O dia em que a morte se apaixonou pela vida Seguir historia

jubanglo jubanglo

Taehyung era um anjo, um anjo da morte. O ser que tudo o que tocar, sua vida ele levará consigo. -- Fanfic também hospedada nos sites: spirit fanfics&histórias e wattpad. ATENÇÃO: não leia se não apreciar coisas tristes! Música tema: People Help the People – Birdy. Insisto que a escute enquanto ler. Vai dar mais sentido e mais emoção na leitura.



Fanfiction Bandas/Cantantes No para niños menores de 13.

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Smile

Seu desígnio no mundo dos humanos era dar paz aqueles que estavam enfermos. Pessoas, animais, plantas... todos que estivessem precisando de ajuda para emudecer suas dores, a morte vinha e os levava.

Taehyung compreendia bem o seu trabalho. Nunca falhara antes em toda sua existência.

Entretanto, houve um dia em que ele se deparou com um ser que lhe chamara a atenção.

O seu sorriso, as suas alegrias, os seus amigos... tudo em torno daquele jovem residente do Hospital Central de Seoul lhe emanava sensações estranhas; novas... um brilho diferente no olhar, um sorriso completamente insano em meio a tanta dor.

Taehyung sabia o que ele tinha, pois nunca se engara antes ao escutar o ressonar das almas doentes, dos corpos enfermos e da vida se dissipando.

O anjo da morte nunca levou uma alma embora sem ter a certeza do quão doente ela estava.

A poucos meses chegara no tal hospital – aquela seria sua nova área de trabalho – Ordens superiores.

Andava entre os vivos como um homem normal. Vestia-se totalmente de preto – a cor sem vida.

Andava por todas as alas do lugar a procura de mais espíritos acamados para dar-los o descanso eterno.

O anjo não sorria. Não sentia fome. Não tinha brilho nos olhos – não haveria de ser mais distinto para algo que tirava a vitalidade das coisas, que não carecia de motivações para nada, apenas cumpria com seus deveres.

Entretanto em um momento, ele se deparou com um garoto o qual não teve coragem de tatear com seu palmo quando o seu dia chegou. Ao tocar-lhe, ele o faria descansar para sempre apenas com esse simples gesto.

Quando adentrou o seu quarto na primeira vez, que era tão branco quanto nuvens no céu e cheirava a remédios como na maioria dos quartos do hospital, ele lhe encarou com seus olhos negros e profundos parando no exato momento em que vira o menino sentado em sua cama, respirando pesadamente e rouco com a mão depositada sob o peito que se movimentava em desespero pela busca de oxigênio, e que soava gélido após mais uma crise de tosse – devido a sua doença terminal: a tuberculose já ha muito, avançada.

Ao olhar-lhe na primeira vez tinha a extrema convicção do seu câncer lhe tomando a vida aos poucos. Conseguia ver o brilho de seu espirito se apagando aos poucos. Aquela era a hora ‘certa’ para a morte lhe visitar.

A uns anos atrás, Jeon Jeongguk teve pneumonia por várias vezes consecutivas. Era um jovem que sempre teve a imunidade muito baixa desde bebê. Seus pais nunca puderam lhe acompanhar por esses anos que se passaram, pois faleceram num grave acidente de trem quando ele tinha apenas dois meses de idade.

Jeon perambulou orfanatos desde então, até parar naquela área do hospital virando um morador daquele quarto repleto do branco enjoativo por todos os lados, a mais tempo que ele já estivesse calculando.

O que a morte não compreendia, era o porquê aquele menino doente estava sempre sorrindo.

“Oi.”

Após ter quase morrido no sufoco e com aquela dor no peito depois de tanto sofrer para tossir, ele ainda lhe sorria. Mostrava-lhe o mais belo sorriso no meio daquela cena depressiva o que lhe causou pena de assistir. Era deplorável ver alguém morrendo aos poucos daquela forma, e o ser sobrenatural já havia visto inúmeras cenas como aquela em sua existência - nada agradável para suas memórias.

O anjo da morte já se deparara com milhões de pessoas, animais e outros seres vivos em total desgraça antes de morrer, mas nenhuma delas havia o chamado tanto a atenção quanto o pobre meninoJeon Jeongguk.

