polly_nyah Polly Paiva

Eu olhava em seus olhos e de certa forma podia ver sua tristeza. Um vazio gritante e um passado cheio de sangue. Eu não queria que fosse ele, eu não queria ser o escolhido e também não queria fazer parte de nada disso. Eu não posso matá-lo, eu não conseguiria mesmo que quisesse. Não fui treinado para destruir meus sentimentos. xxx (fanfic também postada no Wattpad e Social Spirit)


Fanfiction Bandas/Cantantes Sólo para mayores de 18.

#suspense #monsters #halloween #vampiro #lemon #vkook #taekook #kookv #luta #ação #lobisomen #monstros #caçador #clã #híbrido
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Capítulo único

Todo o clã Jeon vem zelando pelo bem-estar de todas as pessoas a muitos e muitos anos. Todos os ancestrais e os que hoje estão presentes - alguns em especial - nasceram com este fado, e é o dever de cada Jeon cumprir com a tradição.

O mundo em que vivemos nunca fui tão normal assim como muitos creem. Há muito mais do que os olhos podem ver, e apenas algumas pessoas são privilegiadas - ou não - com este dom.

O clã Jeon tornou-se encarregado de proteger todos que vivem nesta cidade. Apesar de a mesma ser pequena com pouco menos de duas mil e poucas pessoas, o mal espreita aqui. Todos os anos em todos os Halloweens um ou dois membros do clã Jeon é designado a proteger todos no mês de outubro, principalmente na noite de halloween, que é quando todos estão livres para fazer o que quiserem.

Lendas existem, e são muitas. Na verdade, noventa e nove por cento de todos os fatos relatados são mentiras sem base. Qualquer pessoa normal vai dizer isso: “apenas contos”; “São lendas urbanas”; “Isso não é real”, e eu entendo o lado delas, qualquer pessoa sã vai firmar este conceito, porque ‘cá entre nós, acreditamos no que vemos, no que estamos acostumados a conviver, e esse ‘lance de vampiros, zumbis e fantasmas são apenas coisas criadas pelo próprio homem com intuito de não sei o que.

Quando um membro do clã Jeon chega aos seus 20 anos ele é designado a zelar por toda família na noite de Halloween como um rito de passagem, deixando a casa 19 e se mudando para 20. É bem complexo, confesso, na verdade eu nunca almejei isso tudo para minha vida. Eu só queria ser um garoto normal, que sai com os amigos, joga bola, namora, enfim, essas coisas que todos os adolescentes fazem. Eu jamais saberia de toda a história do clã Jeon caso eu não tivesse nascido com os olhos na tonalidade cinza, os que vêm ao mundo com esses olhos, são destinados a lutar e proteger a todos, por todos os dias de sua vida, enquanto viver aqui. O significado disto, não sei lhes esclarecer toda veracidade, até porque sou novo nesse mundo do “sobrenatural”, mas vou me esforçar para explicar o pouco que sei.

Caçadores. É assim que nós nos denominamos. Todos os membros do clã Jeon que nascerem com estes mesmos olhos que eu, se tornam caçadores, os guardiões da paz, soa meio tosco esse nome, mas é assim que relataram para mim, e isso é um grande orgulho dentro da nossa família. “Os olhos que tudo vê”, é assim que me foi dito. Nós podemos identificar os inimigos por mais que se escondam, esses olhos são os únicos capazes de achar com toda certeza as criaturas que matamos...lobisomens, vampiros e outros monstros. Resumindo, eu posso identificar uma criatura sobrenatural mesmo que ela se pareça com um humano, e até onde sei é assim, eles estão vivendo entre nós, e meu dever e do meu clã é eliminar tudo que não tiver alma, ou sangue em seu corpo... monstros.

Pelo que me foi dito, meu tataravô quando já tinha seus 24 anos lutou e matou dois vampiros extremamente fortes que estavam devastando toda cidade, que já foi um lugar bem grande, naquela época. O casal, sendo um homem e uma mulher já residiam aqui, por quanto tempo eu não sei lhes dizer. A batalha deles foi algo épico, todos no nosso clã contam essa história para seus filhos e netos, assim como fizeram comigo. Meu avô e dois irmãos dele morreram por todos nós, para nos proteger deles. E depois disto na nossa família foi escolhido que em todos os aniversários de 20 anos a criança que tivesse os olhos cinza herdados dos nossos ancestrais tornar-se-ia de imediato o novo caçador. Foi o que aconteceu comigo. Algumas pessoas herdaram esse dom de nossos ancestrais, essas pessoas se tornam caçadores.

Há alguns poucos anos meu clã enfrentou algum ser sobrenatural, e já faz tempo que não relatam a existência de mais nenhum ser desta raça em nossa cidade ou nas redondezas. Pelo que percebi com a noção de que há caçadores nesta região, todos os seres – monstros - se afugentaram daqui, assim deixando a paz reinar em nossa cidade. Então assim como me foi dito por meus pais, eu não preciso mais me preocupar em enfrentar algum lobisomem ou vampiro, ou qualquer outra coisa, porque a mais de 20 anos nenhum destes monstros tirou a vida de um humano, não em nossa cidade.

Por causa destes olhos incomuns sou obrigado a usar lentes de contato na cor preta, para que nenhuma criatura me identifique antes que eu faça o mesmo com ela, e ‘cá entre nós, olhos cinzas é uma coisa bem incomum ‘né, fala sério.

Eu levo uma vida normal, fora esse pequeno detalhe que acabei de descrever. Não normal da forma que eu queria, mas do meio que me é permitido viver. Eu estudo, tenho alguns amigos e ás vezes até vou a uma ou duas festas, mas é algo muito raro, meus pais têm medo que algo ruim possa me acontecer por eu ser uma das “crianças” especiais, já eu não esquento a cabeça com isso, a muito tempo a cidade vive em paz, porque só agora algo ruim iria acontecer logo próximo ao meu rito de passagem? Seria muito azar.

Apesar de faltar alguns dias para meus 20 anos, eu como bom adolescente estudioso já estou no meu primeiro ano de faculdade. É bem empolgante e diferente do que pensei que seria. Por muita sorte eu e Jiminnie que temos sonhos parecidos estamos estudando artes cênicas juntos. Fiquei empolgado quando soube que teríamos aulas juntos, é bom conhecer alguém quando se começa algo totalmente fora do comum na nossa rotina.

Mês que vem é o tão esperado HALLOWEEN, que para mim não é tão esperado assim. Todos por aqui na universidade estão eufóricos porque vai acontecer o baile de Halloween como de costume e tradição. Todos estão a todo vapor por aqui, nesses últimos dias para falar a verdade não estudamos quase nada. Esse baile está ocupando a cabeça de todos com a decoração, fantasia, DJ’s, o baile em si, a coroação - que acho bem tosco – e esse monte de coisa do tipo. Eu acho bem chato tudo isso, além de ser o dia da minha passagem para a fase adulta, é o dia em que o mal se revela, o dia mais perigoso do ano é dia em que nasci, irônico não?!

O Jimin insistiu com aqueles olhos pidões e eu não pude negar, ele ´tá doido pra escolher logo sua fantasia pro baile e a minha também, apesar de esta pessoa – vulgo, vos fala - afirmar com todo certeza que não irá comparecer.

Não que eu seja aquele cara chato que não curte sair com os amigos e tal, mas porque nesta noite em especial eu realmente não vou poder me distrair com nada, neste dia meu único comprometimento é em zelar pela segurança de todos. O chato é que eu não posso nem explicar com veracidade ao meu melhor amigo o porquê eu não vou poder ir ao baile. Seria bem legal, ele até disse que a festa seria como se fosse minha festa de aniversário - irônico não?.

- Ei Kook, me ajuda a achar uma de vampiro, larga esse jogo idiota de corrida, você é viciado nisso aí, nunca vi alguém assim! –Falou pegando meu celular

- Eii, hyung me devolve meu celular. Eu estava quase ganhando a corrida... –Falei choramingando, mas não fez efeito nele.

- Não! Primeiro vamos procurar duas fantasias fodásticas, e quando acharmos eu te entrego.

- Mas hyung, já alugaram todos as legais, não sobrou quase nada. – Resmunguei o seguindo pela loja.

- Com certeza deve ter uma, seria muito azar nós dois ficarmos sem fantasia em pleno Halloween, ‘né?! Pelo amor de Deus.

- Hyung, eu já te disse que eu não vou poder ir ao baile, meus pais são contra e nesse dia vamos viajar e....

