chrysikardiae Kardiá E; Chrysí

"Uma vampira, um cardeal e a criatura de Frankenstein entram num bar..." O marido de Lucy morre, deixando para trás uma misteriosa pesquisa que pode curar seu estado vampírico. Os rascunhos de Victor Frankenstein foram usados como base, e Frank tem medo de rever os diários. Enquanto isso, Ike negocia com demônios, e engana todos eles. -- Ilustrações feitas por mim. Capítulo novo todo dia 1.


Suspenso/Misterio Sólo para mayores de 18.

#horror #sobrenatural #suspense #monster #vampire #drama #310 #dark-comedy #Apocalyptical
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Prefácio I

NOTA DA AUTORA: Eu precisei refazer essa história. Não estava indo no ritmo que eu queria. E o motivo para eu não ter deletado antes foi por ter comprado o sistema de insights. Fiquei com medo de perder o investimento e preferi deixar a história parada. Peço perdão pela decisão. Depois de uma boa estudada, eu percebi que tem MUITA coisa que precisa ser contada antes para que se chegue no que eu quero. Então vamos começar do início mesmo, que tal?

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O Capitão Walton ordenou que zarpassem, deixando a criatura para trás no meio do Polo Norte.

O homem de quase dois metros de altura ficou parado. Observando o navio desaparecendo por trás da névoa, ele deixou as lágrimas escorrerem por entre as cicatrizes em seu rosto.

Seu criador estava morto.

Deixou aquele pensamento tomar conta de si. Repetiu entre dentes, em sua cabeça, tentou trocar as palavras de lugar, soletrou. Tudo para tentar se acostumar com a ideia.

Caminhou tanto e… se perdeu.

Ali, com aquele fato, esqueceu-se por completo de sua estratégia. Qual era seu plano, afinal? Matar Victor? Fazê-lo aceitá-lo como seu filho? Debochar de sua feição patética de homem miserável? A criatura não sabia. Não mais, e menos ainda agora que a neve se acumulava em seus ombros.

A nevasca se intensificava. Seus olhos ficavam mais pesados a cada segundo…

Sentia-se exausto. Apenas queria cumprir seu combinado com o capitão: acabar com sua vida.

— Vai ser rápido — sussurrou, o queixo batendo de frio.

Fechou os olhos, alheio à figura encapuzada que se aproximava com um cavalo.

Apesar de bem menor que o monstro, a pessoa não teve dificuldade em erguê-lo e colocá-lo nas costas do animal.

A criatura abriu os olhos por um instante, quando a longa caminhada começou. Viu a figura puxando a rédea do cavalo, mas ela apenas caminhava. Viu que portava uma lamparina, pendurada em uma espécie de cajado.

Não conseguia ficar acordado, os olhos pesavam.

Dormiu.

Assim que acordou, o monstro logo percebeu que não estava mais no Polo Norte. Não sabia dizer onde se encontrava exatamente, entretanto. Parecia uma cabana no meio do nada. Só tinha uma fogueira diante si e um pano grosseiro sobre seus ombros. Tentou se levantar, mas suas pernas estavam ainda congeladas, o que o fez cair no chão.

Ainda estava vivo. Não sabia como, mas ainda estava vivo.

E isso era desesperador.

Ele ergueu a cabeça ao ouvir o rangir da porta da cabana. Seu primeiro instinto foi o de correr para se esconder, mas as pernas não lhe obedeciam. Caiu mais uma vez no chão de madeira. Tateou o lugar e se arrastou, tentando camuflar-se entre as sombras dos poucos móveis que ali tinham, mas em vão. Era muito grande.

A pessoa que o trouxe entrou. Ao baixar o capuz, ele viu que se tratava de uma mulher belíssima: sua pele era tão branca quanto uma folha de papel, e os cabelos louros tinham um bonito movimento ondulado atrás de si. Os olhos eram azuis, mas tinha algo diferente neles…

Ela sorriu.

— Ah. Você acordou.

A criatura não respondeu. Sentia-se acuado. Principalmente por ela não demonstrar medo. Viu-a fechar a porta atrás de si e acomodar-se próxima à fogueira. Trazia consigo uma cesta, de onde tirava alguns vegetais e os colocava na pequena panela sustentada sobre a brasa. Não parecia importar-se com ele, muito menos com sua aparência, apenas cozinhava o que parecia ser uma sopa. O cheiro estava ótimo, o monstro precisava admitir.

Alguns minutos mais tarde, ela o serviu, colocando um pouco em uma tigela de ferro.

— Pode vir, eu não mordo.

Ela gesticulou com a comida, e ele sentiu certa simpatia vinda dela, algo que não estava nem um pouco acostumado. Arrastou-se devagar. Quando notou que a luz do fogo evidenciava seu rosto, recuou mais uma vez.

— Tudo bem — ela disse. Sorria. — Pode vir.

Hesitante, ele pegou a sopa.

— Eu não tenho nenhuma colher, mas se quiser usar a concha, pode usar.

Devagar e em silêncio, levou a tigela aos lábios e bebeu. Não tinha notado o quão faminto estava até aquele instante. Tomou toda a sopa em questão de minutos e, tímido, pediu para que a mulher colocasse mais ao devolver o prato. Ela obedeceu uma vez, duas, na terceira a criatura prestou melhor atenção no rosto de sua companhia: pensou ter visto a silhueta de seu crânio sob sua pele tão clara.

