tsukimiko_san Tsuki Miko

Quando o garoto decidiu pôr seu nome no Cálice de Fogo, pensou estar preparado para tudo: dragões assassinos, maldições, poções duvidosas, artefatos mágicos explosivos, visgos-do-diabo prontos para fazerem picadinho de bruxo. Ele já estava em seu último ano em Hogwarts, havia poucas coisas que ainda o surpreendiam de verdade. Mas Izuku não estava nem um pouco preparado para o Baile de Inverno.


Fanfiction Anime/Manga No para niños menores de 13.

#fluffy #bnha #tododeku #natal #dekutodo #boku-no-hero-academia #harry-potter-au #baile-de-inverno
Cuento corto
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Capítulo Único

Notas da autora

Olá, fiéis leitores! Como estão?

Eu queria escrever um especial de Natal, então eu acabei desenterrando uma ideia lá do fundo do baú da minha inconsciência: um AU TodoDeku de Harry Potter! Acabou dando nessa one-shot que vocês vão ver.

A princípio, era para ser curto, mas eu sou VICIADA em Harry Potter, então acabei de empolgando. Peço perdão, não desistam de mim.

Se você caiu aqui de paraquedas e sabe zero coisas sobre HP, eu vou explicar rapidinho o contexto: o Torneio Tribruxo é uma competição amistosa entre as três maiores escolas de magia da Europa (Hogwarts, Beauxbatons e Durmstrang), em que um campeão é escolhido de cada escola para competir em provas, e o vencedor conquista a Taça Tribruxo. Nessa história, o Izuku é o campeão de Hogwarts, a Momo é a campeã de Beauxbatons e o Inasa é o campeão de Durmstrang. Nos anos em que ocorre o Torneio, a escola sedia o Baile de Inverno (ou “Yule Ball”) no Natal. Nesse baile, é tradição que as danças se abram com os campeões e seus pares (nos livros, só tinham pares de meninos com meninas, mas aqui a gente só trabalha na base da diversidade, né non?)

Caso tenham alguma dúvida sobre alguma referência que eu usei (muitas delas tem apenas nos livros, quem só viu os filmes pode ficar perdido), podem perguntar que eu explico.

Boa leitura! XD


►♦◄


Izuku estava uma verdadeira pilha de nervos.

Quando o garoto decidiu pôr seu nome no Cálice de Fogo, pensou estar preparado para tudo: dragões assassinos, maldições, poções duvidosas, artefatos mágicos explosivos, visgos-do-diabo prontos para fazerem picadinho de bruxo. Ele já estava em seu último ano em Hogwarts, havia poucas coisas que ainda o surpreendiam de verdade.

Mas Izuku não estava nem um pouco preparado para o Baile de Inverno.

— Esse baile vai ser um desastre — lamentou, encolhido no sofá do salão comunal da Grifinória. Ochako estava sentada frente a frente com Denki, um tabuleiro de xadrez de bruxo na mesinha entre eles. Enquanto o amigo quebrava a cabeça para sair de qualquer que seja a situação que a garota o tinha metido, ela virou-se para Izuku.

— Vai ser legal, não seja pessimista!

— Você acha isso porque você já tem um par para o baile! — O jovem bruxo gemeu de frustração. No dia em que anunciaram o baile e explicitaram que os campeões do Torneio Tribruxo eram obrigados a comparecer, a primeira coisa que Izuku fez foi procurar Ochako. Eles eram melhores amigos e estavam na mesma casa, ela seria sua salvação naquele momento vergonhoso.

Mas, para sua tristeza, a garota já tinha aceitado o convite de Tenya Iida, o outro melhor amigo deles, da Corvinal.

— Não fica assim! — Ochako deu alguns tapinhas suaves em sua cabeça, como se fosse um cachorrinho. — Eu tenho certeza que alguém te acompanharia. As pessoas amam dançar com os campeões! Você viu a campeã de Beauxbatons? Todos os garotos e garotas de Hogwarts tentaram convidá-la.

— Isso não é porque ela é uma campeã, mas porque ela é Momo Yaoyorozu — Denki disse, sem desviar o olhar das peças de xadrez. — A garota estampou a capa da Semanário das Bruxas antes de sequer se formar!

— Você não está ajudando!

— Não, mas eu acabei de te dar um cheque. Torre, D5! — A peça preta se moveu no tabuleiro e entrou na linha direta de ataque contra o rei. Ochako bufou e voltou a se concentrar no jogo.

— E ela aceitou o convite de alguém? — Izuku perguntou.

— Na verdade, não. Ela mesma fez o pedido para uma outra garota de Beauxbatons. Acho que era uma amiga. Itsuka alguma coisa — Denki explicou.

— Eu queria convidar um amigo também, mas todos já têm um par — Izuku disse. — Ochako já tem o Tenya. Você vai com aquela garota da Sonserina por quem você está apaixonado há séculos.

Denki tossiu.

— O quê? Eu? Apaixonado por Kyouka Jirou? Sem chance!

— E quem aqui mencionou o nome dela, idiota? — Ochako estreitou os olhos para o amigo, cujas bochechas coraram ao ver que havia se entregado.

— Continuando... — Izuku prosseguiu, como se não tivesse sido interrompido. — Eijirou, com certeza, vai com o namorado dele, que me odeia, por sinal. Fumikage já convidou a Tsuyu, e Mina vai com Hanta Sero.

Sua amiga ponderou por alguns instantes, e enfim exclamou, deixando de focar no jogo para falar com o amigo:

— Você conversa bastante com aquele garoto corvino que senta do seu lado nas aulas de Poções para os N.I.E.M.’s! Vocês são amigos, não são? Por que não tenta convidá-lo?

— O quê? — Izuku deu uma risada nervosa, esperando que seu rosto não ruborizasse. Ele tinha conseguido esconder aquilo desde os treze anos, até dos seus próprios amigos, não queria entregar tudo agora. — Ochako, é simplesmente impossível que Shouto Todoroki não tenha um par a essa altura. Quer dizer, ele é o garoto mais popular do nosso ano desde sempre. Eu acho que ele deve ter batido um recorde de pessoa que recebeu mais coisas contaminadas com Amortentia na história de Hogwarts.

— Você não aprendeu nada com a história da Momo Yaoyorozu? Não é porque alguém recebe muitos pedidos que esse alguém já aceitou algum deles — a jovem bruxa disse. — Por que não tenta? Você não tem nada a perder.