- Corta essa Kook! Você vai fazer 20 anos garoto. Não é mais uma criança. Já pode muito bem se cuidar sozinho, deixe que eles façam essa viagem, eu já te disse que pode ficar lá em casa.

- É complicado hyung, meus pais são muito tradicionais. Você sabe que nesse dia não vai dar. Eu realmente preciso acompanhar eles e....

- E o que, amarelão? Qual a desculpa dessa vez? Hein... Kookie?

Naquele momento eu não conseguia raciocinar mais nada, porque a pessoa por quem venho sentindo “certa atração”, acabava de entrar na loja de fantasias. Ele estava bem vestido como sempre, calça de couro na cor preta, camisa branca aberta até três botões, suas botas da cor bege, incrivelmente lindo e com o cabelo castanho escuro na altura das sobrancelhas.

- Kook seu idiota, você ‘tá babando. –Falou Jimin se pondo a minha frente.

- Oi? –Respondi secando o canto dos lábios.

- Toda vez que você olha para esse garoto metido fica assim, retardado. Disfarça pelo menos. –Articulou voltando a caçar algo de seu agrado.

- Eiii, ele não é metido hyung.

- Não, imagina. Ele conversa com todo mundo, inclusive já até disse bom dia pra você. –Retrucou com sarcasmo.

- Por que não gosta dele hyung? O que ele te fez?

- Eu só não fui com a cara dele. O babaca se tornou o garoto mais metido do instituto desde que foi transferido para ´cá no mês retrasado. Esse Taehyung não vale a pena Kookie, ele anda com o Yoongi e o Hoseok, eles não valem nada e você sabe disso.

- Eu sei disso hyung, não é como se eu gostasse dele, só o acho bonitinho, só isso.

- Sei! Quer saber, vamos em outra loja, esse daqui não tem nada que me interesse.

- Mas... mas hyung eu....

Nem pude concluir a palavra, antes mesmo de ser arrastado para fora da loja tenho certeza que vi um sorriso brotar no canto dos lábios de Kim Taehyung, e tenho mais certeza ainda de que ele estava sorrindo para mim... ou rindo de mim, qualquer uma das opções é válida e estou aceitando.

Kim Taehyung é um garoto bem popular na faculdade, sei que está cursando direito e que todos os veteranos gostam muito dele, o que é bem estranho, pois os calouros são sempre as vítimas, e ele mal chegou aqui e já anda com os veteranos. Dizem que ele veio da Califórnia, outros falam que ele estava por aqui a um bom tempo e só agora iniciou os estudos, na verdade eu não ligo para o que dizem, só sei que de alguma forma esse garoto me fez ficar extremamente curioso em relação a ele.

Na vila da minha família, todos só falam nos preparativos para minha consagração. Eles todos estão muito empolgados, menos eu. Na faculdade escuto falarem do Halloween, em casa a mesma coisa, só que os desígnios são completamente contrários. Minha cabeça anda a mil, os treinos na floresta me deixam completamente exausto, mais é algo necessário, todos os escolhidos têm que passar por isso, são com esses treinos que aprendo a me defender do que for preciso. Hoje inclusive tenho treino na floresta com tio Lee, então vou ter que deixar o Jiminnie procurar sozinho por sua fantasia já que não posso me atrasar. Meu tio disse que tem um presente para me dar, e eu quero muito saber o que é.

- Jiminnie hyung, eu realmente preciso ir agora. Meu tio e eu temos um compromisso e eu não posso me atrasar. Você me perdoa?

- Tudo bem! – Suspirou – Mas amanhã vamos procurar uma fantasia e você vai me prometer que vai tentar aparecer lá no baile. Promete? – Pediu estendendo o dedo mindinho em minha direção.

- Jiminnie eu já te expliquei tudo e eu....

- Promete Kookie, por favor! Faz uma forcinha vai!?

- Tudo bem, eu prometo que vou tentar convencer meus pais. – Cruzei meu dedo mindinho com o dele para poder sair logo. - Agora preciso ir. Até amanhã.

- Até, não se esqueça de pedir a eles! – Gritou por eu já estar um pouco longe.

- Ok!!! Tchau.

Após uma curta corrida até minha casa, me troquei o mais rápido que pude e coloquei minha roupa dos treinos. O tempo estava bem calmo, uma leve brisa deixava tudo em plena paz. Caminhei alguns minutos até avistar meu tio sentado de frente a uma grande árvore meditando.

- Sensei me desculpe à demora, não acontecerá outra vez. – Proferi me curvando em forma de respeito.

Meu tio se levantou virando-se para mim, como um reflexo fez o mesmo que eu e sorriu fraco após o ato.

- Tudo bem pequeno Jeon, eu tenho todo tempo que você precisar. Nossos treinos estão chegando ao fim. Em breve você passara pela cerimônia do caçador, e não carecerá mais de meus conselhos, você será seu próprio mestre.

- Vou sentir falta tio, digo, sensei. O tempo é mais aproveitado quando estou aqui com o senhor adquirindo mais conhecimentos. O senhor é um homem muito sábio.

- Você também é um jovem sábio. Um jovem especial, você tem seus méritos. Eu me orgulho de você.

- Obrigado sensei. – Pronunciei me curvando sorrindo por suas palavras.

- Jeon! Olhe para mim.

Assim o fiz.

- Eu disse que tinha um presente para você, vou lhe entregar agora. Mas antes quero que saiba. Não é um brinquedo, não é algo que possa mostrar a seus amigos, nem a ninguém que não seja do clã. É um objeto de extrema importância neste período em que está vivendo. Será a sua arma para se defender e proteger as demais pessoas que vão precisar de você. Sente-se por favor, tenho que lhe contar uma coisa.

- Sim. – Respondi fazendo o que me foi pedido.

- Todos a um bom tempo vêm passando a você segurança, força, para que consiga evoluir sem medo de nada. Sim, fizeram certo. Manter-te forte e firme é minha missão, a deles é zelar pelo seu bem, te trazer boas forças.

- Sim sensei, mas... o que o senhor está tentando me dizer? Eu não compreendo. Desculpe.

- Tudo bem, vou ser mais claro com as palavras.

- Obrigado.

- Estão omitindo algo de você. Ser um caçador, ser o escolhido não é tão seguro quanto você imagina.

- Como assim tio?

- Todos te disseram e ainda dizem que vai ser apenas uma cerimônia de passagem e que a muito tempo não houve casos de monstros na cidade, essa parte é verdade, porém eles te ocultaram um detalhe extremamente importante.

- Mentiram para mim? Sobre o que mentiram? – Perguntei pasmo.

- Não exatamente meu jovem se acalme. Veja bem. Seus treinos Jeon, não são por nada. São necessários para o que você vai enfrentar, e dessa vez é sozinho, porque você foi a única criança a nascer com esses olhos.

- M-mas o que tudo isso? E-eu não entendo tio...

- Jeon, o rito de passagem acontece quando uma criança dos olhos cinzas, o novo caçador, completa seus 20 anos. Você completa essa idade em pleno dia 31 de outubro, o dia em que o mal se torna mais forte. Este é dia mais perigoso de todo ano para nós que lutamos contra esse mal - contra monstros. Eles vão procurar por você Jeon, eles vão querer mata-lo. Precisa ser forte e deixar seus instintos fluírem. Seu interior, sua essência. Sua força. Tudo vem aqui de dentro. – Fala colocando a mão sob meu peito - Seu coração é a chave, precisa deixar ele te guiar.

- Está me dizendo que eu vou sim ter de lutar? Essa história de que nossa cidade está segura era mentira?

- Não foi isso que eu disse Jeon. Você cresceu sabendo que talvez um dia teria de lutar com algum destes monstros, não sabia?

- Sim, mas eu não esperava por isso agora. – Falei tentando entender tudo.

Levantei-me atordoado só de pensar em tudo aquilo, eu ainda estava digerindo cada palavra, mas o pouco que entendi me fez perceber que nada é da forma que pensei que iria ser. Minhas mãos suavam e eu tremia, meu coração estava a mil. Meu tio se levantou e veio até mim, parando em minha frente.

- Jeon...

- ...

- Jeon, olhe para mim.

Assim o fiz depois de uns segundos absorto em meu âmago atordoado.

