omegakim Amelia Kim

Sehun tem uma queda por Kyungsoo, assim como um leve interesse por Baekhyun. Perdido entre os dois amigos, ele divaga sobre seus sentimentos.


Fanfiction Bandas/Cantantes No para niños menores de 13.

#sebaek #sesoo
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Nem tão confuso assim

Havia alguma coisa no modo como ele sorria, no modo como sua pele manchada de sardas chamava a minha atenção. Eu me pegava constantemente encarando os pontos amarronzados no seu rosto e depois no seu pescoço e em qualquer rastro de pele nua que ele tivesse a mostra, apenas numa tentativa de sanar um pouco dessa inquietação que apenas o seu tom de pele manchado causava sobre mim. Inquietação essa, que me fazia demorar demais no banheiro ou me demorar demais fitando-o quando ele não estava vendo.

Era patético. Eu mesmo me sentia todo patético, mas simplesmente não conseguia evitar não fazer aquilo. E quando naquela terça, ele me pegou pela mão e me fez correr consigo pelo estacionamento da faculdade sob uma chuvinha besta de fim de tarde, entendi que aquela inquietação não era causada pelo padrão perturbador das suas pintinhas escuras na sua pele muito clara. Era culpa dele inteiro.

— Me ajude. — ele meio riu e meio mandou por sobre o chuvisco, enquanto tirava da sela da sua moto quatro volumes de livros de botânica.

Seu rosto estava parcialmente molhado, as gotas de água se concentravam mais no seu cabelo castanho claro, se escondendo entre os fios e deixando-os escuros. Minha visão estava meio embaçada por causa das gotas se acumulando nas lentes do meu óculos, mas peguei os livros que me oferecia mesmo assim, ao passo que ele puxava um casaco azul ali de dentro. Não o vestiu, do modo que imaginei. Apenas o abraçou como se fosse um ursinho e sorriu pra mim. Peguei apenas a forma do sorriso, já que minhas mãos ocupadas não me deixavam aprecia-lo por completo.

— Vamos, Sehun. — disse antes de voltar a correr de volta para dentro da faculdade.

Eu corri logo em seguida, meio desajeitado pelo tanto de livros que carregava. Torcendo internamente para não cair de cara no chão e estragar de vez aqueles livros tão velhos. Eles faziam parte da coleção limitada da biblioteca da faculdade, sabia disso porque trabalhava na biblioteca afim de ter um pouco mais de dinheiro no fim do mês, para manter o meu padrão de vida de universitário viciado em doramas e internet, afinal tinha que pagar minhas assinaturas.

Olhei para baixo mais vezes que o necessário, me prevenindo de uma queda, mas por isso fiquei lento e fui mais facilmente molhado pela chuva. E por isso Kyungsoo me recebeu sorrindo, escondido na entrada da faculdade, o cabelo pingando sobre sua camisa azul-escuro deixando-a molhada nos ombros. Ainda segurava o casaco, tinha o escondido por baixo da camisa afim de que não molhasse. E eu sabia bem porquê. O usaria para aplacar o frio da noite durante o seu turno na sala de informática.

Ele trabalhava na sala de informática à noite. Ficava lá não fazendo coisa nenhuma enquanto cuidava para que ninguém infringisse as regras de uso dos computadores da universidade. Algumas vezes na semana, quando estava sem nada para fazer em casa, me arriscava a ficar consigo lá apenas para jogar conversa fora, assistir vídeos no youtuber e comer besteiras embaixo da janela, para que nenhum dos guardas que faziam a ronda nos pegassem — já que era totalmente contra as regras comer na sala de informática. Era divertido, muito leve e me enchia de esperanças de que, talvez, eu estivesse imaginando coisas sobre ele... sobre nós...

Eu não saberia dizer como isso realmente começou.

Ele era um ano mais novo que eu. Fazia parte da turma dos calouros que entraram no meio do ano de 2015 e hoje, dois anos depois, nós tínhamos uma amizade esquisita com direito a cenas constrangedoras e piadas internas que apenas nós éramos capazes de rir. Sei disso porque tinha tentado essas mesmas piadas com um dos meus amigos de curso, mas Baekhyun não achara graça alguma. Na verdade, Baekhyun odiava meu humor negro e odiava mais ainda Do Kyungsoo e sua delicadeza disfarçada em olhos grandes sérios.

— Me dê isso. — ele aproximou-se e tirou os livros que me dera antes.

