monilovely Sai Daqui

"Todo o inferno está contido nessa única palavra: Solidão." - Victor Hugo. Damien não se considerava uma pessoa solitária. Não tinha tempo para se sentir solitário. Há muitos deveres a serem realizados no inferno que exigem sua preocupação, bem mais do que como ele se sentia sobre qualquer coisa naquele mundo caótico e injusto. Entretanto, como o novo advogado de Deus, substituto após a morte de seu pai, ele tinha grande habilidade de empatia com aqueles que caíam no inferno e passavam por seu julgamento. E, em todo esse tempo, nunca conheceu uma pessoa tão solitária quanto Phillip "Pip" Pirrup.


Fanfiction Sólo para mayores de 21 (adultos).

#gore #violência #dip
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De volta do inferno

A Bíblia contava várias histórias sobre o anticristo. Segundo o que suas páginas sagradas diziam, ele era um homem de habilidades e capacidades incríveis. De inteligência vasta e habilidades de comunicação, conquistaria todos ao seu redor com sutileza, engenhosidade e sabedoria e seduziria à todos com sua personalidade e caráter.

Diziam que ele dominaria o mundo com suas habilidades e personalidade gentil, inofensiva, passiva e bondosa. Ele estaria pronto para solucionar vários problemas mundiais, como pobreza, guerras, crises e desigualdades.

Apesar de não ser bem aceito no início, se tornaria o maior governante de toda a terra, alguém com cargo político muito importante e de soberbas habilidades diplomáticas e estratégicas.

Acima de tudo, seria um líder. Uma pessoa com tanto poder que será capaz de liderar todos os povos que pisam na terra para seu destino e prosperidade.

Patético.

Como se o anticristo tivesse tempo para se preocupar com os problemas que assolavam os humanos.

Haviam diversos deveres a se fazer no inferno, coisas de importância mais urgente que qualquer outro assunto que as criaturas inferiores e mortais que arrastavam seus corpos nojentos pela terra pudessem inventar.

Após a morte de seu pai, Damien, como filho de Satanás, foi forçado a tomar o controle dos deveres que antes ficavam responsáveis pelo patriarca do inferno. Todas as almas que ali caíram, sentenciadas à queimar para sempre no fogo ardente e ter suas almas batidas e torturadas até se tornarem nada além de cinzas, agora estavam nas mãos do anticristo.

Ao contrário do que dizia a Bíblia, Damien não era um rapaz pacífico ou diplomático. Tendo sido criado entre as chamas, ele herdou de seu pai um lado incrivelmente sádico e maldoso. Lambia os beiços sempre que podia parar e admirar o fogo consumindo as almas pecaminosas que caíram em suas mãos. Lhe dava um anormal sentimento de alívio; saber que aquelas pessoas que, em vida, causaram tanto mal agora estavam sendo punidas por seus crimes.

Se pudesse se descrever, não diria que era passivo ou inofensivo. Diria que era justo. Apesar de todos temerem o inferno, Damien conhecia o verdadeiro propósito do local: castigas as almas que pecaram e atormentaram em vida. E era exatamente isso que ele fazia. Analisava o histórico daqueles que ali caíram e decidia, por sua própria conta, o que o destino lhes reservava. Frequentemente se encontrava com ditadores cruéis e pessoas problemáticas e ficava profundamente enojado ao ler suas fichas e descobrir seus crimes, todos descritos de forma detalhada e gráfica justamente para garantir o melhor veredito possível.

Uma das coisas que mais chateiam o anticristo nas horas em que deve se encontrar com aquelas almas mortais, é ver quantos estavam ali por um crime que não cometeram ou por alguma brecha nas leis bíblicas e católicas.

Damien sempre dava seu melhor para que todos em seu reino tivessem um julgamento justo, sem tomar nenhum caminho tendencioso e deixar suas emoções ficarem no caminho. Mas como podia haver um julgamento justo se as próprias leis que o ditavam estavam corrompidas? Diariamente, via parar no inferno pessoas cujo histórico estava manchado com o sangue de outros ou com o próprio forçadamente tirado de si. Suicidas, ladrões que roubaram pela sobrevivência da família, peças de sacrifício, um povo injustiçado pela terra, iludidos da igreja, pecadores não-conscientes, nenhum destes era incomum de se encontrar. E Damien ficava mais revoltado a cada um novo que encontrava. Não sabiam aqueles malditos anjos o que a terra fazia com o homem? Por isso diziam que a morte era a única forma de paz perfeita, pois não mais seriam julgados pelas mãos daquela terra maculada e injusta. Todas as suas preocupações e angústias, diziam os barrocos, iriam embora no momento da morte, no momento que seu espírito deixasse seu corpo para ser julgado pela mão justa de Deus.

