My Model (LIVRO 1 DUOLOGIA MODEL) Seguir historia

kelras Raquel Rasinhas

Uma imagem vale mais do que mil palavras. É isso que diz o ditado, mas uma fotografia pode valer muito mais do que palavras, ela pode valer as melhores sensações que você já viveu na sua vida, se o modelo e a fotografa tem química então, ai sim fica perfeito.


Romance Erótico Sólo para mayores de 18.

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Merda! Justo hoje, tinha que ser hoje! O trânsito não anda e já estou mais de dez minutos atrasada. Meu chefe vai me matar. Pego meu celular e envio uma mensagem para Amanda.

“Estou presa no trânsito. Como está o humor do Rei?”

“Está tão empolgado com o ensaio que não parou um minuto. Os modelos ainda não chegaram, então corre para chegar antes deles.”

Graças a Deus. Guardo meu celular e mentalizo os carros se separando, dando espaço para que eu passe, mas acho que não estou fazendo isso certo. Amanda é um anjo em me acoberta com o Rei sempre. Graças a Deus ela é diferente dos outros assistentes, que fariam qualquer coisa para derrubar um colega. Rei é como chamamos o dono e grande fotografo do estúdio Luxury, A. S. Aires. Pelo menos é assim que ele gosta que a mídia o chame, seu nome é Afonso Sebastião Aires, mas ele não achou chique o bastante para um fotógrafo de renome internacional e isso ele é. Tem dezenas de prêmios e é o fotografo mais requisitado do Rio de Janeiro. Claro que dependendo da importância do trabalho ele opta por colocar nas mãos hábeis de seus assistentes, ele mesmo só fotografa celebridades, grifes super famosas e revistas internacionais, esse é o serviço para o qual estou indo nesse momento.

Uma das grifes mais famosas do mundo decidiu que o plano de fundo de sua nova coleção seria o exótico Rio de Janeiro e suas belezas únicas. Todos os modelos são nativos, mesmo aqueles que vivem fora do país, os cenários que o Rei escolheu foram os Arcos da Lapa, a praia de Ipanema, o Jardim botânico, a Quinta da boa vista e Petrópolis. Ou seja, vamos trabalhar feito loucos.

Consigo chegar ao primeiro local das fotos na Lapa. Toda uma estrutura foi montada e até mesmo carros de polícia estavam dispostos para fazer a segurança. Haviam trailers, toldos, caminhões e tudo para uma superprodução. Olho no espelho do carro e sei que vou levar uma bronca se o Rei me ver. Meu cabelo ondulado está escapando do coque solto que tinha feito de manhã, não estava usando maquiagem e não tinha tempo para fazer nada relacionado a isso. Pego minha mochila no banco de trás e saio, caminho pelo set me esgueirando até ver Amanda preparando seu rádio e fones de comunicação, a puxo para trás de uma tenda e ela respira fundo ao me ver.

− Graças a Deus você chegou. – Ela me olha de cima a baixo e faz uma careta.

− Qual é, não estou tão ruim assim. – Amanda ergue uma sobrancelha e eu reviro os olhos em resposta. – Tá bem, está tão ruim.

− O Rei está puto da vida. Os modelos chegaram mais o modelo principal da coleção está atrasado e isso significa que todo o cronograma vai sofrer alteração, se ele te vir assim vai explodir. Vai se arrumar, deixa que eu guardo sua bolsa. – Dou minha bolsa para Amanda e um forte abraço.

− Valeu gata. Vou correndo e volto em dois minutos.

Saio a procura de um lugar sem muita gente, passo pela maquiagem e pego algumas coisinhas emprestadas. Mais afastado, perto do Circo Voador, vejo um trailer camarim e vou até ele. Dentro é a definição de puro luxo e ostentação, com um sofá imenso, frigobar, televisão e até um videogame de última geração. O modelo que vai ficar aqui deve ser muito importante, talvez o tal atrasadinho. Me arrumo rápido com um batom vinho e rímel, solto meu cabelo e volto a prendê-lo no coque, estico minhas roupas o melhor que dá e dou uma última conferida no espelho. É... Não está mal. Minhas roupas são de trabalho com meus jeans skiny preto, uma blusa branca solta e minha camisa xadrez favorita, meu converse vermelho completa o look com chave de ouro.

