lilmiew Yasmin de Carvalho

O amor supera tudo... Até a morte. Uma obra original de Yasmin de Carvalho. Todos os direitos Reservados. All rights Reserved. © lilmiew | Yasmin de Carvalho 04*03*2020 ; 22:57hs.


Poesía Romance Todo público.

#amor #saudade #adeus
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https://www.youtube.com/watch?v=Ph44oJ7WpGU




E quem poderia dizer que o amor termina, quando os

laços se rompem? Seja pela vida, seja pelo tempo, seja pelo adeus...

Não....

O amor não morre quando se deixa de viver, deixa-se de viver,

quando se para de amar... E meu amor é prova disso.

Porque quando meu amor partiu, eu morri junto dela.




Sempre dissemos, sempre brincávamos dizendo que eu seria

o primeiro a morrer. Sabe como é... A taxa de mortalidade

dos homens é muito maior que a das mulheres, porque é claro

que nos arriscamos e nos metemos em muito mais confusões

do que elas... Então sim, sabíamos que seria assim...

Mas não contamos que o destino tivesse outros planos...

Eu deveria tê-la impedido, inventado uma desculpa,

feito ou dito qualquer coisa, por mais idiota que fosse

para que ela não pegasse aquele maldito carro aquele dia...

Talvez... Se eu tivesse mentido, inventando, feito uma

chantagem emocional ela... Ela talvez ainda estivesse aqui...

Mas não. O destino não quis assim, e ela se foi...


Sempre odiei invernos, mas graças à ela, passei a amá-los.

Ela me fez enxergar as graciosas peculiaridades da

estação gelada e como ela transformava muito mais do que

apenas a paisagem.

Passávamos horas falando sobre o frio e a neve e como ela

adorava esse último. Contava histórias de sua infância e de

como nomeou todos os seus bonecos de neve,

feitos entre seus 5 e 13 anos de idade.

Ela era assim... Etérea como a neve, pálida em sua calidez,

delicada, quase frágil em sua personalidade estável e decidida.

Ah... Ainda me lembro perfeitamente a forma empolgada como

ela discorria sobre o fenômeno da nevasca, eufórica, enfática,

tão encantada, quase apaixonada...

Era lindo de se ver... Ela era linda. Um obra de arte...


Graças a ela, passei a amar o inverno, a neve, o clima frio,

as noites de temporal e tudo mais. Parece que a estação climática

refletia, de certa forma, uma parte oculta dela, algo superficialmente

inalcançável... Como se ela fosse como aquelas fortalezas geladas,

áspera e dura por fora mas, por dentro, guardasse uma ternura

macia e graciosa, que encanta, apaixona, enfeitiça...

Por ela, passei noites em claro sob os céus nórdicos,

suportando temperaturas cruéis, apenas para apreciar alguns breves

instantes de espetáculo de luzes sob as estrelas...

Ah, o sorriso dela quando encarou a tão sonhada Aurora Boreal...

Jamais conseguirei apagar a luminosidade dele da minha memória.

E nem quero, não poss, é tudo o que me restou...


Ela era aventureira, destemida, incansável; se queria algo,

corria atrás sem medo ou ressalvas, porque preferia um fracasso por tentativa,

a um fardo por desistência. É... Ela era assim, valente, corajosa,

do tipo que não pensaria duas vezes antes de salvar um filhote de urso pardo

que não consegue descer de uma árvore.

Tão doce, tão amável, mas ainda sim, tão forte...


É... Nora era assim, quase uma força da natureza.

Difícil de traduzir, quase impossível de compreender, e ainda sim,

um mistério que valia à pena tentar.

E eu tentei... E acho que cheguei perto, porque a vi de formas que

nenhum outro viu.

A nudez dos sentimentos, das verdades, sem papas na língua

ou meias palavras, a fragilidade das emoções incontidas e a veracidade

de suas opiniões.

Ela era tudo isso, verdade, intensidade e sutileza, tudo embalado para presente

sob uma camada fina de pele alva, olhos castanhos e cachos disformes.


