A Viajante Seguir historia

musafir Tamires Barbosa

Camila é uma menina de 16 anos, levava uma vida aparentemente normal para uma menina órfã de sua idade. Em uma noite por conta da curiosidade, Camila fora arrastada para um portal que unia dois universos diferentes e paralelos ao mesmo tempo. Por alguma razão que é desconhecida pela garota, ela acorda no corpo de uma menina chamada Leyla, de classe alta, mas que tem uma vida muito conturbada. Ela agora terá de descobrir oque de fato aconteceu e lidar com os desafios de uma vida que não é dela.


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#fantasia #mistério #ficção #ficçãocientífica #378 #investigação #curiosidade
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Um

Camila se apressava, penteando seus longos cabelos castanhos, enquanto olhava a cada minuto que passava para o pequeno relógio em cima de uma cômoda velha ao lado de sua cama. Faltavam apenas alguns minutos para o ônibus da excursão partir, Camila havia sido uma das selecionadas para esse passeio, e ela queria aproveitá-lo ao máximo, já que era difícil, pois, raramente têm passeios em orfanatos. Como recentemente, uma família bem sucedida estava financiando o orfanato, eles quiseram fazer esse passeio para as crianças “carentes”. Mas Camila sabia que isso não passava de uma estratégia para ganhar as eleições. Sim, a família era uma família de políticos, e como as eleições estavam próximas, eles se aproveitam das pobres crianças órfãs.

Camila era uma órfã, uma adolescente de 16 anos, e perdera seus pais em um acidente de carro aos oito anos de idade, sem nenhum parente próximo, ela teve que ir para o orfanato. Ela já sabia que não seria adotada, por conta de sua idade, pois via que todas as famílias que ali chegavam, optavam por adotar crianças mais jovens, e não adolescentes próximos dos dezoito anos.

- Camila! – Camila escuta uma voz masculina gritar seu nome. Ela se vira, e rapidamente vê um garoto uniformizado com o uniforme do local adentrando no dormitório feminino. Ele tinha cabelos castanhos cacheados, pele morena e era apenas um pouco mais alto que ela, Thiago. Ele era muito bonito, seus olhos cor de mel combinavam muito com o resto de sua aparência, mas apesar disso, nunca gostara dele de uma forma que não fosse como amigo, no máximo, um irmão. Apesar de achar que os sentimentos do garoto por ela eram bem mais profundos do que isso.

- Você ficou maluco? – Camila perguntou num tom um pouco elevado. – Aqui é o dormitório das meninas, não pode sair entrando assim!

- Foi mal, não faço mais. – Ele disse fazendo uma careta e franzindo a testa. – Até porque, sempre que faço isso, nunca vejo o que eu quero.

Camila revira os olhos, e solta uma risada. Ela sabia o amigo que tinha, o único amigo que tinha, e já estava acostumada com isso.

- Então, vai me deixar aqui sozinho? – Thiago perguntou fazendo uma voz de triste. – Sabe que não vou aguentar tanto tempo longo de você. – Thiago não havia sido selecionado, nem todas as crianças e adolescentes do local haviam sido.

- Você viveu muito bem se mim antes de eu chegar aqui. – Camila falou virando de costas para o amigo e voltando a desembaraçar seu cabelo novamente. Ela conhecera Thiago desde sua chegada ao lugar, e desde então se tornaram amigos. O garoto vive ali a mais tempo do que a amiga, apesar de terem a mesma idade, ele chegou bem antes.

- Mas desde sua chegada, eu não consigo viver seu sua presença. – Ele disse dando um passo, entrando novamente no dormitório e se aproximando de Camila, pois havia saído antes com o lembrete da amiga.

- Parado ai! – Camila falou, já percebendo o que o garoto ia fazer e intervindo. – Fique ai mesmo, não é permitido entrar aqui, eu já disse. Se te pegam, você ta ferrado. E eu não vou demorar muito, amanhã estou de volta. – Camila coloca seu pente sobre a cômoda, ao lado do relógio. – Pronto! Agora só falta eu ir para o ônibus para... – Ela dá uma pausa em sua frase. – Olhando novamente para o relógio, foi quando percebeu que já estava atrasada. – Droga! – Ela diz pegando uma pequena bolsa que levaria à excursão e passando por Thiago, deixando o garoto confuso. Ela desceu as escadas correndo, tentando não se desesperar. Mas vendo que o orfanato já estava um pouco mais vazio, se desesperou mais ainda, ela saiu em disparada pela porta da frente, que agora, estava destrancada por conta da excursão para que os moradores dali pudessem ir até o ônibus. Ela corre até o portão, que já estava sendo fechado pela zeladora.

- Espera... Por favor, Graça! – Camila disse sem fôlego, se aproximando da Zeladora que se encarregara de fechar o portão, Graça era uma mulher de aproximadamente uns 50 anos, mas aparentava ter muito mais devido aos anos de fumo, ela usava seu uniforme de Zeladora, e tinha seus cabelos negros e lisos presos a um rabo de cavalo. Até onde Camila sabe, Graça trabalha ali há muito tempo, desde muito antes de sua chegada ao local. – Eu tenho que embarcar no ônibus para ir...

