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shesdreaming amanda

Quando Kyungsoo encontrou aquele maldito bilhete amarelo dentro da sua mochila, ele não planejava se encontrar com o remetente desconhecido – poderia ser um maníaco, isso era uma louca! O cara do bilhete se dizia apaixonado por ele e ele estava curioso, é claro, mas nem mesmo isso mudaria sua decisão. Mas Baekhyun, seu melhor amigo e o remetente secreto, se empenharia a convencer o amigo. Todo seu esforço não seria em vão. { Baeksoo • Fluffy • Oneshot • Dia dos namorados }


Fanfiction Bandas/Cantantes No para niños menores de 13.

#diadosnamorados #baeksoo #kyungsoo #baekhyun #exo
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Único: Yellow notes

Kyungsoo encarava o bilhete amassado sem esboçar qualquer tipo de reação. Tinha encontrado o papelzinho amarelo – tinha grande aversão àquela cor – dentro da sua mochila há poucos minutos. Estava totalmente amassado e um pedacinho miserável de durex o colava em uma barra do seu chocolate preferido, ainda intocado sobre a mesa.

O desdobrou mais uma vez e tornou a passar os olhos pelas letrinhas miúdas, lendo o seu conteúdo pelo que seria, provavelmente, a décima vez.


“Kyungsoo,

Não é novidade para ninguém que sempre nutri grande paixão por você, mas a única pessoa que realmente importa nunca notou isso (essa pessoa é você, caso já não tenha ficado bastante explícito. Você é um pouco lento). Então, seguindo o conselho de um grande amigo, eu decidi que eu deveria me confessar. Que mal há nisso, não é?

Talvez eu acabe estragando tudo, mas não posso esconder esse sentimento dentro de mim para sempre.

Eu quero te dizer tudo isso pessoalmente, acho que vou me expressar melhor assim. Então eu peço para que você me encontre no terraço do seu prédio no dia dos namorados, durante a noite. Apareça por volta das 20h, sim?

Me dê essa chance e apareça, por favor. Espero que seus amigos possam te convencer, mesmo sabendo que não vai ser uma tarefa muito fácil.

Te vejo lá!”


O Do não tinha a mínima ideia de quem poderia ser aquele sujeito e bem, estava realmente curioso. Mas também estava frustrado e absolutamente irritado. Odiava todo aquele suspense, por que a criatura não podia se identificar de uma vez? Ah, era lento? Céus, aquele sujeito deveria se considerar uma pessoa com sorte – pelo rapaz de olhos de coruja não aparecer no maldito encontro, é claro! –, ou levaria uma bela surra por dizer aquilo.

Bufou irritado e amassou o papel fino, o enfiando em seu bolso de qualquer forma, não se importando com o fato de amassá-lo ainda mais ou até mesmo rasgá-lo.

–Você vai, não é? – Foi Luhan quem perguntou. Já estavam discutindo sobre aquilo há um bom tempo.

–E por que eu deveria?

Kyungsoo segurou a barra de chocolate com cuidado e a girou nas mãos, ponderando sobre quem poderia sobre quem poderia ter lhe enviado aquilo. Provavelmente seria alguém que conhecia os seus gostos, certo? Caso contrário, como poderia saber que aquele era o seu chocolate favorito?

Analisou todos os “suspeitos” com quem dividia a mesa, já que não descartava a possibilidade de tudo aquilo não passar de uma brincadeira idiota de um dos amigos. Criou uma lista mentalmente, listando todos os colegas.

Suspeito nº 1: Kim Jongin. O rapaz de humor infantil e sorriso fácil era brincalhão, adorava pregar peças nos amigos... Mas estava ocupado demais nos últimos dias, dedicando todo o seu tempo livre a trocar beijos com Sehun pelos corredores do colégio e também na sua casa. Ele definitivamente não perderia o seu tempo brincando com os sentimentos do Do.

Luhan também não o faria. Por mais que fosse um grande filho da puta na maior parte do tempo e se dedicasse inteiramente à tarefa de perturbar os amigos, ele era mais maduro que isso – além disso o chinês era hétero, o que descartava qualquer chance de ser algo verídico.

O outro chinês do grupo, Zhang Yixing, sequer configurava na lista de suspeitos. Ele estava saindo com uma garota baixinha do 1º ano e era, sem sombra de dúvidas, a pessoa mais madura daquela mesa.

