Não Desista! Seguir historia

sophiagrayson Sophia Grayson

Mu sentia que era um fardo, tanto para sua vida quanto para a de seus irmãos e então decidiu que colocaria um fim nisso. Se não fosse por um loirinho. | Universo Alternativo || Escrito em Setembro de 2018 | | Setembro Amarelo |


Fanfiction Anime/Manga No para niños menores de 13.

#setembro-amarelo #drama #cavaleiros-do-zodiaco #saint-seiya
Cuento corto
0
513 VISITAS
Completado
tiempo de lectura
AA Compartir

Capítulo Único

Era noite, fria e cinzenta, as nuvens cobriam o céu as estrelas e a formosa Lua. Em uma ponte pequena com fraco rio logo abaixo, que nesse horário, tarde da noite não passava carro e pedestre nenhum, um jovem adolescente de longos cabelos loiros se encostava na viga corroída pelo tempo.

Vestia um pijama, já velho com partes descosturadas. Em seus pés tinha pantufas azuladas. Suas belas e delicadas feições estavam marcadas. Seus olhos, verdes como esmeraldas estavam com bolsas roxas, consequência de noites mal dormidas e de chorar as escondidas. Pálido, cansado e com apenas dezenove anos começava a ter pequenas marcas de expressão. Tristes, cansados. Sem a vitalidade e juventude.

Soltou sua franja e madeixas do laço rosa que as prendiam. Suas mechas se bagunçaram com o vento frio como ondas de luz, revelando suas pintinhas que tinham no lugar das sobrancelhas.

Tirou seu xale vermelho e o lançou ao ar, que partiu para o horizonte. Deu um suspiro. Estava muito decidido no que iria fazer. Subiu na viga e fitou o rio escuro que cruzava levemente a cidade, logo abaixo. O encerramento de todos os problemas. O fim de tudo.

Vazou seu olhar tristonho para a cidade logo atrás, lembrando-se no que tinha escrito na carta de despedida, que havia deixado no quarto de sua confortável casa. Fechou suas esmeraldas, lágrimas abriam caminho em sua face, assim como o peso em seus ombros aumentavam, junto com o vazio e dor em seu peito. Passou seus dedos em suas mechas que flutuavam com o frio vento, agora cortante para o jovem rapaz.


“Falam que pessoas como eu são anjos, mas não me considero isso. Não me chamem de anjo. Pois não sou. Tenho muitos demônios em mim, que me puxam para baixo, que acabam com minha autoestima, meu orgulho, minha dignidade e inteligência, me fazem duvidar do que sou. Não consigo mais lutar contra eles. Suportei, lutei por muito tempo.

Desistir da vida é um ato de covardia, admito. Mas não aguento mais.

Não me suporto, me sinto um fracasso em tudo que faço. Uma decepção, uma péssima pessoa. Um erro, um incômodo.

Estou cansado de chorar, de fingir que está tudo bem, de me ajustar para esconder minha dor com falsos sorrisos.

Acho que já morri a muito tempo, afundado no meu próprio poço.

Perdão por não ter sido um bom irmão, aquele para dar orgulho e ser uma boa imagem, para você e ao nosso irmãozinho. Uma pessoa decidida e bem estruturada.

Sou falho como uma caneta de tinta, caio com força como a chuva... sou imperfeito, com máscaras e muros.

Considero minha existência como uma falha, que seria melhor não ter existido. Seriam mais felizes sem mim?

Sem esse caco para interrompe-los?

Sinto muito, mas tenho que ir. Não aguento mais,


De seu irmão,

Mu”


O loiro respirou fundo e então pulou, fechando os olhos, sentindo a gravidade puxa-lo para baixo.

Sentiu uma forte pressão e água cortar seu corpo, logo depois um forte agarro. Antes de desmaiar de vez, viu contas arroxeadas.

Despertou, enrolado em uma manta quente, em uma cama espaçosa. Se via em um quarto bem iluminado e arejado, o tilintar de um sino de vento com uma brisa agradável trazia um forte cheiro de incenso.

Tudo bem era simples, com pouco enfeite. Além da cama tinha uma mesinha que dava para a janela, com uma máquina de escrever, o que trouxe dúvida ao Mu, quem usava aquilo nos dias de hoje? Um laptop fechado, bem protegido por uma capa preta e uns livros grossos. Uma cortina de contas cobria o lugar onde deveria ser uma porta. Na cômoda tinha uma estátua de Buda.

