ppeachyeon Hyunnie D.

[CHANBAEK || COMÉDIA ROMÂNTICA || CAPA POR @PIRATEXOL NO TWITTER] Park Chanyeol era só um garoto de 1,85 de altura, com uma banda de garagem de nome improvisado, experiências malucas para contar e um desafio estranho de compor duas músicas do zero em três meses. Byun Baekhyun era o garoto prodígio do clube de jornalismo, tinha um corte de cabelo esquisito e o concurso de escrita da maior editora do país estava a um clique de distância de realizar seus sonhos. Talvez fosse para ser, porque naquela sala de detenção num sábado de manhã, um encontro de inspirações deu origem ao acordo mais estranho que poderiam fazer, e, quem sabe, algumas outras coisas mais. "As vezes tudo que a gente precisa é de um bom motivo e um dia de detenção."


Fanfiction Bandas/Cantantes Sólo para mayores de 18.

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Frenesi

"A gente pode até não decidir o que aparece na foto, mas a moldura é a gente que escolhe" — Daisy, em Tartarugas Até Lá Embaixo (John Green)

Era quase irreal o pensamento de mais uma vez estar ali em frente. Dentro daquele instante específico permitiu se tornar consciente de coisas nunca antes pensadas por si, justamente quando sentia que algo logo daria errado. Definitivamente não seria uma terça-feira normal, concluiu depois de seu comportamento exageradamente estranho e analisador perdurar por tantos minutos perante a entrada da grandiosa Sunset High. Incomum até para si, considerado um tanto... peculiar pelos amigos.

Os portões da instituição eram grandiosos e pareciam ter sido esculpidos delicadamente por um artista deveras minucioso. A escola bastante antiga, no ano anterior fora considerada patrimônio cultural da cidade — confirmando as palavras dos mais velhos defensores da ideia de o prédio ser um monumento regional. Não era uma informação necessariamente relevante, mas naquele momento o garoto parecia ter sido transportado para uma espécie de transe apenas por ter parado e observado mais atentamente com os olhos afiados.

Era incontável o número de estudantes ansiosos para pôr conversas em dia antes de se darem início as aulas que passavam por ali todas as manhãs e tardes, fossem adolescentes, ou crianças acompanhadas dos pais. Não era incomum encontrar pessoas de todas as idades jogadas no chão do pátio interno e no gramado da área livre localizado atrás da escola. Estavam normalmente conversando, lendo alguma coisa nos telefones, com livros nas mãos ou simplesmente aproveitando para tirar um cochilo maior com os fones nos ouvidos.

Para o Park estava sendo difícil. Não era seu primeiro dia na escola, mas o angustiante frio na barriga fazia parecer que seu organismo entrava em um pequeno colapso e lhe dizia ser aquele o primeiro dia de alguma coisa, só não dando certeza ou especificando do quê. Faltavam apenas alguns passos para também fazer parte do aglomerado de adolescentes nem mesmo minimamente a ver consigo por mais um dia, contudo os pés pareciam não responder aos seus comandos e se encontravam travados no chão. Congelados.

Por alguma razão incompreendida seu corpo se recusava a entrar pelos portões, ainda que inconscientemente, quase como se quisesse o avisar de algo. Chanyeol teria o dado ouvidos se acreditasse nessas coisas, mas não o deu. Para si, apenas não se sentia suficientemente animado a dar os pequenos três passos para frente, por isso se contentou em ficar mais alguns minutos assistindo aos alunos de faces irreconhecíveis correndo apressadamente.

Podia afirmar com toda a certeza do mundo: não seria um bom dia para si.

— Ei, Park!

A voz mais aguda, o fez reconhecer o timbre no mesmo momento em que a escutou. Era inconfundível, afinal. Pouco depois, sentiu um braço enganchar no seu violentamente. Não era do feitio de Seungwan esse tipo de aproximação, então desconfiava, pois, a garota nitidamente estava um pouco mais animada do que o costume. Olhou para o braço fino em volta do seu e soltou um pequeno sorriso ao perceber não ser o único, mas a mesma também usava uma das pulseirinhas vermelhas de barbante meio desgastado confeccionadas um para o outro quando tinham cerca de dez anos.

