Me trouxe a você Seguir historia

aikimsoo Ai KimSoo

Kyungsoo andava mancando pelos corredores do colégio, quando estranhou um barulho vindo do elevador e logo em seguida um suposto pedido de socorro. Não sabia se era sua imaginação, porém, quando viu a porta da caixa metálica ser forçada por dentro, resolveu se aproximar e ajudar. Dali de dentro, saiu um rapaz de pele acobreada e se arrastando, enquanto Kyungsoo se permitia soltar a porta fria e cair no chão. Um estrondo fora ouvido ao elevador despencar de vez, mas o menino que estava dentro - agora - se encontrava deitado no chão do corredor e chorando de desespero. Mesmo com dor em seu tornozelo machucado, Kyungsoo levantou-se do chão para confortar aquele garoto e enquanto fazia carinho em seus cabelos, Kyungsoo teve a certeza de que aquele momento seria um grande marco em sua vida.


Fanfiction Bandas/Cantantes Todo público.

#jongin #kai #kyungsoo #gay #yaoi #kaisoo #aikimsoo
Cuento corto
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Eu não te ajudei esperando algo em troca

Minha vida estava uma merda. Eu andava mancando pelo corredor do segundo andar da minha escola, logo após ter ido - no dia anterior - ao enterro da minha tia. Era irônico e maldoso da parte do destino me fazer torcer o tornozelo há três meses, me deixar iludido pensando que meu aniversário seria um recomeço, para logo em seguida me fazer receber a notícia de que minha torção estava se tornando crônica e que minha tia estava em coma induzido no hospital, porque eram seus últimos suspiros.

Mas o senso macabro do destino não parava por aí. Além de passar meu aniversário com o meu pé direito muito inchado e sem conseguir andar direito, minha tia veio a óbito na parte da tarde. Tinha acabado de chegar da escola, quando meu pai pediu - com os olhos vermelhos de tanto chorar - que eu fosse me arrumar para irmos ao enterro de minha tia. Eu chorei, chorei muito, e não conseguia parar de chorar. Eu derramava lágrimas por inúmeros motivos e o principal deles era: era meu mês, o começo de um novo ano, era meu aniversário...

Podia parecer egoísta e eu nem me preocupo em dizer que não é, porque de fato é. Eu sempre amei minha tia, mas quando discutimos sobre desavenças religiosas, nos afastamos um pouco. Nunca paramos de nos falar e eu sempre a amei, mas ao vê-la definhar por culpa do maldito câncer que se alastrava por seu útero, senti que não a teria mais em minha vida por muito tempo.

Meu cabelo sempre foi cortado por ela e vê-lo enorme no reflexo do espelho me fazia perceber que eu sempre iria me sentir vazio quando lembrasse dos meus fios sendo cuidados por suas mãos gentis. Era um ritual nosso, desde criança, e eu nunca deixei que ninguém além dela cortasse meu cabelo. Ela também morria de ciúmes quando ouvia minha mãe dizer que iria me levar em outro lugar para parar de incomodá-la. Eram momentos nossos, mesmo depois das desavenças, que tinham chegado ao fim no dia do meu aniversário. Eu nunca mais veria minha tia, a minha tia preferida dentre as irmãs do meu pai, e sempre que fizesse aniversário, iria lembrar dela e do meu pé torcido. O destino não cansava de ter um humor cruel.

E enquanto eu mancava, com a pior expressão que alguém poderia portar no rosto no dia seguinte ao próprio aniversário, me sobressaltei com um estrondo vindo da área dos elevadores. Parei para olhar e minha curiosidade me fez me aproximar mais. Eu era o único ali, se não aposto que teriam vários estudantes indo fazer o mesmo que eu.

-Socorro... - ouvi uma voz abafada e franzi o cenho. Eu tinha ouvido bem? Tinha alguém dentro daquela lata de metal?

Não tive tempo de perguntar, porque imediatamente vi a porta do elevador tentando ser aberta. Eu poderia ter perdido o interesse em tudo e ir embora, se não tivesse percebido que a porta estava sendo forçada a abrir por dentro. Realmente tinha alguém ali.

-Ei, eu tô aqui, vou te ajudar. - me pronunciei.

Cheguei perto do elevador e comecei a puxar a porta para o lado esquerdo. Aquilo estava fazendo com que eu forçasse o meu pé torcido, mas eu não podia simplesmente ignorar alguém que estava preso ali.

-Só mais um pouquinho. - murmurei fazendo um grande esforço e puxando ainda mais a porta.

O esperado era que quem quer que estivesse preso do lado de dentro saísse andando para fora do elevador assim que visse uma brecha, porém, nada estava sendo como "o esperado".

A porta do elevador tinha dado uma brecha boa para que alguém saísse e o inquilino forçado daquela caixa metálica até saiu, todavia, ele saiu se arrastando. Ainda me esforçando e mordendo o lábio inferior para manter a força que eu fazia e aguentar a dor no tornozelo, consegui ver que o elevador estava mais para baixo do que para cima e por isso aquele garoto rastejava para fora.

-Eu não aguento mais! - gritei e o olhei.

Vi quando o menino de pele acobreada retirou a única perna que ainda estava para dentro daquele lugar assustador e então eu soltei a porta. Eu fazia tanta força, tanta força, que assim que soltei a porta, a mesma se fechou em um rompante, eu caí para trás e gritei de dor, além de só ouvir outro estrondo. O elevador tinha caído de vez e o tremor no chão deixou isso claro.

Olhei para o rapaz jogado no chão e vi o quanto ele estava assustado. De longe já era possível saber que ele era mais alto que eu e até mesmo com um porte melhor, contudo, ele chorava e tremia de medo. A porcaria do meu pé estava doendo muito e eu sabia que não conseguiria andar sem mancar, mas mesmo assim tentei ficar de pé e fui igual o Saci Pererê pulando numa perna só.

-Garoto, você se machucou? - perguntei me jogando no chão ao seu lado. Eu não iria conseguir abaixar e também precisava sentar, então um machucado a menos ou a mais não seria grande coisa. Eu também não quis fazer uso daquela pergunta clichê de “Você está bem?” quando claramente era possível saber que ele não estava, então resolvi que me preocuparia se ele tinha se machucado.

Mas para a minha surpresa, aquele garoto não respondeu, apenas se arrastou até mim e abraçou minha cintura, enterrando o rosto na minha barriga e desatando a chorar. Eu olhei para suas pernas e vi que ele não as mexia, o que me fez ficar preocupado quanto ao movimento inferior do corpo dele, porém, não aparentava estar machucado e eu acabei cogitando que podia ser apenas o medo dele gritando e o fazendo ficar sem reação. Esperava que fosse isso.

