O órfão Seguir historia

tayfofanms Taynã Silva

O ano era 2000, mas o colégio parecia ter parado nos anos 60. Cercado por um bosque a perder de vista e sem estradas próximas, BaekHyun se via no meio do nada, durante uma nevasca, sem saber para onde correr. Os espíritos continuavam a chamar por ele, avisando-o que algo ruim aconteceria em breve, pedindo que ele partisse. Mas ele só tinha olhos para Kim Minseok, o único com quem conversava, e não queria deixa-lo. Só não contava que o amigo tivesse um motivo para não abandonar o lugar. Motivo esse que envolvia um assassino que tinha como próximo alvo Byun BaekHyun. ESSA HISTÓRIA TAMBÉM ESTÁ SENDO POSTADA POR MIM NO SPIRIT FANFICS!


Horror Historias de fantasmas Sólo para mayores de 18.

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Por toda a eternidade

1960


O rapaz já estava cansado das vozes martelando em sua cabeça, avisando-o para correr; dos pesadelos e dos corvos do lado de fora olhando para ele, como se esperassem que ele morresse e finalmente desovassem seu corpo, mas embora sentisse que corria perigo sem saber ao certo o porquê, o colégio e seus amigos eram tudo o que ele tinha e não arriscaria isso para fugir. Não quando se é um órfão e não se tem para onde correr.

Porém, foi quando o rapaz menos esperava que aconteceu. A visão turva pela água foi a última coisa que viu antes de seus pulmões se encherem dela e não ser mais possível respirar. As mãos de seu assassino continuaram em sua garganta por um tempo, até que julgasse seu trabalho concluído.

Diziam os céticos que nada havia após a morte, mas lá estava o rapaz, olhando para o próprio corpo dentro da banheira, enquanto o homem saía apressado. Estava morto.

E preso para sempre.


• ────── ✧ ────── •


2000


— Ei! — Disse ao sentar-se ao lado do outro na sala. O cabelo desgrenhado denunciava que havia acordado há pouco e o rosto vermelho acusava a vergonha por chegar atrasado. — Por que não me acordou?

— Eu não sabia que ainda estava dormindo, Baek. Desculpe. — Defendeu-se o rapaz de pele pálida e tez cansada. Eram melhores amigos, mas BaekHyun não se lembrava de já tê-lo visto com outro semblante, senão aquele.

— Com assim não sabia, Minseok? A gente divide o mesmo quarto, esqueceu? Além do mais, tem que sentar aqui no fundo sempre? Eu quase não enxergo o que ‘tá na lousa. — Tirou da mochila surrada seus cadernos e a bíblia. A Madre ainda não havia chegado e BaekHyun jamais gostaria de ficar de castigo por perder a leitura matinal da bíblia.

— Está certo. Da próxima vez me certifico que você está acordado. — Encostou-se na parede e bocejou.

— E sobre sentar mais pra frente?

— Eu gosto de sentar aqui.

BaekHyun estava prestes a argumentar a seu favor quando a Madre entrou na sala de aula, acompanhada do professor de matemática. Aquela não era boa hora para conversas e ele bem sabia que o único som que ela queria ouvir naquele momento era das vozes em coro perfeito, pronunciando as frases da bíblia.


• ────── ✧ ────── •


Estava a caminho da biblioteca quando as vocês começaram a atordoá-lo outra vez. A sensação era de estar acuado e piorava a cada passo que dava na direção dos dois fantasmas que vinham ao seu encontro, flutuando. Nenhum dos dois tinha pés e isso intrigava BaekHyun que, apesar de já possuir esse dom desde criança, ainda não entendia qual era o sentido disso.

Continuou andando e desviando o olhar, mas as vozes ainda capturavam toda sua atenção, melodiosas, quase humanas. Por que aquelas almas eram tão semelhantes às pessoas vivas, exceto pelos pés? Por que continuavam dizendo para que ele fugisse, que fosse para o mais longe que pudesse e nunca mais voltasse? Suas previsões sempre vinham carregadas de desespero e incluíam o aviso de que algo ruim aconteceria em breve.

Passou pelas almas que flutuavam lado a lado, dois rapazes, olhando diretamente para a porta da biblioteca a frente, cada vez parecendo mais distante.

— Vá embora. — Disse um deles em seu ouvido quando passou.

— Ou ele vai te encontrar. — Completou o outro fantasma.