Mas Damien nunca conheceu alguém tão babaca quanto aquele cara.

Egocêntrico e metido, escolhia a dedo quem entraria em seu paraíso eterno, quem seria condenado a vagar pela terra e quem teria um encontro marcado com o diabo. Houve uma época em que apenas Mórmons eram permitidos no paraíso, lei esta que apenas foi derrubada após Satanás conseguir um exército maior que o de Deus. Seja lá o que passava na cabeça daquela criatura, Damien sabia que nunca chegariam à um acordo. O paraíso era seu lar e ele podia ditar as regras de lá tanto quanto o anticristo agora podia ditar as do inferno.

Embora soubesse que aquelas almas verdadeiramente merecessem o céu, Damien fazia seu melhor para acolhê-las em seu reino. Mantinha-as em um distrito separado dos que eram torturados, algo como uma zona residencial na terra, para que pudessem ter a eternidade mais tranquila possível. Não tinham toda a estrutura que o céu oferecia, mas ele estava fazendo o melhor que podia.

Apenas queria ter mais tempo para garantir o aconchego de seus inquilinos. Sendo o novo encarregado do inferno, ele tinha muitos deveres a fazer e muito pouco tempo. Vivia organizando os papéis e históricos dos mortos que chegavam a cada minuto e estava, constantemente, sob estresse. O fato de morar no inferno não ajudava. Os gritos de dor e desespero das vítimas do destino o distraíam e o estressavam além da conta, efetivamente afetando seu desempenho no trabalho.

Definitivamente, Damien precisava de uma mudança de ares. A atmosfera negativa e torturante do inferno, por estar interferindo em seu trabalho, já não era boa o bastante para ele. Em tempos de corrupção e caos, havia de haver alguém que instituísse a ordem e a justiça, e esse, feliz ou infelizmente, era seu trabalho naquele momento.

Há alguns meses atrás, o anticristo lembrou-se de uma cidadezinha que frequentou por pouco tempo quando criança, na época em que seu pai ainda era vivo. Não era o lugar mais pacífico do mundo, mas as pessoas não se importaram com o fato de ele ser o anticristo, ou que seu pai fosse lutar contra Jesus num ringue de luta livre, evento que jamais aconteceria em qualquer outro lugar do mundo, o que facilitava seu trabalho ainda mais, visto que não teria de esconder sua identidade e poderia usar seus poderes à vontade caso julgasse necessário.

Sua vinda estava planejada há semanas. Alugou uma pequena casa nas partes mais afastadas da cidade, onde teria mais silêncio e poderia trabalhar em paz por quanto tempo precisasse. A princípio, não planejava ficar muito tempo naquele lugar, apenas o suficiente para colocar todo o trabalho em dia. Entretanto, caso tivesse tempo, gostaria de explorar os arredores e ver como aquela população que o acolheu na primeira vez estava agora.

Acompanhado de Zazul, um dos servos de seu pai, carregou suas malas até a entrada da casa, onde Damien se transportaria para a pequena cidade da montanha. Não levava muito, apenas alguns papéis e trocas de roupa. Afinal, com a infinidade de poderes que tinha, não precisava de nada mais que isso. Deu uma última olhada para dentro da casa, para o aconchego de seu lar. Querendo ou não, sentiria falta daquele ambiente cômodo e familiar, mesmo que já não fosse o bastante para o acomodar.

- Faça uma boa viagem, jovem mestre Damien. - desejou o servo, abaixando a cabeça sutilmente para o anticristo.

Damien nada disse, apenas assentiu com a cabeça e deixou as malas de lado para usar seus poderes. Transportar-se por grandes distâncias, por exigir mais poder e energia, não podia ser feito com um simples estalar de dedos e exigia toda a concentração de Damien.