Muito atipicamente, levei minha mão até seus fios castanhos e lisinhos - digno de comercial de shampoo e creme - fazendo um carinho singelo ali. Eu pensei em gritar por ajuda - uma vez que seria impossível eu fazer mais do que já tinha feito -, mas imediatamente o sinal do intervalo tocou e suspirei aliviado. Os alunos sairiam e nos encontrariam ali, então me limitei em tentar passar conforto para o estranho e ignorar a dor nos meus pés.

Como previ, uma rodinha de alunos se formou ao nosso redor assim que saíram de suas salas e todos perguntavam o que tinha acontecido, até que dois rapazes altos resolveram tomar uma iniciativa após um mais baixo ditar as ordens. Fui pego no colo pelo segundo mais alto e com orelhinhas engraçadinhas, enquanto o garoto moreno foi pego pelo o outro e nisso fomos levados para a enfermaria.

Eu não conseguia nem sentir vergonha por estar sendo carregado na frente de quem quisesse ver, porque agora meu sangue começava a esfriar e isso acarretava no meu tornozelo gritando de dor. Eu tinha forçado demais e agora teria que arcar com as consequências.

-Omo! O que aconteceu? - ouvi uma voz feminina e abri os olhos, que nem tinha percebido fechar, enxergando a enfermaria do Colégio com os olhos embaçados. Eu estava chorando.

-Eu não sei, mas eles estavam jogados no meio do corredor e pareciam sentir muita dor. Acho que eles estavam no elevador, ouvi que o mesmo acabou de despencar. - o mais baixo contou enquanto fui colocado na maca ao lado do menino que ajudara. Eu não sabia como aquele garoto tinha ouvido sobre o elevador, embora o tremor ele com certeza tivesse sentido, mas isso era o de menos.

-E... Eu... - uma voz grossa se manifestou e eu olhei para o lado, vendo o menino de pele acobreada tentando formular uma frase. - Eu estava no elevador. Eu tinha ido pro quinto andar e estava descendo. - contou.

-Omo! Senhor Park, você poderia me fazer o favor e chamar o diretor aqui? Não posso lidar com eles, precisam de um atendimento mais minucioso e isso só em hospital. - a mulher pediu e na mesma hora vi o garoto que me carregara concordar e se retirar da sala.

-E quanto a você? - ouvi a voz feminina me questionar.

-Eu estava passando e...

-OMO! O seu pé! - fui interrompido pelo grito do garoto que ajudei.

Olhei para o meu pé e vi o quanto estava inchado. Se antes eu chorava, agora eu estava começando a entrar em prantos. Será que eu tinha lesionado de novo? Se isso acontecesse, eu estaria completamente ferrado e poderia perder a movimentação do pé. Eu não soube muito o que dizer e nem prestei atenção no que eles diziam, porque meu mundo estava desabando.

-Você-você se feriu quando me ajudou? - ouvi a voz grossa do garoto moreno, mas não o olhei. Eu estava fitando meu pé em busca de uma resposta boa. - Por-por favor, me desculpe. - e aquilo foi o suficiente para me fazer olhar na direção do rapaz.

Ele estava em pé e ao meu lado, seus olhos lacrimejavam muito e ele parecia mal se aguentar em pé. Por alguma razão, eu senti vontade de pegá-lo no colo e cuidar dele como tinha feito mais cedo enquanto ele chorava. Aquele garoto era maior que eu, mas parecia ser o mais frágil.

-Você consegue andar? - indaguei e comemorei internamente pela minha voz ter saído firme, já que eu chorava de dor também.

-Eu... Não deveria? - ele retrucou confuso e eu acabei sentindo vontade de sorrir. Ele era fofo.

-Você estava se arrastando enquanto... AHHHHH! - gritei tão alto, que todos se sobressaltaram.

-Desculpe, mas eu precisava saber se quebrou. – a enfermeira se desculpou e eu a olhei desesperado.

A mulher tinha apertado meu tornozelo com vontade e isso tinha me machucado. Qual o problema dela? Por que fez isso? Eu tinha perdido totalmente o rumo das coisas após aquele apertão, contudo, senti uma mão segurar a minha e olhei para seu dono. Ainda não tínhamos sido devidamente apresentados, mas eu pouco me importava. Aquele menino de pele acobreada era simplesmente especial e eu sabia disso só de olhar em seus olhos. Será que iríamos nos tornar grandes amigos depois? Eu torcia para que sim, porque algo me dizia que aquele era só o começo de nossa amizade.


[...]


Dito e feito. Fazia uma semana desde que eu tinha conhecido Kim Jongin. Descobri seu nome quando nos apresentamos para os enfermeiros que tinham ido fazer nossas fichas. Não precisamos ficar internados nem nada, porém, tivemos que ficar por um tempo dividindo o mesmo quarto de hospital e foi assim que conversamos um pouco.

Jongin me explicou que estava se arrastando quando saiu do elevador, porque suas pernas estavam fragilizadas e não tinha força nenhuma para se aguentar em pé, diferente de mim, que estava com a perna machucada e mesmo assim a forcei.

E somente Jongin presenciou o choro que desatei a colocar para fora quando descobri que, na verdade, eu não tinha torcido o tornozelo e sim quebrado o talús. Era um osso muito importante que dava sustento ao resto dos ossos daquela área e por ele estar quebrado, eu não conseguia me firmar na perna direita e meu pé estava sempre inchado.

Jongin se desculpou desesperadamente por ter agravado o meu caso, porém, o médico explicou que não tinha sido após o acidente do elevador e que eu já estava assim desde que me acidentei anteriormente. O ortopedista que me atendeu, na verdade, tinha errado o laudo desde o começo e agora só me restava correr atrás dos danos. Eu teria que fazer uma cirurgia.

Meus pais chegaram um pouco depois que eu tinha recebido a notícia e o médico relatou para eles sobre o meu caso. Chorei ainda mais ao ouvir o valor da cirurgia, visto que, era caro demais para termos o valor tão imediatamente.

E fora por isso, desde que conheci Jongin, que o moreno andava colado em mim e tentava - a todo custo - me fazer aceitar seu dinheiro para cirurgia.

-Jongin-ah, eu já disse que não! Não precisa, que saco! - reclamei pela décima vez só aquele dia.

-Mas hyung, você quer ter que andar de bota robocop e muletas pro resto da vida? Eu posso pagar sua cirurgia, não vai ser nada demais!

-Aqueles zeros todos não são nada demais pra você, Jongin? Desculpa se sou pobre. - fui sarcástico e ele riu.

-Você vai aceitar? - insistiu.

-Por que você é tão teimoso?