Respiro fundo segurando a maçaneta, mas antes que eu possa pensar no que estava acontecendo a porta é aberta, sou puxada junto e caio de frente. Não me machuco, na verdade o chão está estranhamente macio, abro os olhos e vejo um peitoral coberto por uma camisa preta.

− Vai ficar em cima de mim o dia todo? Você é pesada, anda logo e levanta de uma vez. – Levanto em um pulo e mantenho meus olhos nos meus tênis. Espera, ele me chamou de pesada?!

− Me desculpe por ser pesada. – Falo um pouco mais ríspida do que realmente deveria. Eu cai em cima do cara, mas ele me chamou de gorda. Quem chama uma mulher de gorda de graça dessa maneira? Ele se quer se preocupou se eu tinha me machucado ou não. Que cara babaca.

Chego ao set já colocando meus fones e arrumando o rádio na minha cintura quando Amanda vem correndo na minha direção com duas pranchetas.

− O Rei está atrás de você, eu disse que tinha ido ao banheiro. – Franzo o seno, mas se a desculpa colou então está ótimo. Reviro os olhos pensando no que o Rei quer comigo.

Sempre que não quer fazer alguma coisa ou lidar com alguém ele joga para cima de um assistente e nos últimos tempos ele está focado em mim para essas coisas. Modelos, clientes, fornecedores, todos eram mandados para mim por ordem do Rei. Não é de todo ruim, já que com isso estou firmando contatos e aprendendo muito mais sobre tudo relacionado a um estúdio fotográfico. Pego a prancheta e vou encontrar com o Rei. Assim que me vê ele levanta uma sobrancelha. Lógico que ele sabe que Amanda mentiu, até porque foi uma mentira ridícula, ninguém no mundo acreditaria que eu estava a quase uma hora no banheiro. Respiro fundo e vou até ele.

− Peguei um engarrafamento Aires. – Ele me olha dos pés à cabeça e acena fazendo um beicinho.

− Pelo menos dessa fez está apresentável. Vou deixar passar. Lembre-se que vendemos imagem e a nossa deve sempre ser a mais bela de todas. – Aceno concordando, mas por dentro eu só consigo pensar no quão ridículo isso parece. Eu não vou aparecer na fotografia, eu tenho que me preocupar é em fazer um bom trabalho e não se estou maquiada ou não.

Acho que o Rei é um dos caras mais superficiais que já conheci na minha vida, e olha que eu conheço muita gente, mas é justamente por ele ser assim que é o fotografo mais requisitado. Deixo isso para lá. Quem sou eu para julgar alguém? Se deu certo para ele, que bom, é graças a isso que tenho meu emprego hoje. O Rei fica andando de um lado para o outro, arrumando tecidos e todos os elementos cenográficos que estarão na foto, olha para os lados, coloca as mãos na cintura e então sua marca registrada vem à tona.

− Onde estão os modelos? Tragam os modelos aqui! Já estamos muito atrasados para começar! Agora! Andem, andem! – O Rei senhoras e senhores. Pego meu rádio e chamo o assistente responsável pelos modelos.

− Carlos, traga os modelos. O Rei já está surtando aqui.

− Chegando. – Vou até Aires, que me olha questionador.

− Os modelos já estão prontos, Carlos os está trazendo, a câmera já está pronta. Quer seu café agora? – Aires me olha e então sorri me abraçando pelo pescoço.

− Ainda bem que você está aqui Valentina. – Dou dois tapinhas em suas costas e ele se afasta, indo preparar seu equipamento e instruindo os técnicos de luz. Amanda chega com uma lista, nela o nome de todos os modelos que estão participando da campanha.