Exceto a minha dignidade.

— Ochako, as peças estão ficando impacientes — alertou Denki, fazendo a garota voltar para o jogo.

— Rainha, D5! — A rainha se moveu no tabuleiro e, com um único golpe, destruiu a torre de Denki, para a sua frustração.

Izuku suspirou e levantou-se para ir ao seu quarto. Tinha que descansar; talvez, pela manhã, ele estivesse mais lúcido e desistisse daquela ideia.

►♦◄

Izuku vacilou no instante em que pousou os olhos em Shouto Todoroki no café da manhã no dia seguinte.

Ele estava no seu lugar de sempre, junto aos seus colegas do time de quadribol da Corvinal na ponta da longa mesa no Salão Principal. Enquanto eles conversavam animadamente, Shouto apenas tomava goles da sua xícara de chá e ouvia atentamente. O garoto era sempre assim: falava pouco, mas escutava muito. Por isso, ele era um aluno brilhante nas aulas de Poções, que requeriam bastante memorização e atenção em detalhes — e sua gentileza e paciência ao ajudar Izuku quando ele precisava de ajuda acabavam sempre salvando as suas notas.

Além da sua habilidade especial com Poções, Shouto também jogava incrivelmente bem como apanhador do time de quadribol — sendo um dos responsáveis pela Corvinal ganhar a Taça duas vezes. Some isso ao fato de ser ridiculamente lindo e adoravelmente denso quanto à sua própria popularidade e pronto: você tem um Izuku Midoriya muito apaixonado.

Assim como metade de Hogwarts.

— Vai lá. — Ochako deu uma cotovelada no amigo quando o flagrou olhando para o corvino pela décima vez, sem coragem alguma. — O café da manhã vai acabar daqui a pouco. Vocês são amigos, não vai ser tão vergonhoso, certo? — Notando o silêncio do garoto, ela teve uma ideia e murmurou, como se não fosse nada demais: — Não é como se você gostasse dele ou algo assim...

Izuku se engasgou no seu café. A grifinória arregalou os olhos.

— Eu sabia! Você gosta dele!

— Não, eu não--

— Sim, você gosta. Não minta para mim, você está ficando todo vermelho. — E era verdade, Izuku sentia seu rosto quente.

— E se eu gostar? O que isso muda? Eu não teria coragem para dizer.

— Mais um motivo para você convidá-lo para o baile! É a oportunidade perfeita!

— Pior ainda! Eu não tenho chance nenhuma!

— Izuku, você-- ei, ele está indo embora.

O garoto virou e assistiu a Shouto se levantar junto com alguns amigos. Eles se encaminharam para as portas do Salão Principal e, no caminho, passaram pela seção da mesa da Grifinória onde Ochako e Izuku estavam. Shouto, então, olhou de relance para eles — o grifinório se derreteu quando seus olhos de cores diferentes focaram nele —, acenou timidamente e deu um sorriso mínimo antes de voltar a prestar atenção em seus colegas.

O jovem bruxo continuou olhando o grupo de corvinos se afastarem, o coração disparado. Sua amiga suspirou.

— Eu não sei como demorei tanto para perceber sendo que você consegue ser tão óbvio. Vamos, temos aula de Transfiguração.

Izuku assentiu e levantou-se para seguir Ochako, mas sabia que não conseguiria se concentrar na aula; aquele sorriso discreto, mas lindo, ficaria em sua mente o tempo todo.

►♦◄

Os alunos que se inscreveram para passar o Natal em Hogwarts — um número bastante significativo, diferentemente dos outros anos — estavam bastante agitados com o baile, o que tornava as aulas menos produtivas que o normal. No entanto, na aula de Poções naquela tarde, ninguém ousou se desviar; o Professor Aizawa podia ser um pouco assustador quando queria, apesar de ser um professor excelente e que todos em Hogwarts respeitavam.

Mesmo assim, Ochako não parava de lançar olhares de trás de seu caldeirão, incentivando-o a falar com Shouto enquanto levava bronca tanto de Tenya, que sentava ao seu lado nas aulas, quanto do Professor Aizawa. Izuku revirou os olhos para ela e gesticulou um depois com a mão. Mas ele só percebeu que a mão que usara era a que segurava a varinha tarde demais — a poção que estava fazendo passou de um lilás claro para vermelho.

— Ahh, droga — sussurrou e, aproveitando que o professor estava de costas avaliando o trabalho de outro aluno, tentou reverter o que fizera acidentalmente, sem sucesso.

Finite. — Ouviu um murmúrio suave vindo da sua esquerda, e viu Shouto com a varinha apontada para o seu caldeirão. A poção retornou ao seu estado original no mesmo instante.

— Você está sempre me salvando. — Izuku sorriu e voltou a administrar os ingredientes. — Você sabe que eu não vou contar com a sua ajuda nos N.I.E.M.’s.

— Eu já disse que você sabe fazer uma poção, só é distraído demais. — Shouto voltou a cuidar do próprio trabalho, vendo que o Professor Aizawa tinha notado o barulho da conversa murmurada e estava olhando para eles.

Quando a sineta do fim da aula tocou, Izuku estava conversando com o professor, que dava dicas sobre como podia melhorar — as quais o garoto ouvia com ávida atenção. Quando o Professor Aizawa deixou a sala, já que era sua janela livre, Izuku percebeu que todos os alunos já tinham saído — exceto ele e Shouto.

O corvino estava sentado junto à mesa deles, esperando pacientemente.

— Por que não foi embora também? Não precisava me esperar. — O jovem bruxo apressou-se para arrumar a mesa e guardar suas coisas na mochila.

— É só que... parecia que você queria me dizer algo. — O outro garoto encolheu os ombros. Izuku olhou para ele, surpreso. — Foi apenas impressão?

— N-Não, eu realmente... Mas como percebeu? Você é muito perceptivo.

— Na verdade, não. Quando se trata de pessoas, eu sou péssimo. Eu só... tendo a ser bastante perceptivo quando é sobre você.

Pela segunda vez naquele dia, o coração de Izuku disparou tão rapidamente que chegava a doer.

— E-Eu, b-bom...

O garoto foi interrompido pela porta da sombria sala de Poções se abrindo, e a cabeça de Hanta Sero aparecendo no vão.

— Shouto, o pessoal do time quer se reunir agora. Você vem?

O corvino alternou o olhar entre o colega de time e Izuku, sem saber como agir. O grifinório pendurou a mochila nas costas e sorriu.

