Babá por Acidente Seguir historia

teffychan Lilith Uchiha

A vida de uma pessoa bem-sucedida nos negócios parece ótima. Você não precisa se preocupar com as contas e ainda sobra um pouco para realizar pequenos caprichos. Mas isso também significava que você tinha pouco tempo livre para passar ao lado da pessoa que amava. Ainda mais quando tinham um filho para criar. Durante uma noite em que Kiba e Shino conseguiram tirar folga no mesmo dia, eles deixaram o bebê que adotaram a pouco tempo com Naruto, que já estava acostumado a ser babá da criança, para aproveitarem aquele raro dia de folga. No entanto surgiu um compromisso de última hora para Naruto, que não pode cuidar do bebê e decidiu deixá-lo com a pessoa mais responsável que conhecia: Uchiha Sasuke.


Fanfiction Anime/Manga No para niños menores de 13. © Todos os direitos reservados

#homossexualidade #oneshot #shinokiba #universoalternativo #yaoi #shino #kiba #sasuke #naruto
Cuento corto
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Capítulo Único – Não é Tão Fácil Quanto Parece

A vida de uma pessoa bem-sucedida nos negócios parecia ótima. Você tinha um bom trabalho, uma vida estável, nada muito extravagante mas também não precisava economizar em tudo. Podia pagar as contas sem problemas e ainda sobrava um pouco para realizar um ou dois caprichos. E era ainda melhor quando se tinha alguém com quem compartilhar essa vida.

Sim, tudo parecia um mar de rosas. Exceto que isso resultava em muito trabalho e pouco tempo livre. Sino e Kiba perceberam isso por experiência própria. Trabalhavam mais do que ficavam juntos e seus dias de folga raramente coincidiam. Só conseguiam se ver durante a noite, quando ambos estavam cansados depois de um dia duro de trabalho. E também havia outro fato crucial na vida deles, o pequeno Kyo.

Quase um ano atrás, depois de várias tentativas eles adotaram um bebê. Durante o dia o menino ficava na creche e eles se revezavam para ir buscá-lo. Não podiam curtir a vida de casados e cuidar de Kyo ao mesmo tempo.

Mas sempre tinha outra alternativa.

Naquela sexta-feira o dia de folga dos dois coincidia depois de muito tempo. Pretendiam sair para jantar e passar algum tempo a sós, mas não podiam deixar Kyo em casa. Pelo menos não sozinho.

— Valeu mesmo Naruto! — Kiba agradeceu pela terceira vez enquanto entregava a bolsa com tudo que o bebê iria precisar para Naruto — Você nos salvou.

— Não tem problema. O Kyo vai se divertir muito com o tio Naruto hoje — ele pegou a bolsa com uma das mãos enquanto segurava Kyo com a outra, que ria em seu colo — Mas tem certeza de que não preferem ficar em casa? Assim vocês economizam e… se divertem mais — ele deu um sorriso maldoso.

— Naruto! Não fale essas coisas na frente do Kyo! — Kiba repreendeu embora o bebê não entendesse nada do que eles estavam falando.

— Foi mal, foi mal — Naruto riu sem graça — Está tudo aqui? — ele indicou a bolsa.

— Tudo que você vai precisar. Fraldas, papinha… se for dar alguma fruta para ele não se esqueça de amassar primeiro.

— Entendido.

— E não se esqueça de passar o óleo quando for trocar a fralda, não é pra limpar só com o lenço.

— Eu sei disso, Kiba — Naruto revirou os olhos — Então nos vemos as onze — ele deu meia-volta. Se continuasse ali Kiba passaria a noite toda falando e se esqueceria do encontro.

— E não dê nada com caroço para ele comer!

— Tchau Kiba!

Kiba continuou na porta até Naruto sumir de vista. E então sentiu um braço forte ao redor do seu pescoço, fazendo-o relaxar.

— Não se preocupe. Não é a primeira vez que o Naruto toma conta do Kyo — Shino lembrou. Era raro ele defender Naruto. Muito raro mesmo. Mas tinha razão dessa vez.

— Tem razão. E o Kyo gosta bastante do “tio Naruto” — Kiba riu ao se lembrar de como o amigo havia se auto apelidado.

— Lembra que combinamos esquecer todas as preocupações hoje? — Shino recordou — É isso que vamos fazer. Agora é melhor ir terminar de se arrumar para sairmos.