- Não tenha medo, você nasceu para isso. É seu destino. Você vai encontrar sua verdadeira coragem quando matar um desses monstros. Você precisa, faz parte da sua passagem. De alguma forma ainda desconhecida para o clã, esses monstros souberam da existência de um novo caçador. Isso quer dizer que no dia 31, que é quando todos ficam mais forte, eles vão vir atrás de você. E vão tentar te matar.

- Sensei. E-eu não... eu n-não quero morrer. –Sussurrei abaixando o olhar.

Senti suas mãos me puxarem e seu braços me acolherem enquanto afagava me cabelo.

- Você não vai morrer Jeon Jeongguk! Eu treinei você com toda minha sabedoria e experiência. Eu tenho fé que você irá conseguir.

- Mas se eu falhar? – Perguntei secando as lágrimas.

- Você não irá. Eu confio em você. Você consegue. Só você pode proteger a todos. É seu destino.

- Eu vou me esforçar, eu prometo sensei.

- Agora eu posso dar-te o presente que prometi.

O mais velho se afastou pegando dentre as raízes da árvore algo enrolado em um pano. Aproximou-se sorrindo.

- É sua Jeon. Vai te ajudar nos momentos difíceis.

- Obrigado sensei.

Me curvei e só depois desenrolei aquele pano descobrindo o que era meu presente.

- Uma... katana. - Falei surpreso.

- É sua. A mais forte e única katana que existe. Nada pode quebrar sua lâmina. É parte de você agora Jeon. De seus antepassados para você. Cuide bem da mesma. Essa katana já presenciou muitas batalhas. Foi muito importante dentro desse ciclo de guerras entre caçadores e monstros. Seu tataravô estava com ela na noite em que aniquilou o casal de monstros que estava devastando nossa cidade. Espero que não precise utilizar a mesma, mas se for necessário, sei que fará com êxito e cumprirá sua missão.

- Tudo ainda é muito confuso para mim sensei. Faltam poucos dias para meu aniversário, e eu, eu ainda estou confuso, são tantas coisas, tanta história, tudo me deixa muito confuso e de certa forma assustado. – Confesso abaixando a face.

- É compreensível seu estado, sei que são muitas informações. Por isso estou te liberando do treinamento hoje. Vá para sua casa e descanse. Precisa de um tempo para colocar tudo no lugar. Tudo bem?

- ´Tá bom. Até amanhã sensei.

Os dias correram de uma forma absurda, mas enfim, o grande dia chegou.

Minha turma ficou depois do curto período de aula para organizar as últimas coisas. Tudo estava a todo vapor nesses últimos dias, o baile de halloween, os preparativos para a minha cerimônia, a decoração da quadra de basquete que é onde vai ocorrer a festa, e meus treinos, tudo bem corrido e difícil de se reger, mas eu precisei alcançar.

Já era noite, e tudo aqui em nosso condado estava mais agitado que o normal. Meus pais estavam bastante orgulhosos e animados, já eu nem tanto.

Nada de diferente incidiu, nenhuma morte nem nada do tipo, o que me deixou abrandado de certa forma. Pelo que me foi informado, hoje é um dia extremamente perigoso, mas ao meu ver está tudo em completa paz como sempre foi, e por esse motivo eu resolvi que irei comparecer ao baile de halloween, vai ser rápido, só para não ter de tolerar o Jimin-hyung me enchendo depois.

- Filho venha, estão todos lhe esperando.

Deixei meu quarto e segui junto a minha mãe, agora faltava pouco para tudo se concretizar. Nem sinto que estou completando meus 20 anos. Eu deveria me sentir diferente?

Todo o nosso clã estava reunido, tudo foi feito de forma discreta mais proveitosa para todo clã. Ouvi vários conselhos e histórias dos mais velhos. Ganhei muitos abraços de minha mãe que insisti em me tratar como bebê e continuei ouvindo mais outras coisas.

O rito estava concretizado.

Tudo que foi preciso ser passado para mim nesta noite já estava finalizado. Agora todos estavam reunidos falando sobre meus esforços e me comparando com meu avô. Aproveitei-me deste momento nostálgico que minha família estava vivendo e sem ser notado me afastei deles. Fui até minha casa e rapidamente me vesti, como não aluguei nenhuma fantasia, me vesti ao meu modo mesmo.

O local do baile não ficava muito longe então não me preocupei em tomar um táxi, fui com minhas próprias pernas. Mesmo ainda distante já conseguia ouvir o som alto vindo da quadra do campus. Algo em meu peito estava o aquecendo, de alguma forma estar chegando no baile me deixou de certa forma animado, o porquê eu não sei já que nem queria comparecer aqui esta noite.

Vários carros estavam estacionados na entrada do campus. Várias pessoas iam e vinham eufóricas. Todos fantasiados e bregas - na minha opinião, claro. E eu meio que fiquei perdido em meio a tanta gente junta, adentrei o salão que estava lotado. A decoração que fizemos realmente ficou incrível, o globo de luz ficou no local exato e as luzes coloridas ficaram demais. Foi bem complicado deixar tudo perfeito, realmente olhando agora tudo pronto, me sinto orgulhoso, pois ajudei bastante em toda organização.

- Pensei que não fosse mais chegar Kookie.

Me virei já sabendo de quem se tratava aquela voz manhosa. Jimin-hyung estava vestido de Charlie Chaplin, ele realmente ficou engraçado, e suas bochechas ficaram ainda maiores.

- Você ´tá engraçado hyung. – Falei segurando o riso.

- Eu estou deslumbrante, admita Kookie. Você que está fora dos padrões. Qual parte do “festa a fantasia” você não entendeu? É halloween Kookie, o mínimo que deveria ter feito era vir fantasiado.

- Me desculpe, hyung. Não consegui encontrar algo de última hora. Só conseguir sair de casa agora. Já são o que, onze e meia? – Questionei procurando algum relógio.

- Dez e cinquenta e sete para ser mais exato. – Retrucou Jimin guardando o celular.

- Realmente me atrasei um pouco.

- Eu te desculpo, mas só se vier beber algo. Vamos nos divertir, é Halloween e seu aniversário! Vem, vamos pegar umas bebidas.

Fui levado por Jimin em meio àquela multidão de pessoas fantasiadas. A mesa com as bebidas estava do outro lado então não tinha como evitar aquele caminho. Algumas garotas paravam o Jimin hyung no meio do caminho e outras até tentavam chamar minha atenção, mas eu não estava atento em mais nada após ter meus olhos fixados naquele ser extremamente perfeito trajando uma fantasia de vampiro... Kim Taehyung!

Eu não sei o que vem acontecendo comigo mas sei que desde o primeiro momento em que o vi algo em mim mudou. Eu não consigo parar, não consigo disfarçar, não consigo fazer nada. Me sinto extasiado apenas por ver ele sorrir ou falar. Eu não sei o que esse garoto fez comigo, mas sei que ele realmente consegue prender minha atenção apenas para ele.

- Oppa, não vai me responder?

Uma voz fina e irritante me fez acordar daquele momento tão sublime, e a figura da pequena garota fantasiada de fadinha se pôs a minha frente atrapalhando meu momento de comtemplar aquele belo ser.

- O que? O que você disse? Espera, para onde o Jimin hyung foi? – Perguntei mais para mim mesmo que para a garota.

- Ele foi dançar com a Min, ele até te falou.

- Ah, eu não prestei atenção. – Falei coçando a nuca.

- Percebi, oppa. –Respondeu dando uma risada tímida, que no momento me pareceu bastante irritante. - Mas e então, você não vai querer vir?

- Vir? Aonde?

- Dançar comigo, oppa.

- Ah... dançar? Eu confesso não ser muito bom nisso. Mas podemos procurar algum lugar para sentar e podemos conversar e...

- Fala sério! Eu não vim até o baile para me sentar em um canto e ficar conversando com você. No mínimo você deveria me beijar e passar a noite comigo! Sua proposta é ridícula! – Gesticulou irritada.

Olhei para a garota incrédulo. Ela realmente estava me pedindo para agarrar ela? Fala sério!

- Ridículo é sua atitude garota. É tão fácil assim à ponto de se jogar para cima de mim? Sinceramente. Mesmo que eu me interessasse por garotas, o que não é o caso, não ficaria contigo, você não faz o meu tipo. Aproveite a festa. – Virei-me a deixando sozinha e surpresa com minhas palavras.

- Quer saber? Que se foda você Jeongguk, eu consigo alguém melhor. – Gritou tentando chamar minha atenção.

Realmente, eu já não estava mais tão animado quanto antes. A voz irritante daquela garota acabou com qualquer resquício de entusiasmo que pairava em mim.