Aproveitei minhas mãos livres para tirar meus óculos e limpa-los na barra da minha camisa. Quando levantei o rosto para fita-lo, percebi que ele ainda estava perto. O rosto meio úmido, deixando-o mais pálido do que realmente era e destacando as pequenas sardinhas em volta do nariz e nas têmporas. Elas se espalhavam tímidas por seu rosto, num caminho imaginário que envolvia o seu corpo inteiro. Sabia disso por causa da festa na piscina que houve na casa de Jongin no último final de semana. Kyungsoo tinha usado apenas uma sunga para se jogar na piscina, depois de ter bebido mais do que devia, deixando a mostra as culpadas pelos meus devaneios sem sentido.

— Preciso trocar de roupa. — ele disse, meio apressado, me devolvendo os livros quando me viu com os óculos novamente no rosto, observei quando ele colocou o casaco azul sobre o ombro e virou-se em direção ao banheiro.

O segui, queria usar as toalhas de papel para reduzir a umidade da minha camisa. Kyungsoo entrou primeiro, olhando em volta, indo em cada uma das cabines para saber se não tinha ninguém ao passo que eu deixava os livros sobre a bancada da pia. Vi seu reflexo passar por atrás de mim, ir até a porta e fecha-la e sorrindo para mim, ficou de costas. Tirando a mochila das costas, abrindo-a logo em seguida, tirando dali uma camisa preta de algodão de mangas curtas. Fiquei parado com as toalhas de papel na mão, fitando seus movimentos. Vendo o momento que ele tirou a camisa, de costas para mim, as pintinhas se destacando diante do espelho, inundando minha visão... me fazendo molhar os lábios com a ponta da língua, quase salivar com a ideia de deitar meus lábios em cada uma delas.

Esse tipo de pensamento me deixava envergonhado, um tanto culpado também, pois não era nenhum pouco certo com o Do. Quer dizer, eu nem mesmo sabia se ele curtia esse tipo de coisa. Sabia apenas que isso era bem mais aceito na faculdade do que no colegial, contanto que seus pais não soubessem assim como sabia que ele tinha plena consciência das minhas tendências e que não falávamos sobre isso. Mas naquele momento, enquanto o via trocar de roupa, de costas pra mim, só conseguia pensar em como queria me aproximar um pouco mais. No entanto, não me mexi. Na verdade, eu abaixei meus olhos e voltei a me limpar. O barulho do papel contra o tecido da minha camisa era irritante. Em algum momento não resistir e levantei os olhos novamente, procurando a figura pequena do meu amigo. Encontrei-o já virado de frente para minhas costas, seu reflexo no espelho era apenas do peito para cima, por causa do seu tamanho. Seu cabelo ainda estava molhado e ele terminava de puxar a camisa para baixo, os olhos levantando-se na minha direção como se soubesse que eu o estava fitando.

Não desviei quando seus olhos se encontraram com os meus. Nós ficamos muito parados, nos fitando através do espelho. Então ele levantou o braço esquerdo, conferiu o horário no relógio de pulso apenas para pegar sua mochila muito apressado depois.

— Estou atrasado. — falou e dessa vez fui eu que conferir o horário, puxando meu celular do bolso de trás do meu jeans.

Eram seis horas da tarde, certinho. E era ao horário que ele deveria estar no laboratório de informática.

— Eu levo os livros pra você. — me escutei dizer diante do seu afobamento em querer sair correndo dali.

O castanho assentiu antes de abrir a porta e correr.

Kyungsoo era bem pontual com o trabalho, apesar de já ter me deixado esperando durante horas em alguns dos nossos encontros de estudos. Além de fazermos algumas aulas juntos, éramos parceiros em um projeto da faculdade. Então constantemente estávamos juntos, seja comendo na cantina da faculdade ou andando pelo nosso bloco, rindo e falando mal de algumas aulas. Baekhyun era quem odiava essa nossa cumplicidade, acusava Kyungsoo de estar me roubando dele, coisa que eu não entendia quando nem mesmo tinha nada com Baekhyun além de uma amizade de curso.

Terminei de limpar minha camisa e numa calma que não fazia parte de mim, sai do banheiro. Os volumes pesavam em minhas mãos, mas não havia outro lugar para levar, minha mochila estava cheia demais para guarda-los. Caminhei devagar até a sala de informática, meio divagando, repassando a imagem das costas nuas de Kyungsoo, capturando cada uma das suas pintinhas, acreditando que nada nunca parecera tão bonito quanto aquilo. Fiquei tão imerso nisso que não percebi o momento em que Baekhyun veio até mim.

