Cassis (Série Alestia I) Seguir historia

janeviesseli Jane Viesseli

A imortalidade para os que erram é como uma floresta densa e escura, cujas árvores se transformam em labirinto e os nega qualquer chance de sair. Cassis é um vampiro de 190 anos que se vê obrigado a unir-se a humana Sara pelos laços do matrimônio, para assim conciliar uma aliança entre as duas espécies. Predador e presa vivendo lado a lado, poderia ele enterrar de vez o seu passado e conviver com a jovem princesa sem ser tentando pelo seu sangue? Sem errar outra vez? O livro Cassis é o romance de estreia da série Alestia, um reino de mistérios e medos, dividido entre vivos e não-vivos, onde a luz está prestes a penetrar a escuridão da eternidade...



Fantasía Medieval No para niños menores de 13. © História original e registrada na Biblioteca Nacional. Todos os direitos reservados.

#cassis #alestia #série #original #medieval #sobrenatural #vampiro #romance
3
1.2mil VISITAS
En progreso - Nuevo capítulo Todos los lunes
tiempo de lectura
AA Compartir

O Plano Perfeito

― Então, concordamos que um de nós deve assumir o nome e o título de príncipe?

As sete outras cabeças curvaram-se em consentimento. Haviam homens e mulheres naquela sala escura, todos pertencentes a um mesmo clã e seguidores de uma só doutrina. Seus rostos eram jovens, pouco afetados pelo tempo, e seus corpos eram cobertos com mantos tão suntuosos e magníficos quanto suas aparências, cuidadosamente ornamentados com joias e fios de ouro, e cujas tonalidades variavam entre preto, cinza, vinho, azul-escuro e verde-esmeralda.

― Com essa aliança garantiremos grande quantia de sustento, além de uma convivência tolerável com os mortais. Temos muitos reinos menores em nosso tratado, mas Alestia é um grande reinado e se incitarmos sua ira… Bem, seria um conflito deveras dispensável. O rei realmente espera uma adesão para essa aliança!

O orador era o mais velho dos oito ali reunidos e ocupava o assento mais perto da porta, uma cadeira alta forrada em tecido vermelho, com pernas folheadas a ouro como todas as outras, à beira de uma grande mesa retangular. O ambiente rudimentar e iluminado a vela camuflava as relíquias raras daquela sala e deixava os rostos nublados à visão humana, entretanto, como ninguém ali era exatamente humano, podiam enxergar um ao outro com perfeição.

― Afinal, qual de nós assumirá tal responsabilidade? Somente um ancião é realmente capacitado para tal evento e não o ouvi cogitar um candidato até o momento – indaga o que estava mais próximo ao orador, um homem negro e corpulento chamado Ettore, cuja voz grave poderia intimidar qualquer um que tivesse uma casta inferior a dele.

O mais velho levanta os ombros levemente, como se o que estivesse prestes a propor não significasse nada e não ferisse a hierarquia de seu clã.

― Eu pensei que o Sanguinário seria o mais apropriado. – Houve alguns murmúrios. – Ele possui ampla habilidade de combate e política, aumentou seu controle consideravelmente desde o incidente que lhe deu este título e pensei que poderia confiar em vós, meus irmãos, para mantermos nossa seleção em segredo.

Os integrantes se entreolham, como se cada um estivesse medindo a disposição do outro em lançar uma oposição. Depois veio o balbuciar de algumas vozes em entonações positivas, finalmente reconhecendo que sim, é claro que eles tomariam parte naquele plano.

― Vossos consentimentos são inspiradores – afirma o orador, sorrindo.

― Ele é um neófito, não pode tornar-se príncipe de Alestia! – retoma Ettore. – Estará pisando em nossa hierarquia ao colocá-lo no lugar de um ancião.

― Ele não é mais um neófito – corrige.

― Não há diferença! Ele ainda age como uma criança imprudente.

― Questiona-me a capacidade de doutrinar minha cria? – Um silêncio imediato se fez. – Como disse, ele não é mais um neófito e mesmo que não esteja no patamar adequado, ainda é a melhor escolha dada às condições da parte humana.

― Não podes passar por cima deste conselho Thorkus!

― Não estou querendo afrontar nossa irmandade Ettore, apenas calculei que a classe de nosso pretendente não o torna menos qualificável para a tarefa.

Mais alguns murmúrios se seguiram, mas ninguém quis tomar a palavra para contestá-lo. Thorkus era muito hábil com as palavras e dificilmente vencido em debate, os presentes já haviam sido derrotados desde o primeiro momento.

Do outro lado da mesa, frente a frente com o orador, sentava-se a segunda vampira mais influente daquele salão, com os lábios pintados de um vermelho tão profundo que era impossível não notá-los. Ela estreita os olhos e com um movimento brusco se coloca de pé, apanhando o machado que descansava sobre a mesa e o arremessando em direção à porta.