Quando pousou os olhos grandes na figura desajeitada de Park Chanyeol, o considerou culpado. Obviamente não acreditava que ele estivesse apaixonado por si, mas o idiota era o mestre das brincadeiras idiotas. Não era a sua intenção, mas o rapaz era tão infantil que vez ou outra acabava por magoar alguém sem que nem percebesse isso.

–Isso é sério, Kyungsoo? – O rapaz pareceu indignado quando confrontado. – Você realmente acha que eu gastaria o meu dinheirinho te comprando uma barra desse maldito chocolate? Você só pode estar enlouquecendo.

Aquilo foi o suficiente para convencer o Do. O Park era bastante seguro quando se tratava de suas economias, contava cada won gasto e cobrava qualquer “empréstimo” que fazia para os amigos com juros. Em outras palavras, ele era um grande mão de vaca.

E então o único que restava no seu grupo de amigos era Byun Baekhyun, por quem tinha uma paixonite desde o ensino fundamental, o que obviamente não era recíproco. Além disso, sabia que o Byun jamais faria uma brincadeira daquele tipo, jamais brincaria com os sentimentos do amigo ou de qualquer pessoa.

Os olhos vagaram pelo refeitório em busca de mais suspeitos até que encontrou Minseok. Ele tinha sido o único a demonstrar qualquer interesse romântico por Kyungsoo ao longo dos anos, mas era direto – até demais – e se quisesse sair com D.O, ele definitivamente faria o convite pessoalmente e adicionaria doses de insistência.

Se via sem opções mais uma vez e isso o deixava ainda mais zangado. Rasgou a embalagem do chocolate com irritação e enfiou um pedaço grande na boca, recusando a dividi-lo com os amigos.

Percebeu de repente que o chocolate não era uma boa pista. Comia uma barrinha daquelas quase que diariamente – que na maioria das vezes eram um agrado de Baekhyun –, qualquer um no refeitório podia ver aquilo, bastava que olhassem em sua direção.

–Você realmente devia ir. – Foi Jongin quem disse dessa vez. – Você vai passar a noite do dia dos namorados sozinho de qualquer forma, não tem nada a perder.

–Prefiro ficar em casa com o Baekhyun, como em todos anos – rebateu. – Então nós vamos comer alguma besteira e falar sobre o quanto vocês são idiotas, todos desesperados demais em ter alguém para beijar em datas como essa.

O Byun ergueu seus olhos no mesmo instante, encarando o amigo com seriedade. Deixou o pacote de salgadinhos que comia de lado e pigarreou.

–Sabe o que é, Soo – começou devagarzinho, temendo a reação que o outro ia ter. Sentia o peso do olhar dos amigos sobre si, o que o deixava bastante incomodado. – Acho que os planos mudaram um pouco dessa vez... Eu também tenho um encontro.

Kyungsoo o encarou com os olhos arregalados. Sentiu-se mal de repente, com ciúmes do amigo, mas preferiu fingir que tudo aquilo era indignação por ser deixado de lado – o que também não era uma grande mentira.

–Não me diga que você cedeu às investidas daquele infeliz, Byun Baekhyun! – Disse um pouco alto demais, referindo-se a Jongdae. – Ele é insuportável! Você não pode me deixar sozinho para sair com aquele idiota.

–Você só vai ficar sozinho se quiser, Kyung. – A voz de Jongin era baixa e calma. – E pelo que eu seu o Jongdae vai sair com o Minseok, sugestão do próprio Baekhyun.

O Byun deu os ombros com um sorriso orgulhoso nos lábios. Aquela sua ideia tinha sido brilhante! Além de se livrar dos dois de uma vez só, formou um casal que jamais imaginaria e que aparentemente vinha dando muito certo.

–Não enche o saco, Jongin. – O Do respirou fundo e voltou a encarar Baekhyun. – Então quem é?

–Não te interessa – Baekhyun cantarolou com um sorrisinho travesso nos lábios. – Mas eles estão certos, sabe? Você realmente deveria ir, talvez seja bom conhecer alguém novo.

Kyungsoo xingou baixinho e se levantou irritado, agarrando o que ainda restava daquela barra de chocolate. Começou a se afastar sem muita pressa, não desperdiçando seu precioso tempo falando com aqueles que costumava denominar seus amigos mais uma vez.

–Volta aqui, D.O – Yixing se pronunciou pela primeira vez desde que iniciaram aquela conversa. – Você só precisa ignorar esses idiotas.

–Eu me cansei de vocês – o baixinho respondeu. – De todos vocês.

