Alcatraz Seguir historia

hiyorijaeger Hiyori Jaeger

A prisão de Alcatraz é a prisão mais temida pelos piores criminosos americanos, um lugar escuro e cruel, de onde ninguém jamais conseguiu escapar. Mas além de dor e castigos essa temida prisão pode se tornar o palco de um romance proibido porém intenso entre um de seus guardas e o assassino mais temido pela máfia, que juntos buscarão um caminho a seguir que os leve além do oceano.


Fanfiction Anime/Manga Sólo para mayores de 18.

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Amor Proibido

Baía de São Francisco, 1945.


*Detento Mil e Onze*

Era mais um daqueles dias quentes de verão que faziam toda a ilha fervilhar. O sol castigava nossa pele e mesmo assim cada um de nós trabalhávamos arduamente sem reclamar, pois até mesmo o sol escaldante era uma opção mais razoável, se levássemos em conta que a outra opção era ficar naquela maldita cela que mais parecia uma ratoeira.

Hoje completam três anos que fui transferido para a Prisão Federal de Alcatraz, meu péssimo comportamento na prisão anterior foi meu passaporte para esse inferno na terra. Essa maldita prisão impenetrável em meio a uma ilha na Baía de São Francisco, muitos a chamam de A Rocha, outros de a Ilha do Diabo. Nos Estados Unidos se você infringe a lei vai para prisão, mas se você quebra as regras da prisão, seu destino é Alcatraz.

Esse é o destino final de criminosos como eu. Todos que aqui foram “melhores” na arte do crime. Gangsteres, mafiosos, traficantes e assassinos são alguns dos adjetivos que compõe nossa extensa ficha criminal.

Hoje meu lar é uma construção de mais de sete mil metros quadrados de tijolos. Um local frio, escuro e fantasmagórico envolto em uma névoa sombria na maior parte do ano. Um lugar realmente horrível de se viver. Ninguém é enviado para esta prisão com o intuito de ser ressocializado, o único objetivo aqui é punir os piores criminosos.

Alcatraz foi criada 1934 em uma época em que a criminalidade no país alcançava níveis catastróficos, sua criação buscou devolver o prestigio a justiça americana que estava um pouco desgastada naquele período. A máfia era invencível, os mafiosos eram admirados como astros de cinema e jamais eram devidamente penalizados. As outras prisões sequer conseguiam conter esses criminosos, eles sempre acabavam fugindo desses lugares, um exemplo disso foi a fuga do casal de bandidos conhecidos como Bonnie e Clyde. Pouco antes de inaugurar Alcatraz, o índice de homicídio nos Estados Unidos havia aumentado cerca de quase mil por cento. Resumindo, Alcatraz foi uma resposta do “Tio Sam” para os famosos criminosos do submundo.

Nesses três anos em que aqui estou eu vivenciei muita coisa, muitas delas terríveis, quase morri diversas vezes, mas agora procuro não me envolver em confusão. O péssimo homem que fui está aos poucos sendo domado e o pior de tudo é que o responsável por isso é aquele maldito pirralho do outro lado da cerca.

- Me diz senhor Mil e Onze... por que você não gosta de cachorros? A Mikasa disse que você não gosta porque é um idiota, mas eu acho que é porque você tem medo. – Com certeza pior que as paredes de Alcatraz é a língua afiada desse pirralho, filho do diretor da prisão.

Eren Jaeger é um garoto de 12 anos que insiste em ficar próximo as cercas que dividem o campo onde trabalhamos com a área de lazer dos civis. Alguns prisioneiros de Alcatraz trabalham no campo que fica próximo a área de lazer dos moradores da ilha. As famílias dos guardas, assim como eles, também vivem em Alcatraz. A justificativa para isso é que seria muito caro para o governo pagar para que os guardas fossem e voltassem de São Francisco, por isso cerca de trezentos civis residem por aqui. Eren é filho do diretor e devido a isso acredito que os guardas não se incomodam tanto com o fato dele ficar o tempo todo falando comigo.