— Quem? — BaekHyun perguntou, parando no corredor. Olhou diretamente para eles e, de perto, notou que não eram tão humanos quanto aparentavam: nenhum deles tinha olhos.

— Ele quer você. Vá embora!

— Vá embora!

— Para longe! Muito longe!

— Vá embora!

E BaekHyun entrou na biblioteca correndo, os olhos mareados. Nunca antes uma pessoa morta o assustara tanto mandando-o correr. E, nesse caso, eram duas. Ao entrar em um dos corredores de prateleiras da biblioteca iluminada por velas, tentando esquecer do que havia ocorrido no corredor e falhando em voltar a respirar normalmente, deu de cara com Minseok.

— Que cara é essa? — Perguntou o rapaz sentado a uma das mesas da biblioteca. As chamas das velas de um castiçal posto no centro da mesa tremularam sem brisa alguma, e BaekHyun se limitou a olhar para os lados, procurando qualquer pessoa sem pés que pudesse ver. — Até parece que viu um fantasma. — “E vi mesmo”, queria dizer, mas esse era um segredo que não havia contado nem mesmo para o melhor amigo. — Ande, sente aqui. — Levantou-se e puxou uma cadeira para o amigo. — Meu Deus! Você está pálido! O que aconteceu?

— N-Nada. — Mentiu, BaekHyun. — Só me assustei com um gato.

— Eu sabia que era medroso, mas não sabia que era tanto assim. — Riu debochado, tentando livrar o outro do clima pesado.

— Isso não tem graça!

— Tudo bem, tudo bem. Vamos mudar de assunto e fazer logo esse dever antes do toque de recolher. A Madre vai ficar uma fera se a gente não entregar isso amanhã. — Disse Minseok sentando-se de frente para o outro e mexendo em seus papéis.

Puxar assunto sobre o dever de casa havia tirado parte do medo de BaekHyun, mas o seu próprio continuava lá, vivo, agora que sabia existir alguém parado à sombra de uma das alas fechadas da biblioteca.


• ────── ✧ ────── •


— O senhor não pode estar bem do juízo. — Disse a Madre de seu escritório. Era já uma senhora, na casa dos sessenta anos. — Como pode me pedir uma coisa dessas depois do que fez?

— Eu não estava preparado da última vez, agora me sinto pronto. — Soou uma voz masculina.

— Pronto para quê? Levar a alma de um rapaz? Como se atreve a me pedir para compactuar com este pecado?

— Ah por favor, Madre! Como se a senhora fosse uma dama de respeito!

— Ora! O senhor não fale assim comigo ou...

— Ou o que? Conta que foi pra cama comigo? No mínimo perderia a pose de boa moça e seria expulsa desse lugar! Ou prefere me acusar de assassinato? Eu disse à senhora, Madre. Agora estou preparado.

A mulher se calou. Ele havia dito as palavras certas para abalá-la o suficiente para que desse a ele cobertura.

— E o que quer que eu faça? Não posso deixar outro garoto morrer aqui. Da última vez te deixei fugir porque se dizia arrependido, mas agora me pede para deixa-lo sozinho com outro rapaz?

— Exatamente por que foi minha cúmplice da última vez que preciso que seja de novo. Não me olhe desse jeito. — Sorriu, falando manso. — Sabe que não tenho interesse algum por assassiná-la. Além do mais só quero que facilite as coisas e que volte a me chamar de YiFan. — Se aproximou, devagar — E vai fazer isso por bem — Tocou sua bochecha com as costas da mão — ou por mau.

A porta se entreabriu com a brisa e ambos olharam para o vão. Minseok ouvira tudo atrás da porta e correu dali surpreso. Aquele era um fato que ele não sabia e de agora em diante não confiaria mais nela.


• ────── ✧ ────── •


— Ei! Adivinha o que descobri! — Disse BaekHyun animado, sentando-se ao lado de Minseok no refeitório. Tinha nas mãos uma bandeja metálica, onde tinha seu almoço.

— O que?

— Existe uma lenda nessa escola sobre um menino que morreu em 1960. Ouvi dizer que ele era órfão, morava no orfanato ao lado, como nós. Disseram que foi assassinato.

Minseok ficou surpreso. Não ouvia aquela lenda entre os alunos há muitos anos e não esperava que um dia ela retornasse aos boatos. No entanto, limitou-se a parecer neutro. Não queria que seu amigo achasse que ele sabia demais.