Continuei o caminho que Jimin interrompeu para dançar com uma garota qualquer, e consegui encontrar a mesa de bebidas. Procurei por copos e peguei o primeiro que encontrei, alguém havia o abandonado ali então não me dei o trabalho de procurar o dono. Preenchi o recipiente com a primeira bebida que encontrei - licor de cereja - e dei um longo gole.

- Woah! Isso queima. – Sussurrei para mim mesmo.

- Não aguenta algo tão fraco?

Uma voz rouca e gostosa questionou atrás de mim. Virei-me para a pessoa que chamou minha atenção me deparando com quem menos esperava.

- Taehyung... –Sussurrei.

- Olá Jeongguk, tudo bem?

- Si-Sim.

- Que bom. Porque está sozinho aqui?

- Eu estava com o Jimin hyung, mas ele... sumiu. – Falei procurando Jimin com os olhos.

- Quer dançar?

Sua pergunta repentina me fez ficar estático, porém acabei sorrindo sem nem perceber. O mesmo sorriu para mim me puxando pelo pulso. Me deixei ser guiado por aquela figura perfeita ao meu ver e logo estávamos no meio da pista de dança sendo espremidos por outros estudantes fantasiados. Seu corpo estava bem perto do meu.

- Porque veio a uma festa fantasia, sem uma fantasia? – Indagou intrigado enquanto dançava.

- Eu decidi de última hora vir aqui e acabei ficando sem uma. Não sei como o Jimin conseguiu achar algo. – Falei rindo pensativo sobre o que disse.

- Talvez ele tenha achado aquele dia na loja de fantasias depois que você foi embora.

- Como você... espera, você estava lá ´né? Você nos viu na loja? – Indaguei o obvio, porque estava meio nervoso.

- Sim, você não parava de olhar para mim. – Soltou me deixando vermelho.

Desviei os olhos envergonhado, não imaginei que ele tivesse me notado, eu sempre pensei estar sendo discreto ao meu ver.

- Desculpe. As vezes faço as coisas sem perceber. – Respondi com a primeira coisa que me veio à mente.

- Não tem problema, eu também estive observando você. – Proferiu olhando fixamente em meus olhos.

- Por que?

- Porque você tem me atraído de uma forma inexplicável, algo em você é diferente, e eu preciso muito descobrir o que é... – Sussurrou a última parte acabando com qualquer espaço que havia entre nós.

Seu hálito quente batia em meu rosto. Suas mãos agora estavam pousadas em meu quadril, e seus olhos viajavam fundo nos meus. Seu rosto foi se aproximando e eu permaneci parado, tudo ainda estava sendo digerido por mim, mas em câmera lenta. Só me dei conta do que estava acontecendo quando senti seus lábios tocarem os meus. Macio, leve, gostoso, é assim que posso descrever uma parte que tanto admirei no Kim.

Selares tímidos foram depositados e devolvidos. Me deixei levar pelo momento e comecei a corresponder seu carinho.

A música alta e sensual só contribuía mais ainda para o momento em que estávamos partilhando. Sua língua tocou meu lábio pedindo passagem, que eu cedi no mesmo instante. O gosto doce e cítrico do licor só deixou tudo bem mais interessante entre nós. Nossas línguas dançavam no mesmo ritmo.

Minhas mãos já estavam pousadas no corpo alheio, uma em sua nuca e a outra em seu peito. Suas mãos ágeis não se contiveram apenas em minha cintura, desceu e subiu por minha costa. Suas unhas curtas me arranhavam ainda que por cima da camiseta, um pouco forte, mas prazeroso.

O ósculo se encontrava bem mais acelerado agora, e apenas arranhar sua nuca não estava sendo o suficiente. Desci minhas mãos entre nós, aproveitando para sentir com os dedos seu abdômen pouco definido.

Taehyung não ficou para trás com suas caricias. Sua mão esquerda adentrou minha camiseta, e seus dedos gélidos se arrastaram por minha pele até pararem onde ele realmente queria, meu mamilo que já se encontrava tenro. Seu toque me fez quebrar o ósculo no mesmo instante, eu já havia ficado bastante excitado, após sentir seus dedos me tocarem não contive um baixo gemido.

- Ahh...

- Já está excitado, Jeon? – Perguntou rente meus lábios sorrindo ladino.

- V-você me deixou assim. – Sussurrei ainda de olhos fechados.

Mesmo tendo parado o beijo as mãos de Taehyung prosseguiram a me acariciar lentamente enquanto o mesmo ora mordiscava meus lábios, ora deslizava a língua por minha mandíbula.

- Eu posso resolver isso, se você quiser. – Sussurrou mordendo meu lóbulo aumentando a intensidade da carícia em meu mamilo.

- S-sim... eu quero. – Respondi ofegante.

Vi o mesmo sorrindo e me levando pelo pulso e assim deixamos o salão do baile. Fomos em passos mais apressados até estarmos no estacionamento, que estava vazio por conta de todos estarem curtindo a festa lá dentro.

O local era ao ar livre, o clima estava ótimo, bem fresco. Nem tive muito tempo de observar o local, pois fui surpreendido com Taehyung me prensando em um carro qualquer, tomando meus lábios em um beijo afoito.

O ósculo se tornou bem mais sensual, a pegada bem mais forte que o normal. Sua boca parecia querer me devorar.

Vezes seguidas senti seus dentes puxarem meu lábio inferior sem medo algum de me machucar. Um pouco doloroso, mas muito gostoso. Suas mãos me tocavam com rapidez e possessão. Fortes apertos na cintura de forma abrasiva e alguns puxões de cabelo bem dolorosos.

Assim que o ar me fez falta rompi o contato tentando sorver um pouco de ar, mas Taehyung não parou, ele parecia realmente me desejar.

Sua boca deslizou por meu maxilar chegando ao pescoço. Senti seus dentes rasparem em minha pele e então sua boca me tocar, primeiro um selar carinhoso, depois uma forte mordida me fazendo gemer, o que pareceu o excitar mais ainda, pois isso só o fez continuar com as carícias intensas. Seus lábios resvalavam me fazendo eriçar e então novamente seus dentes mordiscavam minha tez, ele parecia tentar se conter, ou talvez seja só impressão, mas não parava de mordiscar meu pescoço, até dar uma mordida um pouco mais forte em meu ombro.

- Aah! – Gemi pela dor. - Calma aí Taehyung, ´tá me mordendo muito forte.

- Desculpe. – Respondeu tentando normalizar a respiração. - É que você é tão gostoso. – Sussurrou deslizando o dedo sobre meus lábios.

Fiquei envergonhado com sua confissão, mas não vou negar que gostei. A melhor coisa do mundo para mim era ser desejado por Kim Taehyung e tudo que eu queria era continuar o que começamos.

- Quer saber, faz o que você quiser. Isso ´tá muito bom ‘pra gente parar.

Taehyung sorriu apertando minhas nádegas entre os dedos. Aproximou sua boca da minha puxando meu lábio entre dentes.

- Só geme meu nome bem alto.

Senti uma corrente elétrica brotar no meu dedo do pé até chegar na minha cabeça e voltar para meu ventre. Na mesma hora meu membro pulsou implorando por atenção, eu já não estava mais aguentando aquele aperto e deixei outro gemido escapar, fazendo Taehyung sorrir satisfeito em me ver tão sensível. Sua mão direita deslizou entre a gente parando acima do volume que se formou dentro da minha calça. Assim que apertou de leve meu membro fechei os olhos gemendo ante sua boca.

- Tão sensível... eu deveria chupar você, Jeongguk? Deveria bater uma para você, hum? Me diz o que te agradaria mais. Me diz o que você quer pequeno Jeon.

- Por favor...Tae-Taehyung... Ahhh, me chupa. Por favor.

O mesmo mordeu meu queixo e foi trilhando com mordidas, meu pescoço, ombro, deslizou a boca por cima de minha camiseta até estar de joelhos de frente a mim.

Seus olhos buscaram os meus enquanto abria minha calça, desceu o zíper bem devagar passando a língua sobre os lábios sorrindo maroto. Logo minhas calças já estavam nos tornozelos e seus dedos deslizavam por cima da minha box, em reação eu pendia a cabeça para trás mordendo os lábios em contentamento.

Senti seus dedos gélidos deslizarem por minhas coxas levando consigo minha boxer branca. Me senti um pouco aliviado por ele ter libertado meu membro, mas ainda assim, eu precisava ser tocado, e como se ele decifrasse pensamentos envolveu meu membro com uma mão fazendo lentos movimentos de vai e vem.