No início eu o ignorava, mas depois se tornou impossível, respondendo ou não ele não parava de falar. Essa “amizade” começou no dia em que devolvi a bola dele que caiu onde eu estava trabalhando, mas eu mentiria para mim mesmo se dissesse que não gosto de ouvir suas histórias. Ele me chama de Mil e Onze porque aqui somos conhecidos apenas por números, uma das coisas que perdemos nesse lugar além da liberdade é o direito a um nome. Aqui o pior dos criminosos perde seu nome e ganha um número. Aqui não temos direito a identidade.

Diante de seu olhar de expectativa, eu paro o que estou fazendo e resolvo responder o jovenzinho tagarela que continua me chamado de Mil e Onze de forma irritante.

- Sua amiga é uma idiota e não me interessa o que ela pensa... Não gosto de cachorros porque eles não gostam de mim. Sempre preferi os gatos porque possuem personalidade forte e não abanam o rabo para os donos independentemente da forma como são tratados. – Volto a fazer o que estava fazendo e Eren continua a me observar atentamente.

Sinceramente não sei o que esse pirralho vê em mim, ele podia estar correndo com os amigos, mas prefere ficar ao lado de um criminoso que sequer gostava de crianças até conhecê-lo.

Volto meus olhos para o oceano e uma brisa suave acaricia minha face, institivamente fecho os olhos para apreciar melhor a sensação. Penso em como tudo teria sido diferente se eu não tivesse vindo para a América. Se ainda morasse naquela pequena aldeia próxima a Paris eu não estaria aqui agora, mas quando lembro que o mundo está lutando contra Hitler, vejo que talvez na França eu não estivesse tão melhor assim.

No fundo a única coisa que eu desejava era ir além dessas cercas, ver o mundo além desse oceano de águas tão revoltas. Além desse oceano existe uma imensidão de oportunidades. Abro meus olhos e olho para a cidade de São Francisco. Estamos a dois quilômetros e meio dessa cidade e daqui podemos até mesmo ouvir o barulho do tráfego, acho que no fundo essa é a maior tortura, ter a liberdade a quinze minutos de balsa e poder apenas ouvir e observar.

- Queria sair dessa ilha e conhecer o mundo Mil e Onze. – O jovenzinho sentado sob os próprios calcanhares próximo a cerca diz exatamente a mesma coisa que minha mente imaginava. Ele assim como eu, queria ir além das cercas e muros. Queria ver além do oceano, contudo ao contrario de mim, ele não está preso a grilhões e correntes, ele é só um pirralho com uma vida inteira pela frente.

- Cresça pirralho... quando for adulto poderá sair daqui. Ao contrário de todos nós desse lado da cerca, você não é um prisioneiro.

Em um ano de convivência nunca parei para pensar nisso. Um dia ele vai ir embora. Um dia serei apenas eu e esses homens com quem sou proibido de falar. Eren é minha única companhia aqui e meu maior temor em breve deverá se cumprir. Ele irá para longe, onde meus olhos não poderão mais alcançá-lo.

- Eu serei vigia aqui... – sua voz travessa se contrasta com meu olhar de espanto ao ouvir sua afirmação. O que diabos esse moleque está dizendo?! Ele acabou de afirmar que quer ir além e agora diz que vai ser um maldito guarda?!

- Não espere que eu seja seu amigo depois que resolver virar um maldito guarda, pirralho. – Digo a ele e retorno ao meu olhar de tédio enquanto recolho as ferramentas no chão, já que em breve tocaria a sirene para o almoço.

- Vou me tornar guarda e descobrir seu nome Mil e Onze. Já que você nunca me diz. E depois ... – sua voz se torna um sussurro enquanto ele aproxima seus pequenos lábios da tela de proteção da cerca e continua – ...Vou te ajudar a sair daqui e juntos vamos ir além do oceano.