Taehyung visitou o seu quarto preparado para lhe tocar com seu palmo. Preparado para leva-lo para um lugar melhor, sem dores e enfermidades, ele queria dar-lhe paz, mas não conseguiu se aproximar daquele sorriso presente em si. Ele o faria descansar de tudo sem precisar lhe conhecer, sem precisar saber ao menos o seu nome – era assim que as coisas deveriam ser. Mas de certa forma, ele sabia tudo sobre o menino.

Por que aquilo o espantava tanto?

“Por que está sorrindo?” – Viu seu riso amenizar aos poucos, mas nada lhe respondeu. O menino fitava-o de forma serene.

Talvez Jeon pensasse que Taehyung fosse mais um médico que viria a lhe sedar – e como se sedativos estivessem fazendo algum efeito naquela altura de sua vida. Mas o preto presente dos pés à cabeça daquele que entrara em seu aposento, não era nada parecido com o que os doutores usavam por ali, todavia, ainda assim ele sorria se sentindo confortável por aquela estranha visita perante si.

Jeon não recebia muitas visitas, então quando tinha alguma ele se sentia confortável diante elas.

O menino estava quase desmaiando de novo por se sentir tão cansado. Voltou a deitar-se novamente sob seu colchão macio, que matinha uma leve elevação nas grades o deixando um pouco mais sentado – ele respirava melhor daquela forma.

O garoto pôs-se a sorver o ar com mais calma, porém sua força nos próprios pulmões eram fracas e muito dolorosas... Jeongguk sabia que estava morrendo aos poucos, só não entendia porque a morte nunca chegava para si.

“Eu não quero... morrer... triste, ou com mais dor.” – Sua vida toda fora uma dor sem tamanho.

A morte que Jeon tanto esperou estava ao seu lado perto de seu leito, mas havia um medo de tocar algo tão incompreensível para si – intrigante, ele pensava. Em toda sua existência, nunca viu algum homem que pedisse por sua morte sorrindo-lhe.

Por que a vida é tão estranha?

“Amanhã... eu vou sair daqui. Quero ver as flores. As cerejeiras ficam lindas... na primavera. Elas só aparecem... uma única vez no ano, sabia?”

Como ele sairia dali estando tão fraco? Como andaria sem cair? E por que queria ver flores ao invés de se preocupar com o próximo tratamento e mais cirurgias afim de tentar se salvar? – Por mais que a morte soubesse o quão inútil seria, mas talvez o garoto não tivesse mais esperanças afinal.

O anjo o via como um fiapo miserável de vitalidade naquele corpo magro e pálido. Tão branco e frágil que lhe dava pena – mas ainda havia um brilho bonito nos seus olhos escuros. E ainda assim, a cada coisa que o jovem lhe dizia, ele sorria enternecido, como se nenhuma dor em si fosse maior que sua vontade de o fazer.

Intrigada...

A morte deixou-lhe viver por mais um dia...


●●


“Você vai gostar do passeio, Jeon. Iremos ver as flores hoje!”

Dizia a senhora de idade mediana que o carregava numa cadeira de rodas para fora daquele quarto – o qual o menino não saia a meses.

Aquela foi uma tarde estranha e fora do contexto para o anjo da morte.

Taehyung quis acompanhar o pouco tempo que o garoto ainda tinha de perto. Queria descobrir porque ele sempre sorria e porque nunca chorava, sabendo que tinha um câncer lhe matando por dentro.

Sempre vestido de preto, espionava o passeio daquela senhora carregando o suposto enfermo na cadeira de rodas por todo o parque aonde acontecia o Hanami* – o festival que celebrava a primavera e as flores de Sakura.

Jeon amava por algum motivo aquela flor distinta e rara – talvez por ela ser tão única; talvez por esta ter uma única chance no ano de nascer e florescer. Ele tinha uma paixão em especial pela cerejeira de cor branca – codinome, Zakura* - esta era a sua favorita. O anjo constou ao observar em como o menino se emocionava e fitava as pétalas claras em seus palmos quando elas caiam sob si de cima das árvores, tornando o ar envolto de si numa triste nostalgia.

O anjo lhes perseguia por todas as partes se deparando com milhões de seres apaixonados por aquele encontro envolvente da primavera, ciente de que mesmo assim ninguém além do Jeon poderia lhe enxergar – Jeongguk realmente seria o único a vê-lo. Constou ao observar seu corpo perto demais daquela senhora e ela simplesmente ignorar sua presença entre eles.

No fundo...

