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Bianca Pedroso


Dois irmãos estão presos em um lugar onde o chamam de acampamento, porém não é. Vivem sua rotina achando que tudo é lindo e não há problemas, todavia isto é apenas uma máscara para ignorar as atrocidades naquele local. Suas vidas, não passam de experimentos descartáveis, sua felicidade vem da ignorância e as relações são mantidas com base em mentiras. A dor, o sofrimento e o caos são mantindos debaixo do tapete, entretanto até quando vão conseguir esquecê-los no dia seguinte?


Drama No para niños menores de 13.

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Meu amado Acampamento

-Anda logo Lysandre, coloca esses sapatos logo ou vamos nos atrasar! –Exigi cruzando os braços esperando ele se arrumar enquanto via as outras crianças correndo para o que meu irmão chama de Coliseu, mas é só um barranco com um buraco no centro, eu sei lá a razão dele de ter escolhido esse nome.

Era o primeiro dia do ano, dedicado especialmente a discursos, apresentações e palestras a respeito do acampamento e orientações para os novatos, que geralmente são crianças na idade de 8 a 10 anos. E por mais tedioso que possa ser, não é legal perder um evento desse tipo para nossa saúde física.

-Calma maninha, ainda temos tempo –Respondeu com um pequeno sorriso de canto fazendo um laço na bota preta. Que abusado, zombando da minha pressa para não chegar por último.

Meu irmão tem cabelos morenos de tamanho médio e meio rebeldes, os olhos mais lindos do mundo, um azul e outro verde, é alto e educado, com um sorriso modesto e um jeito fofo de ser.

Assim que o infeliz terminou de enrolar, o puxei para ver o nosso magnífico diretor fazer seu discurso muito bem elaborado e motivacional, notem o tom irônico nesta frase, por favor.

Enquanto atravessávamos o corredor dos quartos, a voz monótona e chata do inspetor enchia nossos ouvidos chamando para nos reunirmos com os outros. Chegando lá, ficamos junto com as nossas amigas Mary e Luana, que estavam embaixo de uma árvore ao longe. Será que temos o costume de ser várzea ou é só minha impressão?

O lugar já estava cheio e mais seres pequeninos aproximavam-se correndo, o barulho da multidão era infernal, tantas conversas ao mesmo tempo irritavam meus ouvidos como uma comunidade de abelhas ou algo assim.

-Luana seu braço está meio roxo, tudo bem? –Comentou meu irmão para a loira se aproximando dela e segurando seu braço com cautela e preocupação, sempre sendo a pessoa mais bondosa que conheço.

-Ah, só um pequeno acidente com algumas substancias químicas, não se preocupe –Declarou com um sorriso fofo e forçado.

Seus olhos azuis focaram de repente na figura magrela e esguia subindo o morrinho, o discurso do século feito todos os anos estava começando. E quando as palavras “Bem-vindos” foi pronunciada, o ano foi oficialmente iniciado, e com isso restando-me apenas mais dois antes de completar 18, a grande data dramática de ser adulto, aterrorizante.

De tarde já começou o trabalho sujo para os veteranos, as famosas atividades do acampamento. Lys as chama de exploração escravista, mas eu nunca entendo uma vírgula disso. E enquanto se esforçavam em suas competências, nós dois ficamos no quarto, definhando sem nada para fazer dentro de quatro paredes cinzas de concreto mal feito.

Devo dizer que ser os irmãos Stronger tem seus pontos fortes e fracos, o bom é ser excluído simplesmente por existir, assim não falamos com ninguém e consequentemente não temos inconveniências do relacionamento com terceiros; o ruim são as madrugadas, e o fato de que viver sozinhos é tão chato ao ponto de nos dedicarmos ao completo inútil, Lysandre geralmente lê 24 horas do seu dia livros estranhos e complexos enquanto eu divirto-me com o dicionário do acampamento.

Mas também podemos adicionar à lista dos prós, o benefício de não trabalhar na horta, estudar, caçar ou até explodir coisas com fogo e líquidos, outro assunto que nunca vou entender. Posso dizer que somos abençoados com o sedentarismo, não é ótimo?

Bom, devo dizer que meu irmão não pensa assim, não sei porquê, porém suas ideias são totalmente estranhas. Em nossas conversas ele cita nomes de pessoas que nunca ouvi falar, diz argumentos elaborados e complexos com uma facilidade extrema, comenta e tem opiniões sobre assuntos tão alheios que me deixa até atordoada. Simplesmente não consigo ver a relevância disso.