- Que ônibus? – Graça perguntou com sua voz rouca, interrompendo a menina. – Você ta falando daquele? – Ela disse indo para o lado de fora do portão, que ainda não havia sido fechado completamente, e logo em seguida apontado para sua direita, logo em seguida, Camila fez o mesmo, e viu o ônibus já longe, virando uma esquina no final da rua. Graça dá uma gargalhada rouca, igual a sua voz, só que pior, seguido de uma tosse seca. – Parece que alguém não vai pro passeio! - Graça - que graça não tinha nenhuma - disse debochando da menina, que ainda estava parado no lado de fora. - Agora entra!

Camila entrou rapidamente e foi para o lado de dentro do orfanato, ela subiu as escadas, seguindo em direção ao quarto para se culpar mais uma vez. Sempre que acontecia algo bom em sua vida, ela conseguia estragar tudo. Ela se deparou com Thiago no corredor, aparentemente, estava saindo do dormitório feminino.

- Camila! Você não devia de estar no ônibus? – Thiago falou, parando no corredor assim que vê a amiga, que faz o mesmo.

- Sim, eu devia... – Camila bufou. – Mas eu perdi como sempre faço com todas as chances legais que tenho na minha vida. Demorei de mais, como sempre...

- Ora, isso não é verdade! – Thiago disse tocando no ombro da amiga. – Você ainda não perdeu sua chance comigo! E verdade, você demora de mais, principalmente pra perceber as coisas, como ainda não percebeu que eu sou o amor da sua vida? – Ele disse colocando a mão esquerda sobre o peito, fazendo uma expressão de chocado. Camila soltou uma risada, só ele mesmo para fazê-la rir. – Bom, o diretor foi junto, e alguns zeladores também, tirando a Graça, não mais ninguém aqui, e a noite, podemos assistir TV na sala do diretor. – Thiago sugere animado. Como adorava aprontar...

- E se ela nos pegar? – Camila perguntou assustada. – é perigoso, se formos pegos, vamos receber um castigo, e sabe que os castigos do Diretor Ricardo não são nada legais. – Camila falou em um tom desesperado enquanto cruzava os braços. – Sem falar que têm outras pessoas no orfanato, apesar de serem poucas, podem nos dedurar. Sabe que a Vitória não gosta da gente.

Thiago deu uma risada sem afastar os lábios.

- Relaxa á noite. E você sabe o que a Graça faz a noite ao invés de ficar vigiando a gente. – Thiago tinha razão, Graça preferia fumar e beber na parte de trás do orfanato do que cuidar dos órfãos, apesar de ser proibido, ela sempre fez escondido, apenas os jovens que moravam ali sabiam, mas ela os ameaçava ou dava agrados para eles não contarem nada para o Diretor Walter. – E que se dane essa menina, essa sempre se mete em confusão, somos anjos perto dela, em quem você acha que o diretor vai acreditar?

- Como vamos entrar? – Camila pergunta tentando arrumar um motivo para não concordar em fazer isso.

- Eu roubei. Thiago falou se sentindo vitorioso. – Eu sei, sou um gênio.

Camila bufou.

- Tudo bem. Vamos. – Camila não quis questionar, ela já sabia como o amigo era habilidoso para esse tipo de coisa, e sempre consegui convencê-la de fazer as coisas mais absurdas possíveis, bom, nem sempre.

Camila estava apreensiva, sentindo que algo ruim poderia acontecer a qualquer momento, não sabia se era apenas medo, mas torcia para que não fosse uma premonição de que eles seriam pegos por Graça.

Thiago abriu a porta, os dois entraram na sala, rapidamente Thiago a trancou. Camila se aconchegou em uma poltrona velha que havia ali, apesar de ser velha, era confortável.

- Nossa, nem nossas camas são tão confortáveis assim. – Thiago disse se sentando na outra poltrona que havia ali, próxima a qual Camila estava sentada. – Temos que vir aqui mais vezes.

Camila e Thiago já foram escondidos para a sala do Diretor algumas outras poucas vezes, mas desde que ele comprou as novas poltronas há alguns meses, eles nunca foram tirando essa vez.

- Contanto que não haja nenhum perigo, eu topo. – Disse Camila pegando o controle que estava em cima de uma mesinha de centro.

- Sempre haverá perigos, Mila. – Thiago disse se ajeitando em sua poltrona. – Temos que arriscar de vez em quando.

Camila escuta com atenção as palavras de Thiago, ele estava certo, não poderia ficar com medo de tudo, talvez ela estivesse preocupada à toa. E essa sensação poderia ser derivada de sua preocupação boba.