Kiba assentiu e voltou para o quarto. Shino estava certo, Naruto já tinha bancado a babá outras vezes e tudo sempre correu bem. Não precisava se preocupar tanto. O que poderia dar errado?



~~~~~X~~~~~X~~~~~



— Quer que eu tome conta dessa criança?!

Tudo poderia dar errado. Prova disso é que, mal passaram dez minutos desde que chegou em casa e Naruto recebeu um telefonema de Hinata avisando que estava voltando para casa, Naruto saiu de novo e pediu para que outra pessoa ficasse de babá no lugar dele. E, de todas as pessoas que conhecia, ele escolheu justamente Uchiha Sasuke.

— Por favor, Sasuke! É só hoje!

— Não mesmo. Foi você quem aceitou bancar a babá, agora se vira. Aliás, que bebê é esse? — ele se inclinou para ver melhor o rosto da criança — É o filho do Kiba e do Shino?

— Você precisou se aproximar tanto para perceber que era o Kyo? — Naruto indagou pasmo.

— Todos os bebês são iguais para mim.

— Você precisa de óculos — Naruto comentou — Qual é, Sasuke. A Hinata me ligou dizendo que finalmente está voltando para casa. Ela passou um mês fora por causa daquela maldita coletânea e eu estou com saudade!

— Você está pensando com a cabeça de baixo, seu cretino. A de cima concordou em cuidar do Kyo, então se vira.

— Sasuke… se lembra daquele vaso incrivelmente caro que a Sakura comprou em um leilão? — Naruto perguntou com a voz mansa — Você discutiu tanto com ela por causa de um vaso, dizendo que era feio e falsificado e acabou quebrando… só para depois descobrir que o vaso era autêntico.

— Naruto… onde quer chegar com isso?

— Imagine a cara da Sakura se descobrisse que você comprou uma imitação barata daquele vaso absurdamente caro para que ela não descobrisse que você quebrou o verdadeiro?

— Seu maldito… está bem! Me dá essas coisas.

Naruto sorriu triunfante, entregando a bolsa para ele e depois Kyo. O problema é que ele segurava o bebê com as duas mãos abaixo dos bracinhos o mais afastado possível do próprio corpo.

— O que está fazendo? Ele é um bebê, não uma bomba.

— Eu nunca segurei um bebê antes, Naruto — Sasuke realmente encarava a criança como se fosse algo perigoso.

— Não é assim que se segura — Naruto suspirou. Ajeitou os braços de Sasuke para que ele segurasse Kyo da maneira correta. Ele parecia ainda mais apavorado — Pronto, assim está melhor. Kiba e Shino virão busca-lo as onze. Vou avisar que deixei o Kyo com você.

— Às onze?! Mas ainda são oito horas!

— Pois é. Você não vive dizendo que quer reconstruir seu clã e passar seu sobrenome adiante e essas coisas? É uma ótima chance para você treinar — Naruto falou como se aquele fosse um ótimo motivo para passar a função de babá para outra pessoa. Desceu as escadas correndo antes que o amigo pudesse voltar a protestar.

— Boa sorte com o Kyo!

— Eu espero que você broxe hoje!

— Para você também! — Naruto sequer prestou atenção na última frase. Pegou o celular e discou o número de Kiba enquanto deixava o prédio.



~~~~~X~~~~~X~~~~~



Shino e Kiba tinham decidido ir ao cinema primeiro. Fazia tempo que não viam um filme juntos. Isto é, um que não estivessem carecas de assistir e que Kiba acabasse dormindo no final de tão cansado. Estavam assistindo o trailer quando o celular começou a vibrar.

— Kiba, eu não falei para deixar o celular desligado?

— Foi mal, eu esqueci… ei, é o Naruto — ele olhou preocupado para Shino — Acha que aconteceu alguma coisa com o Kyo?

— É melhor atender — Shino orientou. Não gostava de desobedecer as regras de quando se estava dentro do cinema, mas podia ser algo importante.

— Alô?

— Oi Kiba! — a voz estridente de Naruto soou do outro lado da linha — Então… sei que é meio repentino, mas eu não vou poder ficar com o Kyo hoje.

— O que? Como assim? — Kiba arregalou os olhos.

— É que a Hinata ligou dizendo que estava voltando de viagem hoje. Eu não a vejo faz um mês, então… sabe como é, né… — Naruto riu sem graça — Ah, mas não se preocupe! Eu o deixei com uma pessoa bastante responsável e cuidadosa. Praticamente um prodígio.

— Naruto, com quem você deixou meu filho?

— Com o Sasuke.

— O Sasuke?! — Kiba gritou, fazendo várias pessoas ao seu redor mandarem ele se calar.

— O que aconteceu? — Shino quis saber.

— O idiota do Naruto desistiu de ser babá porque a Hinata vai voltar hoje e ele quer se divertir com ela. Daí deixou o Kyo na casa do Sasuke — Kiba explicou entre zangado e preocupado.