Suspirei pesado me apoiando no capô do carro e abri meus olhos abaixando o olhar até encontrar os de Taehyung. O mesmo sorriu aproximando os lábios do meu membro deslizando a língua sob o mesmo e gemi alto com seu ato pornográfico e excitante. Minhas pernas já não estavam tão firmes como deveriam estar - logo sua língua tocou minha glande me deixando mais excitado.

- Aaaah Taehyung...

O mais alto sorriu envolvendo minha intimidade em seus lábios. Logo pude sentir o calor da sua cavidade bucal abrigando meu membro em um vai-e-vem ritmado e gostoso - Taehyung estava arrancando gemidos de mim que jamais imaginei fazer. Sua boca trabalhava bem e seu dedos apertavam e arranhavam toda minha coxa.

- Tae-Tae... ahhh, mais, mais rá-rápido. Por favor, Taehyung.

O mesmo aumentou a velocidade e eu poderia gozar só por ver ele pagando um boquete para mim, mas estava me segurando ao máximo na expectativa do que emanaria a seguir. Seus dedos ágeis deslizavam por entre minhas pernas arranhando a parte interna de minhas coxas enquanto sua boca aumentava o vai-e-vem deleitoso. Senti meu corpo todo tremer e sabia que estava perto de gozar então coloquei as mãos na cabeça de Taehyung puxando seu cabelo apenas para o afastar.

- Eu-eu vou gozar Taehyung.

- Ainda não.

O mais alto sorriu e se levantou resvalando os dedos por minha epiderme até deixá-los pousar sobre meu quadril. Seus lábios buscaram os meus em mais um beijo excitante e então de uma forma bem rápida Taehyung girou o meu corpo me fazendo deitar sobre o capo daquele carro desconhecido. Ele não foi muito gentil e doeu quando ele acertou a minha cara no carro, mas fora isso, dá para relevar.

Suas mãos levantaram minha camisa até os ombros, não fez questão de tirar apenas deixou ali tendo mais acesso a minha pele.

O mesmo se debruçou sobre mim beijando e mordendo cada centímetro da minha costa nua.

Novamente as mordiscadas fortes vieram, isso me fazia gemer sôfrego, o que parecia o excitar ainda mais, pois ele só aumentava a força exercida no ato doloroso e ao mesmo tempo gostoso. Sentia claramente o membro duro de Taehyung em minha bunda, já que o mesmo pressionava o quadril em minhas nádegas. Gemi manhoso já não aguentando mais tanta demora, e Taehyung pareceu entender minha necessidade em tê-lo dentro de mim naquele momento.

- Taehyung... – Gemi seu nome me segurando para não gozar.

- Pede Jeon, diz ‘pra mim o que você quer. – Gemeu no meu ouvido sussurrando cada palavra.

- Por-por favor. Taehyung, me fode. Por favor. – Implorei ansioso e constrangido.

Taehyung depositou um selar na minha nuca e se colocou ereto novamente, me mantendo deitado sobre o capo do carro empinado para ele. Pude ouvir o som do mesmo desabotoando a calça em seguida descendo seu zíper. Uma ardência repentina me fez choramingar quando o mesmo desferiu um tapa forte em minha nádega.

- Aah!! – Gritei um pouco alto.

- Isso, quero ouvir você gemendo bem alto Jeon.

Taehyung segurou meu quadril com a mão esquerda e com a direita posicionou seu membro em minha entrada. Pouco a pouco foi me penetrando a seco mesmo, porém desta vez não foi tão bruto, foi colocando com calma e cuidado.

Vez ou outra segredava coisas desconexas que eu não conseguia compreender, e a dor atrapalhava bastante. Assim que estava totalmente dentro de mim ouvi o mais alto respirar pesado. Ele realmente parecia se conter ou sei lá, querer acabar com tudo logo, não sei dizer.

Apenas me distrai com suas mãos percorrendo por minha costa arranhando vez ou outra até chegarem em meus ombros, dessa forma me puxou apenas para que colasse a costa em seu peito ainda vestido. Seus lábios roçavam em meu pescoço apenas respirando em minha tez.

Seus lábios de uma forma desengonçada procuraram pelo meu e iniciamos um beijo lento. Aquele gesto me fez relaxar e me sentir mais seguro, não sei se essa era a intenção mais conseguiu me acalmar. Logo o corpo de Taehyung começou a se mover lentamente, e novamente Taehyung sem delicadeza alguma me empurrou contra o capo. Suas mãos pousaram na minha cintura e ele começou a aumentar seus movimentos.

Investidas profundas e precisas.

Tudo em Kim Taehyung ao meu ver era incrível, principalmente o que estamos fazendo agora. Suas mãos fortes apertando meu corpo, sua boca me tocando, me possuindo com desejo, seus suspiros em minha pele, a voz rouca gemendo meu nome. Tudo tão melodioso que poderia ouvir o dia todo sem me cansar.

Nada nunca fez muito sentindo para mim, eu nunca havia provado desse momento que estou passando agora com alguém tão distinto. Nenhuma das noites que já tive em minha vida foi tão incrível assim como está sendo agora. Ninguém nunca me tocou da forma como ele me toca. Ninguém nunca me teve tão inteiro como ele me tem.

- Ohh Jeon... você... você é tão incrivelmente gostoso. – Gemeu pendendo a cabeça para trás mordendo os próprios lábios.

-Tae-Taehyung, m-mais rápido... – Gemi curvando as costas, empinando mais ainda para ele.

Eu estava perto de atingir o meu tão esperado ápice assim que Taehyung atingiu o seu, no entanto algo diferente aconteceu comigo. Eu senti algo incomum me ocorrer. Não sei explicar ao certo o que era, apenas uma presença, uma sensação jamais sentida. Parecia ter mais alguém ali, só que, não era como se tivesse uma pessoa ou algo do tipo. Senti como se Taehyung tivesse me deixado e desaparecido naquele momento.

- Taehyung... o que, está acontecendo? Você está sentindo, isso?

Apenas pude ouvir a respiração pesada de Taehyung, porém ele não dizia nada. Senti certo desconforto, talvez ele também estivesse sentindo essa estranha sensação de agora assim como eu. O chamei mais algumas vezes, porém o mesmo continuou parado apertando meu quadril ofegante. Seus dedos deslizaram por minhas costas e retornaram o caminho arranhando bem forte meu corpo me fazer gemer pela pequena dor.

- Taehyung... v-você está bem? – Sussurrei receoso.

- Eu vou ficar. Falta pouco.

- O-o que?

Senti Taehyung abandonar meu interior acabando totalmente com o clima. Levantei-me virando para o mesmo. Taehyung me parecia bastante alterado. Ele estava se vestindo de forma desengonçada sem olhar para mim.

Me senti de certa forma decepcionado, estava tudo tão bom e do nada ele mudou. Vesti minhas roupas esperando por uma resposta da parte dele, entretanto o mais alto nada dizia, o que me deixou preocupado.

- O que aconteceu Taehyung? – Indaguei observando sua inquietação.

Taehyung nada disse, apenas andava de um lado para o outro respirando pesado enquanto vez ou outra bagunçava os próprios fios acastanhados sem olhar para mim momento algum.

- Taehyung?

O mesmo parou. Observei seu peito subir e descer fora do ritmo normal. Suas mãos se fecharam evidenciando uma possível raiva.

Continuei observando suas reações um tanto fora do normal por de fato minutos atrás estarmos tão bem.

Novamente aquela sensação estranha veio.

Meu coração acelerou e eu senti uma presença anormal ali, só não sabia onde. Olhei para os lados, mas nada vi. Ainda estávamos no estacionamento da faculdade e desde minha chegada aqui tudo aparentava estar normal, no entanto aquela sensação incomum não desapareceu, estava ficando mais forte, algo pulsava dentro de mim. Fechei os olhos e algumas memorias passaram diante meus olhos. Minha família, meus parentes, as histórias. Lembrei-me bem de uma coisa dita por meu sensei.

“...Não posso te dizer como é nem como você conseguira identificar, apenas ouça o que seu corpo tentar te dizer. Sua essência, ela irá mostrar-lhe quando o mal se aproximar, fique atento aos sinais que seu corpo der...”

Aquelas palavras me fizeram perceber o quão imprudente eu estava sendo.