Ela, no entanto, deixou esse detalhe passar, se preocupando unicamente em puxar o mais alto em direção a uma das mesas localizadas no pátio interno do prédio. Inquieta por algum motivo, não se deu o trabalho de abrir a boca e contar o que a fazia se sentir assim até estarem frente a frente no banco comprido da mesa amarela. A posição era desconfortável, uma perna de cada lado do banquinho, mas nem mesmo isso conseguiu diminuir um pouco a ansiedade corrosiva dentro de si — e Son Seungwan costumava reclamar bastante.

— Como sabe, — começou ela — o Starlight é daqui três meses. Você nos mandou a tracklist ontem mesmo e, nossa, está quase perfeita.

— Quase? O que acha que podemos mudar?

Chanyeol finalmente desprendeu os olhos do livro tirado da mochila assim que se sentaram, curioso com a linha de raciocínio formulada e seguida pela amiga. Assim, pôde reparar quando a morena começara a mexer um uma mecha pequena do cabelo, evitando contato visual. Estava insegura em lhe dizer alguma coisa.

— Então... eu conversei um pouco com a Irene e nós duas achamos que a The Timepiece precisa de, pelo menos, duas músicas novas para apresentar.

O garoto continuava com uma expressão neutra, pedindo silenciosamente para Wendy dar continuidade à fala:

— Sabe, nesses cinco anos mais sólidos que temos como banda, nós fizemos só cinco músicas, uma por ano. Mas, o Starlight é uma oportunidade que não podemos perder, e você também sabe disso, então pensamos que seria conveniente que tivéssemos músicas novas para apresentar. Os olheiros da Ouverture vão estar lá, é nossa chance!

Sinceramente, o garoto compreendia tudo o que a amiga queria o fazer entender. Todos sabiam o quanto ele mesmo dedicava sua vida para a bandinha de garagem fundada haviam alguns anos com seu grupo pequeno durante um dos momentos de loucura da sua vida, mas era insano ela querer a composição completa de duas músicas em um período tão curto de tempo e com uma semana de provas para enfrentar amargamente. Se conseguisse ser rápido o suficiente para compô-las, ainda sobraria um mês inteiro para ensaiar, mas não era assim que funcionava, seria um golpe de muita sorte caso conseguissem fazer isso.

A Son sabia muito bem de todas as complicações, de todos os sacrifícios e dos esforços dobrados que teriam de serem feitos para dar tudo minimamente certo. Joohyun, como suposta agente da bandinha, teria trabalho para organizar muito bem suas coisas e a dos colegas, mas as duas estavam dispostas. Tudo o que mais queriam era ver aqueles os quais amam realizarem seus sonhos, assim como elas acreditavam conseguirem realizar os próprios.

— Amorinha, eu entendo, mas como faríamos isso? — O apelido saiu suavemente da boca do mais alto. Era natural que ele a chamasse assim desde mais novos. Sorriu, porque fazia algum tempo desde a última vez.

Para a grande frustração de ambos, a resposta para essa pergunta ela ainda não tinha em mãos, porém trabalhava nisso. Contava com suas habilidades e prometera a si mesma não desapontar os amigos repetindo isso incansavelmente como um mantra. Quando conversara sobre o assunto com Joohyun, se encontrava apressada para o treino das líderes de torcida que precisava estar presente, assim fazendo ser tudo muito corrido, sem direito a muita discussão para resolver os detalhes corretamente. Ela mesma havia pensado muito antes de decidir falar para o moreno.

