Manual de Sobrevivência aos Pais do Meu Namorado - por Uchiha Sasuke Seguir historia

teffychan

A vida de um ninja é cheia de desafios. Realizar missões, enfrentar inimigos poderosos, às vezes até colocar sua vida em risco. Mas não existe desafio maior do que namorar o filho do Hokage e ter que dizer isso a ele e a sua assustadora esposa, mais conhecida como "Pimenta Vermelha Sanguinária". Essa seria a missão mais difícil que Sasuke já enfrentou.


Fanfiction Anime/Manga No para niños menores de 13. © Todos os direitos reservados

#romance #kushina #minato #oneshot #homossexualidade #yaoi #uzumaki #sasuke #naruto
Cuento corto
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Regra Fundamental: Tudo Que Falar Será Usado Contra Você

Notas Iniciais:

Essa história é uma continuação da oneshot "Manual de Sobrevivência aos Pais do meu Namorado - por Uzumaki Naruto".


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Nem em mil anos eu poderia imaginar que um dia me encontraria naquela situação. Naruto estava sempre me desafiando e consequentemente acabávamos competindo em várias coisas. Por mais que odiasse admitir ele tinha mesmo ficado mais forte. Mas não era só isso. De uns tempos para cá percebi que não era apenas rivalidade que sentia por ele. Nem amizade. Demorei a entender o que era, eu admito, e ele também. Mas quando entendemos que nos gostávamos nossas vidas viraram de ponta cabeça.

Foi difícil colocar em prática as coisas que desejávamos fazer no começo. Nenhum de nós nunca tinha feito nada daquilo, era tudo novo e muito confuso. Estávamos pegando o jeito com o tempo, mas parece que todo dia aparecia alguma coisa nova que não sabíamos que dava para fazer, por menor que fosse. Como passarmos vários minutos deitados um em cima do outro, às vezes apenas conversando, às vezes fazendo outra coisa. Não é como se nunca tivéssemos feito isso antes, já prendemos um ao outro contra o chão várias vezes durante alguma luta, mas agora causava uma sensação diferente.

Também jamais iria imaginar que o convidaria para visitar minha casa de forma casual e não por causa de algum treinamento ou missão. Estávamos deitados no chão do meu quarto, um ao lado do outro. Naruto folheava um dos meus velhos livros da época da Academia de modo preguiçoso. Nós dois desejávamos evitar ao máximo o assunto que o trouxe até ali naquele dia, mas sabíamos que não poderíamos fazer isso por muito tempo.

— Tem certeza de que não tem problema eu ficar aqui no seu quarto? — Naruto perguntou — Eu não quero que os seus pais briguem com você.

— Eu já falei, meu pai saiu em missão. E minha mãe foi fazer compras, ela sempre demora horas para voltar.

— E o Itachi?

— Saiu com a Izumi. Acho que não deve voltar hoje — comentei. Pensando bem, não sei como até hoje meu pai ainda não tinha obrigado os dois a se casar — Não foi por isso que você veio até aqui hoje, foi? Ou está planejando fazer alguma coisa e quer garantir que ninguém vai nos pegar no flagra?

— Na verdade o motivo era outro, mas já que você mencionou — Naruto deixou o livro de lado e se colocou em cima de mim, exibindo um sorriso sugestivo com o qual eu já estava acostumado — Podemos aproveitar que não tem ninguém aqui.

— O que tem em mente?

— Ah, eu não sei… podemos deixar as coisas acontecerem e ver no que vai dar — ele falou como quem não quer nada, deitando o corpo sobre o meu e apoiando a cabeça na curva do meu pescoço. Não importa o quão alta fosse a gola da minha blusa, aquilo sempre me causava um arrepio.

— “Ver no que vai dar”? Isso é muito vago — eu o abracei e girei no chão, ficando em cima de Naruto — Realmente não está planejando nada?

— A gente nunca planejou nada do que fez — ele lembrou — Você é quem deve estar planejando, já que inverteu nossas posições.

— Isso te incomoda?

— Tanto faz — Naruto deu de ombros. Esticou então as mãos pelo meu abdômen até segurar a barra da minha blusa — Contanto que eu possa te tocar — e a ergueu ligeiramente.

— Você gosta mesmo de fazer isso — comentei, ignorando o arrepio que Naruto me causava ao tocar-me diretamente na pele. Aquilo também era novo. Ele gostava de me tocar em todos os lugares que pudesse alcançar, mas, devido a uma brincadeira estúpida na que ele tentou me fazer cócegas acabamos descobrindo que isso causava uma reação bastante diferente no meu corpo.

— Sua pele é tão macia e gostosa de tocar que eu não consigo resistir — ele abriu um enorme sorriso descarado.

— Falando desse jeito faz parecer que está se aproveitando de mim.

— Não estou me aproveitando. Você é meu namorado — Naruto parou o que estava fazendo por um instante. Parecia estar considerando se tinha ido longe demais — Não gosta que eu te toque assim?

Não consegui responder a pergunta. Aquilo era embaraçoso, mas não era ruim. Causava um formigamento onde Naruto me tocava que eu não sabia explicar. Senti meu rosto começar a esquentar e o virei para o lado, incapaz de pensar em uma resposta.

— Eu sabia, você gosta — Naruto riu — Não precisa ficar com vergonha — ele levou uma das mãos até o meu rosto, obrigando-me a encará-lo — Sabe que pode me tocar o quanto quiser também, não é? Não sei por que você não faz isso.

— Não tem graça se eu não conseguir te deixar com vergonha — respondi, me esforçando para me recompor — O legal é pegar de surpresa.

— Quer dizer assim? — Naruto me abraçou e girou novamente, ficando em cima de mim. Antes que eu pudesse dizer alguma coisa ele me beijou.