-Você salvou minha vida, hyung. Você me ajudou mesmo quando precisava de ajuda. Você é a única pessoa que fala comigo e que não tem vergonha de ser meu amigo... Por favor, me deixa te ajudar. - implorou e eu tive que respirar fundo.

Ao longo dos dias que fomos passando juntos, naquela semana, descobri que Jongin tinha sido transferido para aquele Colégio há 1 mês. Ele estava no segundo ano do ensino médio enquanto eu estava no terceiro, porém, nossas salas eram lado-a-lado e isso fazia com que ele sempre fosse me esperar na porta da minha sala para irmos ao intervalo juntos.

Eu só vim a descobrir que ele não tinha amigos, porque percebi que ele só lanchava comigo e nem mesmo cumprimentava ninguém de sua sala. Jongin me explicou que por ser novo na turma, as panelinhas já existiam e era difícil de entrar em alguma, ainda mais por seu tom de pele e seu estilo de cabelo. Eu fiquei chocado quando soube disso, porque eu achava os cabelos grandes de Jongin - que iam até os ombros - muito lindos, bem cuidados e únicos, assim como seu tom de pele e ele todo. Jongin era lindo, simpático e um excelente amigo, não entendia porque não lhe davam uma chance e sempre me revoltava pensar nisso, porque eu achava a maior injustiça do mundo.

-Jongin... É muito dinheiro. Eu não salvei sua vida esperando algo em troca e...

-Hyung, por favor. Eu quero te ver bem, eu quero te ver sorrir. Sei que detesta as condições que se encontra e pelo o que o médico disse, estamos correndo contra o tempo. - ele argumentou e eu senti meu coração acelerar. Ele disse "estamos", como se aquela luta também fosse dele. - Quanto mais tempo você demorar pra fazer a cirurgia, mais tempo vai ter de demora pra se recuperar. - concluiu e eu mordi meu lábio inferior.

Eu realmente queria aceitar, afinal, eu detestava andar com aquela bota e com as muletas. Meus colegas de sala sempre me ajudavam e Jongin estava o tempo todo ao meu lado para me dar apoio, contudo, eu não gostava de incomodar e detestava estar dependente.

Olhei para os olhos felinos de Jongin e vi o quanto ele queria me ajudar. Eu também quis ajudá-lo quando estava preso no elevador e por mais trágico que pudesse ter sido nosso primeiro contato, eu era grato por tê-lo conhecido. Jongin era uma pessoa maravilhosa e tudo nele gritava isso.

-Ok... - dei meu braço a torcer e antes que pudesse pensar em algo, Jongin me puxou para um abraço apertado.

Eu não era de chorar o tempo todo, mas eu andava sensível demais e isso fez com que eu deixasse minhas lágrimas escorrerem dos meus olhos enquanto retribuía o abraço de Jongin. Eu chorava pela morte da minha tia, chorava por culpa do meu pé, chorava por não ter podido aproveitar meu aniversário e chorava, principalmente, por ter conhecido Jongin.

Era um misto de alegria e tristeza, porque Jongin tinha sido o melhor acontecimento que poderia ter surgido em minha vida em meio ao caos que se alastrava sobre ela. Eu não dizia isso por ele me emprestar dinheiro para a cirurgia, mas sim porque eu gostava de sua companhia.

Naquele dia, matamos aula e depois fomos para minha casa. Contei aos meus pais que Jongin iria pagar minha cirurgia e os mesmos não queriam aceitar, porém, o mais novo indagou se eles preferiam me ver sem andar direito para continuarem com o orgulho deles. Foram palavras duras que jamais pensei que sairiam da boca do mais novo, contudo, isso só me fez perceber o quanto ele se importava comigo.

Meus pais se surpreenderam também e depois de um tempo calados, resolveram aceitar a ajuda do mais novo, prometendo que iriam devolver tudo ao longo do tempo. Jongin disse que não precisava, mas meus pais insistiram e o moreno apenas deu de ombros. Eu faria com que ele aceitasse, afinal, era um dinheiro e tanto.


[...]


Eu operei meu pé em abril, porque era necessário alguns exames antes, agendamento médico e etc. Jongin esteve ao meu lado o tempo todo e até mesmo acabou fazendo um pouco de amizade com meus colegas de sala. Eu fiquei muito mais aliviado quando soube que Jongin estava interagindo bem com outras pessoas e que até mesmo estava conversando com um menino de sua turma, porque a partir da minha operação, eu só poderia voltar para escola depois de 6 meses.

Essa notícia me fez ficar bem mal e Jongin foi o único a conseguir me consolar. Era incrível como nunca tínhamos nos vistos e como, agora, um era de extrema importância para o outro. Ele estava pagando pelo meu tratamento, estava me apoiando e ia me ver todos os dias em casa, já que eu não estava mais conseguindo ir para escola por culpa da dor nos pulsos. A muleta te ajuda a andar, mas ferra com suas mãos totalmente.

E quando eu operei, Jongin vinha me ver todos os dias no hospital, chegando até mesmo a dormir sexta, sábado e domingo no quarto que eu estava hospedado. Eu sempre dizia que não precisava, mas ele insistia tanto e eu queria tanto continuar tendo sua companhia, que eu acabava cedendo.-No que tanto pensa, hyung? - o ouvi perguntar e voltei para a realidade.

-No quão especial você é. - fui sincero e o vi corar. - Você é um anjo na minha vida, Jongin- ah!

-Para de falar essas coisas, não sei reagir. - ele resmungou e eu ri. - Não é pra rir!

-Ok, ok, desculpa. - me rendi e o vi me encarar desconfiado, mas logo riu.

-Hyung, você vai me ajudar hoje? Preciso estudar pra geometria, tenho prova amanhã. - resmungou.

-Aigoo, claro que ajudo! Pega seu material, que o professor Do Kyungsoo vai te dar a melhor aula da vida. - me gabei e ele riu, levantando-se e indo pegar seu material na mochila.

Por eu ser uma série acima, costumava ajudar Jongin com seus deveres de casa e com as matérias antes das provas. Era divertido ensinar a ele, ainda mais quando o moreno fazia um biquinho fofo por se sentir contrariado com algo. Jongin era um anjo e eu devia tanto a ele.

Passamos aquele dia de quarta-feira estudando e comendo, porque Jongin sempre trazia alguma besteira para mim. O médico passou para me avaliar mais uma vez naquele dia e soltou a notícia de que eu poderia ter alta no mês seguinte, o que era uma maravilha para mim, já que eu estava naquele hospital há uns dois meses praticamente.

