Oblivious Seguir historia

morghanah Morghanah .

Ainda que tenha tentado afastá-lo como pude por medo do que florescia em meu imo, jamais abandonaste-me


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#drama #original #conto #Kalafina #02 #songfics
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N/A: Recomendo que, para um melhor aproveitamento da história, a leiam ao som de Oblivious, das Kalafina, cuja aesthetics capa deste capítulo feita por mim – e que, infelizmente, não pode ser visualizada em seu tamanho original quando vista através do aplicativo do site – pode ser visualizada aqui, uma boa leitura a todos e obrigada.



Os dias iluminados pela tua presença tornaram-se cada vez mais frequentes e nossas sombras internas, antes refletidas com tamanho fervor em nossos olhos, esvaeciam-se dando lugar à luz.

A nossa luz.

Uma a qual fomos gerando e alimentando aos poucos conforme nos aproximávamos cada vez mais um do outro. Segredamos nossos medos e notamos o surgimento de desejos nunca antes almejados, prometendo um ao outro que torná-los-ia em realidade.

Todavia, medos e temores antigos atingiam-me o coração conforme alçávamos voo. Ainda que juntos, eu por vezes seguidas afastei-te de mim crendo na premissa de que “fazendo isso a dor da perda seria menos dolorosa quando deixaste-me aqui sozinha novamente, entregue ao novo inverno de minh’alma”.

Era nisso que eu acreditava.

Era disso que eu mais tinha medo.

E foi isso o que eu fiz ao soltar sua mão morna, maior do que a minha e que tanto fazia-me bem.

Deste-me uma nova vida e por medo eu a estava embotando dentro de mim mesma outra vez.

Eu percebia o desespero em teus olhos, porém, egoísta, renegava-me de ver que sua dor era também a minha. Assim como toda a razão de sua culpa existir no momento.

Juntos tínhamos alçado voo e estávamos cada vez mais próximos do firmamento e de poder tocar as estrelas, ainda que descuidados com os perigos que por nós estavam a espera, não fraquejamos e continuamos a subir.

Juntos.

Mas a minha insegurança desconvidada e infundada se fazer presente entre nós após certo tempo, e foi ela quem quase nos derrubou.

Vi as penas de minhas pequenas asas agora brancas graças a luz de teus olhos cálidos na cor chocolate que eu tanto amava admirar, cujo reflexo de mim mesma neles permitia-me enxergar como me vias e talvez por isso senti tamanho temor: pois via-me como sua anja, quase sua deusa, quando na realidade sempre fui um ser de trevas –, irem caindo aos poucos.

Estava definhando.

Tal qual eu por dentro ao renegar-me tudo o que mais pedi e sempre almejei em minha vida.

Você.

E foi naquele dia de inverno quando sozinha e descalça sobre aquela areia escura e fria daquela praia deserta, cuja brisa gélida do mar deixava-o agitado tal qual meu coração contrito por mim mesma e meus medos, açoitava-me o rosto lavado por minhas lágrimas de arrependimento por nossa briga mais ferrenha, que senti o calor dos teus braços novamente ao meu redor fazendo-me lagrimar profusamente ao ver em tuas mãos uma simples e bela flor.

Pedia-me desculpas sendo que a culpada de nossa dor era eu.

Eu havia nos machucado novamente.

Abracei-te com tamanho desespero naquele momento que quase fundi a nós dois naquele dia.

O dia em que beijaste-me pela primeira vez e deu um nome para o que tínhamos.

Namoro.

O pranto desesperado deu lugar a uma felicidade tímida e receosa, exatamente como sou e por ti fui aceita mais uma vez sob a música das ondas que no momento pareciam contentes por nós dois.

Agora unidos de tal forma percebi que não mais deveria apenas transcrever em meus personagens as minhas dores e alegrias, pois havia alguém de carne e osso que estava ao meu lado e me escutaria a qualquer hora do dia ou da noite.

Era cômico ver sua curiosidade sobre meus manuscritos. Eu sempre sentia-me feliz quando o percebia ansioso por ler algo feito por mim, embora sempre apreensiva de que não gostasse e achar-me-ia boba, simplória ou até mesmo romântica e fantasiosa em demasia.

