teffychan Lilith Uchiha

Ao realizar uma missão Naruto reencontra Sasuke depois de um bom tempo desde que ele deixou a Vila em busca de redenção. E descobre novas informações, não apenas sobre a missão com a qual ele aceitou cooperar, mas também sobre as pessoas com quem conviveu durante a época em que buscava vingança. O que Naruto não esperava era saber que uma dessas pessoas estava ligada a ele também, de uma forma que jamais imaginou ser possível.


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#drama #amizade #naruto #sasuke #suigetsu #karin #uzumaki #spoilers #juugo #clã
Cuento corto
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Capítulo Único – Memórias de Um Clã Perdido

Notas Iniciais:

A história se passa durante o arco "Sasuke Shinden: Livro da Alvorada".

Nessa história nem Naruto e nem Sasuke tiveram filhos nem se casaram.


____________________


Naruto percorria uma estrada de pedra traiçoeira com cuidado que levava ao topo de uma montanha. Estava cansado por ter viajado o dia inteiro, porém feliz em poder cumprir aquela missão. Tinha realizado seu sonho de infância e se tornado Hokage recentemente. No entanto, desde que assumiu o cargo, não conseguia mais sair da Vila. Aquela era sua primeira missão desde Kakashi passou o título de Hokage para ele: Conferir os resultados de uma perigosa e importante tarefa que havia imposto a alguém que apenas Naruto confiava de verdade.

Já fazia um tempo considerável que tinha dado essa missão a ele. Mais tempo ainda que não via o rapaz. Inicialmente parecia uma tarefa simples, que poderia ser concluída em questão de dias. No entanto os dias se transformaram em semanas e quando se passou um mês Naruto finalmente conseguiu fazer contato com ele, solicitando que se encontrassem pessoalmente.

Quando chegou ao local marcado não encontrou ninguém. A maioria das pessoas pensaria que se tratava de uma armadilha, mas Naruto apenas concluiu que tinha chegado muito cedo. E estava certo. Pouco mais de um minuto depois Naruto avistou um vulto se aproximando na direção contrária de onde ele tinha vindo.

— Sasuke — Naruto adiantou-se — Quanto tempo.

— Realmente — concordou. Estava com os cabelos mais compridos do que a última vez que se viram, embora continuasse um pouco arrepiado atrás — Por que veio pessoalmente? É o Hokage agora, certo? — perguntou — Poderia ter mandado alguém vir no seu lugar.

— Eu mal consigo sair da Vila desde que me tornei Hokage. E essa tarefa é muito perigosa, não posso confiá-la a outra pessoa.

— Fico surpreso que confie em mim — deu uma risada amarga.

— Não te daria essa tarefa se não confiasse! E eu quis dizer que não quero colocar outras pessoas da Vila em perigo. Se a coisa ficar feia posso usar o chakra da Kyuubi afinal — Naruto explicou.

— Bem, nisso você está certo. Não é qualquer um que conseguiria chegar aqui. Nem pegar aquilo — Sasuke concordou — Trouxemos o que você pediu.

— “Trouxemos”? — Naruto repetiu. Só então notou que o rapaz não estava sozinho. Três pessoas caminhavam logo atrás dele, visivelmente mais cansadas por terem que percorrer aquela longa estrada. Um homem alto e corpulento, um rapaz magro com cabelos claros e uma garota ruiva.

— Que droga, Sasuke. De tantos lugares por que você foi escolher esse fim de mundo como ponto de encontro? — o rapaz com cabelos platinados reclamou.

— Eu já disse. Quanto mais deserto for o local, menos chances temos de sermos encontrados.

— Pode até ser, mas nós andamos o dia inteiro e não fizemos nenhuma pausa — ele queixou-se — Eu estou cansado e sinto como se estivesse derretendo com esse sol quente…

— Pare de choramingar como um bebê, Suigetsu! — a garota que estava com eles ralhou.

— Na verdade ele está literalmente derretendo — o rapaz mais alto disse. E estava certo, ele estava derretendo como se fosse um sorvete — Precisa se hidratar.

— Beba água — Sasuke tirou um cantil do bolso interno da capa e o jogou para o rapaz, que bebeu com avidez. Inexplicavelmente seu rosto voltou ao normal.

Sasuke demorou alguns segundos para perceber que Naruto os observava com um misto de confusão e curiosidade e então voltou-se para ele outra vez.