Baekhyun fez menção a se levantar e ir atrás do amigo, mas Luhan segurou seu braço e fez com que se sentasse mais uma vez. Kyungsoo só estava chateado por ser “trocado”, ele dizia, logo mais ficaria bem e voltaria a se juntar a eles.

O Byun concordou, mas ainda se sentia incomodado com toda aquela situação. Merda, se o Do não aparecesse naquele maldito terraço, todo seu esforço teria sido em vão.

Precisava convencer o amigo.

[...]

Na manhã seguinte, a irritação de Kyungsoo só fazia crescer. Gostaria de ter ignorado os amigos por toda aquela semana, mas precisava responder um maldito questionário sobre o conteúdo de biologia e não teve outra saída senão recorrer a Yixing, que era o melhor da turma na disciplina. Consequentemente, teve que aturar os outros.

Para sua surpresa, tudo estava relativamente tranquilo. Obviamente teve que aturar piadinhas sobre como ele era deprimente por escolher passar o dia dos namorados sozinho ao invés de ir ao tal encontro e sofreu uma certa pressão por conta disso, mas nada com o que não pudesse lidar.

Bem, isso até encontrar um novo bilhete na sua mochila. Como alguém poderia deixar aquilo ali sem que ele ou algum dos seus amigos percebessem? Aquilo certamente tinha alguma coisa a ver com magia negra.

Dessa vez o papel era um pouco diferente. Era mais rígido do que sulfite e a textura também era diferente. A cor era a sua favorita: azul. Era um azul escuro, fechado, como ele realmente gostava.

Ignorou o falatório dos amigos ao redor e encarou o papel por alguns instantes. O alisou com os dedos e com um suspiro o desdobrou, deparando-se com a mensagem impressa em uma fonte bonita e elegante. “Impressionante, ele parece determinado!”, Kyungsoo pensou.


“Kyungsoo,

Mesmo estando curioso você não planeja aparecer, não é? Eu te conheço muito bem, sei que odeia suspense e que provavelmente me odeia também. Mas por favor, entenda o meu lado, eu jamais teria coragem para me declarar se não fosse dessa forma. Ainda assim é muito difícil para mim. No fim das contas eu sou um grande covarde, entende?

Você certamente vai ter uma grande surpresa quando me ver, só não sei dizer se vai ser uma das boas ou daquelas ruins. Espero que você não passe a me ignorar depois disso, isso seria realmente péssimo.

Eu estou trabalhando duro para que tudo esteja do jeitinho que você gosta. Todos os mínimos detalhes serão pensados para te agradar, mesmo que tudo vá ser muito simples. Então por favor, apareça, nem que seja para me dizer que fiz tudo errado e não conheço nenhum pouquinho dos seus gostos.

Por favor... Eu estou desafiando a mim mesmo fazendo isso. Se desafie também. Se desafie a viver algo novo, “conhecer” outra pessoa e, quem sabe, novos sentimentos. Eu sei tudo isso parece assustador, mas nós podemos fazer isso juntos.

Imagino que você precise de um tempo para pensar em tudo isso, não é? Eu vou te deixar em paz nos próximos dias, te dar algum espaço... Eu realmente espero te ver lá.

Ps: Me desculpe pelo bilhete amarelo, eu sei que você odeia essa cor. Mas é a minha favorita, sabe? Quem sabe essa dica não te ajude a descobrir quem sou eu?”


D.O quis gritar tamanha era a sua frustração. Céus, quem era o remetente daqueles bilhetes? Por mais que sua mente lhe avisasse que aquilo era uma grande loucura, seu coração parecia inclinado a aceitar tudo aquilo. Sentia no seu âmago que conhecia muito bem o dono daquelas palavras, sentia-se, de uma forma absolutamente estranha, conectado a ele.

Fechou o papel e, depois de lutar contra Luhan que tentava a todo custo tirar o bilhete de suas mãos, o guardou em segurança dentro de um dos seus livros. Suspirou mais uma vez e ergueu os olhos sem ânimo algum, já sabendo que teria que lidar com os amigos.

–E então? – Foi Chanyeol quem perguntou. Ele se encolheu instintivamente, temendo ser agredido pelo baixinho de olhos grandes.

–O que?

–Você vai, não é? – Foi a vez de Yixing se pronunciar. O rosto geralmente sem expressão parecia mais iluminado naquele dia, talvez por conta do sorrisinho bonito em seu rosto, deixando a covinha evidente. – Você parece estar cedendo.

