O Clã Honoka Seguir historia

derykasd Deryk Warrel

Depois do fim da guerra de dois anos entre a Aliança Hiroaki-Honoka e a Aliança Takeo-Ryota, o Clã Honoka perdeu seu antigo líder e com ele grande parte de seus soldados; sua filha, a despreparada Honoka Senue agora tem de proteger e restaurar o clã, enquanto aprende o que significa ter a responsabilidade de liderar milhares de pessoas. — Primeiro arco finalizado com doze capítulos, a escrita do segundo arco já começou, os dois juntos formarão o primeiro volume da série.


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Capítulo 1

Era uma cena estranha, borrada. Era realista o suficiente para que pudesse entender o que estava acontecendo, mas desconexa demais para não parecer real. As pessoas não tinham rosto, se mexiam menos do que deviam ou pareciam ignorar umas as outras.

Havia muitas delas, alguns milhares de soldados e centenas de carroças e cavalos reunidos em um campo verde. Ao redor deles estava uma quantidade ainda maior de pessoas, de diversas idades e profissões, se despedindo de seus familiares e conhecidos; desejando boa sorte e pedindo proteção e sucesso a todos os deuses que podiam pensar.

Entre todos esses, um homem montado em um cavalo se destacava por ser o único subindo a colina, na direção oposta de onde todos claramente iriam depois de se despedirem. Cavalgava em um ritmo calmo e inofensivo, seguindo a caminho de um pequeno grupo de pessoas rodeado por dezenas de guardas.

A garota começou a andar para frente, então começou a correr, ninguém a impediu enquanto o homem descia de seu cavalo sem pressa; a recebendo em um gentil abraço.

Seu corpo não tinha calor, sua armadura não passava a sensação complexa que devia quando encostou nela; estava faltando algo, como tudo nessa visão incompleta.

Então, ela foi interrompida por uma súbita luz.


『。。❆。。』



O sol já estava alto o suficiente para que os raios de luz alcançassem a janela daquele quarto, quase como se estivesse mirando diretamente nos olhos da garota para acordá-la; apesar da distância colossal entre os dois.

Ela estalou a língua em frustração, recuando a cabeça como se quisesse enterrá-la no travesseiro enquanto o mau humor crescia dentro de si.

Sentiu seu corpo pesado, seus músculos atrofiados pela péssima noite de sono e por ter ficado tanto tempo parada na mesma posição. Sentou-se em um movimento lento enquanto esticava o corpo; os ossos estalando dolorosamente.

Sua aparência denunciava o quão pouco ela tinha conseguido descansar essa noite, tendo olheiras tão escuras e profundas que seria fácil confundi-la com alguém que se esforçou o dia todo e finalmente tinha a oportunidade de voltar para sua casa e dormir. Na verdade ela estava surpresa que havia conseguido dormir; não se lembrava disso.

Isso a fez se sentir um pouco aliviada, pelo menos ela tinha conseguido, diferente da noite anterior. Dormi de exaustão, não foi?

Seus longos e ondulados cabelos pretos estavam bagunçados por ter esfregado tanto a cabeça no travesseiro, parecia alguém que podia ser linda se estivesse em uma situação melhor.

Essa garota aborrecida e de aparência frágil se chamava Honoka Senue.

Por um longo tempo ela considerou voltar a dormir. Ainda sentada, ela procurou as informações sobre a situação atual em sua mente; juntando qualquer pequena quantidade de ânimo e motivação que conseguisse encontrar.

Senue bocejou, esfregou os olhos e se virando para a janela, franzindo as sobrancelhas em um olhar de irritação direcionado ao sol; parte dela desejando que tivesse a deixado dormir mais um pouco.

Depois de respirar fundo e fechar os olhos por um momento, ela se levantou e esticou o corpo novamente, massageando a nuca rígida enquanto um móvel se tornava o foco de sua visão. Em cima dele havia uma lisa caixa de madeira pintada de preto.

Ela a abriu com cuidado, revelando um objeto com formato de um cilindro achatado da mesma cor da caixa, deitado em cima de uma almofada bege. Apesar da aparência, esse não era um objeto particularmente caro ou raro, nem mesmo ritualístico; apenas guardado com grande carinho.

Depois de pegá-lo, ela afastou as mãos, fazendo com que parte do objeto se desencaixasse, exibindo uma curta adaga de um gume que. Por sua bainha e tamanho, podia ser facilmente escondida. Por essas características, ela era uma adaga usada principalmente para auto-defesa.