Ela liga a TV, ela fica zapeando entre os canais para ver se havia algo de bom passando, ela sempre parava em um canal que parecia ser interessante e olhava para Thiago para ver o que o mesmo achava, e o mesmo balançava a cabeça em forma de reprovação. Até que ela chegou a um documentário, desta vez, Camila deixou nesse canal, ignorando Thiago que falava para ela passar. Falava sobre astronomia, um assunto que sempre a deixara fascinada, sempre que podia, Camila ia até a biblioteca para ler alguns livros sobre o assunto.

- Troca! – Thiago falou. Percebendo que não teve a atenção da amiga, ele resolveu chamá-la pelo nome. – Camila!

Camila olha na direção de Thiago, que estava com sua sobrancelha direito arqueada.

- O que foi?

- Eu falei pra você trocar.

- Deixa de ser chato, eu quero assistir esse canal. – Thiago estava prestes a falar alguma coisa, mas é interrompido por Camila. – Sou eu quem está com o controle, então eu decido o que vamos assistir.

Ela aumentou um pouco o volume da TV, não muito para não chamar atenção de quem poderia passar por perto da sala.

De acordo com o Cientista Henry Danly, Universos Paralelos existem sim. Segundo ele, a partir dessa madrugada o nosso universo e outro irão se conectar, e seria mais fácil a passagem de ida para o outro universo. Isso se seria possível por conta de uma interferência na vibração dos dois universos, que iriam vibrar na mesma frequência nesta madrugada. Henry não nos deu informações de como chegou a esta conclusão.

Thiago bufou.

- Acha que é verdade?

- Não sei, a notícia pode ser falsa. – Camila disse se virando para o amigo. – Mas acredito que possam existir outros universos.

Thiago riu.

- Acho impossível. E o cara nem quis falar como chegou a essa conclusão, ele deve ser um cara comum querendo ganhar fama através de boatos, e não um cientista de verdade.

- E iria me deixar aqui sozinho?

- Eu iria voltar para te buscar.

Depois de alguns minutos, o documentário acabou e nós trocamos de canal, até acharmos um filme de terror.

- Não é melhor trocarmos, Thiago? – Camila perguntou se encolhendo.

- Ah... Para, Camila. – Thiago disse dando uma risada sem graça, como se estivesse forçando um riso. – Nem é tão assustador assim, eu te protejo qualquer coisa.

Uma cena em que a protagonista levou um susto com o assassino atrás dela aparece, e Thiago soltou um grito, pois também havia se assustado. Camila começou a rir alto, não havia conseguido se segurar.

- O que dizia valentão? – Camila falou entre os risos. – Se eu dependesse da sua proteção eu já teria sido pega por um assassino desses.

- Eu... Só estava te amostrando que... – Thiago disse, ainda sem graça, tentando achar alguma desculpa esfarrapada para dizer. Percebendo que não iria conseguir achar nenhuma, ele se levantou de sua poltrona e, num gesto rápido, pega o controle da mão de Camila e desligou a TV. – Vamos, já ficamos muito tempo aqui, e você deve ter chamado muita atenção com essa sua risada escandalosa.

- E com se grito também, não é? – Camila falou se levantando. Ela percebeu o desconforto do amigo e decidiu mudar de assunto. – Tudo bem então, vamos.

Os dois saem rapidamente pela porta e Thiago a trancou. Ambos haviam escutado passos se aproximando de onde estavam, eles realmente haviam chamado muita atenção. Eles rapidamente se esconderam em uma sala vazia que havia ali por perto, eles olharam pela porta entreaberta de onde estavam e viram uma figura alta e magra, cambaleando com um cigarro na boca e uma garrafa de cerveja pela metade em sua mão esquerda, Graça.

Graça olhou para os lados, tentando ver se havia alguém por ali. Camila se perguntava se ela estaria fazendo isso para levar alguém ao castigo ou para se certificar que ninguém a veria no estado em que se encontrava. Graça andou se escorando pelas paredes, aquela cena realmente era bem engraçada, Camila e Thiago se seguravam para não rir. Graça, em uma tentativa de andar se escorar, caiu no chão, e a garrafa que estava e sua mão se quebrou ainda em sua mão. Camila e Thiago caíram na gargalhada e saíram correndo. Subiram as escadas depressa. Será que somos pessoas ruins por deixar Graça caída no estado em que se encontrava? Camila pensou enquanto chegava ao topo da escada, aonde ela e Thiago iriam se separar para irem aos seus respectivos dormitórios, pois há essa hora, todos já estavam dormindo, tirando Vitória, que dava umas escapadas de vez em quando para fazer sabe lá o que, e provavelmente ela estaria fazendo isso agora. Algumas pessoas diziam que ela se encontrava com algum garoto dali, e outras que ela sabia um jeito de sair do orfanato e fazia isso à noite, o que Camila não acreditava, pois do jeito que Vitória era, ela não voltaria ao orfanato se encontrasse uma saída. Apesar disso, ninguém dedurava Vitória, pois, por algum motivo, quase todos tinham medo dela. E Camila, ninguém ligava se ela estava ou não no dormitório, nem se quer pareciam notar a presença dela naquele lugar.