O jovem menino sabia que Taehyung era um alguém especial.

“Você não quer?”

“O que é isto?”

“Se chama algodão doce. Não vai morrer se provar, pode confiar!”

O garoto ainda sorria estranhamente para si levando em sua direção o algodão doce que a mulher havia lhe dado. Esta, se afastou um pouco do menino afim de cumprimentar alguns amigos e familiares seus no meio do festival, então deixou o garoto ao lado do banco aonde ela estava sentada em sua companhia. Taehyung se aproximara naquele momento sabendo que o menino já havia o visto de longe os espionando desde a saída daquele hospital, curioso para descobrir porque ele estava se sentindo tão bem naquela tarde – nada fazia muito sentido para si. Nada lhe trazia convicção sobre o que a tal vida tinha de tão especial assim justamente para aquele menino.

Por que as pessoas sorriam sempre, se o mundo entorno delas era tão caótico? Brigas, guerras, doenças...

Por que fazer festivais para uma flor que morre dentro de uma semana, se depois, elas florescem uma única vez no ano?

“Por que sorrir em meio a dor, Jeongguk-ah?”

Indagou baixo perto do rapaz de cabelos negros que sequer havia tocado em seu algodão doce. O estômago do menino não era mais o mesmo depois dele parar num hospital com uma doença grave e sem cura, por isso a comida não tinha mais o mesmo gosto – isso quando ele podia comer – e sua vontade era sempre mínima por mais que fosse o seu alimento favorito – quando criança, ele amava algodões-doces. Ele apenas quis ser gentil ao aceitar o presente da senhora, a mesma que sempre cuidou de si naquele quarto do hospital sem ao menos ser sua parente. Como era uma voluntaria ali acabou apegando-se ao menino por descobrir o quanto ele era gentil e doce, sempre conversava com ela sobre a sua triste vida e ela sempre lhe confessava a dor de ter perdido seu filho no passado – eram bons amigos independente de suas idades ou assuntos distintos.

“Porque... sorrir é sempre melhor... do que chorar.”

A morte não compreendia aquelas palavras, principalmente por nunca ter sorrido ou chorado antes. Não compreendia aquele estranho humano, e queria muito saber por que aquele jovem tanto lhe intrigava.

“Como sabe o meu nome, senhor?”

“Eu conheço todos os nomes.”

“E qual seria o seu?”

“Taehyung.”

O anjo de aparência extremamente distinta, séria e bela - algo que Jeon não sabia decifrar direito - sentava-se ao lado da cadeira do menino num banco de madeira branca, no mesmo lugar que a senhora que cuidava do menino. Pôs-se perto dele e ora e outra o encarava nos olhos. Tinha algo dentro deles incompreensível demais para si, tinha alegria estampado em sua áurea de alguma forma.

Ele não estava sofrendo somente pela doença que tinha... Jeon estava sofrendo também por não poder compartilhar seu espírito jovem com mais alguém... alguém que entendesse os seus sentimentos e que sorrisse consigo mesmo que não precisasse de motivos.

Aquela senhora era boa - muito na verdade -era sua melhor amiga, mas não era o suficiente e não podia passar cem por cento de seu tempo com o jovem. Jeon sentia e tinha vontade de ir para a escola, mas nunca pôde. Sempre quis se misturar com outros adolescentes, mas nunca soube como era esse tipo de vida.

Ele tinha tantos sonhos, mas não conseguir realiza-los não o fazia mais chorar e se lamentar. Ele sorri sempre por ter gosto em sua vida – por mais miserável que ela fosse consigo. Jeongguk achava maravilhoso em poder viver e em poder ter uma vida.

Quando foi deixado num orfanato anos atrás, conheceu um garoto chamado Park Jimin. Um menininho que tinha câncer, assim como Jeon tem hoje, e foi com ele que o garoto aprendeu a valorizar o sorriso de cada dia, vendo o quanto era pecado chorar por coisas bobas, enquanto tinha gente que não tinha braços ou pernas para andar ou para fazer qualquer coisa. Tinha gente que nunca saiu de cima de uma cama e ele conheceu pessoas assim depois e antes de Jimin. Mas Jimin foi um alguém em especial naquele lugar de lições.

Foi com ele o seu primeiro e único beijo e a descoberta de que ele poderia amar também, por mais pouca idade que tinham.