Kyungsoo repousou a cabeça sobre a mesa, usando os braços como apoio. Apertou os olhos com força, tentando clarear os pensamentos. Por que aquilo mexia tanto consigo? Não conseguia entender.

–Eu não sei – confessou, a voz um tanto abafada pela posição em que estava. – Eu estou confuso, curioso e com medo.

–Medo do que, Kyung? – Luhan continha o riso. – De que seja um maluco pronto para te jogar do terraço? Isso não vai acontecer.

–Não, idiota! – Levantou o rosto irritado, encarando o amigo diretamente. – Medo de criar muitas expectativas e me decepcionar, de ser algum idiota tentando brincar comigo ou alguém detestável. E bem, nós não podemos descartar a possibilidade de ser um maluco.

Fez-se silêncio. Ninguém esperava que Kyungsoo se abrisse daquela forma sobre como estava realmente se sentindo sobre aquilo. Ele geralmente não o fazia, costumava guardar todas as angustias e medos para si até que não aguentasse mais. Então ele finalmente explodiria em uma confusão gritos, lágrimas e xingamento, correndo para os braços de Baekhyun logo em seguida, que o consolaria mesmo sem entender nada.

Ah, sim, ainda havia o Byun. A ideia de que ele teria um encontro maltratava o coração do Do, que sentia uma pontada no peito a cada sorriso que ele dava quando falava sobre o quão ansioso estava para que o dia chegasse logo.

Talvez o encontro com o cara misterioso o ajudasse a superar. Ou talvez se decepcionasse ainda mais, ninguém chegaria aos pés do rapaz de sorriso retangular e cabelos vermelhos. Ninguém tomaria o espacinho que ele ocupava no seu coração.

–Eu vou com você – o próprio Byun se pronunciou, quebrando aquele silêncio desconfortável. – Apenas para me certificar de que você vai ficar bem e em boas mãos. Depois disso eu vou para o meu encontro.

Kyungsoo hesitou. Não tinha certeza de que aquilo era uma boa ideia, mas quando Baekhyun lhe direcionou um sorriso grande e bonito, concordou. Que mal faria? Não tinha nada a perder.

Os amigos comemoraram a decisão e o Do sequer se esforçou para parecer empolgado, afundando o rosto entre as mãos. A cabeça latejava e o estômago revirava, o que o fazia pensar que vomitaria ali mesmo.

Puxou os cabelos sem muita força e, de olhos fechados, respirou fundo em uma tentativa – sem muito sucesso – de se acalmar. Só esperava que não se arrependesse daquela escolha, por mais insana que ela parecesse para si.

[...]

Quando o dia finalmente chegou, Kyungsoo queria desistir. Sequer entendia o porquê de ter aceitado aquilo, era uma loucura! Mas bem, agora parecia tarde demais para voltar atrás.

Já tinha tomado seu banho, peças e mais peças de roupas jogadas sobre a sua cama enquanto encarava Baekhyun com certa melancolia, totalmente imóvel. O rapaz já estava pronto para o seu encontro: calça jeans preta, camiseta branca e uma jaqueta também preta, o cabelo estava bem penteado e a franja dividida quase ao meio. Até mesmo os olhos ele tinha marcado com uma maquiagem discreta.

Estava lindo. Tão lindo que fazia o coração do outro bater em um ritmo perigoso, incapaz de tirar seus olhos dele.

–Vamos lá, Kyung – pediu. – Eu vou estar do seu lado, lembra? Nada vai dar errado.

–Eu não sei o que vestir – se lamentou. – Além disso, eu perdi todo o interesse nessa história, não quero mais saber quem é o idiota que mandou os bilhetes.

–Deixa de besteira, D.O – o Byun insistia. Se aproximou da cama do outro e passou a analisar as peças. – Vocês vão se encontrar no terraço, você só precisa dar alguns passos! Se esforce um pouquinho, sim? Talvez seja bom.

Agarrou uma calça jeans branca e camisa de botão da mesma cor, estendendo-as para o amigo que, a contragosto, enfiou-se no banheiro para se trocar. Quando saiu já encontrou tênis, cinto e jaqueta a sua disposição, todos os itens pretos e escolhidos por Baekhyun. Pensando bem, o seu look e o dele não estavam tão diferentes, mas duvidava que estivesse tão bonito quanto o Byun.

