Trapaças do Coração Seguir historia

hunterprirosen HunterPri Rosen

SEGUNDA TEMPORADA — Loki/OC Depois de ver a sua vida mudar da água para o vinho com a chegada do Deus da Trapaça e fazer descobertas importantes sobre sua própria origem, Olivia Mills achou que estava vacinada contra fortes emoções. Doce engano... O seu novo emprego, na S.H.I.E.L.D., vai lhe mostrar justamente o contrário. Isso porque ela será incumbida de uma nova missão. Uma missão que, se realizada com sucesso, poderá ser benéfica para o mundo e toda a humanidade. Mas uma missão que ela questiona o tempo todo. Enquanto tenta decidir se vale a pena insistir no objetivo ou não, Olivia se verá diante de uma grande ameaça: a HYDRA está por perto, à espreita e cada vez mais interessada na nova agente da S.H.I.E.L.D. e em seu DNA.


Fanfiction Películas Sólo para mayores de 18.

#violência #sexo #nudez #heterossexualidade #hentai #comédia #romance #loki #osvingadores
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Agent Mills

Sozinha em uma sala de treinamento da S.H.I.E.L.D., onde cheguei há cerca de meia hora, prendo o meu cabelo em um alto rabo de cavalo e dou uma volta em torno de mim mesma, examinando, pela milésima vez, o meu novo uniforme de trabalho. Sorrio levemente, muito satisfeita com o que vejo.

Não é por nada não, mas eu fiquei um verdadeiro pitel com o traje que a diva Natasha Romanoff me orientou a vestir assim que chegamos nesta base secreta. Acho que o tom grafite me deu um ar profissional e imponente, ao mesmo tempo em que o tecido versátil colado em meu corpo realçou minhas curvas, me deixando bem gostosa.

Rá! Sim, eu estou me sentindo a última bolacha do pacote. Me julguem.

Gostaria muito que o meu gafanhoto magia estivesse aqui. Queria ver a sua reação e o provável olhar libertino que ele lutaria para disfarçar quando me visse com esse traje provocante e intimidador.

Aliás, gostaria muito que Loki descesse o zíper frontal da parte superior com um movimento rápido, ágil, cheio de segundas intenções, revelando a minha lingerie e...

Foco, Olivia! Foco! Você sabe muito bem que o trapaceiro irresistível dificilmente faria isso neste momento, afinal ele não gostou nem um pouco dessa história de agente da S.H.I.E.L.D. Para ser mais exata, Loki detestou a novidade.

Bem, mas voltando ao meu primeiro dia no novo emprego, Natasha e o seu gavião magia me trouxeram até aqui depois que eu apareci na Torre dos Vingadores esta manhã, admitindo que aceitei a proposta da S.H.I.E.L.D., mas que não fazia ideia de onde seria o meu local de trabalho. Simplesmente esqueci de perguntar isso para o tal Phil Coulson quando tive oportunidade. Pois é, comecei bem.

Independentemente disso, o casal de Vingadores assegurou que cuidaria de tudo. Momentos depois, fomos até o hangar da Torre, entramos em um Quinjet e os dois revezaram a pilotagem da banheira voadora até chegarmos a este lugar. Detalhe: eu não tenho ideia de onde estou. Tudo o que sei é que o lugar se chama Playground, que o percurso durou algumas horas e que, apesar do meu medo de voar, eu consegui relaxar e tirar uns cochilos em alguns momentos.

Pergunto-me se terei que fazer essa viagem de segunda a sexta-feira religiosamente, se será viável trabalhar tão longe assim do meu cafofo e se, em um futuro próximo, eu vou parar de pensar que o Quinjet vai cair, explodir, se desintegrar no ar a qualquer momento, essas coisas meigas.

Sim, eu tenho fobia de aviões e de qualquer coisa que voe — podem incluir baratas cascudas na equação.