Eu sabia que aquilo não passava de fantasia de criança, que todos que tentaram fugir morreram e que ele provavelmente sequer me notará quando for adulto... Mesmo sabendo tudo isso, meus olhos se umedecem e eu me recuso a acreditar que são lágrimas. Com um tom de voz bem parecido com o que Eren usou eu respondo...

- Meu nome é Levi...

Logo em seguida a sirene anunciando o horário do almoço soa me obrigando a me afastar de Eren e me unir aos outros prisioneiros, mas não sem antes observar o sorriso do jovenzinho num agradecimento mudo por enfim dizer a ele o meu nome.

Baía de São Francisco, 1955.

*Eren Jaeger*

Meus olhos sempre vagavam pelo oceano a minha frente quando eu estava como vigia em uma das torres de Alcatraz. Rádio ou mesmo livros são proibidos para todos nós enquanto estivéssemos nas torres. Sendo assim, só me resta o oceano para admirar. Hoje é uma noite de lua cheia e felizmente a neblina não esta tão intensa como de costume, isso me proporciona uma visão privilegiada do oceano e da bela São Francisco ao fundo. Sempre quis morar nessa cidade, me pergunto como deve ser viver por entre suas inúmeras ladeiras e andar em seu bonde. Fui a São Francisco poucas vezes porque meu pai como diretor poucas vezes se afasta daqui. Sendo assim, só me restou observar e sonhar com o dia em que eu e “ele” poderemos ir até lá juntos.

- Eren, pode deixar seu armamento aqui que eu vou te substituir. - Uma voz interrompe meus sonhos e devaneios e nem preciso me virar para saber de quem se trata. A voz de Jean Kirsten era inconfundível, principalmente porque me irritava sobremaneira.

Diante de sua fala, eu viro meu rosto para fitar Jean nos olhos e com o olhar tão gélido quanto o oceano que anteriormente eu observava, o respondo sem esconder minha irritação.

- Ainda não terminou meu turno, Kirsten. Só deixo o posto ao amanhecer. Não venha me perturbar antes do tempo.

Eu tinha total certeza de meus horários. Ainda faltavam três horas para o fim de meu turno, o que não justificava a atitude de Kristen. Ignoro sua presença e volto a observar o mar, mas ele não me permite um segundo a mais de privacidade e me dá boas justificativas para deixar meu posto imediatamente.

- São as ordens do Diretor, não cabe a você questionar a decisão dele mesmo que ele seja seu pai. Segundo ele era para o Mil e Onze ter deixado a solitária ontem de manhã, mas graças ao esquecimento do Marco, eu que tive que ouvir os gritos do diretor que ficou uma fera ao descobrir que aquele demônio em miniatura ainda estava preso naquele lugar. E como se não bastasse esse ataque de fúria, ele quer que a gente o liberte imediatamente, mesmo ainda sendo madrugada. Não sei para que tanta preocupação com uma escória daquela.

Grisha Jaeger era meu pai e o diretor de Alcatraz. Costumava tomar decisões justas com relação aos guardas e mesmo como os próprios prisioneiros. Não punia além do necessário e talvez por isso fosse o único diretor na história do presídio a permanecer por tanto tempo. Mas as qualidades do meu pai são o que menos importa agora, e antes que eu manifeste qualquer reação, Kristen continua...

- É para você ir para a Cela dos Pelados buscar aquele encrenqueiro do Mil e Onze e levá-lo de volta a cela dele.

Um calafrio percorre meu corpo quando Jean menciona essa cela. Em Alcatraz os presos brigões iam para uma das 42 celas solitárias do bloco D. As celas desse local eram de aço, sem pia ou privada. As necessidades do preso eram feitas em um buraco que existia no chão do local, sem qualquer assepsia. Era um local frio, úmido e sujo. Nessas celas os detentos ficavam nus, por isso o nome Cela dos Pelados, e lá eles podia ficar por até dezenove dias no frio e na mais completa escuridão, como forma de punição por seus atos. Enfim, era um buraco negro temido pelos presos, mas que nos últimos meses havia se tornado um “segundo lar para Levi Ackerman”.