Notei-o apenas quando segurou o meu braço, os dedos bem apertados contra a minha pele me fizeram arfar, primeiro de susto e depois de dor. Apertei os livros para descontar tudo aquilo e Baekhyun me fitou com os lábios comprimidos, desagrado transbordando por seu olhar. Odiava ser ignorado e também odiava a forma como eu era terrivelmente distraído.

— O que foi? — perguntei de uma vez.

O tom não pareceu rude aos meus ouvidos, mas a forma como Baekhyun cruzou os braços só serviu para eu notasse o quanto ele estava estressado. Peguei o olhar que lançou para os livros em meus braços e alguma coisa passou ali: mais desagrado. No fundo, o garoto sabia que aquilo não era meu, afinal nunca fui muito interessado em botânica apesar do meu curso.

— Vai jantar aqui? — devolveu menos irritado, deve ter percebido que soar chato só me faria querer sair da sua presença o mais rápido possível.

— Não sei ainda. — confessei.

Pretendia encontrar com Kyungsoo na sala de informática e ficar por lá. Jogar conversa fora e vê-lo ensinar outros calouros a burlar as regras da faculdade para acessar sites proibidos. Era no mínimo engraçado de ver, afinal ainda não entendia como aquele garoto acabara como monitor de informática sendo horrível com tecnologia.

— Me faça companhia. — pediu, dessa vez parecia mais suave.

Olhei para os livros e depois para si, assenti. Não fazia mal passar algum tempo com Baekhyun e não me parecia que Kyungsoo estava precisando dos livros com urgência. O segui até uma das mesas vazias no hall, deixei minha mochila e os livros lá. Nos servimos, voltamos para a mesa e comemos em silêncio. Em geral, Baekhyun era um tanto calado, diferente de Kyungsoo que falava e falava e falava como um maluco, as vezes, eu tinha que fazer esforço para acompanhar, mas não era como se fosse chato quando ele costumava me inserir tão bem em cada assunto.

Baekhyun fitou-me algumas vezes durante o jantar, enquanto eu fingia não prestar atenção. Estava óbvio que ele queria perguntar sobre os livros, sobre Kyungsoo e mais outras teorias de conspiração que só existiam na sua cabeça. Algum tempo atrás, havia reclamado sobre isso com o Do e tudo o que recebi foi um olhar malicioso, provando para mim que até mesmo ele tinha sua teoria de conspiração.

Quando terminamos de comer, o Byun e eu levamos as bandejas vazias de comida até a cozinha da faculdade, que ficava perto da escada que levava ao segundo andar do bloco A. Eu esperava me despedir de si ali, porque sabia que as quintas ele tinha aula das 18-20h de química ambiental e sempre que podia reclamava comigo o fato de eu não estar fazendo também. Eu não estava porque havia reprovado em química orgânica II e tive que refazer, e ambas as matérias eram no mesmo horário, mas nenhum de nós tocava realmente nesse assunto porque me deixava sensível.

— Você vai para casa? — ele perguntou em pé em um degrau, parecia quase mais alto que eu.

Assenti, mentindo sem nenhum pudor. Mas acho que no fundo, Baekhyun sabia exatamente para onde eu ia porque me lançou aquele olhar castanho profundo, como se de repente eu tivesse me tornado uma pessoa diferente. Nada em mim entendia a forma como ele se comportava e ainda assim, uma parte minha insistia em provocar, porque meu ego se sentia massageado a cada vez que notava a forma como o Byun disputava minha atenção mesmo que não houvesse exatamente um oponente.

Kyungsoo era meu amigo e apenas isso. Nada que vinha dele costumava ter segundas intenções e se tivesse, tenho certeza que ele teria deixado claro desde o começo. Mas não havia nada. E acho que no fim, era isso que me frustrava. Mas claro, eu nunca diria isso em voz alta para nenhum dos dois.

— Eu comprei uma coisa para você. — Baekhyun pareceu tímido, os olhos desviaram-se dos meus, os livros pesaram nos meus braços quando o vi tirar a mochila das costas e abri-la.

Ah, os presentinhos.

Isso estava se tornando um pouco frequente demais. Não que fosse ruim receber presentes, mas para cada vez que acontecia, eu me sentia um pouco estranho, como se aceitar fosse tão grave quanto não aceitar. Kyungsoo ria na minha cara quando lhe falava sobre aquele desconforto e sussurrava no meu ouvido que Byun Baekhyun estava de quatro por mim, louquinho para me beijar. E só de cogitar isso, meu estômago inteiro se revirava porque eu estaria mentindo se não quisesse que acontecesse. Eu só não sabia dizer se queria beijar Baekhyun ou Kyungsoo.