Sobre meios de transporte voadores, acho que assisti muitos episódios de Mayday - Desastres Aéreos e fiquei com a pulga atrás da orelha. Também fiquei meio traumatizada com a forte turbulência que eu e minha saudosa avó pegamos em nossa primeira viagem à Disney, quando eu tinha uns oito anos.

Sorrio ao relembrar a viagem, esquecendo o incidente do avião completamente, mas logo sou trazida de volta à realidade quando Natasha abre a porta e adentra a sala.

Vejo que ela está com o seu uniforme também, mas isso não é novidade, pois a ruiva diva o vestiu ainda na Torre. A única coisa diferente agora é o seu semblante. A Viúva Negra está com uma cara fechada e um olhar de poucos amigos, enquanto se aproxima sorrateiramente, cruzando a sala acolchoada e vindo em minha direção.

Inocentemente, indico minha roupinha nova e pergunto com um largo sorriso:

— E então? Como eu estou?

Para minha surpresa, a diva não responde o meu questionamento. Ao invés disso, simplesmente me dá um senhor empurrão nos ombros — o que me desequilibra consideravelmente — e ordena entredentes:

— Lute.

Confusa, desmancho o sorriso, olho para os lados, volto a fitá-la e balbucio com um fio de voz:

— Oi?

— Eu disse lute — Natasha reforça, me dando mais um empurrão. Desta vez, mais forte. Desta vez, me levando ao chão que, por sorte, é acolchoado também e amortece parte do impacto. — Levante e lute, Olivia. Agora.

Ainda mais confusa e também magoada por estar sendo tratada como um saco de pancadas pela minha diva inspiradora, franzo o cenho e me altero um pouco:

— O que diabos você está fazendo? É o meu primeiro dia aqui, lembra? E eu não sei lutar, caso não tenham te informado isso. Aliás, eu nem conheci as instalações da empresa ainda, o departamento de recursos humanos, nem o refeitório. Não fui inteirada dos meus benefícios, plano de saúde, odontológico, seguro de vida...

— Me mostre o que você sabe fazer — a Vingadora maluca insiste, me interrompendo e se colocando em posição de combate, com as pernas ligeiramente separadas e punhos fechados um pouco abaixo do rosto.

Solto um suspiro incrédulo, reviro os olhos e reitero:

— Esse é o ponto, criatura, eu não sei absolutamente nada de luta corporal, defesa pessoal, capoeira, Já acabou, Jessica?, essas coisas. Eu não consigo nem matar uma barata, que dirá...

Sem abandonar a postura defensiva, a Viúva Negra me interrompe:

— Então se você estiver diante de uma situação de risco, vai simplesmente se encolher em um canto e chorar como uma garotinha indefesa? Talvez você conte uma das suas piadinhas para distrair o oponente enquanto ele brinca de quebrar os seus ossos, certo? É, talvez funcione.

Okay, entendi. Isso é um teste. Não só de força, habilidade e resistência, mas também um teste psicológico. Natasha Romanoff está me testando. Tentando me tirar do sério para me obrigar a reagir de alguma forma. É isso. Mas por quê?

Ninguém me avisou que eu ia precisar passar por uma dinâmica assim para ser aceita na empresa. Pior, ninguém me avisou que eu teria que lutar com a Viúva Negra — lê-se: apanhar muito dela e rezar para sair minimamente inteira desse embate desigual.

E ao refletir sobre isso, o sentimento de desânimo e certa incredulidade se alastram dentro de mim, me fazendo soltar um suspiro aborrecido e resmungar:

— Isso não é justo. Eu não vim aqui para ser humilhada, para ver a Viúva Negra provando o quanto é boa, enquanto me mostra o quanto eu sou ruim, um verdadeiro fiasco. Isso é humilhante e eu não vou fazer papel de idiota, muito menos servir de saco de pancada.

Para minha surpresa, Natasha não só não me leva a sério, como ainda revira os olhos com tangível enfado, cruza os braços contra o peito e solta a máxima:

— Chora mais, Olivia.