- Acha que ela nos viu? – Camila perguntou antes de se despedir de Thiago.

- Acho que não. – Thiago disse levando as mãos até a cintura. – E se nos viu, amanhã nem vai se lembrar disso quando acordar na frente da sala do diretor amanhã com ele olhando pra ela.

Ambos riem baixinho.

- Obrigada, foi divertido. – Camila disse. – Você te razão, é bom arriscar de vez em quando.

- Eu sempre tenho razão. – Thiago falou - Então, até amanhã! – Ele disse beijando a bochecha esquerda da Amia e indo para o lado oposto de onde Camila iria.

Camila segue em direção ao dormitório, enquanto andava até seu destino, ela ficou pensativa. Ela sempre se divertira com Thiago, sabia que podia contar com ele sempre que precisasse, ele era a pessoa mais legal que Camila á conhecera, e ás vezes se sentia culpada por não conseguir retribuir os sentimentos do garoto.

Camila entrou em seu dormitório, olhou em volta, e viu que Vitória realmente não estava lá e seguiu para a cama, que se encontrava no final do cômodo, ela se deita e adormece rapidamente.

Camila acordou, ainda estava escuro, ela pensou que nem havia conseguido dormir ainda, e que havia acabado de se deitar, mas ela olhou para o pequeno relógio que estava em cima da cômoda velha ao lado de sua cama, ela viu que já passa das duas da manhã. Camila olhou na direção da cama de Vitória e viu que ela já estava lá, comprovando que ela não passava a noite toda fora do orfanato. Algumas das meninas já tentaram ficar acordadas até tarde para ver se conseguiam ver Vitória adentrando no dormitório antes de amanhecer, e sempre adormeciam antes de saber.

Camila se perguntou o que pode tê-la acordado, foi quando ela viu que a janela ao lado de sua cama estava aberta, fazendo um vento estranhamente frio entrar por ela, estranho de mais, era verão, mesmo na madrugada, os ventos não eram tão frios. Camila decidiu fechar a janela, mas antes de realizar a ação, viu que no outro lado, havia uma luz estranha vindo da cozinha. A janela de seu dormitório dava para o pátio do orfanato, enquanto o dormitório de Thiago dava para a entrada do local. No outro lado do Pátio, era onde se localizava a cozinha, os moradores do local tinham que atravessar o pátio para chegar até a cozinha, o que era difícil em dias de chuva, pois não havia nenhum tipo de cobertura.

Curiosa do jeito que Camila é, ela saiu de fininho, desceu as escadas e atravessou o pátio, que não tinha nenhum tipo de porta desde que alguns garotos a quebraram no meio da noite para assaltar a cozinha, que foram pegos por Manuel, um dos zeladores que se encontravam fora esta noite.

Ela se aproximou cada vez mais da luz estranha, quando percebeu que o vento frio estava vindo do local, ou melhor, indo até o local. Ela já sentia um pouco de medo, seu extinto a mandava dar meia volta e voltar para a cama, mas sua curiosidade era muito maior. Mal Camila sabia que sua curiosidade estaria a guiando por algo que faria com que sua vida mudasse completamente.

No caminho, Camila levou um susto com uma barata voando sobre sua cabeça, ela suspirou aliviada, mas logo viu outros objetos voando perto de si, ela se aproximou mais da cozinha, chegando até a porta. O que ela viu a deixou paralisada, havia uma “coisa” muito iluminado ali que estava, aparentemente, sugando as coisas para si. Os objetos e a barata que havia visto, não estavam voando, estavam sendo sugados pela “coisa”, que parecia ser um portal. Ela paralisada, não conseguiu se mover, nem gritar. Nunca havia visto uma coisa dessas em sua vida, só retomou o movimento de seu corpo quando percebeu que lentamente, ela estava sendo sugada também. Ela se segurou na porta, já que não havia mais nada para se segurar.

Camila percebeu que sua curiosidade havia a guiado para algo que poderia ser seu fim, o vento que batia contra seu rosto estava cada vez mais frio, e a força com que aquele “portal” sugava as coisas estava aumentando mais ainda. É meu fim. – Camila murmurou para si mesma. Não demorou muito para ficar cada vez mais difícil de se segurar, ela viu que tudo ao seu redor estava sendo puxado pelo vento que “aquilo” fazia ir em sua direção, cadeiras e mesas eram arrastadas, o fogão e a geladeira já estavam começando a se mover lentamente na direção do “portal”, as portas da geladeira já havia sido abertas e tudo que se encontrava dentro dela já havia sido levados. As portas dos armários e as coisas que estavam dentro deles tiveram o mesmo destino. Não demorou muito para Camila ter o mesmo, a porta em que se segurava fora arrancada, batendo com força em sua cabeça, antes de desmaiar, ela só sentiu a força do vento a puxando, e tudo ficou preto.