Apesar do cabo simples, sem qualquer tipo de ornamento ou escrita, a lâmina era tão lisa e refletiva quanto um espelho, a única coisa que impedia Senue de ver perfeitamente seus olhos castanhos nela era o reflexo da luz do sol que entrava pela janela.

Ela deu um passo para o lado, encarando sua imagem por algumum tempo sem nada para atrapalha-la.

Esse era seu tesouro, mas até mesmo seu tesouro a deixava desconfortável e insegura agora, a polidez e o brilho da lâmina chegavam a ser convidativos.

Isso não é justo, pensou Senue. Devia me proteger, foi por isso que você me deu ela.

Senue não precisava se perguntar quem era o homem em seu sonho e nem porquê não conseguia ver seu rosto, era seu pai.

Essa adaga foi seu último presente, entregue a ela no mesmo dia em que deixou o território do Clã Honoka pela última vez há mais de dois anos. Era impossível lembrar de qualquer um sem pensar no outro em seguida. Era por isso que parecia injusto.

Devia me confortar, não me deixar assim…

Senue estava em um quarto grande, grande o suficiente para que dez pessoas pudessem dormir nele sem nem chegarem perto de se encostar. As paredes eram claras, alegres e decoradas com lindos padrões de diversos tipos de flores, o guarda-roupa no fundo era tão grande que cobria uma parede inteira e todas as mobílias eram de alta qualidade; sua cama, seu criado-mudo e sua mesa.

Tudo parecia perfeitamente limpo, como se não existesse um grão de pó sequer no cômodo.

Porém, ela não parecia nem um pouco surpresa ou à vontade naquele quarto, isso não era apenas por ter passado seus dezoito anos vivendo nele, mas por causa de seu tamanho. Era grande demais, as paredes muito afastadas umas das outras, tudo que ela tinha mal ocupava metade do quarto.

Senue conhecia o chão melhor do que as paredes, não saberia responder se o teto tinha um forro sem olhar para cima primeiro.

Em um movimento brusco, ela guardou a lâmina — se tivesse deslizado pela bainha, teria cortado sua mão esquerda.

O que eu estou pensando?

Mesmo que não soubesse os detalhes e existisse informação que ninguém no clã tivesse acesso ainda, a situação era ruim. Mesmo que tenha tentado se enganar nos últimos dias dizendo para si mesma que “talvez não seja tão ruim assim”, seu pessimismo não a deixava acreditar verdadeiramente nisso.

Está perdendo seu tempo…

Pessoas estavam mortas, muitas delas, e aqui ela estava: se preocupando em tentar encontrar uma explicação para seu estado.

Nos últimos dois dias, muitos pensamentos se repetiram em sua mente, eles se aprofundaram e divagaram para caminhos que não deviam, criando problemas em sua cabeça que provavelmente nem existiam.

Seu pai estava morto, seu corpo chegaria até o clã sendo carregado pelo restante do exército que voltava da guerra nos próximos dias — segundo os mensageiros. Mas esse não era o único motivo de sua insônia e ansiedade, mesmo que tentasse ao máximo não admitir isso; saber que ela teria de fazer o seu trabalho de agora em diante a deixava completamente perdida. Ela nunca imaginou que se sentir impotente fosse tão devastador.

Em uma tentativa de se motivar, Senue começou a reafirmar o que teria de fazer:

Você tem um povo para liderar.

É a única Honoka agora, precisa fazer isso.

Assim que terminou a frase, Senue rangeu os dentes.

A imagem de si mesma como líder veio à sua mente, como a pessoa que todos irão olhar quando precisarem de ajuda e esperar que tenha a solução; Senue tremeu.

Eu consigo lidar com isso?!

Senue não estava pensando sobre sua falta de preparo ou conhecimento, o que a amedrontava era não conseguir atender as expectativas de seu próprio povo.

O que eu vou fazer se desapontar todo mundo?

Senue não sabia o que a esperava, o quão ocupada ficaria ou quais tipos de decisões teria de tomar; nem mesmo sabia se teria o apoio da população ou seu descontentamento.

Com a mente o coração divididos, seus ombros ficaram mais pesados. A cena do pai acenando de cima do cavalo passava por sua mente mais uma vez, ficando cada vez menor e mais distante, se tornando indistinguível da multidão e então desaparecendo do alcance de sua visão. Senue levou as mãos ao peito, os olhos já lacrimejavam.