Sabia de todos os contras dessa loucura, porém não conseguia encontrar as palavras certas para tranquiliza-lo. Tinha quase tudo sob controle, mas como dizer isso? Até se arriscara a começar a falar algo: abrira a boca várias vezes, fechando-a logo em seguida sem ter emitido som algum e deixando o silêncio se instalar entre os dois. Permitiu também que o Park ajeitasse sua posição no banco e voltasse a atenção completamente ao livro em mãos como pretendia fazer antes de terem iniciado a conversa maluca.

Wendy o encarava decidida a fazer de tudo para a ideia da outra amiga desse certo. Já o outro, sequer fitava os olhos obstinados da mais nova, apenas querendo saber mais sobre o Assassinato no Expresso Oriente.

Foi somente quando o sinal soou alto que Chanyeol deixara o livro de lado, seguindo para aula ignorando os protestos da garota atrás de si por sequer a esperar. Não acordara de bom humor, e a loira sabia muito bem: nesses casos não deveria desejar nenhuma gentileza maior vinda do Park além de ele a ouvir minimamente durante o curto período de tempo passado conversando sobre a banda — naquele humor, esse seria o único assunto capaz de prender a atenção do mais alto. O caminho pelos corredores cheios foi silencioso, nenhum dos dois estavam se sentindo falantes, cada qual preso em suas próprias ponderações. Quando chegaram na sala de aula não foi diferente, sentaram-se nos mesmos lugares de sempre, porém mais quietos do que nunca. Taeyeon, a professora de história e literatura, estranhou a garota sequer lhe cumprimentar como o habitual, mas não se pronunciou quanto a isso.

O garoto esperava a aula se dar início com uma cara de tédio explícita no rosto e não se deu o trabalho de abrir o livro na página que lia anteriormente sabendo ser uma perda de tempo total — com sorte, conseguiria ler duas páginas, mas era muito mais provável não alcançar a leitura de dois parágrafos inteiros. Esperava o tempo passar observando os colegas entrando na sala, um especial lhe chamando a atenção.

Aquele grupinho era sempre assim, onde iam havia barulho, chegava a ser irritante como conseguiam ser tão animados durante as manhãs. Naquele dia em específico, contudo, o garoto de cabelos vermelhos se mantinha calado, evidenciando ainda mais para o guitarrista que, definitivamente, aquele dia não estava sendo e nem seria comum.

Byun Baekhyun era um garoto, no mínimo, excêntrico. Entretanto, talvez nem mesmo essa palavra tão incomum fosse capaz de definir e passar exatamente o quão único parecia. Impossível não perceber sua presença quase imponente aos outros, e o Park não julgava aquela postura como proposital, dando ao de cabelos de fogo um brilho ainda mais acentuado como alguém fora do padrão — isso com certeza não era considerado ruim. Chamava a atenção por onde passava, isso era completamente inegável. Tinha um estilo alternativo se comparado aos demais estudantes sempre tão certinhos e irritantes para Chanyeol apenas por estarem diligentemente seguindo regras nos mínimos detalhes como pequenos robozinhos.

E mesmo com esses comentários, Baekhyun se considerava uma pessoa normal. Claro, recebia diversos olhares reprobatórios por conta do seu cabelo pintado de um vermelho escuro e ainda assim aparente, por sua leve maquiagem nos olhos — Yerim o fazia usar todas as manhãs logo quando pisava seus pés na instituição — e até mesmo por ter uma visão astuta. Tão astuta que poderia quase percebera os olhares nada furtivos do garoto de um e oitenta e cinco sentado no fundo da sala, porém não percebeu. Tornando tudo ainda mais diferente do seu habitual observador. Além disso, quando acompanhado da garotinha loira — todas as vezes somado a Zhang Yixing, o jogador do time escolar de vôlei e do patinador mais queridinho do colégio inteiro — ele costumava ser bastante barulhento.

Baek, como todos o chamavam, de fato se sentia estranho.