E a menção a tal meme é como um soco no meu estômago, uma descarga de realidade, um chamado irrecusável para a luta.

Irritada e sem pensar direito, simplesmente estreito o olhar na direção da Vingadora, me coloco de pé rapidamente, fecho a mão direita e me aproximo o suficiente para acertar um forte golpe em suas costelas, enquanto digo de um jeito ameaçador:

— Agora você me irritou, Romanoff.

Contudo, meu soco não chega nem perto de atingir a ruiva, já que com destreza, agilidade e muita facilidade, ela desvia rapidamente, se movendo até parar atrás de mim e me deixando totalmente no vácuo.

Por sorte, eu não chego à humilhação de ir de encontro ao chão, mas me desequilibro o bastante para cambalear consideravelmente. E isso intensifica a raiva dentro de mim. Então, me recomponho, me viro na direção de Natasha e me coloco em posição de combate como ela fez antes.

— Esse é o espírito da coisa — minha oponente diz, se preparando também. — Agora lute de verdade, Olivia — desafia, me fazendo estreitar o olhar em sua direção novamente, com mais raiva e determinação.

Entretanto, de nada adianta tais sentimentos e motivações. O que acontece a seguir prova o que eu já sabia, o que Romanoff provavelmente já sabia, o que o universo inteiro já sabia! Eu sou mesmo um fiasco nisso.

Humilhada, tento a todo custo acertar um mísero golpe em minha oponente, fazer qualquer coisa que a desequilibre um pouquinho que seja — nem que seja cócegas —, mas todos os meus esforços são em vão e saem desengonçados.

A Viúva Negra, por sua vez, se esquiva com facilidade e sempre vira o jogo a seu favor. Perco as contas de quantas vezes ela me imobiliza e me surpreende com golpes certeiros que sempre me levam ao chão ou fazem meu corpo se chocar com as paredes acolchoadas.

Agora eu entendo por que a chamam de Viúva Negra. Essa criatura parece ter vários braços e pernas, tal como uma aranha mesmo, e quando eu menos espero, sou atingida novamente e caio no chão mais uma vez.

Levo alguns instantes para reconstituir os segundos anteriores em minha mente, até entender que o soco atingiu o meu queixo em cheio.

Perplexa, levo a mão ao canto da minha boca e observo o filete de sangue em meus dedos logo depois. Ignoro a dor física, mas não consigo ignorar a dor da decepção e da confusão ao erguer o olhar e fitar a Vingadora igualmente atônita diante de mim. Sim, Natasha Romanoff também parece surpresa com o que fez. E visivelmente arrependida, eu diria.

— Olivia, me desculpe. — Ela dá um passo à frente e me estende a sua mão.

Contudo, eu me esquivo e me levanto rapidamente. Um pouco cambaleante, é verdade, mas rápido e fazendo questão de dispensar a sua ajuda.

Solto um suspiro incrédulo à medida que relembro a sua postura durante nossa luta e também a sua visível insatisfação nos últimos tempos. Logo, junto as peças do quebra-cabeça e questiono em tom acusatório:

— Em quem você estava batendo de verdade? Em mim ou em Loki?

— O quê? — a Viúva Negra rebate, em tom de surpresa e indignação. Contudo, ao perceber que eu estou falando sério, ela pensa por um instante e recomeça: — Olivia, o fato de eu não confiar nele não tem absolutamente nada a ver com a nossa amizade. Eu não quis te machucar, foi um acidente. Me desculpe.

Me chamem de paranoica, mas eu não acredito nela. Natasha pode até não ter feito isso intencionalmente, mas lá no fundo, eu sei que ela não consegue acreditar que o meu gafanhoto magia mudou, não consegue engolir a nossa relação e buscou nesse teste uma forma de descontar a sua frustração.

Sem querer alimentar uma discussão nesse momento, simplesmente lhe lanço um olhar feroz e ferido ao mesmo tempo, lhe dou as costas e caminho em direção à saída.