− Conferiu se todos estão aí? Não queremos o Rei dando outro ataque.

− Sim. Mais o que realmente importa é esse aqui. – Amanda aponta para o primeiro nome da lista. Kevin Magalhães. – Ele é o modelo principal, o rosto da campanha.

− Ok. O novo cronograma já está pronto?

− Você não entendeu? Estaremos ao lado do modelo Kevin Magalhães, um dos modelos masculinos mais bem pagos e mais requisitados do mundo.

− Aqui ele é apenas mais um modelo, além do mais, nunca ouvi falar dele.

− Tá brincando comigo né? – Olho para Amanda que está chocada e também ofendida por eu não saber quem é o tal Kevin. – Você realmente trabalha com fotografia publicitária? Kevin não é só um rosto lindo e um corpo de matar, ele é gentil com todos, conhecido por sua educação e ótima personalidade. – Dou um riso seco e Amanda faz um beicinho irritado para mim.

− Não tem como ele ser tudo isso Amanda, ninguém é tão perfeito.

− Bem, o Kevin é e você vai ver. – Volto a verificar a lista de modelos, tentando memorizar todos os nomes para o momento em que começar o ensaio fotográfico. Amanda puxa meu braço com força e começa a apontar para os modelos. – Ali! Bem ali! O Kevin!

Nossa. E não é que a Amanda não estava de toda errada sobre o cara? Ele é lindo... Não, lindo é simples demais para descrevê-lo. Pense em um dos deuses gregos mais gatos que você conhece e então adicione mais dez. Pronto, esse é o Kevin. O sorriso branco com dentes perfeitos, o cabelo com o corte da moda mais longo em cima formando um topete despenteado super estiloso, uma barba rente emoldurando o rosto retangular e queixo quadrado. Ele parecia ter sido esculpido em mármore de tão perfeito. Então seus olhos verdes chamaram minha atenção e conforme se aproximavam reconheci a voz. Merda! Me escondo atrás de Amanda e é claro que ela fica confusa com a minha atitude, primeiro por me esconder atrás dela e segundo por simplesmente me esconder.

− O que você está fazendo Val. – Olho por cima do ombro de Amanda e ele olha em nossa direção. Merda, merda, merda!

− Eu esbarrei nele hoje de manhã. Bom, na verdade eu o derrubei e cai em cima dele. Esse cara não tem nada de “fofo” é um grande babaca e aposto que vai fazer uma cena do caramba. – Amanda se afasta e vira para mim com as mãos na pequena cintura.

− Como pode dizer uma coisa dessas?! Você deve estar confundindo-o com outra pessoa, só pode. Kevin jamais seria grosso, especialmente com uma mulher. – Nossa, ela realmente ficou irritada. Amanda é mesmo fã desse cara.

− Amanda! – O Rei chama e se aproxima de nós. – Aqui está a lista com os modelos que serão sua responsabilidade durante a campanha. – Amanda começa a pular e dar gritinhos, chamando a atenção de todos e assustando tanto o Rei quanto a mim.

− Ai meu Deus! Isso é sério? Eu vou cuidar do Kevin também?! Ah! – Cubro meus ouvidos para protegê-los e então o Rei me entrega uma lista também.

− Apenas certifiquem-se de que eles estejam no local e hora marcados. Sabem que eu odeio atraso. – Aceno concordando enquanto Amanda continua dando pulinhos ao meu lado.

Dou uma rápida olhada na lista e saio sem falar nada, deixando Amanda continuar tendo o seu momento de tiete. Prendo a lista na minha prancheta e chamo os modelos, decorando seus rostos para identificar um por um, já que será necessário mais para frente na campanha. O Rei não dá mole e está constantemente nos testando, se estamos prestando atenção, se sabemos onde cada coisa está e assim por diante. Ele não está errado, estamos carregando o nome do estúdio e a imagem dele, por isso é extremamente exigente com quem será sua equipe de fotógrafos.