— Estão dizendo por aí que ele ronda os corredores à noite, buscando vingança.

— Isso é besteira. — Disse Minseok, engolindo em seco. Aquela lenda era mais do que familiar para ele.

— O que? Não acredita em fantasmas?

Desconversando outra vez, o amigo avisou:

— É melhor terminar de comer antes que batam o sino. Não vai querer deixar seu almoço aí.

BaekHyun fez cara feia. Querendo ou não, Minseok tinha razão e não parecia estar num bom humor para aquele tipo de conversa. Deixou o assunto de lado. Tocaria nele em outra vez em breve.


• ────── ✧ ────── •


Era tarde da noite e já passava do horário do toque de recolher quando BaekHyun pronunciou no escuro do quarto:

Min? Está acordado?

— Não. — Respondeu com a voz sonolenta.

— É claro que está. — Retrucou. — Estou sem sono.

— Vire para o lado que o sono vem.

BaekHyun calou-se. Não era falta de sono o seu problema, mas o medo de dormir. A lenda do garoto órfão o incomodava e sua cabeça já formulava milhões de teorias que ligavam os fantasmas do corredor e seus avisos à lenda do colégio interno.

— Você acha que a lenda é real? — Perguntou finalmente, torcendo para o outro não ter pego no sono.

— Eu não sei. Por que não tenta dormir, Baek? Temos que acordar cedo amanhã. — Ouviu-se o ranger da cama alheia e o contorno do corpo de Minseok se alterou no escuro.

— Eu vi dois alunos mortos no corredor. — Anunciou de repente e outro ranger da cama se fez audível do outro lado do quarto. Minseok olhava para ele surpreso. — Eu... Eu nunca te contei isso antes e eu acho que você vai achar que eu estou louco, mas... não eram cadáveres.

— O que quer dizer?

— Que eram duas almas. — Minseok ficou em silêncio e, incomodado, BaekHyun continuou. — Me disseram para fugir daqui e que algo ruim aconteceria. Repetiram isso várias vezes. — O outro continuou calado e, se não fosse o brilho de seus olhos vistos pela luz da lua que vinha da janela, BaekHyun acharia que ele havia dormido. — Você acha mesmo que sou louco, não é? — Riu debochado de si mesmo, se perguntando por que diabos havia tocado no assunto.

— Cada um sabe o que vê. — Disse Minseok. — Se você diz que viu, eu acredito.

— Então entende por que não consigo dormir. — O outro assentiu.

— Durma aqui. — BaekHyun não entendeu o convite e continuou olhando para o brilho dos olhos do amigo. — Comigo. Traga seu travesseiro. — Desconfortável, BaekHyun sentou-se na cama, puxando para si seu travesseiro. Ele deveria mesmo ir? Quer dizer... Isso era apropriado para dois rapazes? — Nada de mau vai acontecer com você aqui. Eu vou ficar do seu lado e te proteger.

BaekHyun não podia negar: aquele era um convite irrecusável. Levantou-se e atravessou o pequeno quarto, e deitou-se ao lado de Minseok, que lhe deu espaço. Se pôs embaixo dos lençóis com o melhor amigo e se encararam no escuro, pouco vendo um ao outro.

Um beijo foi trocado em silêncio.


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YiFan acordou de um pesadelo com a camisa colada ao peito. O som de algo sendo arranhado parecia ter saído do sonho macabro quando ele abriu os olhos e vislumbrou o quarto simples da Madre, que dormia ao seu lado – haviam se deitado outra vez.

Sentou-se na cama. A lamparina posta na cabeceira pouco iluminava o recinto e ainda tornava toda e qualquer sombra fantasmagórica. Com o suor gelado lhe escorrendo pelo pescoço, tomou coragem para levantar-se. Sabia que algo estava estranho no quarto e que não era sua cabeça lhe pregando peças. Caminhou alguns passos até a janela. Olhou para fora e notou que ainda nevava. Aquele era um fim de mundo perfeito para cometer mais um assassinato e, metódico como era, gostava de manter o mesmo tipo de vítima que a primeira vez: um órfão.