Geralmente eu ficaria constrangido por ter sido pego de surpresa dessa forma, mas ele escolheu a tática errada. Não importa quantas vezes fizesse isso, Naruto ainda era desajeitado quando tomava a iniciativa de me beijar. Parecia muito com o nosso primeiro beijo. Apoiei as mãos nos ombros dele, me desvencilhando com facilidade.

— Quase isso. Mas você ainda beija mal.

— Exibido — ele resmungou — Se acha que pode fazer melhor e me pegar de surpresa então…

Não o deixei concluir a frase. Dessa vez fui eu quem o pegou de surpresa quando o puxei para um beijo, envolvendo seu pescoço com ambas as mãos. Pude escutar o gemido baixo que Naruto deixou escapar e sabia o quanto ele ficava frustrado quando eu o obrigava a fazer barulhos como esse. E também que se esforçava para me dar o troco.

Ele tinha desistido mais uma vez e me deixou conduzir o beijo, no entanto suas mãos voltaram a percorrer minha pele onde a camisa já estava levantada quase até a metade. Estranhamente estava deixando de me importar com isso. Provar o sabor de Naruto era tão bom que eu esquecia de tudo ao meu redor. Era sempre divertido surpreendê-lo quando eu o fazia entreabrir os lábios e tocava a língua dele com a minha. Principalmente quando ele realizava outra tentativa de conduzir o beijo, falhando miseravelmente todas as vezes.

Acho que ele estava começando a ficar sem ar, mas eu ainda não queria soltá-lo. Da mesma forma que ele não queria parar. Eu tinha uma vaga noção da mão dele escorregando até o meu tórax, porém estava mais interessado em fazer o beijo perdurar.

Estar com ele causava reações engraçadas. Minha pele ficava arrepiada, mas eu sentia calor ao mesmo tempo. As coisas que fazíamos eram constrangedoras, mas, uma vez que começava eu não tinha vontade de parar. Às vezes queria descobrir o que mais poderíamos fazer juntos, outras vezes queria apenas ficar ao lado dele conversando ou treinando. Aquilo era tão confuso.

— Ei Sasuke — Naruto chamou com a voz rouca quando eu finalmente o soltei — Eu posso tirar isso? — ele segurava a barra da minha blusa, que tinha erguido até a altura do meu tórax. Fiquei surpreso, mais por ele ter perguntado do que por não ter tirado de uma vez. Mas também fiquei feliz com a consideração.

— Acho que não faz mais diferença a essa altura — levantei ligeiramente e tirei a camisa eu mesmo. Pensei que Naruto voltaria a me tocar, mas ao invés disso ele apoiou o rosto na curva do meu pescoço. Me perguntei se ele estava tentando zoar com a minha cara. Naruto sabia muito bem o que eu queria fazer e seria impossível daquele jeito.

E dessa vez fui eu quem ofegou de surpresa. Olhei para Naruto com o canto dos olhos e, embora não fosse possível ver completamente seu rosto ele parecia ter achado que era uma boa ideia me beijar no pescoço, já que não obteve nenhum sucesso até hoje me beijando na boca. Senti algo molhado e conclui que ele tinha decidido usar a língua também.

— Naruto… o que está fazendo?

— Não é só o seu cheiro que é bom, mas o gosto também. Eu queria saber como é sentir ele com a boca ao invés das mãos — ele explicou como se isso fosse um ótimo motivo para o que estava fazendo. Não parecia um bom motivo, mas também não fiquei com vontade de brigar com ele — Tudo bem Sasuke? Desculpa se eu exagerei…

— Isso é bom… continua — murmurei sem pensar muito bem no que estava falando. Ou fazendo. Dessa vez fui eu quem deslizou as mãos até a cintura dele, tocando-o por debaixo da camisa. Não tinha problema, não é? Quero dizer, ele já tinha feito isso comigo antes.

Ah, quem se importa? Não estava mais conseguindo raciocinar direito, imerso a tantas sensações. Podia sentir o coração de Naruto bater freneticamente, no mesmo ritmo que o meu enquanto ele ainda me beijava. Não pensei que a região do pescoço fosse tão sensível. Na verdade se provou muito mais sensível do que eu imaginava, pois Naruto fez alguma coisa com a boca que me fez gemer mais alto e arranhar as costas dele quando a barra da camisa escorregou das minhas mãos.

— Ai! — ele parou o que estava fazendo e se levantou, apenas o suficiente para me encarar — Por que me arranhou? Isso dói.

— Desculpa — murmurei ainda com a respiração descontrolada — Isso que você fez agora… me pegou de surpresa.

— Foi tão bom as…? O-ho.

— O que foi?

— Então… lembra daquela vez em que o Itachi viu a gente se beijando? — ele recordou aquele vergonhoso flagra — Ele procurou alguma coisa no seu pescoço, e… acho que agora eu sei o que era.

— Como assim? — eu o empurrei e me coloquei de pé, buscando um espelho às pressas. Senti meu queixo cair ao ver uma marca avermelhada no meu pescoço — Naruto, o que você fez?

— Eu não sei! — ele estava quase tão nervoso quanto eu — Você pediu para continuar e eu meio que me empolguei… eu não sabia que isso podia acontecer.

— Como se tira isso?

— Não sei… talvez saia sozinho — ele arriscou — Sinto muito, não sabia que isso podia acontecer.

— Esquece. É melhor parar de enrolar e irmos logo fazer aquela droga de pesquisa — falei derrotado, torcendo para que aquilo desaparecesse sozinho mesmo. Vesti minha camisa de volta e agradeci mentalmente pela gola ser alta o bastante para esconder aquilo — Talvez a gente acabe encontrando alguma coisa sobre isso lá também, quem sabe?

— Está certo. Temos que terminar a pesquisa antes de hoje a noite.

— Não me lembre de hoje a noite.

Hoje a noite seria um pesadelo. Possivelmente a pior da minha vida. Mas precisávamos realizar uma rápida pesquisa antes disso.