Eu desviei todo meu foco para aquele momento com o Kim que esqueci o mais importante, esta é a noite mais perigosa de toda ano, eu deveria estar vigiando as pessoas que precisavam da minha proteção, minha família, meus amigos, todos, e acabei me deixando levar por aquele momento.

Eu não podia mais ficar ali, precisava ir embora, eu pressentia que naquele momento eu deveria estar no condado do meu clã, todos estavam desprotegidos e só agora fui me tocar. Aquela sensação era no que eu deveria estar mais focado. Era um sinal de que algum monstro estava por perto, e eu precisava o encontrar.

- Taehyung me desculpe, eu preciso ir embora. – Falei olhando ao redor, a sensação estava ficando mais forte.

- Agora que estava ficando divertido? Não vou deixar você ir. – Sua voz estava mais grave e estranha.

- Divertido? – Indaguei tentando entender sua nova posição perante mim. - Olha Taehyung, eu não queria ir, mas eu preciso, na verdade você está estranho e eu gostaria mesmo de saber o motivo, só que agora eu realmente estou sem tempo.

- O que foi Kookie? Não me quer mais?

Novamente aquela voz grave e diferente do normal.

Taehyung sorria de uma forma diferente olhando para mim, podia ver pouco do seu rosto pela única iluminação presente, ser da lua. Ele estava diferente, não era mais o mesmo Taehyung de antes, parecia outro.

- Tem alguma coisa errada aqui. Taehyung, fique perto de mim. Eu não se de onde, mas está perto. – Falei procurando com os olhos qualquer coisa que me parecesse fora do comum.

- Tão fraco. Não percebeu ainda, Jeon? Sinceramente, porque alguém tão fraco como você?

- O que... do que está falando Taehyung? Co-como assim?

- O que você está procurando, está bem na sua frente. Só que você é muito fraco para perceber isso sozinho.

Não compreendi de início a fala de Taehyung, até incidir o que eu temia.

Era ele o tempo todo. Taehyung era a presença diferente naquele lugar, pude ver algo negro rodear seu corpo. Ele é o monstro, e eu não tinha percebido isso antes. Era a presença sobrenatural dele que eu sentia, mas não conseguia ver de onde vinha.

- Não pode ser... você. Era você o tempo todo. Como assim? Por que você? O que você é, Taehyung? – Sussurrei ainda em choque.

- O pior dos seus medos, Jeonggukie.

Não pude acompanhar com os olhos quando Taehyung veio até mim segurando-me forte pela garganta com uma força maior que o normal.

Seus olhos estavam amarelos, presas haviam crescido em sua boca, suas unhas estavam maiores. Ele não era mais o Taehyung que eu admirei durante um bom tempo.

- Tae-Taehyung... o que...

- Não faz ideia do quanto eu esperei por isso Jeon. Agora é a vez do seu clã sentir o que eu senti quando levaram parte de mim. Eu vou ter minha vingança, e vou usar você para isso!

Minha visão já estava ficando embaçada, eu não conseguia ver com clareza a sua face. Pouco a pouco fui fechando os olhos me rendendo a sua fúria.

Abri os olhos ainda com a visão embaçada. Meu corpo estava dolorido eu estava preso por correntes. Olhei para os lados tentando descobrir o que estava acontecendo, o que tinha ocorrido após meu desmaio.

Parecia ser as ruinas que jazia na saída da cidade dentre a floresta.

Ainda era noite e a única iluminação do local eram de algumas tochas queimando no canto das paredes.

Eu estava sem camisa e meu corpo marcado e dolorido.

Escutei passos se aproximando e novamente meus olhos encontraram com os de Taehyung, que permaneciam em outra tonalidade.

Por que diabos eu nunca o notei antes?

- O que você vai fazer comigo?

- O que fizeram com meu clã. Eu vou destruir todos vocês. E você vai ser o último, só para saber como me sinto tendo toda minha família aniquilada.

- Do que você ´tá falando? O que eu fiz para você?

- Os Jeons tiraram... – Deu uma pausa, pareceu estar se lembrando de algo distante. – Tudo o que eu tinha. Vocês mataram meus pais e toda minha família.

- Isso não aconteceu! Eu não sei do que você está falando!

- Então vou te contar, será mais justo assim, menino ingênuo!

Taehyung se sentou um pouco distante de mim e seu olhar parecia longínquo novamente. Me parecia que o mesmo estava passando por um momento nostálgico, e minha única opção era me deter em escutá-lo.

- A muitos anos atrás, minha mãe veio fugida para esta região. Ela era a única da sua espécie que havia sobrevivido de um ataque de caçadores numa certa região na Itália. Ela estava fugindo e sozinha, ela estava fraca e faminta.

Ela nunca gostou de ferir outras pessoas, apenas se alimentava de animais. No entanto aqueles caçadores não tiveram piedade ao matar todo o clã de Lobisomens que habitava aquela região onde minha mãe nasceu.

Quando ela chegou aqui estava bastante ferida e assustada, foi quando meu pai a encontrou.

Duas espécies diferentes e rivais. Meu pai era vampiro e por natureza ele deveria matá-la. Ela estava invadindo uma região de posse de outro clã, mas ele não conseguiu.

Quando ela desmaiou na sua frente ele a viu tão frágil, tão serena. Sua face, lábios e o olhar assustado e perdido amoleceram o coração de meu pai, que antes era um vampiro frio e impiedoso. Ele cuidou da mesma escondido dos outros de nossa espécie, e com o tempo o amor nasceu entre eles.

Nosso clã soube de sua existência e no início não queriam aceitar, mas o amor dos dois era maior então a receberam na família. Humanos não residiam por aqui, e tudo era nosso. Do amor dessas duas espécies rivais eu fui concebido. O primeiro híbrido da união de duas espécies distintas: nem vampiro, nem lobisomem... mas um mestiço.

Eu vivi uma boa parte de minha vida com meus pais. Apesar do medo dos demais por meu nascimento ser algo desconhecido eu fui aceito e escondido. Mas não durou muito tempo.

De alguma forma a notícia se espalhou e... eles vieram, os mesmos que extinguiram todo clã de minha mãe: Os caçadores!

Os seres mais repudiantes por todos os monstros, como vocês costumam dizer. Eles vieram para me matar, um mestiço, uma coisa nova da qual eles temiam, eu era apenas uma criança, porém já estava destinado a morrer.

Alguns aliados souberam da vinda dos caçadores. Meus pais juraram me proteger com suas vidas e então me tiraram daquele local. Eles ficaram para lutar, e foi assim que morreram.

Sua raça maldita de assassinos, aniquilou meus pais e todos que viviam aqui. Tomaram nosso território, levaram nossas vidas e me tiraram tudo. E agora eu vou me vingar de vocês da mesma forma que fizeram com minha família.

Eu irei aniquilar a sua.

- M-mas eu não sabia disso, Taehyung! Eu nunca soube, eu juro! – Fui sincero. O máximo que consegui, afinal, eu realmente nunca soube com exatidão o que houve nas lutas do clã no passado. - Eu não sabia que existiam outros caçadores, eu não sabia que vieram de fora. É tudo tão, confuso.

- Não se faça de inocente. Eles treinaram você! Sua única sina é matar todos que representem perigo para vocês. Um egoísmo puro e hipócrita! Só se preocupam com vocês mesmo se esquecendo que também são monstros! Não são humanos! Não são superiores! São apenas monstros como todos nós. Vocês matam para sobreviver, assim como nós. Isso nos tornam iguais, Jeon Jeongguk! – Deu ênfase, demonstrando o seu ódio no brilho do olhar.

- Não matamos inocentes! – Falei exaltado ainda sentindo as ardências de antes percorrer-me o torço.

- Tem certeza? Você sabe quantos de nós seus antepassados já aniquilaram? Sabe por acaso como eles foram frios? Sabe como tiraram tudo de nós? Vocês julgam quem deve viver. Vocês julgam o que é o melhor para vocês. Acham que é dever de vocês matar outros da nossa espécie! Vocês também são monstros! Não dão nenhuma chance de defesa! Nenhuma chance de mostrar que podemos viver todos sem matar, e sem fazer mais guerra. Vocês são os piores de todos os monstros!

A sua espécie é quem deveria ser eliminada. Só assim poderíamos voltar a viver sem medo. Em paz. E é por isso que eu fui o escolhido para destruir todos vocês.