— Olivia! Olivia, espere — ela chama com firmeza, mas eu simplesmente apresso o passo e saio da sala de treinamento, a deixando no vácuo enquanto limpo minha boca com a manga do uniforme e me recomponho.

Bato a porta atrás de mim com força e então estou no extenso corredor por onde vim antes. Porém, não vou muito longe porque antes que eu dê um reles passo à frente, sou surpreendida por uma garota que quase esbarra em cheio no meu corpinho dolorido pela surra que levei da Viúva Negra.

— Mama Mia! — exclamo, levando a mão ao meu coração sobressaltado. — Papagaio! Que susto! Menina do céu! Não faz isso não, criatura!

— Desculpe — a estranha lamenta, visivelmente sem graça, mas com um sorriso fácil e simpático. — Eu não quis te assustar, eu sinto muito.

Claro. Eu não quis te machucar. Eu não quis te assustar... Meu primeiro dia na S.H.I.E.L.D. começou muito bem. As pessoas realmente sabem fazer com que eu me sinta à vontade e acolhida aqui. Só que não.

Seja como for, reparo melhor na criatura diante de mim. Ela deve ser um pouco mais nova do que eu, é morena, tem os cabelos lisos, um pouco acima dos ombros, em um corte moderno e despontado, tem um olhar bonito e intenso, um rosto delicado e traços fortes ao mesmo tempo, e... Bem, ela está vestindo um uniforme muito parecido com o meu, o que me deixa na defensiva no mesmo instante. Principalmente, porque deduzo que ela estava prestes a entrar na sala de treinamento, se eu não tivesse saído antes como um foguete.

Antes que eu consiga raciocinar, me ouço perguntando:

— Você não vai me bater também, vai?

A garota franze o cenho, talvez se questionando se ouviu mesmo tal pergunta. Em seguida, um riso escapa de sua garganta, ela balança a cabeça negativamente e diz:

— Não, não. Eu não vou te bater, pode ficar tranquila... Olivia, certo?

Opa! Veja só, a estranha já sabe o meu nome. O que me leva a crer que a notícia sobre a nova agente da S.H.I.E.L.D., no caso eu, deve estar correndo a todo vapor pelos corredores, salas, laboratórios e afins da base secreta.

Não sei se fico feliz por ter me tornado popular em tão pouco tempo ou se entro em pânico, afinal quanto tempo vai demorar até que o caldo que levei da Viúva Negra se espalhe também?

Afasto tal pensamento, me obrigo a voltar à realidade e assinto:

— Isso mesmo. Olivia Mills ao seu dispor.

Então, a garota misteriosa e simpática me estende sua mão e finalmente se apresenta:

— Olá, eu sou a agente... Daisy Johnson.

Me chamem de maluca, mas acho que a garota hesitou um pouco antes de dizer o próprio nome. Estranho... Mas tanto faz. Sem pensar duas vezes, a cumprimento e sorrio, feliz por ter feito a minha primeira amiga neste lugar.

Epa! Na verdade, falta uma coisa para selar o início da nossa amizade sincera e, por isso, eu indago:

— Qual a sua cor favorita, chuchu?

Daisy sorri com certa confusão, mas responde mesmo assim:

— Preto, eu acho. E a sua?

— Verde! — respondo de sopetão, finalmente soltando a mão da agente.

Neste momento, a porta da sala de treinamento se abre e eu ouço a voz de Natasha bem atrás de mim:

— Olivia, nós precisamos conversar.

A raiva e a humilhação se agitam dentro de mim, o que me leva a olhar para a ruiva de esguelha e dispensar o pedido secamente:

— Agora não. — Em seguida, me volto na direção de Daisy e recomeço: — Você queria falar comigo?

A garota hesita um pouco, talvez percebendo o clima pesado entre mim e Romanoff, mas acaba respondendo:

— Na verdade, o Coulson quer conversar com você e pediu que eu te levasse até a sala dele.