Suas mãos não aparentavam tremores quando olhava para elas, porém jurava ter seu corpo inteiro tremendo; estava inquieto demais. Não prestava atenção nos outros a sua volta por simplesmente não conseguir entender como se sentia exatamente, ou o porquê de estar daquele jeito — tinha um palpite arriscado, mas não queria acreditar ser aquilo. Seu estômago revirava e era quase certa a concretização da possibilidade de vomitar a qualquer momento ali, dentro de uma sala de aula não tão cheia de adolescentes agitados, os quais apenas contribuíam para piorar seu estado já incômodo. Queria poder gritar para todos calarem as bocas, porém não tinha forças suficientes.

Seus pés bambeavam, não poderiam sustentar seu próprio peso por mais um minuto. Se continuasse em pé teria um colapso em público. Sentia como se estivesse empalidecendo imperceptivelmente na frente dos olhos de todos que se ocupavam em conversar antes da volta da professora para a classe e de serem forçados a ficar em silêncio. Deu graças quando ele e Yeri chegaram às mesas, uma atrás da outra como de costume. Deu falta de Jongdae ali, de alguma forma sentira a ausência do primo mesmo nas condições do momento.

Quando finalmente se sentaram, a loira instintivamente virou seu olhar para o ruivo e se espantou com o estado do melhor amigo. Sabia exatamente o que estava acontecendo, então rapidamente se levantou junto com sua garrafinha de água e abraçou o garoto enquanto acariciava suas costas. Era comum que ele ficasse assim quando com medo, um pressentimento ruim, estressado ou apenas nervoso. Se questionava qual das opções seria a correta.

Baekkie, olha para mim. Por favor, olha para mim — falava calmamente com o amigo. Já havia entregado a garrafinha rosa em suas mãos e o assistia beber a água em grandes goladas, acabando com toda a água geladinha da sua garrafa. Fez um pequeno biquinho ao perceber isso, que logo sumiu quando o mais velho a olhou novamente.

— Já estou melhor, Yeri. Pode se acalmar também — concluiu com um pequeno sorrisinho, recebendo um tapa moderado no ombro da mais nova.

Não podia acreditar como ele tinha a coragem de a assustar daquela forma e sorrir como se não fosse nada, sentia vontade de lhe dar ainda mais tapas, se contendo ao que a professora de história dava indícios de que começaria a aula e os alunos, um a um, iam calando-se. Baekhyun, antes de se ajeitar na cadeira e virar para frente para se empenhar em prestar atenção nas palavras da docente, sussurrou para a amiga:

— Durante o intervalo eu vou te explicar isso, acho que precisamos conversar.

A Kim apenas assentiu engolindo em seco. Já tinha noção do assunto da conversa e não queria imaginar a carranca do outro assim que confirmasse suas suspeitas. Só esperava que ele não parasse de falar consigo sem mais nem menos e lhe escutasse, mesmo sabendo o quanto aquilo poderia ter magoado o mais alto.

. . .

O sinal indicando o início do intervalo já soara e o Byun se recusava a levantar da cadeira. Sentia-se ainda um pouco nauseado e tinha quase certeza que tudo era consequente do mal-estar tido no início da manhã. Era tão insistente nessa hipótese quanto a amiga era em lhe dizer que muito disso se devia também ao fato do outro não ter tomado café da manhã como quase sempre fazia. Provavelmente ela estava mais certa, porém não se deixaria abater por isso, precisava conversar com a loirinha e a mesma estava claramente fugindo da situação.

— Kim Yerim, eu estou falando sério! — aumentou seu tom de voz.

Estava impaciente desde cedo porque sua inquietude não dera trégua durante as aulas, sempre se manifestando de alguma forma: seja pelas pernas que não se cansavam de balançar, ou seu ouvido com aquele zumbido irritante. Sua cabeça latejava em uma dor fraca e persistente. Era frustrante que mesmo sabendo de tudo aquilo, a mais nova simplesmente optasse em o tirar um pouco mais do sério e não costumava perder a paciência tão facilmente.