Tomou as malas em mãos e, fechando os olhos, sentiu o fogo e o poder consumi-lo. Os segundos passavam e ele percebia o inferno se afastando e seus pés deixando o solo, seu corpo totalmente envolvido pelas chamas de seu encantamento e tirando-o do lugar que conhecia desde criança. Sussurrava pensamentos incoerentes em sua mente para focar no lugar onde queria ir, caso contrário não poderia sair do lugar.

Ao sentir um vento gelado soprando os cabelos negros e o fogo se dissipando, soube que havia chego em South Park. A diferença era evidente, tanto na temperatura como na ambientação. Aquela cidade era silenciosa, calma, completamente diferente do inferno, onde as pessoas gritavam todo dia, o dia todo. Era o lugar perfeito para Damien trabalhar.

Uniu a ponta das sobrancelhas na glabela e pôs-se a caminhar até a casa alugada, suas malas pendendo ao seu lado seguradas pelas mãos recém aquecidas.

Enquanto seguia seu caminho, tomou tempo para olhar em volta e ver como aquele lugar continuava o mesmo. As casas continuavam todas iguais, uma do ladinho da outra com apenas a numeração e a cor diferenciando uma da outra. South Park era um lugar muito sem graça e tedioso em questões de lazer e arquitetura. Todas as construções eram iguais, as pessoas, unidimensionais, as ruas sempre combinavam e raramente tinha algo de novo se não uma pessoa ficando mais estúpida a cada dia, isso era o que Damien descobriu sobre aquele lugar no pouco tempo que esteve lá. Não se recordava perfeitamente das pessoas e o que fez durante seu curto intercâmbio, mas, comparado ao inferno, aquele lugar era bem mais pacato do que transparecia.

A área em que o anticristo residiria, por ser localizada nos limites da cidade, era especialmente quieta e pouco movimentada, tornando o local perfeito para organizar sua área de trabalho e retomar o serviço há muito atrasado. Precisava de todo o tempo que pudesse arrumar para organizar seus papéis. Embora aquele lugar fosse mais tranquilo que sua casa, Damien detestava socializar com os humanos. Ter de vê-los exibindo suas almas pecadoras com orgulho e recebendo mérito por isso lhe enojava de uma forma que ele não sabia o que faria se acabasse cruzando com alguma situação semelhante. Provavelmente começaria o apocalipse ali mesmo.

Não tardou em chegar ao local combinado, o valor já pago com antecedência pelo anticristo. A casa paga era apenas um pouco diferente das demais. Não era sobrado, tendo apenas alguns cômodos para um preço mais acessível. Era de um cinza sutil, facilmente confundível com um céu nebuloso. Era exatamente como Damien preferia: tenebroso e sombrio. O interior não tinha nada de especial, tampouco surpreendeu-o ao entrar. Estava exatamente como o deixou da última vez que ele e o pai ficaram em South Park: Dois quartos, cozinha, sala de estar e um banheiro, todos de um cinza levemente mais claro que o do exterior da casa - cor escolhida pelo próprio Damien na primeira vez que ficaram por lá. Seu pai, achando que ele estava em alguma fase emo, resolveu lhe dar uma “recompensa” e concordou com a cor da casa.

O moreno respirou fundo o ar nostálgico do ambiente e logo pôs-se a ir ao quarto desarrumar as malas. E, com isso, quero dizer que ele estalou os dedos e foi se sentar na poltrona da sala com uma pilha de papéis e pastas no colo.

Aconchegado no assento, Damien sentiu-se à vontade para se deixar soltar naquele ambiente familiar. Estalou os dedos novamente e conjurou uma xícara de chá quente. Honestamente, não era muito fã da bebida, mas o ajudava a relaxar, então ao menos servia de alguma coisa.

Os dedos folheavam as pastas e as abriam com delicadeza, as pontas trilhando por cima dos nomes e as informações de cada um, como se analisassem um tesouro precioso. Tantas vidas preciosas corrompidas pela natureza horrível dos humanos. Damien se perguntava quanto tempo levaria até que topasse com os malditos que o atormentaram durante a infância. A esse ponto, já esperava encontrar algum rosto minimamente familiar assim que olhasse pela persiana.