Kakashi foi o primeiro a descobrir sobre o nosso namoro e nos deu muitos conselhos que se provaram inúteis. Ele disse várias frases e termos retirados do livro que sempre carregava que não ajudaram em nada na ocasião em que contei para minha família que estava namorando Naruto. Na verdade só pioraram as coisas. Então decidimos pesquisar o que raios era tudo aquilo que ele nos disse.

A resposta era assustadora. Procuramos na biblioteca, comparamos vários livros e todos tinham a mesma definição. Várias coisas comprometedoras, sugestivas e obscenas que deveriam ser feitas apenas por adultos. E as ilustrações, ah céus, as ilustrações. Eram tão desnecessariamente detalhadas que chegou um ponto em que eu não consegui mais olhar. Naruto até que continuou tentando, mas, quando começou a virar o livro de lado e de ponta cabeça, tentando entender como a coisa toda funcionava, desistiu também.

Se tinha algo de bom nisso tudo é que também entendemos o que era aquilo que Naruto tinha feito no meu pescoço. Era um alívio saber que sumiria sozinho em pouco tempo.

Passamos tanto tempo lá percebendo o monte de coisas vulgares que Kakashi nos mandou dizer que a noite chegou antes que eu pudesse me preparar psicologicamente para o que estava por vir.

— Quer mesmo fazer isso hoje? — perguntei enquanto caminhávamos na direção da casa de Naruto. Se não estivéssemos de mãos dadas eu provavelmente teria inventado algum motivo para evitar aquilo e dado meia-volta — Depois de tudo o que acabamos de ler? Sério?

— Eu sei, ainda não consigo tirar aquelas ilustrações da cabeça — Naruto fez uma careta. Parecia ainda estar tentando entender como funcionava — Mas Sasuke, quando você me pediu para ir até a sua casa e conversar com seus pais pessoalmente eu fiz o que você queria. Preciso que você faça a mesma coisa.

— Eu sei — é claro que sabia. Entendo melhor do que ninguém como isso era importante para Naruto, também era para mim. O que me preocupa é a reação dos pais dele — Sabe, fico me perguntando se estou a altura de namorar o filho do Hokage…

— Está preocupado com isso? — Naruto riu — Qual é, você é um Uchiha! Isso deveria ser motivo de orgulho.

— Na verdade acho que isso é um problema. Nossas famílias estão convivendo bem agora, mas eu sei que não esqueceram todos os problemas que meus ancestrais causaram. Ninguém esqueceu. E, se os seus pais não gostarem da notícia eu não sei o que pode acontecer.

— Não acho que o meu pai começaria uma guerra por causa disso — Naruto comentou — É com a minha mãe que precisamos nos preocupar.

Naruto soltou minha mão e abriu a porta de casa quando chegamos. Era diferente da minha em muitos aspectos. Não apenas por ser menor e mais simples, mas também por causa da sensação aconchegante que ela emanava. A família sempre reunida, o cheiro de comida caseira, os móveis confortáveis ao invés de coisas caras e frias… parecia a sensação de estar em um lar de verdade.

— Mãe, pai! Cheguei! — Naruto gritou assim que trocamos os sapatos por surippas. Ele me arrastou para dentro da casa. O pai dele saiu de onde devia ser a cozinha, considerando que usava um avental branco e foi até a sala. Céus, como era estranho ver o Hokage usando avental.

— Bem vindo de volta Naruto — ele sorriu ao ver o filho. E então me encarou, surpreso por um instante — Ah, olá Sasuke. O Naruto não avisou que você vinha aqui hoje.

— Foi meio que de última hora. Desculpe vir sem avisar.

— Ah, não se preocupe com isso. Sei como são essas visitas repentinas — ele sorriu para mim — Kushina! Coloque um prato a mais, temos visita — ele gritou, retornando para a cozinha. Sério, era muito estranho ver o Hokage agindo daquele jeito.

— Quem está… ah — a mãe de Naruto interrompeu-se quando me viu. Eu a vi poucas vezes, mas lembrava muito bem de como o humor dela podia mudar rapidamente de uma hora para outra — Olá Sasuke. Veio para o jantar?

— Eu o convidei, mãe — Naruto respondeu por mim — Não tem problema, certo?

— Você deveria nos avisar antes de trazer visitas, Naruto, quantas vezes preciso te dizer isso? Mas você já o trouxe até aqui, então é claro que ele pode ficar — ela comentou enquanto distribuía os pratos na mesa. Era difícil dizer se ela estava zangada porque Naruto não avistou que iria trazer visitas para o jantar ou porque não tinha esquecido a guerra que meus antepassados provocaram. Mas o problema estava longe de ser esse e eu torcia muito para que ele não acontecesse.

— Pessoal, a comida está pronta — Minato avisou, retornando para a sala.

Nunca imaginei que me encontraria em uma situação como essa. Jantando na casa do Hokage, uma comida feita por ele. Aliás, por que aquele homem cozinhava? Ele era o Hokage, devia ter dinheiro suficiente para contratar uma empregada, certo? Não fazia sentido para mim, embora Naruto tivesse comentado isso comigo uma vez. Que ele e os pais se revezavam nas tarefas domésticas. Minha mãe cuidava da casa sozinha, mas aqui todos se ajudavam. E conversavam alegremente à mesa durante o jantar. Era muito diferente da minha família. Eu não podia tirar isso de Naruto se os pais dele não nos aceitassem.

— Sasuke — Naruto me chamou baixinho — Você está bem?

— Sim, estou ótimo.

— Tem certeza? Está suando frio.

— E por que você acha? Estou nervoso — resmunguei de volta — Ok, eu não estou nada bem, então vamos acabar logo com isso…

— O que aconteceu? — o pai de Naruto voltou-se para mim, sobressaltando a nós dois — Você está com uma cara horrível.