Mas na crueldade do ciclo da vida, o tempo veio e a doença de Jimin o levou a falecer com muita pouca idade, deixando Jeongguk sozinho novamente.

Desde aquela triste época o jovem Jeongguk aprendeu a dar valor em seu sorriso, nunca se mostrando desagradável ou hostil para as pessoas a sua volta, pois ele não conhecia as dores dos outros, então não achava justo trata-las mal. E por mais que sentisse dor, ele mantinha com afinco a curva no canto dos lábios para todos que entravam e saiam de perto de si.


●●


“Está com frio? Quer uma parte da minha coberta?”

“Eu não sinto frio.”

Era primavera, mas estava frio como nunca antes. Aquela era para ser uma tarde perfeita para Jeon. Ele sabia bem que não veria o Hanaminovamente, então planejou mentalmente um dia especial e perfeito ao lado de sua amiga, com sol, sem neve e principalmente sem frio, pois sua saúde só piorava nesse tempo. Nunca pode sair sem agasalhos grossos, mesmo quando a brisa é mínima. Estar fora do hospital num tempo gelado como aquele só estava piorando tudo, por mais que ele não soubesse o quanto, por mais que usasse cobertores nas pernas e uma máscara para cobrir o rosto e se proteger e proteger também as outras pessoas, ainda assim só fazia sua doença piorar.

Ou talvez ele soubesse sim, que aquilo viria a lhe causar um mal maior depois.

A mulher que o tirara da ala hospitalar de pacientes com doenças terminais – a mesma que vem cuidando de si a tempos – corria um enorme risco, mas conhecia os sonhos de Jeongguk, e queria arriscar-se por ele sabendo piedosamente do quanto sua saúde estava num estado sem esperança de melhoras. Ela só queria dar a ele uma chance de sair ao menos um pouco daquele lugar, para que ele pudesse ver o florescer da cerejeira uma última vez na vida – por mais que ela sonhasse em ver o jovem moreno curado e em todos os anos seguintes no florescer de sua flor favorita ali do lado dela, como se ele fosse seu filho, que anos atrás havia o esquecido num certo orfanato – alegando sempre ter sido o maior erro de toda sua vida. Jeon tirava um pouco a sua dor de ter perdido o seu menino no fim das contas.

Apesar de tudo ter saído um pouco fora dos sonhos de Jeon, ainda assim ele estava feliz de poder estar ali com ela. Ele sabia o quão importante seria se ele estivesse ali do seu lado. Os dois fizeram a promessa de estar ali hoje e assim estavam quebrando regras juntos, pelo bem de seus sonhos.

Aquelas eram as flores mais lindas que já vira em toda sua vida.

Tão lindas quanto da penúltima vez que assistira um festival daqueles junto de Jimin – que aliás, descobrira a um certo tempo, ser o precioso filho de sua melhor amiga – o menino que tanto lhe ensinou o valor das coisas e do sorriso.

Jeon gostava muito dele, e queria poder ter se apaixonado novamente, mas isso nunca viria a acontecer de novo.

E talvez não houvesse mais tempo nesta vida...

“Mas está tão frio.” – Sussurrou fraco se encolhendo na cadeira de rodas como se além do frio, uma dor surgisse em alguma parte de si.

“Jeongguk... o que você deseja?”

“Hum?”

“Posso te conceder um último... desejo. Se você quiser.”

“Por que faria isso por mim?... Nós não nos conhecemos...”

O anjo já sentia muita pena do jovem por estar sorrindo quando não se há mais esperança. Queria correr seus riscos também, ao menos uma vez em sua existência.

Aquilo não fazia sentido, mas a morte queria amenizar a dor daquele menino por ele nunca ter vivido de verdade.

Pela primeira vez, ele sentiu pena de um ser que nada havia vivido, e não achava justo tirar a alma de um alguém que sequer teve alguma chance de viver direito.

Jeon já se apaixonou, sorriu e chorou de verdade, mas isso foi tão escasso durante seu crescimento e depois que tudo escorreu dentre seus dedos como areia, lhe restou somente a dor e falsos sorrisos que diziam estar tudo bem no fim das contas.

Como ele poderia sorrir num momento crucial como agora? Nada fazia sentido naquele sorriso que ainda enfeitava seu belo rosto.

Por mais estranho que fosse para a morte, ela estava se acostumando com aquilo...

“Eu te conheço a muito tempo, Jeon. Diga... o que eu posso fazer por ti?”