— Ah, sim… acho que nunca cheguei a apresentar vocês. Naruto, se lembra da época em que eu deixei o esconderijo do Orochimaru e fui atrás do meu irmão para derrotá-lo? — perguntou retoricamente — Eu sabia que aquela não seria uma tarefa fácil, então resolvi montar minha própria equipe, o time Taka. Eu precisei reunir todos novamente, a missão que você me deu era bem complicada.

Naruto apenas assentiu. Por um lado era bom saber que Sasuke não estava completamente sozinho naquela época, mas por outro sentia um nó no estômago com essa nova informação. Era como se ele tivesse substituído o time sete por outras pessoas.

Deixou esse pensamento de lado quando Sasuke retirou outro frasco do bolso interno, menor e com um conteúdo avermelhado e o entregou para ele.

— É uma mistura de várias tipos diferentes de veneno, todos de cobra, junto com cogumelos alucinógenos — explicou — Estavam planejando soltar isso em forma de fumaça em Konoha, desse jeito seria mais eficaz. Esse aqui ainda está na forma líquida, vocês provavelmente vão querer analisar.

— Sim, vamos mandar para o laboratório — Naruto guardou o frasco — E o que o pessoal da Vila da Chuva pretendia fazendo isso?

— Você não me mandou interrogar ninguém. Só descobrir que tipo de arma eles estavam usando — Sasuke lembrou.

— Certo… e onde eles estão agora? Não me diga que deixou eles fugirem? — Naruto indagou — Precisamos interroga-los.

— Ah, não vai dar, cara. A gente matou eles — o outro rapaz, agora devidamente hidratado, riu como quem se desculpa.

— O que? Vocês mataram todos? — Naruto exclamou abismado.

— Ei, era matar ou morrer — ele respondeu — E o Sasuke disse que a gente podia acabar com eles em último caso…

— Não coloque a culpa no Sasuke! — a garota bateu nele, fazendo com que se desmaterializasse e se transformasse em água por alguns segundos. Em seguida agarrou-se ao braço de Sasuke, sua expressão tornando-se mais dócil — Deve ter sido uma decisão difícil, não é, Sasuke?

— Já enfrentei coisas piores, você sabe — ele nem se dava mais ao trabalho de tentar afastá-la. Voltou-se novamente para Naruto — Como o Suigetsu disse, nós matamos todos, mas eram poucas pessoas então não acho que o grupo inteiro estivesse reunido lá. Se tiver algum sobrevivente, deve ter fugido para a Aldeia da Névoa.

— Quantas pessoas vocês enfrentaram?

— Por volta de oitenta.

— Uau… você enfrentou oitenta membros de um clã que criou um veneno capaz de destruir uma Vila inteira e diz que é pouco? — Naruto deu uma risada — Bom, é a sua cara.

— Ei, ele não estava sozinho — a garota ainda agarrada ao braço de Sasuke lembrou — Todos nós ajudamos.

— Claro, claro. Também preciso agradecer a vocês, hã…

— Karin — Sasuke apresentou — Esses são Suigetsu e Juugo — ele indicou com a cabeça — E ele é o Uzumaki Naruto — voltou-se para os antigos colegas de time.

— Ei, espera aí. Está dizendo que ele é o Hokage de Konoha? — Suigetsu, agora de volta ao normal, aproximou-se para encarar Naruto melhor — Esse aí com cara de tonto? Tem certeza, Sasuke?

— Sim. Ele sempre teve cara de tonto — confirmou.

— Sasuke… você disse que o nome dele é Uzumaki Naruto? — Karin finalmente tinha soltado seu braço e agora encarava Naruto fixamente.

Sasuke olhou de Karin para Naruto e de volta para Karin. Então ela não sabia? Bem, o próprio Sasuke não saberia disso se não tivesse se envolvido com o pessoal de Orochimaru, mas ainda assim era estranho. E uma coincidência e tanto.

— Ah, sim. Naruto, o nome completo dela é Uzumaki Karin.

— O que? — Naruto também encarou Karin boquiaberto — Esse é o meu sobrenome.

— O que significa que vocês pertencem ao mesmo clã — Sasuke concluiu o que os dois estavam com dificuldade de assimilar — Bem, suponho que vocês devam ter muito assunto para colocar em dia. E nós caminhamos por horas, podemos fazer uma pausa para descansar.