Claro que a alta hospitalar não era o mesmo que dizer que eu poderia andar, correr e voltar para minha rotina. Eu ainda teria uma longa caminhada com a fisioterapia e teria que andar com a cadeira de rodas, porque eu não podia forçar meu pé recém-operado e muito menos adquirir uma tendinite por culpa do esforço com as muletas. Isso tudo me desanimava e me colocava bem pessimista, mas Jongin conseguia me animar e logo eu ficava feliz. Eu estava vivendo uma montanha russa de sentimentos.

E os dias foram passando estranhamente rápido, o que me fez ficar contente, já que logo me vi voltando para casa. Jongin fazia questão de empurrar minha cadeira de rodas e meus pais ficavam brigando comigo, dizendo que eu estava sendo um aproveitador da boa vontade do meu amigo.

-Chegamos! - meu pai gritou animado assim que estacionou o carro em frente a nossa casa.

-Nem acredito que vou poder dormir na minha cama. - murmurei emocionado.

-E eu nem acredito que vou dormir em uma beliche! Será que vou cair da cama de cima, hyung? - Jongin perguntou e eu o olhei confuso.

-Como assim? - indaguei.

-Jongin pediu pra passar essa semana na nossa casa. - meu pai contou e virou para mim, que estava sentado no banco do carona. - Sua mãe e eu não conseguimos folga no trabalho pra ficar com você nessa primeira semana de adaptação e então o Jongin se ofereceu pra cuidar de você.

-Jongin, não! Eu já estou abusando demais de você...

-Abusando no que, hyung? Amigos são pras horas boas e ruins. Meus pais já sabem, já deixaram e minhas coisas já estão até no seu quarto. Vou dormir na cama do Seungsoo-hyung. - ele contou animado e eu fiquei chocado.

Chocado porque eu estava extremamente feliz. Eu não queria me afastar de Jongin depois de sair do hospital e eu queria atenção o tempo todo, além de estar com medo de como eu iria viver tendo que me virar sozinho com a cadeira de rodas. Como eu iria ao banheiro? Como eu tomaria banho? Enquanto estava no hospital, eu tinha a ajuda dos enfermeiros e por mais vergonhoso que tudo pudesse ser, eu já tinha aceitado que aquilo tudo era para o meu bem.

Pensar dessa forma, faz parecer que eu quero fazer o Jongin de escravo, mas a verdade é que eu só confiava nele - depois de meus pais - para me ajudar tanto.

-Filho, por que está chorando? - ouvi minha mãe perguntar e foi então que me toquei que meus sentimentos não estavam mais aguentando ficar dentro de mim.

Eu desatei a chorar. Meu pai me abraçou e eu só ouvi o barulho da porta do carro se abrindo e fechando. Minha mãe me abraçou após sair do carro e vir até a porta do lado do carona. Eles perguntavam porque eu chorava, mas eu nem sabia dizer. Acho que eu estava emocionado e agradecido demais por ter as coisas finalmente caminhando para ficarem bem. Seria um processo demorado e longo, mas graças ao Jongin e meus pais, tudo estava se tornando melhor.


[...]


Fazia um mês que eu tinha voltado para casa e começado minha fisioterapia. Jongin já tinha voltado para a casa dele, porém, sempre dormia finais de semana na minha. Era divertido tê-lo sempre comigo e estava ainda mais animado para ir conhecer sua família. Jongin já conhecia a minha toda, de trás para frente, e eu nunca tinha ouvido nem a voz de seus pais.

-Se segura, Soo, porque agora vamos de fórmula 1! - ele gritou, me tirando de meus devaneios, e eu segurei nas laterais da cadeira de rodas, porque Jongin ia começar a correr.

Ele fazia isso, porque uma vez me viu chorando e reclamando que era horrível ser dependente daquela cadeira, então ele me mostrou como poderia ser divertido e sempre que podia, mandava eu me segurar, porque ele seria um piloto de fórmula 1. Era tão divertido.

Não demoramos a chegar até sua casa e eu vi como a mesma era simples. Aquilo me deixou desnorteado, porque eu pensava que Jongin era uma pessoa rica. Talvez eles só fossem humildes...

-OMMA! APPA! NOONAS! - ele gritou enquanto me empurrava para dentro de sua casa.

E mais uma vez eu fiquei confuso. A casa de Jongin era simples igual a minha. Ele não era rico? Era a única explicação para que tivesse dinheiro o suficiente para pagar pela minha cirurgia e estar sempre ajudando com os remédios... Se ele levasse a mesma vida que eu, não teria condições de tantos gastos, não é mesmo?

-Omo, finalmente chegaram! - uma mulher de pele acobreada e cabelos presos apareceu. Ela estava com um avental e parecia completamente simpática.

Foi então que fomos apresentados e eu conheci a família inteira de Jongin. Quando digo inteira, é inteira mesmo. Conheci seus pais, suas irmãs, suas sobrinhas e sobrinhos e seus cunhados, além dos 3 cachorrinhos fofos que o moreno denominava como seus filhos.

A família dele era extremamente acolhedora, simples, simpática e completamente gentil. Eu ficava rindo de quanto as irmãs e seus maridos ficavam contando coisas vergonhosas de Jongin e o mesmo ficava vermelho, resmungando que não tinha me levado até ali para ter a imagem manchada por seus familiares. Jongin era uma graça.

-Dói? - RaeHee, a sobrinha mais velha de Jongin, perguntou assim que me viu olhando para o tio.

Estávamos no quintal, porque o almoço estava sendo feito à céu aberto, e Jongin tinha me abandonado um pouquinho para brincar com seus cachorrinhos. Eu estava admirando-o e sorrindo feito um bobo, quando a pequena criança se aproximou para puxar assunto.

-Agora não dói tanto, mas antes era horrível. - respondi sincero.

-Como aconteceu? - ela questionou curiosa. Tinha 7 anos, mas parecia gente grande.

-Meu priminho de 3 anos correu pra rua e eu fui salvar ele, mas acabei quebrando o tornozelo. - contei e vi seus olhinhos se arregalarem. - Por isso, você não pode correr pra rua, tá? Você pode acabar muito machucada como eu.

-Você não vai mais andar? - ela indagou horrorizada.

-Rae! - ouvi a irmã mais velha de Jongin repreender a filha. - Desculpa, Kyungsoo, a RaeHee é muito curiosa e...

-Não precisa se desculpar, JongAh-noona! - a tranquilizei. - Eu poderia não mais andar se não fosse pelo seu tio, Rae. - respondi a pergunta da menina.

-Tio Nini é médico? - RaeHee ficou confusa e eu ri junto de sua mãe.

-Não, filha. -JongAh respondeu rindo e se abaixando para ficar na altura da filha. - Lembra do vovô Sun?