— Não é nada…

— Não foi o molho de bacon, foi? — ele pareceu preocupado — Eu resolvi tentar uma receita nova, mas não sabia que você vinha aqui hoje… por favor, não me diga que você é alérgico a bacon.

— Não sou alérgico. Eu estou bem, Quarto Hokage.

— Que alívio — ele levou a mão ao peito — Ah, não precisa me chamar assim. Não estamos no meu escritório.

— Mas…

— É sério. Não precisamos de toda essa formalidade durante a refeição — ele insistiu. Agora eu não sabia como chama-lo. Antes que pudesse perguntar ele voltou-se para o filho — Naruto, você também está com uma cara esquisita. O que aconteceu?

— Ah… é que eu… bem, eu… — Naruto gaguejava, me olhando desesperado. Certo, teríamos que contar mais cedo ou mais tarde. Segurei a mão dele por debaixo da mesa, tentando lhe transmitir confiança — É que eu queria dizer… que estou namorando uma pessoa, e…

— Você o que? — Kushina exclamou antes que ele pudesse concluir a frase. Eu não sabia se ela estava empolgada ou zangada — Naruto, não acha que está se precipitando? Você só tem quatorze anos! Ainda é muito jovem para pensar nessas coisas!

— Eu não sou mais criança, mãe…

— Você é só um menino! É o meu bebê! — ela o interrompeu com um grito, fazendo Naruto se encolher. Kushina era mais assustadora do que eu me lembrava, mas se parecia com a minha mãe em um ponto. Tratava o filho como um bebê, independente da idade — Não vou permitir que seja seduzido tão facilmente, ouviu?

— Acalme-se Kushina , deixe o garoto falar — Minato pediu, pois a mulher parecia prestes a voar no pescoço de Naruto, independente do que ele fosse falar — Naruto, por que não nos conta quem é a pessoa que você está namorando?

Era o momento perfeito para dizer a verdade, mas nenhum de nós conseguia falar. Naruto estava visivelmente com medo da mãe e, sinceramente, eu também. Minato parecia tranquilo, mas eu não fazia ideia de como ele poderia reagir quando descobrisse a verdade. Só conseguíamos nos encarar nervosos, olhar para os pais de Naruto de relance e voltar a desviar o olhar, sem saber como dizer aquilo.

— Naruto? — Minato chamou novamente — Por que você não responde… ah… — um leve ar de compreensão começava a se espalhar pelo rosto dele enquanto olhava para nós.

— Comigo — murmurei, já que Kushina não tinha entendido e Naruto parecia incapaz de falar — O Naruto está namorando comigo — repeti mais alto.

Não sei de onde tirei coragem para falar aquilo, mas ela começou a desaparecer rapidamente enquanto os pais de Naruto nos encaravam. O ar de compreensão se intensificou no rosto de Minato e agora ele parecia estar pensando sobre como deveria reagir diante daquela informação. Kushina estava obviamente em choque. Os olhos estavam arregalados e a boca estava ligeiramente aberta.

— Naruto, isso é verdade? Você está namorando esse garoto? — Kushina também parecia estar com dificuldades para absorver a informação — Você gosta de garotos?

— Ei, você não tinha contado isso aos seus pais? — sussurrei ao lado dele.

— Nem vem, você também deixou para contar para os seus na última hora — ele murmurou de volta. Ok, era um bom argumento — Desculpe não ter contado antes, mãe — ele voltou-se para Kushina — Eu não sabia como vocês poderiam reagir…

— E agora você me diz que está namorando com esse menino mal falado? — ela não parecia ter ouvido o que Naruto disse.

— Espera aí — eu me levantei — Primeiro, eu não sou mal falado. E segundo, está dizendo que está zangada, não porque o Naruto gosta de garotos e sim porque ele está namorando comigo?

— Não estou zangada. Estou surpresa — ela corrigiu — E não é nada pessoal, mas você sabe muito bem a reputação que a sua família possui…

— Aquela guerra que Madara provocou foi há várias gerações atrás! Supera!

— Olha o jeito como fala com os mais velhos, seu moleque! — ela gritou, parecendo mais uma psicopata do que uma mãe preocupada.

— Acalme-se Kushina — felizmente Minato a segurou antes que ela voasse no meu pescoço e de alguma forma conseguiu acalmar a mulher — Bem, eu… confesso que não sei como reagir — ele olhou para nós, dizendo o que já sabíamos — Há quanto tempo vocês estão juntos?

— Dois me… — Naruto me deu uma cotovelada nas costelas antes que eu pudesse terminar a frase.

— Duas semanas — ele mentiu. Pensando bem, tínhamos contado a mesma mentira para os meus pais. Era melhor manter a história.

— Duas semanas e vocês só resolveram contar agora? — a mãe de Naruto exclamou.

— Calma, Kushina. Precisamos respeitar o tempo deles — Minato pediu. E então voltou-se para nós outra vez — Então… por acaso mais alguém sabe sobre isso?

— O Kakashi descobriu sobre a gente — contei — E também já contamos para os meus pais.

— O que? — Kushina colocou-se de pé novamente — Por que você contou para os pais dele ao invés de contar para nós primeiro, Naruto?

— É que o Sasuke me pediu para falar com a família dele primeiro…

— Não interessa! — ela gritou. Dessa vez até Minato se encolheu com o berro — Você precisa dar prioridade aos seus pais!

— Desculpa mãe — Naruto murmurou — Mas eu só falei com eles ontem, então nem faz tanta diferença assim.

— Ontem você disse que iria jantar na casa do Sasuke porque fariam uma reunião do time sete — Minato recordou — Mas a Sakura não pôde ir porque ficou com dor de barriga… foi isso que você nos disse.

