Cuento corto
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~Play me in loop~



O oxigênio no ambiente era estático, as respirações propagavam fagulhas quase incandescentes, os corações em disputa acirrada para decidirem qual dos dois era o mais afoito em desejo.


Não havia tempo para explicações, muito menos para desculpas, essas, constantes aliadas de Sasuke.


O moreno evitou por muito tempo as sensações que agora propagavam-se em ondas por sua pele... Como se o loiro fosse portador de magia obscura, capaz de controlá-lo ao seu bel prazer. Tolice. Obviamente, era sempre mais fácil culpar o sobrenatural ou o impossível pelos efeitos desastrosamente alucinantes causados pela paixão.


Sim, para Sasuke, cogitar a ideia de estar apaixonado era algo tão assustador quanto estranho. Nunca, em toda sua vida, imaginou-se suspirando pelos cantos, sonhando acordado com toques e beijos, bem como desviando a atenção de coisas importantes unicamente para vaguear por pensamentos aleatórios referentes aos próximo encontro com o rapaz de grenhas louras.


Ah, como é belo o desastre causado pelo sentir.

Desde sempre, Sasuke julgou-se imune aos caprichos das emoções, batia no peito ao dizer-se frio, intocável, insensível, não controlável por impulsos sentimentais e inatingível a desejos humanos.


Claro, até Naruto aparecer... Ah, maldito seja! Praguejou-o com cada átomo de sua compleição física, desejoso de que tudo fosse apenas um pesadelo. Um pesadelo que de certo, o atormentaria ainda por muito tempo...


Afastou os pensamentos quando viu-se há poucos metros da sala de aula. Odiava começar o dia com aulas de humanas, mas com certeza, odiava ainda mais ter que suportá-las sem o colírio das íris azuladas do melhor amigo.


Empenhou-se ávidamente, com a ilusão de que assim, a enfadonha tarefa de ouvir o velho professor magrelo falando sobre sangrentas batalhas cessaria mais rapidamente.


Quando o sinal estridente anuncia o término da parte matutina das aulas, o moreno suspira aliviado, sabendo que o que lhe esperava aos colocar os pés fora das dependências escolares lhe traria imenso alívio à exaustão intelectual. Organizou seus materiais, jogando a mochila preta displicentemente sobre o ombro, projetando os passos para fora da sala.


No corredor abarrotado de estudantes escandalosos, fez seu melhor para não ser esmagado, embora tal tarefa fosse deveras complexa, dado o número excessivo de alunos que insistia em atrapalhar a passagem, apenas para ficarem fofocando com suas panelinhas igualmente massantes.


Ao finalmente, ser agraciado com o beijo fresco da brisa primaveril, permitiu-se sorrir minimamente, ao notar o conversível preto de Naruto, estacionado em uma vaga distante das demais. Era engraçado encontrá-lo fora da faculdade nos dias que não tinham aulas juntos; a postura constantemente relaxada entrava em oposição com a vestimenta rebuscada, que era obrigado a usar para o trabalho na empresa paterna. Inegável era o fato de que, para Sasuke, não importava quais tecidos adornassem os músculos equilibrados de Naruto, tudo, sem exceção, lhe cairia estupidamente bem.


Moveu as calmas passadas até ele, encarando-o com o mesmo olhar entediado de sempre, ainda que nem de longe sentisse-se de tal forma. Gostava de provocar, brincar com a ideia de que não via nada de muito interessante no loiro, ainda que para si mesmo, pudesse admitir bem baixinho e em segredo que jamais sentira por nenhum outro alguém, o que aquele rapaz de cabeleira loira lhe causava.


_ Bom dia teme. - Cumprimentou Naruto, ao tê-lo diante de si.


_ Bom dia. Como foi no trabalho? - Questionou o moreno, quando o de cabelos claros abriu-lhe a porta do carro, cavalheirescamente como lhe era de costume.


_ Tedioso. E a faculdade? - Indagou, ao acomodar-se no banco do motorista, trazendo a tona o ronco preguiçoso do motor a ambientar o diálogo.