Ele se afastou junto com os dois rapazes. Quando sumiram de vista Karin se aproximou tanto que quase invadiu o espaço pessoal de Naruto.

— Ei, você é mesmo um Uzumaki? O Sasuke não se enganou, não é?

— Meu nome é Uzumaki Naruto, exatamente como ele disse — o rapaz respondeu, ofendido com a descrença dela.

— Não acredito… então existem mesmo sobreviventes… — ela levou a mão à boca e afastou-se alguns passos. Parecia prestes a chorar.

— Ei, você está bem? O que houve?

— Como assim “o que houve”? Você não sabe o que aconteceu com nosso clã?

— Eu nem sabia que tinha um clã até agora a pouco — Naruto respondeu — Não conheci nem os meus pais. Quero dizer, eu vi meu pai por um momento, mas foi por causa do Edo Tensei, e…

— Por que você é loiro? — Karin interrompeu — Todo mundo no clã Uzumaki tem cabelos vermelhos.

— Eu puxei ao meu pai — respondeu simplesmente.

Naruto não sabia o que dizer para aquela garota. Jamais imaginou que encontraria outra pessoa com o mesmo sobrenome que ele. Sempre esteve sozinho, sem pais ou irmãos. Seu único objetivo era se tornar Hokage. Mais tarde um novo propósito nasceu quando decidiu trazer Sasuke de volta, mas ainda assim conseguiu conquistar seu sonho de infância.

Sasuke… era curioso saber que ele só tinha encontrado Karin por intermédio dele.

Suspirou e sentou-se em um tronco oco de uma árvore. Após alguns segundos de hesitação Karin sentou-se ao lado dele.

— Eu passei boa parte da minha vida sozinho em Konoha — Naruto contou — Não conheci meus pais, não tinha amigos… ninguém gostava de mim. Todo mundo me tratava como se eu fosse algum tipo de monstro e se afastava. Eu passei a maior parte da minha infância sem ninguém ao meu lado. Onde você esteve durante todo esse tempo?

— Na Vila da Grama, junto com a minha mãe. Nós fugimos para lá por causa da guerra que estava acontecendo naquela época antes que acabássemos do mesmo jeito que os outros membros do clã — Karin respondeu — Fica bem longe de Konoha.

— Existem mais pessoas do clã Uzumaki? — Naruto indagou, entre surpreso e esperançoso.

— Não mais. Foram todos mortos — ela contou — Por que as pessoas te odiavam?

— Porque eu sou um Jinjuriki — Naruto baixou os ombros ao saber que qualquer possível parente que pudesse ter estava morto — A Kyuubi dentro de mim matou muitas pessoas anos atrás. Ela foi selada no meu corpo então as pessoas passaram a me odiar. Eu sempre quis me tornar Hokage para que as pessoas prestassem atenção em mim e me tratassem como alguém importante. Demorei algum tempo até descobrir que as pessoas me odiavam por causa da Kyuubi.

— Você podia ter desistido de se tornar Hokage depois de ter descoberto o motivo pelo qual as pessoas te odiavam.

— De jeito nenhum! Esse sempre foi meu sonho de infância e eu nunca volto atrás com a minha palavra. Além do mais, agora que me tornei Hokage quero ajudar todas as pessoas que puder para que não passem pela mesma coisa que eu.

— Não tem como elas passarem pela mesma coisa, elas não são Jinjuriki, seu tonto — ela resmungou.

— É, acho que tem razão…

— Mas a ideia de ajudar órfãos de guerra parece legal — acrescentou antes que Naruto concluísse a frase, no que pretendia ser um elogio.

Pela primeira vez encarou Karin com mais atenção. Não conseguia perceber nenhuma semelhança física com ele. Talvez, por se tratar de uma garota, fosse difícil de notar. A personalidade era ligeiramente parecida. Ela parecia ser agitada e falava bastante.

— O que foi? — ela notou o olhar fixo de Naruto.

— Ah… eu só estava procurando alguma semelhança entre a gente — Naruto coçou atrás da cabeça como quem se desculpa — Nós somos parentes?

— Não tenho certeza. Primos de segundo grau ou algo assim, talvez — ela arriscou — Quais eram os nomes dos seus pais?

— Minato e Kushina.

— Não conheço nenhum Minato. Mas acho que já ouvi o nome Kushina em algum lugar — Karin comentou pensativa.

— Você conheceu a minha mãe? — Naruto indagou ansioso.

