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aikimsoo Ai KimSoo

Kim Jongin começa a ter alguns sonhos, mas nunca lembra de nada. Ele parece conhecer alguém, mas ao mesmo tempo não. Faltando um mês para o Halloween, Jongin começa a descobrir que ele não tem uma vida tão perfeita como imaginava. Afinal, o que tinha os seus sonhos?


Fanfiction Bandas/Cantantes Sólo para mayores de 18.

#yaoi #gay #kyungsoo #jongin #kai #kaisoo #aikimsoo
Cuento corto
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Corrida contra o tempo.

30/09/2016 – Sexta-feira.

“O moreno alto, esbelto e sexy passeava com seu cachorro – Monggu – e carregava um lindo sorriso no rosto. Ele olhava o céu, que estava laranja pelo pôr-do-sol, e imaginava um mundo sem confusões. Gostava da vida calma que levava, da sua recém-independência adquirida e desejava que as pessoas pudessem experimentar metade do que sentia. Ao estar perdido em pensamentos, seu cachorro conseguiu se soltar da coleira e correu em direção a um rapaz.

-Monggu! – o rapaz arquejou surpreso, feliz e aliviado. Levantou-se para pegar o cachorro no colo e logo viu o dono correndo em sua direção. – Olá, Jongin! – cumprimentou o moreno e viu o mesmo lhe sorrir.

-Olá, Kyungsoo! Obrigado por pegar o Monggu. – Jongin agradeceu e Kyungsoo arregalou os olhos de surpresa.

-Como você sabe meu nome? – indagou e o moreno deu de ombros.

-Eu apenas sei seu nome, oras.

-Então você lembra de mim? – perguntou animado.

-Eu deveria lembrar? – o moreno questionou e o sorriso no rosto de Kyungsoo sumiu.

-Tudo bem... Pelo menos você lembra meu nome e isso já é alguma coisa. – o baixinho murmurou e o moreno fitou aquele ser.

Reparou que o rapaz era um pouco mais baixo que si, que tinha uma pele parecida com leite, feições infantis e cabelos penteados para baixo, com uma franja caindo um pouco próxima do olho. O moreno não pôde deixar de sorrir, afinal, o rapaz era belo.

-O que é alguma coisa? – acabou por perguntar. Era curioso, mesmo que saber o nome do rapaz em sua frente parecesse tão certo quanto respirar.

-É...”

Acordei com a porcaria do despertador tocando e com Monggu puxando meu cobertor para baixo. Suspirei pesadamente e pensei em voltar a dormir. Eu sabia que estava tendo algum sonho, mas não lembrava o que era. Toda vez que eu era acordado por um despertador ou por Monggu, eu sempre me esquecia o que sonhei. De certa forma isso era bom, porque se eu tivesse pesadelo, eu não iria lembrar e teria um dia maravilhoso pela frente.

-Já acordei, garotão. – murmurei e sentei na cama. Ainda estava sonolento, mas precisava levantar e mostrar para meu pai que minha independência não impediria que eu fosse trabalhar dentro do horário.

Enquanto eu rumava para o banheiro, fiquei pensando que já era sexta-feira e seria um maravilhoso dia para sair com meus amigos da empresa. Apesar de ser o vice-chefe, eu gostava de manter uma boa relação com meus funcionários e meus pais não viam problema nisso. Era boa demais a vida que eu levava.

Terminei meu banho, coloquei um terno preto e feito sob-medida, fui pegar minha carteira, a chave do carro e colocar a comida para Monggu. Deixei um carinho na cabeça do meu cachorro e fui para a saída do meu novo apartamento. No auge dos meus 22 anos, eu tinha conseguido um apartamento que seria pago por mim e mais ninguém além de mim.

Após digitar a senha do apartamento, peguei o elevador e fui para o estacionamento. Entrei em meu carro, liguei o motor e o rádio. Uma música lenta começou a tocar e eu parecia já conhecê- la. Meu sonho parecia estar ligado com aquela música, mas eu jamais iria descobrir se eu não voltasse a sonhar com a mesma coisa e não fosse interrompido.

Cheguei à empresa, cumprimentei a todos e fui para minha sala. Eu era responsável por avaliar os clientes, decidir se a empresa valia a pena ter uma publicidade feita pela agência de publicidade do meu pai – futuramente minha – e depois de aprovar, eu mandava o contrato para meu pai, que repassava para uma determinada sub-agência da nossa empresa. Quando os projetos fossem concluídos, eu os avaliaria e fim. Na maioria das vezes não tinha tanto problema, eu costumava avaliar 5 contratos e 5 projetos por dia, então meus dias de trabalhador eram calmos.

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01/10/2016 – Sábado

-Lembre-se de nunca mais beber. – ouvi a voz de Sehun e fiz careta.

-Eu tenho controle na bebida, mas alguma coisa não me fez muito bem. – resmunguei e tentei sentar. Percebi que não estava em minha casa e muito menos em minha cama.

-Eu te trouxe pro meu apartamento, você não me disse a senha do seu. – Sehun explicou ao me ver minha expressão confusa.

-Ah... – murmurei e coloquei a mão na cabeça. Ela estava dolorida.

-Jongin, quem é Kyungsoo? – ele perguntou e eu o fitei. – Você estava dormindo e falando algo sobre parque, Monggu e Kyungsoo. É algum amigo seu que eu não conheço? – ele insistiu e eu fechei os olhos tentando lembrar.

“-Você voltou, parece que está dando certo. – uma voz melodiosa comemorou e uma feição tentava se formar.”

-Não sei quem é. Até parece que você não sabe tudo da minha vida, Sehun. – resmunguei e tentei levantar. – Me dê algum remédio pra dor de cabeça, meus miolos estão explodindo!

-Claro, você ficou derrubado com a bebida. – ele tornou a repetir e foi até a cozinha. Não demorou e logo voltou. – Você realmente não conhece nenhum Kyungsoo?