— Foi mais ou menos isso — encarei Naruto, sem conseguir acreditar que ele tinha insistido mesmo naquela história. Sakura vai ter um ataque histérico quando souber dessa mentira estúpida — Não foi bem uma reunião do time sete. O Naruto foi até lá para que eu pudesse contar para meus pais que estamos namorando.

— Ah céus… então é mesmo sério — Kushina massageou as têmporas — Não acredito que você cresceu tão rápido, Naruto. Parece que foi ontem que você era o bebê que eu carregava no colo, e de repente você me aparece com um namorado e sabe Deus o que vocês andam fazendo por aí…

— Kushina, não precisamos saber sobre esses detalhes — Minato observou, mas ela não parecia concordar.

— É claro que precisamos! O que você andou fazendo com meu filho, garoto? — ela deu a volta na mesa e se inclinou até ficar na minha altura enquanto me encarava. Céus, aquela devia ser a mulher mais assustadora que eu já vi — Vamos, me diga! Tirou vantagem da ingenuidade do meu filho para se aproveitar dele? Andou bisbilhotando ele durante momentos particulares? Se você fez “aquilo” eu juro que…

— Kushina, você está fazendo perguntas muito íntimas — Minato a puxou para longe de mim de novo. Eu juro que o meu respeito por aquele homem só crescia — Desculpe Sasuke, ela… está um pouco nervosa.

— Um pouco? Eu estou muito nervosa! — ela conseguiu se desvencilhar do marido — Naruto, por favor, me diga que pelo menos é você quem comanda a relação.

— Eu o que? — ele pareceu demorar um pouco para entender do que a mãe falava e, preciso admitir, eu também.

Recordamos aos poucos do que Kakashi nos disse e da nossa pesquisa daquela tarde. Era aquela porcaria de história sobre ativo e passivo de novo? Céus, por que os pais cismam com isso? Assim que Naruto compreendeu a pergunta da mãe, corou terrivelmente. Eu não podia culpá-lo, devia estar no mesmo estado.

— Isso realmente importa? — não consegui evitar a pergunta.

— Bem, será uma notícia e tanto quando as pessoas da Vila souberem que o filho do Hokage está namorando, então…

— Então é só por isso? — interrompi — Quer saber? Deixa pra lá. Eu não preciso passar por isso.

Não precisava da aprovação de Kushina. Não importa se ela me odiasse, não é como se fosse a primeira pessoa a achar que eu não era bom o suficiente para alguma coisa. Nesse caso, para alguém. Deixei a casa, ouvindo Naruto gritando alguma coisa para mãe pouco antes de fechar a porta. Estava prestes a descer as escadas quando ele veio atrás de mim.

— Sasuke! — ele agarrou meu pulso — Espera, por favor!

— O que você quer agora Naruto? — parei de caminhar, mas ainda me recusava a encará-lo.

— Desculpa pelo que a minha mãe disse. Eu sinto muito — ele murmurou — É que… ela é muito ciumenta. E fica irritada com qualquer coisa. Eu sei que ela passou dos limites, mas só está preocupada comigo.

— Ela não gosta de mim, Naruto — suspirei, virando-me para encará-lo. Naruto soltou meu pulso quando teve certeza de que eu não iria mais embora — Você ouviu o que ela disse, não foi? Ela não confia em mim por causa dos erros que meus antepassados cometeram. E pensa que eu fiz coisas indecentes com você.

— Não são coisas indecentes. Namorados fazem isso, não é?

— Diz isso para ela — mandei e Naruto se encolheu — Olhe, eu tentei ser legal. Mas, parece que não importa o que eu faça, ela nunca vai me… ah.

— O que foi?

— Acabei de perceber que a sua mãe se parece muito com o meu pai — eu contei — Os dois são assustadores.

— Agora que mencionou, tem razão. O seu pai dá medo — Naruto concordou — Mas a gente conseguiu lidar com ele.

— Sim, nós dissemos o que ele queria ouvir.

— Então… só precisamos fazer a mesma coisa! — Naruto abriu um sorriso esperançoso — Se dissermos o que minha mãe quer ouvir talvez ela… o-ho.

— O que foi agora?

— É que nesse caso, você teria que dizer o que ela quer ouvir — Naruto explicou, ficando repentinamente sem graça — Se lembra da pergunta dela antes de você sair?

— Ah, não… — senti meu rosto começar a esquentar conforme ia compreendendo a informação — Você quer que eu diga aquilo?

— Acho que se falarmos isso ela vai te aceitar. Sinto muito — ele encolheu os ombros — Não quero te fazer passar por isso, mas… não consigo pensar em outra coisa.

— Acho deveríamos ter falado com seus pais primeiro. Quando ainda não sabíamos o que era ativo e passivo — comentei, pensando se valia ou não a pena dizer uma coisa dessas — Meus pais ficaram furiosos quando dissemos aquilo, mas parece que sua mãe vai ficar feliz. Quando perguntei a ela se realmente importava quem era o quê não era por questão de orgulho. Eu queria saber por que meus pais ficaram zangados com isso e a sua mãe não.

— Vai saber. Eu não entendo como os adultos pensam — Naruto estava tão confuso quanto eu sobre aquilo — Desculpe… vamos pensar em outra coisa — ele falou sem jeito, embora não parecesse ter nenhum plano reserva — Não é justo eu te pedir para dizer isso.

— Você entende que, se falarmos essa história sobre você ser ativo só para deixar sua mãe feliz, também vai significar que estaremos mentindo e dizendo que já… já fizemos… bem… — eu não conseguia nem terminar a frase. Não depois de toda aquela porcaria vulgar que vimos na biblioteca.

Naruto não parecia ter considerado o detalhe sobre mentirmos sobre isso. Ainda que eu falasse isso e a mãe dele me aceitasse, estaríamos contando uma enorme mentira. Tive certeza de que ele entendeu aonde eu queria chegar quando o rosto dele ficou quase tão vermelho quanto os cabelos da mãe.