A garota olhou inexpressiva para o outro, endireitou a postura e suspirou fundo. Não teria mais como fugir do seu feito. Seus olhos se cruzaram. Se encaravam olho a olho e tentavam desvendar mutuamente o que cada um estava pensando naquele momento, esperando não terem de ser o primeiro a falar. Não tinham coragem para se pronunciar, de tomarem iniciativa, porque as palavras faltavam em ambas as mentes.

— Quando eu entrei na escola hoje, um menino veio falar comigo. Nada de anormal, você sabe, terça-feira é nosso dia de holofotes — ambos deram um riso pequeno. Baekhyun, tendo tomado as rédeas da situação depois de alguns minutos, falava quase envergonhado perto da amiga de longa data. Ela entendia seu tom de voz, por isso, o deixou continuar... — Ele tinha a edição do Sunrise de hoje em mãos e me elogiou por ter sido imparcial na matéria. Eu não entendi o que ele quis dizer, na verdade não prestei muita atenção porque estava atrasado. Mas, enquanto você me arrastava para a mesa junto com o Dae, eu percebi que na capa de uma das cópias tinha a foto da Sooyoung.

Yerim sabia muito bem o caminho que estavam tomando naquela conversa, mas ainda assim quando escutou a pergunta ser proferida quase em um sussurro seu coração doeu por saber a resposta:

— A matéria que acompanhava a foto é a que eu postei no site semana passada?

— Olha, eu poderia te dizer não — suspirando, ela começou. — Mas estaria mentindo para você. Poderia inventar milhões, bilhões de mentiras; mas você sabe como as abomino completamente. Então, sendo sincera com você, sim, a matéria era a sua que falava sobre a Park.

A expressão dele, no entanto fora inesperada. Claro, estava chateadíssimo com a atitude dela de publicar no jornal impresso quando a mesma sabia muito bem seus motivos de ter postado o artigo unicamente online, mas algo em si não a culpava em um todo. Encarou a figura feminina, que tentava falar mais alguma coisa, em sua frente sem esboçar qualquer reação e respirou fundo. Sua mente estava um caos, e sentia que aquela impressão de que algo daria errado não era só coisa da sua cabeça meio doida. Tinha grandes chances de se ferrar, por isso a única coisa que disse antes de sair da sala foi:

— Por nós dois, eu espero não me meter em problemas.

Não ligava se a loira sairia correndo atrás de si, como ela realmente fizera, só pensava em passar o mais rápido possível por aquele mar de gente que o parava a cada cinco segundos para comentar algo sobre o famosíssimo Sunrise. Queria chegar logo ao refeitório e ouvir as reclamações de Yixing sobre alguma coisa do treino de vôlei, ou o som agudo da voz do primo que nunca parava de falar.

Esbarrou levemente em um estudante mais alto que si e, sem se esquecer das suas boas maneiras, se desculpou rapidamente antes de voltar a andar com passos apressados e pesados na tentativa de se acalmar descontando a energia que fazia seu sangue borbulhar de vontade de gritar com a amiga que ainda o seguia apressada. Não queria causar uma confusão que se arrependeria depois.

E Chanyeol, que não teve tempo de assimilar a pancada relativamente forte que recebeu no braço, apenas encarava o garoto esguio sumindo aos poucos no corredor com seus passos rápidos. Definitivamente, pensou ele, Byun Baekhyun era uma figura curiosa.

. . .

Não se pode ignorar o fato imutável de que todas as escolas têm seus grupos fechados e bem seletos de alunos. Os quais são formados por indivíduos com características marcantes em comum e identificados de acordo com as mesmas.

Park Sooyoung era um exemplo bastante claro da hierarquia social dentro da Sunset High, sendo parte do mais alto escalão da pirâmide. O curioso era que ninguém se considerava capaz de explicar com detalhes e certezas o motivo da garota ser posta como uma das figuras mais populares, por isso, as especulações e boatos existiam como forma alternativa de sanar a curiosidade de todos.