-Sehun, nós nos conhecemos há 12 anos, você acha que se eu conhecesse alguém com esse nome, já não teria lhe contado? Ou ao menos mencionado? – retruquei e o vi concordar. – Agora me dá esse comprimido, porque a dor está forte. – pedi e ele me deu.

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02/01/2016 – Domingo

“-Você parecia ter bebido ontem, está bem? – o baixinho perguntou e o moreno suspirou. Estavam sentados no gramado do parque e fitando o pôr-do-sol.

-Estou sim. – o maior respondeu e sorriu. – O que você faz, sem mim, aqui? É estranho te encontrar sempre.

-Está me expulsando? – Kyungsoo indagou e Jongin sentou, apressado, para desfazer o mal-entendido.

-Claro que não! Eu estou apenas perguntando, porque eu sinto que... Algo é estranho. – o moreno se explicou e viu Kyungsoo sorrir. O baixinho continuava deitado.

-Você não lembra de mim quando acorda né? – Kyungsoo perguntou e viu a confusão nos olhos do moreno. – Nós estamos em um sonho.

-Isso tudo aqui é um sonho? – Jongin parecia desnorteado com a revelação.

-Sim. Seu sonho, onde eu apareço sempre. Eu tenho esperança que você lembre de mim, mas não só aqui e sim no mundo real. – explicou e viu o moreno continuar confuso. – Eu sei que você não lembra de mim nem mesmo aqui, nesta realidade paralela e espiritual, mas pelo menos você sabe meu nome e ainda conversa comigo.

-Kyungsoo, você poderia me explicar melhor? Eu estou confuso. Você fala que eu não lembro de você e realmente não lembro, mas ao mesmo tempo eu sei quem você é, quantos anos tem e do que gosta. Eu sei que somos grandes amigos, mas eu não sei como nós somos. – Jongin confessou e viu a expressão de Kyungsoo ficar triste.

-Infelizmente tudo foi muito forte. O kut deve ter...

-O que é kut? – o moreno interrompeu. Era curioso, não podia negar.

-Kut é... – e então Kyungsoo começou a ficar mole. Mesmo estando deitado, Jongin conseguia perceber que o corpo de seu hyung parecia um pouco... sem força?

-Hyung, o que... – o moreno não conseguiu terminar de perguntar, porque o rapaz simplesmente sumiu de sua vista.

Jongin olhou para um lado, olhou para o outro e começou a se desesperar. O que tinha acontecido com Kyungsoo? Por que antes de sumir, ele fechou os olhos e pareceu estar com uma aparência de morto? Se aquilo era um sonho, Jongin deveria ser capaz de fazer Kyungsoo voltar não é mesmo?

E com esse pressuposto, o moreno fechou os olhos e tentou imaginar Kyungsoo novamente. Assim que voltou a enxergar, se viu em sua antiga casa e correndo atrás de alguém. Risadas infantis eram ouvidas e ao mesmo tempo que ele parecia ser uma das crianças, ele conseguia ver tudo como um telespectador. Aquilo era tão confuso.

-NINI! – ouviu um chamado infantil e correu. Corria como o tal de Nini e corria como o observador que era.

Ao chegar ao quintal de sua antiga casa, tudo ficou escuro e ele se encontrou sozinho. Não tinha mais criança, não tinha mais ninguém para observar. E no meio da escuridão, barulhos de tambores foram ouvidos. Jongin olhou para um lado, olhou para o outro e não encontrou nada. Estava sozinho, no escuro e com uma melodia de tambor tocando. A melodia era familiar e logo uma mulher apareceu dançando.

-Acorde. – ela sussurrou.”

Acordei assustado e respirando rapidamente. Kyungsoo... O mesmo nome que Sehun tinha me falado, tinha surgido em meu sonho. Fiquei tentando relembrar tudo o que tinha acontecido, mas tudo começou a aparecer com um enorme flashback. Uma voz conhecida, risadas de crianças e um barulho de tambor.

Meus pensamentos foram interrompidos com Monggu latindo e entrando no quarto. Ele começou a lamber minha mão e eu entendi que era fome. Peguei meu bebê no colo e o levei para o seu cantinho, depois fui até a dispensa e peguei sua ração, para poder alimentá-lo. Depois de colocar a comida, sorri ao vê-lo comer feliz e tentei lembrar do sonho novamente.

...

...

...

Eu não conseguia lembrar! Forcei, tentei fechar os olhos e nada. Eu não conseguia lembrar absolutamente nada. Eu sabia que tinha um nome e um rapaz, mas... Como ele se chamava? Qual sua aparência? Eu não conseguia lembrar de nada.

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03/10/2016 – Segunda-feira

Eu sabia que tinha sonhado novamente, mas eu não sabia com o que. Quando eu não tinha a porcaria do sono interrompido pelo despertador, eu esquecia o que sonhava em questão de segundos. Eu estava irritado, bastante irritado.

-Pode entrar! – gritei ao ouvir baterem na porta.

-Bom dia... Eita! Que cara é essa? – Sehun questionou e eu bufei.

-Eu estou irritado. – respondi e ele me encarou como se fosse óbvio. – Posso fazer nada, você fez uma pergunta besta.

-Eita! Calma ai, nós somos amigos, esqueceu? – ele rebateu e eu revirei os olhos. – O que aconteceu pra te deixar irritado e com essa cara?

-Eu não consigo lembrar do que eu sonho, Sehun! – desabafei e o vi me encarar como se fosse algo sem nexo. – Não me olha assim! Você quem quis saber.

-Você está me dando patadas apenas porque não consegue lembrar dos seus sonhos? – ele parecia incrédulo e eu bufei.

-Se você não quer receber patadas por esse motivo, então vai embora. – mandei e o vi se sentar.

-Calma, me explica melhor o que está acontecendo. – ele pediu e parecia estar interessado, pela primeira vez, no que eu tinha para dizer.

-Eu ando tendo uns sonhos, mas eu nunca consigo lembrar e sei que eles são importantes. Domingo eu acordei e lembrava de algumas coisas, mas depois... Eu dei comida ao Monggu e não lembrei de mais nada! Eu sei que é importante que eu lembre, mas eu não consigo lembrar! – contei e o vi concordar com o que eu dizia.