— Céus, tem razão — ele murmurou por fim — Eu não tinha pensado nisso.

— Eu percebi — soltei um longo suspiro — Anda, vamos entrar e falar com a sua mãe.

— O que? — Naruto exclamou, colocando-se na frente da porta — Sasuke, mentir sobre isso é…

— Acabar com a minha dignidade — completei a frase, embora Naruto provavelmente fosse dizer outra coisa — Mas é a única saída, não é?

— Desculpe… e obrigado.

— Agradeça depois que sua mãe parar de gritar comigo — cruzei os braços — Eu quero ficar com você, e é tudo mentira mesmo, então… acho que não tem problema…

— Você fica tão lindo quando está com vergonha — Naruto riu, acariciando meu rosto. Como ele tinha coragem de fazer piadas em uma situação como essa?

— Se meus pais ouvirem falar dessa história vou dizer que você me desonrou e você vai ter que lidar com tudo sozinho, ouviu? — afastei a mão dele com um tapa — Agora vamos acabar logo com isso antes que eu me arrependa.

Retornamos para dentro da casa. A mãe de Naruto continuava na sala, no mesmo lugar antes de eu sair. Minato surgiu de outro cômodo quando entramos. Eu estava começando a ficar nervoso outra vez. Mesmo sendo tudo mentira, dizer aquilo era muito estranho.

— Mãe, quero te contar outra coisa… responder à sua pergunta de antes na verdade — Naruto começou — Sobre a pergunta que você me fez antes, eu… bem, eu…

— Ele está tentando dizer que eu sou o passivo. Não queria contar antes por que… estava com vergonha — falei tudo de uma vez antes que perdesse a coragem de novo.

— Você… é… o que? — ela soletrou cada palavra bem devagar. Por algum motivo isso era ainda mais assustador do que quando ela gritava.

— Hm… como eu disse antes, sou passivo…

— Então vocês fizeram — ela colocou-se de pé — Vocês realmente fizeram!

— Não está funcionando Naruto — murmurei ao lado dele enquanto Kushina avançava em nossa direção — Você disse que ela iria gostar de ouvir isso.

— Eu pensei que iria! — ele sussurrou de volta, recuando para longe da mãe.

— Seus pirralhos precoces! — ela segurou tanto Naruto quanto a mim pela orelha. Eu sabia, ela vai matar a gente — Como tiveram a ousadia de…

— Kushina, assim vai acabar machucando os garotos de verdade — com algum esforço Minato conseguiu fazer com que ela nos soltasse — Sasuke, posso falar com você um instante? — ele voltou-se para mim. Estava esfregando minha orelha dolorida, então me sobressaltei ao ouvir meu nome.

— Nós já vamos, pai. Só me deixa pegar uma pomada antes, minha orelha está doendo…

— Você fica aqui, Naruto. Eu quero falar com ele a sós — ele mandou. Só então percebi que ele não parecia mais o homem gentil de antes. Estava com um ar severo, talvez mais do que quando estava em seu escritório de trabalho — E conte o que aconteceu agora a pouco para a sua mãe. A verdade.

Eu encarei Naruto, que estava tão desesperado quanto eu antes de seguir Minato para fora da casa e parar na varanda, onde tinha conversado com Naruto não tinha nem dois minutos.

— Vou direto ao ponto: Ouvi a conversa de vocês e sei que estão mentindo — Minato cruzou os braços — A pergunta é: Por quê?

— Bem… parecia que a sua esposa iria ficar feliz se a gente falasse aquilo.

— Mas eu não fiquei. E ela muito menos, como puderam ver — ele rebateu. E então se inclinou para me encarar nos olhos — Sasuke, você tem alguma noção do que acabou de falar lá dentro?

— Sim, nós lemos sobre isso.

— Vocês… vocês leram?

— Isso — confirmei — O Kakashi tinha mandado a gente falar isso para os meus pais, mas não funcionou. Então o Naruto e eu pesquisamos isso na biblioteca depois.

— Vocês… saíram falando isso por aí sem saber o que era? — Minato ajeitou-se, agora parecendo mais assustado do que confuso.

— Foi ideia do Kakashi — tentei me defender — O Naruto gostou ideia e eu não tinha uma melhor. Mas como não funcionou decidimos pesquisar o que era isso.

— E quando vocês pesquisaram?

— Hoje à tarde, na biblioteca.

— Deus do céu — Minato passou a mão pelos cabelos.

— Também está zangado com a gente, não é?

— Estou zangado com o Kakashi — ele respondeu, andando de um lado para o outro — Francamente… vocês parecem duas crianças que acabaram de descobrir de onde vêm os bebês e estão curiosas para saber mais sobre o assunto.

— O que?! — ok, não importa se eu estava levando bronca do Hokage, que por acaso também era pai do meu namorado. Agora eu estava ofendido — Eu não sou mais criança!

— Sei disso. Mas vocês só têm quatorze anos — ele interrompeu sua caminhada e voltou a me encarar — Ainda são jovens demais para fazer essas coisas. Descobriram como funciona através de um livro. A Kushina está errada por ter feito tantas perguntas confusas para vocês e pode deixar que eu vou conversar com ela depois, mas vocês também não deveriam ter mentido. Por que mentiu sobre uma coisa tão importante?

— Eu queria… eu só queria… que ela me aceitasse — mesmo falando baixo aquilo era mais constrangedor do que eu pensei — Ela não parece gostar de mim. Pensei que, se eu falasse aquilo ela ficaria feliz. Mas não funcionou, e aí o senhor também ficou com raiva, e droga, é muito difícil agradar vocês! — não consegui evitar de dizer.