E olhando hoje para o passado, não sei mais dizer

se amo ou se odeio o inverno.... Porque ele me faz lembrar dela,

de seus rubros lábios de rosa e olhar ágil de falcão,

mas também me reafirmam que seus abraços e voz de tinido de sino

não mais me atingirão... E eu sofro por isso,

porque nunca mais amei alguém como eu a amei.

Nora foi, é, e para sempre será meu único amor.


Em dias como esse, que a dor aperta minhas entranhas,

eu fujo das paredes dessa casa, que ainda parece imensamente vazia

sem seus quadros florais ou fotografias, essas, escondidas nas

gavetas do escritório, porque me recuso a desfazer-me delas,

mas também não consigo encará-las...

Fujo para as colinas, para o meio da floresta densa,

de grama molhada e troncos repletos de musgo,

onde o cheiro do orvalho é constante e o vento frio

me soa quase como um abraço, um ressoar da lembrança

que há muito habita meu coração....

Me transformei naquilo que mais temia: a mortalha de uma alma

vazia e solitária, distante de seu amor, distante da luz...

Porque ela era a minha luz, dada ao brilho e luminescence,

como o próprio sol... E eu fico me perguntando agora,

como ela deve estar, dividindo a casa com os corpos celestes...

Porque ela acreditava nisso.. Acreditava que com a morte,

todos nós recolhíamo-nos ao lar, o Cosmos, a casa das almas,

onde, libertos do fardo terreno, poderíamos ser o que sempre

fomos: plenos.

Hoje, me questiono como ela deve estar... Às vezes, eu encaro

o céu, mas não sempre, porque tenho medo. Medo de que,

lá de cima, ela consiga enxergar a pessoa que me tornei e sinta

vergonha de um dia, ter me amado.

Você se envergonha de mim, Nora? Sente vergonha de ter me amado?


O trem para Aspen estava perto de sua parada final,

e meu coração batia em desespero.

Hoje completaríamos 5 anos de namoro... E eu planejava

trazê-la para cá, mas nos roubaram o tempo de nossos sonhos...

Evitei, confesso, por muito tempo, encarar as passagens compradas,

quase como se olhá-las pudesse sangrar ainda mais meu peito mas..

A coragem surgiu num dia em que, caminhar antes do nascer do sol,

pelas florestas vizinhas, tornava-se a única coisa capaz

de me impedir de morrer sufocado no que não disse...

E foi naquela manhã, debaixo de muitas camadas de roupas,

num trem para Aspen, para ver as tão famosas montanhas nevadas,

com o coração a galope no peito e uma certeza inabalável que

eu soube com certeza: era ela.


Acordei inquieto aquele dia... Estava aflito, as lágrimas presas nos olhos,

os gritos, trancafiados na garganta. Ela se foi. Ela não voltará. Eu a perdi!

Sufocava, dentro de casa, sob os cobertores, dentro de mim mesmo.

Precisava de ar... Precisava respirar.

Saí de casa, trôpego, quase afogado nas lembranças, e nos toques,

e no riso, e na música clichê, e no cheiro de seu perfume...

Cambaleei, nublado em delírios, memórias, engasgado em

todas as palavras que gostaria de ter-lhe dito, mas não pude.

No meio das árvores de raízes baixas e galhos finos, o cheiro

silvestre e salvagem de liberdade inspirava o despertar.

Esperei.

Esperei por um sinal, por uma fagulha, uma centelha que fosse,

qualquer coisa que me mostrasse um caminho para fora do

buraco onde estava mergulhado, uma razão para seguir em frente,

um motivo para continuar.

Esperei por algo, ou alguém, mas ninguém apareceu. Até que...

Der repente, a névoa do início do amanhecer caiu sobre mim,

densa, pesada, profunda em seu níveo manto;

calafrios me chacoalharam, um frio profundo cortou

minha coluna e senti medo, mas não sei do que.