— Não, nunca conheci nenhuma Kushina. Mas já ouvi falar de alguém com esse nome que foi levada da Vila para servir como sacrifício ou algo assim — Karin contou — Mas isso foi antes de eu nascer.

— Era a minha mãe! — Naruto exclamou — E não era para servir como sacrifício. Era para se tornar a Jinjuriki daquela época.

— Para mim isso parece um sacrifício — Karin deu de ombros — Veja só o que aconteceu com você. Tornou-se o Jinjuriki depois da sua mãe, não foi?

— Isso mesmo. Ela e o meu pai selaram a Kyuubi em mim pouco antes de morrerem.

— Hunf. No fim das contas os membros do nosso clã servem apenas para serem sacrificados, não importa como — o comentário soou como um resmungo em uma tentativa de esconder o pesar.

Olhou de esguelha para Naruto e percebeu que ele não parecia ter entendido. Provavelmente nem sabia sobre a habilidade de cura de seu clã. Ouviu dizer que os Jinjuriki conseguiam se curar rapidamente de ferimentos, mas se Naruto conhecia as demais habilidades dos Uzumaki era outra história.

— O que houve? — ele perguntou — O que você quis dizer com sermos sacrifícios?

— Céus, como você é idiota! Não é óbvio? — ela exclamou. Naruto sobressaltou-se com o grito da garota. Tinha confusão estampada em seus olhos, então pelo jeito não era óbvio — Quero dizer que sempre teremos que viver em prol dos desejos de outra pessoa — Karin explicou impaciente — Você teve a sua vida sacrificada no momento em que nasceu ao se tornar Jinjuriki. Não literalmente, é claro, você está vivo. Mas sua vida acabou quando colocaram a Kyuubi dentro do seu corpo. Você mesmo disse que teve uma infância horrível — ela lembrou — Comigo não foi muito diferente.

— Como assim? Não me diga que você é Jinjuriki também? — Naruto indagou — Eu não me lembro de ter te visto na guerra…

— Claro que não! — exclamou, surpresa por ele ter chegado a uma conclusão tão equivocada — Eu possuo habilidades de cura. Minha mãe também tinha e foi levada para o campo de batalha quando eu era criança por causa disso. Consumiram todo o chakra dela até que ela morreu — Karin fez uma pausa ao recordar da ocasião — E então me levaram para ocupar o lugar da minha mãe. Eu não sabia lutar naquela época, não tinha recebido nenhum tipo de treinamento, então tudo o que podia fazer era deixar que me usassem para curar os feridos ou então me matariam.

— Eu sinto muito… não imaginei que você tinha passado por tanta coisa — Naruto não sabia o que dizer. Aquela garota parecia ser tão forte e determinada. Mas agora começava a entender que foram as várias dificuldades que enfrentou que a tornaram forte, assim como aconteceu com ele — Mas era tão ruim assim cuidar dos feridos? Quero dizer, eu tenho uma amiga que é médica e ela gosta dessa profissão.

— Minhas habilidades funcionam de um jeito um pouco diferente dos outros médicos ninja — ela levantou uma das mangas da blusa, revelando diversas marcas de mordida no braço — Quando alguém me morde, a pessoa suga parte do meu chakra, recuperando as energias e curando seus ferimentos. Foi por isso que me capturaram. E também foi por isso que o Sasuke veio me procurar.

— Então… as pessoas mordem você para curarem os ferimentos? — Naruto observava o braço dela com os olhos arregalados até Karin ajeitar a manga da blusa e esconder as marcas de novo.

— Isso mesmo.

— E o Sasuke te procurou por causa dessa habilidade? — Naruto repetiu — Ele já te mordeu?

— É óbvio — respondeu como se não fosse nada — E também porque sou uma ninja sensorial. Consigo localizar as pessoas através do chakra. Ele precisava de mim para encontrar o irmão — explicou — Você deve ter essa habilidade também.

— Eu o que?!

— De curar as pessoas através do chakra, assim como eu — Karin respondeu — Se bem que, com a Kyuubi dentro de você, provavelmente não é necessário utilizar. Assim como as Correntes de Selamento Adamantinas.

— O que é isso? — Naruto estava cada vez mais confuso.

— Céus, você nem conhece as habilidades do próprio clã? — Karin exclamou em tom de repreensão. Estava começando a assustá-lo um pouco — Esta técnica molda o chakra do usuário em correntes que, depois de se materializarem, podem ser usadas para diversos fins, como o combate direto ou a imobilização física de seus alvos — a garota explicou — É uma técnica poderosa, mas muito cansativa.