Queria se livrar desse pensamento, mas foi difícil tomar essa decisão. Sentia que era algo errado, como se isso fosse desonrar a memória de seu pai.

Pouco a pouco, ela deu o seu melhor para forçar essas memórias a saírem de sua cabeça. Se continuasse assim, repetiria os mesmos pensamentos diversas vezes e não conseguiria tomar nenhuma decisão — igual aos últimos dois dias.

Seu corpo estava mais desperto agora, mas a coluna ainda parecia feita de pedra; não sentia nenhuma fome.

Apenas pedir seria o suficiente para que os servos trouxessem qualquer comida que fosse possível cozinhar dentro do território do clã, mas não tinha apetite nenhum; não conseguiria comer mesmo que tentasse.

Antes de se arrumar, ela encarou a luz do sol por algum tempo enquanto piscava repetidamente, tentando diminuir suas olheiras o máximo que podia.

Senue também não queria ajuda para se arrumar, podia receber uma linda maquiagem e experimentar quantas roupas quisesse até encontrar a perfeita, mas ela não tinha o ânimo para isso, preferindo se arrumar sozinha.

Senue vestiu um kimono roxo claro que gostava e arrumou seu cabelo no melhor que suas habilidades permitiam, mesmo que ainda fosse pouco se comparado com tudo que podia fazer; não se podia negar que era uma mulher bonita. Ela também escondeu sua adaga nesse kimono.

Seu cabelo ainda estava um tanto desarrumado, suas olheiras demorariam para sumir e ela estava mais pálida do que o norma;, mesmo assim, não queria perder mais tempo.

Ela não sabia o que fazer, então precisava que alguém lhe desse uma direção para começar; também sentia que estava devendo uma conversa para algumas pessoas, precisando de uma.

Senue respirou fundo duas vezes antes de finalmente conseguir reunir a coragem para abrir a porta, encontrando um corredor vazio.

Isso era sua culpa, ela pediu que estivesse assim, mandando todos os guardas manterem distância não só de seu quarto como de todo o andar.

Esse era o último andar do palácio do Clã Honoka, soldados e servos não tinham acesso livre a ele, nem mesmo quem trabalhava no palácio podia ir e vir como preferisse. Esse privilégio era reservado apenas para a família Honoka, o que significava que esse andar era praticamente exclusivo dela.

No momento, a família do líder temporário também tinha acesso livre. Por mais de dois anos, Eguchi Atsushi tem comandado o clã na ausência de Honoka Manabu; tempo o suficiente para que isso se tornasse normal.

O lugar nunca foi muito movimentado. Pela maior parte do tempo era apenas ela e seu pai, já que seus avós se foram quando Senue ainda era criança, e sua mãe pouco após o seu parto. Nem sempre estava lá, mas a serva de seu pai e atual embaixadora do Clã Honoka também tinha um quarto.

Eu posso fazer alguma coisa com isso? questionou Senue enquanto andava pelos corredores vazios e encarava portas fechadas. Antes que pensasse em alguma coisa, já estava em frente a escada para o terceiro andar.

Assim que a alcançou, ela viu alguém parado a frente dos degraus.

Como esperado.

Era um homem alto e forte, seu rosto era simples: cabelos curtos e pretos, olhos castanhos e fortes expressões faciais. Porém, o que chamava a atenção era sua armadura.

Era uma armadura marrom com detalhes brancos, não tão chamativa quanto o vermelho que os soldados usavam, mas ele era o único com tal armadura no clã inteiro; um conjunto único.

A armadura indicava a posição de Chefe dos Guardas, que atualmente pertencia à Eguchi Osingu, o filho do atual líder temporário.

Ele fez uma reverência, sendo seguido por Senue um momento depois.

— Senhorita.

Assim que ouviu isso, um pensamento passou por sua mente como um relâmpago.

Daqui a pouco vão estar me chamando de “líder”!

O pensamento sozinho foi o suficiente para deixa-la nervosa.

Senue forçou um sorriso falso depois disso.

— Desculpe por sumir, eu estou melhor agora — ela mentiu.

Embora não tenha respondido, Senue tinha certeza que Osingu não achava que ela tinha feito nada de errado. E se entrassem nesse assunto, ela se sentiria pior do que já estava.

