou nem tão secretamente ― o dorminhoco. Lembrava muito bem de toda aquela madrugada, os olhos do outro estavam ainda mais inchados devido ao choro constante, além dos gritos durante o trajeto do bar até a sua casa, e claro, a carinha de cachorro que caiu do caminhão de mudança. Sua cabeça repetia a palavra “fofo” o tempo todo, deu leves tapas no rosto por ter pensando nisso, não deveria achar essas coisas, não quando teve seu tapete destruído e estava caindo de sono. Contudo lhe veio a inspiração que estava faltando para poder continuar a história de onde tinha empacado, sorriu de lado pensando nessa parte, mas logo fechou a cara quando percebeu que fotógrafo já estava acordado o encarando.

Sehun não sabia como havia ido parar naquele local. Depois de acordar e sentir o cheiro de azedo e urina, a dor de cabeça que gradativamente aumentou assim que resolveu abrir os olhos por causa da claridade. Teve certeza de duas coisas: Primeiro, havia vomitado na sala, e segundo, aquela sala não era a sua. Tentou levantar, não iria ficar ali, mas um rapaz encostado na parede oposta estava o observando com cara de poucos amigos, alternando o olhar entre ele e o tapete. Sabia que tinha feito merda, sua onda de azar não tinha fim.

― Você parece ter dormido bem Sehun. ― a voz chegou até ele com uma alfinetada. ― Belo trabalho. ― Olhou a direção do dedo e viu o tapete todo sujo, sentiu vontade de vomitar novamente, sua dor de cabeça só aumentou, parecia um tapete caro… Como iria pagar por aquilo? Sabia que uma lavagem não resolveria. ― Era meu tapete preferido. O único que eu tenho na verdade.

A cara de desespero do mais novo, fazia escritor querer o provocar mais um pouco, não era mentira o que dizia. Poderia ser uma pessoa melhor, sabendo tudo que Sehun estava passando, mas nunca fora a melhor pessoa do mundo, antes de se isolar era conhecido por seus comentários ácidos e diretos demais.

― Desculpa, eu vou pagar, prometo. ― a voz saiu mais rouca, causando um arrepio na pele de Baekhyun. Oh Sehun era totalmente injusto. ― Só preciso de um tempo, onde eu estou? ― só agora resolveu perguntar, toda aquela situação vergonhosa e absurda.

― Na casa de alguém que quer jogar você da sacada. ― Sehun se encolheu no sofá como um bicho assustado, naquele momento bem parecia assustador, mas então Baekhyun não se conteve e começou a rir da cara dele. Era bom ser malvado às vezes, Sehun era extremamente adorável agora que estava sóbrio. ― Eu salvei sua vida, se tivesse ligado para um traficante de órgãos estaria morto a essa hora. Mesmo seu fígado não servindo para muita coisa no momento. ― desdenhou no fim. ― Eu sei que Luhan o deixou, e você está triste e na miséria, porém não beba tanto ao ponto de precisar da ajuda de um estranho, tome mais cuidado Sehun.

― Você tem um banheiro? ― quando o caminho foi apontado a ele, só viu um canteiro cheio de cactos.

― Não entendeu nada? ― o mais alto apenas balançou a cabeça em negativa, fazendo uma cara confusa. ― Ontem a noite você usou os cactos do meu amigo como seu banheiro. ― O mais jovem ficou pálido e depois vermelho de tanta vergonha. ― Consegue sentir o cheiro? Sua sorte é que o Kyungsoo, o dono dos cactos, está no exército. Senão ele chutaria essa sua bunda grande. ― talvez não devesse ter mencionado a bunda do outro, mas não tinha como voltar atrás.

― Me perdoe, eu juro que…

― Tudo bem, tudo bem, eu dou um jeito. O banheiro é na primeira porta.

― Meu celular? ― não estava encontrando.