-Sim! Ele virou anjinho. – a menininha respondeu de maneira fofa.

-Então, ele virou um anjinho e deixou muito dinheiro pro seu tio Nini, ai o seu tio Nini pegou esse dinheiro e ajudou o amigo dele, o Kyungsoo. - a mais velha explicou e eu arregalei os olhos.

-Espera, vocês não são ricos? - indaguei e JongAh começou a rir da minha cara.

-Se fôssemos ricos, certeza que eu não estaria ralando pra manter meu café aberto. - ela respondeu e ficou de pé. - Por que pensou que éramos ricos?

-Porque o Jongin... Ele... A cirurgia era muito cara e... Ele ainda tá bancando minha fisioterapia... Ele...

-Jongin gosta muito de você, Kyungsoo. - ela me cortou e eu a fitei desnorteado. - Somos muito gratos por você tê-lo salvado do elevador e ele também, além de sermos muito gratos por você ser um grande amigo pra ele.

-Mas eu não...

-Jongin sempre foi tímido e nunca soube se expressar muito bem. Nós vivíamos tendo que nos mudar por culpa do aluguel e isso fazia com que ele não conseguisse fazer nenhum amigo direito. - contou e se sentou no chão. – Isso era assim até a última casa que vivemos antes que eu me mudasse. O proprietário da casa era uma pessoa muito idosa e nós nem o conhecíamos, só fomos descobrir quem era, quando ele faleceu. Nós tínhamos um vizinho que morava sozinho e era muito solitário. Jongin sempre simpatizou com crianças, idosos e animais, então ele sempre ia pra casa do nosso vizinho e cuidava dele como se ele fosse nosso avô. Naquela época, nós estávamos passando por muito sufoco sabe? Eu engravidei antes de casar e na nossa casa vivia eu, meus pais, Jongin, meu marido e a RaeHee. Eram tantas despesas e meu marido tinha perdido o emprego, que... Nossa, foram momentos muito difíceis.

-Sinto muito.

-Não precisa, já passou e agora eu vejo que era por um propósito maior. Esse senhor gostava muito da nossa família e idolatrava o Jongin, como se meu irmão fosse o filho ou o neto que ele não teve. Infelizmente, ele faleceu um ano depois e recebemos a notícia de que a casa que morávamos tinha sido vendida pra uma empresa e que teríamos que nos mudar imediatamente. Jongin estava arrasado por tanta desgraça, até que recebemos um advogado e um testamento. - deu uma pausa para sentar a filha em suas pernas dobradas. - O vizinho idoso era o proprietário da casa que vivíamos e não tinha ninguém na vida. Ele vendeu todas as propriedades que tinha, inclusive a casa que vivia, e deixou o dinheiro pro Jongin, além de uma casa no nome dos meus pais e uma pra mim e pra minha irmã. Ele era muito rico e resolveu que iria deixar sua herança pra gente, porque nós cuidamos dele sem sabermos quem era. Porque foi tudo com sinceridade sabe?

-Meu Deus... - murmurei pasmo.

-Nós ficamos pasmos também. Jongin, no começo, não queria aceitar o dinheiro, mas o advogado insistiu e disse que ele podia investir esse dinheiro nos estudos e fazer com que o esforço do nosso vizinho valesse a pena. Essa foi a única maneira que conseguimos encontrar do Jongin aceitar a herança.

-E por que ele não queria aceitar?

-Porque ele dizia que não virou amigo do senhor Sun pra receber algo em troca. - ela respondeu e eu arregalei os olhos, porque já tinha falado o mesmo para o moreno. - Essa casa, é a casa que o senhor Sun deixou no nome dos meus pais. Agora não precisam mais ficar mudando por culpa do aluguel e não precisam se preocupar com tanta boca pra alimentar. Minha irmã e o marido já estavam com suas vidas montadas antes que eu saísse de casa, então ficaram muito felizes quando souberam que teriam uma casa própria. Apesar de chamar o InSuk de marido, nós ainda não casamos e estamos juntando dinheiro pra isso, mas agora que já temos uma casa própria, as coisas ficam muito mais fáceis. - contou animada. - Faz um ano que o senhor Sun faleceu e nós estamos ajeitando nossas vidas. Foi uma surpresa muito grande quando Jongin reuniu a família pra avisar que iria gastar o dinheiro da herança. Nós realmente pensamos que ele só tocaria nesse dinheiro quando fosse pra faculdade, mas ele resolveu gastar em uma causa muito mais nobre. - falou e fez carinho no meu joelho. - Nós não somos ricos, Kyungsoo, pelo menos não de dinheiro. Meu irmão é uma criança preciosa que precisa de todo amor e carinho do mundo e encontrou você, que o dá tudo que a carência dele precisa. Obrigada por ajudar meu irmão.

-Quem tem que agradecer sou eu, pelo amor de Deus! - falei desesperado. - Céus, o Jongin gastou o dinheiro da faculdade comigo e eu...

-Não se sinta culpado, Kyungsoo. Jongin gastou o dinheiro com o que ele achou que merecia, sem falar que ele ainda tem bastante naquela poupança gorda no banco. - ela me cortou e tirou a filha do colo para ficar em pé. - Apenas continue sendo essa pessoa maravilhosa que você é na vida do meu irmão. Ele gosta muito de você, muito mesmo e isso dá pra ver de longe.

-Eu também gosto muito dele. - sussurrei me sentindo corar.

-Que ótimo, então. Fico mais aliviada por saber que meu irmão não vai sofrer.

-O que quer dizer com...

-Jongin, o Kyungsoo tá te chamando! - JongAh gritou e na mesma hora Jongin largou os cachorrinhos e veio até mim.

-Precisa de alguma coisa, hyung? Quer ajuda? - ele questionou afobado e eu apenas neguei. - Ué?

-Você pode ficar comigo, Jongin-ah? - pedi e ele franziu o cenho. - Eu quero sua companhia. - justifiquei e vi o sorriso mais lindo se abrir em seus lábios.

-Mas é claro que fico com você, hyung! - ele concordou e sentou no chão ao meu lado.

Eu ainda tinha muita coisa para absorver, mas enquanto eu dava tempo ao tempo, levei minha mão até os cabelos de Jongin e comecei a fazer carinho. JongAh tinha dito que não tinha o que sentir sobre o passado, porque - de certa forma - foi através dele que chegamos até o presente, então eu iria refletir sobre isso.


[...]


Fazia mais de um mês desde que conheci a família do Jongin e soube de toda a verdade. Eu cheguei a contar para o moreno, semanas depois, que sua noona me contou tudo e ele ficou sem graça e pediu desculpas por mentir, mas lhe assegurei que não tinha nada com o que se desculpar.