O ruído familiar preencheu o silêncio outra vez. Olhou para o lado, onde ficava uma pequena mesa de canto. O som se repetiu, dessa vez mais demorado e YiFan arriscou alguns passos. Tentava achar soluções racionais, como uma ratazana, mas ao se aproximar da mesa, notou uma rosa acima desta. Murcha, denunciava sua falta de cuidado e ele com certeza a teria notado ao entrar no quarto, mas estranhamente não se lembrava dela.

Ao lado dela, talhado na madeira da mesa, havia um recado:

“Fique longe do órfão ou eu estarei lá”.


• ────── ✧ ────── •


No dia seguinte, YiFan estava decidido a seduzir BaekHyun. Ele era o seu tipo: garoto esguio, isolado dos outros colegas como se o achassem louco. Essas eram características que YiFan sempre procurava porque lembravam as suas próprias, em seus anos como aluno interno daquele colégio, onde vivera sua infância e adolescência desastrosas ao dizer aos outros amigos que sentia os espíritos.

Riu debochado. Aquelas pessoas não sabiam de nada, o achavam louco e o negavam afeto, e olha só o que ele tinha se tornado.

Viu o jovem entrar na biblioteca e vagar por entre as prateleiras atrás de um livro. Estavam sozinhos, seria fácil como tirar um doce de uma criança. Ou no caso, a vida. Talvez a Madre sequer precisasse ajuda-lo. YiFan poderia atraí-lo para uma emboscada.

Se aproximou, vagaroso. Observava de longe e seguia os passos alheios de corredor em corredor. A biblioteca estava vazia, exceto pela presença dos dois e BaekHyun parecia entretido demais na coleção de livros que agora tinha nas mãos para notar sua existência.

Tudo estaria perfeito se, quando YiFan se aproximou o suficiente para tocá-lo, não tivesse sentido de novo. Há muito tempo não era tão forte e o calafrio percorreu todo seu corpo, emanando do rapaz de costas à sua frente, folheando um dos livros. O homem estava acuado. Havia algo ali, atrás do garoto, de frente pra ele, olhando diretamente em seus olhos. E o que quer que fosse – ou quem quer que fosse – sabia de seu passado.

Então o assassino deu para trás.


• ────── ✧ ────── •


— Sonhei com um assassinato. — Anunciou BaekHyun sem olhar para o amigo, que o esperava sentado na cama. — Não podia ver os rostos, mas havia muita água, muita água... Eu podia ver alguém segurando outra pessoa abaixo d’água e, de repente, parecia que eu estava me afogando. Minseok, foi horrível. Eu acordei com falta de ar e juro que senti meus pulmões se encherem de água!

Minseok ouviu tudo calado. Desde a madrugada anterior que seu amigo tocava repetidas vezes em assuntos sobrenaturais, e ele já podia apostar onde a conversa ia dar: nos fantasmas do corredor.

— Estou dizendo, Minseok! Aqueles fantasmas sabem de alguma coisa e isso está ficando perigoso. — Disse com medo expresso nas mãos trêmulas. — Me disseram para fugir daqui. Venha comigo! Vamos fugir do colégio e do orfanato e dessa loucura toda!

— Ei, se você quer ir, eu te apoio e até te ajudo. Mas sair no meio dessa neve toda é loucura e eu não posso ir com você.

— Por que não? Podemos nos ajudar lá fora, podemos...

— BaekHyun! Você está com tanto medo assim? — Não houve resposta. — Veja bem... Eu e você não temos família lá fora e com esse frio vamos morrer antes de encontrar um lugar seguro. Além do mais nem sabemos pra onde ir, sequer onde tem uma estrada.

— Mesmo assim, é mais seguro. Min, eu acho que querem me matar.

Para isso, Minseok não tinha contra-argumentos. Não podia impedir seu amigo de sair das dependências do colégio ou do orfanato, mas ele mesmo também não podia seguir nessa aventura.

Por outro lado, BaekHyun não iria sem ele.


• ────── ✧ ────── •


BaekHyun estava aflito em seu quarto, andando de um lado para o outro. A gravata frouxa no pescoço era quase uma afronta para as regras do lugar, rígidas demais, mas ele pouco se importava. Estava mais interessado em descobrir onde Minseok havia se metido o dia todo, já que ele não o via desde sua conversa sobre fugir.

Ouviu alguém bater à porta e pensou ser o amigo, talvez por ter esquecido a chave, mas ficou surpreso ao ver a Madre parada ainda com uma das mãos erguida.

— Te procurei por todo o colégio, rapazinho. — Ralhou ela. — Sabe que não é horário para estar no dormitório.