O menino pouco compreendia daquilo. Não sabia mesmo o que queria além do que já tinha. Cada fala do homem de preto lhe deixava confuso, mas de alguma forma Jeon conseguia sentir algo de bom vindo dele – uma espécie de calmaria - o que lhe trazia uma estranha confiança no rapaz alto que nunca sorria, e que ele nunca havia visto em toda sua vida, muito menos perambulando no hospital aonde residia, por mais que o outro lhe pajeasse a tempos por lá.

“Quem é você, Taehyung?” – O anjo nada respondeu, não tendo nunca uma concessão de mostrar-se para ninguém no mundo como um ceifeiro de almas. A vida jamais compreenderia os seus feitios. – “Por que só eu posso ver você?”

“Porque...”

No instante em que o anjo abaixou seu rosto olhando para a plumagem gelada sobre seus sapatos pretos caindo do céu como uma clichê precipitação fora de época, sentiu uma mão se aproximar-se da sua querendo o tocar, o que lhe fez levantar-se rapidamente antes que Jeon o tateasse e acabasse perdendo seu bem mais precioso.

Taehyung tinha um dom dado por seu Deus: o de tirar as almas de seus corpos na hora da morte com apenas um singelo toque.Entretanto, aquilo era usado com o propósito maior de dar descanso eterno para os seres que pediam por paz, e o anjo Taehyung nascera estritamente para isso.

O menino também não compreendeu aquilo e ficou um pouco triste com a reação repentina do rapaz que usava cores sem vida, pensando a fundo em como ele ficaria mais bonito acaso se vestisse com cores mais alegres – mas não quis demonstrar sua pequena chateação.

Pensava que se ainda tivesse tempo, ele lhe mostraria e daria bons motivos para sorrir ao menos uma vez que fosse no dia.

“Me desculpe. Às vezes me esqueço que sou doente. É compreensível as pessoas ficarem com medo de mim. Só ela não tem medo... aquela mulher vai ‘pro céu quando morrer. Ela vai encontrar com o filho dela quando chegar a hora, não acha, Taehyung? Jimin... foi um bom menino. Tenho certeza que ele está no céu agora...”

Disse o jovem enfermo lhe lançando aquele mesmo sorriso de antes, parecendo estar perdido em memórias distantes aonde o tempo era bom e feliz ao lado de seu amigo.

Por que faz isso?

O menino mostrava-lhe com o indicador a silhueta daquela mulher toda sorridente no meio de seus amigos ao longe. Olhava para ela com os olhos brilhando, como se seus olhos fossem derramar-se em prantos a qualquer momento. Ele estava muito sensível naquela tarde, e algo lhe dizia que se fosse chorar naquele dia, seria pela última vez então estava se segurando muito para não o fazer. Ele não queria que aquilo tirasse seu sorriso e lhe trouxesse amarguras no fim das contas.

“Eu quero uma coisa... se puder me ajudar. Me leva... de volta para o hospital, por favor? Não precisa me tocar, basta me ajudar com a cadeira. Infelizmente eu não tenho muita força nos braços para ir sozinho.”

“Mas se ela lhe procurar aqui e não te encontrar?”

“Ela está ocupada. Não quero estragar o dia dela também. – Por favor, Taehyung-ssi.”

O anjo não protestou. Aquele era um desejo sem sentido. Jeongguk poderia ter lhe pedido algo maior – qualquer coisa que não fosse a cura, pois isso ele não poderia fazer - mas simplesmente quis voltar para o lugar que lhe aprisionou por tanto tempo.

Tempo este... que estava em seu fim.


●●


“Você não quer nada?”

“Não. Eu já tive... tudo na minha vida. Meus pais que me deixaram... uma boa amiga... um grande amor... além do mais, esse ano eu consegui ver as cerejeiras.Mas...tem algo que você pode fazer por mim,Taehyung.” – Uma pausa foi feita, porque Jeon não respirava direito naquela hora sob seu leito. – “Fica aqui comigo?”

Se a morte tivesse um coração... despedaçado ele estaria.

Se a morte tivesse vida... a viveria por aquele garoto – até mesmo a daria de presente se possível.

Se a morte tivesse uma escolha maior... não tiraria a vida daquele menino.