Alguns diziam que eram seus sorrisos carismáticos que viviam sendo distribuídos, suas palavras simpáticas e doces e as ações gentis que sempre dirigiu a todos que a cercavam. Outros defendiam que foram seus belos cento e sessenta e sete centímetros, habilidade impressionante para formulação de estratégias em campo, a jaqueta amarela com o seu nome bordado atrás pendurada nos ombros e o título de capitã do time feminino oficial da instituição que a conferiram a posição social tão desejada no Ensino Médio. O fato em questão é que Sooyoung, pouco a pouco, conquistou seu tão merecido destaque.

Havia algo na garota que faziam os corredores borbulharem em opiniões extremas sobre si: a amavam, ou a odiavam. Não haviam meios-termos, e isso sequer era culpa da Park.

Joy ― como foi carinhosamente apelidada em seus primeiros anos ― era sinônimo de doçura e amabilidade. Nunca fez (ou pelo menos nunca foi flagrada fazendo) algo que significasse que era uma pessoa má, não manchou em nenhum momento as mãos com qualquer coisa metaforicamente suja, logo, nunca deu motivos para que a temessem e/ou odiassem. No geral, era considerada uma aluna exemplar, e modelo para muitas das garotas mais novas que por vezes assistiam aos treinos; era inspiração para muitos estudantes que aspiravam entrar nos times diversos que a escola dispunha, e tinha até mesmo uma pequenina estante na biblioteca dedicada apenas a guardar os troféus conquistados nos campeonatos em nome do colégio.

E, mesmo com todos esses méritos, por conta de um pequeno detalhe, muitos ainda odiavam e temiam Park Sooyoung: ela era sobrinha do coordenador, Lee Jinki. Por causa desse mesmo simples motivo, Baekhyun não dirigia uma palavra a Yerim já faziam algumas horas.

O ruivo não ligava para o status que a morena carregava consigo, nem para aquela jaqueta irritantemente vibrante que sempre a via usar fizesse calor ou frio, chuva ou sol; mas, ainda fazia parte da pequena parcela de alunos que zelavam pelo histórico escolar e queriam mantê-lo limpo a todo tempo, porque Baekhyun constava na porcentagem de alunos que precisavam se manter nos eixos ou, então, perderiam a bolsa estudantil que conseguiram com muitíssimo esforço. Logo, arranjar qualquer pequena indisposição com o coordenador mais injusto que já tivera o desprazer de conhecer não estava nos seus planos. Não estava nem um pouco disposto a jogar tudo fora.

O que mais o incomodava, pelo bem da verdade, era que a Kim sabia o que estava em jogo quando decidiu que imprimir e publicar a matéria que falava de Sooyoung exatamente na capa da edição do jornal escolar seria uma de suas mais brilhantes ideias. Mais frustrante ainda era a amiga não parecer nem um pouco verdadeiramente arrependida do que fez.

Mesmo que Baekhyun compreendesse as motivações da mesma, não era equivalente a concordar com estas.

Aquele era para ser um dia especial, em que se reuniriam na casa de Baekhyun e conversariam sobre as coisas mais banais que pudessem, comeriam porcarias industrializadas, sentariam espalhados pelo quarto do mesmo e ririam das caretas que Yixing faz ao comer qualquer coisa minimamente mais ácida do que o comum. Como todas as terças-feiras eram. Entretanto, o clima estava muito pesado para isso, e nenhum dos quatro amigos aguentava mais aquela tensão construída entre o dono da casa encolhido e emburrado na cadeira giratória da escrivaninha, e a única menina do grupo que se encontrava jogada no tapete, respirando consideravelmente mais alto do que o normal para chamar a atenção dos outros três.

― Certo, já chega! ― Jongdae, cansado de toda aquela ausência de barulho, se pronunciou ― Façam o favor de contar o que aconteceu, não aguento não saber das coisas que acontecem.

Mesmo assim, silêncio ainda era ensurdecedor.