Para ela, isso não era uma questão de “dever satisfação à ninguém”, mas não achava certo que nem mesmo havia aparecido na frente das pessoas que se preocupavam com seu bem estar.

— Você planeja ir em algum lugar?

Senue assentiu.

— Sim, eu quero ver a Yuno.

Ela começou a andar, Osingu a seguiu mesmo que não tenha pedido por isso.

Ele não a deixaria sair do palácio sozinha, então preferiria que fosse ele quem a escoltasse do que alguns guardas que ela nem mesmo sabia o nome; mesmo que ainda não gostasse disso.

A quantidade de guardas continuava a aumentar conforme eles desciam o palácio. Enquanto os dois andares de cima eram mais quietos e vazios, os dois de baixo costumavam ser mais movimentados; mesmo nesse horário. Já que acabaram de passar do horário de almoço, a maioria das pessoas estavam em seus trabalhos, e cerca de metade dos guardas sempre ficavam do lado de fora do palácio, não dentro.

Isso deixava o palácio desconfortavelmente silencioso, a única coisa a vista eram alguns poucos guardas e servos, que faziam tudo o que podiam para não incomodarem ninguém.

Depois de descerem quatro andares, eles chegaram ao chão.

Havia um muro quadrado cercando todo o palácio, com vários metros de distância entre ele e a construção, era espaço o suficiente para muitas pessoas andarem e se esconderem. Todo esse espaço era preenchido por um piso de pedra, mas tanto o portão duplo da frente quanto o dos fundos era feito de madeira reforçada com metal.

O portão da frente estava aberto como de costume, mas não desprotegido. Haviam sempre pelo menos dez guardas ao seu lado. Se fosse ordenado pelo líder, eles não deixariam ninguém entrar, independente de quem seja.

Osingu e Senue eram facilmente reconhecíveis e não eram apenas cidadãos comuns, então eles nem mesmo precisavam olhar para esses guardas quando quisessem entrar ou sair.

Assim que a área do palácio acabava, o chão se tornava terra e as casas começavam a aparecer. As casas mais próximas eram principalmente de soldados e pessoas que trabalhavam no palácio, como guardas e servos. Não havia espaço o suficiente para manter todos dentro, e mesmo que houvesse; isso comprometeria em muito a segurança.

Porém, o aglomerado de construções ao redor do palácio não era nem mesmo metade da população dentro do território do Clã Honoka. A maioria vivia em aldeias afastadas do palácio, principalmente seguindo o grande Rio Kara que cortava quase todo o território. Mesmo que centralizar a população tivesse muitas vantagens, como eles já se juntaram em outros lugares, seria necessário reconstruir suas casas ali se quisessem essas vantagens. Além disso, o terreno se elevava na direção do centro, então muitas áreas não eram apropriados para receberem mais construções.

Era melhor que continuassem onde estavam, embora sejam poucos; haviam até mesmo lugares onde apenas uma ou duas famílias moravam.

Tudo isso deixava ainda mais difícil gerenciar esse território.

Assim como no palácio, não haviam muitas pessoas nas ruas à essa hora, mas todos que estavam ali paravam por um momento para reverenciarem os dois.

Enquanto andavam por uma dessas ruas, Senue perguntou:

— Você sabe qual é a situação?

Osingu não tinha nenhuma obrigação de responder à essa pergunta. Isso não necessariamente fazia parte do seu trabalho como Chefe dos Guardas, e sempre haviam pequenos detalhes que não eram passados adiante ou propositalmente atrasados para evitarem problemas maiores.

Porém, era uma pergunta de Senue, e ele respondeu sem pensar duas vezes.

— Não muito bem, nós ainda temos que confirmar o número de soldados sobreviventes, mas os primeiros grupos que voltaram disseram que podemos esperar pela metade, ou menos… — Sua voz sumiu aos poucos, se perguntando se devia continuar a falar o que estava em sua mente.

Parte de Senue ficou grata por essa preocupação, outra parte ficou irritada.

Eu não sou uma criança, não esconda as coisas de mim.

— Pode continuar.

Osingu respirou fundo uma única vez antes de terminar sua fala.

— Eles devem chegar em menos de uma semana com o corpo do Rei, os preparos para o seu funeral já estão prontos.

Rei…

Senue quase havia esquecido, mas era assim que todos estavam chamando seu pai.