— Ele o que? — Shino tomou o telefone das mãos dele — Naruto, me diga que isso não é verdade.

— Ah, oi Shino! — a voz de Naruto soou alegre no telefone — Não se preocupe, ele bastante responsável.

— Eu sei que ele é responsável, mas isso é com o trabalho. Ele não sabe lidar com crianças — Shino lembrou — A Sakura está com ele pelo menos?

— Ela viajou por causa daquela reunião, lembra? Acho que só volta amanhã — Naruto recordou — Não se preocupe, vai ficar tudo bem.

— Naruto, você não pode deixar meu filho com ele. O Sasuke detesta crianças.

— Você está exagerando Shino… ah, oi amor! Finalmente chegou! — aparentemente Hinata tinha chegado em casa — Desculpa Shino, mas eu preciso desligar. Divirtam-se!

Como se fosse possível se divertir sabendo com quem seu filho estava.



~~~~~X~~~~~X~~~~~



— Então… o que eu faço com você?

Sasuke voltou a segurar Kyo “como se fosse uma bomba”, nas palavras de Naruto assim que o amigo foi embora.

Não é que ele detestasse crianças. Apenas não sabia lidar com elas. Sempre que encontrava Kiba e Shino inventava uma desculpa para não segurar Kyo no colo. Era um ser tão frágil e pequeno… e se deixasse o bebê cair? Sem falar que toda vez que Sasuke se aproximava de Kyo ele chorava. Tudo bem que muita gente não ia com a cara dele, mas até um bebê? Não era um bom sinal.

E o modo como as pessoas seguravam o bebê então? Podia até ser correto, mas parecia tão estranho. A pele da criança era fina e delicada, consequentemente escorregadia. Sasuke segurava Kyo daquele jeito porque parecia muito mais seguro.

Bem, talvez Kyo não concordasse. Não se passaram nem dois minutos desde que Naruto foi embora e o bebê começou a chorar. É claro que começou a chorar, essa era a única coisa que bebês sabiam fazer. Mas porque estava chorando era um mistério.

Sasuke o colocou sentado em uma poltrona e se inclinou para encarar a criança melhor.

— Certo Kyo, o que raios você quer? — ele suspirou. Obviamente o menino não respondeu — Tudo bem, vamos ver o que nem nessa bolsa que o seu tio trapaceiro trouxe.

Começou a revirar a enorme bolsa trazida por Naruto. Havia fraldas, lenços umedecidos, uma coisa que parecia óleo, alguns vidros coloridos que ele não sabia para que servia… e brinquedos. Sim, aquilo fazia barulho então definitivamente era um brinquedo.

Ele pegou o brinquedo mais barulhento, sem se dar ao trabalho de descobrir o que era e entregou para Kyo. O menino se calou por um instante enquanto sacudia o objeto, mas logo arremessou o chocalho para longe, voltando a chorar.

Sasuke ignorou a irritação e pegou outro brinquedo de plástico, também barulhento, mas o resultado foi o mesmo. A criança balançou o mini pandeiro por alguns segundos, fazendo barulho, mas logo o arremessou para longe também.

— Eu estou ficando sem opções Kyo — Sasuke voltou a colocar a mão na bolsa, retirando um brinquedo de borracha dessa vez — Muito bem, vamos tentar esse… essa… que porcaria é essa? — ele se perguntou enquanto revirava o brinquedo nas mãos — Dane-se. Espero que goste desse — entregou o brinquedo não-identificado para o bebê, que não o arremessou longe dessa vez. Ao invés disso colocou o brinquedo na boca enchendo o objeto de saliva.

— Quanta baba — Sasuke fez uma careta — Pelo menos parou de chorar — ele se levantou para recolher os brinquedos que o bebê tinha arremessado para longe. Segundos depois ouviu um barulho estridente e voltou correndo.

Kyo parou de chorar, mas não foi porque estava segurando o brinquedo, e sim outra coisa.

— Solta o meu gato!



~~~~~X~~~~~X~~~~~



O filme terminou, mas nem Shino e nem Kiba conseguiram prestar muita atenção. Não que a história não fosse boa. Na verdade o enredo era ótimo, aquele era considerado o melhor filme do ano! O motivo de distração era outro.

— O filme foi ótimo, não é Shino? — Kiba fingia estar despreocupado — Aquela parte da perseguição em alta velocidade foi sinistra!

— Verdade. Mas acho que a parte em que o modo como eles planejaram invadir o prédio foi melhor — Shino respondeu.

— Eu não entendi muito bem essa parte. Como funcionou o plano mesmo?

— Foi… — Shino fez uma pausa, tentando se lembrar. Na verdade só tinha prestado atenção na metade do filme e também não compreendeu totalmente o plano sobre a invasão do prédio — Na verdade eu não prestei muita atenção nisso — acabou admitindo.