Nenhum dos dois ousou se pronunciar, sendo a única reação de ambos suspirar audivelmente e se resguardarem ainda mais. Jongdae não conseguia se conter ao ver dois dos seus melhores amigos ignorando um ao outro, pois dentro de si algo dizia, gritava, para que intervisse naquela breve declaração de mudez seletiva e indiferença. Yixing, na varanda, apenas observava a situação, já prevendo que uma discussão acalorada eclodiria a qualquer momento.

― Gritem um com o outro! ― exclamou Jongdae ― Reajam, falem alguma coisa. Só não fiquem nesse jogo de ignorarem a existência do outro.

― Eu estaria falando com o Baekhyun se ele ao menos dirigisse o olhar para mim. ― O tom de voz da garota era amargo, incomum ao se tratando dela.

― Eu estaria falando com a Yerim se ela não tivesse feito o que fez. ― Baekhyun admitiu. Sabia que agia infantilmente ao replicar daquele jeito, porém não conseguia evitar rebater a acidez dela com palavras ainda mais carregadas.

― Você me deu as costas sem deixar eu explicar meu lado da história, Byun!

― Você publicou algo que nós dois havíamos concordado em manter apenas online, Kim. Pior ainda! Sem sequer me consultar antes.

A esse ponto, os dois já começavam a elevar ambos os tons de voz. Baekhyun já não mais se encolhia no estofado da cadeira, mas assumia uma postura ereta e os olhos eram afiados em direção àquela jogada em seu tapete. Yerim não era diferente, se levantara e encarava o outro diretamente nos olhos. Os dois precisavam conversar e, mesmo que os ânimos definitivamente não fossem os melhores, a opção que acarretaria em consequências menos drásticas era pôr para fora tudo que precisavam pôr o mais rápido possível. Pelo menos agora se dirigem a palavra, pensou Jongdae.

― E eu já me desculpei por isso. Mas não posso ficar remoendo o mesmo assunto por uma semana porque isso acarretou em você, meu melhor amigo, nem olhando nos meus olhos por quase um dia inteiro! Eu, Kim Yerim, não fiz na intenção de te prejudicar! Você sabe que, dentre todas as pessoas, nunca faria isso com você, cacete!

― Pode parecer pouca coisa, Yerim. Mas sabe que desculpas para mim não vão adiantar porque você sabe mais do que ninguém o que colocasse em jogo no momento que resolvesse publicar a maldita matéria! Conhece o coordenador Lee? Pois é ele quem detém o poder de convencer a diretoria da escola a qualquer punição, e eu não posso receber isso. Eu não posso perder a porcaria da minha bolsa de estudos, que eu me esforcei muito para conseguir, simplesmente porque você decidiu que seria melhor para o reconhecimento da droga do Sunrise que eu me expusesse a essa situação ridiculamente perigosa. EU NÃO POSSO ARRISCAR TUDO AGORA! ― Baekhyun ditou rápido, aumentando o tom ao final e respirando pesado quando finalmente se calou. Estava sem fôlego e, mesmo depois de ter falado tanto, ainda parecia que as palavras queriam escapar da sua garganta com uma força dolorosa.

― Caramba, é sério que você pensa que eu te exporia a essa situação apenas para o bem da popularidade do jornal da escola? Você me conhece melhor do que isso, Baekhyun, nós já passamos da fase da amizade em que fazemos suposições idiotas um sobre o outro há muito, muito tempo. Me deixa explicar minha versão das coisas, caramba! ― Yerim já perdia a paciência com tudo aquilo. Nunca quis discutir com o ruivo, quem dirá gritar com o mesmo.

― Você sabe o quão importante o jornal é para mim, compartilhamos do mesmo gosto por ele. Eu só nunca esperaria que publicasse algo sem falar comigo antes. Tínhamos um combinado! Você, inclusive quem o propôs. Não pode...

― BYUN BAEKHYUN ― gritou Yerim num rompante, interrompendo a fala do mais velho, já cansada do monólogo demasiadamente extenso que o ruivo criava. Antes de prosseguir, o quarto ficou em quase absoluto silêncio, todos surpresos demais com a chamada da loira ― Você já viu quantas pessoas gostaram da sua postagem? Eu admito que fui sim uma péssima amiga em ter feito sem você saber, tanto na questão de que você é o autor do texto, quanto por você ser o vice-presidente do clube de jornalismo.

