Uma noite incomum para um senhor de escravos. Seguir historia

ryan Rafael leite

O autor dessa história é a favor dos direitos humanos e condena a escravidão. O conto é meramente ficcional sem comparação com entidades da realidade. Esclarecido isso espero que se divirtam.


Cuento Todo público.

#primeiravez #obscuro #conto #horro #terror
Cuento corto
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Uma noite incomum para um senhor de escravos.

Eu era bem ignorante no quesito paranormal, a minha mulher várias vezes já havia me falado de fantasmas na mansão, mas era difícil de acreditar quando na maior parte do tempo ela tinha um martíni como acompanhante pessoal. Apesar de eu gostar do brilho reluzente da bebida nos seus olhos e ficar impressionado com o estoque de martíni que ela tinha não me agradava o fato dela botar medo nos escravos por causa dessa maldita paranoia.

Ela era a minha esposa, mas isso não lhe dava toda essa autoridade, de qualquer forma depois de um tempo consegui controlar um pouco o seu vício e as assombrações pararam por um tempo. Mas acreditem em mim quando digo que é impossível matar uma ideia quando ela está enraizada na mente das pessoas.

Se antes a doida era a minha mulher, agora eram as escravas dela, mandei açoita-las dez vezes caso proferissem qualquer palavra relacionada a espíritos, e assim foi feito, não uma, não duas, mas onze vezes, o que dá um total de 110 açoites em cada escrava, de alguma forma elas conseguiram ser fortes e corajosas o suficiente para contaminar não só a minha esposa novamente, mas também boa parte dos meus escravos homens.

Certo dia acordei no meio da madrugada com uma verdadeira rebelião dentro da minha casa, eram três lances de escada mais o porão aonde eu costumava guardar a minha propriedade. Eu deveria estar meio sonolento ainda porque enquanto eu me encaminhava para a “audiência” senti algo dando leves puxões em meu roupão, continuei em frente sem pestanejar.

Estava com a lamparina em punho e a sua luz vacilante só conseguia iluminar dois palmos a minha frente, a cada degrau que descia mais dois se iluminavam a minha frente e mais dois se escondiam as minhas costas, lembro de fraquejar as pernas em pelo menos dois pontos da escadaria e poderia ser só impressão minha, mas os berros e gritos dos homens lá em baixo se alteravam de forma grotesca como se saísse da própria porta do inferno, como se uma legião de demônios gritassem junto deles, gritos de angustia, desespero e principalmente medo.

No terceiro lance de escadas eu já me escorava no corrimão e descia ligeiramente de dois em dois degraus, tomando evidente cuidado para não derrubar a lamparina e causar um verdadeiro estrago.

De repente o silêncio tomou conta de minha casa.

Parei faltando alguns passos até a porta, eu não via, mas sabia que ela estava ali, fiquei esperando com alguma expectativa idiota que não vou lembrar agora.

Quando cheguei na porta do porão estava a centímetros de girar a maçaneta quando uma força obscura e tenebrosa me pegou desprevenido por esvair da mesma, não, não, exalava de trás, eram como tentáculos que se enrolavam em si mesmos e se agarravam à porta como um bebê se agarra ao peito da mãe para tirar seu sustento. Quando finalmente caí em si percebi que estava ficando tão louco quanto a minha mulher, toda aquela maldita história tinha entrado na minha cabeça também, e algo me confirmava que a única forma de acabar de vez com aquela patifaria era abrindo a porta e vendo a droga daquele porão.

Olhei para a maçaneta, e o reflexo dos meus olhos pareceu olhar de volta, trocar aquela maçaneta por uma de madeira, anotou em sua mente. A minha mão esquerda estava tremendo como a mão de alguns negros mais velhos que eu ainda mantinha como escravos e me senti terrivelmente vulnerável naquele momento, a minha visão ficou embaçada com uma gota de suor que acabou caindo de um dos meus cílios, a ardência foi usada como justificativa para afastar a minha mão e limpar o olho.

Mas eu não poderia simplesmente desistir, o que estava acontecendo com o robusto e valente Harold Ford? Respirei fundo me enchi de ar e de coragem e “ataquei” a maçaneta.

E então finalmente abri a porta.

De repente uma lufada de ar enorme ventou as minhas vestes e o meu cabelo para trás, tive que proteger o meu rosto com a mão e todo o ar que me enchia o peito foi esvaziado de imediato. E assim como uma respiração, o porão me inspirou para dentro dele fechando a porta atrás de mim, a luz cessou e por um momento imaginei que fosse me espatifar nas escadas que levavam para baixo, mas pelo contrário eu entrei em queda livre como se tivesse caído em um abismo.

Era óbvio que eu não enxergava nada, mas era capaz de sentir odores e escutar sons muito bem, por vários momentos senti um cheiro peculiarmente estranho, vocês hão de concordar comigo pois o cheiro que senti foi o de leite aguado e queijo podre, talvez eu tenha confundido e o cheiro na verdade se destinasse a outras coisas, mas um cheiro era de longe mais do que reconhecível, era um cheiro forte de ferro, um cheiro que preenchia as narinas e levava o odor até a mais profunda das células.

Mas o pior não foi a queda, nem o cheiro de ferro, nem a temperatura que se elevava a cada instante, o pior era os sons, fui capaz de identificar um par de vozes, velhos amigos e amigas pedindo socorro, senhores e senhoras da alta burguesia como eu que utilizavam de escravos como eu para dirigir seus negócios, o problema é que seus filhos já tinham tomado seus lugares há um tempo e os seus corpos jaziam a sete palmos da terra por algum tempo, então o terror caótico preencheu o meu corpo quando ouvi seus gritos de desespero e suas lamentações acerca da vida.

Não sei por quanto tempo permaneci nessa queda, mas para mim pareceu uma eternidade, depois de um tempo um sono irremediável se apossou de meu corpo e eu adormeci contra a minha vontade.

Acordei em minha cama em uma típica manhã de setembro, nada parecia estar fora do normal, mas fiquei sentado analisando tudo por pelo menos 3 minutos, depois levantei e minuciosamente me dirigi ao corredor que levava a mais quartos e no final às escadas, andei silenciosamente escorando a minha mão na parede como se esperasse algo surgir no topo da escada, mas não foi o que aconteceu, avancei até as escadas, desci os três lances e me posicionei na frente da porta do porão.

Estava obviamente bem iluminado por conta da claridade diurna, mas mesmo assim um terror afligiu meu coração, uma das minhas escravas me pegou encarando a porta paralisado sem nem piscar o olho, ela me disse que depois de alguns chamamentos e puxões na camisa eu a dei ouvidos e voltei a mim.

Me lembro bem dessa parte porque aproveitei a companhia dela para abrir a porta e jogar a mesma lá dentro sem pensar duas vezes, os minutos que se passaram foram estranhos, ela primeiro bateu na porta e pediu gentilmente para mim abrir, depois de eu explicar a situação e exigir que ela descesse as escadas ela se calou e desceu as escadas, o som do seu sapato ressoou no assoalho por 6 vezes e então ela gritou.

Abri a porta instantaneamente e corri para baixo de encontro com ela, a moça estava desmaiada no chão de concreto, o que por si só já era bem curioso, mas quando inclinei meus olhos para frente dei um grito tão audível que acordou até a minha mulher no terceiro andar, todos, mas todos os meus escravos tinham simplesmente desaparecidos.

Depois desse dia comecei a dar mais ouvidos e martíni para a minha esposa.

16 de Noviembre de 2019 a las 00:59 0 Reporte Insertar 2
Fin

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