A vizinhança era estranhamente quieta. Damien lembrava-se dos colegas de classe fazendo algazarra o tempo todo quando era criança, até ouviu relatos de seu pai recepcionando antigos moradores de South Park que foram mortos durante as aventuras dos garotos. Ele não estava reclamando, claro, pois aproveitaria muito mais seu trabalho em silêncio completo, mas, pra um lugar que aceitou calmamente a vinda da porra do anticristo, ter silêncio era quase um pecado.

Ele não devia estar se distraindo daquela forma, mas não podia evitar de achar aquilo tudo muito suspeito. Ergueu-se de seu lugar após acomodar as folhas no criado-mudo e dirigiu-se até as persianas, afastando poucos centímetros das frestas para dar uma espiada.

Os olhos carmim se arregalaram ao perceber que havia, sim, gente do lado de fora. Especificamente, três garotos mais velhos agredindo um quarto, consideravelmente mais novo, contra uma casa do outro lado da rua. Este estava caído no chão, aceitando as porradas sem sequer tentar lutar contra elas, como se tivesse desistido.

Podiam eles estar de costas para Damien, mas era quase como se o filho de satanás pudesse cheirar os sorrisos maliciosos e desprezíveis. O cheiro de alma pútrida era repugnante e fazia o anticristo querer vomitar. E, o que era pior, a inocência e pureza da pobre alma vítima que estava nas mãos deles, desses mortais vis e asquerosos, vermes que rastejam sobre a terra a sugar todos os seus nutrientes e deixar nada além de cinzas e destruição para trás.

As mãos de Damien, ardendo com o calor de suas chamas, quebraram as persianas com um golpe rápido, sem dó, nem piedade. Pôde sentir os pés deixarem o chão e os olhos carmim arderem com a força de seu ódio sobre aqueles moleques. Não sabia quem eram, de onde vieram, ou o que queriam, mas uma força estranha dentro de si não permitia que ele ficasse parado ali, apenas observando aquela cena terrível.

Não precisou de qualquer esforço para atear fogo nos três jovens, que abandonaram o mais novo imediatamente e saíram correndo. Para longe daquele bairro. Para longe de Damien.

- Queimem no inferno, filhos da puta. - sussurrou o moreno para si mesmo enquanto via-os desaparecer, o gosto da vingança escorrendo pela garganta seca.

Após alguns segundos, o anticristo conseguiu voltar à sua antiga calma. Os pés regressaram ao chão e pôde sair de casa para dar uma olhada melhor no garoto que continuava caído no chão, embora estivesse dando seu melhor para levantar.

Com os cabelos loiros caídos sobre os olhos, não podia ver muitos detalhes de sua face, portanto, não tinha certeza de lhe conhecer. Entretanto, sua figura lhe parecia familiar, como se já tivesse o visto antes. Usava um casaquinho vermelho de veludo, uma blusa branca com gola alta, levemente suja devido às agressões, shorts jeans na altura das coxas, uma gravata borboleta amarronzada e possuía uma boina de mesma cor caída ao seu lado, com alguns detalhes em preto. Se Damien não tivesse visto almas inglesas com essa mesma vestimenta, juraria que era francês.

Respirou fundo e deixou o conforto de sua casa com a porta aberta, se aproximando do garoto com calma e cuidado para não afastá-lo. Aqueles marginais tinham feito um bom estrago com ele. A calçada antes limpa agora estava manchada com saliva e sangue, este que também escorria dos cortes abertos e coagulava debaixo da pele branca, tornando-a roxa em diversas regiões de suas pernas, braços e, Damien não duvidava, barriga e costas.

Se tivesse apenas percebido mais cedo…

- Ei. - chamou pelo menor com sua voz grossa. Desde que passou pela puberdade, o anticristo perdera todo e qualquer traço de finura em sua voz. Alguns de seus subordinados, quando estavam tentando bajulá-lo, diziam que ele tinha a voz de um galã de novelas. Para azar deles, Damien detestava novelas. O loiro estremeceu no chão, o braço que o tentava levantar cedendo e trazendo seu rosto direto para o encontro com o solo, provavelmente pensando que era mais alguém que veio atormentá-lo ou agredi-lo. O moreno hesitou por um instante, mas manteve sua postura superior e calma, como sempre fazia perto das almas rejeitadas que resgatava do fogo, e, logo, tornou a falar. - Você está bem?