"Mas, eu juro a você que apenas fiz isso porque achei que iria gostar de ser reconhecido por todos pela matéria incrível que escreveu. Absolutamente todas as pessoas naquele site deixaram comentários positivos e eles sempre eram dedicados totalmente a você. Em cem por cento dos minis textos que eu li numa madrugada, e não foram poucos. Quis fazer algo legal, e se não der certo pode deixar que eu assumo a responsabilidade. É óbvio que não iria deixar que algo ruim te acontecesse por uma ação minha, pense um pouco!"

Baekhyun não sabia o que responder, não achava que tinha forma de responder. Estava, admitia, um tanto atordoado com as palavras mais agressivas de Yerim, que quase nunca perdia a paciência. Ainda estava magoado com a amiga, e não era sem razão. Tinha esse direito e a consciência de que estava tudo bem se sentir assim por mais um tempo, não precisava pular no colo da outra e a desculpar imediatamente. Felizmente, apenas olhando para os olhos da menor, sabia que estava tudo bem se ainda estivesse hesitante em algumas coisas.

Yeri sempre o trataria como uma irmã mais velha, assim como sempre respeitaria a si e seu tempo.

E quando não deixou que ela mesma falasse por si, não havia sido justo. Não fora exemplar, e tudo bem também. Reconhecia isso e pedia, silenciosamente ― porque não era necessário verbalizar nada para que se entendessem ― desculpas pelo o que fez. Nada ali anulava o quão chateado estava, e precisaria de mais um tempo para lidar com aquilo racionalmente, mas não iria mais fingir indiferença.

Não precisava falar mais nada, fosse verbalmente ou não. Apenas de ter levantado da cadeira giratória e sentado ao lado da Kim no tapetinho felpudo no centro do quarto falava muito mais do que seria capaz de reproduzir em palavras. Era um gesto pequeno, mas todos ali sabiam o que significava e, por isso, não muitos segundos depois do Byun ter se aconchegado com a cabeça no ombro de Yerim, estavam os quatro amontoados no chão.

Yixing mantinha os pés para cima, apoiados na cama de solteiro do dono do quarto, e mexia despreocupadamente no telefone; a garota apoiava a cabeça na barriga do amigo e Baekhyun recebia um carinho gostoso na cabeça deitada nas coxas dela. Era um clima gostoso, e dessa vez o silêncio presente não era pesado, não era incômodo. Trazia conforto. Jongdae não estava no quarto faziam alguns minutos, havia se levantado para pegar algumas besteiras quaisquer nos armários da cozinha da casa do primo.

Felizmente, voltara a tempo suficiente de ouvir a conversa que começava a se desenrolar ali:

― Hey, Baekkie. ― Baekhyun nada respondeu, apenas soltou um resmungo breve em um pedido quieto para que o mais velho prosseguisse no que pretendia dizer ― Sabe a EXODUS?

― A melhor editora de livros desse mundo? Sei. O que tem ela? ― O ruivo não prestava muita atenção nas palavras de Yixing, focado apenas no quão bom estava sendo receber aquele cafuné da mais nova, seu tom era quase desinteressado.

Então, foi uma surpresa boa quando escutou aquela bendita frase. Os olhos arregalaram e o coração acelerou, se levantou de supetão, assustando a garota embaixo de si que estava tão sonolenta quanto ele e quase dormia ali mesmo, no chão.

― Acabei de ver um anúncio aqui no Instagram, e parece que eles abriram um concurso de escrita. Você deveria participar.

E, inevitavelmente, uma pequenina chama de esperança se acendeu no peito. Aquela infame esperança bobinha de realizar um dos seus maiores sonhos desde criança havia ressurgido.

25 de Abril de 2020 a las 04:37 0 Reporte Insertar Seguir historia
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