— Por mim tudo bem. Vamos nessa! — digo com uma falsa animação, entrelaçando meu braço ao dela e a obrigando a seguir ao meu lado pelo corredor.

Mas então Daisy reluta em caminhar, solta um pigarro e avisa:

— Olivia, é para o outro lado.

Reviro os olhos, incomodada com a ideia de ter que passar pela Viúva Negra de novo. Porém sem escolha, é isso o que faço, me virando na direção correta, apressando o passo e evitando olhar para ela.

Contudo, incapaz de ficar com raiva da minha diva inspiradora por muito tempo, saio um pouco da defensiva, olho para trás e lhe lanço um meio sorriso. Por fim, sibilo de um jeito educado:

— Depois, tudo bem?

Natasha assente com um meneio de cabeça, visivelmente aliviada por eu não parecer mais tão P da vida com ela.

No instante seguinte, eu e Daisy viramos no final do corredor e seguimos por outro. Meu estômago ronca e eu deixo escapar:

— Será que já está perto do horário de almoço? Eu estou com uma fome danada.

Sinto o meu rosto ruborizar quando a agente ao meu lado ri da minha confissão. Fazer o quê? Eu pensei alto. Quem nunca?

— Eu vou ver o que posso fazer para te ajudar, Olivia — Daisy assegura gentilmente.

Algum tempo depois

Engulo o último pedaço do sanduíche natural e termino o chá gelado que minha mais nova Best Friend Forever trouxe minutos atrás, enquanto observo a sala em torno de mim. Ela é grande, espaçosa e suas paredes deixam à mostra uma série de tijolinhos vermelhos, o que confere ao lugar um ar antigo e aconchegante.

Prateleiras e armários antigos confundem-se com uma decoração mais contemporânea e um computador de última geração sobre a mesa diante de mim. Pastas, papeis avulsos, um porta-lápis, um aparelho de telefone com mais teclas do que o convencional e uma pequena tela, além de alguns objetos de decoração repousam sobre ela. Logo atrás, uma cadeira de couro encontra-se vazia desde que cheguei aqui.

Saciada, me recosto no assento da cadeira, acaricio minha barriga por cima do uniforme e reflito sozinha:

— Ufa... Matei quem estava me matando.

De repente, ouço alguém pigarrear e olho na direção da porta. Imediatamente, reconheço o Diretor Phil Coulson parado na soleira, me observando com um discreto sorriso.

Meu rosto ruboriza, mas eu ignoro tal fato ao me levantar em um pulo. Recosto-me na mesa para esconder os resquícios do lanche — lê-se: um copo vazio, guardanapos, uma bandeja e alguns farelos do sanduíche — e estou pronta para abrir a boca e me desculpar pelo abuso, quando meu mais novo chefe adentra a sala e me tranquiliza:

— Não se preocupe, Srta. Mills. Não é proibido comer na base. Além disso, eu devia ter imaginado que você estaria com fome depois da longa viagem até aqui. — Após me cumprimentar com um rápido, porém firme, aperto de mão, Coulson dá a volta na mesa e orienta: — Por favor, sente-se.

Acato o pedido no mesmo instante enquanto o vejo se sentar do outro lado. Em seguida, limpo a garganta e replico, atrapalhando-me um pouco em certos momentos:

— Obrigada. E pode me chamar de Olivia. Srta. Mills me lembra os meus antigos demônios. Digo, meus antigos chefes que eram... Demônios, eu acho. Não literalmente, é claro. Ou talvez fossem. Acho que eu nunca vou saber, não é mesmo? — Observo a expressão confusa e divertida do Diretor, me recomponho e desconverso envergonhada: — Okay, eu vou calar a boca.