― Ali, na mesa de centro. ― o celular estava perto, pegou o aparelho e foi em direção ao banheiro, cada passo pesava, e acreditou por alguns segundos que havia desaprendido a andar. Totalmente baseado nas três quase quedas que teve desde que levantou do sofá, estava em uma casa estranha, seu senso de espaço estava péssimo e não queria olhar para mais nenhum local e ver mais estragos que talvez possa ter feito. Sentia-se estupidamente estúpido.

Entrou no banheiro e trancou a porta, lavou o rosto na pia e torceu para o celular ainda ter carga, iria ligar para o famigerado Junmyeon, para sua sorte sim, ainda tinha 17% de bateria. Quando resolveu olhar as chamadas recentes, quantas vezes havia ligado para o estranho? Foram inúmeras chamadas. Deveria ter sido ali que começou a perder a noção de tudo, não tinha outra explicação… O tom de vermelho não saia de seu rosto, talvez nunca mais voltasse a cor normal.

Respirou fundo e enfim discou o número do amigo rapidamente, foi atendido na primeira ligação.

― Jun, eu fiz merda. Acordei na casa de uma cara estranho…

― Então me acha estranho Sehun? ― foi interrompido pela voz daquele homem, não era possível. ― Eu te busco naquele bar bem barra pesada, te dou abrigo, e você mija nos cactos do meu amigo, vomita no meu tapete super fofo e caro, e ainda me chama de estranho. Poxa Sehun, assim você me magoa. ― seu estômago ficou estranho, por mais envergonhado que já estava, Baekhyun tinha um sorriso sacana e sedutor. O fotógrafo queria se trancar naquele banheiro para sempre.

― Desculpa Senhor, o que eu quis dizer é que...

― Sem problemas, eu entendi. ― já ia desligar. ― E outra coisa, não me chame de senhor, só tenho 28 anos, três a mais que você. Meu nome é Byun Baekhyun. ― e desligou sem Sehun poder falar nada.

Que inferno, o mais novo olhou para o ecrã do celular e percebeu. Tinha trocado o último número, trocou 9 pelo número 6. Grande burro.Tinha que pedir socorro, mas dessa vez não ousou discar o número, apenas procurou nos contatos e lá estava o nome do seu guardião, não foi difícil, o jovem não tinha muitos amigos ou conhecidos. Demorou a ser atendido.

― Jun, você pode me salvar agora? ― quase implorava. ― Eu juro que vou me jogar de uma ponte, diga a minha mãe que eu a amo, e ao meu pai também. ― se olhava no espelho enquanto dizia isso, seu rosto totalmente inchado. ― Vou me isolar do mundo, é sério. ― fez bastante drama.

― Sehunnie ? ― aquela não era a voz do amigo, puta merda, não acreditava na sorte. ― Myeon está no banho, espera aí, vou levar o celular para ele. ― Yixing, santo Yixing, ao menos fora o namorado de Junmyeon e não mais um número errado. Já estava paranóico.

― Xing, não precisa, está tudo bem, esqueça tudo, eu estou bem. ― pediu e desligou em seguida.

Sentia-se um completo fracasso, não queria depender de um estranho ― mesmo que fosse alguém mais ou menos gentil como Baekhyun ―, não queria remoer as feridas ainda mais, e não queria sair dali para logo em seguida encará-lo. Também não queria preocupar o melhor amigo, em algum momento ele precisava começar a ter coragem para retomar o controle sobre sua vida, por mais que pensar em Luhan ainda doesse demais, como o inferno, pensou no papel ridículo que fez a noite toda por causa de alguém que já seguiu em frente. Viveu ― muito bem obrigada ― uma boa parte da sua vida sem o ex namorado e viveria outra parte dela sem ele também.

Saiu daquele banheiro decidido, encontrou Baekhyun retirando o tapete, novamente pediu desculpas e tiveram uma conversa meio estranha. Pois saber de tudo o que tinha feito por outra pessoa, e ainda mais um desconhecido, era desconfortável. Sehun pediu mil desculpas e prometeu dar um tapete novo ao estranho que o ajudou.