“Rei” não era a posição de Honoka Manabu, mas um apelido que ele recebeu durante a guerra depois de ter se escondido e rastejado em meio aos corpos por dois dias até escapar com vida. Disseram que haviam perdido uma batalha, mas que venceram a próxima com o que ele aprendeu sobre a estratégia inimiga nessa derrota.

Assim, começaram a chamá-lo de “O Rei Rastejante”.

Pensar nisso fazia o estômago de Senue embrulhar por mais de um motivo. Que tipo de título é esse? Parecia algo que um inimigo devia usar, não seu próprio povo.

Senue também conhecia outra história, que deixava essa pior ainda.

Isso começou há menos de um século, a tradição de decapitar ou queimar os corpos depois de uma batalha para dificultar a identificação e impedir que eles recebam um funeral decente. Senue só podia imaginar o quão horrível devia ser receber um corpo sem cabeça para enterrar ou cremar, sem nem mesmo ter certeza de que era a pessoa quem você conhecia. Se nenhuma das duas coisas foram feitas, então a pilha de corpos devia ser grande demais para eles terem tempo a perder com isso.

Osingu não lutou na guerra, mas passou a chamá-lo assim depois que um dos mensageiros trouxe essa informação. Eles viajavam entre o campo de batalha e o território dos Honoka, trazendo as notícias com cerca de um mês de atraso pela viagem; eram rápidos por serem apenas uma ou duas pessoas; diferente de levar as carroças de suprimentos até seu exército, que podia chegar a levar mais de dois meses.

Essa foi uma das últimas notícias que eles receberam antes do fim da guerra, o que significava que Manabu quase conseguiu sobreviver aos mais de dois anos de guerra.

Apesar disso, Senue sentia como se não o visse desde que era uma criança.

Ela se perguntou qual era o número de soldados que eles tinham em território atualmente, e ao fazer isso; lembrou de algo importante.

— Hoje é sábado?

Osingu se virou para ela, entendendo o que queria dizer com isso.

— Sim, hoje é sábado. Você quer ir na reunião do comitê?

Eu já fiquei tempo demais fazendo nada.

Senue não tinha a coragem para dizer isso.

— Sim, eu quero

Mesmo que ela não tenha visto, Osingu sorriu ao ouvir isso.

Apenas um grupo seleto podia participar dessas reuniões, se Senue queria ser um deles, então ela tinha a intenção de tomar sua posição como Líder Honoka.

Osingu achava improvável que seu pai não quisesse ceder a posição de líder, e coisas como o quão despreparada ela era nem passaram por sua mente; Osingu estava feliz que Senue estava melhorando. Depois de receber a notícia de que seu pai morreu, ela havia se trancado em seu quarto por dois dias e recusado quase todas as refeições, até mesmo pedindo que parassem de oferecer e esperassem que ela mesma pedisse; o que nunca aconteceu.

Senue ainda tinha algumas horas até a reunião, que começava no meio da tarde, devia ser ter tempo o suficiente para fazer tudo o que queria. Também não achava necessário avisar Atsushi mais cedo sobre isso, apenas falar devia ser o suficiente para conseguir seu lugar na reunião.

— Osingu, se você estivesse no meu lugar, o que faria primeiro?

Ele não estava esperando essa pergunta, mas respondeu o mais rápido que pôde.

— Minha maior preocupação é com o povo, seria minha prioridade protegê-los. Se necessário, eu procuraria uma aliança com outro clã.

Se necessário?

Mesmo sendo despreparada, Senue entendeu imediatamente o que isso significava.

Se o que sobreviveu de nosso exército for tão pouco que nem mesmo podemos nos proteger sozinhos.

Senue mordeu o lábio.

Proteger o povo era exatamente a resposta que ela esperava de Osingu, mas não era um conselho útil. Senue sabia disso há anos, todo líder deve proteger aqueles que o seguem, era algo simples e que não lhe dava muita direção.

É claro que essa também é minha prioridade.

Quanto a uma aliança, ela sabia que era um assunto complexo, afinal, toda essa guerra começou por causa da aliança entre os clãs Ryota e Takeo; que declararam guerra contra o maior clã de Hito, os Hiroaki. Senue se lembrava do quanto ouvia falar sobre o assunto alguns anos atrás, e de quanto tempo seu pai conversou com o mensageiro dos Hiroaki até aceitar ajudar a combatê-los.

