O Camponês Seguir historia

chrissykellerink

Uma viajante poderia se apaixonar por um camponês? Entre num dos meus variados sonhos lendo este conto.


Cuento Todo público.

#amor #michael-jackson #conto #258
Cuento corto
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Capítulo único

Eu era uma garota perdida. Bem, talvez "perdida" não fosse a palavra certa, mas eu estava tentando descobrir o mundo, mesmo sem ter nenhuma noção para onde ir.


Há muito tempo vinha tentando reunir coragem para viajar sem rumo pelo mundo, mas o medo sempre falava mais alto. Medo de me perder, de ser assaltada, sequestrada, violentada, ou talvez até morta. Não, não é fácil viajar sozinha sendo mulher.


Enfim, reuni toda a coragem que tinha, juntando com meu espírito aventureiro trancado à sete chaves, e parti em busca de novos horizontes, em busca da liberdade. Contudo, mesmo já bem longe de casa e tendo viajado cinco países, lá estava eu na China, um dos maiores países do mundo, sem nem mesmo saber para onde ir.


É só seguir reto, dizia minha mente. Mas seguir reto para onde?


Tudo era tão diferente, o que fazia eu me sentir ainda mais perdida, sem saber o que fazer. Tudo o que eu sabia era que eu estava num simpático vilarejo chamado Yongmo. Não era muito grande, mas a paisagem era bem apreciativa. Os aldeões também eram simpáticos e gentis, diferente da frieza que muitas pessoas costumam dizer que os chineses têm.


Eu não sabia para onde ir, onde dormir, nem mesmo tinha como me comunicar com eles, pois desconhecia o idioma. Mas ao invés de me preocupar ainda mais, o que não ajudaria em nada, ajeitei minha mochila pesada nas costas e decidi andar um pouco e ver a paisagem mais de perto. Ainda estava cedo, o sol não estava tão forte, então decidi não dar margem à preocupação - por ora.


Continuei a caminhar pelo que parecia um campo ou uma relva com vários tipos de plantações, o que me fez entender que eu estava numa zona rural. Mais ao longe havia montanhas verdes que ultrapassavam a altura de algumas nuvens que cobriam os raios do sol no céu lindamente azul.


Decidi cessar os passos e me sentei na relva macia, admirando aquele belo lugar. Sem dúvida eu havia feito o certo em deixar o medo de lado e viajar pelo mundo - ainda que eu estivesse um pouco preocupada.


Respirei fundo e decidi desfrutar da bela paisagem, enquanto o vento gostoso soprava meu rosto e alguns fios do meu cabelo preso.


Contudo, por um momento, percebi que eu não estava sozinha. Um sujeito parou perto de mim e me olhou com certa curiosidade - um belo sujeito, por sinal.


Ele era estrangeiro igual a mim, mas usava vestes e chapéu como alguns camponeses do vilarejo.


- Olá. Me desculpe incomodar - disse ele com uma voz suave. - Posso me sentar?


Eu nada podia fazer a não ser assentir. Afinal, eu não era proprietária daquele lugar.


Cheguei um pouco mais para o lado para dar espaço a ele, aproveitando para tirar a mochila pesada que já estava fazendo minha coluna doer.


- Eu vi você chegar e notei que parecia um pouco perdida - disse o camponês num inglês americano perfeito com um sotaque que com certeza não era novaiorquino.


Olhei atentamente para o camponês.


Apesar do chapéu grande cobrir um pouco do seu rosto, percebia-se que sua beleza era tamanha. Seus olhos eram bem expressivos e profundos, seu nariz era afilado, mas o que mais me chamou atenção foi sua boca grande, porém bela. Aprendi que bocas grandes possuíam os mais belos sorrisos, e aquele homem parecia ser uma prova disso.


Contudo, eu teria de ser cautelosa, pois estava sozinha com um homem desconhecido que de uma hora para outra tinha mostrado interesse em ficar perto de mim. Mesmo que fosse um alívio encontrar alguém que pelo menos falasse inglês naquela região, ele ainda era um homem e eu uma mulher.


- Mais ou menos - eu disse. - Estou viajando pelo mundo, mas não sei para onde partir daqui.


Ele olhou para mim. Seu olhar era tão profundo.


- Você viaja há muito tempo?


- Há um ano - respondi.


- Se você está viajando por um período considerável de tempo, então por que simplesmente não segue em frente?


Respirei fundo.


- Eu até poderia - disse. - Mas não consigo entender nada do que eles dizem.


Ele sorriu. Admito que ruborizei no mesmo instante.


- Isso é normal - ele disse. - Por mais que você tenha viajado para alguns países com idiomas e costumes diferentes, sempre irá surgir um obstáculo maior. É só não se desesperar.


- Você não tem cara de viajante - eu disse.


O camponês riu achando graça do que eu havia dito.


- E por acaso viajante tem cara? - ele indagou sorrindo para mim.


Eu jamais havia visto um sorriso tão lindo em toda a minha vida. Por outro lado, ele me lembrava alguém. Só não me lembrava quem.


Ruborizei mais uma vez diante daqueles olhos profundamente castanhos e desviei meu olhar.


- Não, não tem - admiti. - Mas, de qualquer forma, você não parece ser daqui.


Senti seu olhar sobre mim.


- E não sou - respondeu ele. - Mesmo não tendo cara de viajante, viajo o mundo inteiro também.