— Eu já ouvi falar de algo assim… acho que a minha mãe usou uma coisa parecida para selar a Kyuubi em mim — Naruto recordou a ocasião em que lhe contaram sobre como a Kyuubi foi selada dentro dele — Está dizendo que pode fazer isso também? Quero dizer, minha mãe usou aquilo para selar a Kyuubi!

— Está duvidando das minhas habilidades? — ela exclamou ofendida.

— Não, não! De jeito nenhum! — Naruto apressou-se a dizer. Certo, ela definitivamente era assustadora — Só estou surpreso. Quero dizer, eu nunca vi ninguém usando, mas deve ser uma técnica poderosa.

— Por isso eu disse que é cansativo — ela se endireitou — Você também deve ser capaz de fazer isso.

— Eu? — Naruto apontou para si mesmo — Sem chance. Eu nem sabia que essa técnica existia até você me contar.

— Claro que pode, é só treinar. É uma técnica do nosso clã afinal.

— Então você pode curar as pessoas através de mordidas, tem essas Correntes de Selamento Adamantinas e ainda é uma ninja sensorial — Naruto enumerou enquanto falava — E está dizendo que eu posso fazer tudo isso também se treinar?

— Não acho que você possa se tornar um ninja sensorial, a pessoa meio que nasce com essa habilidade. Mas o resto sim.

Naruto a encarou com um misto de espanto e admiração por um momento. A primeira vista Karin parecia uma garota comum, apenas mais uma das fãs de Sasuke que ele mantinha ao seu lado sabe-se lá por que. Bem, aí estava o motivo. Ela tinha mais habilidades do que aparentava e ainda disse que Naruto poderia fazer as mesmas coisas que ela se treinasse. Talvez até pudesse, mas, todas as habilidades que ela mencionou pareciam lhe trazer apenas dor.

— Acho que vou ficar como estou por enquanto — Naruto respondeu por fim — Mas são habilidades impressionantes. Agora entendo porque o Sasuke te recrutou… como foi que vocês se conheceram mesmo?

— Eu o vi pela primeira vez durante a prova Chunnin…

— Espera, o que? — Naruto interrompeu — Eu também fiz a prova Chunnin! Por que não te encontrei lá?

— Não sei. Ele estava sozinho — Karin deu de ombros — Eu não sabia lutar naquela época, só me mandaram fazer a prova para que eu curasse os ferimentos dos outros dois membros da equipe. Quando estava sozinha fui atacada por um dos animais da floresta e o Sasuke me salvou. Ele queria o pergaminho, mas o dele era igual ao da minha equipe. Ele foi embora logo depois.

— Isso é típico do Sasuke. Aparecer do nada para salvar garotas em perigo — Naruto deu uma risada abafada — Então você se apaixonou por ele a primeira vista? — tentou adivinhar.

— Eu? Me apaixonar? Claro que não! — respondeu rápido demais — Eu nem mesmo o reconheci quando o encontrei mais tarde.

— E quando foi isso?

— Dois anos depois eu me tornei responsável pelo Esconderijo do Sul do Orochimaru. Sasuke havia recebido ordens de me trazer uma substância química que ajudaria na pesquisa com o Suigetsu…

— Espera aí — Naruto interrompeu — Você também trabalhava para o Orochimaru? E Suigetsu… é aquele cara magrelo que estava com vocês, não é?

— Ele era uma cobaia na época, assim como Juugo.

— Mas que tipo de lavagem cerebral o Orochimaru fez em vocês? — Naruto exasperou-se.

— Orochimaru me salvou — Karin soou ofendida — Quando eu fugi dos homens que me mantinham prisioneira apenas por causa das minhas habilidades de cura, eles me alcançaram e tentaram me matar. Orochimaru acabou com todos e então eu decidi segui-lo.

— Não vai me dizer que ele fez isso por pura bondade? — Naruto ergueu uma sobrancelha.

Naruto estava certo, não foi por bondade. Orochimaru desejava o mesmo que todos os outros, usar suas habilidades. No entanto ela se sentia estranhamente mais segura perto dele. Tinha um teto sobre sua cabeça, comida, roupas limpas… e as pessoas eram gentis com ela. Podia ser mera fachada, sorrisos falsos, mas ninguém a maltratava. Até que chegou o dia em que não precisou mais usar suas habilidades de cura e se tornou responsável pelo Esconderijo do Sul. Pela primeira vez em sua vida sentia-se livre.