Sentou-se dolorido. Não entendia onde estava, se lembrava de ter pulado e o frio da água. Será que estava em algum lugar, para onde todos iriam depois da morte?

Viu uma movimentação no corredor, e logo um rapaz loiro de madeixas compridas, alto apareceu afastando a cortina. Olhos fechados e uma expressão séria. Sua farta franja cobria a tradicional pintinha vermelha dos indianos. Vestia uma roupa folgada, blusa de manga comprida branca e calça algodão em tom laranja, os pés estavam descalços.

Para a surpresa de Mu, nas mãos do outro estava seu xale, que havia abandonado. Seco e bem passado.

O recém-chegado desfilou até ele, puxando uma cadeira e sentando-se. Pousou o xale na cama e se voltou para Mu, que encolheu apreensivo.

— Está desperto, sim? — a voz aveludada e rouca ecoou no ambiente. Mu arregalou suas esmeraldas, como o outro poderia saber se estava o curso do tempo todo com seus olhos fechados? — Não precisa ser tímido, não vou fazer mal algum a você — uniu suas mãos, enlaçando os dedos nos outros em seu colo.

— Sim — sussurrou apreensivo, encarrando o xale como se tivesse todas as respostas.

O mais velho sorriu mínimo acolhedor.

— Creio que se pergunta onde esteja, não é mesmo? — o mais novo murmurou afirmativo — Meu nome é Asmita, e você está em minha casa, que como já deve ter percebido, é bem próximo ao lago que você se atirou-

O que? — Mu cortou-o surpreso, mesmo tendo ligado os pontos segundos antes — Você me salvou?

— Não minha criança — o loiro indiano afirmou com certa chateação por ter sido interrompido — Foi meu irmão mais novo, que burlou as regras de ir dormir cedo e de não sair de casa tarde, aventurando-se nas margens do rio — explicou, o ariano cada vez mais ficava surpreso e curioso — Me falou que você tinha se atirado e com rapidez foi te salvar, trazendo-o para a terra firme. Fui acordado em meio ao seu desespero para traze-lhe para aqui. Me surpreendi com a força de meu irmãozinho, que te retirou sozinho do fundo rio e com sua sorte de não ter se machucado.

— Sinto muito — pediu Mu a pois o loiro finalizar — Não queria ser um incômodo para mais ninguém.

— Não se preocupe com isso — as feições deixaram mais a seriedade para serem mais calorosas — Mas, todavia, gostaria que me respondesse, meu jovem, você tentou mesmo cometer suicídio?

Mu se afundou na cama, queria mais do que nunca sumir dali. Sentia o peso triplicado em seu ser e toda a culpa começando a o corroer novamente. Suas esmeraldas brilharam com lágrimas.

— Sim...

Asmita segurou um suspiro decepcionado.

— Não sei pelo que você passa, ou o que levou a cometer esse ato. Mas se me permite, dizer, suicídio não é a resposta, não é a solução. É covardia. Uma falta de respeito tamanha com a vida e aqueles que querem viver, mas infelizmente são tirados daqui com uma curta passagem — com sua audição sensível, escutou quando o garoto começou a chorar. Pensou mais um pouco e continuou — Tem uma boa família?

— Sim, meus irmãos são as melhores pessoas que já tive — soluçou, abraçando suas pernas.

— Creio que eles não ficariam bem, a dor deles só iriam aumentar, assim como a culpa por não ter te ajudado, por não ter percebido seu caos interno — o ariano não sentia julgamento por parte do loiro, e sim compaixão com clareza.

Ele concordava com Asmita, em seu interior se culpava mais ainda, chegando a não escutar mais as sabias palavras do loiro. Com mais força abraçou suas pernas, chorando mais intensamente.

Sentiu o mais velho o abraçar, deslizado as mãos pelos seus cabelos, em um cafuné. “Agora está tudo bem” ouviu o outro falar, com sua calma e compaixão, “Coloque tudo isso para fora”.

Passaram longos minutos até que Mu se acalmasse, com um pouco menos de culpa. Pediu desculpas para o loiro, que afirmou novamente a falta de necessidade. Viu-o se levantar e ir até a cortina de contas e chamar seu irmão.