— Não, por favor. Eu gosto de te ouvir, Olivia. Stark mencionou que você tem um senso de humor e tanto, e pelo visto ele não mentiu. Eu adoraria ouvir essa história, mas antes nós temos que conversar sobre outras coisas, tudo bem? — Coulson me tranquiliza novamente e de um jeito tão fofo que eu tenho que me segurar para não apertar suas bochechas agora mesmo. Não seria muito legal fazer isso com o seu novo chefe, seria? — Antes de mais nada, bem vinda a S.H.I.E.L.D. E sobre o que aconteceu na sala de treinamento, não se preocupe, era só um teste.

Rio sem humor e deixo escapar:

— Eu não vou nem perguntar se passei.

Para minha surpresa, o Diretor esclarece:

— Não era um teste para você. — Franzo o cenho confusa, o levando a explicar melhor o babado: — Claro, eu queria ter uma ideia em relação ao seu preparo físico, resistência e agilidade, para designar alguém sob medida para o seu treinamento, mas isso não era o propósito principal.

Antes que ele conclua o raciocínio, eu deduzo um tanto vacilante:

— Você estava testando a... Natasha?

Prontamente, Coulson explica:

— Quase isso. Eu estava testando a sua relação com ela e, consequentemente, com os outros membros dos Vingadores. — Enquanto eu assimilo suas palavras, ele apoia os braços na mesa e questiona: — Então é verdade? As coisas estão mesmo tensas desde que você e Loki engataram um... Relacionamento? Eles não estão muito satisfeitos com isso, não é?

Pisco algumas vezes, cada vez mais confusa em relação ao propósito dessa conversa e estranhando o fato de que ela está se tornando pessoal demais para o meu gosto.

Todavia procuro organizar os meus pensamentos o suficiente para formular uma resposta sincera e polida ao mesmo tempo:

— Os Vingadores são meus amigos, mas infelizmente nem sempre amigos aprovam certas coisas que nós fazemos, nem sempre entendem nossos sentimentos e aceitam nossos... Namorados. Mas o importante é que eu não pretendo desistir nem de uma coisa nem de outra. Então, mais cedo ou mais tarde, os Vingadores terão que parar com a palhaçada e aceitar o gafanhoto... — hesito ao deixar tal apelido escapar, me recomponho rapidamente e retomo: — Digo, Loki. Eles terão que aceitá-lo. E vice e versa, é claro. Eu sei que o meu trapaceiro irresistível — resolvo não me corrigir desta vez e concluo: — não é nenhum santo nesse ponto e que podia se esforçar mais em nome de uma possível trégua.

— É justamente sobre isso que eu quero conversar com você — Coulson insinua.

Diante dessas palavras, eu volto a ficar confusa e pergunto:

— Sobre Loki não ser um santo?

— Não, isso eu já sei. Eu falo sobre uma possível trégua entre ele e os Vingadores — o meu chefe esclarece calmamente. Em seguida, ele estreita o olhar no meu e inquere: — O que você estaria disposta a fazer, Olivia, para conseguir essa trégua?

Divago sobre tal pergunta, recordando as últimas semanas. Mais precisamente, a festa de aniversário do Homem de Ferro, na Torre dos Vingadores, na qual Loki não compareceu pois não foi oficialmente convidado. E na qual não iria, mesmo que tivesse sido.

Reflito sobre a incapacidade dos Vingadores de o perdoarem pelo passado e sobre a incapacidade do Deus da Trapaça em se mostrar minimamente arrependido, quando eu tenho certeza que ele está. Só é orgulhoso demais para admitir isso, afinal ele é Loki.

Penso nas manobras que tenho feito ultimamente para manter minha amizade com os heróis e minha relação com o Deus da Trapaça, de uma forma que não magoe nem um dos lados. Sempre tentando equilibrar uma balança invisível, sempre colocando panos quentes, sempre rezando para essa tensão constante se dissipar de uma vez por todas e para eles se tornarem Best Friends Forever.

Certo, agora eu forcei um pouco a barra. Não acho que isso seja possível, mas uma trégua... Uma trégua talvez seja.