-Eu sei como é isso. Uma vez eu li na internet que a gente deve anotar o que lembra do sonho assim que acorda. Talvez isso te ajude. – ele aconselhou e eu achei que era uma boa ideia.

-Começarei a fazer isso, mas infelizmente, eu sei que só conseguirei fazer isso nos finais de semana. Desde criança, quando eu tenho o sonho interrompido pelo despertador, eu esqueço tudo o que eu sonhei. – lamentei e meu amigo sorriu.

-Comece a tentar e a gente vai juntando as peças. – ele me incentivou e então começou a falar de trabalho.

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10/10/2016 – Segunda-feira

“-Conseguiu algum progresso? – Kyungsoo perguntou e parecia mais pálido. Aquilo preocupou a Jongin.

-Por que toda vez que eu venho te ver, você parece estar ficando mais branco que o normal? – o moreno indagou e Kyungsoo suspirou.

-Meu tempo está acabando, sabe?

-Você tem tempo?

-Sim. Eu estou ficando esgotado, sem forças e dia 31 tudo vai ser concretizado. – o mais velho explicou, mas o mais novo continuava sem entender.

-O que tem dia 31? Por que você fica esgotado? – questionou e Kyungsoo pegou sua mão, fazendo carinho.

-Jongin, por que você não consegue lembrar das coisas na realidade, mas quando vem pro sonho, você lembra de cada coisa que passamos nos sonhos anteriores? – Kyungsoo parecia desesperado aos olhos de Jongin e isso o desesperava também.

-Eu não sei, Soo! Eu não sei! Eu estou escrevendo tudo o que eu lembro, mas fica complicado, porque eu sempre fui de esquecer o que sonho quando sou interrompido. Você não pode me contar nem um pouquinho do que eu não sei? – o moreno pediu aflito e o baixinho sorriu, mas era um sorriso cansado.

-Você não acha melhor eu contar no sábado e domingo? Assim você pode escrever no seu bloquinho. - O alvo sugeriu e o moreno suspirou. Era melhor que nada.”

O despertador tocou, Monggu puxou meu cobertor e eu suspirei. Esgotado.

-Cadê meu bloquinho? – murmurei e puxei o bloquinho do criado mudo.

Escrevi a palavra que eu lembrava e comecei a ler tudo o que eu já tinha escrito: K. Praça. Criança. Kut. Tambor. S. Minha antiga casa.

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-Kut? Isso não tem a ver com coisas xamãs? – Sehun questionou e eu o olhei. Aquela palavra era conhecida demais. Eu conhecia.

-Eu já ouvi essa palavra, Sehun! – exclamei e vi meu amigo me fitar com cara de nada.

-Claro né? É a religião “oficial” da Coréia do Sul. – ele debochou e eu neguei. – Está dizendo que não é?

-Não é isso! Eu conheço essa palavra mais intimamente. – expliquei. – Sehun, meu pai está na sala dele?

-Eu acho que sim. – ele respondeu sem entender.

-Eu vou lá perguntar. – falei e levantei, correndo para sair da sala e entrar no escritório do meu pai. A porta era ao lado da minha, então eu dei três batidas e ouvi meu pai mandando que eu entrasse. – Appa, o que você pensa quando fala em xamã?

-Hã? – ele indagou e ergueu o olhar dos papeis que estava lendo. – Xamã é a religião...

-Não! Eu sei que é a religião “oficial” do nosso país, mas eu estou me referindo a nós já termos conhecido alguém que é xamã! – expliquei. – Eu sei que as pessoas que são xamãs costumam ser mulheres e...

-Jongin, por que você está falando sobre isso? – meu pai interrompeu e seu semblante era sério. – Nós somos cristãos e você estar querendo se meter com esses assuntos é inaceitável!

-Eu não estou querendo me meter com nada, eu só... Acho que já encontrei uma xamã. – insisti.

-Se você continuar falando sobre esse assunto, ainda mais se tocá-lo e sua mãe ouvir, você arrumará problemas, Jongin. Volte pro seu escritório e vá trabalhar. – meu pai ordenou e eu fiquei em choque.

Meu pai nunca tinha me ordenado a nada, ele sempre me pedia, igual minha mãe. Por que ele estava me tratando com frieza? Será que ele escondia alguma coisa? Por que ele não me respondia o que eu perguntava? Eu sei que somos cristãos, mas ainda há algumas práticas xamãs na nossa tradição, por que ele se recusava tanto a me responder? Não pude fazer nada, a não ser sair de seu escritório e rumar para o meu.

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13/10/2016 – Quinta-Feira.

“Kut é um ritual em que a pessoa é colocada em transe por tambores, dança e coisas da natureza. Não há drogas envolvidas, é apenas um ritual para equilibrar o espírito e todas as outras coisas envolvidas, podendo haver até mesmo algum espírito que precise ser afastado ou que busca alguma forma de entrar em contato com alguém.”

-Foi isso que o Hannie me respondeu. – Sehun me mostrou a mensagem e então uma dor de cabeça se abateu sobre mim. – Jongin?

Tambores, dança, ritual... Aquilo tudo soava tão familiar para mim, mas ao mesmo tempo tão abstrato! Eu tentava lembrar, eu forçava minha mente, mas não conseguia resultado nenhum. Era como se uma parte da minha vida tivesse sido apagada. Eu conseguia lembrar da minha vida antes de conhecer Sehun, porém, uma parte dela ainda era confusa. Algo faltava e esse algo estava nos meus sonhos.

-Sehun... O Luhan poderia pedir pra empregada dele se encontrar comigo? – pedi e meu amigo começou a digitar.

-Ele falou que a empregada dele só pode te encontrar sábado que vem, serve? – ele perguntou e eu fui olhar o calendário.

-Ela não pode antes? – insisti.

-Por que está tão apressado? Eu não estou...