_ Um saco. Sabe que odeio aula de humanas. - Bufou Sasuke, revirando os olhos enquanto paravam em um sinal vermelho.


_ É, eu sei. - Falou Naruto sorrindo, acomodando a destra sobre o joelho de Sasuke.


As correntes elétricas deram o ar da graça de imediato, trazendo uma sequência de pequenos arrepios que perpassaram por todas as quinas de sua consciência. Ainda que fosse um hábito do loiro repousar a palma quente no joelho fino do moreno, enquanto direcionavam-se ao seu destino, nunca era natural para Sasuke, lidar com o descontrole de seus sentidos, especialmente ele, que sempre achou-se tão acima de qualquer emoção banal. Ver-se entregue a carícias tão ínfimas irritava-o, mas nem por um segundo ao ponto de mandar que o outro cessasse com os afagos.


O trajeto até o refúgio de ambos fora feito em silêncio, com um Naruto de bom humor, sorridente para tudo e um Sasuke emburrado, apenas para não dizer envergonhado.


Tão logo pararam em frente ao prédio de fachada verde-claro simples, saltaram e adentraram o pequeno hall. O porteiro os cumprimentou com um aceno, e prontamente seguiram aos elevadores.


Parando no terceiro andar, Naruto sacou o molho de chaves, escolhendo a pequena peça azul escuro, usando-a para destrancar a porta de número 305. Deu passagem ao moreno, como sempre, vendo-o retirar com pressa os calçados e imediatamente caminhar até o sofá cinza, descansando o corpo cansado e sorrindo, daquela forma que Naruto tanto amava.


Trancou a porta e, após acompanhar o moreno no tirar dos sapatos, caminhou até o mesmo, depositando seu peso calculadamente sobre o do outro.


_ Será que posso ganhar um beijo agora? - Indagou, roçando o nariz contra o arrebitado do outro.


Como sempre, Sasuke demorou-se a responder, não porque precisasse realmente pensar, apenas por não querer dizer em voz alta o quanto ansiava pelo contato. Sabendo disso, o loiro apenas inclinou-se, selando os lábios finos do outro. Não foi um beijo profundo, mas era suficiente, sempre era.


Elevando o corpo, rumou a cozinha, pronto para preparar o almoço. Com o avental amarrado a cintura, recolheu ingredientes e utensílios necessários para preparar uma boa quiche de legumes. Fatiou as cenouras e as abobrinhas em tiras finas e simétricas, mantendo tudo alinhado e preciso. Em seguida, iniciou o preparo da massa, incorporando os ingredientes e gradativamente, transformando tudo em uma massa homogênea.


Do balcão, Sasuke admirava quase preso a um encantamento a forma como os músculos do loiro se movimentavam, enquanto ele sovava a massa, até que ela ganhasse forma. Suspirou, vergonhosamente, irritado consigo mesmo por ceder aos encantos dele.

Não percebeu quanto tempo passou observando-o, até tê-lo virado para si, secando as mãos; a torta já parecia estar no forno e a pia, impecavelmente arrumada.


_ Que tal aproveitarmos o tempo livre até o almoço estar pronto? - Sugeriu o loiro, deixando o avental sobre o balcão, dando a volta no mesmo e imediatamente encaixando-se entre as coxas do outro.


_ Não perca a compostura Dobe, não quero comer comida queimada. - Ralhou o outro com um revirar de olhos, ainda que ambas as mãos tivessem prendido-se nos fios loiros e macios.


_ Teremos de ser comedidos, Teme. - Disse sorrindo maroto, antes de roubar o fôlego alheio num óculo intenso e repleto de sentimentos diversos.


Prontamente, Sasuke retribuiu-o, trazendo seu corpo para mais próximo do outro. Pra eles, perto nunca era perto o bastante, mas faziam o que podiam. Foram longos minutos de beijos e carícias mais suaves, até que Naruto exigisse a posse da derme alheia. Tirou-lhe a camiseta com pressa e não tardou a marcar a pele pálida com beijos e chupões, como a querer reforçar o quanto aquele ser lhe era caro. Em resposta, Sasuke arfava, perdido demais para reclamar.