E desde aquele dia, que eu confessei em voz alta sobre gostar de Jongin para sua irmã, comecei a refletir sobre o sentido que aquela frase queria carregar. Eu já tinha pensado sim sobre a minha sexualidade e já tinha descoberto que gostava de meninos, porém, isso não significava que eu fosse me aproximar de qualquer um com segundas intenções.

Era justamente por isso que eu não sabia que tinha nutrido sentimentos a mais por Jongin e só me liguei nessa possibilidade, quando conversei com sua irmã. Passei cada dia analisando bem o que eu sentia por Jongin, até ter tido a exata confirmação de que era muito além de um sentimento de amizade. Eu não sabia se ele sentia o mesmo, mas algo dentro de mim dizia que sim e eu esperava, de coração, que isso fosse verídico.

Contudo, eu prometi a mim mesmo que só iria explanar o que eu sentia, quando eu finalmente conseguisse dar meus primeiros passos sem a ajuda da muleta, cadeira de rodas ou alguém. Eu queria marcar o retorno da minha vida com o início de um possível relacionamento que eu pudesse ter com Jongin. Eu estava confiante de que seria retribuído.

Era justamente por isso, que eu me encontrava extremamente nervoso dentro da sala de fisioterapia. Eu pedi para a fisioterapeuta chamar o Jongin para mim, já que ele sempre me trazia e ficava me esperando para me levar para casa. Eu sentia minhas mãos suando frio e principalmente, um nervoso sem igual. Mas nada superou a vontade de vomitar que se apossou do meu estômago quando vi a médica abrir a porta e junto dela, vir um Jongin confuso.

-Aconteceu alguma coisa? - ele perguntou preocupado e estava vindo até mim, quando eu estiquei os braços.

-NÃO! - gritei e ele paralisou. - Fica aí. - pedi.

-Mas o que... - e sua pergunta se perdeu no ar quando ele viu o que eu tentava fazer.

Eu segurei firme nos braços da cadeira de roda e coloquei meu pé esquerdo no chão, depois o direito. Respirei fundo e com um certo esforço, comecei a impulsionar meu corpo a ficar de pé. Não vou mentir dizendo que não doía, mas a dor era a de menos se comparada com as anteriores. Aquela era minha penúltima sessão de fisioterapia e no mês seguinte eu já poderia voltar para o Colégio, só que precisaria da ajuda das muletas para não forçar demais o pé, embora em casa eu já pudesse começar a treinar meu equilíbrio sozinho.

Quando fiquei de pé, ergui o olhar e vi Jongin parado - ainda no mesmo lugar - me olhando com os olhos marejados e arregalados. Eu sorri para ele e dei meu primeiro passo, depois o segundo e o terceiro. Eu me sentia um bebê aprendendo a andar, mas não podia negar que era a melhor sensação do mundo saber que finalmente estava começando a me recuperar.

Depois de 6 passos dados, cheguei perto de Jongin e fui tomado em seus braços, em um carinho singelo e sem medidas. Eu retribui na mesma intensidade e antes que pudesse me dar conta, nós dois chorávamos. Chorávamos porque finalmente eu conseguia andar, chorávamos porque estivemos juntos em todos os momentos difíceis, chorávamos porque finalmente as coisas voltariam para seus devidos lugares. Nossas lágrimas eram de felicidades como há muito não o eram.

-Você está andando, Soo! Você está andando! - Jongin repetia com toda animação do mundo e me apertava ainda mais em seus braços. Vi quando a médica saiu da sala e fiquei feliz por ter nos dado privacidade.

-Sim, eu estou andando! - confirmei com a voz embargada de choro. - E isso tudo é graças a você.

-Não tenho na a ver com...

-Mas é claro que tem, Jongin-ah! - o interrompi e afastei nosso abraço, mesmo que os braços dele ainda estivessem em minha cintura e os meus em seu pescoço. - Se não fosse por você, eu não teria operado ainda e muito menos estaria fazendo a fisioterapia. Eu devo unicamente a você, Jongin.

-Mas seu esforço foi a principal parte, Soo. Se você não tivesse se esforçado, nada disso teria acontecido. A recuperação sempre depende do paciente. - argumentou e eu sorri.

-Você é tão especial, Jongin. - segredei e o vi corar. - Por mais trágico que tenha sido nosso encontro, eu sou eternamente grato por termos nos conhecido. Eu te amo tanto, Jongin.

-Soo...

-Eu sei que posso não ser retribuído, mas você merece saber. - o cortei e respirei fundo. - Eu gosto de você muito mais do que um amigo e muito mais que um irmão. Eu não sei te apontar quando esse sentimento começou, mas posso te afirmar que ele é verdadeiro e não fruto do meu psicológico sensível. Eu amo cada gesto seu, cada sorriso e cada corar da sua pele. Eu adoro o seu jeito de ser e sou eternamente grato por ser o meu anjo da guarda. Eu escolhi hoje pra te contar, porque eu queria te mostrar que todo o esforço que você dedicou a mim, não foi em vão. Quero dar um novo início na minha vida e quero você ao meu lado sempre. Eu gosto muito de você, Jongin, muito. - confessei enquanto olhava bem fundo de seus olhos.

Geralmente era fácil ler Jongin, mas naquele momento a passagem da alma do moreno estava coberta de lágrimas e isso me impedia de saber o que ele sentia. Fui surpreendido por seus dedos tocando meu rosto e limpando as lágrimas que teimavam em escorrer dos olhos. Jongin estava sorrindo e era um sorriso tão lindo, que eu simplesmente não sabia como reagir.

-Eu não te ajudei esperando algo em troca e por isso, estava disposto a guardar quaisquer sentimentos, além da amizade, a sete chaves em meu coração. - sussurrou e fitou bem fundo dos meus olhos. - Eu não sei o que dizer, Soo, só que estou muito feliz de saber que gosta de mim muito mais que um amigo, porque eu também sinto o mesmo. - desabafou e eu senti meu coração dar um pulo.

Ficamos nos encarando, por mais envergonhados que pudéssemos estar, durante muito tempo e somente nos demos conta de que não estávamos em nosso perfeito juízo, quando nossos lábios fartos roçaram um no outro. Eu não sei quando aproximei meu rosto do dele e nem ele do meu, era como se estivéssemos sendo puxados na direção um do outro.

E uma vez que nossos lábios já se tocavam, resolvemos exercer a ação com mais afinco. Jongin se curvou um pouquinho, para que eu não forçasse meus pés, e tomou meus lábios com mais desejo, assim como eu fazia com os seus. Eu suguei seu inferior e ele acariciou minhas costas ao mesmo tempo.