- O que o Levi fez? Se tiver algo a ver com o Zeke eu aposto que o Levi é inocente. – eu conhecia bem a rixa entre Levi e o Detento alemão Zeck Reinz, mais conhecido como Oitocentos e três.

Desde que me tornei adulto eu soube quem era Levi Ackerman, soube que embora ele fosse um dos assassinos mais frios de todos os tempos, o homem pequeno e de fisionomia séria jamais brigaria se não fosse excessivamente provocado.

- Mil e Onze! Chame-o pelo número, Jaeger! Às vezes penso que você acha que é amigo dos presos. Lembre-se de qual lado você está! Aqui os únicos inocentes somos nós, os guardas desse buraco. Não pense que terão piedade se cairmos nas mãos deles. Aliás, esse seu corpinho ficaria em frangalhos, já cansei de ouvir detentos se aliviando e chamando seu nome Jaeger.

As falas de Kirsten sequer causam incômodo em mim. Sei da atração de alguns detentos por mim e não posso culpá-los por isso, não que eu seja soberbo e ache que mereça ser um símbolo sexual da prisão, mas entendo que são homens confinados cheios de hormônios. Isso sem falar que sou o único guarda que não os trata como lixo. Merecem ser punidos, mas com dignidade, sempre pensei assim.

Ignoro completamente as últimas falas de Jean, ele era apenas um aproveitador que usava o cargo de guarda em seu próprio benefício. E para esse tipo de “ladainha” eu estou sempre ocupado demais. Por isso ignoro completamente seu descontrole por eu chamar Levi apenas pelo primeiro nome, faço minha usual cara de desinteresse e apenas ignoro suas palavras.

Entrego meu armamento para Kirsten e desço a enorme escada de aço que dá acesso à torre de vigilância. Preciso entregar meu armamento porque em Alcatraz os guardas só portam armas se estiverem fazendo a vigilância externa do local, nunca usamos dentro dos pavilhões que dão acesso aos prisioneiros. Trata-se de uma questão de segurança.

Mas por incrível que parece eu nunca me senti inseguro aqui, armado ou não, sei que Levi jamais me faria mal e inclusive me protegeria se fosse necessário. Eu sei que esse cruel assassino não me machucaria. Desde muito jovem eu aprendi com Levi que até os páreas tem seu código de honra.

Levi Ackerman era um imigrante francês conhecido por inúmeros assassinatos. Ele era um dos assassinos mais eficientes e bem pagos pela máfia. Era frio e certeiro na hora de matar e não tinha lados quando ia fazer um serviço. Seu mal comportamento em uma prisão anterior o fez ser transferido para Alcatraz, uma punição que com certeza causou nele grande impacto.

Embora ele fosse um assassino de aluguel assim como outros criminosos daqui, tinha sua própria lei a seguir.

Não mato mulheres e nem crianças.” Sim, essas foram as primeiras falas ditas por Ackerman após dias de convivência comigo e minhas inúmeras tentativas de puxar assunto quando ele simplesmente devolveu minha bola que havia caído no campo de trabalho.

Lembro que na época eu fiquei na dúvida se o agradecia ou não. Seus olhos de cor tão enigmática, naquele momento aguçaram minha curiosidade e dia após dia quis saber mais sobre ele. Conversávamos entre aquela cerca que nos dividia todos os dias, até eu me tornar adulto e poder me aproximar dele.

Recordo com carinho do primeiro abraço de aniversário que ele recebeu desde que fora preso. Fiz questão de abraçá-lo naquela noite fria de natal, os outros guardas e detentos estavam distraídos com seus próprios afazeres e eu o abracei. Apertei seu corpo forte e pequeno contra o meu e foi naquele momento que me lembrei da minha promessa. A promessa mais importante que eu já fiz na vida.

Vou me tornar guarda e descobrir seu nome Mil e Onze. Vou te ajudar a sair daqui e juntos vamos ir além do oceano.”