Os olhos do menor se arregalaram como se fosse a primeira vez que alguém falava com ele em anos e, ao erguer a cabeça para encarar a primeira pessoa que não se dirigia à ele com desprezo, Damien teve certeza. Definitivamente havia visto aquele garoto em algum lugar.

Nunca em sua vida o moreno havia visto olhos tão azuis como os do menor. Pareciam dois lagos cristalinos de água pura. O ditado popular “os olhos são a janela da alma” não era nenhuma brincadeira ou conto. Assim como via naquelas órbitas, Damien podia quase respirar a pureza daquela alma. Era completamente diferente de qualquer outra que ele havia conhecido antes, nem mesmo entre os falsos pecadores que caíam no inferno.

Aquela alma não havia cometido um único pecado. Nem roubo, nem corrupção. Podia apenas ver um minúsculo desvio naquele espelho d’água, mas, com certeza, nada que o garantiria um assento no inferno.

Enquanto o loiro o encarava, sua expressão se distorcendo à uma mais e mais confusa a cada segundo, o mundo pareceu parar completamente para o anticristo. Por viver no inferno, nunca conheceu alguém que fosse realmente de alma pura, ou, se conheceu, foi muito novo para perceber, então era mais do que natural que ficasse sem palavras e sem saber como reagir. Agora, ficar completamente paralisado já era um pouco demais, não?

- Damien?

O mundo, quando voltou a girar, foi só pra fazer Damien cair com a inércia, só pode. O anticristo foi pego completamente de surpresa ao ouvir o loiro chamá-lo pelo nome. Então eles realmente haviam se conhecido antes.

- Como você sabe quem eu sou? - arqueou a sobrancelha, ainda confuso.

O menor, no entanto, notou que não estavam na mesma página e, fazendo um pouco de esforço para se sentar, afastou os cabelos da frente do rosto e encarou melhor os olhos carmim do moreno.

- Oh, perdão. Você não deve se lembrar de mim, não é? - desculpou-se com um sorriso. - É o Pip. Você me usou como fogo de artifício pra entrar na festa de Eric Cartman quando tínhamos oito anos.

Agora sua memória estava de volta. Sabia que conhecia aquele garoto de algum lugar. Pip era aquele garotinho britânico que vivia sentando afastado dos outros, argumentando que todos o odiavam - por isso a origem de seu apelido.

E Damien havia contribuído para esse ódio.

Oh.

O anticristo, com a expressão já mostrando remorso, cruzou os braços de forma a parecer estar se abraçando.

- Ah, eu me lembro de você. Hum, foi mal por aquilo. Eu era muito idiota na época. - desculpou-se, ao que Pip negou com a cabeça.

- Está tudo bem, não se preocupe com isso. Só queimou um pouco, mas não foi nada demais. - riu, pouco depois agarrando o lado de sua barriga com força e soltando ar por entre os dentes.

- Você está bem? - perguntou Damien, sua voz se exaltando enquanto se abaixava ao lado do loiro para ajudá-lo. Antes que ele pudesse responder, o anticristo colocou um de seus braços por cima de seu pescoço e o ajudou a se levantar, a mão livre pegando a boina do chão. - Vem. Deixe-me te levar pra dentro e cuidar desses machucados.

- Não precisa, Damien. Não é a primeira vez que isso me acontece. - sorriu, embora o anticristo pudesse perceber a amargura por trás de lábios tão perfeitos. - Eu vou ficar bem.

Damien não sabia qual parte lhe incomodava mais: Pip não se importar de estar machucado, ou o fato de que esta não era a primeira vez que isso acontecia. De qualquer forma, não ia deixar que o loiro ficasse todo machucado daquela forma, quer ele goste ou não.

Com um rápido movimento, ergueu o corpo leve em seus braços - recebendo um guincho como reação do menor -, e começou a cruzar para o outro lado da rua. Ignorava completamente os protestos de Pip, que dizia que estava bem e não precisava de ajuda. Afinal, se ele realmente não precisasse de ajuda, conseguiria andar. E, se não quisesse ajuda, não estaria com as mãos ao redor de seu pescoço.

21 de Abril de 2020 a las 21:54 0 Reporte Insertar Seguir historia
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