Levo todos para a maquiagem, figurino e então para o primeiro local, um pouco mais afastado para que os Arcos da Lapa se destaquem bem na fotografia. O cronograma está um caos e para compensar várias seções estavam acontecendo ao mesmo tempo, as vezes no mesmo lugar. A menos de cinco metros está o grupo da Amanda, barulhentos e muito agitados e claro que ela está entre eles. Nada contra, mas estamos trabalhando e o barulho excessivo atrapalha os fotógrafos. Toco o ombro de um dos membros da equipe e aponto para o grupo, ele entende e acena concordando. Vou até eles, Amanda está de costa para mim rindo de forma histérica.

− Silêncio! – Todos olham para mim chocados quando grito mais alto que todos. – Estão atrapalhando, fiquem em silêncio ou vão fazer bagunça em outro lugar. Aqui é um local de trabalho, não uma balada. – Olho para Amanda, que baixa a cabeça com o rosto vermelho. Bem, pelo menos ela entendeu. Volto para meu grupo e o trabalho continua sem novos problemas.

Não tenho nada contra pessoas felizes, ou animadas, a perfeita definição da Amanda, mas é necessário que saibam a hora de brincar e a hora de trabalhar. O Rei não deu essa equipe para ela a troco de nada ou porque sabe que ela é fã do tal Kevin, foi para ver se ela consegue controlá-los, pois são os modelos conhecidos por serem badalados e gostarem de bagunça. Ele está de olho na Amanda a muito tempo, e não é no bom sentido. Respiro fundo e verifico minha lista para o próximo ensaio. Quando estou indo aos camarins sou puxada pelo braço e dou de cara com um par de olhos verdes e sorriso de comercial de pasta de dente. Kevin Magalhães me olha de cima a baixo, seu sorriso doce e educado tomando todo o rosto.

− Me desculpe. Você é a menina em quem esbarrei mais cedo não foi. Mil desculpas por aquilo. Estava preocupado com meu atraso e se quer perguntei se você tinha se machucado. – Sua voz é linda, grave e baixa, aquele timbre sexy que faz as meninas tremerem da cabeça aos pés, mas eu conheço bem esse tipo de voz, olhos e sorriso. Convivi com eles por muitos anos.

Não respondo e ele não me solta, sustentando meu olhar. Sinto outros olhares sobre nós, curiosos sobre a situação. O sorriso dele vacila por um segundo e foi mais do que suficiente para tirar minhas conclusões. Lhe dou um sorriso afiado que o surpreende, afasto sua mão do meu braço e vejo a hora.

− Estou ótima. Agora você deve ir ao set principal para o ensaio. O cronograma está um caos por conta de alguns modelos que chegaram atrasados. – Olho em seus olhos e dou outro sorriso sugestivo. Seus olhos ficam muito abertos e o deixo daquele jeito, voltando ao meu caminho.

Estou do lado de fora da tenda montada para os figurinos esperando e ouso uma conversa vindo da lateral da tenda. Reconheço a voz de Kevin e dou um passo para ouvir melhor.

− O que foi aquilo cara? Eu nunca vi uma mulher que te tratasse daquele jeito em todo o tempo que a gente se conhece. Foi muito louco.

− Tanto faz. Eu não deveria tê-la surpreendido daquele jeito. – Ouso passo e volto para frente da tenda, fingindo mexer nos meus papéis. Quando Kevin e o outro modelo passam nossos olhos se encontram. Ele sorri e eu apenas ignoro, voltando a olhar os papéis. O modelo ao lado de Kevin dá uma gargalhada e Kevin responde algo que não consigo compreender.

Modelos entregues, ensaio correndo bem. Olho meu cronograma e vejo que o cenário vai ser diferente das seções anteriores e me adianto para deixar tudo pronto. No rádio os assistentes estão surtando, especialmente os que estão com o Rei. As vezes ele tem surtos de criatividade e começa a exigir coisas absurdas para colocar no cenário e adivinha quem tem que ir buscar? Já trabalhei com ele e foi uma lição para a vida.