-Sehun, sábado que vem é dia 22 e o dia 31 está se aproximando! Eu sinto que não posso deixar o dia 31 chegar ou algo de muito grave pode acontecer. AI MAIS QUE INFERNO! POR QUE DIABOS EU NÃO LEMBRO A PORRA DO SONHO?! – praguejei e Sehun se assustou.

-Nossa! Você está falando palavrão. O que está acontecendo? Eu...

-Sehun, sua mãe! Seus pais, na verdade! – lembrei e meu amigo me encarou como se eu fosse louco, talvez eu estivesse ficando. – Sehun, como nos conhecemos?

-Seus pais estavam pedindo pra contratar uma nova empregada. – ele comentou. A empresa da família do Sehun era responsável por indicar pessoas tercerizadas ao trabalho. – A empregada anterior tinha tido problemas do filho dela com você e por isso precisavam de uma nova.

-Filho dela? – questionei e o vi concordar. – Como você lembra disso?

-Eu estava junto. Na verdade, você estava junto com sua mãe quando ela foi pedir uma nova empregada. – ele ressaltou e eu tentei lembrar, mas eu só lembrava de conhecer o Sehun e a gente ir brincar.-Filho... Empregada... – e então minha dor de cabeça começou novamente. Barulhos de tambores começaram a surgir, tudo estava distante e então o barulho ficou mais forte e mais forte.

-Jongin?! – ouvi Sehun me chamar, mas o barulho do tambor era mais alto.

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“-Você está bem? – Kyungsoo perguntou e se aproximou de Jongin. O alvo tinha percebido que o moreno estava desnorteado e aquilo o preocupou, ainda mais pela hora em que ambos estavam se encontrando.

-Kyungsoo... Você pode me contar tudo? De verdade, preciso que me conte tudo! – Jongin implorou e olhou o mais baixo. – Você está ficando mais pálido, eu estou preocupado.

-Calma, vai ficar tudo bem. – Kyungsoo tentava confortar o moreno, porque percebia que ele estava perturbado. – Você lembrou de algo?

-Eu descobri o que é o kut. – o moreno respondeu e Kyungsoo arregalou os olhos. – Eu estive em algum ritual? Em algum transe?

-Sim. – Kyungsoo respondeu tristemente e o moreno sentiu o coração apertar.

-O que aconteceu? Como você me conhece? Quem é você? Quem sou eu? – Jongin questionou desesperado e Kyungsoo o puxou para um abraço.

-Calma, se você ficar reagindo assim, vai ser pior. – sussurrou e deixou um beijo na cabeça do moreno, porque o mesmo estava sentado no chão e Kyungsoo estava ajoelhado em sua frente. – O kut é...-Eu sei o que é o kut.

-Então. Você sabia que a maioria das xamãs são mulheres e que elas vivem como uma classe mais baixa na sociedade? – indagou e o moreno deu de ombros. Jongin não sabia tanto da religião xamã, porque seus pais o impediam de ter contato com qualquer outra religião que não fosse o cristianismo.

-Desculpe, eu sou muito ignorante em tudo o que... Kyungsoo, o que está acontecendo? Por que você está tremendo? – o moreno perguntou preocupado e afastou o mais velho de si, fitando a expressão serena na face daquele rapaz. – O que...

-Jongin, por que você não volta a dormir? Ou melhor, acho que já está na hora de acordar não? Eu também preciso acordar. – Kyungsoo tentava sorrir e acalmar o mais novo, porém, estava sendo complicado permanecer naquele plano espiritual.

-Acordar? Você também...

-Nos vemos depois. – foi tudo o que Kyungsoo conseguiu dizer antes de sumir e deixar Jongin na escuridão.

-Kyungsoo?! SOO?! – Jongin chamava e então começou a ouvir barulhos de tambores novamente.

-Você precisa ajudar a tia, ou vai ser pior pro seu amiguinho. – ouviu uma voz feminina sussurrar. – Você deseja que Kyungsoo seja maltratado por pessoas más?

-Não. – ouviu sua própria voz, mas ela era infantil. Jongin estava no escuro, ouvindo o barulho dos tambores e aquelas duas vozes.

-Então deixe que a tia faça você adormecer e apagar Kyungsoo de você. – a mulher sussurrou e o barulho de galhos balançando com o vento foi ouvido. – Não fique desesperado.

-Hyung... Onde está o hyung? – Jongin o ouviu choramingar e seu peito doeu.

-Apenas esqueça seu hyung, Jongin. Você o ama, não é mesmo? Acredite nos poderes mágicos da vida, no destino e na natureza. Kyungsoo vai crescer e se tornar forte. Ele vai te encontrar e eu espero que vocês possam ser felizes. – e na última palavra, os tambores ficaram mais altos, o vento chacoalhava mais os galhos e Jongin viu mulheres dançando. – Hora de esquecer.”

-SOO! – acordei gritando e me sentando.

-Soo? – a voz da minha mãe preencheu minha audição e eu a procurei. Eu não estava em meu quarto. Aquilo era um hospital? – Está delirando, Jongin?

-Mamãe, onde eu estou? – questionei.

-Em um hospital. – ela respondeu enquanto se aproximava. – Por que você gritou Soo?

-Omma, você já conheceu alguma xamã? – perguntei e fiquei a fitando. Ela enrijeceu. – Você conhece algum Kyungsoo?

-Está querendo fugir da nossa religião, Jongin? – ela indagou e sua voz era fria. – É isso mesmo que estou ouvindo?

-Omma, eu lembrei que nós tínhamos uma emprega e ela tinha um filho. Sehun me contou que houve um desentendimento entre o garoto e eu...

-Jongin, você está com febre, querido? É melhor dormir. Vou chamar um médico. – ela falou apressada e saiu do quarto, me deixando sozinho.

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16/10/2016 – Domingo

“-Jongin... – Kyungsoo chamou o moreno e o encontrou um pouco avoado. – O que aconteceu com você? Eu não consigo mais te ver.

-Soo... – Jongin sussurrou e olhou para o mais velho. – Você pode me contar a verdade?