Camila se apressava, penteando seus longos cabelos loiros escuros, enquanto olhava a cada minuto que passava para o pequeno relógio em cima de uma cômoda velha ao lado de sua cama. Faltavam apenas alguns minutos para o ônibus da excursão partir, Camila havia sido uma das selecionadas para esse passeio, e ela queria aproveitá-lo ao máximo, já que era difícil, pois, raramente têm passeios em orfanatos. Como recentemente, uma família bem sucedida estava financiando o orfanato, eles quiseram fazer esse passeio para as crianças “carentes”. Mas Camila sabia que isso não passava de uma estratégia para ganhar as eleições. Sim, a família era uma família de políticos, e como as eleições estavam próximas, eles se aproveitam das pobres crianças órfãs.

Camila era uma órfã, uma adolescente de 16 anos, e perdera seus pais em um acidente de carro aos oito anos de idade, sem nenhum parente próximo, ela teve que ir para o orfanato. Ela já sabia que não seria adotada, por conta de sua idade, pois via que todas as famílias que ali chegavam, optavam por adotar crianças mais jovens, e não adolescentes próximos dos dezoito anos.

- Camila! – Camila escuta uma voz masculina gritar seu nome. Ela se vira, e rapidamente vê um garoto uniformizado com o uniforme do local adentrando no dormitório feminino. Ele tinha cabelos castanhos cacheados, pele morena e era apenas um pouco mais alto que ela, Thiago. Ele era muito bonito, seus olhos cor de mel combinavam muito com o resto de sua aparência, mas apesar disso, nunca gostara dele de uma forma que não fosse como amigo, no máximo, um irmão. Apesar de achar que os sentimentos do garoto por ela eram bem mais profundos do que isso.

- Você ficou maluco? – Camila perguntou num tom um pouco elevado. – Aqui é o dormitório das meninas, não pode sair entrando assim!

- Foi mal, não faço mais. – Ele disse fazendo uma careta e franzindo a testa. – Até porque, sempre que faço isso, nunca vejo o que eu quero.

Camila revira os olhos, e solta uma risada. Ela sabia o amigo que tinha, o único amigo que tinha, e já estava acostumada com isso.

- Então, vai me deixar aqui sozinho? – Thiago perguntou fazendo uma voz de triste. – Sabe que não vou aguentar tanto tempo longo de você. – Thiago não havia sido selecionado, nem todas as crianças e adolescentes do local haviam sido.

- Você viveu muito bem se mim antes de eu chegar aqui. – Camila falou virando de costas para o amigo e voltando a desembaraçar seu cabelo novamente. Ela conhecera Thiago desde sua chegada ao lugar, e desde então se tornaram amigos. O garoto vive ali a mais tempo do que a amiga, apesar de terem a mesma idade, ele chegou bem antes.

- Mas desde sua chegada, eu não consigo viver seu sua presença. – Ele disse dando um passo, entrando novamente no dormitório e se aproximando de Camila, pois havia saído antes com o lembrete da amiga.

- Parado ai! – Camila falou, já percebendo o que o garoto ia fazer e intervindo. – Fique ai mesmo, não é permitido entrar aqui, eu já disse. Se te pegam, você ta ferrado. E eu não vou demorar muito, amanhã estou de volta. – Camila coloca seu pente sobre a cômoda, ao lado do relógio. – Pronto! Agora só falta eu ir para o ônibus para... – Ela dá uma pausa em sua frase. – Olhando novamente para o relógio, foi quando percebeu que já estava atrasada. – Droga! – Ela diz pegando uma pequena bolsa que levaria à excursão e passando por Thiago, deixando o garoto confuso. Ela desceu as escadas correndo, tentando não se desesperar. Mas vendo que o orfanato já estava um pouco mais vazio, se desesperou mais ainda, ela saiu em disparada pela porta da frente, que agora, estava destrancada por conta da excursão para que os moradores dali pudessem ir até o ônibus. Ela corre até o portão, que já estava sendo fechado pela zeladora.

- Espera... Por favor, Graça! – Camila disse sem fôlego, se aproximando da Zeladora que se encarregara de fechar o portão, Graça era uma mulher de aproximadamente uns 50 anos, mas aparentava ter muito mais devido aos anos de fumo, ela usava seu uniforme de Zeladora, e tinha seus cabelos negros e lisos presos a um rabo de cavalo. Até onde Camila sabe, Graça trabalha ali há muito tempo, desde muito antes de sua chegada ao local. – Eu tenho que embarcar no ônibus para ir...

- Que ônibus? – Graça perguntou com sua voz rouca, interrompendo a menina. – Você ta falando daquele? – Ela disse indo para o lado de fora do portão, que ainda não havia sido fechado completamente, e logo em seguida apontado para sua direita, logo em seguida, Camila fez o mesmo, e viu o ônibus já longe, virando uma esquina no final da rua. Graça dá uma gargalhada rouca, igual a sua voz, só que pior, seguido de uma tosse seca. – Parece que alguém não vai pro passeio! - Graça - que graça não tinha nenhuma - disse debochando da menina, que ainda estava parado no lado de fora. - Agora entra!