— Está preocupado com o Kyo também, não é? — Kiba perguntou e ele assentiu — Não acredito que finalmente conseguimos uma folga apenas para nós dois e não estamos aproveitando nem um pouco!

Shino tinha que concordar dessa vez. Depois do cinema foram jantar como planejado, mas não estavam aproveitando a ocasião como pretendiam.

— Acalme-se — Shino segurou a mão dele — Tenho certeza de que o Kyo está bem.

— Sério mesmo?

— É claro — Shino garantiu — Agora não se esqueça do motivo de termos saído essa noite. Faz tanto tempo que não temos um momento só nosso… precisamos aproveitar.

Ele acariciou o rosto de Kiba de leve e o trouxe para mais perto, selando seus lábios. Um beijo lento e afável que tinha o poder de acalmar os ânimos de Kiba. Shino sentiu ele atirar os braços ao redor de seu pescoço, trazendo-o para mais perto de si e, antes que pudesse se conter, começou a alisar a perna de Kiba por baixo da mesa, fazendo-o ofegar.

E então a parte racional que ainda restava da mente de Shino lhe lembrou que eles estavam em um local público e ele acabou por encerrar o beijo.

— Por que você parou? — Kiba perguntou ofegante — Justo agora que estava ficando bom…

— Porque estamos no meio de um restaurante — Shino lembrou — Podemos continuar com isso em outro lugar se quiser.

— Ótima ideia — Kiba abriu um largo sorriso — Ah! Mas será que não tem problema? Prometemos voltar às onze.

— Não se preocupe, ainda são nove horas. Temos tempo de sobra.