- Não somos assim. Eu não sou assim... – Ditei baixo a última parte, dita somente para mim, analisando tudo que me fui dito. Era tudo novo e louco demais. Nem em mil anos esperei tanta informação a respeito de coisas que eu sequer sabia de suas existências.

Eu nunca tinha ouvido as histórias de nossos antepassados com outra visão. Na verdade, tudo que ele me disse me fez assentir calado. Nunca tinha parado para pensar que talvez eles também pudessem ser bons, que talvez eles merecessem uma chance. Desde meu nascimento tudo que ouvi é que existimos para eliminar monstros, e nunca me toquei de que somos o mesmo que eles - pelo menos eu sou.

Mais uma vez verdades me foram reveladas de surpresa e eu jamais imaginei que nós somos tão ruins assim. Jamais parei para ver o que realmente estamos fazendo cegamente por séculos seguidos.

O desígnio é proteger os humanos para que eles não morram, evitar mortes, quando nós mesmo ocasionamos mortes, porque também matamos, é para isso que meu tio vem me treinando.

Agora sinto que cresci num mundo de mentiras, aonde por egoísmo eu sequer quis saber da parte daqueles que o meu clã vem assassinando por tanto tempo.

Nunca me senti tão imundo em toda a minha vida.

- Eu... sinto muito. – Me redimi em respeito à sua dor em um tom baixo. Estava certo que eu não poderia tê-lo sentido no estacionamento. Ele é um hibrido! Um ser superior e mais forte. - Sinto muito por seus pais e sua família. Eu sinto muito.

- Não. Você não sente! Só vai sentir quando eu matar seu clã assim como fizeram com o meu!

- MAS NÃO FUI EU!!! Não pode me culpar pelos erros dos meus ancestrais. Não foi escolha minha ter nascido assim! Eu não tenho culpa alguma. – Pronunciei sendo sincero – e egoísta de certo modo, talvez porque estivesse com medo de morrer.

- Não posso voltar atrás. Você é o único caçador da espécie. Eu devo tirar a sua vida para que mais nenhum caçador venha ao mundo. Você é o único que pode dar continuidade a esse ciclo de mortes, então eu devo matar você para pôr um fim em tudo isso na sua geração estúpida.

Eu olhava em seus olhos e de certa forma podia ver sua tristeza. Um vazio gritante e um passado cheio de sangue.

Eu não queria que fosse ele, eu não queria ser o escolhido e também não queria fazer parte de nada disso. Eu gosto tanto de Taehyung e só agora sabendo suas verdades escondidas é que me dei conta disto. Eu não posso matá-lo, eu não conseguiria mesmo que quisesse.

Não fui treinado para destruir meus sentimentos.

Taehyung se aproximou e quebrou as correntes que me prendiam, não entendi o porquê daquilo e apenas observei seus gestos.

- Vamos lutar de igual para igual. Estou te dando a chance que vocês nunca nos deram de nos defender. Levante-se e honre sua família, ou pelo menos tente. Eu não vou ser piedoso com você se bancar o fraco mais uma vez.

- Eu não quero lutar com você, Taehyung. – Confessei esfregando meu pulso esquerdo que doía pelo aperto das correntes enferrujadas.

- Então você vai morrer!

Taehyung veio repentino de forma rápida demais para eu me preparar, veio encima de mim me segurando pelo pescoço e me jogou contra parede com grande força.

Cai no chão tentando respirar, o que de fato havia ficado difícil por conta da pancada certeira em minhas costelas.

Mal tive tempo de me recuperar e fui atingido com um chute forte na barriga. Meu corpo todo doía a ponto de não me permitir sorver algum oxigênio. Taehyung, de uma maneira cruel e fria, pegou-me pelos cabelos me fazendo ficar de pé.

- Vamos! Reaja! NÃO FOI PARA ISSO QUE TE TREINARAM? NÃO FOI PARA ESSE MOMENTO QUE VOCE NASCEU? REAJA JEON JEONGGUK! ME MOSTRE DO QUE É CAPAZ CAÇADOR MALDITO! – Gritou com ódio estampado em sua face – face que antes me encantara como nunca havia acontecido em minha vida. Aonde foi parar aquele Taehyung sereno e gentil?

- Eu não, não vou continuar com isso. – Falei com dificuldade. – Eu não... irei lutar com você!

- Você é fraco! Eu vou matar você e depois sua família miserável!

- POR QUE? Por que acha que esse é o caminho?

- Porque esse é o único caminho. Vocês devem morrer!

Novamente fui atingido, desta vez com um punho certeiro em meu rosto me fazendo cair no chão.

Minha boca começou a sangrar chamando a atenção dele. Tentei me colocar de pé e com dificuldades apoiado na parede me mantive erguido – naquela altura, meu torço já estava todo esfolado. Eu não queria lutar, não queria o ferir, mas me toquei de que eu iria morrer se não reagisse, mesmo que isso signifique machucar o Taehyung... eu preciso lutar.

Juntei todas as minhas forças e me mantive de pé sem um apoio. Respirei fundo me lembrando de todos os treinos, a dores e obstáculos que tive de superar para conseguir o respeito por meu clã.

Eu precisava ser forte agora, não tinha outra escolha.

Taehyung veio correndo até mim para me atacar, só que agora eu podia ver com mais clareza seus movimentos, e então me esquivei o pegando desta vez pelo pescoço e o joguei no chão tentando o imobilizar, porém foi uma atitude falha. O mesmo inverteu as posições ficando sobre mim no segundo seguinte. Seus caninos cresceram e seus olhos eram amarelos reluzentes – pareciam aumentar seu brilho conforme sua fúria crescia. Sua força era bem maior que a minha e não consegui me soltar. Infelizmente descobri da pior forma que para um hibrido, ele era muito mais forte do que nas lendas que eu já tinha ouvido falar.

- É o fim para você pequeno Jeon. Você vai morrer!

Taehyung ficou parado olhando em meus olhos enquanto me estrangulava com afinco. Entretanto, ele parecia nostálgico de repente.

Continuava me segurando ofegante e visivelmente desesperado e perdido por dentro... foi então que senti sua força diminuindo aos poucos soltando aquele bendito aperto, que se levasse mais alguns segundos, findaria com a minha vida.

[Flashback ON]

- Kook seu idiota, você ‘tá babando.

- Oi?

- Toda vez que você olha ‘pra esse garoto metido fica assim, retardado. Disfarça pelo menos garoto.

- Eiii, ele não é metido hyung.

- Não, imagina. Ele conversa com todo mundo, inclusive já até disse bom dia ‘pra você.

- Por que não gosta dele hyung? O que ele te fez?

- Eu só não fui com a cara dele. O babaca se tornou o garoto mais metido do instituto desde que foi transferido para ´cá no mês retrasado. Esse Taehyung não vale a pena Kookie, ele anda com o Yoongi e o Hoseok, eles não valem nada e você sabe disso.

- Eu sei disso hyung, não é como se eu gostasse dele, só o acho bonitinho, só isso.

- Sei! Quer saber, vamos em outra loja, esse daqui não tem nada que me interesse.

- Mas... mas hyung eu....

- Talvez ele tenha achado aquele dia na loja de fantasias depois que você foi embora.

- Como você... espera, você estava lá ´né? Você nos viu na loja?

- Sim, você não parava de olhar para mim.

- Desculpe. As vezes faço as coisas sem perceber.

- Não tem problema, eu também estive observando você.

- Porque?

- Porque você tem me atraído de uma forma inexplicável, algo em você é diferente, eu preciso muito descobrir o que é...

- Taehyung...

- Pede Jeon, diz pra mim o que você quer.

- Isso, quero ouvir você gemendo bem alto Jeon.

- Aah Jeon...Você... você é tão incrivelmente gostoso.”

[Flashback OFF]

- Essas lembranças. – Sussurrou cerrando com força os seus olhos. - Eu preciso esquecê-las!

E quando eu achei que Taehyung iria parar ele avançou em meu pescoço, e então pude sentir suas presas tocar em minha pele, mas não a perfurando.

Ele respirava devagar, quieto naquela região. Meu coração estava acelerado e eu sentia um medo descontrolado, mas também sentia outra coisa por te-lo tão perto - principalmente aquela nostalgia. Eu me sentia bem, me sentia aquecido de certo modo.

- Taehyung. – Chamei num sussurro que ele só ouviu por estarmos tão perto.