A arma de aparência pesada corta o ar como um pássaro, passando pela fresta da porta entreaberta e acertando o seu alvo com precisão. A madeira se abre em seguida, rangendo em suas sustentações enquanto cedia ao peso do corpo de um vampiro, que carregava o símbolo do clã pendurado ao pescoço, sendo certamente um traidor.

― Aniquilem-no enquanto vou atrás do outro! Não podemos deixar o sigilo ser quebrado – ordena a atiradora, com uma voz tão poderosa quanto a de Thorkus.

Sete corpos se levantam instantaneamente, três deles saindo em perseguição ao espião fugitivo e os outros quatro dirigindo-se ao vampiro abatido, cujo machado enterrado em seu coração seria pouco diante das torturas a que seria submetido por Ettore, o Torturador.

Somente Thorkus fica para trás, custando a acreditar que um ancillae fosse incapaz de realizar o serviço de um ancião, afinal, somente algumas centenas de anos separavam uma posição da outra. Porém, tal detalhe não poderia mais ser debatido ou revogado, não agora que o segredo havia sido descoberto e estava sendo levado aos ouvidos de seus inimigos, o que provavelmente atrairia mau agouro.

― Não há como recuar – murmura para si mesmo, finalmente levantando-se –, fomos traídos por nossos próprios irmãos!

O vampiro se retira da suntuosa sala, seguindo pelos corredores quase desertos em direção a saída, enquanto refletia sobre a importância daquela aliança para a sobrevivência de sua espécie e de seu clã, que se tornara pequeno desde que a Grande Guerra estourou no mundo inteiro. Há quase uma década, quando suas existências foram descobertas e os humanos começaram a caçá-los, um banho de sangue se estendeu por todos os continentes da Terra. As perdas foram inúmeras para ambos os lados, tanto que, agora que finalmente tinham a chance de estabelecer uma aliança de paz, nenhuma das partes pensava em retroceder.

Thorkus se retira da imensa fortaleza que servia de sede ao conselho dos anciões, localizado no centro da Terra dos Amaldiçoados, apanhando seu cavalo e rumando para o oeste, onde pôde adentrar o salão principal de seu próprio forte, na Terra Neutra, depois de muitas horas de cavalgada. Ainda no hall de entrada o ancião podia ver o filho na escadaria para o andar superior, não tão perto a fim de demonstrar saudades, mas também, não tão longe a ponto de mostrar desinteresse. O jovem de cabelos escuros tinha um semblante carrancudo, por havê-lo aguardado por um longo tempo, apesar de não pretender admitir.

― Estava entediante aqui, sem vossa presença. Que tipo de treinamento faremos esta noite?

― Não pretende perguntar-me sobre a reunião? Não ficas curioso sobre o que determinamos?

― Não dou a menor importância ao conselho, não passam de velhos caquéticos com rostos de mocinhos perfeitos. Sabes que somente as tradições me são importantes, pois, dos anciãos, pretendo manter-me distanciado.

― Por que me tomas por velho caquético? Por acaso não fui eu a indicá-lo para a aliança?

― Fez isso? Sabes que não posso, não sou um ancião e minha fama ainda está baixa diante de todos eles! – Se exaspera, avançando alguns passos.

― A sugestão pareceu agradável aos olhos do conselho – menti –, não é uma escolha, Cassis, pelo menos, não mais. Nossos planos foram descobertos e não teremos tempo para escolher outro vampiro.

― Por que me indicou? Não vou conseguir…

― Pare de viver no passado, se é que vampiros podem viver. – O interrompe, com voz tranquila, como se o que tivesse acabado de fazer não fosse falta de educação. – És o mais capacitado para a tarefa e confio na força de minha cria, portanto, deixe os medos para os humanos que não podem se defender de nós – continua, caminhando escadaria acima para colocar fim àquela conversa de forma sutil. – Tu és o único capaz de suportar essa tarefa sem romper os termos da aliança. Ouvi relatos sobre ela, dizem que é indelicada e irritante.

― Seu nome, fale-me seu nome pelo menos – grita ao pai, antes que desaparecesse de vista e se recusasse a responder qualquer uma de suas perguntas.

― Sara! – responde somente, sumindo fortaleza adentro e se calando, já que o filho tinha muito no que pensar.

― Indelicada e irritante, foi assim que começou da última vez – lamenta-se, sentando num dos degraus e esfregando os cabelos negros com evidente pesar, atormentado por suas próprias lembranças.

Bem distante dali, escondidos numa gruta em meio à floresta, já nos domínios de Alestia, um casal de não-vivos conversava tediosamente sobre a Grande Guerra, enquanto aguardava a chegada de seus informantes e notícias que realmente lhe interessassem. O vampiro narrava com bastante ênfase a manobra executada por um antigo líder rebelde, para que o mundo vampiro fosse revelado aos mortais, e, quando chegou ao fim de sua prosa, estufou o peito ao falar das consequências de tão sensata estratégia:

― A ordem pregada pelas velhas tradições, que nos obrigava a permanecer ocultos foi finalmente quebrada, acarretando a maior caçada aos vampiros que já existiu e quase trazendo a extinção dos grandes clãs em todo o mundo. Agora, passado tanto tempo desde a Grande Guerra, os que antes eram conhecidos como demônios são chamados pelo nome certo, vampiros, e uma nova era brilha sobre nós, onde podemos finalmente dominar sobre a raça humana e sermos os reis de toda a Terra!