— Tem razão, não foi por bondade — ela respondeu por fim — Orochimaru também estava interessado nas minhas habilidades. Mas ele foi a primeira pessoa a ser amável comigo e a oferecer o que eu tanto queria: Segurança — explicou.

Não sabia se ele entenderia como se sentiu durante o tempo em que esteve com Orochimaru. Provavelmente não. Mas Naruto era um Uzumaki também e teve uma vida difícil assim como ela, então precisava perguntar.

— Me diga, Naruto. Se você tivesse uma vida miserável onde foi explorado desde a infância e de repente uma pessoa aparecesse lhe dizendo que pode te libertar desse sofrimento, você não aceitaria?

— Não mesmo — ele negou na hora — Por mais difícil que seja minha vida, ainda que estivesse solitário, eu daria um jeito de resolver meus problemas sozinho. Não me arriscaria a ser explorado por um estranho só porque ele diz algumas palavras bonitas apenas para deixar de ser perseguido. Eu treinaria para ficar mais forte e me livrar dos meus inimigos com minhas próprias forças.

Aquela resposta realmente a impressionou. Karin jamais seria capaz de fazer algo assim nas condições em que estava quando era criança. Mal tinha forças para ficar de pé quando terminava de curar os feridos durante as batalhas, que dirá para fazer um treinamento decente. Naruto era mesmo uma pessoa incrível, em todos os aspectos. Podia sentir o poderoso chakra emanando dele, quente e gentil. E de repente teve uma sensação familiar, como se já tivesse sentido algo assim antes.

Um chakra que a acalmara e a deixara confortável durante um péssimo momento de sua vida, quando foi levada como prisioneira para Konoha. Era idêntico ao chakra que fluía dele.

— Naruto… por acaso nós já nos vimos antes?

— Como assim?

— Alguns anos atrás eu fui capturada e levada como prisioneira para Konoha — explicou — Eu senti um chakra forte e aconchegante que me deixava relaxada emanando de um dos rapazes que me levaram até lá. Era você, não era?

Naruto forçou a memória, tentando se lembrar da ocasião. Não era muito bom em decorar os rostos das pessoas, mas se lembraria se alguém descrevesse seu chakra desse jeito. E, se Karin disse que conhecia Sasuke desde a época em que ele estava tentando derrotar Itachi…

— Ah! Você é a garota que o Sasuke atacou e que teve os ferimentos curados pela Sakura, não é? — Naruto finalmente se lembrou — Eu me lembro de ter lutado com ele naquela ocasião, mas ele estava muito diferente do Sasuke que eu conheci. Depois que a luta acabou o Kakashi-sensei mandou que a gente te levasse para a Vila — ele recordou melhor da ocasião — Por que você continua sendo amiga dele? Ele tentou te matar, não foi? — já imaginava a resposta, mas queria ouvir da própria Karin.

— E você? Por que continua sendo amigo dele depois de terem lutado quase até a morte? Até perderam um braço — ela devolveu a pergunta. E então suspirou — Eu sou atraída pelas pessoas com base no tipo de chakra que elas emanam. Quando conheci o Sasuke o chakra dele me deslumbrou. Mas, com o passar do tempo, começou a me assustar… o chakra dele se tornou escuro e frio conforme ele era tomado pelo ódio — Karin torceu as mãos uma na outra enquanto falava — O seu chakra é o oposto dele. É quente e brilhante, me acalma de certa forma. Talvez seja essa luz que tenha libertado o Sasuke de toda aquela escuridão na qual ele tinha mergulhado. Obrigada por salvá-lo, Naruto.

— Ei, você está me deixando sem graça — ele coçou atrás da cabeça — Eu prometi há muito tempo que iria trazê-lo de volta e nunca quebro uma promessa.

— É mesmo? Nem sobre ajudar a todos que puder?

— Como assim?

— Quando era criança você prometeu que se tornaria Hokage. Depois prometeu que salvaria o Sasuke da escuridão. E então prometeu que ajudaria a todos que pudesse — Karin foi contando nos dedos — Por que não começa ajudando a restabelecer o seu clã?

— Quem quer restabelecer o clã é o Sasuke — Naruto informou — Eu não ligo para isso.