-Você vai conseguir me entender? Você parece dopado. – Kyungsoo observou e se aproximou. Jongin estava sentado no chão do parque.

-Eu estou internado. Minha mãe acha que eu enlouqueci ou fui possuído por algum espírito. – contou. – Por favor, me diga o que está acontecendo. Eles estão me dopando e eu estou ficando incapaz de sonhar. Por que eu só te encontro em sonhos? Quem é você?

-Eu sou uma pessoa que sua mãe julgou ser má. Nos conhecemos desde criança. Minha mãe trabalhava em sua casa, porque meu pai sumiu pelo mundo e ela precisava cuidar de mim. Eu te conheci quando você tinha 1 ano e eu 2. – pausou a fala e segurou a mão do moreno. – Nós sempre fomos muito amigos e muito próximos. Eu sentia algo por você, que eu não sabia explicar. Você só se acalmava, quando eu estava perto e assim acontecia comigo. Até que nós crescemos e eu comecei a ter alguns... Delírios.

-Delírios? – Jongin questionou e fitou os olhos grandes. Kyungsoo parecia exausto e isso preocupava a Jongin.

-Sim. Eu comecei a perder o apetite e sua mãe resolveu me levar ao médico, porque você estava ficando muito preocupado comigo. Eu tinha 10 anos e você 9. – Kyungsoo frisou a idade e Jongin começou a achar a história conhecida. – Os médicos não descobriram o que eu tinha e aparentemente eu não tinha cura. Na verdade, eu estava com Shinbyong ou doença de espírito. A pessoa começa a ter perda de apetite e começa a ter alucinações. A única cura é um ritual chamado Narim Kut. Minha mãe que descobriu que eu estava com a doença de espírito, mas ela não queria fazer o ritual em mim, para me destinar a vida xamã, porque ela tinha medo de errar e me matar. Ela não conhecia mais nenhuma xamã, porque teve que cortar laços ou sua mãe nos desabrigaria. Seus pais sempre foram muito religiosos e não gostavam das pessoas xamãs, porque alegavam que éramos envolvidos com as coisas do diabo.

-Meus pais sempre foram intolerantes... – Jongin concordou.

-Sim. Só que uma enfermeira fez o ritual em mim e me destinou a vida xamã. Você chegou pra me visitar junto com minha mãe. Minha mãe ficou horrorizada, porque a enfermeira fez o ritual sem o consentimento dela e falou que eu seria uma peça importante no futuro. Homens xamãs não são comuns e isso me tornou uma peça única. – Kyungsoo teve que fazer uma pausa e respirar fundo. Estava começando a ficar cansado. – Seus pais ficaram surpresos quando me viram curado do nada e você era todos sorrisos. Passamos um ano, depois que fiquei doente, fingindo que eu não era xamã e que minha mãe não era. Só que... No seu aniversário, eu não tinha presente pra te dar. Nós não tínhamos dinheiro e eu tinha descoberto uma forma de passar todo o amor que eu sentia por você, sem ser com algo físico. Eu te beijei...”

-Jongin? Jongin?! – Sehun me acordou e eu o encarei confuso. – Jongin, seus pais estão me preocupando. Eles estão dizendo que você está possuído por algo ruim e precisam ficar te dopando pro capeta sair do seu corpo. O que aconteceu?

-Sehun... Me tira daqui. – sussurrei. – Por favor.

-Mas como eu posso fazer isso? – ele questionou e eu o fitei. – Ok, eu vou arrumar um jeito.

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19/10/2016 – Quarta-feira

-Caralho, eu não sabia que ele era tão pesado! – ouvi Sehun praguejar. Eu estava em movimento, mas eu não me movia em nada.

-Ele é pesado e você um maluco! – ouvi a voz de Luhan. – Quando os pais dele descobrirem que Jongin sumiu, a gente vai se meter em sérios problemas.

-Eles o estão mantendo em cativeiro, Hannie! Podemos denunciar pra polícia! – Sehun rebateu.-Então denunciasse antes de nós cometermos um sequestro. – Luhan insistiu e então eu fui colocado em algum lugar concreto. – Por que os pais dele agem assim?

-Eu não sei. Fanatismo religioso, talvez? – Sehun questionou e eu não consegui mais ficar acordado.“-VOCÊ VOLTOU! POR TODOS OS DEUSES, O QUE ACONTECEU? EU FIQUEI PREOCUPADO! – Kyungsoo gritou e saiu correndo para abraçar Jongin. O moreno estava desnorteado e sentado, como sempre.

-Sehun me acordou. – balbuciou.

-Quem é Sehun? – Kyungsoo perguntou se afastando e fechando a cara. Não gostou de escutar um nome diferente.

-É meu amigo... Soo? Você pode continuar contando? – pediu e Kyungsoo concordou. Não tinha mais tempo. Faltavam 11 dias para tudo perder o sentido.

-Você lembra da parte que eu disse que eu te beijei? – o alvo perguntou e Jongin concordou. – Sua mãe apareceu. Ela viu e me empurrou, dizendo que aquilo era coisa do demônio e que eu iria desvirtuar você. Nós não entendemos nada, mas eu fiquei nervoso. Eu não tive controle e algumas coisas estranhas começaram a acontecer. Eu não consigo lembrar muito bem, porque faz anos, só que eu acho que eu deixei que alguns ensinamentos xamãs fluíssem e seus pais descobriram. Eles ficaram loucos, chamaram minha mãe e a indagaram. Minha mãe nunca mentiria sobre o que era, ela apenas omitia e como eles a perguntaram, minha mãe não mentiu. Seus pais ficaram possessos, me amarraram em uma cadeira e começaram a me rezar. Minha mãe tentava dizer que não era pra fazer isso, mas ela não era ouvida. Você presenciava tudo e chorava, queria me ajudar. Eu era o demônio que tinha entrado em sua casa e seus pais não podiam permitir isso. Foi então que minha mãe agiu.

-O que ela fez? – Jongin questionou, mas já imaginava.