Pego tudo o que preciso e empilho em caixas para leva, claro que está pesado, mas não há o que fazer. Pego as caixas e quando me viro sinto que estão mais leves, olho por cima e o lindo sorriso perfeito acompanhado de olhos verdes e cabelo bagunçado está ali.

− Quer ajuda? Parece pesado. – Dou um passo para trás, afastando suas mãos das caixas e o contornando.

− Não preciso. Esse é o meu trabalho. – Ele me alcança com facilidade e estende as mãos, mais uma vez afasto as caixas do seu alcance.

− Não posso ficar parado vendo uma mulher carregar todo esse peso e não fazer nada, não é certo. – Paro e me viro para ele, já irritada com tudo isso.

− Por que está fazendo isso afinal? – Ele parece chocado com a minha atitude, não deve estar acostumado a ser tratado dessa maneira e ser ignorado por uma mulher. Bom, a sempre uma primeira vez na vida para tudo.

− Não entendi. – Ele se faz de desentendido, tentando ao máximo manter o sorriso. Reviro os olhos, coloco as caixas no chão e me aproximo dele, falando baixo para que apenas ele consiga me ouvir.

− Eu sei que isso tudo, esses olhos brilhantes, sorriso solto e boas maneiras são tudo fachada. Você, Kevin Magalhães, não é doce, nem gentil e muito menos esse poço de educação como quer que todos pensem, então pare de tentar me convencer disso, porque não vai rolar. Agora... – Pego as caixas de novo e as ajeito nos braços. – Se me dá licença, está atrapalhando meu trabalho.

Depois de deixar tudo pronto vou dar uma olhada rápida nas outras seções de fotos e logo sou cercada pelos outros assistentes. Amanda é a primeira a vir correndo na minha direção com cara de choro e a prancheta agarrada ao seu peito.

− Val, me ajuda, por favor. Eu perdi meu cronograma. – Olho para ela chocada.

− Como você perdeu justamente o cronograma? – Amanda cora e desvia olhar, escondendo a parte de baixo do rosto com a prancheta e eu mato na hora o que aconteceu. – Você ainda vai ter sérios problemas se te pegarem transando pelos cantos com os modelos, já conversamos sobre isso Amanda. – Ela se encolhe e tudo o que posso fazer é respirar fundo e lhe entregar o meu cronograma. Ela me olha chocada.

− Mas você vai...

− Eu já o decorei, se algo mudar eu só tenho que anotar na minha agenda do celular.

− Valentina, graças a Deus eu te encontrei. – Outro assistente vem correndo e respirando com dificuldades. – Você sabe onde estão os rebatedores dourados? Eu já procurei por todo lugar e não encontro.

− Ao lado das caixas onde os tripés estão sendo guardados, estão dentro de caixas estreitas.

− Obrigada. – Ele sai correndo até o trailer onde todo o material estava sendo guardado.

− Val, eu sei que vai parecer abuso... – Olho para Amanda com uma sobrancelha arqueada. – Mas você pode me ajudar a arrumar o próximo ensaio. É o do Kevin e não quero fazer besteira.

Do jeito que ela está nervosa é certo que acabaria fazendo alguma besteira mesmo, respiro fundo e concordo acenando com a cabeça. Tudo pronto e organizado, respiro fundo satisfeita com o trabalho. Ouso a comoção das mulheres. Assistentes, modelos, fotógrafas, pessoas que apenas passavam perto, todas gritando a plenos pulmões enquanto Kevin Magalhães se aproxima do set junto com os demais modelos e bem atrás do Rei. Claro que ele tiraria as fotos mais importantes da campanha. Olho ao redor e até alguns homens param para ver o grupo se aproximando. É... Kevin conseguiu enganar todo mundo direitinho. Como ninguém via que tudo aquilo é pura fachada? Reviro os olhos e cruzo os braços, esperando que o Rei desse seu típico ataque, exigindo o silêncio no set para começar a clicar e não demora nada para acontecer.