― Contudo, os anciãos de todo o mundo tem procurado estabelecer alianças, não é mesmo? Para que não haja outra grande caçada? – questiona a mulher recém-criada.

― Ow, é claro. Para infelicidade de muitos, os clãs têm reagido a essa nova era criada pelos rebeldes, buscando manter firme a constituição de seus grupos e delineando estratégias de sobrevivência junto aos humanos, pois foram eles os mais açoitados pela guerra. A quebra de sua principal regra os pegou desprevenidos e, junto ao ataque humano veio o levante rebelde, o que os deixou completamente vulneráveis à caçada, já que haviam inimigos demais para se vencer. Por isso, eles têm tentado desesperadamente se levantar.

― Se ousarem pisar neste reino, com certeza se arrependerão de existirem! Nós governaremos sobre estas terras e não aceito que nos aconteça o contrário.

― Isso é fato minha criança. Este é o nosso domínio e não abrirei mão dele, em breve ergueremos nosso reinado sobre o deles e você se tornará a nobre rebelde mais bela que os reinos do sul terão a oportunidade de conhecer.

O casal sorri com os planos traçados, trocando maliciosas carícias até que um dos espiões finalmente retornou de sua missão, entrando repentinamente no refúgio mal iluminado de seu mestre.

Justino, o espião, parecia não se importar com o quão baixo estava descendo ao trair o seu próprio clã. Ele adentra a gruta com os olhos atentos, observando os poucos e podres móveis que compunham o esconderijo e prostrando-se no chão de terra em servidão ao seu novo senhor, para entregar-lhe a informação sigilosa que havia roubado da Terra dos Amaldiçoados.

― Estou com os atuais planos do conselho, mestre!

― E onde está o outro homem?

― Capturado, senhor!

― Uma pena – comenta, sem expressar qualquer lamento –, o que planejam agora? Para onde os anciãos pretendem expandir sua ridícula aliança?

― O conselho quer enviar o Sanguinário para o seu território, mestre.

― O que disse, Justino? – grita o vampiro que estava a se servir numa mesa ali perto, interrompendo o pronunciamento do espião para expressar sua revolta. – Como ousam trazer este infame acordo para nosso território? – esbraveja, apertando o copo de barro em suas mãos e fazendo-o se quebrar, desperdiçando o precioso sangue ali contido.

― Por favor, Zino, não desperdice nosso vitae fresco – pede o mestre ao irmão de criação. – Se Alestia pretende aderir à aliança, nosso perímetro de caça logo ficará comprometido e não poderemos nos alimentar com tanta liberdade, por isso precisamos ser cautelosos com o que temos.

― Agora temos que fazer a nossa jogada, concretizar alguma espécie de acordo também, senão, sobre o quê governaremos? – questiona a recém-mordida, não conseguindo imaginar sua nova existência sem a realização de todas as promessas que seu criador havia lhe feito.

― Pensa somente em sua coroa idiota? – pergunta Zino ainda irritado, olhando-a com desdém por alguns segundos, antes de mudar sua atenção de volta para o irmão. – O que vamos fazer a respeito, Tibérius? Não podemos permitir que tomem este território.

― Não tomarão, meu caro. Na hora certa os expulsaremos de nossas terras de caça, mas não podemos ter pressa. Agora que os planos do conselho foram expostos eles agirão mais depressa, precisamos ser cautelosos para que a expulsão seja completa e definitiva no futuro.

― Creio que não conseguirei esperar nem mais um minuto! – rebate com fúria, numa tentativa frustrada de mudar os planos do irmão, já que estava sendo nitidamente ignorado.

― Justino, tenho uma nova tarefa para você, mas, antes, retire este maldito brasão de seu pescoço. Isso me enoja! – cospe com desprezo, referindo-se ao símbolo do clã que o traidor ainda usava em seu colo.

O vampiro desleal recebe ordens para serem colocadas em prática dali a algumas semanas, com o máximo de rigor que lhe fosse possível, e, depois de se retirar, o casal retorna as suas triviais conversas e carícias, ignorando o irmão furioso que se retirava silenciosamente da gruta com seus próprios planos em mente, afinal, aquela invasão aos seus domínios não poderia passar impune.

1 de Noviembre de 2019 a las 00:00 0 Reporte Insertar 1
Leer el siguiente capítulo Festa de Noivado

Comenta algo

Publica!
No hay comentarios aún. ¡Conviértete en el primero en decir algo!
~

¿Estás disfrutando la lectura?

¡Hey! Todavía hay 23 otros capítulos en esta historia.
Para seguir leyendo, por favor regístrate o inicia sesión. ¡Gratis!

Ingresa con Facebook Ingresa con Twitter

o usa la forma tradicional de iniciar sesión