Todas as coisas do mundo Seguir historia

igorazevedo1997 Igor Azevedo

"É o meu destino cantar o amor em tons universais e fazer dele a minha morada em mim. É assim que tenho feito de mim o paraíso. E aqui é tão aconchegante, tão confortante, como se eu tivesse enfim chegado em casa, depois daquelas viagens longas em que só se olha para frente, seguindo sem rumo e sem destino, de sapatos apertados ou de pés num solo quente. Como se eu tivesse tanta saudade que passei a não sentir mais. Como se o acúmulo tivesse ido embora porque se desistiu. Mas se desistiu por uma causa justa: o mundo em si, ou melhor, o mundo em mim." PLÁGIO É CRIME! TODOS OS DIREITOS RESERVADOS À ©2019 Igor Azevedo.


Cuento Todo público.

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I

É de uma complexidade profunda. A necessidade de um alívio oculto, inexistente. Buscado em diversas tentativas de pôr o bom da vida em trilhos. Porque tudo finda. E eu vou findando.

Mas vou levando. E, cada vez, chego a um lugar diferente. E nunca é meu, nunca se faz ser – nunca me pertence. E eu vou pertencendo a uma coisa que não me é. Tu me és? Acredito que não. Nunca foste. Porque o que é nunca diz “eu sou”. E eu já ouvi muitos sous que não me são mais. E, quando se é, não se diz “já vou”. E tu me disseste. E vazia fiquei. Cheia de mim.

Vou levando essa coisa chamada vida. E a vida não me leva. Mas vou levando. Na intenção de que eu possa me encher de mundo um dia desses.

Sou do mundo, mas o mundo não me é. Questiono-me porquês que são apenas meus e que interessam apenas a mim. E, nessa coisa, o mundo não me pertence e eu não o pertenço. E eu vou pertencendo a algo que ainda não tem nome. Talvez se chame “desilusão”. Acho que sou uma mulher desiludida. Apenas acho. Por enquanto, não quero pôr nomes nesse sentimento.

Inominável. Sempre não tive o nome das coisas. Nunca se passou de bobagens. Todas as coisas do mundo nunca tiveram um nome. Nunca me foram concretas, e sempre quis que fossem. Querer não é poder, de fato. Mas eu corro, sempre corro atrás. A persistir em coisas inomináveis, passageiras e sem futuro (nunca quis que fosse assim). Mas ainda persisto e corro porque eu anseio em mim mesma. Sou esperançosa, (in)felizmente. Sou muito complicada. Eu me faço ser com toda a independência, mas quero pertencer ao que não tem nome. E, na raiz firme das coisas, tento me reconstruir todas as vezes no mais raso da vida. Nunca me é suficiente.

Nove horas. Nove de uma manhã. O sino toca. Nove badaladas. Faz frio. Me veio a falta de você. Por onde tu andas? Teimo a me questionar todos os dias da minha vida. Foste embora e não me esqueço. O adeus mais dolorido.

Hoje o dia nasceu silencioso e nublado. Como a cor de minha alma nesses últimos tempos... Como o mais secreto de mim. O secreto que guardo a sete chaves e que faço questão. Pois só assim se há a esperança de ser. E eu quero ser. Ser é meu desafio. Tu és? Seja. Acima de tudo, eu sou. Um pouco, mas ainda sei ser. Tenho me permitido ser, com todas as letras, pouquíssimas. Mas tenho sido. E ser me faz pertencer a esse secreto que eu tanto guardo e permaneço guardando e continuarei a guardar. Só não aguardarei pelas mudanças in ou exteriores. É que tudo permanece nos planos. O tempo não para. Tudo se vem ao mesmo tempo em que se vai.

É complexo. Tento entender. Mas vou e volto, sem saber. Apenas sigo em mente esse dilema que a vida insiste em seguir no seu mais secreto. Em outro secreto – ainda não sei se no mais secreto de mim. E o tempo vai indo, e o dilema sempre a vir com maior força. Tudo escapa e vai. Tudo permanece, mas sempre se vai. E eu vou. Pra onde? Permanecendo a sentir aquilo que sei que sinto. Porque agora tem que se saber. Viver é perigoso. Tudo deve ser sabido. E saber às vezes pesa um pouco. E vai pesando cada vez que se sabe algo novo. E vai enchendo a mente, levando um pedaço leigo de mim e de nós. Pesa mais que uma tonelada.

Mas que se deixe ir. Tudo tem que ser sabido. Só assim pode permanecer. Ao mesmo tempo em que se vai. E deixe que vá, bem longe. Deixa voar. Enquanto permanece, assim como tu descansas em paz no mais profundo do meu coração.

O silêncio sempre vai, mas sempre permanece. Ouvi um barulho ainda a pouco de alguém falando lá fora, mas o silêncio está aqui. Ele se foi, mas permanece. Assim se faz. É assim que se lembra e se diferencia certas questões. É assim que me lembro de ti – tu permaneces aqui, ainda que se foste.