–Ah, eu já ia me esquecendo. – Baekhyun enfiou a mão no bolso interno de sua jaqueta e tirou de lá um cartão amarelo, estendendo-o para o amigo. – Eu encontrei na porta assim que cheguei.

Kyungsoo o aceitou com um suspiro, já sabendo se tratar de um bilhete. Uma única frase estava escrita nele, em uma caligrafia estranhamente familiar.

“Eu prometo que essa noite será inesquecível. Vamos nos divertir, sim?”

Deixou o papel em cima da sua cama e arrastou o Byun para fora, antes que desistisse de vez daquela loucura.

Entraram no elevador pequeno e apertou o botão que indicava o último andar – que não levava até o terraço, então ainda teriam que subir alguns poucos lances de escada.

–Eu não posso chegar fedendo a suor no meu primeiro encontro com um possível maníaco – Kyungsoo resmungou. – Isso aumenta o meu risco de morte.

–Não exagere, Kyung, são apenas alguns degraus – comentou com um sorrisinho divertido. O Do resmungou algo como “Eu estou falando sério, mas sobre ser morto por um maníaco” e o Byun acabou gargalhando um pouquinho alto demais, vendo graça naquele desespero eminente do amigo.

Não demorou para que finalmente alcançassem a porta que os separava do terraço e depois de respirar fundo por pelo menos três vezes, D.O levou uma das mãos até a maçaneta e escancarou a porta, dando passos cautelosos logo atrás do Byun, que avançava com confiança.

O terraço ali era decorado, mas nada muito chique. Apenas uma mesinha redonda de madeira com guarda-sol, algumas cadeiras e vasos de flores. Simples, mas ainda assim muito bonito. Em cima da mesa havia uma cesta e nada mais.

–Não tem ninguém! – Kyungsoo esbravejou. – O cara me convida para a droga de um encontro e não aparece. Eu não acredito que fui feito de idiota dessa forma!

Estava furioso, sentindo-se humilhado e, de certa forma, descartado. Poderia estrangular o idiota se ele aparecesse na sua frente pedindo desculpas pelo atraso.

–Ele veio, Kyung – Baekhyun disse com calma. – Olhe mais uma vez, com bastante atenção.

Confuso, o Do obedeceu. Olhou por todos os lados tentando encontrar mais alguém. Não havia ninguém, absolutamente ninguém! Mas que merda, até Baekhyun brincaria consigo agora?

–Do que você está falando, Baekkie? – Estava mais calmo agora. Talvez por conta do tom de voz tranquilo do outro, do sorriso bonito que ele lhe dirigia. – Nós dois somos as únicas pessoas aqui.

–Exatamente.

Levou algum tempo para que o Do compreendesse o que aquilo significava, mas assim que a compreensão o atingiu, seus olhos dobraram de tamanho.

–V-você está me dizendo que isso tudo foi uma brincadeira? – Conseguiu dizer depois de algum tempo.

–Você é realmente lento – Baekhyun retrucou. Deixou uma de suas mãos rumarem até o ombro do amigo e o apertou com suavidade, encarando-o. – Tudo que eu disse através dos bilhetes foi sincero, todos os sentimentos realmente existem dentro de mim.

O Byun sentia suas bochechas arderem, provavelmente estava vermelho feito um tomate. Sorriu da forma mais natural possível e arrastou o amigo até a mesa, obrigando-o a se sentar.

–Eu queria ter preparado algo melhor, mas você sabe que eu não sou muito bom na cozinha, não é? – Respirou fundo em uma tentativa falha de afastar todo o constrangimento que sentia. – Então eu trouxe alguns sanduíches, mas pelo menos é o seu favorito. Me desculpa, eu sei que a ocasião merecia mais que isso.

O rapaz os tirou de dentro da cesta, assim como uma garrafa contendo suco e copos descartáveis. Serviu Kyungsoo e começou a comer silenciosamente, observando-o pelo canto dos olhos.

O Do, no entanto, parecia em estado de choque. Sua mente ainda tentava processar a informação de Baekhyun pudesse nutrir aquele tipo de sentimento por ele, mas o coração batia tão rápido que o desconcentrava.

A verdade era que se sentia um grande idiota. Baekhyun havia deixado várias pistas de que tudo aquilo tinha partindo dele – a começar pelo chocolate, os bilhetes amarelos e a dica que aquela era sua cor favorita. Costumavam brincar com isso com frequência, sobre como eram opostos. Desde o comportamento até às cores que gostavam, já que Kyungsoo detestava amarelo.