Voltando, não devem ter entendido sobre a madrugada né? Depois vocês descobrem, agora ainda estamos na hora do jantar e eu não quero apressar as coisas.

No quarto, esperamos a massa grudenta chamada de comida chegar, e desta vez o vice-diretor, apelidado carinhosamente de Stalon, em pessoa veio nos trazer, ação significando que vamos ficar bem loucos daqui a pouco.

Primeiramente, o senhor entrou com uma brutalidade extrema, quase quebrando a pobre morta de madeira quebradiça, praticamente jogou duas bandejas no nosso colo com carne, arroz e um feijão meio azul e com um cheiro terrível.

Por mais que sua aparência fosse de um velho baixo, de cabelos grisalhos, um pouco barrigudo e com uma cara arredondada, não se deixe enganar, pois aqueles olhos cor de mel eram cruéis e a boca ressecada bem sádica para o meu gosto.

-Ham... Eu não como carne senhor –Comentou o meu moreno fofo para o homem ao ver o prato cheio de linguiça, coxa de frango e um bife com cara de estragado.

-E eu com isso? –Respondeu grosso tirando um cigarro do bolso e acendendo, logo apoiando as costas na porta fechada. Sonho de todo adolescente é tomar banho de fumaça enquanto come, caso não perceberam ainda.

-Senhor, sabia que fumar faz mal? Seus pulmões vão ficar cheios de toxinas podendo leva-lo a doenças realmente graves –Declarou deixando seu garfo de lado e ficando tão animado com a explicação que nem notou olhos o fuzilando.

-Ah, que noite bonita... Cala a boquinha vai –Interrompi fingindo admirar o céu para discretamente avisa-lo a parar de falar esses assuntos.

E funcionou, porque os dois ficaram em silêncio por um bom tempo. Assim comemos e ele levou os pratos de volta.

Final da história? Depois de quinze minutos acabamos tentando comer a planta do lado do nosso aposento achando ser feita de doce, após isso tentamos pintar o olho um do outro com um parafuso pois jurávamos ser um pincel mágico. É... todos temos momentos constrangedores.

Mas eles geralmente não duram muito tempo, porque enquanto os outros vão dormir, os guardas nos pegam e levam para a sala do diretor, e agora começa o que eu costumo chamar de Agora-Ferrou, é um nome muito bem explicativo.

E por mais alterada que pudesse estar todas as vezes que acontecia, as memórias não saem da minha cabeça, são tão claras quanto um rio cristalino e quando paro para pensar sobre a razão disso, parece-me proposital com fim de torturar nossa alma com as lembranças.

É sempre assim, somos colocados em cadeiras em cada lado do lugar, um de frente para o outro, com o estado de espírito mais elevado, nem notamos quando tudo começa. Apenas rio a maior parte do processo, é uma sensação prazerosa demais para ficar quieta.

Ao nosso redor, posso ver os rostos um pouco embaçado dos justiceiros, alguns sérios e outros aterrorizados, os novatos no ramo geralmente reagem desse jeito no início, mas depois todos se acostumam.

Eles são chamados assim pois são os responsáveis pela nossa cura, afinal você não foi tão ingênuo ao ponto de acreditar que este é um acampamento comum, não é mesmo? Somos doentes, todos aqui. Porém alguns tem mais sorte que outros.

Minuto por minuto o líquido em minhas costas aumenta sua fluidez, como um rio forte descendo uma cascata, tão robusto que penso estar chovendo, mas por que a água só cairia atrás de mim? A menos que não fosse um aguaceiro.

No final eles nos levantam, posso ver um sorriso nas sombras, tão branco que me lembra os comerciais de pasta de dente que eu via quando criança, no chão há um mar de pétalas vermelhas, são muitas para identificar o formato, mas não dói quando pisamos em cima, então só podem ser pedaços de flores, porém estão molhadas.

Alguém passa por nós levando uma bandeja com algo preto e branco, mas muito desfocado para que eu pudesse saber o que era.

O caminho é escuro demais para caminhar, mas somos forçados a isto mesmo que aos tropeços. Consigo sentir algo leve descendo pelas minhas costas enquanto ando, ou será que está subindo? O toque é leve demais para distinguir.

As estrelas parecem sorrir para nós, tão sádicas quanto nossos amigos que apenas olham e não fazem nada, espectadores do nosso pequeno reality show. No final estamos de volta a cama, rindo da nossa desgraça juntos feito bobos, alegres demais para perceber o caminho de rosas deixado no chão.

15 de Abril de 2020 a las 15:49 0 Reporte Insertar Seguir historia
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