O Byun segurou a pequena caixinha de chocolate e me entregou. Eu ri, meus olhos se arregalaram e minhas bochechas pareceram quentes. Sabia que tinha corado assim como sabia que ele também estava na mesma situação mesmo que não estivéssemos nos fitando. Agradeci. Guardei a caixa na minha mochila e depois, voltei a segurar os livros de botânica com força, mais por culpa do nervosismo do momento do que por outra coisa. Baekhyun fitou minhas mãos e não disse mais nada. Só suspirou e terminou de subir as escadas em direção a aula.

Eu esperei até que ele sumisse do meu campo de visão para poder me afastar dali de vez. Apressei o passo em direção a sala de informática e quase suspirei de alivio quando abri a porta e encontrei o lugar vazio, a não ser pela figura entediada de Kyungsoo sentado à mesa do monitor. Fechei a porta com um chute, ele me fitou, os fones nos ouvidos foram tirados no momento em que coloquei os livros na mesa.

— Você demorou. — ele disse e eu dei de ombros, puxei uma cadeira para perto da mesa e coloquei minha mochila ali, abri e tirei a caixa de chocolate. Ele riu, já sabendo quem havia me presenteado. — Aquele Byun gosta mesmo de você hein. — comentou ainda rindo e eu empurrei a caixa na sua direção, sentei na cadeira e deitei minha cabeça na mesa, estava fria contra minha pele.

Quis resmungar sobre como ele me deixava confuso, como queria beijar cada uma das suas pintinhas, mas que Baekhyun também era muito bonito e gentil e tinha um sorriso incrível. Eu estava preso entre os dois mesmo que nenhum deles soubesse exatamente sobre isso.

Escutei quando Kyungsoo abriu a caixa e roubou um chocolate para si, levantei o rosto e peguei um também. Nós comemos apressados com medo que algum guarda aparecesse ou algum aluno. Guardei o resto dos chocolates na minha mochila, fitei o relógio no meu celular. Passava das 20h. Baekhyun já teria ido para casa, pensei. Liguei a internet no meu celular e esperei que a mensagem dele chegasse, porque o Byun tinha mania de sempre enviar uma mensagem quando saia de uma aula que não fazíamos juntos. Eu achava bonitinho e Kyungsoo ria disso também, apesar de eu fazer a mesma coisa consigo.


Baekhyun: Vem pra cá.


Eu li e travei o celular. Não sabia o que responder, também não sabia se queria ir. Encarei Kyungsoo mexendo no seu notebook, os fones de volta aos ouvidos, o casaco azul no corpo e o cabelo castanho bagunçado. Ele era bonito, engraçado e entendia minhas piadas, mas eu sempre sentia como se ele estivesse há mil anos-luz de mim, correndo em direção ao sol. Eu era mais lerdo, cheio de pensamentos estranhos e obviamente tinha uma queda pelos dois, mas se Kyungsoo sabia disso, nunca me disse e eu duvidava que ele dissesse se soubesse.

— Eu já vou. — falei de uma vez, depois de reunir toda a coragem que eu tinha.

— Não esquece amanhã. — ele falou, a voz saiu alta demais por conta do volume no fone e eu ri. — 8h aqui.

— Espero que não se atrase. — devolvi e foi a primeira vez que o vi corar, mas foi mais de indignação do que de vergonha.

Kyungsoo só era pontual com o trabalho na sala de informática, de resto estava sempre se atrasando.

— Botas, Sehun! Botas! — ele subitamente gritou e eu ri mais um pouco, erguendo as mãos em rendimento.

Aquele garoto, pensei enquanto saia dali.

Amanhã era dia de pesquisa de campo. Teríamos que sair cedo da universidade e nos aventurar pelo mato para colher amostras para o nosso trabalho. Estava tudo planejado, só esperava que Kyungsoo não se atrasasse. Mas, é claro, que ele se atrasou assim como me atrasei por ter dormido na casa de Baekhyun naquela noite depois de muitos beijos trocados.

8 de Febrero de 2020 a las 00:17 0 Reporte Insertar Seguir historia
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Amelia Kim "Em todo espaço, em todo branco, em todo homem, você é o menino que não tiro do coração. " - T.B. [baeksoo/baekmin shipper]

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