-Te pegou. Ela disse que iria apagar sua mente, equilibrar seu espírito e te livrar dos supostos demônios que eu tinha colocado em seu corpo. Ela fez o kut e seus pais só permitiram, porque eles sabiam que era melhor arriscar do que te ter sendo homossexual futuramente ou até mesmo envolvido com as pessoas xamãs. Você esqueceu de mim e eles me devolveram pra minha mãe. Nós nunca mais poderíamos nos ver ou eles iriam nos perseguir. Foi horrível, Jongin. Foi horrível. – Kyungsoo deixou que algumas lágrimas caíssem de seus olhos. Ele não conseguia tirar a imagem que tinha. O sal machucava sua pele, os gritos o assustavam, as rezas o chamavam de demônio e ele se sentia uma criança assustada, ainda mais porque via Jongin chorar. – Por mais que a religião “oficial” do nosso país seja o xamã, muitas pessoas são contra e existem seitas pra nos perseguirem. Não vou dizer que toda pessoa xamã é boa, existem os maus e os bons, mas as seitas que são contra não fazem distinção. Seus pais faziam parte dessa seita. Eles são intolerantes religiosos e depois do que viram, quando eu deixei que alguns “poderes” fossem revelados quando sua mãe me empurrou, eles se tornaram mais fanáticos. – terminou de explicar e então começou a ficar ofegante. – Jongin, eu preciso ir. Nos vemos amanhã.

-O QUÊ?! NÃO! EU PRECISO...”

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22/10/2016 – Sábado

-E isso é tudo. – terminei de contar e a mulher xamã me olhava.

-Kyungsoo disse que tem até o dia 31 ou vai sumir? – ela perguntou e eu concordei. – Entendo.-O que isso quer dizer? – questionei e ela me olhou com pesar.

-Eu sugiro que você tente dormir e encontrá-lo nos sonhos novamente. Eu não queria tirar conclusões precipitadas, senhor, mas acho que seu amigo será usado em um ritual no dia das bruxas. – ela explicou e meu mundo paralisou.

Dia 31 de outubro era o dia das bruxas. Isso fazia total sentido, como não tinha percebido isso antes? Kyungsoo tinha dito que a enfermeira o chamou de peça especial e que existiam bons e ruins. Eu abaixei a cabeça e a coloquei entre minhas mãos. Eu precisava saber onde Kyungsoo estava, eu tinha que descobrir, mas como?

-Eu sugiro que o senhor tente dormir. Ele vai entrar em contato com você. – a mulher insistiu e eu a fitei.

-Ele não aparece há 3 dias. – a lembrei e ela suspirou.

-Se o senhor não dormir, ficará complicado a gente entrar em contato com ele. Kyungsoo criou um vínculo entre vocês no momento em que se beijaram. Se ele ainda te procura, é sinal de que sente algo pelo senhor. O senhor sente algo por ele? – ela questionou e eu a olhei sem saber o que responder. – Se sentir qualquer coisa, até mesmo raiva, tente focar neste sentimento e feche os olhos. Se deixe embalar pelo sono, pelo cansaço, pelo sentimento. – ela sussurrava e eu senti minhas pálpebras começarem a se fechar.

“-Jongin, Jongin, Jongin! – Kyungsoo gritava por Jongin de forma desesperada.

-Estou aqui! – o moreno respondeu e se levantou, encontrando Kyungsoo mais pálido que antes e aflito. – Soo, o que...

-Jongin, você precisa me salvar! Você precisa me ajudar! As mulheres estão querendo me usar como um sacrifício, elas querem ressuscitar o líder que morreu e pretendem fazer isso dia 31. Jongin, elas vão me matar. Eu preciso...

-Onde você está? Onde? – Jongin perguntou desesperado.

-Eu não sei. – Kyungsoo choramingou. – Depois que fomos expulsos da sua casa, minha mãe conseguiu viver por 1 ano e depois nós fomos encontrados pelas pessoas más. Minha mãe morreu e eu estou sendo mantido em cativeiro. Elas cuidaram de mim e me ensinaram algumas coisas, somente pra que o meu poder fosse desenvolvido e o suficiente pra ressuscitar esse líder delas. Eu não sei onde estou, eu vivo aqui desde os meus 13 anos. – o alvo contou e o moreno se desesperou.

-Você não lembra de nenhum ponto importante? Nenhum? – Jongin insistiu.

-Jongin, eu nem mesmo sei se estou no mesmo país que você. – e então o mais baixo desmaiou.”

-E então? – a mulher perguntou e eu a olhei desesperado.

-A senhora estava certa. Estão querendo usá-lo pra ressuscitar alguém, mas ele não sabe onde está. Ele está sendo mantido em cativeiro por 10 anos! Senhora, me ajude! Ele nem mesmo sabe em que país estamos! Ele desmaiou, ele desmaiou!

-Calma! Ele deve estar esgotado de tanto fazer esse contato com você. Nós não sabemos como ele foi desenvolvido ou como está sua própria saúde.

-Senhora, eu preciso encontrar o Kyungsoo, eu preciso! – falei desesperado e ela suspirou.

-Eu vou te ajudar. – ela declarou, mas eu não conseguia me acalmar.

-x-

25/10/2016 – Terça-feira

A empregada de Luhan tentava descobrir os outros grupos de xamãs por perto, enquanto Luhan e Sehun tentavam me esconder. Meus pais tinham declarado que eu tinha sido sequestrado e por culpa disso eu não podia sair pelas ruas e procurar Kyungsoo como eu queria.

Desde a última vez que sonhei com Kyungsoo, nós nunca mais tivemos contato. A xamã me falou que ele deveria ter ficado sem forças e que agora só nos restava tentar encontrá-lo com as poucas informações que tínhamos. NÓS NÃO TÍNHAMOS NENHUMA INFORMAÇÃO!

-Você está ficando pior a cada dia. – Sehun comentou ao adentrar sua casa e Luhan veio atrás. Se meus pais descobrissem que eles namoravam, iriam querer exorcizá-los.