— Vá, seus amigos estão esperando. — O garoto já tomou seu rumo para a saída, cumprimentando Hanta brevemente. Shouto o seguiu até o corredor.

— O que você queria me dizer? — O jovem bruxo respirou fundo. Ele conseguiu passar pela terrível primeira provação do Torneio Tribruxo. Ele conseguiria fazer aquilo. Só que, na frente de outras pessoas...

— Depois do jantar, no corujal — falou o primeiro lugar que conseguia pensar. Ele precisava mesmo mandar uma carta para a sua mãe, pedindo desculpas por não passar o Natal em casa como o de costume. Não era o espaço mais romântico, mas... Espera, quem disse algo sobre ser romântico? Eu só vou convidá-lo para o baile, porque somos amigos.

— Okay. — Shouto assentiu com seriedade. — Até mais tarde, Izuku.

— Até, Izuku! — Hanta puxou o colega pela manga das vestes e ambos desapareceram no final do corredor.

— Merlin, me dê coragem — o bruxo murmurou, virando na direção oposta e rumando para a cozinha. Estava precisando urgentemente de um chá de camomila.

►♦◄

Era o último dia de aula do trimestre, então, quando Izuku voltou ao salão comunal depois do jantar, já viu algumas pessoas arrumando suas malas para passar o Natal em casa, uma vez que não tinham interesse em participar do baile.

O garoto queria se juntar a eles. Sentia saudades da sua mãe. Desde que Inko Midoriya aprendera a enviar cartas através da coruja do filho — sendo trouxa, ela estava mais acostumada com postar cartas no correio da cidade, e não as amarrar em uma ave de rapina —, ela escrevia para Izuku todas as semanas, sem falta. Ele sabia que Inko estava morta de preocupação por causa do Torneio Tribruxo, seria bom fazer uma visita.

Izuku subiu as escadas até o quarto que dividia com outros quatro colegas, mas que, naquele momento, estava vazio. Pegou a carta que tinha escrito mais cedo, guardou-a no bolso, e não se esqueceu de levar um pacote de petiscos comprado em Hogsmade que Mighty — sua coruja-real e fiel companheira desde a sua primeira visita ao Beco Diagonal — amava.

Ao atravessar o salão comunal novamente, tomou cuidado para evitar os monitores — que estavam ocupados demais evitando um desastre em uma intensa partida de snap explosivo iniciada por Denki —, já que possivelmente levaria um sermão por estar tarde. Também evitou Ochako — sabia que enfrentaria um interrogatório mais tarde, e queria adiá-lo o máximo possível.

Izuku atravessou os corredores, felizmente não cruzando com nenhum fantasma no caminho — os fantasmas adoravam parar para conversar, e ele não queria deixar Shouto esperando. O garoto subiu as escadas da Torre Oeste e, conforme se aproximava do corujal no topo, mais se arrependia de não ter se agasalhado melhor. Era pleno inverno, e a torre estava congelante.

Shouto já estava lá, observando as corujas aninhadas em seus nichos nas paredes. Quando notou sua presença, acenou brevemente e esperou que o garoto se aproximasse.

— Hey... Você vai entregar uma carta? — perguntou, vendo o papel enrolado que Izuku segurava.

— Uhum. Eu sempre volto para casa no Natal, minha mãe ficaria preocupada. — O grifinório assobiou, e uma das corujas agitou as asas e alçou voo, pousando graciosamente no poleiro junto à janela, em frente a Izuku. O garoto atou a carta junto ao corpo de Mighty, tirou um petisco do pacote e estendeu a mão para que ela comesse. — Entregue isso para a mamãe. Eu sei que está frio, me desculpe. Obrigado, Mighty. — Acariciou as penas da cabeça da coruja, que piou e bicou afetuosamente seus dedos antes de voar para longe.

— Eu sempre passo os feriados em Hogwarts — disse Shouto, juntando-se a ele para assistirem à ave desaparecer no céu estrelado. — Mas você parece gostar de visitar sua casa.

— Eu amo! Minha mãe é a melhor pessoa do mundo, eu sempre sinto muita falta dela quando estou aqui. Claro, eu amo Hogwarts, mas...

— Eu entendo. Eu acho. — O corvino expirou, e uma nuvem de ar condensado pelo frio se formou na sua frente. — Minha família é... você sabe, “sangue-puro”. — Ele fez aspas com os dedos. — Eu não consigo passar uma semana com eles sem brigar pelo menos uma vez por causa das coisas que eles dizem.

Por ser filho de uma trouxa com um bruxo, Izuku já cansara de ouvir que seu pai era um “traidor da raça”. Ele entendia do que Shouto estava dizendo.

— Você não tem um bom relacionamento com a família, não é? — perguntou, delicadamente.

— Nem um pouco. Exceto com minha mãe e meus irmãos, eles não pensam desse jeito — confessou. — Você sabia que praticamente todos os membros da família Todoroki foram sonserinos? Até meus irmãos. Você não imagina a decepção do meu pai quando o Chapéu Seletor me colocou na Corvinal.

— E isso é... ruim? — Izuku inclinou a cabeça, confuso, o que fez Shouto rir. Foi uma risada comedida, mas ainda fez o coração do grifinório saltar.

— Nem um pouco. Eu amo a minha casa, e estou muito bem aqui. Eu adoro ser a maior decepção da minha família.

Izuku acabou cedendo e riu também. De todas as coisas mágicas que presenciara na vida, aqueles pequenos momentos que dividia com o garoto que gostava eram as melhores delas.

— Aliás... Eu esqueci de te dizer. Você foi incrível na primeira tarefa do Torneio Tribruxo — Shouto disse. Izuku não conseguiu deixar de sorrir com o elogio.

— Obrigado. Mas... — O garoto mordeu o lábio inferior e voltou a olhar para o céu lá fora. — O baile é mil vezes mais difícil que aquilo. — Aquele assunto lhe fez lembrar do propósito daquela conversa.

— Ah, sim, o baile. A presença dos campeões é obrigatória, certo?

— Sim. E eu não consegui ninguém para ir comigo. — Izuku brincou com a manga das suas vestes. — Todos os meus amigos já têm um par. Aposto que muitas pessoas já te convidaram. — Ele riu sem humor. Shouto inclinou a cabeça, fazendo os cabelos lisos caírem graciosamente sobre seu rosto.

— Hm... sim, algumas pessoas me convidaram. Não conhecia ninguém, então eu recusei. Oh, exceto a Momo.

