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marianakimoto Mariana Akimoto

Você, eu, e o resto de nossas vidas.


Cuento No para niños menores de 13.

#conto #amor #degrade
Cuento corto
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... não há nada além de nós.

Quando o sol raiou, espreguicei-me e despertei preguiçosamente. Rocei o nariz nas madeixas claras daquela que dormia ao meu lado e relutei, com excepcional esforço, em deixar para trás nossos lençóis quentes. O calor do corpo que eu envolvera com o meu, durante a longa e intensa noite que se sucedera, ainda queimava sobre minha pele, bem como o cheiro de chocolate impregnado em seu ser. Olhei-a, adormecida, e fui tomado por uma vontade avassaladora de me aconchegar de volta ao seu lado; desejo esse que eu suprimi com especial dificuldade. O lembrete de que seria por uma boa causa me consolou e me impulsionou, de vez, para fora do nosso leito.

Deslizei pela casa sem fazer barulho, com receio de acordá-la, e fui até a cozinha em busca de comida. Vasculhei os armários, procurei na geladeira, mas não encontrei nada à altura do ser dono dos meus pensamentos. Vi, então, o bolo do dia anterior sobre a mesa, e rapidamente roubei um pedaço. Meus olhos se voltaram por um instante para o calendário pendurado na parede — com um visível círculo vermelho marcando o dia doze de junho — que me lembrou com eficácia da minha missão. Estranha aquela sensação de, pela primeira vez, não estar fazendo algo para meu próprio prazer. Havia alguém cuja felicidade deveria vir antes da minha.

Voltei para a sala com o pedaço de bolo em mãos e coloquei-o sobre a cama, na pontinha, enquanto me voltava para o armário. Alcancei um pacote detrás das roupas lá guardadas. Ela se remexeu na cama com o barulho, mas logo voltou a dormir, permitindo-me respirar aliviado. De dentro do embrulho, retirei um bonito colar, com um pingente em forma de pedra negra, sobre o qual depositei o meu olhar mais uma vez. Presentes não eram o meu forte, especialmente para outras pessoas, mas eu sentia, em meu coração, que aquele valeria todas as coisas pelas quais eu teria que passar dali a frente.

Aproximei-me da cama devagar e com cuidado me debrucei sobre a adormecida. Ela despertou, também lentamente, e demorou algum tempo, entre coçadas de olho e bocejos adoráveis, para realmente tomar consciência do mundo ao seu redor. Eu sorri, ela sorriu de volta, enquanto eu me perdia em seus belos olhos azuis perolados. Agarrou meu pescoço, esfregou o nariz na minha bochecha, no meu nariz, na minha boca, e mais uma vez me vi refém de seus caprichos. Entreguei-lhe o pedaço de bolo, modiscado superficialmente, pois seus olhos curiosos resvalaram direto para o pacote azul e brilhante que eu tinha nas mãos.

Eu nunca soube esperar, e não seria naquele momento que eu me tornaria mais paciente. Tirei o colar do embrulho, transpassei em torno do pescoço dela, e admirei-a mais uma vez ainda mais bonita e clara do que normalmente era. E eu tive a certeza de que tinha feito a coisa certa; tive a certeza de que eu não existia mais sozinho naquele mundo de cão. Seus bracinhos miúdos me puxaram de volta para cama e eu, grande e pesado, sequer cogitei resistir. Formamos sobre os lençóis um degradê monocromático, um ying yang perfeito e imutável.

Entreguei-me. Voltamos para a cama que, no dia anterior, abraçou a nós e à luxúria entre garras e carinhos.

Horas depois, minhas orelhas captaram sons da porta abrindo. Continuei de olhos fechados, meio acordado meio dormindo, mas pude perceber nitidamente a indignação dos recém-chegados. Estavam espantados. Indagações como “porque tem um pedaço de Ana Maria em cima da cama?” e “o que diabos aconteceu com meu fone de ouvido e porque diabos a Meio-dia está com ele em torno do pescoço?” preencheram o ar. Nenhuma delas me incomodou. Nem mesmo quandoo casal disse, em uníssono, “o que esses gatos fizeram enquanto estávamos fora?”.

4 de Septiembre de 2019 a las 04:29 1 Reporte Insertar 1
Fin

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Lua Lodi Lua Lodi
Essa história... AAAAH ESSA HISTÓRIAAAAAAAA!!!! MEU DEUSSS, quanto tempo que li! Misericórdia, a emoção é a mesma. Meu shipp felino voltou e voltou tão gracioso quanto minha memória permitia recordar. O desfecho me fez sorrir, pois foi tão fluido e, realmente, dá pra imaginar que talvez seja assim que os bichanos pensem. A sua escrita é tão perfeita, Mari. Não tem um defeito para ser apontado, salvo que essa história é curtinha e termina rápido. Tô ansiosa pela capa. E pela Mina e Komoshi aqui. Te amo. (つ✧ω✧)つ
3 de Septiembre de 2019 a las 23:36
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