— Me desculpe, Madre. Eu só vim atrás-

— Quieto. Venha comigo, há uma pessoa que quer falar com você. E arrume esta gravata.

— Sim, senhora.

Ele não tinha escolhas, então a seguiu.


• ────── ✧ ────── •


YiFan esperava armado num banheiro de um andar desativado do orfanato, pronto para afogar o órfão escolhido, como fez da última vez. Estava decidido a não dar para traz de novo e sentiu a adrenalina correr por seu corpo quando a Madre partiu em busca do garoto. O punhal lhe dava certa confiança, apesar de não ser sua intenção usá-lo. Não era sua forma de matar, sujar de sangue não tornava a cena nada agradável.

Ouviu a voz do garoto vindo do corredor, perguntando sobre para onde estavam indo. Para o inferno, pensou o homem. A porta do banheiro se abriu e o garoto entrou.

— Que lugar é esse? — Ouviu-o perguntar antes que a Madre fechasse a porta atrás dele e ele se visse trancado no escuro. BaekHyun pensou estar sozinho, até que YiFan saiu das sombras com um sorriso medonho.

— Você... — O rapaz reconheceu as roupas. Com certeza era a mesma pessoa de seu pesadelo, aquela que segurava a outra abaixo d’água. Deu um passo para trás. Aquilo não era nada bom.

— Eu esperei muito tempo por você, meu jovem. Estou a sua caça há dias e eu não gosto de esperar.

— O que você quer? Quem é você?

— Eu? — Apontou para si mesmo. — Eu sou a última pessoa que você verá, também conhecido como o homem que matou o órfão.

As palavras ecoaram na cabeça de BaekHyun e o choque o fez cambalear. Então a lenda era real e aquele pesadelo não era um sonho ruim qualquer, mas uma vivência do crime que ele sofreria em breve.

— E o que eu quero, bem.... Você. — YiFan deu alguns passos. Era mais alto que o rapaz e com certeza mais forte. Estando sozinhos, não tinha como não conseguir fazer o que queria e, foi apoiado nesse pensamento que, quase num estalar de olhos, movimentou-se rápido o suficiente para imobilizar o rapaz antes que ele sequer notasse sua aproximação.

BaekHyun foi levado à banheira, arrastado, preso entre os braços de seu agressor. Escorregou no piso molhado e a lembrança do afogamento de seu pesadelo invadiram sua cabeça, apavorando-o mais ainda. Viu o brilho de uma banheira cheia d’água através da luz que vinha de fora pela janela e debateu-se na tentativa sem sucesso de se soltar.

Procurou pelo olhar por algo que pudesse pegar, talvez machucá-lo para que o soltasse, mas o que encontrou num canto foi chocante. Os dois fantasmas que ele vira no corredor estavam lá, lado a lado, ainda sem pés, olhando para ele.

— Você devia ter fugido. — Sussurrou um deles.

— Eu avisei, eu avisei. — Disse o outro.

BaekHyun quis pedir ajuda, nem que fosse para as almas prostradas no canto, mas fora obrigado a entrar na banheira, quase jogado na água fria que molhou todo seu uniforme. As mãos do homem seguraram seu pescoço, grandes e firmes, empurrando-o para baixo, tentando afogá-lo e BaekHyun se mexia abaixo d’água, falhando na tentativa de sobreviver ao afogamento. Tateou e segurou tudo o que pôde, mas nada lhe trouxe bons resultados.

Tentou com todas as forças afastar as mãos de Yifan de seu pescoço para que pudesse ao menos levantar um pouco e tomar um pouco de ar, mas as mãos eram firmes como pedra e nada no mundo parecia conseguir movê-las.


• ────── ✧ ────── •


A Madre desceu para o porão em passos leves enquanto a escada de madeira rangia. Minseok continuava preso lá por um amuleto, que ele não podia tocar, embora ainda tentasse.

— Você não pode fazer isso. — Repetiu ela. — Espíritos maus ficam presos por causa dele e você tem coisa ruim no corpo. Aliás, corpo que já não tem.

Minseok trincou os dentes. Sabia que algo errado estava acontecendo com BaekHyun, podia sentir, e não podia se ver preso de novo, não por ela, não como daquela vez. Aturdido e incapaz de sair dali, as lembranças lhe invadiram a mente. Ele estava a ponto de um colapso e ela assistiria de camarote.