No momento seguinte, o ar, os pássaros, até mesmo o vento,

tudo parou, tudo se calou. Pensei que até mesmo o tempo tivesse

parado... E talvez tenha, ou talvez, tenha sido a Misericórdia Divina,

a me presentear com o momento mais lindo da minha vida.

Num momento eu estava lá, parado entre árvores altas,

no outro, a névoa me envolveu, como um cobertor espesso, e enfim,

tudo clareou.

Avistei um vulto a frente...

Pequeno, tingido de azul, tão distante mas tão perto...

As curvas, o tom amarronzado no topo, a finura...

Não! Não poderia ser... Será que....?

Sim.

Era ela.

Eu vi. Minha doce amada...

Nora.

Envolta no esplendor luminoso do nascer do dia, radiante,

coberta com uma camada similar ao que chamam de 'pó mágico',

como aquele dos filmes infantis.

Tão linda, tão serena... E o sorriso! Deus... Aquele sorriso.

Der repente, eu não era mais um corpo, era unicamente

uma alma saudosa, que corria ao encontro do amor.

Der repente, eu não era o homem que sempre fui,

verti-me em cascatas salinas, como um menino

que chora diante do presente dos sonhos....

Ela era me presente dos sonhos.

E sonhar nunca fora tão bom.

Corri, tropeçando, querendo estar perto, mas perto nunca era

o bastante... A cada passo mais próximo, a cada passo, mais distante.

Eu corria para ela e ela... Fluía para longe de mim.

Achei que o mundo estava ruindo quando o cortante vento norte

bagunçou a moldura bonita de seu rosto; o aroma suave das frésias

que sempre adornavam os cachos tocou-me o olfato, como um velho

amigo, o azul claro da veste esvoaçante assemelhava-se imensamente

ao tom do vestido que havia comprado para que ela usasse no

jantar especial que havia planejado para a semana seguinte ao acidente...

Nem tive chance de mostrar-lhe, mas sabia que ela gostaria.

Ela amava azul...

O vento tornou-se traiçoeiro e perdi o equilíbrio,

caindo feito fruta madura no chão úmido; meus olhos nublados

embaçaram a vista da minha bela visão, e precisei fechá-los,

quando a poeira subiu.

Acho que bati a cabeça, talvez tenha desmaiado, mas meu sonho

bonito me presenteou com uma certeza... A certeza que me faltava.

Aquela que me sustentaria, dali em diante.



Respire Christopher, meu amor ainda é o mesmo e seguirei ao teu lado.



Talvez... Só talvez, o destino tenha sentido pena de mim,

da minha dor, do meu penar... Porque naquela manhã,

quando despertei confuso e no meio da floresta,

sentindo o sol nascente tocando meu rosto,

a névoa beijou-me os lábios e o coração,

e então eu chorei...

Chorei, porque sabia que aquele era o nosso adeus,

o que eu não pude dar, o que me foi roubado.

A vida devolvia-me a chance de amá-la uma última vez,

e eu o faria, de corpo e alma.

Nora, eu te amo.

Foi só o que consegui dizer, foi tudo o que precisava

ser dito.

O vento levou meu amor, e minhas palavras seguiram com ela,

foram ter com ela, a morada merecida.


Quando desembarquei em Aspen, subi às montanhas e,

sob o sol poente de um dia sem nuvens, eu tive certeza...

Era ela, a única que amei, aquela a quem sempre amarei, e

aquela que levarei comigo, por toda a vida, por todos os sonhos

que terei, por todos os objetivos alcançados, por todas as

vitórias e conquistas, por todas as lágrimas e perdas.

Ela pode não ter ficado ao meu lado tempo suficiente para

que eu a cuidasse e protegendo, amando imensuravelmente

em vida, mas o seria após ela.


Por toda a eternidade e além dela..









ydc ; 22:57hs ; 04/03/2020.
5 de Marzo de 2020 a las 02:01 0 Reporte Insertar 1
Fin

Conoce al autor

Yasmin de Carvalho Cantora Lírica, Escritora, Compositora, Apaixonada, Sonhadora.

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