Um tilintar de utensílios se fez presente, até uma leve correria chegando ao quarto. Um fofo garotinho com no mínimo seus dez anos, surgiu no quarto. Um belo sorriso adornava seu rosto, em suas mãozinhas tinha o pijama do ariano que utilizava na noite anterior. Fazendo-o perceber que estava vestido com roupas diferentes e que possivelmente poderia ser do loiro, ficou envergonhado.

— Ah, você acordou — pulou em seu colo, deixando de qualquer jeito a roupa que levava, suas safiras estudava seu rosto surpreso. O garoto era uma cópia fiel de Asmita — Que bom! Está até com uma aparecia melhor!

— Shaka, isso são modos! — ralhou o mais velho.

— Tudo bem — olhou para a graça de menino, se lembrava de sua própria peça que deveriam ter idades compatíveis — Soube que foi você quem me salvou-

— Sim!!! — Shaka levantou suas mãozinhas — Até encontrei seu xale — pulou, Asmita fazia uma careta negando aquela algazarra — Ah, tem que ter mais cuidado, poderia ter se machucado feio e se afogado — disse inocentemente, fazendo um biquinho.

— Obrigado — abraçou o menino — Por ter me salvado e me dado essa segunda chance — disse para o garoto que só o olhava sem entender — Juro não fazer mais isso.

— É assim que se fala, estranho! — bateu em seus ombros. Irradiava todo o lugar com sua felicidade inocente.

— Me chamo Mu, pequeno — passou as mãos nos cabelos lisos do virginiano.

— Vamos Shaka — chamou Asmita — Vamos deixa-lo se trocar para irmos o deixar em sua casa, a família dele a essa hora deve estar preocupada — a contragosto o menino pulou para o chão seguindo o mais velho para a saída.

Depois de se trocar, com seu xale cobrindo a maior parte de seu pijama surrado, foi para a sala da exótica família indiana. Shaka continuava como uma pilha correndo para lá e para cá, agora estava calçado com chinelos que pareciam que a qualquer instante se quebrariam pela hiperatividade do pequeno ser.

Asmita estava de braços cruzados, resmungando em indiano. Também estava calçado. Em uma das mãos, segurava uma bengala guia que odiava usar, mas em sua condição era necessário.

Mu demorou um tempo até ligar os pontos e perceber que o mais velho era cego. Agia tão normalmente que não era perceptível a deficiência. Nada falou para incomodar o sábio anfitrião.

Foram puxados por Shaka, que corria até chegar o centro comercial da cidade. Era um caminho consideravelmente longo, mas logo passou para Mu que se divertia internamente pelo relacionamento dos dois irmãos.

Pararam só quando o irmão mais velho de Mu, Shion, freou o carro cantando os pneus e chamando atenção do trio. Ainda bem que era cedo, pois senão poderia ter havido um acidente.

Descabelado, ainda usava um pijama de carneirinhos, igualmente as pantufas. Saiu do carro desajeitadamente e abraçou o ariano do meio. Quase teve um infarto quando viu aquela carta. Bom, na verdade fora o mais novo, Kiki, a encontra-la e ir praticamente em meio as lágrimas e desespero até o mais velho, que praticamente surtou, ligando para todas as pessoas conhecidas, perturbando o amigo, Dohko que tinha acabado de retornar a China. O mais novo teve que dar um basta no irmão quando decidiu ligar para a namorada Sophia, que com certeza, ela teria um treco com seu psicológico já frágil. Partiram logo depois, com a carteira recém tirada e dirigindo feito um louco por toda a cidade.

Kiki saiu do carro tempos depois, assimilando que ainda estava vivo, que seu irmão estava vivo. Pulou em cima dos dois emocionado, levando o trio de arianos para o chão.

Asmita teve que conter o mais novo para não ir atrapalhar o momento família. Que não teve muito êxito e logo o menino estava abraçando os três.

Shion logo percebeu a presença dos virginianos, que quando soube que foram os salvadores de seu irmão, praticamente se jogou neles, agradecendo. Depois colocou os dois no carro, para pelo menos pagar um café. O que foi muito protestado por Asmita sendo calado por Shaka que se animou ao ficar mais tempo com seu novo amigo e familiares.

11 de Octubre de 2019 a las 09:58 0 Reporte Insertar 0
Fin

Conoce al autor

Sophia Grayson Só uma garota que gosta de escrever.

Comenta algo

Publica!
No hay comentarios aún. ¡Conviértete en el primero en decir algo!
~