— Momo? — Izuku arregalou os olhos. — Momo Yaoyorozu te convidou para o Baile de Inverno?

— Sim. Ah! — Shouto sacudiu a cabeça. — Não é o que você está pensando. Somos amigos de infância, mas acabamos em escolas diferentes. Acho que eu fui a primeira pessoa que ela pensou para pedir ajuda. — Izuku pensou em como primeiro procurou por Ochako para ser seu par. Fazia sentido. Exceto...

— Momo vai ao baile com Itsuka Kendo. Isso significa que você... você recusou. Por quê? Vocês seriam literalmente o par mais bonito e popular das três escolas!

— Porque eu sei que ela gosta da Itsuka há anos, e não tinha coragem de dar o primeiro passo. Eu recusei para dar um incentivo.

Acho que eu e Momo Yaoyorozu temos algo em comum, o grifinório pensou, com um pequeno sorriso.

Então, a mente de Izuku focou em uma informação em especial. Shouto recusou todos os pedidos. Isso queria dizer que ele tinha uma chance?

— Hm, Shouto... Tem uma coisa que eu gostaria de te perguntar. — O garoto ficou de frente para o outro, puxando ainda mais as mangas das suas vestes. O tecido já estava puído e desbotado por conta da frequência com que repetia aquele hábito nervoso.

— Na verdade, eu também tenho.

— Ah, então pode dizer primeiro--

— Não, você me chamou aqui para isso, não é? Diga primeiro.

— Vamos perguntar ao mesmo tempo? — Izuku sugeriu, e Shouto concordou com a cabeça. O garoto respirou fundo e os dois disseram, em uníssono:

— Você quer ir ao baile comigo?

A boca do grifinório se abriu em um perfeito “o”. O quê? Ele tinha ouvido direito?

O outro garoto também parecia legitimamente surpreso.

— Uh...

— E-Eu... — Izuku gaguejou. Shouto Todoroki tinha acabado de convidá-lo para o Baile de Inverno? Será que ele estava sonhando?

— Izuku Midoriya. — O som do seu nome na voz do corvino fez seu interior esquentar, mesmo no frio do alto da torre em que estavam. — Você aceitaria ir ao Baile de Inverno comigo? Apesar de que eu acho que já sei a resposta. — Shouto sorriu, divertido.

— M-Mas é c-claro! — Izuku sorriu, ainda sem acreditar na sua sorte. Ele poderia sair pulando de felicidade naquele momento. O garoto se sentia como se tivesse comido uma porção de Delícias Gasosas da Dedos de Mel e estivesse flutuando a centímetros do chão.

Naquele momento, um vento frio e cortante passou pelas janelas do corujal, balançando os cabelos dos dois garotos e fazendo algumas corujas piarem e se agitarem. Izuku tremeu, sentindo falta do calor da lareira do salão comunal e de um chocolate quente.

— Vamos descer, está tarde — o grifinório disse, mas antes que pudesse dar um passo em direção às escadas, sentiu alguma coisa envolver seu pescoço. O garoto permaneceu parado, surpreso, enquanto Shouto terminava de enrolar o seu próprio cachecol azul e preto sobre os ombros de Izuku.

— Você é descuidado demais, vai pegar um resfriado desse jeito. — O corvino segurou suas mãos geladas, fazendo arrepios percorrerem seu corpo, que nada tinham a ver com o frio.

— O-Obrigado... — Izuku sentiu-se mais aquecido, tanto por dentro quanto por fora. Uma parte dele queria dizer que um simples feitiço de aquecimento teria feito um trabalho parecido, mas estava bem com isso. Inspirou fundo, sentindo o cheiro doce que desprendia do cachecol (que parecia, estranhamente, com o aroma de varinhas de alcaçuz. Shouto gostava de doces?).

— Vamos? Eu te levo até a Torre da Grifinória.

Para a decepção do grifinório, Shouto soltou suas mãos assim que começaram a descer as escadas. O caminho foi preenchido por um silêncio confortável, uma vez que não encontraram ninguém — exceto as pinturas nas paredes, que já estavam se preparando para dormir, e um casal de fantasmas, que estava ocupado demais brigando por alguma coisa para prestar atenção em dois alunos atravessando seus corpos translúcidos.

Quando chegaram na base da Torre da Grifinória, Izuku virou para Shouto e sorriu.

— Obrigado. Então...

— Nos vemos depois? — Izuku assentiu, sem saber como proceder, até Shouto acenar e se afastar. — Até, Izuku.

— Até, Shouto. — Acenou. O grifinório suspirou, sem conseguir segurar o sorriso, e subiu as escadas até o dormitório. Ignorou os comentários da mulher no retrato que ocultava a entrada enquanto dizia a senha, e entrou silenciosamente no salão comunal.

— I-zu-ku! — Ochako se aproximou para abraçar seus ombros. Não havia mais tanta gente no salão comunal, e as que estavam ali não lhes deram atenção. — Onde você estava? Eu estava doida para te contar o que aconteceu depois que você saiu do jantar-- espera, isso é um cachecol da Corvinal?

Ah. O rosto de Izuku esquentou tanto que podia jurar que fumaça saía pelas suas orelhas.

— Droga, e-eu esqueci de d-devolver... — O garoto desenrolou o cachecol, sem saber o que fazer.

— Oh... — Ochako cobriu a boca com uma mão para esconder uma risadinha. — Imagino que não tenha sido emprestado do Tenya.

— Ochako, por favor... — gemeu de frustração e escondeu o rosto atrás do cachecol.

— E então? Você chamou ele para o baile?

— Sim... — murmurou, a voz abafada pela lã do cachecol.

— Você chamou! — Ochako bateu palmas, animada. — E o que ele respondeu?

O sorriso voltou ao rosto de Izuku.

— Na verdade, ele também queria me convidar. Ele ficou bastante surpreso.

— Pelas barbas de Merlin, já estou esperando o convite para ser a madrinha do casamento!

— Ochako!

►♦◄

A semana que precedeu o Natal foi uma das mais agitadas da sua vida em Hogwarts. Todos do castelo — os estudantes, professores, fantasmas e até os quadros — estavam fervorosos com os preparativos para o baile. Os visitantes das outras escolas também estavam empolgados, e deixaram as rivalidades por conta do Torneio Tribruxo de lado por um tempo, em prol do espírito natalino.

