Cuento corto
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I

Naquela noite, a Lua cravou fundo em meus olhos, atravessando como lâmina a minha córnea, lapidando como rubi a minha íris, e derretendo e remodelando como pepitas de ouro cada estilha de meu nervo óptico.
Naquela noite, a Lua me fez sentir nos olhos, nariz, ouvidos e boca, o que nunca em minha vida, uma mulher havia me feito sentir. Eu estava apaixonado, mais do que a soma de todas as outras paixões, mais do que todo o amor do qual já senti por algo, ou alguém.

Tudo o que fiz, e que sei que poderia ter feito, foi abandonar o real e o lúcido para ir até você.
Eu tinha tudo o que um homem poderia querer, mas eu não a tinha, e trocaria tudo, por isso, por uma imperceptível fração de seu aconchego cósmico, por uma mísera canção de ninar em teus braços. E eu estava pronto, para morrer por isso.
Em minha viagem até você, eu vi casais apaixonados, homens bem-sucedidos, crianças felizes e inocentes, e todo o tipo de pessoa, desejável ou detestável, e eu ri, de cada uma delas. Pois Lua, minha Lua, nós seremos o casal mais apaixonado, e eu serei para ti o homem mais bem-sucedido e você, a minha criança mais doce, feliz e inocente. E todos sentirão inveja de nós, quando viajarmos todo o Cosmo, sorridentes e de mãos dadas.

Mas era tudo um sonho, quando já no espaço, você soltou a minha mão e partiu novamente ao horizonte mais distante. E mais uma vez, fui tolo por amar demais. Você encontrará mais outros mil para fazê-los chorar também, não é?

Não importa mais, pois desta vez a minha queda será alta demais, e você vai brilhar mais forte na próxima noite.
No instante em que meu corpo se estilhaçar como vidro e se tornar somente um com o solo, eu irei aguardar até que a sua luz reflita em meus cacos, e me levante como braços, iluminando a minha alma até que eu transcenda aos céus, e vibre como uma estrela triste.


Não enterram os loucos neste lado da cidade.

27 de Diciembre de 2019 a las 15:06 0 Reporte Insertar Seguir historia
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Fin

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