E então eu repeti aquelas palavras num sussurro próximo ao seu ouvido. “Vamos juntos além do oceano Mil e onze.” Naquele instante eu senti seus braços me apertarem com força enquanto ele sussurrava de volta.

Qualquer lugar é bom se você estiver comigo, pirralho.

Lembrar-me desse dia faz meu coração se encher de nostalgia e saudade, estou a quase duas semanas cuidando da vigilância externa, o que significa que há quase duas semanas não o vejo. Me sinto tão culpado por não ter descoberto antes que ele estava na Cela dos Pelados. Ele já havia estado lá outras vezes e eu sempre intercedia ao meu pai por ele, dizia como ele era quieto e trabalhador, o que de fato era verdade.

A primeira vez que fui retirar Levi daquela solitária, o assassino estava com a pele tão fria e machucada após brigar com dezenas de detentos que não pensei duas vezes antes de lhe abraçar. Queria protegê-lo, queria dar a ele conforto e mal percebi quando uni nossos lábios numa tentativa de confortá-lo ainda mais. Provei aqueles lábios feridos porem tão macios e dei meu primeiro beijo em um dos prisioneiros mais perigosos de Alcatraz.

Lembro-me do temor que eu senti, temia ser rejeitado ou agredido por me atrever a ir tão longe, mas esse medo foi colocado de lado quando senti Levi corresponder ao beijo.

Senti a forma dominante com que Ackerman me beijava, ele me agarrava e tirava de mim qualquer capacidade de raciocínio. A forma como ele sugava minha língua e acariciava minhas costas me proporcionavam uma sensação única. Levi fazia meu corpo queimar. E naquela época, aos dezoito anos e com os hormônios em fúria, eu me perdi em seus braços.

Depois desse “incidente” sempre que estávamos a sós, nós nos beijávamos. Eram beijos profundos e repletos de carinho, mas também cheios de luxúria. Foi graças a um prisioneiro que a ilha de Alcatraz que sempre foi tão cinza para mim, passou a ter cor.

Claro que algo assim é proibido e deve ser escondido. Por isso só nos permitimos tais atos de carinhos em locais desertos e de preferência durante as madrugadas em que estou responsável por ele. Na ilha cada vigia era responsável por três presos, e eu quase sempre era responsável por Levi, Reiner e Berthold. Os dois últimos colaboravam com a nossa privacidade já que eu colaborava com a deles.

Continuo meu caminho até o bloco D, o que acaba por demorar um pouco. O caminho entre a torre e o bloco D, local onde ficavam as solitárias, é longo e sombrio se considerarmos que ainda não amanheceu. Mas felizmente a claridade das inúmeras lâmpadas e da lua fazem meu trajeto ser o mais iluminado possível.

Chego ao meu destino e na entrada do bloco me dirijo ao guarda responsável pelo local naquela hora.

- Qual das celas está o detendo Mil e Onze, Connie? – Pergunto com um olhar que traduz uma falsa indiferença.

- Cela 25, ele já está aí a quatro dias, então deve estar bem quieto agora. Ele devia ter saído ontem pela manhã.

Embora sinta raiva em saber que ele foi castigado além do necessário, nada respondo e apenas espero que me seja concedida a passagem. O que não demora a acontecer.

Entro no bloco D e sob uma luz fraca e constante, caminho por um longo corredor até me deparar com a cela 25. Ao olhar ao redor percebo que todas as outras celas estão com as portas abertas, o que me faz deduzir que as outras solitárias desse mesmo corredor estão vazias.

Aciono o dispositivo elétrico que mantém a cela fechada e entro no lugar onde Levi está. Inicialmente não vejo nada, preciso me aproximar mais e ao adentrar no local vejo ele encostado na parede. Meu coração chega a doer com a imagem que me é proporcionada.

Completamente nu, Levi está abatido e em pé, a parede deve ter sido seu único apoio nesses dias na mais completa escuridão.