— É praticamente impossível agradar os pais da pessoa que está namorando, garoto. Se conseguir agradar um deles já vai ser um feito e tanto — para minha surpresa ele riu — Não é que a Kushina não goste de você. Ela iria implicar com qualquer pessoa que o Naruto namorasse. Mas mentir para tentar ganhar a confiança de alguém é errado. Ainda mais sobre uma coisa dessas.

— Desculpe. Vou contar a verdade para ela.

— Ah, não precisa. Eu mandei o Naruto fazer isso — ele informou — Vamos entrar e ver como ele está se saindo.

Quando voltamos para dentro da casa vimos que a sala estava um caos. Kushina gritava com Naruto, que às vezes gritava de volta irritado e outras se encolhia de medo. Havia alguns pratos quebrados no chão, provavelmente destruídos pela mulher em um acesso de fúria.

— O que está acontecendo aqui? — Minato adiantou-se — Naruto, eu mandei você conversar com a sua mãe.

— Eu estou tentando! Mas ela não me deixa falar! — ele se abaixou momentos antes de ser atingido por um copo — Mãe, eu já disse que não é sobre isso que nós mentimos!

— Então o que aconteceu? Você foi tolo a ponto de deixar ele se aproveitar de você?

— O que? Não, eu só…

— Ele te seduziu?

— Me deixa falar! — a voz de Naruto se sobrepôs à dela — Não dá para saber quem é o que porque nós não… nós nunca… quero dizer… — ele me encarou, pedindo ajuda.

— Nós só ficamos sabendo o que era isso hoje porque lemos em um livro — contei simplesmente — Só disse aquilo porque achei que te deixaria feliz.

— Vocês… viram em um livro? — ela ergueu uma sobrancelha — O que você anda lendo, Naruto? Não me diga que são coisas indecentes como as que o Jiraiya-sensei escreve?

— É claro que não! Nós pesquisamos na biblioteca — Naruto exclamou ofendido — Tinha um livro sobre isso lá, apesar de eu não ter entendido quase nada. Era… hã… qual era o nome mesmo?

— “Karma Surta”? — arrisquei. Eu também não lembrava o nome e torcia para um dia conseguir esquecer o conteúdo daquilo — Era constrangedor.

— E esquisito — Naruto acrescentou.

— E um pouco assustador também— tive que dizer.
— Acho que é fisicamente impossível para um ser humano fazer aquilo— Naruto comentou e eu concordei com um aceno de cabeça.

— Eu não acredito que você está lendo essas coisas vulgares, Naruto! — Kushina gritou, interrompendo nossas divagações e tirou o sapato que calçava. Naruto recuou vários passos até bater contra a parede da outra extremidade do cômodo. Acabei recuando também. Vai que ela erra a mira? — Já se esqueceu das Três Proibições?!

— Ok, estamos perdendo o foco aqui — Minato interrompeu o que seria uma bela sessão de pancadaria — Eles já falaram que nunca fizeram nada disso, você ouviu. E nem entenderam o que estava escrito lá. Você está exagerando.

— Tem certeza disso, Minato? Essa história ainda parece suspeita — Ela olhou para nós, estreitando os olhos.

— Eu conversei com o Sasuke. O garoto é tão ingênuo que estava disposto a mentir sobre uma coisa que aprendeu hoje para que aceitássemos ele — embora sussurrasse pude ouvir o que Minato falou. Não sabia se isso era elogio ou ofensa — Eles ainda são jovens demais para essas coisas, você não precisa se preocupar.

— Bem, se você está dizendo — Kushina largou o sapato no chão e o calçou de novo — Tudo bem então. Eu gostaria que tivessem respondido a minha pergunta desde o começo, teria sido tudo mais fácil, mas, já que o Minato está dizendo que está tudo bem, vou confiar em vocês.

— Aquela coisa sobre quem comanda a relação? — Naruto recordou — Não era isso que você estava perguntando desde o começo?

— É claro que não! Vocês ainda são crianças, não deveriam nem sonhar com essas coisas! — a mulher exclamou. Pelo jeito passaria um bom tempo nos tratando como crianças.

— Então do que você estava falando afinal, mãe?

— Perguntei quem toma a iniciativa no relacionamento — ela respondeu como se fosse óbvio.

— Mas é a mesma coisa! — Naruto exclamou — Só que usando palavras bonitas.

— Não se faça de desentendido e responda a minha pergunta! — ela começou a perder a paciência. Sinceramente, nenhum de nós estava entendendo nada, mas era melhor responder alguma coisa logo.

— Hã… o Sasuke?

— Então quer dizer que você não teve nem coragem de tomar a iniciativa de dizer que gosta dele, Naruto? — ela se irritou outra vez.

— Eu não… espera, o que? — a expressão assustada de Naruto começou a mudar lentamente para compreensão — Você está perguntando quem se declarou primeiro, mãe?

— Mas é lógico que sim! O que mais seria?

Ambos suspiramos, sem conseguir acreditar naquilo. Era uma pergunta tão simples. Por que ela tinha que falar de um jeito tão complicado? Parecia até que tinha feito de propósito.

— Ninguém mais fala desse jeito, Kushina. Você confundiu os garotos com as gírias, por isso eles interpretaram mal a sua pergunta — Minato parecia estar se esforçando para não rir — A Kushina usou algumas gírias da vila onde ela nasceu, acontece às vezes quando ela está muito nervosa — ele explicou — Bem, por que não respondem a pergunta?

— Fui eu quem me declarei para o Sasuke — Naruto respondeu simplesmente.

— Isso! Esse é o meu garoto! — ela gritou de felicidade pela primeira vez naquela noite e puxou Naruto para um abraço. Quem diria que era preciso tão pouco para deixá-la feliz — Estou muito orgulhosa por você ter tido coragem para dar um passo tão importante, querido. Embora ainda esteja zangada por vocês dois terem mentido sobre algo tão sério — acrescentou mais séria, soltando o filho.