Camila entrou rapidamente e foi para o lado de dentro do orfanato, ela subiu as escadas, seguindo em direção ao quarto para se culpar mais uma vez. Sempre que acontecia algo bom em sua vida, ela conseguia estragar tudo. Ela se deparou com Thiago no corredor, aparentemente, estava saindo do dormitório feminino.

- Camila! Você não devia de estar no ônibus? – Thiago falou, parando no corredor assim que vê a amiga, que faz o mesmo.

- Sim, eu devia... – Camila bufou. – Mas eu perdi como sempre faço com todas as chances legais que tenho na minha vida. Demorei de mais, como sempre...

- Ora, isso não é verdade! – Thiago disse tocando no ombro da amiga. – Você ainda não perdeu sua chance comigo! E verdade, você demora de mais, principalmente pra perceber as coisas, como ainda não percebeu que eu sou o amor da sua vida? – Ele disse colocando a mão esquerda sobre o peito, fazendo uma expressão de chocado. Camila soltou uma risada, só ele mesmo para fazê-la rir. – Bom, o diretor foi junto, e alguns zeladores também, tirando a Graça, não mais ninguém aqui, e a noite, podemos assistir TV na sala do diretor. – Thiago sugere animado. Como adorava aprontar...

- E se ela nos pegar? – Camila perguntou assustada. – é perigoso, se formos pegos, vamos receber um castigo, e sabe que os castigos do Diretor Ricardo não são nada legais. – Camila falou em um tom desesperado enquanto cruzava os braços. – Sem falar que têm outras pessoas no orfanato, apesar de serem poucas, podem nos dedurar. Sabe que a Vitória não gosta da gente.

Thiago deu uma risada sem afastar os lábios.

- Relaxa á noite. E você sabe o que a Graça faz a noite ao invés de ficar vigiando a gente. – Thiago tinha razão, Graça preferia fumar e beber na parte de trás do orfanato do que cuidar dos órfãos, apesar de ser proibido, ela sempre fez escondido, apenas os jovens que moravam ali sabiam, mas ela os ameaçava ou dava agrados para eles não contarem nada para o Diretor Walter. – E que se dane essa menina, essa sempre se mete em confusão, somos anjos perto dela, em quem você acha que o diretor vai acreditar?

- Como vamos entrar? – Camila pergunta tentando arrumar um motivo para não concordar em fazer isso.

- Eu roubei. Thiago falou se sentindo vitorioso. – Eu sei, sou um gênio.

Camila bufou.

- Tudo bem. Vamos. – Camila não quis questionar, ela já sabia como o amigo era habilidoso para esse tipo de coisa, e sempre consegui convencê-la de fazer as coisas mais absurdas possíveis, bom, nem sempre.

Camila estava apreensiva, sentindo que algo ruim poderia acontecer a qualquer momento, não sabia se era apenas medo, mas torcia para que não fosse uma premonição de que eles seriam pegos por Graça.

Thiago abriu a porta, os dois entraram na sala, rapidamente Thiago a trancou. Camila se aconchegou em uma poltrona velha que havia ali, apesar de ser velha, era confortável.

- Nossa, nem nossas camas são tão confortáveis assim. – Thiago disse se sentando na outra poltrona que havia ali, próxima a qual Camila estava sentada. – Temos que vir aqui mais vezes.

Camila e Thiago já foram escondidos para a sala do Diretor algumas outras poucas vezes, mas desde que ele comprou as novas poltronas há alguns meses, eles nunca foram tirando essa vez.

- Contanto que não haja nenhum perigo, eu topo. – Disse Camila pegando o controle que estava em cima de uma mesinha de centro.

- Sempre haverá perigos, Mila. – Thiago disse se ajeitando em sua poltrona. – Temos que arriscar de vez em quando.

Camila escuta com atenção as palavras de Thiago, ele estava certo, não poderia ficar com medo de tudo, talvez ela estivesse preocupada à toa. E essa sensação poderia ser derivada de sua preocupação boba.

Ela liga a TV, ela fica zapeando entre os canais para ver se havia algo de bom passando, ela sempre parava em um canal que parecia ser interessante e olhava para Thiago para ver o que o mesmo achava, e o mesmo balançava a cabeça em forma de reprovação. Até que ela chegou a um documentário, desta vez, Camila deixou nesse canal, ignorando Thiago que falava para ela passar. Falava sobre astronomia, um assunto que sempre a deixara fascinada, sempre que podia, Camila ia até a biblioteca para ler alguns livros sobre o assunto.

- Troca! – Thiago falou. Percebendo que não teve a atenção da amiga, ele resolveu chamá-la pelo nome. – Camila!

Camila olha na direção de Thiago, que estava com sua sobrancelha direito arqueada.

- O que foi?

- Eu falei pra você trocar.