Seus lábios deslizaram por minha tez até chegarem em minha boca. Ele me fitou intensamente como se pudesse ler minha alma e inesperadamente uniu seus lábios aos meus. Foi calmo, silencioso, cuidadoso... apenas um selar, porém diferente dos outros, neste eu pude sentir sentimentos - os seus sentimentos. Então me dei conta de que ele estava chorando.

- Eu não posso matar você. – Sussurrou.

- Por que? – Segredei.

- Porque eu já te amo.

Fiquei paralisado com aquelas palavras. Tudo parecia tão errado ali.

Inimigos por natureza que deveriam lutar até a morte. Taehyung é minha presa, e eu sou a dele.

A morte é o único meio que nos deram, e convertemos isso em amor. Me parece tão errado, mas eu não tenho força alguma para fugir, porque eu também o amo. O amo a mais tempo que eu podia raciocinar agora. Sempre o espiei. Sempre almejei beija-lo, tocá-lo e amá-lo.

- Eu também já te amo, Taehyung.

Suas mãos libertaram-me de vez e no mesmo instante o abracei com todas as minhas forças, e ele me abraçou de volta, como um menino assustado e cansado de odiar – assim como eu me sentia por dentro.

Ficamos assim por um bom tempo, porém tudo que é bom dura pouco, e esse pouco vai ficar para sempre em minha memória.

- Você é tão fraco quanto ele Taehyung! Você deveria tê-lo matado! Suas raças são inimigas, devem lutar até que reste somente um! E esse sobrevivente deveria ser você, Kim Taehyung!

- Vladimir. – Sussurrou assustado agora o fitando.

Um homem desconhecido por mim estava em nossa frente. Sua aparência era um pouco jovial, porém seus trajes eram remotos, como se ele não fosse do nosso tempo. Seu olhar era profundo e frio – tão gélido que me causava certo desconforto em meu âmago. O mesmo não parecia nenhum pouco feliz com o modo como tudo ocorreu entre mim e Tae, como se ele estivesse nos espiando anteriormente para somente agora se revelar.

- Me desculpe, senhor. Eu não posso mata-lo. Eu não consigo.

- Você deve! É por culpa de caçadores como ele que seu clã foi destruído. Vai deixar com que ele viva, com o cheiro do sangue dos seus pais presentes na espada dele?!

- Ele não é o culpado. Não merece pagar por algo que ele não fez.

- ELE É UM CAÇADOR! ELE DEVE MORRER! E SE NÃO O FIZER, EU MESMO O FAÇO! – Gritou exaltado.

- Não! Você não vai fazer isso. Ele é importante para mim, eu não vou deixar.

Taehyung se colocou a minha frente. Eu apenas observava tudo tentando compreender. Eu nunca havia visto esse ser em minha frente, ele não era daqui, nem humano pelo que pude sentir.

- Você é tão covarde quanto seus pais Taehyung. Sinceramente fui um péssimo mestre.

- Não fale de meus pais!

- Sua mãe não durou nem um minuto. Ainda consigo ouvir os gritos dela. Seu pai? Outro fraco. Nem tendo ajuda daqueles caçadores imundos conseguiram me derrotar! Vocês são a sujeiras da nossa raça.

- Do que você está falando? – Questionou cerando os punhos.

- Já que vou os matar, eu posso lhe dizer. É justo.

- Taehyung. – Sussurrei ficando ao lado dele já me preparando para qualquer coisa. Aconteça o que for, eu ficarei do lado certo dessa vez.

- Eu odeio os caçadores, e detesto o que você é! As espécies não nasceram para se misturar. Eu tenho nojo de mestiços como você e odeio caçadores como ele. O mundo precisa de mim, da minha sabedoria, as raças precisam entender quem é o mais forte e se curvar perante ele! E eu sou o mais forte.

Eu mereço ser respeitado e temido por todos. Eu vou eliminar todos os mestiços que existem no mundo Kim Taehyung. Eu vou acabar com você e depois vou eliminar o ultimo caçador que existe.

Vou colocar um fim em todo esse lixo que jamais deveria ter existido desde que sua mãezinha conheceu o seu pai! Tudo estava indo tão bem. Toda historinha que eu fiz ambos acreditarem até você falhar em minhas ordens! Você deveria matar ele! Assim me restaria apenas você, e o ciclo de ódio entre os clãs continuaria. Você falhou e agora terei de corrigir seus erros.

- Então o tempo todo era você? A parte oculta da história sempre foi você. – Tae sussurrou pasmo. Naquele instante o vi tremer os punhos já cerrados e a mesma sensação ruim na hora do estacionamento estava presente no corpo dele novamente. - Você estava por trás de tudo desde aqueles tempos, você só me acolheu para me usar na sua obsessão ridícula?

- Por sua culpa muitas mortes aconteceram. Você fez com que nós nos matássemos durante todo esse tempo. Por que? – Questionei atordoado.

- Por que é assim que deve ser. As raças não se misturam. É meu dever limpar o mundo de todos esses mestiços imundos, e acabar com todos os caçadores. Só assim terei tudo que sempre quis. Eu serei o único e mais poderoso de todos, o único mestiço existente.

- Isso não vai acontecer, porque eu vou acabar com você!

- Nós vamos! – Falei firme entrelaçando meus dedos com os de Taehyung.

Tudo começou muito rápido.

Vladimir era bem mais forte e experiente que eu, porém Taehyung não era fraco, conseguia o acompanhar perfeitamente.

Acabei sendo atingido com um corte profundo na barriga quando Vladimir ficou próximo a mim, cai no chão deixando Taehyung lutar sozinho.

Apesar de ocupado vez ou outra, ele se certificava de que eu estava bem. Vladimir percebeu e tentou me atacar diversas vezes, mas Taehyung sempre se punha diante meu corpo me protegendo com toda a suas forças.

Ele já estava com cortes no corpo e sangrava tanto quanto eu, mas continuava de pé.

Num descuido de Taehyung, Vladimir perfurou seu ombro com sua mão direita, fazendo Taehyung sangrar muito e gritar de dor.

O vi cair de joelhos diante meus olhos, Vladimir estava pronto para o matar nesse momento.

Com todos as forças que me restava me levantei e corri até o mesmo, da mesma força que o mestiço mais velho eu o perfurei com uma de minhas mãos já que ele estava detido com uma das suas no ombro de Tae, porém o atingi fielmente direto no coração.

Só assim consegui o parar. Ele não se moveu mais. Não falou nada, nem me atacou.

Vladimir estava morto.

Com as mãos ensanguentadas, segurei Taehyung em meus braços. Ele sorriu para mim segurando em minha mão que repousava em seu peito.

- Você conseguiu Kookie. Pôs um ponto final em tudo. Está acabado.

- Não fala assim Taehyung, precisa ser forte. Eu vou te levar à um hospital. Fica acordado comigo. – Falei desesperado. Sequer sabia se havia algum meio de salvá-lo já que ele era um monstro assim como eu. Eu tinha noção de que nem mesmo agulhas comuns perfuravam com facilidade a nossa derme por sermos diferentes dos humanos.

- Eu te amo Kookie. Me perdoa tentar matar você? Eu não sei como eu pude te ferir.

- Esquece isso Tae! Fica quieto por favor, não se esforce. Vai ficar tudo bem. Eu prometo.

...

Meus 20 anos de idade foram os mais difíceis de se passar.

Naquele tempo eu era apenas um garoto medroso e tive de superar tudo de uma vez. Com toda história revelada as coisas são diferentes hoje em dia. A verdadeira paz nasceu entre as espécies depois de nossa épica luta.

Os erros do passado foram perdoados e o futuro é algo bem melhor. Os caçadores aposentaram suas armas, não fazemos mal algum a qualquer criatura que queira viver em paz neste mundo. No início, todos tiveram receio mas conseguimos superar.

Quanto a mim e Taehyung?

Bem, nós estamos mais do que bem. Graças a meu tio - meu sensei, eu consegui ajuda-lo a tempo. A prova de que sim, as espécies podem ser condescendentes umas com as outras.

Todos somos livres para escolhermos nosso caminho, é nisso que acredito. Taehyung me disse uma frase que vou levar comigo para sempre e quero compartilhar com você.

Quem quer que você seja, onde quer que se esconda, não tenha medo.

Não existe nenhuma regra que diz ser errado não ser comum. Você é único. Você é você. Não se esconda do mundo. Você é importante a sua maneira.

Revele teus monstros e deixe eles viverem.

“Nosso destino é a gente quem faz”

5 de Diciembre de 2019 a las 03:59 0 Reporte Insertar Seguir historia
1
Fin

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