Também começara a nevar. O garoto se preocupou por Mighty, mas, felizmente, na manhã da véspera de Natal, a sua coruja-real apareceu para lhe entregar a resposta de Inko. Deixando que ela comesse um pouco do seu café da manhã, Izuku leu o que a mãe escrevera. Ela dizia para que o filho não se preocupasse e se divertisse. O jovem bruxo se pegou sorrindo. Sua mãe era uma pessoa boa demais para ser verdade.

Na manhã de Natal, o garoto acordou com presentes na sua cama. Ele e seus amigos grifinórios pularam o café da manhã para brincarem com os presentes que ganharam no salão comunal. Alguns diriam que estavam velhos demais para isso — de acordo com as leis bruxas, eles já eram maiores de idade por terem dezessete anos —, mas Izuku não dava a mínima.

Conforme a hora do início do baile se aproximava, mais nervoso Izuku ficava. E se ele fosse horrível em dançar? E se ele pisasse nos pés de Shouto o tempo todo? E se ele tropeçasse e caísse na frente de todo mundo? Ele podia ser desclassificado do Torneio Tribruxo por ser excessivamente desastrado?

Izuku esteve tão preocupado em conseguir um par para o baile — especialmente o par que ele mais queria — que tinha se esquecido que teria que dançar. Uma amiga grifinória, Mina Ashido, havia lhe ensinado algumas coisas básicas, mas ainda se sentia inseguro.

Ao menos, as roupas formais lhe deram um pouco de confiança. A visita que fizera à loja da Madame Malkin no Beco Diagonal antes do ano letivo começar lhe rendera as peças que estava lutando para vestir sem amarrotá-las: uma camisa branca de linho sob as vestes de veludo verde-escuro, que combinavam com a gravata-borboleta. Izuku contou com a ajuda milagrosa de Denki para transformar seus cabelos esverdeados em alguma coisa menos selvagem que normalmente era — o garoto desconfiava que o outro havia lhe lançado um feitiço enquanto estava distraído, porque aquilo era praticamente impossível.

Quando desceu para o salão comunal, Izuku se juntou a Ochako e Mina, que usavam vestidos longos e elegantes. Quando as garotas o viram, acenaram animadamente.

— Como eu estou? — Ochako perguntou, girando no mesmo lugar. Ela usava um vestido longo rosa-claro decorado com rendinhas e luvas brancas que iam até os cotovelos, e os cabelos castanhos estavam presos em um coque. O garoto bateu palmas.

— Você está linda!

— Eu disse! Você vai ser a grifinória mais bonita do baile! — Mina enlaçou o braço com o da amiga, sorrindo. Ela usava um vestido branco e prateado, que emitia reflexos multicoloridos quando ela se mexia. Certamente atrairia atenção no baile.

— É claro que você diz isso, porque foi você quem planejou as minhas roupas! — Ochako deu-lhe uma cotovelada, de brincadeira, mas tinha as pontas das orelhas levemente avermelhadas.

Eles saíram do salão comunal e desceram as escadas até o saguão, onde uma massa de estudantes aguardava a abertura das portas do Salão Principal. Seus amigos se separaram para procurar seus pares, e logo Izuku se viu sozinho. Foi quando ele enxergou os outros dois campeões do Torneio parados em frente às portas duplas, conversando, e o garoto lembrou que eles deveriam entrar por primeiro.

— Ah, olá Izuku — Momo foi a primeira a notá-lo, sorrindo cordialmente. Ela estava deslumbrante em um vestido azul que combinava com o enfeite em formato de flor que prendia seus cabelos negros. A garota estava de braços dados com uma estudante mais baixa — que supôs ser Itsuka —, de verde-claro, com os cabelos ruivos presos em uma longa trança lateral.

— Olá, Izuku Midoriya! — Yoarashi Inasa, o campeão de Durmstrang, cumprimentou-o, animado como sempre. Ele estava acompanhado de uma aluna da mesma escola, a qual Izuku lembrava vagamente que se chamava Camie, e ambos usavam o uniforme vermelho formal de Durmstrang.

— Olá... — cumprimentou, um pouco envergonhado. Todos eram tão elegantes, será que ele se destoaria deles?

— Onde está seu par, Izuku? — Camie perguntou, ajeitando sua capa sobre o ombro.

— Eu não o achei ainda — o garoto disse, preocupado. — Eu acho que vou procurá-lo...

— Izuku? — O grifinório virou na direção da voz que chamou seu nome — e todo o resto pareceu desaparecer.

Shouto Todoroki estava ali, na sua frente, e era facilmente a coisa mais bonita que Izuku já vira. Seus cabelos de cores distintas estavam penteados de lado, dando uma visão mais clara do seu lindo rosto e dos olhos heterocromáticos. As roupas eram totalmente brancas, adornadas com detalhes bordados em dourado. Ele parecia um príncipe encantado tirado dos livros de contos de fadas dos trouxas.

O corvino inclinou a cabeça, com o semblante levemente preocupado.

— Me desculpe, eu me atrasei?

Izuku demorou alguns segundos para recuperar a fala.

— N-Não, ainda não abriram as portas, então... — gaguejou e desviou o olhar, um sorriso nervoso em seu rosto. Oh, Merlin, ele estava muito apaixonado.

— Olá, Shouto — Momo cumprimentou o amigo, com um sorriso divertido no rosto, como se soubesse de algo que os outros não sabiam. Shouto a cumprimentou brevemente como resposta. Aquilo fez Izuku retornar à realidade e perceber o quão dolorosamente óbvio devia estar agindo.

O garoto respirou fundo e tentou controlar o nervosismo. Talvez ele devesse ter tomado uma Poção Calmante antes daquilo, como tinha feito antes de prestar os N.O.M.’s no quinto ano. Foi quando as grandes portas do Salão Principal se abriram, e Izuku sentiu um toque leve em seu braço.

— Vamos? — Shouto disse, gentilmente, enquanto oferecia o braço para que ele segurasse. O grifinório sentiu uma onda de segurança passar por ele; sorriu e aceitou.

O Salão Principal estava de tirar o fôlego. As luzinhas mágicas, as decorações de gelo no teto e nas paredes, as guirlandas, festões e laços vermelhos, as árvores de Natal ricamente decoradas. Izuku estava absolutamente encantado.

As mesas compridas das quatro casas foram substituídas por várias menores espalhadas pelo Salão, além da mesa principal, onde o diretor, alguns professores e a bancada de juízes do Torneio Tribruxo estavam sentados. Foi onde os campeões e seus pares se sentaram depois de atravessarem o Salão.