― Bem, já vou indo.

― Como você vai para casa? ― o escritor quis saber.

― De táxi. Eu acho que ainda tenho o suficiente aqui. ― abriu a carteira, e não tinha mais nem um won. Nesse momento lembrou de um pequeno trecho da noite onde pagou a bebida de todos. ― Cara, estou muito ferrado. ― falou mais alto do que pensava.

― Está sem dinheiro? ― Baekhyun se materializou do seu lado e puxou sua carteira. Deu um riso meio sacana. ― Vem, vamos. Levo você para casa.

― Não precisa, eu moro logo ali em Sinsa-dong. ― querendo ir embora o mais rápido possível.

― Você pretende atravessar de um bairro para outro? Eu sei que sou estranho, mas aceite a minha carona. ― o mais velho não o deixaria esquecer mesmo o que falou.

― Tudo bem, eu aceito então. ― Sehun não resolveu retrucar, porque estava de ressaca e também ficaria muito envergonhado se o outro jogasse mais alguma coisa na sua cara.

― Mas com uma condição. ― ditou.

― Qual? ― o mais alto olhou de olhos cerrados, sabia que algo bom não saíria de Baekhyun.

― Cante A Million Roses para mim de novo. ― disse rindo. ― Como é mesmo? Ah, lembrei. Sem nenhum ódio, sem nenhum ódio, sem nenhum ódio no coração. Quando você ama, quando você ama, quando você ama incondicionalmente.

No momento em que chegou em casa tudo voltou, sua tristeza e melancolia, sua saudade e sua insônia. Decidiu dar mais um passo, e revirou tudo que restou naquele apartamento o que não era muito, juntou cada post-its sobreviventes, colocou em um canto qualquer e tocou fogo, odiava mesmo aqueles papéis, tinha certeza que nunca os usaria, ou os veria como antes. Foi para o closet ver se ainda tinha algo remanescente do ex, e não tinha muita coisa, estava praticamente vazio agora. Mas ao olhar na parte de cima notou algo, não lembrava daquilo ali, se não estivesse tão atento não notaria nunca, puxou aquela coisa e era pesada pra caralho. Quase caiu em cima de si, era apenas uma grande embalagem, quando começou a rasgar lembrou daquele maldito carpete que custou uma fortuna. Quando Luhan havia chegado em casa com aquilo ficou abismado com o preço. Ainda mais quando o outro decidiu retirar da sala porque não combinaria com o novo sofá que estava para chegar em uma semana. Então ficou ali guardado e tudo indicava que o chinês queria levar em um futuro próximo. No entanto uma ideia surgiu, como havia estragado o tapete do Byun daria o carpete de presente a ele, seria o mínimo depois de tudo que fizera, além disso ainda economizaria o dinheiro que nem mesmo tinha.

Foi assim que uma semana depois do fatídico dia de bêbado, apareceu na porta do outro, com um embrulho maior que ele mesmo, mandou apenas uma mensagem antes, ainda estava muito envergonhado, e como uma criança traquina tocou a campainha do escritor e foi embora tropeçando nos próprios pés, ainda ouviu a porta ser aberta, antes da porta do elevador do fechar.

Mais uma semana se passou, e as coisas começavam a melhorar, havia colocado o carro a venda, não precisava de um carro de luxo que não poderia manter, nem mesmo viver naquele apartamento. Venderia o carro para quitar o empréstimo que fez, ainda sobraria para investir ou gastar tudo, ainda não havia decidido. Com uma vida nova em mente, pensou no estranho, era algo novo em sua vida. Mas deixou isso, era um estranho no fim das contas.

Baekhyun se perguntava o que havia acontecido com Oh Sehun, será que ele havia conseguido sair da miséria? Lembrava dos olhos de cachorrinho e sentia pena, na realidade lembrava dele volta e meia, e sentia coisas estranhas as quais se recusava a nomear. Deu um trabalho limpar os cactos de Kyungsoo, depois resolveu adotar um gato, já não queria ficar tão solitário. Foram três semanas sem saber o desfecho do rapaz, no final de tudo era a vida de alguém e não um livro.

