Ela & Ele Seguir historia

eventyr Peregrin Agbora

A vida de Max era perfeita: ele tinha um bom emprego, seu próprio apartamento, bons amigos e tudo o que um homem poderia desejar. Infelizmente ele está prestes a descobrir que estar apaixonado pode ser um grande problema, em especial quando você é um lobisomem e sua namorada tem um senso de humor cretino.


Humor Sátira Todo público.

#romance #original #lobisomem #comédia
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O Fator de Estranheza

Naquela sexta-feira, fins de setembro, Max e Elise completavam seis meses, duas semanas e 15 horas de namoro — oficialmente falando — e durante o tempo que passaram juntos Max notou uma série de coisas estranhas, adoráveis e perturbadoras a respeito da namorada... coisas que ele, como qualquer homem que se preze, ignorou por completo ou classificou como “tema para a posteridade”.

Para começar, Elise NUNCA ia ao shopping com planos de comprar roupas ou passar uma tarde agradável aumentando a coleção de sapatos. Não. Ela entrava na loja de artigos esportivos, fingia comprar pacotes turísticos para a Turquia e Bangladesh e até visitava a barraquinha de artigos esotéricos perto da praça de alimentação, mas em momento algum se mostrava interessada nos vestidos plissados ou nas delicadas estampas florais das blusas de verão.

Para completar, Max descobriu que o apartamento da namorada consistia em 75% livros, manuscritos, dicionários e cadernetas; 20% catálogos de restaurantes e cartões telefônicos antigos; 4% área livre para trabalho e visitas sociais e 1% de coisas desconhecidas e inomináveis que ele sinceramente não estava preparado para entender — e chegou a esta conclusão quando encontrou um coração humano, de silicone e fibra de vidro, embaixo do sofá da sala de estar.

Alguns amigos o alertaram para a existência de pessoas incomuns que sofriam do chamado “Fator de Estranheza”, mas ele nunca acreditou que acabaria sugado pelo vórtice de loucura açucarada que envolvia essa gente excepcionalmente carismática e nada convencional.

Ledo engano.

De uma maneira ou de outra, a despeito de todos os sinais contraditórios, Max estava irremediavelmente apaixonado por aquela garota maravilhosa — fator de estranheza existente ou não —, e agora planejava levar o relacionamento de ambos para o próximo nível.

Por isto estavam jantando fora, naquele caríssimo restaurante italiano, gastando dois meses de salário em uma taça de vinha que nenhum deles pretendia beber.

Aquela noite precisava ser especial; ele tinha um anúncio importante a fazer e queria dizê-lo com estilo.

Vestido numa camisa social impecável, com calças pretas longas e sapatos de bico fino, Max se sentia como um daqueles engomadinhos que costumava zoar na época da faculdade. Até penteara os cabelos para trás e fizera a barba na esperança de inspirar uma aura positiva e romântica.

Elise também caprichara no visual. Ela colocou maquiagem — coisa que abominava com todas as forças de seu negro coraçãozinho —, pôs um delicado vestido de tule negro que desencavou de algum lugar remoto e incerto (que ela chamava de guarda-roupa) e sequestrou o salto agulha de veludo carmesim da vizinha.

Vê-la daquela forma, extraordinária e exuberante como uma flor de deserto, deu a Max uma vaga e risível esperança de que tudo terminaria bem.

O garçom se aproximou da mesa e ele pediu uma salada caesar como entrada, gnocchi à moda da casa e duas taças de vinho tinto seco — embora Elise não bebesse uma gota de álcool nem para salvar a própria vida, Max sentia que o efeito das taças sobre a mesa seria mais natural. Para encerrar, pediu canoli de chocolate com calda extra, porque sabia que o doce estava na lista de Elise das “coisas que quero comer antes de ter um infarto”, ou algo assim.

Sentados próximos à janela, tinham uma vista agradável da noite estrelada e do pequeno jardim suspenso que o restaurante mantinha na sacada. A lua crescente os encarava com um sorriso cheshire suspeito e as luzes do restaurante banhavam as pétalas das roseiras.

Os olhos escuros de Elise brilhavam alegremente e ela tinha nos lábios um sorrisinho divertido, observando os outros casais nas mesas ao redor.

— Se eu não conhecesse você como conheço pensaria que está me pedindo em casamento. — ela comentou quando o garçom serviu o vinho e Max fingiu entender de degustação.

— E o que faz você pensar que não estou pensando em fazer isso?

Elise riu, bateu os dedos no tampo da mesa, ficou quieta, arqueou as sobrancelhas e então finalmente desistiu da pose séria, vasculhando os guardanapos e o pequeno buquê de flores sobre a mesa. Quando não achou nada enviou um olhar ameaçador para Max.

— Olha, se você colocou a aliança na comida nós vamos ter um sério problema, porque nem a pau eu vou procurar por ela.

Max afogou o riso na taça de vinho. Aquele não era o tipo de restaurante em que pessoas gargalham alto quando querem.

— Não. — admitiu com máxima compostura. — Não é um pedido de casamente. Não tem aliança alguma. Juro.

— Ótimo. — ela suspirou aliviada. — Não estou preparada para pedidos de casamento hoje.