— Eu não quis dizer que você deveria se casar e ter vários filhos — Karin explicou — Estou dizendo que, assim como havia outro Uzumaki vivo e eu não sabia, podem existir outros. E, se houver eu gostaria de encontrar.

— Ah… quer dizer, descobrir se existem sobreviventes do clã?

— Reencontrar minha família — ela falou — Quero dizer, eu gosto do time Taka. Mas, agora que a missão terminou, cada um vai seguir seu caminho. E eu sei que você é Hokage de Konoha então acho que não tem jurisdição sobre outras Vilas, mas, já que você disse que quer ajudar as pessoas, me ajude a descobrir se existem outros sobreviventes do nosso clã.

— Eu tenho uma ideia melhor. Venha para Konoha comigo.

— O que…?

— Como você mesma disse, não tenho jurisdição sobre outras Vilas. Eu poderia pedir ajuda para fazer isso, é claro, mas me tornei Hokage a pouco tempo e ainda tenho muito o que aprender — Naruto explicou — Mas sabe, eu também fiquei muito feliz por ter descoberto que uma pessoa do meu clã está viva. Eu não tive pais, não tenho irmãos… e não sei qual exatamente é o nosso parentesco, mas a gente pode descobrir se você vier para Konoha comigo. E me contar mais sobre o nosso clã.

— Tem certeza disso? Eu trabalhei com Orochimaru por um bom tempo, então minha ficha não é das melhores.

— Eu estou mais do que acostumado a lidar com esse tipo de coisa — Naruto riu — Então você aceita?

Karin o encarou por um momento. Esteve sozinha desde que sua mãe morreu e passou a ser explorada por várias pessoas devido a suas habilidades de cura. Quando se uniu a Orochimaru passaram a lhe tratar bem e serem educados com ela ainda que a garota soubesse que era pura falsidade. Só eram gentis para que cooperasse com mais facilidade. Depois ingressou no time Taka e também gostava de estar com eles. Todos tinham personalidades distintas e geralmente discutiam por trivialidades, mas pelo menos ninguém ali era falso. No entanto ela nunca teve uma família de verdade. E jamais imaginou que havia sobreviventes de seu clã. Poderia ser uma boa oportunidade de finalmente encontrar uma família. Talvez a única.

— Acho que não é má ideia — respondeu por fim. Queria fingir que não era grande coisa, mas não conseguiu evitar de sorrir.

Instantes depois Sasuke, Suigetsu e Juugo retornaram para onde eles estavam.

— Terminaram a conversa? — Sasuke perguntou — O sol está se pondo e nós precisamos procurar algum lugar para acampar.

— Hm, Sasuke… na verdade eu decidi ir para Konoha com o Naruto — Karin falou como quem se desculpa.

— Como disse? — ele a encarou confuso.

— Ela me pediu ajuda para encontrar outros possíveis sobreviventes do clã Uzumaki, mas eu não posso fazer isso. Não tenho jurisdição sobre outras Vilas para mandar fazer uma busca. Então a convidei para vir para Konoha comigo — Naruto explicou.

— Sabe que ela trabalhou para Orochimaru e até para a Akatsuki durante o tempo em que viajou comigo, não é? — Sasuke observou — Ela vai poder entrar na Vila?

— Isso é fácil de resolver. Eu sempre dou um jeito quando o assunto é lidar com ninjas renegados — Naruto riu.

— Acho que ser Hokage tem suas vantagens afinal — Sasuke não conseguiu evitar uma risada também.

— Desculpa mesmo, Sasuke! — Karin agarrou-se ao braço dele, retomando seu tom de voz estridente — Eu não queria te deixar, mas essa é uma coisa que eu preciso fazer, entende? Jamais imaginei que houvesse outro Uzumaki vivo, e… eu quero me aproximar, saber mais coisas sobre o meu clã.

— Ainda não entendi qual é a dela — Naruto comentou, vendo que Sasuke não fazia o menor esforço para se soltar da garota — É sua namorada ou o que?

— Não é — negou antes que Karin falasse alguma coisa.

— Ele foi vencido pelo cansaço — Juugo explicou em poucas palavras.

— Karin, faça o que achar que é melhor para você — Sasuke falou por fim — Não é todo dia que a gente descobre que tem um membro remanescente do nosso clã. Pelo menos o seu é legal.