- Você demorou. – A voz grave e mais rouca do que de costume preenche a cela vazia e eu finalmente saio de meu transe momentâneo para responder.

- Desculpe Levi, só soube agora do castigo, eu estava como vigia nas torres. – Embora a luz que vinha de fora fosse fraca, Levi ainda não conseguia abrir os olhos totalmente. Provavelmente a luz lhe causava dor após ficar dias no escuro, mas se ele me olhasse agora veria que meu olhar reflete doçura e tristeza ao mesmo tempo.

Sempre me doía ver como ele era castigado. Sei como os castigos na ilha são intensos, muitos prisioneiros acabavam feridos ou mesmo se suicidavam quando eram enviados para as celas do bloco D.

Preso em meus pensamentos, levo minha mão até o rosto de Levi iniciando uma sequência de beijos e carícias na pele pálida e fria.

- Eren... Aqui não. Eu estou sujo e sem banho há dias. – Levi se desvencilha das minhas tentativas de beijar seus doces lábios. A limpeza nunca me importou quando eu o via tão maltratado. Só queria poder protegê-lo.

Porém, mesmo querendo cuidar dele e protegê-lo, entendo sua posição. Sei que Levi também estava sedento e ansiando pelo mesmo eu. Sei que assim que possível ele tomaria para si meus lábios e os castigaria com seus beijos enlouquecedores. Mas agora não era o momento, segundo ele estava sujo e essa era uma coisa que ele detestava. Para Levi, já bastava à sujeira de seus crimes.

- Sabe que prezo a limpeza Eren, principalmente quando estou com você. – Principalmente quando está comigo... essas palavras de Levi sempre me deixam com borboletas no estômago. “Como pode ser tão perfeito?”

- Sem banho e sem dormir, não é Levi? Você é um ser humano, não entendo como podem fazer isso. – Eu realmente sofria em vê-lo tão humilhado por aquele castigo. Sabia o quanto custava para ele ficar naquele local, ele tinha aversão a sujeira e devido a isso, ele não se deitava enquanto estivesse por ali e com isso, não dormia. O nojo do assassino por sujeira era sempre maior que o seu cansaço.

- Tsc... isso não importa, eu não durmo mais que duas horas na minha cela também, então tanto faz. – Finalmente conseguindo abrir os olhos, Levi me encara, para enfim dizer outra coisa que me deixa constrangido

- Incrível. Os seus olhos mesmo com a luz fraca são tão verdes e intensos. Nada mal... Na verdade são tudo que eu precisava para me sentir melhor, é como se essas noites e dias sem dormir não significassem nada além de um pesadelo distante. – Sua mão intenta me alcançar, mas para no meio do caminho.

A pouca claridade que insistia em entrar pela cela, nos dá a privacidade que precisamos para nos olharmos com carinho, desejo e amor. Olhamo-nos não como guarda e detendo, e sim, como cúmplices e amantes.

- Aaah, piralho... não me olha assim. – Levi sabe como eu o desejo e eu não faço a menor questão de esconder isso. ­– me ajuda a ir até o banheiro, vou tomar um banho e outro dia quando a ocasião permitir, eu darei um jeito nesse seu sorriso safado.

Retribuo o sorriso e com dificuldade caminhamos até o local destinado ao banho dos detentos no bloco D. Levi realmente está fraco e seria crueldade exigir algo dele nesse momento. Chegamos a uma enorme área adornada com azulejos brancos até o teto. Várias duchas de água fria estão fixadas na parede e não existe qualquer divisória no local, afinal de contas, prisioneiros não precisam de privacidade.

Deixo Levi próximo a uma das duchas e ele se apoia na parede enquanto permite que a água fria deslize sobre sua pele repleta de hematomas. Confesso que é uma visão dolorosa, mas isso só aumenta meu desejo de cumprir minha promessa.

Vou tirar você daqui, custe o que custar.