— Sério? — ele se inclinou para frente, conspirador. — E para o que você está preparada?

Ela sequer piscou.

— Eu trouxe uma toalha, caso alguém queira demolir o planeta, e sal, se toparmos com algum demônio na rua... queria trazer um canivete também, mas a polícia confiscaria...

Max mordeu o lábio, divertindo-se com os devaneios. Às vezes era difícil dizer quando Elise estava brincando ou falando sério.

— Sabe... eu queria contar uma coisa para você. — ele interrompeu as explicações, que agora descambavam para pedras mágicas e portões élficos. — É uma coisa importante. — insistiu.

— Mesmo?

Elise ajustou a postura, juntou as mãos no colo e o encarou longa e atentamente.

— Mesmo. — confirmou.

A salada chegou à mesa naquele momento, comprando um tempo extra para Max repensar suas alternativas e a convicção no que estava prestes a dizer.

A primeira opção era continuar o namoro sem dizer a verdade, deixando o relacionamento avançar e suportando as consequências fatais quando elas viessem. O problema era que ele não conseguiria lidar com os sentimentos de culpa e injustiça por deixar uma garota tão legal quanto Elise se meter nos problemas dele sem aviso. A outra opção — que era a coisa certa de se fazer — implicava em suportar o possível escárnio e desprezo da garota que amava, além de correr o risco de ser levado para o manicômio mais próximo... No fundo nenhuma das alternativas parecia boa a curto ou longo prazo.

Eu tenho que fazer isso agora, antes que esse namoro fique sério demais, dizia a si próprio. Ele sabia melhor do que ninguém que, quando as coisas ficassem sérias, não haveria retorno.

Max deixou Elise terminar a salda e tomar um gole de água para só então abordar o problema:

— Eu sou um lobisomem.

Pronto.

A bomba estava lançada.

Elise o encarou por longos minutos. Chocada. Silenciosa. Havia uma nota de incredulidade no arquear das sobrancelhas e uma ligeira contração de diversão na curva do sorriso.

Ela ainda estava processando a ideia.

— Ahm... do tipo que uiva pra lua?

— Sim.

— Daqueles que atacam mocinhas na floresta?

— Na verdade, nós não fazemos esse tipo de coisa... não de propósito ao menos...

— Então, hum, você fica parecendo um lobo gigante sobre duas patas?

— Não. Sou do tipo que realmente parece um lobo.

— Ceeerto...

Agora era a hora da verdade.

Max se preparou. Esperou pelo instante em que Elise levantaria da cadeira, o olharia de cima para baixo e avisaria, numa voz gélida, que jamais deveria se aproximar dela novamente. Já estava mais do que conformado com a ideia de que perderia a garota mais genial que conhecera na vida porque simplesmente não podia evitar ser uma bola de pelos nas noites de lua cheia — tinha namorado outras garotas antes de Elise e sabia bem como funcionava o fim do relacionamento.

Ele apenas se esqueceu de considerar o “fator de estranheza”.

— Eu imagino que adotar um cachorro esteja fora que cogitação, então...

Quase sem querer Max riu alto.

Elise levou a notícia na esportiva — de algum modo — e ele pensou que era um ótimo sinal o fato de ela não ter saído correndo do restaurante.

— E como isso funciona? Quero dizer, você e eu...? Você tem uma alcateia ou coisa do tipo? Só para deixar claro, eu não sou fã de gangbang...

Max corou com a sugestão.

— Minha família é minha alcateia e... nós temos algumas peculiaridades, mas nada muito estranho. — tentou explicar. — Por exemplo, depois que escolhemos um parceiro e, bem, vamos para a cama com ele, nós seremos fiéis a essa pessoa pelo resto de nossas vidas.

— Espera! — ela engasgou com a água e tossiu no guardanapo. Havia um brilho perigoso em seu olhar. — Você está dizendo que, depois que a gente for pra cama, você será meu e só meu?

— Ah... é?

— Mesmo se eu morrer?

— Mesmo se você morrer. — confirmou num tom suave. Não gostava de pensar nesse tipo de coisa, por mais realista que fosse. — Nós podemos tentar firmar novos laços, mas o sentimento de lealdade sempre será do primeiro parceiro.

A garota sorriu ampla e maquiavelicamente.

— Cara... não é toda garota que pode dizer que o namorado é incondicionalmente fiel a ela. — batucou na mesa, muito contente e satisfeita. — Esse é um ponto muito positivo.

Max sorriu para a animação da namorada.

— E você vai ser fiel a mim também, certo?

— Eu sou obrigada?

O sorriso vacilou.

— Isso... foi uma pergunta séria?

Ela deu de ombros.

— A vida é longa e imprevisível. Nunca se sabe sobre o amanhã, não é?

O garçom reapareceu naquele momento trazendo o prato principal.

— Acho que continuamos namorando. — Elise piscou por cima do braço do atendente. — Não vai escapar de mim tão fácil, cachorrinho.

E foi assim, sem a menor chance de fuga, que Max se viu arrastado pelo “fator de estranheza” e envolvido com uma garota que certamente não tinha juízo.

6 de Octubre de 2019 a las 13:10 0 Reporte Insertar 3
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