O jantar foi servido, e as conversas na mesa fluíram com tanta facilidade que Izuku conseguiu amenizar seu nervosismo e rir com os outros.

Quando a refeição acabou, todos se levantaram e as mesas foram afastadas do centro do Salão, abrindo uma pista de dança. Sabendo que os campeões seriam os primeiros, Izuku se deixou ser levado por Shouto, não confiando em seus próprios pés. Os olhos do garoto acabaram encontrando os de Ochako, que estava acompanhada de Tenya. A grifinória fez sinal de “positivo” com ambas as mãos, encorajando-o.

O jovem bruxo parou em frente ao corvino, sem saber o que fazer. Ele tinha dançado com Mina antes do baile, mas fazê-lo com o garoto que gostava era mais... arrebatador.

Shouto, então, curvou-se levemente, como comandavam as regras de etiqueta, e ele fez o mesmo. Depois, o outro garoto descansou uma mão em sua cintura e segurou a sua delicadamente com a outra. Izuku olhou para seus dedos entrelaçados com certo fascínio, antes de pôr a mão livre em seu ombro.

— Finja que não tem mais ninguém aqui — o corvino sussurrou, um pouco antes da música começar. — Isso ajuda.

E foi o que o garoto fez. Seus olhos focaram nos do outro, e não quebraram o contato por um segundo. A gentileza que via neles era reconfortante, e ajudava a fazer todo o resto desaparecer do seu campo de visão.

Shouto dançava com elegância, conduzindo Izuku com tranquilidade e placidez. Mas, mesmo com o nível básico do grifinório, não era difícil de acompanhá-lo: ele se ajustava aos seus movimentos e tornava as coisas muito mais fáceis e fluidas. Os dois estavam próximos, perigosamente próximos, talvez o mais perto um do outro do que jamais estiveram. Izuku temia que o outro pudesse sentir seus batimentos cardíacos acelerados cada vez que seus troncos se encostavam.

No fim, ele estava tão envolvido naquele momento que a música pareceu ter acabado em um piscar de olhos. Izuku se soltou de Shouto, mas suas mãos continuaram unidas sem que percebesse.

— Viu? Não foi tão ruim. — O outro bruxo sorriu, um dos seus pequenos sorrisos quase imperceptíveis, mas que faziam Izuku se apaixonar cada vez mais.

— Foi... foi divertido! Podemos dançar de novo? — O pedido saiu da sua boca antes que pudesse controlar. Shouto pareceu surpreso, mas logo deixou escapar uma risada baixa e discreta, que tirou o fôlego de Izuku mais que a dança em si.

— Você já deveria me conhecer bem o bastante para saber que eu nunca diria não.

E, quando a próxima música começou, os dois tornaram a dançar. E na próxima. E na próxima. E na próxima. Todo o medo que Izuku sentira se dissipou. Ele se sentia leve como uma pluma de hipogrifo.

Eles só pararam quando ambos estavam suados e ruborizados. Shouto puxou-o pela mão até as mesas na margem da pista de dança e deixou-o sentado em uma delas, prometendo que voltaria com bebidas.

— Eu não sinto meus pés! — alguém gemeu, sentando na cadeira do lado direito de Izuku. O garoto virou e, reconhecendo os cabelos vermelhos e vibrantes, abriu um sorriso largo.

— Eijirou!

— E aí, Izuku? — O lufano sorriu com todos os seus dentinhos afiados e inclinou-se sobre a mesa. — Você também estava dançando até agora? Cara, isso cansa mais que jogar quadribol.

— Eu duvido um pouco disso. — Izuku riu. Eijirou era um dos batedores da Lufa-Lufa, e acabou fazendo amizade com ele no quinto ano, durante um jogo da Grifinória contra a Sonserina, em que os dois sentaram lado a lado na arquibancada. Eijirou torcia para a Sonserina, o time em que seu namorado jogava, e Izuku torcia pela Grifinória, mas a rivalidade daquele jogo não impediu que eles se tornassem grandes amigos.

— Você cansa rápido demais, cabelo de merda. — Outro garoto, que Izuku não tinha percebido que se aproximara, bateu com a lateral da mão no topo da cabeça de Eijirou. Katsuki Bakugou se jogou na cadeira ao lado do namorado, que prontamente envolveu seus ombros com o braço.

— Não seja malvado! Izuku também está cansado, você é que tem uma resistência anormal.

Katsuki estreitou os olhos vermelhos para o grifinório, mas Izuku não vacilou ou desviou o olhar. Os dois tinham uma certa rivalidade desde o primeiro ano, quando o garoto salvou o sonserino de um bando de acromântulas durante uma detenção na Floresta Proibida — para a irritação de Katsuki. A princípio, Izuku tinha medo dele e fazia de tudo para evitá-lo, mas, conforme os anos passaram, sua confiança na própria magia e em si mesmo aumentou, e o jovem bruxo passou a ser capaz de rivalizar, em pé de igualdade, com o garoto prodígio da Sonserina.

Izuku ousaria dizer que, talvez, eles fossem amigos, apenas Katsuki se recusava a admitir.

— Não use o nerd de merda como parâmetro — resmungou, mas ele parecia estar de bom humor. Ele sempre ficava de bom humor com Eijirou por perto; exceto, talvez, nos jogos de quadribol em que os dois jogavam em times adversários. — Eu teria terminado a primeira prova do Torneio Tribruxo em bem menos tempo.

— Mas você tem que admitir que ele foi incrível! — o lufano exclamou, empolgado. — Eu nunca vi Hogwarts inteira se unir tanto por alguma coisa antes. Até o Katsuki ficou gritando...

— Cala a boca! — O sonserino deu uma cotovelada no abdome de Eijirou, e Izuku sorriu.

— Oh, obrigado, sinto-me honrado de ter o melhor aluno da Sonserina torcendo por mim.

— Pare de zombar de mim, Deku! — O grifinório podia jurar que ele puxaria a varinha do bolso e começaria um duelo no meio do Baile de Inverno, mas, ao invés disso, Katsuki assumiu um tom mais sério, olhando-o nos olhos. — Não ouse envergonhar o nome de Hogwarts.

Havia um pedido oculto naquela frase. Não perca. Traga aquela maldita taça.

Izuku assentiu, e estava prestes a afirmar que daria seu melhor, quando ouviu uma voz conhecida atrás de si dizer:

— Ele não vai.