Na verdade uma parte de Shino continuava preocupada com o filho. Já havia realizado tarefas em conjunto com Sasuke algumas vezes porque as empresas na qual trabalhavam eram sócias então sabia que ele era bastante responsável, mas isso no campo profissional. Não conseguia imaginá-lo como babá. Só podia torcer para que Kyo estivesse bem.



~~~~~X~~~~~X~~~~~



Kyo não estava nada bem. Ele começou a chorar depois que Sasuke tirou o gato das mãos da criança. E parecia cometer a proeza de chorar ainda mais alto nas três vezes em que Sasuke fez isso. Aparentemente Kyo tinha gostado muito do gato, mas o gato não gostou de ser enforcado por ele.

— Eu já te mandei ficar longe do Denka — Sasuke repetia como se o bebê entendesse o que ele estava dizendo — Agora pare de chorar pelo amor de Deus! Por que você continua chorando? — Kyo não respondeu outra vez — Eu não posso cuidar dessa criança sozinho.

Sasuke pegou o celular e discou um número, tentando ignorar o choro do bebê.

— Sasuke? Que raridade você ligar a essa hora. Aconteceu alguma coisa?

— Oi Sakura. Uma pergunta: Como eu faço um bebê parar de chorar?

— O que?! — a voz de Sakura soou estridente do outro lado da linha — Por que está perguntando isso? Espera, é um choro de bebê que eu estou ouvindo aí no fundo?

— Lógico que é um choro de bebê. Por isso estou te perguntando como faço ele parar de chorar.

— Uchiha Sasuke, onde você arranjou um bebê?!

— Eu estou tomando conta do filho do Shino e do Kiba… por que ficou zangada? — Sasuke sequer percebeu o repentino ciúme dela, que logo se transformou em risadas.

Você, bancando a babá? Meu Deus, não consigo imaginar isso! — Sakura não parava de rir — Por que aceitou tomar conta do Kyo?

— Eu não aceitei. O Naruto é quem deveria estar tomando conta dele, mas parece que a Hinata voltou para casa então o desgraçado largou a criança aqui e foi se divertir — Sasuke resmungou — E então? Como faço ele parar de chorar?

— Bem, ou a fralda está suja ou ele está com fome — Sakura explicou — Mas tome cuidado com o que vai dar para ele comer. Quantos meses o Kyo tem mesmo?

— E como é que eu vou saber?

— Olhe com atenção para ele — Sakura instruiu.

— Eu não sei… ele é pequeno, tem cabelo, alguns dentes… sei lá, não tenho a certidão de nascimento dele.

— Você é um caso perdido — Sakura suspirou — Verifique a fralda então, talvez seja isso.

— O que? Mas Sakura…

— Boa sorte! — e desligou.

— Por que todo mundo me deseja boa sorte? Eu não estou com nenhuma sorte hoje — Sasuke resmungou. Segurou a criança na altura da cabeça e sentiu um odor desagradável. Sakura tinha razão, era a fralda.

Amaldiçoando Naruto até a quinta geração por ter jogado essa responsabilidade sobre ele, Sasuke pegou a bolsa do bebê e a levou junto com Kyo até o quarto. Deitou a criança em cima da cama e, após alguns minutos, descobriu como se abria a fralda suja. Era mais difícil do que imaginava. E muito mais nojenta também.

— Certo… o que eu faço agora?

Sasuke cruzou os braços, encarando o bebê. Sabia que tinha que colocar outra fralda, mas ele ainda estava sujo. Como se tirava aquilo? Não podia simplesmente usar papel higiênico, não é?

Depois de quase um minuto pensando pegou o celular e digitou no Google:

“Como trocar a fralda de um bebê”.

E para a sua surpresa realmente tinha a explicação sobre o passo a passo. Havia vários sites sobre isso na verdade. É por isso que amava o Google! Você podia encontrar qualquer coisa lá.

— "Se o seu bebê for um menino, tenha cuidado para evitar um jato surpresa"… nem quero saber que tipo de jato é esse — Sasuke falou para si mesmo enquanto lia as instruções — Cara, isso é tão nojento. "O ideal é usar algodão embebido em água morna (não esqueça de checar a temperatura na sua pele antes) ou um lenço umedecido". Eu não vou ferver água agora, então vai esse lenço mesmo — ele retirou o lenço umedecido da bolsa — Eu tenho que passar óleo de que? — Sasuke começou a vasculhar o conteúdo a bolsa de novo mas Kyo começou a choramingar — Certo, esquece o óleo. Eu já limpei, acho que está bom. Agora outra fralda… espera, como eu vou saber onde é a frente e onde é atrás? — ele voltou a consultar o Google — Certo, não é para enrolar entre as pernas do bebê…

Sasuke continuou murmurando coisas aleatórias para si mesmo por mais alguns minutos até que ergueu Kyo. A fralda não caiu como ele temia e pôde suspirar aliviado. Kyo até sorriu para ele.

— Até que você é bonitinho quando não está chorando nem tentando matar o Denka — Sasuke comentou — Tenho que me livrar disso — fez uma careta ao olhar para a fralda suja.

Depois de verificar que Denka tinha se escondido embaixo da cama, Sasuke levou Kyo de volta para a sala. Depois voltou para buscar a fralda suja e jogá-la no lixo quando ouviu um barulho de algo se partindo. Voltou correndo para a sala e viu que Kyo tinha arremessado seu chocalho contra o vaso feio e falsificado de Sakura. Ele ria e batia palmas alegremente.

— Sakura vai me matar.