Entretanto, o que posso fazer se boa ou quase toda a minha inspiração provém de ti e de tua presença?

Se muitos dos destinos felizes por mim redigidos eram a minha forma de dar a nós dois um final feliz não importando qual fosse a realidade, ou o quão difícil ela o fosse. Nesses textos eu fazia o papel do Destino e como tal o fazia acontecer a meu bel prazer.

Quando ajuízo sobre nossas atitudes e desavenças pregressas, percebo o quanto certos temores internos eram pueris. Culpa da inexperiência e ingenuidade de nossos poucos anos mal vividos. Algo evidente em várias de nossas conversas sob o céu noturno repleto de estrelas piscantes, deitados lado a lado sobre a grama verde de sua casa.

Recordo-me com carinho e saudades de quase todas as vezes em que contou-me as histórias por detrás de algumas constelações. Quando com os dedos as desenhava como fossem um pincel e a abóbada celeste fosse uma enorme na qual desenharíamos o que quiséssemos.

E você desenhou as nossas vidas usando as estrelas como guias.

Amor, és capaz de se recordar de nossa primeira vez juntos e o quão apavorada eu estava?

Sempre julguei a ti como um dos homens mais belos do mundo. Achava o teu copo maravilhoso, idolatrava-o e tocava-o sempre com devoção muda, mas naquele dia deixei tudo extravasar e me soltei como nunca antes, pois era você ali comigo.

E tudo a nossa volta passou a fazer sentido depois desse dia.

Céu, terra, fogo, água, ar, dia, noite, luz e trevas.

Tudo tornou-se um só quando atingi o ápice de meu prazer e revelei a ti o quanto o amava, sentindo de volta sua semente preencher-me por dentro e cansados dormimos abraçados após nos amarmos carnalmente pela primeira vez em nossas vidas.

Enquanto de modo inconsciente entoávamos a canção que levar-nos-ia em direção ao nosso futuro.








28 de Abril de 2019 a las 19:40 2 Reporte Insertar 122
Fin

Conoce al autor

Morghanah . Escritora faz algum tempo que migrou de outras plataformas para mostrar meu trabalho. Sou uma pessoa dedicada a historias mais densas com personagens tirados de uma mente conturbada por diversos conflitos internos e levemente insana, um detalhe importante que me fez iniciar a minha longa jornada na arte da escrita e, caso aprecie isso, seja bem vindo ao meu mundo.

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Billy Who Billy Who
Como sempre, você consegue transcrever algo simplesmente banal, como relações humanas, em algo vivido e belo. Não existem novidades em atos que aconteçam na terra, nada é diferente, tudo é repetição, mas quando você o narra, transforma em algo surrealmente sensível, delicado e ainda assim forte e visceral. Adorei. Isso foi lindo.
30 de Abril de 2019 a las 05:21

  • Morghanah . Morghanah .
    Agora fiquei com vergonha, putz, tu não sabe como ler suas palavras me deixa feliz,❤️ até porque você me conhece e sabe o valor que essas shots como um todo têm para mim, assim como as músicas que deram origem a cada uma delas. Cada palavrinha foi redigida com o máximo de carinho e honestidade, por isso acredito que venha daí essa sensibilidade toda. É engraçado perceber, mas eu acredito piamente que o mais visceral, forte e até mesmo belo está na maneira como falamos sobre as coisas simples e tão significativas da vida. Cenas ou situações surreais são interessantes e nos fazem viajar para outras realidades, outros mundos, nos enchem de certos tipo de esperanças repletas de firulas que quase nunca tornam-se reais ou até podem vir a ocorrer, no entanto, devido a cegueira da fantasia deixamos tudo passar; mas quando nós sentimos essa realidade, quando podemos tocar nela de tão palpável que nos foi apresentada - como de certa forma acontece aqui com as emoções deles e toda a sua vivência -, é quando, de fato, a mágica da Escrita acontece. E eu me sinto feliz por demais em saber que consegui isso, que o encanto deles lhe alcançou e a fez sentir. Um beijo e muito obrigada pleo comentário, more ❤️ 30 de Abril de 2019 a las 14:37
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