-Eu não aguento essa agonia, Sehun! O Kyungsoo vai morrer! Nós já estamos à 6 dias do ritual acontecer. Eu preciso encontrá-lo, eu preciso. – desabafei e senti lágrimas saírem dos meus olhos.

-Jongin... Você gosta dele? – Luhan perguntou me abraçando de lado.

-Eu não sei, eu sinto falta dele. Na verdade, tudo faz tanto sentido agora! Eu sempre soube que faltava algo na minha vida, mas nunca pensei que tinha tido uma parte da minha memória apagada. – confessei.

-A Hee me disse que você precisa entender seus sentimentos em relação ao Kyungsoo. Aparentemente ele está começando a ficar fraco e só vai conseguir entrar em contato com você, se você tiver algum laço muito forte com ele. Antes era possível o encontro de vocês, porque ele ainda tinha forças. Ela disse que precisa, pelo menos, que ele saiba o nome do líder morto, pra poder encontrar esse grupo. – Luhan me explicou e eu o fitei.

-Junmyeon já está com papeladas pra afrontar seus pais também. Ele já recolheu informações o suficiente pra declarar que você foi mantido em uma espécie de cativeiro e que fugiu, que não foi sequestrado. – Sehun comentou e sentou no sofá de frente para mim e Luhan. – A gente está fazendo o que pode, Jongin.

-Será que eu gosto do Soo? – murmurei.

-Você vai precisar descobrir isso pra ajudá-lo. Hee não pode fazer mais do que já está fazendo, ela disse que é como dar um tiro no escuro. – Luhan ressaltou e eu suspirei. Eu, melhor que ninguém, entendia essa metáfora.

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27/10/2016 – Quinta-feira

“-Nini... – Kyungsoo sussurrou e Jongin se situou. Estava no sonho, na praça e Kyungsoo estava deitado no chão. – Nini...

-Soo! Soo, eu estou aqui. – Jongin apressou-se a dizer e correu até o mais velho. O coração do moreno se apertou, porque Kyungsoo estava com olheiras, pálido e muito mais magro que antes. – Soo, onde você está? Eu estou te procurando tanto e...

-Kang Na Reul. – o alvo sussurrou e Jongin o olhou confuso. – Kang... Ele é o líder.

-Esse é o nome do líder?! – Jongin perguntou surpreso. – Você já descobriu onde está?

-Eu pensei que nunca mais fosse te ver. Acho que nosso laço é mais forte do que eu pensava. – Kyungsoo sussurrou e Jongin o puxou para si, colocando o corpo gelado de Kyungsoo apoiado no seu. – Eu te amo, sabia? Desde sempre e pra sempre. Minha mãe dizia que éramos ligados de alguma forma. Talvez o destino, a natureza...

-Soo... – Jongin estava se segurando para não chorar. Kyungsoo parecia estar em seu último suspiro e o moreno não gostava de saber disso. – Volte a dormir. Apenas durma, a gente se vê amanhã.

-Mas e se eu dormir e não mais acordar? Eu estou tão fraco...

-Não diga isso! Não diga isso! Eu vou te achar, eu vou te achar! – Jongin insistia e começou a chorar. – Agora durma, Soo. Durma, lembre-se disso: quem dorme, um dia sempre acorda.

-Boa noite, Nini. – Kyungsoo sussurrou e fechou os olhos.”

-KANG NA REUL! – gritei assim que acordei.

Eu estava no escuro do quarto de hóspedes de Sehun e levantei afobado. Estava escuro, meu pé prendeu na coberta e eu fui de cara no chão. Não me importei, eu precisava encontrar a xamã e falar com ela. Eu precisava falar o nome do líder, ela precisava encontrar Kyungsoo.

-Jongin? – ouvi a voz de Sehun e a porta do quarto foi aberta. – Jongin, o que aconteceu?!

-Kang Na Reul. – falei. – É o nome do líder. Liga pra Hee, liga pro Luhan, eu preciso encontrar o Soo! Eu preciso! Sehun, ele foi dormir. Eu o mandei dormir, mas estou com medo dele não acordar! Ele disse que...

-Calma, eu vou ligar pra Hee. – ele declarou e eu concordei.

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30/10/2016 – Domingo

-EU NÃO CONSIGO MAIS ENCONTRÁ-LO! – gritei desesperado.

-Já vai dar meia noite... Dia 31...

-CALA A BOCA, LUHAN! VOCÊ NÃO ESTÁ ME AJUDANDO! – gritei.

-Senhores! – Hee entrou na sala e estava afobada. – Eu o encontrei!

-O QUÊ?! – Luhan, Sehun e eu gritamos juntos.

-Ele estava escondido debaixo dos nossos narizes. Kyungsoo está sendo mantido no hospital em que fora curado pela xamã enfermeira. Ele deu entrada como um paciente débil e o tratam assim desde então. A enfermeira é encarregada de cuidar dele, como paciente, e hoje ele será movido pro lugar em que o ritual acontecerá.

-HOJE?! Eu preciso ir pra lá agora! – levantei de supetão e a xamã concordou comigo.

-Precisaremos chegar lá antes da meia noite. Eles irão decretar óbito e o corpo será movido do quarto.

-Mas já são 23:40. – Luhan observou e eu corri para a porta. – Onde é o hospital?

-Na cidade vizinha. – Hee respondeu sem jeito e meu coração deu um pulo, mas eu não iria desistir.-Pois então, estou indo e vou invadir aquela merda. – decretei e não fiquei para ouvi-los, apenas corri para fora do apartamento.

Eu tenho a leve impressão de ter ouvido meus amigos me chamarem, mas eu não podia esperá-los. Corri para o elevador e dei sorte do mesmo estar aberto na hora. Adentrei, apertei o botão do térreo e comecei a tatear a chave do Sehun. Eu já estava com a mesma em meu bolso da calça desde que tinha sabido que a Hee estava prestes a encontrá-lo.