O garoto virou e viu Shouto, segurando duas taças, acompanhado de Ochako e Tenya, ambos cansados da dança. Os olhos do corvino estavam sérios enquanto olhavam Katsuki. Não era raiva, nem a indiferença habitual; era apenas a mais pura e simples honestidade. Como se ele acreditasse verdadeiramente que Izuku ganharia a Taça Tribruxo.

O sonserino revirou os olhos.

— É melhor que esteja certo, meio a meio.

— Não se preocupe, eu geralmente estou certo. Eu sou da Corvinal, lembra?

— Hah, como se essa merda fosse grande coisa. — Katsuki levantou e puxou o namorado. — Vamos, antes que eu amaldiçoe alguém. Você já descansou o bastante.

— As coisas que a gente faz por amor... Até depois, pessoal! — Eijirou acenou, e logo os dois desapareceram novamente na pista de dança. Shouto sentou ao lado de Izuku, enquanto Tenya e Ochako assumiram os lugares que Eijirou e Katsuki tinham deixado.

— Caramba, ele é um pé no saco. — A grifinória bufou e cruzou os braços. — Tenya, você não pode usar seu poder de monitor e, sei lá, tirar pontos da Sonserina por causa disso?

— Já é a centésima vez que você me pede para tirar pontos de alguma casa desde que eu me tornei monitor. — Tenya suspirou, ajeitando os óculos. — Lembra-se que não posso tirar pontos de outras casas? Eu só posso descontar da Corvinal.

— De que serve ter um amigo monitor se não for para abusar da autoridade?

— Ochako, estamos no último ano. — Izuku aceitou a taça de bebida que Shouto estendia para si, agradeceu e bebericou. Era cerveja amanteigada. — Por favor, não seja expulsa agora.

Naquele momento, ela pareceu ter se dado conta da presença de Shouto ali. A garota se inclinou sobre a mesa, os olhos castanhos brilhando.

— Olá, Shouto Todoroki! Você está cuidando bem do nosso pequeno Izuku?

— Por que você está falando como se Izuku fosse nosso filho? — Tenya questionou, mas foi ignorado.

— Ochako! — O grifinório enrubesceu, mas Shouto parecia ter levado a pergunta a sério.

— Eu não saberia dizer. — O garoto voltou-se para Izuku. — Como eu tenho me saído como seu par?

O jovem bruxo encarou os olhos heterocromáticos do corvino, que reluziam quase em expectativa. Ele era tão lindo que chegava a ser injusto. Sua voz saiu um tom mais aguda que o normal:

Perfeito! Você é perfeito. Quer dizer, sua companhia. Mas você também. Não perfeito perfeito, porque ninguém é perfeito, mas você é...? — A cada palavra, Izuku corava mais, e Ochako se contorcia mais em risadas silenciosas, escondendo o rosto no ombro de Tenya para que não risse alto. Até o monitor corvino parecia estar achando graça, mas tinha a decência, como melhor amigo, de esconder melhor.

— Isso é... bom? — Shouto também parecia desconsertado. Era impressão sua ou as orelhas dele estavam um pouco avermelhadas?

— Hm, sim! Eu não tenho, uh, do quê reclamar. É. — O grifinório desviou o olhar, brincando com a ponta da toalha da mesa. — Podemos por favor mudar de assunto?

Felizmente, seus amigos acataram a sugestão, e os quatro engajaram em uma conversa animada, interrompida apenas pelo reabastecimento das bebidas em suas taças. Izuku nem viu o tempo passar. Quando se deu por conta, o garoto viu algumas pessoas saindo, porque se aproximava da meia-noite.

— Daqui a pouco eles devem tocar a última música — Tenya comentou. — Nós temos que estar nos dormitórios logo depois disso.

— Já...? — Ochako franziu a testa, deitando a cabeça no ombro do amigo. — Agora que estava ficando booooom...

— Ochako, você bebeu hidromel? Você sabe que aquilo era só para os professores!

A garota riu, visivelmente alterada, e Tenya suspirou.

— Eu vou achar alguém para te levar até o dormitório antes que algum professor veja e tire pontos da Grifinória. Até outra hora. — O monitor acenou com a cabeça para Izuku e Shouto e se afastou, levando Ochako pelo braço para que não tropeçasse e caísse.

— Está quase acabando, huh? — O grifinório sorriu, quase triste. Aquela noite estava tão perfeita que não queria que acabasse.

O outro garoto, então, levantou e estendeu a mão:

— Eu ouvi que a decoração lá fora está linda. Você quer ver?

Izuku aceitou a mão estendida e se deixou ser levado por Shouto para o saguão de entrada e, depois, para o lado de fora do castelo. Poucas pessoas estavam por ali, a maioria casais — o que fez o garoto se sentir subitamente consciente de que os dois estavam de mãos dadas, mas não teve coragem de separá-las.

Esculturas de gelo se elevavam da camada de neve que cobria o chão. As roseiras que foram plantadas para decoração na noite anterior estavam cobertas de gelo e luzinhas. Não era uma arrumação tão extravagante quanto o interior do Salão Principal, mas, de alguma forma, era mais encantadora; provavelmente por conta da lua cheia que fazia o gelo reluzir e das estrelas que pontilhavam o céu escuro.

Estava frio, mas as vestes que usavam eram aquecidas o bastante para não ser desconfortável. Aquilo fez Izuku se lembrar de algo.

— Shouto, eu esqueci de te devolver seu cachecol...

— Hm? — O corvino olhou para ele. — Não se preocupe, eu tenho outros.

— Eu sou um grifinório. — O garoto riu baixinho. — O que meus companheiros de casa vão pensar se eu usar um cachecol da Corvinal?

— Você não precisa usar. Eu só não me importo se você ficar com alguma coisa minha.

Isso parece algo que namorados fariam.

Izuku decidiu que aquilo não era nada bom para o seu coração.

— Izuku? Você poderia vir comigo, por favor? — Shouto pediu, puxando-o em direção ao roseiral. O corvino tirou a varinha do bolso e murmurou algum feitiço que fez os galhos se contorcerem e abrirem espaço para que eles passassem. Os dois atravessaram, os galhos se fechando atrás deles, e se viram em um espaço vazio entre as roseiras e uma das paredes externas do castelo.

— Shouto? — Izuku chamou, vendo que o outro parecia um pouco distante. — Aconteceu alguma coisa?

O garoto ao seu lado respirou fundo e soltou sua mão, ficando frente a frente com ele.