Aos poucos, começava a sentir o sangue em suas pernas circular novamente. Mexeu os dedos dos pés e esticou os joelhos.

— Está aquecido?

O monstro fez que sim com a cabeça.

— Quem é você? — enfim, ele questionou.

— Uma amiga.

— Mas eu não tenho amigos.

— Bom, tem a mim — a mulher riu.

O monstro ficou em silêncio. Olhou para as próprias mãos, ainda pálidas pelo frio nortenho.

— Eu tenho muitos nomes — ela disse. — Mas você pode me chamar de Morte.

A criatura voltou-se a ela. Seus olhos, de cores diferentes, iluminaram-se.

— Você veio me levar?

Para sua surpresa, ela negou com a cabeça.

— Lamento, mas não.

— Como não? Você é a Morte, não é?

Ela ficou em silêncio por alguns instantes. Sustentava um sorriso nos lábios, como o de uma mãe preocupada. A mulher se levantou, e o monstro recuou um pouco mais para as sombras. Ainda assim, ela sentou-se ao seu lado e tomou as mãos dele. O toque era gélido.

— Se eu pudesse, você estaria morto só com esse toque.

Ele não entendeu.

— Como se chama? — Morte questionou.

— Não sei… Não tenho nome.

— Lamento — ela riu um pouco. A criatura sentiu paz naquela risada, era como se já a conhecesse. — Acho que você teve uma vida bem difícil, não é?

Ele mordeu os lábios e baixou o olhar. Puxou o ar para dizer algo, mas ela continuou:

— Entendo sua vontade. Mas eu não tenho como acatar seu desejo. Você é um ser artificial. Sem alma. E eu não posso te levar se você não tem alma.

— "Alma"? — repetiu confuso.

— Cada ser vivo possui uma alma — explicou. — É o que diferencia os seres humanos. E seu pai… bem…

— Ele não é meu pai.

— Lamento — meneou a cabeça e logo corrigiu-se: — Victor Frankenstein violou túmulos e almas inocentes para criar você. Ele pode ter te dado vida, mas alma é algo que um humano não pode forjar. Nem com todo o conhecimento do mundo ele seria capaz. Frankenstein não passava de um homem egoísta e egocêntrico, sempre preocupado apenas com as opiniões externas.

A criatura aguardou, mas Morte parecia ter concluído o que mais pareceu um desabafo. Ela suspirou fechando os olhos, recobrando sua postura.

— E pensar que ele criou e abandonou um ser artificial no mundo… E eu não posso nem acabar com seu sofrimento.

— Você o conheceu?

Ela confirmou com a cabeça.

— Quem engana a morte tem o que merece — murmurou ela. O sorriso maternal retornou, mas assumiu um ar sombrio. — Não se preocupe. Victor arderá nas profundezas do inferno e pagará pelo que fez com você.

— Eu não pretendia isso. Eu só queria…

— Ser amado.

O monstro desviou o olhar.

— Eu sei. Sei de tudo, meu querido. Sei que você não fez as coisas que fez a esmo; sei que você se sentiu sozinho. E sei que está com medo.

Ele engasgou. Não sabia o que estava sentindo. Chorava, mas não estava triste. Sua garganta fechava, mas seu coração estava alegre. As palavras não vinham. O monstro escondeu o rosto na dobra do braço, tentando segurar aqueles sentimentos. Morte segurou-o pelo antebraço.

— Chore, meu bem. Não tenha vergonha. Vai ficar tudo bem daqui em diante. Eu estou aqui agora e juro que vou te ajudar.

Ela envolveu o corpo do monstro com os braços. Ele nunca tinha sentido alguém tão próximo de si, apenas viu outras pessoas naquela estranha posição. Jamais imaginou que poderia se sentir tão acolhido, tão confortável com mero gesto… sequer que seria tocado daquela forma.

— Já sei — ela falou de repente. — Acho que vou te chamar de Frank. O que acha?

26 de Noviembre de 2019 a las 18:01 4 Reporte Insertar Seguir historia
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Aline Braga Aline Braga
SOU CADELINHA SIM!!! Já te falei isso, adorei a ideia do prefácio, além de te ajudar, é mais coisa pra ler e aproveitar, risos. Eu gosto desse inicio, tenho uma noção do que ver agora e estou muito ansiosa, pelamor de Deus hein u_u <3 <3 té logo babe!
November 26, 2019, 21:09
Lady Salieri Lady Salieri
Eu PRECISO ver essa história ir pra frente agora. Vamosssss. O capítulo está muito bem escrito, e fico feliz que podemos negociar algumas partes haha. Vc é ninja, fia, não abandona a escrita não.
November 26, 2019, 19:56
Lady Salieri Lady Salieri
Eu PRECISO ver essa história ir pra frente agora. Vamosssss. O capítulo está muito bem escrito, e fico feliz que podemos negociar algumas partes haha. Vc é ninja, fia, não abandona a escrita não.
November 26, 2019, 19:56
Lady Salieri Lady Salieri
Eu PRECISO ver essa história ir pra frente agora. Vamosssss. O capítulo está muito bem escrito, e fico feliz que podemos negociar algumas partes haha. Vc é ninja, fia, não abandona a escrita não.
November 26, 2019, 19:56
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