Poderia ama-lo talvez se pudesse. Queria preencher de certa forma a solidão daquele jovem com algo vindo de si. Mas nem o amor era real para um anjo que sugava as almas de seus corpos com um simples toque seu. Ele jamais poderia abraçar alguém... jamais poderia amar.

O mundo dos humanos não lhe pertencia, muito menos os seus pecados... desejos... luxúria ou a paixão.

O anjo sentiu inveja pela primeira vez em sua existência.

Sentiu inveja da vida. Sentiu inveja de Jeongguk – o menino que sorria mesmo sem ter esperanças, em meio as dores, em meio a solidão...

“Ficarei com você até seu último suspiro.”

“Obrigada... você é um cara legal. Queria... poder ter lhe... conhecido antes, Taehyung-s...”

Aos poucos, Taehyung não via mais um sorriso sendo forçado naquela boca sem cor. Sua expressão enquanto estava deitado naquele mesmo leito de antes, era amarga, como se algo doesse muito dentro de si e ele não conseguisse mais se conter, nem mesmo continuar esbanjando seu doce riso nos lábios.

Talvez ter saído do seu quarto naquele tempo frio fosse mesmo uma péssima ideia no fim das contas, e deveras, a morte nada poderia ter feito, porque afinal... aquele era o seu destino.

Por que estou sentindo compaixão?

Por estou sentindo algo tão sufocante dentro de mim?

Por que isso é tão cruel?

“Tae... Taehyung-ssi.”

“Sim?”

“Segura a minha mão, por favor?”

“Não quer que eu chame por alguém?” – O anjo sabia que a hora do menino estava vindo, um desespero desconhecido surgira em seu âmago, e sentir pena dele naquele instante o atordoava de certo modo. Nem mesmo algum médico poderia fazer nada agora. Ninguém poderia. E ele sabia fielmente disto.

“Só segura a minha mão... por favor...”

“Mas seu eu te tocar...”

“Não importa. Por favor... fica comigo. Eu não... quero morrer sozinho...”

O anjo o via agoniar-se por dentro sem conseguir gritar por dor. Sua respiração estava muito irregular e o suor frio escorria por sua pele, a dor era visível para si, estragava cruelmente a beleza daquele rosto tão jovem apesar das enfermidades.

Mas infelizmente, a morte já não tinha mais algum tempo para sentir pena ou revoltar-se.

Tocou-lhe com um aperto forte na mão gelada do menino ao sentar-se em sua cama ao lado de seu frágil corpo que tremia bastante, recebendo quase o mesmo aperto no seu palmo.

Estava tão gelada quanto a sua, que nunca foi quente ou sentiu algum calor de um ser vivo.

Aos poucos Jeon sentia-se mais leve, estranhamente estava se acalmando por dentro como se tudo começasse a sumir de repente... as dores... a agonia... o medo... nada mais existia em si quando Taehyung o tocou...

“Tae... você é meu anjo da guarda, não é?

Eu esperei tanto por você...

Obrigado... por vir.”

Seu doce sorriso foi a última coisa estampada naquele rosto tão inocente.

Se houvesse um coração em si para doer-se, ele estaria o segurando nas mãos e afogando-se em lágrimas se elas existissem por trás de seus olhos sombrios. Porque mesmo sem ter um coração, o buraco no rumo do peito doía ao ver a respiração do jovem cessar-se e suas pálpebras fecharem vagarosamente deixando ali um recipiente sem alma segurando a sua mão até ter sua rasa força desfeita.

Enquanto pôde, segurou forte seu palmo até sua alma desprender-se de seu corpo enfermo.

Saiu dali com a vaga sensação de ter sentido a vida pela primeira vez em sua existência como nunca antes.

Compreendeu que viver era algo mágico demais para si. E que se estivesse mesmo vivo, queria poder ter sorrido daquela forma como Jeongguk lhe mostrara desde que o viu na primeira vez, quando ele era apenas um menininho brincando com Park Jimin antes deste vir a falecer ao ser tocado por si naquele tempo.

Talvez seu precioso dom fosse algum tipo de maldição para si no fim das contas.

Se a morte tivesse uma alma... ela seguiria a de Jeongguk fosse em qualquer lugar do além. Onde quer que ele estivesse agora, gostaria de poder vê-lo sorrir mais uma vez se pudesse.


Aquele foi o dia em que a morte se apaixonou pela vida.

15 de Enero de 2020 a las 01:06 0 Reporte Insertar 0
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