Tão logo obteve uma brecha, inquiriu acesso ao corpo bem mais trabalhado do loiro, retribuindo os afagos da mesma forma desajeitava de sempre, no entanto, sem ficar para trás no quesito devoção. Adorava marcar o outro, em locais inusitados e talvez, problemáticos, no entanto, não se importava com as leves represálias que recebia do outro ao ver os estragos em sua pele. Sentia-se satisfeito por saber que, quando vissem Naruto andando por aí, saberiam que ele era sempre bem satisfeito entre quatro paredes.


Imersos num desejo profundo, seguiram trôpegos até o quarto, livrando-se do restante das vestes e deixando-as pelo caminho. Sob o leito, finalmente se encararam depois de muito se saudarem com toques. Preto contra azul, azul contra preto; a simbiose perfeita entre dia e noite, sereno e tormentoso, puro e profano.


Eram opostos em praticamente tudo na vida, mas em se tratando do que sentiam, concordavam que jamais, em nenhuma outra vida, poderiam ter se pertencido menos. Eram almas gêmeas, interligados por eras e eras, sobrevivendo ao caos e a tudo que surgisse pelo caminho.


Naruto era seu universo; Sasuke era sua singularidade.


Orbitando um ao outro, se repeliam e se atraiam num sincronia além da explicação humana; era coisa de almas, não dava pra explicar, não precisava ser explicada.


Quanto mais se olhavam, mais se pertenciam; quanto mais se pertenciam, mais se amavam; quanto mais se amavam, menos o mundo ao redor importava. Gradativamente, tudo a volta deles se perdia naquela bolha de amor e entrega; tudo parecia silencioso, apenas esperando-os para fazer sua sinfonia soar.


O oxigênio no ambiente se tornara estático, as respirações propagavam fagulhas quase incandescentes de um desejo sinuoso e interminável; os corações arrítmicos, em disputa acirrada para decidirem qual dos dois era o mais afoito em saciar tamanho desejo.


Sasuke deu fim a batalha, ao tomar os lábios finos para si. Daí em diante, uma sequência conhecida de toques, carícias e murmúrios surgiu até que ambos culminassem no ápice explosivo e luminoso do sentir. Gritos, arfares e sôfregas súplicas por mais permearam o ambiente; não se importaram com os vizinhos, esses provavelmente já haviam se acostumados à forma intensa de amar dos jovens.


Quando a a exaustão finalmente os consumiu, desabaram um no outro, o loiro sob o peito suado e arfante do moreno; as grenhas loiras ensopadas, coladas a testa do de olhos azuis, davam-lhe um ar ainda mais encantador. Sasuke sentia o coração falhar constantemente às batidas e não era culpa do terceiro orgasmo do dia, não, era culpa de Naruto, por ser tão ridiculamente perfeito em tudo.


Amava-o. Era incapaz de imaginar-se sem ele. E de forma alguma, deixaria que o amor fugisse-lhe das mãos. Era fato e não mais se envergonharia de assumir tais verdades.

Pertencer á Naruto de corpo e alma, era melhor, mais importante e libertador do que qualquer orgulho ou superioridade.


_ Acho que a torta queimou... - Disse Naruto, coçando a nuca, com um leve sorriso brincalhão.


_ Tudo bem, já matei minha fome... - Respondeu o moreno sacana, antes de ter os lábios tomados pelo loiro.


É, e lá se vai mais uma torta queimada....







| YCK, 07/06/2019, 20:39hs.






8 de Junio de 2019 a las 23:09 0 Reporte Insertar 0
Fin

Conoce al autor

Yasmin de Carvalho Cantora Lírica, escritora, fotógrafa e astrônoma amadora. Apaixonada por gatos, café e música. ARMY & Yoongi Utted.

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