- Deixa de ser chato, eu quero assistir esse canal. – Thiago estava prestes a falar alguma coisa, mas é interrompido por Camila. – Sou eu quem está com o controle, então eu decido o que vamos assistir.

Ela aumentou um pouco o volume da TV, não muito para não chamar atenção de quem poderia passar por perto da sala.

De acordo com o Cientista Henry Danly, Universos Paralelos existem sim. Segundo ele, a partir dessa madrugada o nosso universo e outro irão se conectar, e seria mais fácil a passagem de ida para o outro universo. Isso se seria possível por conta de uma interferência na vibração dos dois universos, que iriam vibrar na mesma frequência nesta madrugada. Henry não nos deu informações de como chegou a esta conclusão.

Thiago bufou.

- Acha que é verdade?

- Não sei, a notícia pode ser falsa. – Camila disse se virando para o amigo. – Mas acredito que possam existir outros universos.

Thiago riu.

- Acho impossível. E o cara nem quis falar como chegou a essa conclusão, ele deve ser um cara comum querendo ganhar fama através de boatos, e não um cientista de verdade.

- E iria me deixar aqui sozinho?

- Eu iria voltar para te buscar.

Depois de alguns minutos, o documentário acabou e nós trocamos de canal, até acharmos um filme de terror.

- Não é melhor trocarmos, Thiago? – Camila perguntou se encolhendo.

- Ah... Para, Camila. – Thiago disse dando uma risada sem graça, como se estivesse forçando um riso. – Nem é tão assustador assim, eu te protejo qualquer coisa.

Uma cena em que a protagonista levou um susto com o assassino atrás dela aparece, e Thiago soltou um grito, pois também havia se assustado. Camila começou a rir alto, não havia conseguido se segurar.

- O que dizia valentão? – Camila falou entre os risos. – Se eu dependesse da sua proteção eu já teria sido pega por um assassino desses.

- Eu... Só estava te amostrando que... – Thiago disse, ainda sem graça, tentando achar alguma desculpa esfarrapada para dizer. Percebendo que não iria conseguir achar nenhuma, ele se levantou de sua poltrona e, num gesto rápido, pega o controle da mão de Camila e desligou a TV. – Vamos, já ficamos muito tempo aqui, e você deve ter chamado muita atenção com essa sua risada escandalosa.

- E com se grito também, não é? – Camila falou se levantando. Ela percebeu o desconforto do amigo e decidiu mudar de assunto. – Tudo bem então, vamos.

Os dois saem rapidamente pela porta e Thiago a trancou. Ambos haviam escutado passos se aproximando de onde estavam, eles realmente haviam chamado muita atenção. Eles rapidamente se esconderam em uma sala vazia que havia ali por perto, eles olharam pela porta entreaberta de onde estavam e viram uma figura alta e magra, cambaleando com um cigarro na boca e uma garrafa de cerveja pela metade em sua mão esquerda, Graça.

Graça olhou para os lados, tentando ver se havia alguém por ali. Camila se perguntava se ela estaria fazendo isso para levar alguém ao castigo ou para se certificar que ninguém a veria no estado em que se encontrava. Graça andou se escorando pelas paredes, aquela cena realmente era bem engraçada, Camila e Thiago se seguravam para não rir. Graça, em uma tentativa de andar se escorar, caiu no chão, e a garrafa que estava e sua mão se quebrou ainda em sua mão. Camila e Thiago caíram na gargalhada e saíram correndo. Subiram as escadas depressa. Será que somos pessoas ruins por deixar Graça caída no estado em que se encontrava? Camila pensou enquanto chegava ao topo da escada, aonde ela e Thiago iriam se separar para irem aos seus respectivos dormitórios, pois há essa hora, todos já estavam dormindo, tirando Vitória, que dava umas escapadas de vez em quando para fazer sabe lá o que, e provavelmente ela estaria fazendo isso agora. Algumas pessoas diziam que ela se encontrava com algum garoto dali, e outras que ela sabia um jeito de sair do orfanato e fazia isso à noite, o que Camila não acreditava, pois do jeito que Vitória era, ela não voltaria ao orfanato se encontrasse uma saída. Apesar disso, ninguém dedurava Vitória, pois, por algum motivo, quase todos tinham medo dela. E Camila, ninguém ligava se ela estava ou não no dormitório, nem se quer pareciam notar a presença dela naquele lugar.

- Acha que ela nos viu? – Camila perguntou antes de se despedir de Thiago.

- Acho que não. – Thiago disse levando as mãos até a cintura. – E se nos viu, amanhã nem vai se lembrar disso quando acordar na frente da sala do diretor amanhã com ele olhando pra ela.

Ambos riem baixinho.

- Obrigada, foi divertido. – Camila disse. – Você te razão, é bom arriscar de vez em quando.

- Eu sempre tenho razão. – Thiago falou - Então, até amanhã! – Ele disse beijando a bochecha esquerda da Amia e indo para o lado oposto de onde Camila iria.