— Qualquer coisa — respondo por fim, erguendo meu olhar e fitando o homem diante de mim com uma determinação que chega a me assustar um pouco. — Digo, exceto... Coisas ilegais, crimes, assassinatos, macumba — esclareço.

Diante disso, um sorriso surge no rosto do Diretor da S.H.I.E.L.D. e ele esclarece em tom divertido:

— Não se preocupe, não será necessário chegar a tanto.

Após um estranho momento de silêncio, eu me ouço admitindo:

— Eu não estou captando direito a sua mensagem, chefe. O que exatamente você quer que eu faça?

— Eu vou tentar ser mais claro, Olivia — Coulson compromete-se e imediatamente desembucha de uma forma didática: — Eu te chamei para trabalhar na S.H.I.E.L.D. porque acredito que, em um futuro próximo e com o treinamento adequado, você poderá se tornar uma ótima agente. Pensando nesse futuro, você deverá comparecer a esta base duas vezes por semana, a fim de se inteirar dos nossos protocolos e começar o seu treinamento propriamente dito. Se preferir fazer isso na Torre dos Vingadores, fique à vontade para escolher. Nós podemos acertar os detalhes posteriormente. — Coulson para por um momento, me analisa enquanto isso e depois retoma: — Essa será a sua rotina por enquanto, Olivia. Relativamente flexível porque, nesse primeiro momento, eu quero que você trabalhe mais em campo. Em uma missão muito importante que eu só posso confiar a você e a ninguém mais. A sua primeira missão oficial. A segunda, se levarmos em consideração o que você fez pelo Loki com toda aquela história do bracelete asgardiano.

Um pouco zonza com tantas informações, peço desconfiada:

— Defina missão muito importante, chefe.

Sem mais rodeios, Phil Fofo Coulson explica, enumerando cada etapa:

— Primeiro, você terá que estabelecer uma trégua entre Loki e os Vingadores, para que eles pelo menos consigam conversar civilizadamente. Segundo, você deverá convencer os Vingadores de que o seu... Gafanhoto realmente mudou e que seria um acréscimo e tanto para a equipe. Por fim, você terá que recrutar Loki para a Iniciativa Vingadores e, claro, fazer com que ele aceite a oportunidade de bom grado e se submeta aos nossos termos de conduta, embora... Stark não os siga totalmente, mas ele não é bem um parâmetro de comparação. É isso. O que você me diz?

Cri... Cri... Cri...

Quase ouço o som de grilos enquanto repasso em minha mente tudo o que ouvi. Quando finalmente assimilo o que o meu chefe está propondo com essa primeira missão oficial, a incredulidade surge e se alastra dentro de mim junto com uma irresistível vontade de rir. Convenhamos, isso é a piada do século!

Em dado momento, não consigo mais me controlar e o riso simplesmente escapa. Primeiramente contido, mas logo se transforma em uma sonora gargalhada que me deixa vermelha como um pimentão e sem ar.

Mesmo assim, consigo balbuciar entre um riso e outro:

— Loki? Um Vingador? O sétimo Vingador? Desculpe, mas isso é hilário. — Seguro minha barriga, dolorida de tanto dar risada, e me obrigo a me recompor quando percebo que Coulson não viu graça nenhuma. — Espera aí... Você está falando sério? — indago, surpresa e ainda sem acreditar.

No mesmo instante, ele retruca:

— Por que eu não estaria?

Aos risos, respondo o óbvio:

— Porque é mais fácil convencer o Grinch a virar ajudante do Papai Noel do que Loki a entrar para os Vingadores. Fazer o time de heróis aceitá-lo então... Nem se fala.

— Eu não disse que seria fácil. Mas se tem uma pessoa capaz de fazer isso acontecer, essa pessoa é você, Olivia — Coulson diz firme.