— Tem uma coisa... que eu queria falar com você. Faz um tempo, na verdade.

O grifinório franziu as sobrancelhas, mas assentiu com a cabeça, compelindo-o a continuar.

— Eu... no primeiro ano, eu era muito mais fechado que agora. Você deve se lembrar. Eu tratava todo mundo, até os meus colegas de casa, com muita frieza. — Izuku se lembrava. Shouto não chegava a ser rude, mas era frio e distante, sequer dispensava um olhar na sua direção nas aulas que tinham juntos. — Ninguém nunca tinha me ensinado a fazer amigos. Por Merlin, eu sequer imaginava que fazer amigos era importante. Eu só queria me formar logo e conseguir algum emprego bem longe da minha família.

— Shouto, você não--

— Por favor, me deixe terminar — o garoto pediu, e Izuku se calou. — E então você veio. Você e sua mania de fazer amizade com todo mundo. Você tinha tudo para ser alguém que eu detestaria, mas eu... Você começou a me pedir ajuda em Poções, e eu não consegui dizer não. — Shouto sacudiu a cabeça. — Quando eu menos esperava, você começou a me incentivar a conversar mais com as pessoas. Foi você quem me disse para entrar para o time de quadribol, e eu não consigo expressar o quanto eu te agradeço por isso, porque eu acabei descobrindo que eu gosto de jogar, e que eu gosto de ter feito amigos no time. Tudo por sua causa.

— Não fui eu, Shouto, foi você quem conseguiu isso tudo. — Mas Izuku tinha o coração disparado, ressoando em seus ouvidos. Ele não fazia ideia de que tinha tanta importância assim na vida de Shouto Todoroki.

— Não, Izuku, acredite em mim quando eu digo que eu nunca seria do jeito que eu sou hoje se você não tivesse se esforçado tanto para fazer amizade comigo. Eu seria muito mais infeliz. — O corvino respirou fundo. — Por volta do nosso quarto ano, eu percebi que me sentia estranho perto de você, e sempre que estávamos separados, eu mal podia esperar para vê-lo de novo. Eu não sabia o que era aquilo. Eu passei muito tempo negando o que eu sentia, mas agora eu já aceitei que você, de alguma forma, provoca esses sentimentos em mim.

Shouto nunca tinha falado tanto de uma vez. Sua voz tremia ligeiramente. Izuku estava apenas parado, em choque.

— E isso... O que isso quer dizer? — o grifinório perguntou, com a voz entrecortada.

— Que eu gosto de você. Eu gosto de você, Izuku Midoriya. E eu não queria que terminássemos nosso último ano sem você saber disso.

O tempo pareceu ter parado. Era como se o mundo tivesse prendido a respiração. O som das batidas do seu coração rugia em seu ouvido.

Shouto Todoroki gosta de mim.

Izuku sentia como se fosse desmaiar.

— Izuku? Izuku, me desculpa, eu sei que é muita coisa, você pode parar de falar comigo se isso te fizer se sentir desconfortável, eu...

— Eu gosto de você — o garoto o interrompeu. As palavras fluíram com tanta naturalidade que ele se perguntou por que teve tanto medo de dizê-las por tanto tempo. — Eu gosto de você também. Céus, eu sou apaixonado por você desde... desde sempre. Mas eu sempre pensei que você nunca ia gostar de mim desse jeito.

Os dois garotos se encararam, surpresos, por alguns segundos. E então, Izuku soltou uma risada.

— Somos dois idiotas.

— Idiotas apaixonados. — Shouto também ria, e seu sorriso, somado ao rosto ligeiramente ruborizado, era uma imagem que o grifinório quis guardar para sempre na memória.

O outro garoto tirou alguma coisa de dentro do bolso. Era um pequeno ramo de folhas verdes com frutinhas brancas pontilhando os galhos, atados com uma fita vermelha.

— A sua amiga me deu isso mais cedo, enquanto eu buscava bebidas depois de nós dançarmos. Ela disse para eu usar com sabedoria. — Shouto olhou para Izuku, os olhos de cores distintas brilhando à luz da Lua. — Você se importaria...?

— S-Sim! Quer dizer, n-não! E-Eu... — É claro que ele tinha que se atrapalhar. O garoto respirou fundo, tentando se recompor, mesmo que seu rosto estivesse queimando. — Por favor. — Sua voz saiu mais fraca do que planejava, mas o corvino pareceu entender.

Shouto se aproximou e segurou o rosto de Izuku com uma das mãos, enquanto erguia o ramo de visco com a outra sobre as suas cabeças. O grifinório fechou os olhos e deixou que seus lábios se tocassem suavemente.

Izuku se sentiu como se estivesse sob o efeito do feitiço Ossio Dispersimus; suas pernas ficaram bambas, e teve que se segurar nos ombros de Shouto para garantir que não cairia. Como resposta, ele desistiu de sustentar o visco acima deles e abraçou sua cintura, erguendo seu queixo para que pudesse entreabrir os lábios e aprofundar o beijo.

O contato se quebrou quando eles ouviram o som de um feitiço sendo lançado e a voz do Professor Aizawa resmungando “Menos vinte pontos para a Lufa-Lufa”. Izuku e Shouto se entreolharam. Se não se apressassem, seriam pegos. A Grifinória já estava quase perdendo para a Sonserina na Taça das Casas, se perdesse um mísero ponto que fosse, seus companheiros de casa iriam fazer questão de arremessá-lo contra o Salgueiro Lutador sem sua varinha.

Antes de se separarem, Shouto lhe deu um último selinho — que o derreteu completamente — e sorriu de canto.

— Feliz Natal, Izuku.

Izuku ouvia o som distante da última música tocar no Salão Principal. Ainda não era meia-noite. Pensando que, definitivamente, aquele era o melhor presente que poderia ganhar, o garoto encostou suas testas e correspondeu ao sorriso.

— Feliz Natal, Shouto.


►♦◄


Notas finais:

Uff, finalmente! Me desculpem pelo tamanho, eu me empolguei além da conta. Espero que tenham gostado, porque eu gostei! Amo um fluffyzinho TodoDeku, nunca neguei.

Obrigada por ler, e feliz Natal! Tsuki-san ama vocês <3

24 de Diciembre de 2019 a las 19:59 0 Reporte Insertar Seguir historia
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Fin

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Tsuki Miko Escritora nas horas vagas, otaku em tempo integral. Ela/Dela ♀.

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