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paulo57v Paulo Moreira

Um prisioneiro é largado em uma floresta. Ali, entre as árvores molhadas, seus pecados sussurram em seus ouvidos. Será que confrontar seus pecados dará a liberdade a esse prisioneiro?


Horror Literatura de monstruos No para niños menores de 13.

#natureza #julgamento #vampiro #sangue #índios #lenda #295 #mortos #floresta #pecados #prisão #assombração
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Primeiro Dia

Estava escuro e úmido. Sombras dançavam na penumbra, dando giros monótonos e intrigantes no ar. O suor corria pelo corpo do prisioneiro, seus braços brilhavam e o pescoço estava cheio de água, molhando quase toda a sua camisa. Havia um saco sobre seu rosto enrugado, e o hálito e sua respiração esquentavam o pano grosso e fedido, abafando o pequeno espaço para as narinas. O piso rangia e movia-se oscilante como um balanço, e de vez em quando o prisioneiro tombava e caía sem forças. Eles sempre o erguiam de novo, quem quer que fossem eles, puxando-o pela camisa. Num desses momentos, o prisioneiro vomitara, e o cheiro azedo ainda irritava seu nariz. Não haviam lavado tampouco trocado o saco, só socaram seu rosto coberto como punição. Suor, sangue e vômito lavavam seu rosto, o chão oscilante o deixava tonto qual um bêbado, e o cansaço por estar sentado não permitia que ele dormisse. Seria essa a punição pelos seus atos? Seria justo o que estavam fazendo? E Eddie o ajudaria como prometera?

“Não vá para o rio. É só isso que precisa fazer.” dissera ele. Mas o que isso significava? Alan precisava fugir com urgência, e o que Eddie poderia fazer num tal rio para querê-lo distante dali?

Ergueram-no outra vez e o estômago seco de Alan saltou. Não chegou a vomitar, mas o gosto da bile subiu-lhe a garganta e um cuspe mal-cheiroso escorreu pelo seu queixo. Foram puxando-o pela gola da camisa molhada, levando-o para um lugar mais alto no meio da escuridão. Por um momento, Alan sentiu seu corpo esquentar como se o sol estivesse tocando-o mais uma vez. Ele sabia que não era o sol, mas se permitiu acreditar que era. O calor era diferente do brilho do sol, e se estivesse em um espaço aberto, mesmo com o saco, não seria tão escuro. Era como se um líquido quente subisse pela sua barriga, em direção ao pescoço. Suas veias doíam um pouco, e Alan percebeu que haviam se contraído rapidamente. O coração pulsou veloz e sonoro como um tambor e seu fígado parecia estar em chamas quando o puxaram de novo e foram guiando-o na penumbra a um outro local.

Alan logo notou que estavam subindo uma escada. Topou algumas vezes nos degraus, sentindo a unha crescida entrar na carne do dedão do pé. Um arrepio percorreu seus ossos, arrepiando os pelos de seus braços quando enfim pararam de subir e deixaram os degraus. Alan sentiu o vento frio soprando em seu corpo, e alguns respingos gelados tocaram-no delicadamente. Um motor roncava ali perto, mas além disso, não havia nenhum som perceptível. O barulho do motor continuou por um tempo, enquanto todos permaneciam silenciosos ao redor do prisioneiro, até parar inesperadamente, levando Alan para frente. Seus carcereiros o seguraram, impedindo sua queda, e arrancaram seu capuz num movimento brusco.

Alan viu um clarão doloroso penetrar as órbitas de seus olhos como uma faca. Lágrimas febris escorreram, enquanto o pobre coitado piscava os olhos repetidas vezes para acostumar-se com o brilho. Sua cabeça latejava e girava, afastando os pensamentos. Quando a vista se adaptou, reparou que o sol se escondia num emaranhado de nuvens róseas de chuva. Estavam sobre um barco, na margem de um rio misterioso, e os guardas trajados de verde e cinza empurraram o prisioneiro rumo à terra firme. Uma floresta repletas de árvores altas e sombrias arrodeava o rio, parecendo uma muralha de folhas grossas e pesadas. Alan tropeçou no lamaçal e caiu de cara na água barrenta do rio.

– Voltaremos em cinco dias. – exclamou um dos guardas de cima de seu barco. – Viva para provar sua inocência.

E o barco saiu logo em seguida, deixando um rastro de ondas no rio. O sol baixo subia vagarosamente e, embora as nuvens fossem volumosas, seu brilho escapuliu e clareou as entranhas da mata. Alan aproveitou a queda e bebeu a água doce do rio, sentindo o barro grudar em seus lábios. Suas pernas estavam sujas de lama e magras como um espeto por isso, para conseguir reerguer-se, agarrou um cipó que boiava ali perto e puxou o corpo. Vitória-régias subiam e desciam no ritmo das ondas. Alan deu uma volta e dirigiu-se para onde a floresta tocava o manancial. Ali suas árvores projetavam raízes sobre as águas, iluminadas pelo frágil reflexo do rio.