A porta metálica se abriu e eu saí correndo. O carro de Sehun não estava longe, então logo eu já me via dentro do veículo e ligando o motor. Eu não me importava com a velocidade, apenas pisei fundo no acelerador e comecei a sair do estacionamento. Como já estava tarde, as ruas não eram tão congestionadas, então eu pisei mais forte. Eu nunca dirigi em uma velocidade como aquela, mas ou era isso ou Kyungsoo morria. Eram 23:46.

Ao olhar a hora, senti meus olhos arderem. Eu queria chorar, mas eu não podia. Se eu chorasse, causaria um acidente e Kyungsoo morreria. Eu não podia deixar que ele morresse! Não podia de jeito nenhum! Eu era a única pessoa que ele poderia contar. Eu era ligado a ele e ele a mim. Kyungsoo nem mesmo sabia se eu gostava dele ou não.

23:50.

Virei uma esquina e pisei ainda mais no acelerador. Faltava pouco para chegar ao hospital e infelizmente eu já começava a ouvir a sirene do carro de polícia atrás de mim. Talvez não fosse tão infelizmente assim, porém... CARALHO! EU NÃO SEI O NÚMERO DO QUARTO DO KYUNGSOO! QUE INFERNO, QUE INFERNO!

23:52.

Freei o carro e o mesmo derrapou. Não o esperei parar totalmente, fui saindo e correndo para dentro do hospital. Ouvi os policiais gritando para que eu parasse, mas eu só queria arrumar uma forma de encontrar Kyungsoo. Eu não sabia o quarto, mas eu precisava encontrá-lo.

-Kyungsoo! – falei e a recepcionista do hospital me olhou assustada.

-SENHOR! – ouvi os policiais gritarem.

-Kyungsoo, eu quero saber o quarto do paciente Kyungsoo! – insisti.

-Preciso saber o sobrenome e o parentesco. – a mulher me informou e eu senti meu corpo tremer.

-Eu preciso ir ao quarto do Kyungsoo. Apenas procure esse nome pra mim, por favor! – implorei.

-Senhor, precisamos conversar! – o policial agarrou o meu braço e eu senti que as lágrimas começavam a cair.

-Você poderia digitar isso pra mim? – uma enfermeira apareceu e entregou um papel para a recepcionista. – Atestado de óbito. – a enfermeira informou e senti todo o meu corpo retesar.

-Óbito? Kyungsoo? – questionei e vi a enfermeira se enrijecer. Soltei-me do aperto do policial e puxei o papel da mão da recepcionista. “Paciente: Do Kyungsoo, 23 anos, morreu às 23:40. Quarto 50” – Ele não morreu. – avisei e comecei a correr.

A enfermeira gritava e os policiais também. Eu estava fazendo uma confusão no hospital, mas Kyungsoo não podia morrer, não podia! O elevador não queria abrir e eu decidi ir pelas escadas. Era no segundo andar e eu estava com a adrenalina correndo por todo o meu sangue. Eu corria e corria, até que finalmente consegui encontrar o segundo andar.

-50. – sussurrei e comecei a olhar o número dos quartos.

-Senhor, você está preso por... – ouvi o policial anunciar e eu soube que ele tinha vindo pelo elevador. Quando olhei para fitá-lo, uma maca era tirada de um quarto, com um corpo deitado e coberto.Corri em direção ao enfermeiro que carregava a maca e o policial tentou me segurar, porém, me desvencilhei. Assim que cheguei perto da maca, não hesitei e puxei o cobertor. Era o Kyungsoo.

-KYUNGSOO! – gritei.

-O paciente está morto, o que o senhor...

-Policial, ele não está morto, venha ver! – chamei o oficial e o mesmo se aproximou.

-É claro que ele está morto! – a enfermeira gritou e eu segurei o pulso de Kyungsoo.

-Não está! – rebati e o policial se aproximou. – Ele está respirando. – insisti e vi o policial verificar. O mesmo arregalou os olhos.

-O paciente está vivo. – o oficial decretou e a enfermeira congelou. – Por que estão decretando óbito a alguém vivo?

A enfermeira não quis responder e tentou fugir. O policial começou a correr atrás dela, porém, eu pouco me importava. Peguei Kyungsoo no colo e senti como ele estava leve. Ele era tão lindo, pena que estava com olheiras, magro e com uma aparência tão doente.

-x-

31/10/2016 – Segunda-feira

-Jongin... – Kyungsoo sussurrou e eu levantei do sofá.

-Estou aqui. – falei e segurei sua mão. Suas pálpebras tremeram e então ele abriu os olhos.

-Isso é um sonho? – ele questionou e eu suspirei aliviado por poder ouvir sua voz e tocá-lo.

-Não, Soo. É a realidade. – respondi e o vi suspirar aliviado. – Você está seguro agora e ninguém mais vai tentar pegá-lo.

-Obrigado por me salvar. – ele sussurrou.

-Obrigado por ter lembrado de acordar. – lhe agradeci e me inclinei. – Nós temos um laço muito forte, seja o motivo que for. Eu gosto de você, Soo.

-E eu te amo. – ele balbuciou e eu beijei seus lábios levemente.

-Eu aprenderei a amá-lo, porque eu não me vejo sem você ao meu lado. – confessei e o mesmo fechou os olhos, enquanto sorriu.

-Se você esquecer de mim, viverá normalmente.

-Acho que já percebemos que eu nunca vou esquecer, não importa o ritual que façam. – lhe assegurei e encostei nossas testas. – Obrigado por não ter desistido. Obrigado por não ter dormido pra sempre. A partir de hoje, não te deixarei mais. Será você e eu.

-E seus pais? – ele questionou e abriu os olhos. Nós nos encarávamos profundamente.

-A gente resolve isso depois. – respondi e o puxei para um abraço. Agora meu coração estava mais calmo. Kyungsoo estava vivo e não morto.

Era dia das bruxas, mas para mim, era o dia em que minha vida finalmente começaria.

12 de Junio de 2019 a las 22:02 0 Reporte Insertar 0
Fin

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