E o primeiro dia da campanha acaba com sucesso e por um milagre conseguimos manter o cronograma original, liberando os modelos no horário original. Muitos dos assistentes vão embora junto com os modelos enquanto Aires não está por perto e isso me deixa louca. Como eles esperam um dia se tornar fotógrafos oficiais se não têm nenhum comprometimento com o estúdio? Amanda está ao meu lado quando um grupo de modelos a chama. Eu já vi esse filme antes... Ela vem até mim com cara de cachorro que caiu da mudança, me circula por algum tempo até que solto o ar e apenas aceno com a mão, como se a enxotasse dali. Quase caio para frente quando Amanda pula nas minhas costas e me abraça com força.

− Obrigada, obrigada, obrigada! Eu juro que te levo para tomar seu café favorito amanhã, eu juro. – Ela sai correndo e saltitante na direção do grupo com sua bolsa no ombro.

Três assistentes, dois fotógrafos, Aires e eu, essa é a equipe que fica para terminar de arrumar tudo e deixar o máximo adiantado para o dia seguinte. Aires é sempre o último a ir embora e isso é o que eu mais admiro nele, mesmo tendo seus momentos de estrela, chiliques e tudo o mais, seu comprometimento com o estúdio e com o trabalho é inegável. Estou sozinha terminando de encaixotar os rebatedores e sinto alguém me observando. Ignoro e continuo trabalhando, seja lá quem for se aproxima e quando puxo uma caixa ela é tirada das minhas mãos.

− Quer ajuda? – Eu reconheço a voz, mas seu timbre é completamente diferente da primeira vez que Kevin me ofereceu ajuda. Não tem aquela delicadeza, na verdade é bem frio e impessoal, como se realmente estivesse apenas perguntando por obrigação. Olho para cima, até porque ele é muito alto, e não tem o sorriso falso de mais cedo, seus olhos estão sérios e ele arqueia as sobrancelhas, esperando minha resposta. Puxo a caixa e saio andando.

− Esqueceu sua máscara no camarim. Melhor ir buscá-la antes que alguém te veja.

− Todo mundo já foi embora, não preciso fingir. – Dou um riso e baixo a caixa em seu devido lugar.

− Que sorte a sua.

− Como você sabia?

− Sabia do que? – Me viro e pego outra caixa, colocando sobre a anterior.

− Que eu estava fingindo. Como você sabia que era mentira?

− É meio obvio. Ninguém é tão certinho e perfeito, isso não existe. Uma pessoa assim só pode ser duas coisas. – Enumero mostrando meus dedos para ele. – Um sádico, um psicopata ou um mentiroso. Graças a Deus você é só mentiroso compulsivo.

− Não sou mentiroso, apenas dou as pessoas o que elas querem que é serem bem tradadas por aquele que admiram. Qual o problema em aprofundar um pouco mais no meu trabalho como modelo sendo um “bom modelo”? – Cruzo meus braços e fico olhando para Kevin, que ostenta um sorriso debochado.

− Você é tão superficial e narcisista ao ponto de achar que o que está fazendo é bom? – Kevin dá um sorriso de lado nada falso.

− E os fotógrafos são o que? Vocês só se importam com a imagem, a estética e se vai vender o produto. O que tem por debaixo daquilo não importa, vocês só pensam em vender, isso faz de você uma mentirosa, assim como eu. – Ainda com um grande sorriso, Kevin dá as costas e sai andando. – Te vejo amanhã garota.

Ah não. Ele não fez isso! Me chama de superficial e mentirosa e ainda tem a audácia de me chamar de “garota”. Meu sangue ferve e pego um copo no chão, próximo ao meu pé e atiro em suas costas. Para o azar dele o copo é mais pesado do que aparenta e acerta em cheio a sua cabeça. Ele se vira furioso, mas isso não me intimida em nada.