— Desculpe por ter mentido — precisei dizer, ainda que a ideia não tivesse sido minha. Se bem que eu não fui muito educado naquela noite — E também pelo modo como falei antes. Eu só queria que aceitassem meu namoro com o Naruto. Eu realmente gosto dele, e… é só isso mesmo.

— Como assim “é só isso”? — Naruto murmurou do meu lado. Parecia ofendido.

— Se eu falar mais do que isso vou acabar me enrolando de novo — sussurrei de volta.

— Kushina — Minato chamou — Não quer dizer alguma coisa?

— Bom… desculpas aceitas. E também… eu me preocupo muito com o Naruto, entende? Então me desculpe também pelo que eu falei e por todas aquelas acusações.

— E? — Minato perguntou.

— E por ter te julgado pelo que seus antepassados fizeram — ela falou meio sem jeito — Foi há muito tempo e você não tem nada a ver com isso.

— E? — Minato falou novamente.

— E por ter puxado a sua orelha — ela falou, embora não parecesse arrependida disso.

— E?

— E por ter te acusado de estar tentando dar o golpe do baú no filho do Hokage.

— Quando foi que a senhora fez isso? — eu indaguei. Ela tinha dito muitas coisas naquela noite, mas eu não me lembrava disso.

— Acho que você já tinha saído… bem, esqueça esse detalhe — ela disse como se não fosse nada de mais — Bom… depois de ver que você estava disposto a mentir sobre algo tão importante para ficar com o Naruto eu fiquei sem argumentos. Se o que você queria ouvir é que tem minha aprovação, então é o seu dia de sorte, você tem. Mas lembre-se — ela se inclinou até ficar na minha altura — Se magoar meu filho eu acabo com você.

— Não tenho dúvidas disso — respondi — Não se preocupe, vou cuidar bem dele — me virei para Naruto, sem conseguir evitar um sorriso — Só espero que ele faça o mesmo…

— O que está insinuando, seu moleque precoce?

— Muito bem, acho que a noite de hoje acabou. Vou levar o Sasuke até a porta — Naruto me puxou pela mão, guiando-me para fora do apartamento. Não entendi o que a mãe dele quis dizer, e nem ele parecia ter entendido, mas acho que foi uma sábia decisão dar a noite por encerrada.

Sua mãe é assustadora — comentei enquanto descíamos as escadas — Não volto aqui nem tão cedo.

— Como assim? Você pode voltar quando não tiver ninguém em casa — Naruto brincou. Revirei os olhos, mas até que gostei da ideia — Obrigado por ter vindo, Sasuke. Foi muito importante para mim — ele agradeceu quando chegamos na rua.

— Bom… tirando toda aquela confusão, acho que deu tudo certo, não é?

— Deu sim. E ainda ganhei um bônus! — Naruto exclamou sorridente.

— Como assim?

— Você disse que gosta de mim em alto e bom som. E na frente dos meus pais! — Naruto exclamou — Você morre de vergonha de falar isso.

— Cala a boca! — eu o empurrei por impulso. Por que Naruto tinha que me lembrar disso? Agora meu rosto estava queimando sem necessidade alguma — Eu precisei dizer.

— Precisou dizer a verdade — ele enrolou o dedo em uma mecha do meu cabelo, ainda sorrindo — Ei, me beija.

— Desistiu de tentar me pegar de surpresa?

— Você é melhor nisso do que eu — Naruto finalmente admitiu.

Não tinha como eu negar o pedido depois daquela confissão. Segurei o rosto dele e o trouxe para mais perto até unir nossos lábios. Era engraçado como sempre parecia o nosso primeiro beijo para Naruto. Eu o sentia deslizar a mão até o meio das minhas costas, mas ele ofegava, sempre surpreso e ansioso conforme eu movia os lábios. Eu podia sentir o coração dele batendo em um ritmo acelerado, junto com o meu quando apoiei a mão em seu ombro, nos aproximando um pouco mais. Ele sempre se esforçava para acompanhar, mas acabava mantendo a maior parte do foco nas mãos. Me abraçava, usando a mão livre para brincar com meus cabelos.

A única coisa frustrante nisso tudo era que ele ficava sem ar com muita facilidade. Logo percebi que ele necessitava de oxigênio e encerei o beijo a contragosto. Gostaria que ele conseguisse aguentar um pouco mais.

— Você precisa aprender a segurar o fôlego por mais tempo, Naruto — comentei.

— Eu segurei o máximo que pude. Você é que parece não ter a necessidade de respirar — ele se defendeu. Quando notou meu olhar de reprovação, acrescentou — Está bem, vou tentar segurar mais na próxima vez.

— Ótimo, vá treinando — incentivei — Ah, e por falar em treinamento, não se esqueça de que temos uma missão importante para cumprir amanhã.

— Qual missão? O Kakashi-sensei não nos disse nada.

— Não é esse tipo de missão — eu falei — Temos que contar para a Sakura sobre o boato que você inventou sobre ela estar com dor de barriga. Por algum motivo ele parece ter se espalhado pela Vila — expliquei. Naruto gemeu como se estivesse em seu leito de morte.

— Ela vai me matar.



_____________________


Notas Finais:


História postada também no Spirit e no Nyah! Fanfiction.





26 de Septiembre de 2019 a las 03:43 3 Reporte Insertar 7
Fin

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jaqueline ribeiro jaqueline ribeiro
Amei tudo kkkk tadinhos nem o Fugako foi tão assustador quanto a Kushina bjs ate a próxima.
26 de Septiembre de 2019 a las 16:29

  • Lilith Uchiha Lilith Uchiha
    Oii! A Kushina é mais do tipo escandalosa então faz a pessoa sentir um medo diferente... não de levar bronca e ouvir aquelas coisas horríveis a lá Fugaku, mas de apanhar mesmo kkkkkkkk Kissus e obrigada por comentar *-* 26 de Septiembre de 2019 a las 16:40
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