Então, com os olhos ainda arregalados e acreditando ser o maior imbecil de todos os tempos, ele começou a comer.

O constrangimento era papável e Baekhyun começava a acreditar que aquilo tinha sido um grande erro. A última coisa que queria era estragar a amizade de anos que tinham.

–Olha só, Kyung – começou com calma. – Tudo o que eu te disse através daqueles bilhetes foi sincero. Eu sempre senti algo muito forte quando estava ao seu lado ou pensava em você, mas por muito tempo eu não entendi o que era esse sentimento, sabe? Eu não posso dizer que eu te amo, pelo menos ainda não. Você sabe que eu nunca tive um relacionamento sério e cara, eu não faço a mínima ideia de como é amar alguém. – Riu nervoso. – Talvez seja isso que eu sinta por você, talvez não seja, mas eu quero descobrir.

Fez-se silêncio por um instante. O Byun esperando que o outro desse qualquer tipo de resposta, D.O tentando compreender aquelas palavras e o significado por trás delas.

–Eu vou entender se você não sentir nada disso por mim, eu fico mais do que feliz tendo a sua amizade. É só que... – Suspirou, escondendo o rosto entre as mãos. – Eu não podia manter isso comigo por mais tempo, eu ia explodir! Então com um pouquinho de incentivo do Luhan eu resolvi me abrir, me desculpe se eu te assustei, não era a intenção.

–Eu sinto – o Do disse baixinho. O mais velho o encarou com os olhos arregalados, não sabendo ao certo se aquelas palavrinhas tinham vindo do amigo ou se era tudo fruto da sua imaginação. – Merda, eu sinto com tanta intensidade, Baekhyun, que é quase doloroso as vezes. Mas eu nunca imaginei que você fosse gostar de mim dessa forma. Logo você, tão bonito... É surreal.

Ele riu. Não porque achava a situação engraçada, mas sim pela loucura que eram suas emoções no momento, ele sequer conseguia se expressar propriamente.

–É tudo tão estranho para mim, eu ainda tenho medo de que tudo isso seja uma grande brincadeira e que os outros apareçam aqui do nada, apontando e rindo da minha cara. Ou de que você seja um maníaco e me mate, eu ainda não descartei essa opção.

Baekhyun gargalhou, uma onda de alívio percorrendo seu corpo. Se aproximou um pouquinho mais do amigo e segurou suas mãos.

–Eu nunca faria uma brincadeira desse tipo, nunca faria algo que pudesse te machucar. – O Byun disse com um sorrisinho nos lábios. E estava sendo absolutamente sincero. Nunca, em hipótese alguma, queria ser responsável pela tristeza no coração de D.O. – Você sabe disso, não é?

Kyungsoo concordou, o rosto ficando mais quente por conta de toda a proximidade entre os dois e o contato que, apesar de ser totalmente casto, fez sua pele arder. As coisas só pioraram quando Baekhyun levou uma das mãos até o seu rosto, acariciando-o na bochecha.

Os rostos estavam cada vez mais próximos, ele podia sentir a respiração quente de Baekhyun batendo contra o seu rosto. Fechou os olhos instintivamente e no instante seguinte, sentia os lábios macios do outro contra os seus.

O selar casto avançou aos poucos, quando a língua do Byun deslizou pelos lábios fartos do outro e invadiu sua boca, explorando-a com calma. Uma de suas mãos agora se encontrava na cintura de Kyungsoo, exercendo uma pressão sutil ali.

O Do estava tenso. Aquele não era o seu primeiro beijo, mas era o primeiro com o cara por quem era apaixonado há anos. Mas Baekhyun era paciente, seguia seu ritmo e aos poucos ele foi relaxando, entregando-se cada vez mais a aquele contato.

Aquele era o primeiro beijo que trocavam, mas já tinha sido o suficiente para que D.O se sentisse nas nuvens. Sentiu todo o seu corpo se arrepiando quando, ao se afastarem, Baekhyun deixou um beijinho no seu pescoço.

–O que você me diz, Kyung? Você vai me ajudar a descobrir que sentimento é esse? – O Byun perguntou baixinho, os olhos cintilando enquanto encarava o amigo.

E embora já tivesse certeza do que sentia, Kyungsoo concordou. Porque ele queria mostrar para Baekhyun que sim, aquilo era amor. E enquanto durasse, todos os dias seriam tão doces e agradáveis quanto àquela noite.

22 de Abril de 2019 a las 02:26 0 Reporte Insertar 2
Fin

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