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A sugestão de Shino sobre deixar o restaurante e irem “se divertir” em outro lugar se provou uma ótima ideia. Finalmente tinham conseguido esquecer todas as preocupações. Bem, eles mereciam! Passavam a maior parte do dia no trabalho para poder sustentar o padrão de vida que levavam então mal tinham tempo de ficar um com o outro… aquela folga era mais do que merecida!

Não a folga em si, e sim a forma como a estavam utilizando. Poder desfrutar da companhia de seu amado em todos os sentidos possíveis era algo que estavam sentindo falta. Ganhavam bem, mas passar mais tempo ao lado da pessoa que ama não tem preço.

Kiba sentia seu coração disparar toda vez que Shino o beijava. Não importa quantas vezes fizesse isso, sempre parecia um adolescente apaixonado ao lado do seu primeiro amor. Bem, Shino era de fato o seu primeiro e único amor. Não hesitou em puxá-lo para mais perto ao enlaçar seu pescoço com ambas as mãos, uma delas segurando os cabelos curtos com força.

E o mesmo valia para Shino. Não era muito de demonstrar sentimentos, mas sabia que eles sempre alcançavam Kiba. E que de alguma forma ele era o único capaz de compreendê-los. Seu coração também batia forte contra o peito, no mesmo ritmo que o de Kiba enquanto ele deslizava as mãos pelo seu corpo, sentindo a pele de Kiba se arrepiar diante de seu toque.

Aproveitavam para fazer tudo que não podiam no restaurante, visto que era um local público, nem em casa, pois na maioria das vezes estavam cansados devido ao trabalho. Sem falar que poderiam acordar Kyo. Shino tornou o beijo mais intenso, sentindo Kiba o abraçar com mais força. O amava tanto… embora estivessem juntos há anos algumas pessoas ainda comentavam sobre como era impressionante o relacionamento deles estar dando certo, visto que suas personalidades eram completamente opostas.

Provavelmente esse era justamente um dos fatores que fazia com que desse certo. Shino foi atraído quase que imediatamente pela personalidade alegre e radiante de Kiba quando o conheceu. E o mesmo valia para Kiba. Shino era discreto e misterioso, o que provocava nele o desejo de descobrir cada vez mais coisas sobre o rapaz. Começou a passar cada vez mais tempo ao lado de Shino e se esforçou para saber mais sobre ele… antes que se desse conta, estava apaixonado.

Encerraram o beijo por falta de ar, mas não o abraço. Kiba ainda estava envolvendo o pescoço de Shino com uma das mãos. Apenas esticou a outra até a pequena cômoda ao lado da cama onde havia uma tigela com morangos que eles já haviam utilizado. Mas tinha sobrado um.

— Se importa se eu comer o último?

— Vá em frente. Hoje vou comer outra coisa.



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— O que você quer comer?

Sasuke encarava o bebê que estava sentado na poltrona e tinha recomeçado a chorar como se ele fosse um enigma a ser desvendado. Felizmente Kyo não se machucou com o vaso quebrado, mas chorava a plenos pulmões. A fralda ainda estava limpa então ele supôs que estava com fome.

— Sabe, seria muito mais útil se você dissesse algo mais do que apenas “da da” — Sasuke comentou. Decidiu juntar o sofá e duas poltronas, formando uma espécie de cercadinho e colocando Kyo ali. Foi até a cozinha, abriu a geladeira e ficou observando o conteúdo por um bom tempo.

— Então… o que bebês comem?

Considerou seriamente procurar no Google de novo, mas não sabia a idade de Kyo para poder pesquisar que tipo de comida poderia dar a ele, então isso não ajudaria em nada dessa vez.

— Bom, acho que todo bebê gosta de leite — ele decidiu testar a sorte. Alcançou a mamadeira na bolsa e colocou o leite. Antes de fechar se perguntou se deveria colocar açúcar também. Não podia obrigar a pobre criança a ingerir coisas doces, aquilo era horrível. Se bem que crianças gostavam de doces. Decidiu colocar pouco açúcar e não conseguiu fechar a mamadeira. Isso sim ele podia procurar no Google. Tirou o celular do bolso novamente e digitou:

“Como fechar mamadeira”.

E não é que tinha mesmo a explicação? Cara, o Google é mesmo incrível! Após seguir as instruções retornou para a sala e entregou a mamadeira para Kyo. Ele ingeriu um gole mas fez uma careta e recomeçou a chorar.

— Qual é o problema agora? — ele olhou do bebê para a mamadeira — Será que era para esquentar o leite? — ele voltou para a cozinha e esquentou o leite. Recolocou na mamadeira sem ter a menor ideia se a temperatura estava boa e retornou para a sala — Aqui. Tente de novo — entregou a mamadeira para Kyo, que a deixou cair — Não consegue nem segurar a mamadeira? Meu Deus, você não sabe fazer nada sozinho?

Sasuke respirou fundo várias vezes, não para tentar controlar a raiva e sim o receio por precisar segurar Kyo em pé com apenas uma das mãos enquanto dava a mamadeira com a outra. Gostaria que ele ingerisse o leite mais rápido.

Depois do que pareceu uma eternidade Kyo terminou de beber o leite. Expeliu um pouco do líquido, acabando com os poucos segundos de calma de Sasuke.