— Não acredito que está me elogiando — Naruto arregalou os olhos.

— Não se acostume.

— Você vai mesmo com ele? — Suigetsu ainda não conseguia acreditar — Não acredito que vai deixar seu amado Sasuke para trás.

— Não estou deixando ninguém para trás! — Karin exclamou — Já disse que é uma coisa que preciso fazer.

— Bom, eu com certeza não vou sentir falta dos seus ataques histéricos — ele comentou — É uma chatice, mas sem você o time Taka vai ficar incompleto. Com quem eu vou implicar se você for embora? E quem vai ficar gritando “Sasukeee” toda vez que ele aparecer do nada para nos recrutar de novo?

— Na verdade o Naruto faz isso — Sasuke informou.

— Sério? — Suigetsu o encarou — Então é de família.

— Arranje outra pessoa para implicar, Suigetsu. Eu tenho coisas mais importantes para fazer agora — Karin resmungou.

— E nós temos que arranjar um lugar para acampar — Sasuke acrescentou — Karin, eu preciso do meu braço — finalmente soltou-se da garota e deu alguns passos na direção de Naruto — Boa viagem vocês dois.

— Não quer aproveitar e voltar com a gente? — Naruto indagou. Sabia qual seria a resposta, mas precisava perguntar mesmo assim.

— Por enquanto não. Vou viajar por mais algum tempo — respondeu, confirmando o palpite de Naruto. Às vezes ele se perguntava quanto tempo a jornada de Sasuke em busca de redenção iria durar — Você sabe que, se precisar realizar missões em lugares mais afastados ou se infiltrar em algum local…

— Eu sei. Darei um jeito de entrar em contato com você — estendeu a mão e Sasuke a apertou — Então nos vemos por aí.

— Tchau Sasuke — Karin despediu-se. Deu um último abraço nele antes de correr para acompanhar Naruto.

— Cuidado Naruto, ela é carente — gritou para o rapaz.

— A Karin não é carente, ela gosta de você — Suigetsu riu.

— Se quiser morrer desidratado é só continuar falando Suigetsu — Sasuke avisou. Ele se calou na mesma hora. Os três rapazes seguiram na direção contrária e logo desapareceram ao virar em uma curva.

— Tem certeza de que não tem problema eu ir para Konoha? — Karin perguntou quando se viu sozinha com Naruto.

— É só não sair espalhando o que você já aprontou por aí — Naruto deu de ombros, caminhando ao lado dela — Ninguém te conhece lá. E tinha tantos prisioneiros durante a guerra que eu duvido que os guardas se lembrem dos rostos de todos. Então basta ser discreta para que ninguém pesquise sobre você.

— Você parece um criminoso falando desse jeito — Karin observou.

— Tem razão! Eu sou o Hokage, não deveria falar essas coisas — Naruto riu sem graça — É que eu estou feliz por saber que tenho parentes… bom, pode ser só uma, mas quem sabe não existem outros por aí, não é?

— Espero que haja mesmo outros sobreviventes. E que a gente possa encontrá-los um dia — Karin falou esperançosa.

— Um dia talvez — Naruto concordou — Mas por enquanto, quero que me conte mais coisas sobre nosso clã. Eu não tive ninguém para me falar sobre tradições, características… tem alguma outra técnica secreta? O que mais a sua mãe te ensinou?

Karin sorriu diante da curiosidade óbvia do rapaz. Pelo pouco tempo que passou com Naruto pôde perceber que ele era uma pessoa corajosa e determinada. E às vezes parecia uma pessoa infantil e inocente como estava agindo agora. Provavelmente era a mistura dessa inocência e determinação que tornava o chakra dele tão iluminado e tranquilizador.

— Bom, se prepare Naruto. É uma longa história.



______________________


Notas Finais:


Olá!

Faz um bom tempo que o fato de a Karin também ser uma Uzumaki e não interagir com o Naruto no anime está me incomodando. Isso poderia ter sido melhor explorado na história, poderiam ter falado mais sobre o passado do clã Uzumaki,tinha brechas pra acontecer tantas coisas mais interessantes... bom, é só minha opinião mesmo.

Aqui o Sasuke serviu como uma ponte entre eles, está um pouco mais civilizado, então a redenção está funcionando.



A história também foi postada no Nyah! Fanfiction e no Spirit.



21 de Noviembre de 2019 a las 19:00 0 Reporte Insertar 2
Fin

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