− Meu nome é Valentina, não garota. – Kevin vem na minha direção e acabo dando alguns passos para trás, ficando com as costas imprensadas na parede.

Não estou com medo dele, na verdade eu sei que essa cara feia que ele está me dando é só mais uma mentira, ele quer que eu sinta medo e demonstre isso. Ele quer que eu pareça fraca diante dele, coitado. Sustento seu olhar permanecendo séria e calma e isso sim parece deixá-lo irritado. Kevin está acostumado a ser amado por todos, que todos aceitem sua mentira de bom rapaz, doce e gentil e dar de cara com alguém que não engole esse papo deve tê-lo pego de surpresa, mas o fato de que eu o estou enfrentando nesse momento deve ser ainda pior. Ele coloca suas mãos na parede atrás de mim e baixa seu rosto, nivelando nossos olhos.

− Eu vou chamar você do que eu quiser, garota. Se não gosta vai lá reclamar com o seu chefe. – Abro a boca para dizer que é exatamente o que pretendo, mas então paro para pensar melhor.

Não vai adiantar de nada eu falar qualquer coisa com ninguém. Veja como Amanda reagiu quando eu disse como ele falou comigo quando nos esbarramos de manhã. Kevin vendeu muito bem a sua imagem de bom moço, ninguém acreditaria em mim e acabaria perdendo o meu emprego na hora. Filho da mãe, ele sabe que não posso falar mal dele, por isso me desafiou.

− Boa garota. – Kevin segura meu queixo com a mão e antes que eu consiga brigar seus lábios estão nos meus.

Sua língua força a entrada e seus dentes passam de forma sedutora pelo meu lábio inferior. Me recupero do choque e o empurro com todas as forças, ele ri e a raiva é tão grande que meu punho voa na direção do seu rosto com toda força. O soco é tão forte que minha mão dói, mas a dor é mínima perto do prazer que sinto em colocar esse imbecil no lugar dele. Kevin me olha muito chocado e limpa a gota de sangue do canto da boca. Ele começa a rir e vai embora, simplesmente sai andando em direção a um carro. Esfrego as costas da mão na boca, tentando eliminar os resíduos e as sensações que Kevin deixou nos meus lábios.

− Filho da mãe, desgraçado, cretino. Seu animal! – Ele ri ainda mais alto, entra no carro e vai embora. Deus me de paciência, porque se me der forças eu acho que vou matar Kevin Magalhães.

17 de Febrero de 2019 a las 20:57 4 Reporte Insertar 3
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Olá, eu sou a MRz do Sistema de Verificação do Inkspired. O sistema de verificação atua não só para ver a qualidade da história, como também para observar se a história está de acordo com as normas do site. Sua história está “em revisão”, porque o texto tem alguns erros de acentuação, vez que várias palavras faltam acentos. Há verbos conjugados errados e palavras erradas. O texto também tem o uso errado de “mais”/“mas”, dos “porques”, e vírgulas usada de maneira errada, pois está separando sujeito do predicado. Nomes próprios precisam vir em letras maiúsculas, seja nome de rua, praça, parque, etc. São erros pequenos que com uma revisão já ajuda a encontrá-los. O Inskpired tem alguns blogs de gramática que dão algumas dicas ou você pode usar um beta reader disponibilizado no serviço de Autopublicação. Depois de corrigido esses erros, é só responder esse comentário para que eu faça uma nova verificação. De resto, a história está ótima! ;)
14 de Marzo de 2019 a las 19:25
Phamela Amorim Phamela Amorim
uhulllllll!!!! :)
19 de Febrero de 2019 a las 16:11
Phamela Amorim Phamela Amorim
Só quarta vou poder ler a continuação?? :( Já estou apaixonada pela historia *-*
18 de Febrero de 2019 a las 14:37

  • Raquel Rasinhas Raquel Rasinhas
    Vou postar o livro completo hj ou amanhã. Como já está finalizado prefiro deixá-lo completo para leitura ^^ 18 de Febrero de 2019 a las 16:37
~

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