As duas primeiras semanas esteve muito envolvido na escrita, escrevendo e reescrevendo até chegar ao que queria, depois teve que alinhar os pontos com o editor, era a parte mais chata. Se havia entregado o livro daquele jeito era porque queria que fosse assim. Mas depois das três semanas os pensamentos sobre Oh Sehun tornaram-se constantes, e não resistiu em mandar uma mensagem, havia agendado o número.

As trocas de mensagens foram sem muita intenção, no entanto virou rotina para os dois, demorou quase dois meses até voltarem a se encontrar pessoalmente, mas nesse meio tempo descobriu muito, o fotógrafo tinha um sonho assim como ele. Foi fácil o incentivar a abrir o próprio estúdio, achou mesmo as fotos do mais novo lindas, continham sentimentos, entendia muito bem sobre isso.

O encontro com um Oh Sehun sóbrio, era divertido, eles tinham muito em comum, já sabia disso. Visões de mundo semelhantes e sonhos que não deixavam para trás, ser escritor era o sonho de Baekhyun desde a adolescência. E agora via pessoalmente o Oh falar sobre como estava indo no estúdio, não tinha nem mesmo um mês, mas estava conseguindo clientes aos poucos e sentia-se mais feliz do que na revista de moda, detinha o talento e o olhar. Não fora surpresa para Baekhyun ver que a vida do outro voltava aos trilhos, o nome de Luhan nem era mais ouvido.

O segundo encontro não demorou tanto, uma semana depois Sehun o convidou para conhecer o pequeno estúdio, achou o lugar encantador, mais encantador ainda estar na presença do fotógrafo, tomou um pouco de coragem e o beijou, assim, do nada. Foi a melhor coisa que fez nos últimos meses, depois de ter ido buscar um bêbado desconhecido.

Os intervalos entre os encontros diminuíram ainda mais, de quase dois meses, para uma semana, até chegar aos encontros diários, tentavam ir com calma apesar da regularidade, ainda não entendiam tudo aquilo, gostavam mesmo da presença um do outro. Mesmo que tudo que tivessem em certos momentos fosse o silêncio, quando estava editando algumas fotos e o Byun aparecia de surpresa no estúdio. Ele sentava-se em uma poltrona e observava Sehun trabalhar, sempre dando total espaço para ele até terminar as edições e depois saírem para fazer algo.

O mais novo voltou a viver no seu antigo apartamento, estava tudo indo bem e se dependesse dele continuariam assim. Agora tinha certeza que não queria Baekhyun longe da sua vida, por isso depois de 6 meses saindo o pediu em namoro. Na realidade apenas oficializou tudo, já que tinha roupas do escritor em seu apartamento e também possuía seu cantinho no armário do mais velho. Mais 6 meses juntaram as escovas, como poderia deixar Byun Baekhyun escapar? Ainda mais quando fora o escritor a pedir, só poderia dizer sim.

Às vezes ainda tinha problemas com a bebida, quando decidia beber e perdia a noção, acabava ligando para o noivo e tudo se repetia. Era motivo de chacota a semana inteira, mas não se importava de verdade, pois o amava e sabia que agora era amado de volta. Suas vidas estavam unidas, não era uma vida perfeita, mas era algo certo, certo para os dois assim como o número discado errado, que se tornou o mais certo de suas vidas.

.......................................................


Obrigada por ler :)

28 de Abril de 2020 a las 01:41 0 Reporte Insertar Seguir historia
0
Fin

Conoce al autor

Suxing Pompom Oie!!!! Também estou no Social Spirits e no Wattpad com o mesmo user. @suxingpompom.

Comenta algo

Publica!
No hay comentarios aún. ¡Conviértete en el primero en decir algo!
~

Más historias

Soledad Soledad
Expresa tus sentimientos Expresa tus sentimie...
EL Barco Magico EL Barco Magico