- Nem pense nisso, pirralho... – as palavras de Levi me trazem de volta a realidade e diante de meu olhar questionador, ele conclui a frase. – Não quero que se arrisque... Se fizer algo pode morrer ou acabar como prisioneiro aqui. Quero que seja feliz pirralho, não merece o mesmo destino que um verme como eu, você merece mais...

"Eis que o maior assassino de aluguel de toda Chicago, o francês Levi Ackerman, é na verdade um amante com altruísmo excessivo". Essa é a única classificação que eu posso lhe atribuir.

- Eu não vou mudar de ideia, Levi... - me aproximo para poder falar mais baixo sem o risco que nos ouçam. – Antes era só um sonho de criança, mas agora pode ser realidade. Sabemos que nos últimos onze meses você, Reiner e Berthold estão escavando a cela do Berth. Já conseguiram chegar ao duto de ar e isso é perfeito, poderão se esgueirar através dele para sair e alcançar a parte externa da prisão. Para nossa sorte o mesmo mar que nos confina nesse inferno está destruindo pouco a pouco esse lugar, não é de admirar se tudo isso deixar de existir em alguns anos. Afinal, a maresia já está castigando os ferros que sustentam Alcatraz.

- Chegamos aos dutos, mas não vai ser fácil passar por eles. Como andar por aquelas gerigonças de metal sem fazer barulho e chamar atenção dos guardas?

Com um meio sorriso, respondo ao meu querido prisioneiro que me olhava como se realmente desejasse uma resposta positiva para todos os nossos anseios.

- Simples, o dia da musica está próximo. Vai ser perfeito, nesse dia os detentos tocam instrumentos e devido a isso o local não fica tão silencioso. Vocês três podem aproveitar essa brecha.

- Eren, são treze contagens de prisioneiros diariamente, acha mesmo que não vão notar a nossa falta?

- Contagens que serão feitas por mim. – respondo enquanto aponto o dedo indicador na direção da minha face e dou um largo sorriso. Que logo se desfaz ao ver que Levi mais uma vez vai ficar irritado. Ele me olha com espanto e ira. Dois sentimentos que ele usa para mascarar seu sentimento principal...a preocupação.

- Nem pensar, pirralho! Você não vai colocar sua cabeça a prêmio! É obvio que se os três detentos que você vigia fugirem ao mesmo tempo, você vai acabar sendo descoberto e isso eu não vou permitir! Esqueça isso de fuga, Eren... Estarei bem enquanto estiver aqui comigo.

Não respondo suas palavras, na verdade apenas me afasto e retorno para onde estava antes, Levi nada diz e volta a fazer sua higiene em silêncio.

Após o banho de Levi, eu o conduzo pelo pavilhão onde fica sua cela, um local minúsculo com dois metros de cumprimento por um de largura. Uma cama e uma pia são os únicos objetos do local. Nesse momento não estamos mais sozinhos, ao lado da cela de Levi dorme o prisioneiro mil seiscentos e treze, Reiner Braun. Um traficante que causou muitos problemas no Broklyn com seu fiel parceiro Berthold Hoover, ou mil seiscentos e quatorze, como era chamado por nós da vigilância.

Observo Levi, que agora vestido com o uniforme de prisioneiro se deita e cobre o corpo com um farrapo que eles chamam de cobertor. Fecho sua cela com a mesma expressão fria que sempre uso ao transitar pelos corredores e finalmente saio. Como não era meu turno outro vigia cuidaria de Levi, Reiner e Berthold. As luzes em Alcatraz são apagadas as vinte horas e trinta minutos, e por isso a essa hora todos, exceto os guardas de plantão, já estão dormindo. Felizmente isso não foi empecilho para meu pai mandar tirar Levi da solitária.

Após quase meia hora de caminhada e com o dia já dando sinais que vai nascer eu chego em minha modesta casa, tentando descobrir como vou convencer Levi a seguir os os planos de fuga.

Vamos juntos para além do oceano Levi. Eu pago qualquer preço para te ver livre.

Continua ...

9 de Abril de 2019 a las 00:34 0 Reporte Insertar 1
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