E não posso negar que com essa, ele me desarma completamente. O riso morre em minha garganta e tudo o que consigo fazer é prestar atenção no que ele diz na sequência:

— Olha, nós não sabemos quando a Terra passará por uma invasão alienígena de novo, algo parecido com aquilo ou quando a HYDRA sairá das sombras novamente, mas o fato é que o mundo sempre precisará de heróis para defendê-lo. Eu não vou mentir para você, eu tenho os meus motivos para não gostar do Loki, mas eu também sei que ele é um talento mal aplicado, um talento que pode ser muito útil, se ele estiver disposto a ceder. — Após um breve momento em silêncio, Coulson une as mãos sobre a mesa e prossegue: — Você o mudou. O que foi uma proeza e tanto, Olivia. Por isso, eu tenho certeza que você é totalmente capaz de colocá-lo na linha de uma vez por todas. Pense bem, será bom para os Vingadores virarem essa página, será bom para você, para mim e para todo o planeta. Todos saem ganhando. Inclusive Loki, que ganhará a chance de se redimir com todos e com ele mesmo.

Reflito sobre esses argumentos e sinto a incredulidade se dissipar dentro de mim. Isso não é a piada do século, isso é muito sério. E pode dar certo. Quem sabe? Vale a pena tentar pelo menos, não? Seria bom para todos realmente. Na teoria parece perfeito, aliás. Mas como seria essa missão na prática?

Pensando nisso, me endireito na cadeira e formulo:

— Supondo que eu aceite essa missão impossível, como exatamente eu convencerei o gafanhoto e os Vingadores de que isso é uma boa ideia?

Com um discreto sorriso — com certeza satisfeito pela minha mudança de postura sobre o assunto —, o Diretor da S.H.I.E.L.D. responde:

— Isso eu deixo com você, Olivia. Sua responsabilidade, seus critérios e meios. Para mim, a única coisa que importa é que você atinja o objetivo da missão. Para isso, você poderá se valer de qualquer artifício, técnica, o que for. Contanto, é claro, que não faça nada ilegal.

Recosto-me na cadeira, levo a mão ao queixo e mergulho em pensamentos, repassando tudo o que ouvi e tentando tomar a minha decisão.

— Pode deixar... — sibilo quase sem perceber, com o olhar perdido em um ponto qualquer do meu fashion uniforme.

Estou divagando sobre como colocarei a missão em prática, imaginando Loki, em um futuro próximo, lutando ao lado dos Vingadores, defendendo o mundo de alguma catástrofe e participando do amigo oculto no final do ano, quando a voz de Coulson me desperta:

— Isso é um sim?

Eita... É agora ou nunca. A hora da verdade. É pegar ou largar. O que eu decidir está decidido e eu não poderei voltar atrás.

Não consigo nem imaginar o que aconteceria se eu recusasse a missão. Simplesmente não posso recusar, aliás. Devo isso a mim mesma, a Loki, aos Vingadores, ao mundo. E pode dar certo no final.

Claro que será uma tarefa mais complicada do que a primeira, mas é uma missão muito importante mesmo. Coulson tem toda a razão. Isso é uma coisa boa e todos sairão ganhando. Por isso, eu preciso tentar. E vou.

Com a decisão consolidada dentro de mim, fito o homem na minha frente e me comprometo:

— Sim. Isso é um sim, chefe. Conte comigo.

Visivelmente satisfeito, o Diretor se levanta, me estende a sua mão e encerra a conversa:

— Então por hoje é só, agente Mills. Mãos à obra e bom trabalho.

Prontamente, me levanto também, aperto sua mão e forço um sorriso, embora por dentro eu esteja tremendo feito vara verde. Não tenho a menor ideia de por onde começar. E por mais que eu tenha aceitado o desafio, uma parte de mim está receosa sobre o futuro dessa missão.

Ai Minha Nossa Senhora Protetora das Novas Agentes da S.H.I.E.L.D., onde foi que eu amarrei meu jegue?

11 de Junio de 2019 a las 13:43 0 Reporte Insertar 3
Leer el siguiente capítulo Gafanhoto, aí vou eu!

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