Olhei surpresa para ele.


- Você também gosta de explorar o mundo?


Ele pareceu pensar antes de responder:


- Digamos que sim.


Eu sorri.


- É bom fazer isso, não é? Dá uma sensação de liberdade - eu disse animada.


Contudo, por um breve momento, percebi que o camponês parecia um pouco melancólico. Ele abaixou a cabeça e deu um sorriso triste.


- Sim - ele concordou. - Liberdade…


Não era meu intuito invadir sua privacidade, mas sua possível tristeza não havia passado despercebida por mim.


- Você não parece muito contente. Saudade de sua família? - perguntei a ele.


Ele novamente olhou para mim e deu um leve sorriso. Aqueles olhos não me pareciam serem estranhos.


- Não - ele respondeu. - Está tudo bem, garota.


Garota…


Era apenas uma simples palavra, mas tinha soado tão incrível pela boca dele, o modo como a língua se dobrava, mais parecia um canto.


Eu assenti compreendendo que não devia me intrometer. Porém, mais do que isso, eu sabia que não conseguiria dizer uma só palavra enquanto fosse encarada de volta por aquele homem tão lindo.


- Este lugar é lindo, não é? - ele perguntou.


Agradeci mentalmente por aquele clima estranho entre nós ter sido encerrado e podermos conversar normalmente.


- Sim, é - concordei. - Por isso vim para cá.


O camponês suspirou de contentamento e fechou os olhos ao sentir o vento em seus cabelos cacheados. Ele era tão lindo e, ao mesmo tempo, tão familiar.


- Se eu pudesse trocar tudo o que tenho por sensações de paz como esta…


Olhei para o belo lugar e depois para ele.


Certamente ele parecia ser uma pessoa ocupada e com uma vida financeira estável, mas sem nenhum momento de liberdade. Naquele momento percebi que fazia sentido.


- E você terá - eu disse e ele olhou para mim. - Podemos até mesmo marcar um reencontro aqui no ano que vem. O que você acha?


Ele fechou os olhos e sorriu. Um sorriso ingênuo e contagioso. Quando pude perceber, estava sorrindo junto com ele.


Foi estranho ter aquela sensação, mas me senti tão bem ao lado dele em tão pouco tempo de conversa. Ele não parecia ser um estranho para mim, algo me dizia que eu o conhecia, mesmo de longe - ou que ele se parecia com alguém cujo o nome não me vinha na cabeça de forma alguma.


De qualquer forma, nós dois sabíamos que aquele reencontro seria muito difícil de acontecer.


- Você é uma garota legal - ele disse olhando intensamente para mim e pôs uma mecha do meu cabelo para trás da minha orelha. - Gosto de pessoas como você.


E pela terceira vez ruborizei novamente, mas dessa vez, não pude ocultar dele.


Sentir seus dedos longos tocando levemente meus cachos e minha face me deixou com o coração acelerado e quase sem respiração.


O conhecia há tão pouco tempo e já estava tendo uma pequena paixonite.


Mesmo tão envergonhada, continuei sustentando aqueles olhos tão parecidos com os meus e agarrei seus dedos de E.T, beijando o dedo indicador e o dedo médio. Minha mão parecia ser tão minúscula perto da mão dele.


O camponês continuou a olhar intensamente para mim e senti seu rosto chegando cada vez mais perto do meu. Não falamos nada, apenas continuamos a sustentar os olhares um do outro. Era inegável o clima que estava ocorrendo entre nós dois, e o camponês olhou para meus lábios carnudos, mordendo o lábio inferior.


Mais esse gesto me fez tremer da cabeça aos pés e perceber que aquele homem não me era nem um pouco estranho. Mesmo assim, não conseguia me lembrar. Nada mais me passava pela cabeça a não ser sua boca colada na minha.


Entretanto, como coisas boas acabam num estalar de dedos, um assobio nos chamou a atenção, algo que parecia soar familiar para ele.


O camponês olhou ao longe e nós dois notamos um homem acenar para ele, como se indicasse que aquele seria o nosso último momento juntos.


Eu nada perguntei, mas já sabia que o camponês o conhecia, e talvez eles até mesmo trabalhassem juntos.


O camponês suspirou em frustração e olhou novamente para mim, mas sem nenhum brilho ou contentamento nos olhos castanhos como outrora.


- Até ano que vem. Ok, garota?


Eu assenti, mesmo com um nó na garganta.


- Até - eu disse, mesmo nós dois sabendo que aquilo era mentira.


Ele foi se afastando e tudo o que pude fazer foi senti-lo acariciar meu rosto enquanto sua mão se soltava da minha.


Apenas fiquei lá, parada, o vento soprando os fios soltos do meu cabelo e vendo ele ir embora junto do homem mais baixo porém muito mais forte. Seu andar era viril mas tão ingenuamente puro, como se flutuasse. Sua silhueta foi sumindo aos poucos, sem olhar para trás.


Apesar de saber que isso poderia acontecer a qualquer momento, uma parte minha chorava pelo pouco tempo que pudemos ficar juntos, pelo beijo que não trocamos e por saber que nunca mais nos veríamos.


Uma lágrima caiu em minha face.


E eu nem mesmo soube o nome dele…


21 de Junio de 2019 a las 09:23 0 Reporte Insertar 3
Fin

Conoce al autor

Chrissy Keller Sou muito lerda.

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