• ────── ✧ ────── •


1960


Minseok sabia que tudo estava prestes a desmoronar. Seus pulmões lutavam para conseguir oxigênio enquanto ele corria loucamente. Dois fantasmas flutuavam em seu encalço, gritando para que ele corresse porque ele estava vindo. E o rapaz sabia bem do que ele era capaz.

Continuou correndo já exausto, olhando para trás vez ou outra. O homem parecia ser mais rápido que ele mesmo apenas andando rápido e, por entre corredores e escadarias, o órfão tentava fugir do homem que, ainda há pouco, havia lhe jurado a morte.

Mas mal sabia Minseok que ele estava correndo para sua própria cena do crime: um banheiro masculino num dos andares de cima do dormitório do orfanato. Entrou e buscou a tranca, mas na porta sequer havia maçaneta ou fechadura. Ao olhar em volta e ver água para todo lado, entendeu o que significava. Ele havia sido atraído, enganado até acabar exatamente onde seu futuro assassino desejava.

E não havia escapatória. Quando o homem entrou com um sorriso torto no rosto, as mãos firmes em seu pescoço segurando-o abaixo d’água, a dificuldade em respirar e o sorriso do homem tornaram-se as últimas coisas que Minseok se lembra antes de morrer.


• ────── ✧ ────── •


2000


Entre suas idas e vindas de debaixo d’água, BaekHyun já perdia as esperanças. Estranhamente, a única coisa que se lamentava era de não poder sequer se despedir de Minseok ou contar que o que sentia por ele não era exatamente uma amizade.

Porém, quando BaekHyun já não tinha mais forças e fraquejava já com a visão turva, viu seu melhor amigo atrás do assassino. Não podia ver mais do que seu rosto turvo pela água, mas sentiu um alívio devastador tomar conta de seu corpo, entorpecendo-o. Minseok estava lá, afinal. Nada de errado havia acontecido com ele.

Os braços do homem ficaram moles de repente, e BaekHyun juntou o pouco de forças que ainda tinha para se erguer da banheira. Minseok olhava fixamente para o homem, agora caído de bruços na borda da banheira.

— Você... O matou? — Perguntou BaekHyun ofegante.


• ────── ✧ ────── •


Jornal das seis


Nesta quarta-feira, 21 de Junho de 2000, o colégio interno Madre Louise, ligado a um orfanato, foi palco de um homicídio triplo. Ao todo foram três corpos encontrados em dois cômodos diferentes e o crime mantém ainda semelhanças inegáveis com o caso de 1960, na época nomeado de “O órfão”.

Uma das vítimas, Madre Mi-Cha de 64 anos, foi encontrada já sem vida no porão do orfanato com ferimentos que impressionaram até mesmo os próprios peritos. A vítima foi a responsável por encontrar o corpo do órfão de 1960. Segundo a polícia, achava-se que o local não mais funcionava, visto que recebeu ordem de fechamento logo depois do arquivamento do caso de 1960.

Os dois outros corpos, identificados como Wu YiFan e o estudante também órfão Byun BaekHyun, foram encontrados num banheiro do prédio do orfanato. O rapaz tinha a mesma idade da vítima de 1960 e a cena do crime parece exatamente a mesma, exceto pela presença do homem. A polícia ainda não sabe ao certo o que aconteceu, mas anunciou numa coletiva de imprensa que as outras crianças serão levadas para um lugar mais seguro e o local será devidamente fechado, dessa vez.


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Dois rapazes caminhavam pela estrada, de mãos dadas, conversando e rindo. O frio pouco os incomodava, apesar da neve traiçoeira preencher a paisagem.

— Então... isso quer dizer que somos...

— Namorados? — Minseok riu. Havia acabado de confessar o que sentia pelo outro, depois de tanto tempo guardando segredo. — É. Pode ser. — Sorriu sem jeito. — Por toda a eternidade, se você quiser.

BaekHyun lhe devolveu o sorriso.

20 de Octubre de 2019 a las 04:47 0 Reporte Insertar 0
Fin

Conoce al autor

Taynã Silva Admiradora das estrelas, sempre busca por novas aventuras no universo da ficção científica. É amante de uma boa história de terror escrito, embora tenha medo dos filmes. Também posta no Spirit Fanfics (@tayfofanms) e no Nyah! Fanfiction (tayfofanms).

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