— Por que você está vomitando? Eu não devia ter colocado açúcar — Sasuke murmurou. Não sabia que bebês golfavam, nem o que era para fazer. Desistiu de tentar descobrir o motivo e foi lavar a mamadeira. Em seguida ouviu Kyo voltar a rir quase ao mesmo tempo em que Denka corria para a cozinha e se escondia entre suas pernas.

— Quantas vezes preciso dizer para não enforcar o meu gato? — Sasuke retornou para a sala com Denka nos braços. O curioso é que ele segurava o gato exatamente como deveria segurar um bebê, mas não se dava conta disso.

— Ga… to… — Kyo apontou para Denka.

— Isso mesmo. Não é para você encostar nele — Sasuke levou Denka de volta para o quarto.

Na verdade só tinha pego aquele gato como uma espécie de treinamento para quando ele mesmo tivesse filhos. Para se lembrar de havia alguém em casa que ele precisava alimentar, dar banho, dar vacina, levar ao médico (nesse caso veterinário)… resumindo, aprender a ter responsabilidade de cuidar de outro ser vivo. Estava se saindo bem com Denka, mas cuidar de um bebê era mais difícil do que ele imaginou.

Desde que seu irmão morreu em um acidente de carro ele colocou na cabeça a ideia de que queria ter filhos para passar seu sobrenome adiante. Mas cuidar de crianças era tão difícil que a ideia já não parecia ser tão boa assim.

Principalmente quando Kyo recomeçou a chorar sabe Deus por que.

— O que você quer agora Kyo? — ele passou a mão pelos cabelos, desejando que a criança viesse com um manual de instruções — Bem que você podia falar mais do que “da da” e “gato” hein?

— Ga… to…

— Não, eu não vou te dar o Denka — respondeu — Ainda está com fome?

Sasuke retornou para a cozinha e descobriu que, para seu azar, o leite tinha acabado. Olhou a bolsa da criança, mas só encontrou “geleia” e “requeijão”. Por que tinha geleia na bolsa de Kyo? Tinha quase certeza de que bebês não comiam geleia. Olhou a cesta de frutas e a melhor opção que encontrou foi banana. Era mole o suficiente para ele comer, não era? Bem, só havia um jeito de descobrir.

— Ei, você come banana? — Sasuke retornou para a sala. Kyo respondeu “da da” — Ok, eu dou para você — descascou a fruta e entregou para o menino.

Depois de algumas tentativas Kyo aprendeu a segurar a banana sozinho com as duas mãozinhas. Sasuke nem percebeu que tinha acabado de ensinar isso para a criança. Kyo passou a maior parte do tempo chupando e enchendo a fruta de baba do que comendo, mas parecia ter gostado, já que tinha parado de chorar.

— Até que enfim — Sasuke suspirou, mordendo a maçã que tinha pego para si.



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— Acha que nosso filho ainda está vivo?

— Acalme-se Kiba. Tenho certeza de que ele foi bem cuidado… na medida do possível.

Os dois se divertiram tanto que acabaram perdendo a noção do tempo e estavam atrasados. Kiba dirigia o mais rápido possível, consultando de dois em dois minutos se não estava ultrapassando o limite de velocidade. Parou bruscamente ao chegarem em uma bifurcação ainda que o sinal estivesse verde.

— O que aconteceu?

— Eu não sei onde o Sasuke mora.

— O que? — Shino arregalou os olhos por trás dos óculos escuros.

— Bem, eu não venho visita-lo com frequência! — Kiba defendeu-se — E agora, Shino? Nunca mais vamos ver nosso filho! O Sasuke não vai conseguir lidar com uma criança tão adorável como o Kyo mesmo com a Sakura ajudando, é capaz de entregá-lo para adoção… ou pior, ele pode decidir criá-lo e o Kyo vai acabar se tornando um mauricinho mimado que nem ele!

— Não se preocupe Kiba, nada disso vai acontecer — Shino garantiu — Troque de lugar comigo e deixa que eu dirijo.

— Você sabe onde ele mora? — Kiba indagou surpreso enquanto trocavam de lugar no carro.

— Nossas empresas são sócias então eu já o visitei algumas vezes por causa do trabalho — Shino lembrou, voltando a dirigir — Além do mais não é como se você nunca tivesse ido até a casa dele. Teve as festas de aniversário e as comemorações fim de ano, lembra?

— Ah, tem razão… eu não devia beber tanto durante essas festas.

Shino dirigiu por cerca de dez minutos até que finalmente chegaram. Ele foi na frente, já que sabia qual era o apartamento certo e tocou a campainha. Quase que imediatamente Sasuke abriu a porta. Não sabiam se ele estava cansado ou furioso.

— Vocês estão atrasados — a resposta era ambos.

— Eu sei… desculpa. Perdemos a noção do tempo — Kiba respondeu sem saber o que dizer. Nunca na vida pensou que teria que se desculpar com Sasuke.

— Naruto disse que vocês voltariam onze horas. É quase meia-noite — reclamou de novo — Eu vou matar o Naruto.

— Vá em frente — Kiba achou melhor não discordar. Em seguida olhou para o filho, que Sasuke ainda segurava com as mãos abaixo dos bracinhos afastado do próprio corpo. Mas o bebê não parecia se importar com isso. Apenas sorriu ao ver os pais — Ei, por que está segurando o Kyo como se fosse uma bola de basquete?