Agora em terra-firme, Alan vagueou mata adentro em busca de um lugar para descansar. Choveu naquele dia, e os pingos estalavam nas folhas como um tiroteio. Alan ficou todo encharcado, com as roupas pesando de tão molhadas. Ao tirar a camisa para secá-la, reparou que havia uma marca róseo-avermelhada um pouco abaixo das costelas. Tocá-la doía um pouco, e as veias dali pulsavam nitidamente sob a pele.

– O que fizeram comigo? Ou melhor, onde diabos estou?

A chuva deixara poças fétidas no chão da floresta. Alan evitava pisá-las, temendo contrair alguma enfermidade. Sapos rabugentos coaxavam no lamaçal enquanto o prisioneiro seguia adiante. Sem achar um abrigo, uma caverna ou uma toca qualquer, Alan contentou-se em voltar ao rio antes do anoitecer, pois era seu único ponto de referência, embora Eddie tivesse lhe pedido que se distanciasse dali.

O sol começava a se pôr, soltando fitas laranjas e douradas no céu cinzento. Alan não chegou a alcançar o rio antes do crepúsculo, o que de certo modo, pensava ele, significava que estava com sorte. Não conseguia refletir direito, mas sabia que à noite animais selvagens poderiam ir ao rio beber água, e Alan não queria se deparar com nenhum deles se eles não fossem sua caça. Escalou uma árvore, escorregando de início devido à chuva que deixara o tronco molhado. Em seus galhos, era capaz de ver o crepúsculo escurecendo acima das águas do rio, o qual, por sinal, era enorme. Dificilmente Alan conseguiria atravessá-lo, então ele nem se atreveria a tentar. Naquela árvore, de onde podia ver o percurso do rio com facilidade, o prisioneiro dormiu, cansado do percurso feito e de tudo que já fizera. Os grilos e sapos cantavam sem ritmo, mesmo assim, aparentavam querer ajudá-lo a dormer.

– Sangue! A pia está cheia de sangue!

Alan despertou com o grito. Alguém gritara na escuridão profunda da mata, e ele não podia enxergar quase nada. Não fazia ideia de que horas eram e a lua e as estrelas só permitiam que o rio fosse visto, trêmulo como uma bandeira.

Um barulho estranho soou sob a árvore onde Alan repousava. Eram batidas abafadas, como se algo tateasse o tronco. De início, Alan pensou ser um inseto, mas ao olhar para lá, viu que se tratava de algum animal estranho. Não podia discernir o que era mas, pelos sons macabros, sabia que a fera devorava alguma coisa. Estalos como os de ossos partindo-se fizeram o coração de Alan bater mais forte, e seu corpo, mesmo sendo a noite fria e arrepiante, ficou aquecido. Ele podia sentir um vapor subindo em sua respiração, e o suor voltava a escorrer em seu queixo. “Estou com febre. Só pode ser isso. Peguei alguma doença aqui nessa floresta maldita.” refletiu Alan.

Os sons sob ele continuaram, mordendo e sugando. Um cheiro nauseabundo irritou sua garganta, e ele engoliu um quase vômito. Voltou o rosto para o animal e percebeu que não era apenas um, mas dois. Um era baixo e gemia de dor, enquanto o outro era comprido e devorava-o pelas costas.

Um rugido tirou a concentração de Alan. Outro animal se aproximara para tomar a presa. Alan viu seus olhos cintilando entre as árvores, e notou que era uma onça que vinha com passos mudos. “ Vai rolar uma briga feia aqui.” arrepiou-se Alan, com medo do que viria em seguida.

Estranhamente, a onça parou e recuou num momento. A sombra montada em sua presa escarrou e deixou a comida. Em um piscar de olhos, ela perseguiu a onça, rápida como uma lacraia, enquanto a fera fugia desesperada rumo ao rio. Alan quase desmaiou de medo. A onça saltou no rio com a sombra em seu encalço. “Ela escapou. Onças sabem nadar, isso é certo.” pensou o observador, escutando o coração bater desenfreado. Estava ofegante e com dores no corpo, mas virou-se para ver melhor. A sombra não alcançou a onça, mas Alan não conseguia ver o animal nadando do outro lado do rio. Ela havia sumido nas sombras, no entanto, era certo que havia pulado.

4 de Septiembre de 2019 a las 18:43 0 Reporte Insertar 2
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