Camila segue em direção ao dormitório, enquanto andava até seu destino, ela ficou pensativa. Ela sempre se divertira com Thiago, sabia que podia contar com ele sempre que precisasse, ele era a pessoa mais legal que Camila á conhecera, e ás vezes se sentia culpada por não conseguir retribuir os sentimentos do garoto.

Camila entrou em seu dormitório, olhou em volta, e viu que Vitória realmente não estava lá e seguiu para a cama, que se encontrava no final do cômodo, ela se deita e adormece rapidamente.

Camila acordou, ainda estava escuro, ela pensou que nem havia conseguido dormir ainda, e que havia acabado de se deitar, mas ela olhou para o pequeno relógio que estava em cima da cômoda velha ao lado de sua cama, ela viu que já passa das duas da manhã. Camila olhou na direção da cama de Vitória e viu que ela já estava lá, comprovando que ela não passava a noite toda fora do orfanato. Algumas das meninas já tentaram ficar acordadas até tarde para ver se conseguiam ver Vitória adentrando no dormitório antes de amanhecer, e sempre adormeciam antes de saber.

Camila se perguntou o que pode tê-la acordado, foi quando ela viu que a janela ao lado de sua cama estava aberta, fazendo um vento estranhamente frio entrar por ela, estranho de mais, era verão, mesmo na madrugada, os ventos não eram tão frios. Camila decidiu fechar a janela, mas antes de realizar a ação, viu que no outro lado, havia uma luz estranha vindo da cozinha. A janela de seu dormitório dava para o pátio do orfanato, enquanto o dormitório de Thiago dava para a entrada do local. No outro lado do Pátio, era onde se localizava a cozinha, os moradores do local tinham que atravessar o pátio para chegar até a cozinha, o que era difícil em dias de chuva, pois não havia nenhum tipo de cobertura.

Curiosa do jeito que Camila é, ela saiu de fininho, desceu as escadas e atravessou o pátio, que não tinha nenhum tipo de porta desde que alguns garotos a quebraram no meio da noite para assaltar a cozinha, que foram pegos por Manuel, um dos zeladores que se encontravam fora esta noite.

Ela se aproximou cada vez mais da luz estranha, quando percebeu que o vento frio estava vindo do local, ou melhor, indo até o local. Ela já sentia um pouco de medo, seu extinto a mandava dar meia volta e voltar para a cama, mas sua curiosidade era muito maior. Mal Camila sabia que sua curiosidade estaria a guiando por algo que faria com que sua vida mudasse completamente.

No caminho, Camila levou um susto com uma barata voando sobre sua cabeça, ela suspira aliviada, mas logo viu outros objetos voando perto de si, ela se aproxima mais da cozinha, chegando até a porta. O que ela viu a deixou paralisada. Havia uma “coisa” muito iluminado ali que estava, aparentemente, sugando as coisas para si. Os objetos e a barata que havia visto, não estavam voando, estavam sendo sugados pela “coisa”, que parecia ser um portal. Ela paralisada, não conseguiu se mover, nem gritar. Nunca havia visto uma coisa dessas em sua vida, só retomou o movimento de seu corpo quando percebeu que lentamente, ela estava sendo sugada também. Ela se segurou na porta, já que não havia mais nada para se segurar.

Camila percebeu que sua curiosidade havia a guiado para algo que poderia ser seu fim, o vento que batia contra seu rosto estava cada vez mais frio, e a força com que aquele “portal” sugava as coisas estava aumentando mais ainda. É meu fim. – Camila murmurou para si mesma. Não demorou muito para ficar cada vez mais difícil de se segurar, ela viu que tudo ao seu redor estava sendo puxado pelo vento que “aquilo” fazia ir em sua direção, cadeiras e mesas eram arrastadas, o fogão e a geladeira já estavam começando a se mover lentamente na direção do “portal”, as portas da geladeira já havia sido abertas e tudo que se encontrava dentro dela já havia sido levados. As portas dos armários e as coisas que estavam dentro deles tiveram o mesmo destino. Não demorou muito para Camila ter o mesmo, a porta em que se segurava fora arrancada, batendo com força em sua cabeça, antes de desmaiar, ela só sentiu a força do vento a puxando, e tudo ficou preto.

27 de Julio de 2019 a las 01:36 5 Reporte Insertar 5
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KK KATIA KATCHACEIRA
aNCIOSA PARA O PRÓXIMO CAPÍTULO.
1 de Agosto de 2019 a las 16:27

KK KATIA KATCHACEIRA
aNCIOSA PARA O PRÓXIMO CAPÍTULO.
1 de Agosto de 2019 a las 16:27
MR Manoon Roedora
Hum já gostei. Escrita sensacional, e têm bastante palavra.
30 de Julio de 2019 a las 17:41

  • Tamires Barbosa Tamires Barbosa
    Que bom fico feliz que tenha gostado. *-* Sexta-feira irá sair o capítulo dois. 30 de Julio de 2019 a las 17:44
~

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