— O que? — Sasuke olhou para a criança e notou que agora estava com os próprios cotovelos dobrados, de forma que Kyo estava um pouco mais próximo de si, ao contrário de quando Naruto lhe entregou o menino — Naruto disse que eu o segurava como se fosse uma bomba. Deve ser um progresso.

— Como isso pode ser um progresso?

— Eu sei lá, Kiba. Nunca tinha segurado um bebê até hoje. Toma — ele empurrou Kyo para os braços de Kiba, que ficou ainda mais preocupado diante daquela informação.

— Sasuke, eu agradeço por ter cuidado dele mesmo sem a gente ter pedido, mas… você seguiu todas as instruções, não é? — Shino perguntou enquanto pegava a bolsa, temendo a resposta — Quero dizer, você o limpou direito quando precisou trocar a fralda, usou o lenço umedecido e o óleo…

— Óleo?

— Sim. Ele previne assaduras.

— Ah, então é para isso que aquela coisa servia… — Sasuke murmurou para si mesmo.

— Sasuke, você não passou o óleo? — Kiba exclamou.

— É claro que passei. Fiz exatamente como vocês estão falando — ele mentiu. Em sua defesa não tinha recebido nenhuma instrução, mas eles não pareciam se importar com isso.

— Certo… e você deu a papinha para ele comer?

— Dei o que?

— A papinha que estava na bolsa — Shino explicou.

— Aquilo era papinha? — Sasuke desvendou o mistério do que pensava ser geleia.

— O que você deu para ele comer? — Shino perguntou, tentando manter a calma.

— Leite. E frutas.

— Tudo bem — Shino suspirou aliviado. Pelo menos não era nada que fizesse mal a Kyo — Você amassou as frutas antes, não é?

— Era para amassar?

— Sasuke!

— Hã… bom… ele enforcou meu gato! — ele mudou bruscamente de assunto.

— Você tem gato? — Kiba espiou dentro da casa. Não conseguia imaginá-lo cuidando de outro ser vivo.

— Ga… to… — Kyo apontou para Denka, que estava escondido entre as pernas do dono e sibilava para ele.

— Espera aí, ele disse “gato”? — Kiba arregalou os olhos para o filho.

— Sim, disse isso várias vezes — Sasuke cruzou os braços — Seu filho quase matou o Denka.

— Essa é a primeira palavra dele! — Kiba exclamou — Não acredito que perdemos isso!

— Não é verdade. Ele também falou “da da” várias vezes antes de falar "gato".

— Todo bebê fala “da da” Sasuke — Shino informou.

— Sério?

— Não acredito que logo você escutou a primeira palavra dele! — Kiba exclamou inconformado.

— Hã… sinto muito?

— Esqueça Kiba. Não há nada que possamos fazer quanto a isso — Shino falou embora também estivesse frustrado — Você não deu mais nada além de leite e… qual fruta mesmo?

— Banana.

— Você deu uma banana inteira para ele sem amassar? — Kiba exclamou.

— Hã… ele enforcou meu gato sete vezes! — apontou acusadoramente para Kyo como se esse fosse um ótimo argumento. Depois dessa achou melhor não contar que também tinha dado uvas para Kyo porque não se lembrava se as uvas que tinha comprado eram com ou sem caroço — Escutem, eu não sei cuidar de bebês. Não sei nem segurar um bebê. Então lamento se não cuidei direito do seu filho, mas eu não sirvo para tomar conta de crianças.

— E aquela história sobre você querer ter muitos filhos, reconstruir seu clã e passar seu sobrenome adiante? — Shino lembrou.

— Eu vou desistir disso.

Shino teve vontade de rir. Sabia que ele não falava sério e só estava assustado com sua primeira experiência com um bebê. Tinha sido evidentemente difícil, pois ao que parece Naruto não havia dado nenhuma instrução para ele. Mas, para quem nunca teve contato com um bebê, até que tinha se saído bem.

— Se disser coisas assim seus futuros filhos vão ficar tristes — Shino repreendeu — Para quem nunca segurou um bebê você não se saiu nada mal. E está cuidando bem do seu gato.

— É, acho que tem razão — Sasuke murmurou — Só fiquei preocupado de verdade quando ele quebrou o vaso da Sakura. Mas ele me fez foi um favor. Agora o Naruto não vai mais poder me chantagear por causa daquele vaso horroroso…

— Você deixou o Kyo perto de cacos de vidro?!

— Então… boa noite! — Sasuke fechou a porta na cara deles. Ouviu-se um barulho de chaves, indicando que a porta tinha sido trancada.

— Talvez seja melhor levarmos o Kyo ao pediatra. Só para garantir — Kiba sugeriu. Shino foi obrigado a concordar depois da história do vaso.



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No dia seguinte o pediatra informou que Kyo estava perfeitamente bem e saudável. A única diferença desde a última consulta era que o bebê balbuciava a palavra “gato” repetidas vezes.

E por sua vez, Sasuke descobriu que Naruto realmente tinha broxado naquela noite, o que lhe rendeu bastante risadas. Mas não achou engraçado quando Sakura voltou de viagem e lhe contou que estava grávida.



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Notas Finais:


História postada também no Nyah! Fanfiction e no Spirit.


Nyah:

https://fanfiction.com.br/historia/779522/Baba_por_Acidente/


Spirit:

https://www.spiritfanfiction.com/perfil/teffy-chan88

4 de Julio de 2019 a las 20:08 0 Reporte Insertar 0
Fin

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