Ficamos perdidos em nosso mundinho e teríamos criado moradia ali, se a médica não tivesse nos interrompido. Nos separamos sem jeito e completamente sem graças, porém, com um enorme sorriso no rosto.

E aquele dia foi um marco em muitas coisas na minha vida, sendo os principais: eu ter largado a cadeira de rodas e começado a usar as muletas, além de ter Jongin ao meu lado como mais que um amigo.


[...]


-Soo, Soo! - Jongin me chamou e eu o olhei confuso, porém, tive nem tempo de perguntar o que acontecia quando recebi um selinho.

-Jongin! - o repreendi e o mesmo riu, enquanto entrelaçava nossos dedos.

Estávamos no intervalo da escola e sentados em um banco, apreciando nossos 15 minutos de folga das matérias, quando meu lindo namorado tinha resolvido fazer uma demonstração de afeto em público.

Não que ninguém soubesse que nós namorávamos, uma vez que Jongin vivia comigo para cima e para baixo o tempo todo e depois, quando dei adeus para as muletas, ele sempre fazia questão de entrelaçar nossos dedos.

Fazia um ano que o acidente no elevador aconteceu e que nos conhecemos, porém, parecia muito mais que isso devido a tantas coisas que passamos. Por mais que eu tivesse voltado para a escola faltando poucos meses para o final do ano, não fui capaz de acompanhar as matérias e acabei repetindo, o que não foi de todo ruim. Jongin tinha passado para o último ano do ensino médio e nós dois caímos na mesma sala, o que nos tornava colegas de classes.

Claro que eu não fiquei feliz em ter reprovado, mas Jongin cuidou de mim e me deu muito carinho, além de conselhos e atenção. Por mais difícil que pudesse ter sido a aceitação, eu tive que aprender a lidar com ela e agora, todos os males pelos quais passei, me pareciam o caminho necessário para encontrar o meu Nini.

-Estou tão animado, Soo! - Jongin ignorou completamente minha advertência e continuou sorrindo. - Nós vamos hoje até a Torre de Namsan né? - perguntou ansioso.

-Vamos sim, só não entendo porque precisamos nos encontrar lá e não irmos juntos. - fui sincero e ele riu.

-Apenas faça o que pedi, por favorzinho! - insistiu e eu revirei os olhos, mas acabei rindo.

Jongin era um manhoso que sempre conseguiria tudo de mim. Ele estava com os cabelos amarrados em um rabo de cavalo e seus traços estavam ficando mais masculinos, o que - particularmente -, me fazia ficar mais e mais apaixonado por aquele garoto. Com aquele penteado, seus traços ficavam ainda mais marcados. Céus, meu namorado é um gato!

-Por que está corando? - ele perguntou e eu ri.

-Por culpa de uns pensamentos nada puros que se passam pela minha cabeça. - fui sincero e o vi corar também.

Estávamos juntos há bastante tempo e por conta disso, já tínhamos tentado ultrapassar os beijos, porém, algo sempre nos atrapalhava - desde um telefone tocando ou o latido dos cachorros de Jongin - e por isso apenas aproveitávamos o que dava. Nossos hormônios estavam a flor da pele, então sempre nos pegávamos trocando alguns toques maliciosos, mesmo que isso nos deixasse envergonhados depois.

-Ainda não anoiteceu pra você pensar nesse tipo de coisa, Soo. - Jongin me advertiu e eu franzi o cenho.

-Como assim? - questionei, mas o sinal tocou e cortou nossa conversa.

Eu poderia ter tomado isso como uma simples provocação do meu namorado, onde ele queria dizer que eu estava me tornando um pervertido por pensar coisas impuras nas horas mais inapropriadas, contudo, eu conhecia Jongin o suficiente para saber que não era apenas isso.

Tentei arrancar dele o que quer que fosse o dia inteiro, mas o garoto fugiu de mim e quando chegou a hora de ir embora, ele inventou uma desculpa qualquer e não voltou comigo. Eu sabia que Jongin estava aprontando e isso me deixava ainda mais curioso quanto a tudo.

Cheguei em casa depois de muito andar - ain que orgulho dizer que eu andei! - e fui fazer meu almoço, que depois de digerido, me deu um baita sono. Eu não deveria ter dormido, principalmente por não ter colocado a porcaria do despertador para tocar.

Então como acordei do sono? Com Jongin me ligando e perguntando se eu iria demorar muito para chegar até a Torre Namsan, porque ele já estava lá há meia hora.

O pulo que dei na cama foi tão grande, que eu poderia ter virado o pé de novo, mas graças a Deus isso não aconteceu e eu apenas corri até o banheiro, tomei um banho rápido e corri para me arrumar. No meio do percurso, decidi que se já estava atrasado e já tinha avisado a Jongin que tinha sido acordado por ele, não havia razão para me arrumar com pressa e aparecer todo desarrumado no nosso encontro.

Convencido disso, passei a me arrumar minuciosamente. Jongin merecia que eu fizesse um esforcinho para compensar minha tremenda falta ao dormir e me atrasar. E, particularmente, eu estava lindo com toda a arrumação que tinha feito em mim.

Mas a consciência pesou assim que coloquei os pés para fora de casa, então tratei de correr até o ponto de ônibus mais próximo. Mandei uma mensagem para Jongin, avisando que já estava a caminho, e fiquei torcendo para que a estrada não estivesse engarrafada. Deus ouviu minhas preces, porque cheguei até a Torre em 20 minutos.

Eu nunca gostei de correr e sempre fui um sedentário, mas desde que tinha recuperado minha confiança nos pés, correr estava se tornando algo habitual meu. Corri até a Torre e comecei a procurar Jongin, contudo, não o encontrava em lugar nenhum.

-Será que ele foi embora? - murmurei para mim mesmo.

Continuei procurando e nada, até que resolvi pegar meu celular e ligar. Estava quase concluindo a chamada, quando duas mãos tamparam meus olhos. Me sobressaltei de primeira, mas eu reconhecia aquelas mãos e aquele cheiro de longe.

-Jongin-ah, pensei que tinha ido embora. - resmunguei e ouvi sua risada.

-Você que não me viu, eu estava te assistindo me procurar o tempo todo. - ele zombou e tirou as mãos dos meus olhos, me permitindo virar para olhá-lo com raiva e descontar com uns bons tapas, que depois eu iria me desculpar.

Só que nada seguiu como o planejado, porque eu simplesmente pensei que fosse desmaiar ali mesmo.

-Você está lindo! - arquejei.

Não que ele não fosse lindo, Jongin era a pessoa mais bonita que eu já conheci - tanto por dentro quanto por fora, mas... Ual! Ele estava de tirar o fôlego daquele jeito.