E nessa linha de ir e permanecer, eu vou. Mas permaneço. Seja no mínimo – teimo a permanecer. Porque a permanência se faz, mesmo sem a gente querer. Mesmo que se vá, ainda se permanece. Até que essa coisa chamada permanência se torne mínima e quase nada mais se sente. Mas tem dias que se teima em sentir. E vai se sentindo algo em si que teima em ser sentido. E se vai. Temo em não te sentir mais. Foste minha única razão e, agora, eu te seguro em meu peito. Tenho que aprender a ser assim, tão sozinha.

Tudo vai, mas tudo permanece. É um mantra, eterno mantra. E isso molda a ordem das coisas e vou me moldando. Moldando-me para talvez conhecer novas permanências que um dia se vão e irão teimar em permanecer no mais secreto de mim. Teimosamente. Tu estás preso de uma forma em que teima em permanecer e nunca se vai de mim. Mesmo que, certas horas, mínimo e timidamente tu me rondas na memória.

Tem coisas que teimam em permanecer, pois a gente não quer e tal coisa insiste em rondar. Eu ainda te quero. E te faço aqui com as lembranças do que foste para mim. E eu vou me fazendo alguém a partir do que resta, do que permanece. Tudo vai, tudo talvez não passa, tudo pesa. E permanece preso no nós que acabo de construir e ai de nós querermos matar tudo isso... Iremos juntos. Tudo se faz assim.

Eu queria contemplar a escuridão do dia, mas contemplo o escuro deste quarto. Pois uma permanência me ronda. A tua permanência. E vou indo em. Em mim, em ti, em nós, em um silêncio absurdo, pouco a pouco me levando, consumindo. Coisas que se foram, mas que permanecem. E vou me moldando nessa causa que me causa febre. O calor permanece e permaneço permanecida. Movida a uma força que me leva – a todo momento.

Tem sido difícil viver pelo permanecido. Mas vou permanecendo nessa coisa que sou forjada a permanecer, mas que já se foi há tanto tempo. É que encontro a vida no que já se foi. E a vida nunca foi assim, tão morta. Resta esperar por novas permanências, em silêncio, enquanto vivo do que se passou. Porque certas permanências são belas. Se vão, mas permanecem no peito, a melhor parte. E eu me arrisco a querer lembrar isso que me faz ser o que devo ser... E vou sendo agora a partir do que permanece. Mas é tudo tão distante... Mesmo que belo.

Lembranças. É o que insiste em permanecer nessa grandiosidade que é a minha vida. Ver tudo o que se construiu desmoronar aos poucos te faz sentir a derrota. Mas se segue assim, sem ter nem pra quê... Porque espero. Não sei pra quando, não sei o quê. Mas espero. Vou esperando, enquanto me refaço nessa coisa louca chamada vida. E me contento com lembranças. Preciso mesmo contemplar as lembranças até poder recomeçar do zero? Sim. Eu já sei a resposta, há tempos que sei.

Pois então, deixe-me permanecer nessa coisa até isso ir e permanecer como se fosse uma superação a algo que foi duro e já se foi. Porque tudo permanece nessa vida – vaso profundo. Vou depositando tudo, até ter por obrigação esvaziar tudo o que sinto e recomeçar de novo. Com o sequente medo de rachar-me, de não me aguentar. Pois tenho me aguentado – eu aguento. Já permaneci sem querer em coisas que se fizeram permanência, mas que já se foram há tempos... Hoje, pouco me recordo. E, agora, vou me recordando do instante que para mim duraria a eternidade... Nosso amor.

Tínhamos tudo. E tudo me parece ser nada. E, por ser nada, banho-me de tudo. Esbaldo-me, pois nunca se é suficiente. Existir dói, porque o nada é tudo – tudo é nada. E nada se vai, tudo permanece. E fica esse jogo entre termos e noções... Cheios de termos. Somos cheios deles. Competimos para sabermos quem sabe mais deles... Mas o que sei, você não sabe. Tenho certeza. Pois esse é meu tudo nada, essa é a minha vai permanece. É tudo diferente, e ninguém é igual ou melhor que ninguém. Mas nos tínhamos e isso que valia.

E vou me refazendo nessa coisa louca que nomeio de vida... Toda vez. Acrescentando mais desse tudo nada ou vai permanece. E alcanço lugares que nem todo mundo pode alcançar, mas é inútil classificar. Porque classificações são diferentes e somos o oposto de muitos que são si mesmos. E fica nessa loucura de comparar quem é e quem sou... Não vale. Estamos no mesmo mundo e somos opostos. Deveríamos contemplar nossas opostas belezas... Isso nos faria lucrar bem mais. Seríamos bem mais. O que seríamos? Não posso definir. Só eu vivo isso. Mas não vivemos isso mais. E por não viver essa contemplação de oposições, não somos felizes. Não somos suficientes com as nossas diferenças e não respeitamos nossas raridades. Porque a gente quer ser igual a algo que não tem nosso nome. É sempre no nome de um alguém que não é a gente. É isso e ponto final.

1 de Julio de 2019 a las 03:03 0 Reporte Insertar 3
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