Ele sorriu acanhado e passou a mão no cabelo cortado. Jongin estava com o cabelo pintado de preto e em um corte masculino que tinha as laterais um pouco mais baixas - mas não raspadas -, enquanto a parte de cima do cabelo era um pouco maior e permitia que ele fizesse um topete de lado. Se antes eu achava que as feições dele estavam ficando mais marcantes, agora eu que estava marcado.Aquele corte de cabelo realçava seu maxilar marcado, seus olhos felinos e seu lindo sorriso. Jongin era mais alto que eu e até um pouco mais atlético - ele fazia aulas de dança - e agora com esse corte...

-Que homão da porra... - balbuciei e arregalei os olhos ao perceber o que eu dissera.

-Quê? - ele perguntou gargalhando e eu corei dos pés a cabeça.

Jongin riu de mim por um bom tempo e depois confessou que estava bastante receoso sobre o que eu acharia do corte, então ao ouvir meus elogios sem pé nem cabeça e ver minha expressão, foi o suficiente para deixá-lo satisfeito. Ele estava gargalhando de mim e de nervoso.

-Por que resolveu mudar? - indaguei entrelaçando nossos dedos.

-Porque eu queria mudar e transformar essa mudança em um novo caminho na nossa história. Hoje faz 1 ano que nos conhecemos, ontem foi seu aniversário e amanhã é o meu, então eu senti que precisava fazer algo importante. Estou realmente aliviado que você gostou. - confessou e eu sorri bobo. Era impossível ficar bravo com ele por muito tempo.

-Não precisava ficar nervoso, Jongin-ah! Eu amo você, independente do que vestir ou de que corte usar. - o tranquilizei e fiquei na ponta do pé, depositando um beijinho em sua bochecha.

-Me ama tanto, que me deixou plantado uma hora e meia aqui...

-YA! - protestei e ele riu.

-Agora, já que você finalmente chegou, vamos colocar nosso cadeado aqui. - ele decretou e me puxou para um canto.

Por mais que eu já imaginasse que ele fosse querer prender um cadeado nosso ali, era simplesmente encantador ver de perto. Eu estava tão feliz, que me grudei em Jongin igual um carrapato. Ele tirou o cadeado do bolso e me mostrou que já tinha nosso nome escrito ali. Eu senti meus olhos marejarem e antes que desatasse a chorar, fiquei na ponta dos pés e lhe roubei um beijo.

Eu pouco me importava se tinham pessoas ao redor, porque aquela Torre era a testemunha de todos os amores, então eu tinha direito de demonstrar o meu também. Nosso beijo foi repleto de carinho e sentimento, o que me fazia ficar ainda mais com a sensação de que explodiria em felicidade.Nos afastamos apenas para selar nosso amor naquela Torre e fazer a promessa de que ficaríamos juntos para sempre. Me surpreendi quando Jongin resolveu que queria ir embora, mas ele disse que estava com dor de cabeça e isso foi o suficiente para me deixar alerta e ceder a qualquer pedido. Com muita insistência da minha parte, ele deixou que eu o levasse até em casa e eu fiquei aliviado por isso, já que eu não queria ficar preocupado em saber se meu namorado tinha chegado bem ou não. Pegamos o ônibus depois de alguns minutos parados no ponto e em menos de 15 minutos já descíamos dele, tendo como destino a casa de Jongin.

-Você está melhor? - perguntei preocupado enquanto o segurava pela cintura.

-Acho que estou ficando com febre, Soo. - ele murmurou e eu me preocupei.

-Sabe se tem remédio na sua casa?

-Acho que sim, mamãe deve saber o que fazer. - respondeu e eu concordei.

Andamos mais um pouquinho e logo chegamos até a casa dele. Assim que abri a porta, com a chave de Jongin, estranhei que a casa estivesse toda escura. Perguntei a Jongin se não tinha ninguém em casa, mas ele nada me respondeu e pediu ajuda para ir até o quarto.

E somente quando eu entrei no mundinho dele, que eu percebi que tinha caído em uma farsa. O quarto de Jongin estava perfumado, tinha lençóis azuis marinhos na cama e um buquê de rosas brancas no meio dela.

-Você ainda tá mal, é? - indaguei me virando para trás com os braços cruzados e sobrancelha arqueada.-Lembra que eu disse que queria que hoje fosse marcante? Então... Meus pais disseram que iriam pra casa da minha irmã e eu pedi pra eles levarem os cachorros. Eles só voltam amanhã. - contou e sorriu sem graça. - Eu pensei que seria um bom momento pra... Bom... Você sabe...

-Dar esse passo importante. - concluí e ele concordou.

-Mas se você não...

-Jongin, eu te amo. - interrompi seu discurso e pulei em seus braços, afundando meu rosto em seu pescoço e sentindo os braços firmes dele segurarem minha cintura.

Ele nos rodou e depois fomos parar na cama. Entre risadas e um pouco de tontura, demos início ao nosso beijo, que era apenas um prefácio do que aconteceria naquela noite. Agora a fala de mais cedo do Jongin fazia total sentido e eu me senti um tolo por não ter percebido, contudo, era um tolo feliz.Em meio aos lençóis, percebi que quebrar o osso do tornozelo e até mesmo perder minha tia, foram os acontecimentos necessários para me levar a conhecer a metade da minha laranja. Muitas pessoas podiam acreditar que o que tínhamos era apenas uma paixão adolescente, mas eles não eram a gente e somente Jongin e eu sabíamos o quanto nos amávamos.

As paredes de seu quarto e seus lençóis foram testemunhas do nosso sentimento sincero, assim como o cadeado que deixamos na Torre Namsan. Tinha sido minha primeira vez e a dele, o que fez com que dormíssemos logo após atingirmos nosso orgasmo.

Mas meu relógio biológico me acordou às 00h e eu fiquei feliz por isso - já que ele tinha falhado hoje mais cedo. Com um pouco de dificuldade, puxei o corpo de Jongin um pouco mais para cima e selei seus lábios.

-Jongin-ah, acorda. - sussurrei e o chacoalhei um pouco. Jongin era horrível para ser acordado, mas quando eu distribuía beijinhos por seu rosto, ele despertava rapidinho.

-O que foi, Soo? - ele murmurou sonolento.

-Feliz aniversário. – e o sorriso mais lindo se abriu em seus lábios, assim como nos meus. Eu tinha sido o primeiro, assim como ele fora comigo.

O que tínhamos era muito além de uma paixão adolescente, era especial.

29 de Julio de 2019 a las 23:15 0 Reporte Insertar 1
Fin

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