Naturalmente, ela não sabia muito sobre o assunto. Senue nunca havia visto seu pai tão ocupado e estressado quanto ele ficou nessa época, tendo de lidar com todos os preparos para a guerra.

— Entendi, obrigada. — ela não queria ficar sem responder.

Os dois continuaram andando sem trocarem muitas palavras, e em alguns minutos saíram da área com as casas.

O cenário se tornou predominantemente verde, da grama às árvores da floresta na distância, que também se misturava com tons de laranja e marrom. Suas visões tinham um grande alcance de onde estavam, já que esse era um dos pontos mais altos dentro do clã.

Embora não fosse o lugar do sonho de Senue, era parecido o suficiente; deu um fino sorriso e continuou andando.

Eles viraram para o sul e continuaram a caminhar. A estrada de terra só surgiu cerca de quinze minutos depois, criada mais pela circulação de pessoas do que por mão de obra.

A estrada os guiou até a entrada da floresta, um lugar cercado por árvores de bordo e pintado de vermelho, marrom e laranja em diversos tons. Senue adorava essa atmosfera confortável, assim como o outono; sua estação favorita.

Ela não tinha nenhum motivo para segurar seu sorriso, a cena era tão linda que sempre a animava.

À frente deles havia uma estrada de pedra e um grande arco vermelho, um portão torii que sinalizava o local. Depois dele surgiam outros portões menores em um intervalo fixo de alguns metros; essa passagem era a entrada para o Santuário Aki, onde o Deus do Outono residia.

Haviam outros lugares similares a esse no clã, os santuários Natsu, Haru e Fuyu; dos deuses do verão, inverno e primavera. Naturalmente, não fazia sentido que rezassem para um deus ausente, então cada santuário recebia suas visitas apenas quando a respectiva estação começava. A maneira como a área ao redor dos santuários explodia em vida durante todo o tempo que o deus residia nele sempre maravilhava Senue.

Apesar disso e de sua clara representação do ciclo anual, os santuários não eram construídos em posições paralelas ou em sentido horário; e sim nos lugares onde o deus era mais propício a se estabelecer.

O santuário do Deus do Outono era o mais próximo do palácio, mas Senue não tinha escolhido o lugar pela distância.

Eles passaram silenciosamente por cada um dos portões, e não havia ninguém indo ou vindo além deles. Já que estavam no meio do outono — e em um horário onde a maioria das pessoas estavam ocupadas — a quantidade de visitas que o santuário recebia era baixa, aumentando no começo e no fim da estação.

Isso apenas deixava o lugar ainda mais bonito para Senue que podia aproveitar a paz que estava sentindo.

Doze arcos depois, a área à sua frente se expandiu em um grande terreno circular onde as árvores haviam sido cortadas e eram impedidas de crescerem novamente. O santuário era uma grande construção de madeira de topo triangular, mas diferente da coloração da floresta que o cercava; o santuário era de um entediante tom de marrom claro.

Muitos metros à sua esquerda haviam duas sacerdotisas, com suas características roupas brancas e vermelhas; porém, elas não perceberam sua presença e continuaram a reunir as folhas que haviam caído das árvores com seus ancinhos. Pilhas e pilhas delas.

Apesar de ser uma construção grande e ter uma área ao seu redor que precisava ser mantida limpa, atualmente só haviam quatro sacerdotisas no Santuário Aki, todas da mesma família; a família Arakawa. Isso não significava que todas as mulheres da família se tornavam sacerdotisas e nem que apenas uma família era permitida no santuário, mas a sacerdotisa líder sempre vinha da mesma família.

Próximo deles havia um pequeno sino que servia para chamar a atenção das sacerdotisas, era comum que elas acompanhassem os visitantes — principalmente quando um dos visitantes era alguém importante como a última Honoka viva —. Mas antes que chegasse até ele, uma mulher surgiu na entrada do santuário.

Era uma velha sacerdotisa de cabelos grisalhos e olhos cansados, uma mulher que claramente só tinha alguns anos pela frente nesse trabalho, se não na vida.

Essa mulher era Arakawa Haru, a sacerdotisa líder do Santuário Aki.

Elas se cumprimentaram com uma reverência, Osingu apenas assentindo por de trás de Senue.

— Senhora Arakawa.

— Senhorita Senue.

Haru virou levemente o rosto, olhando para as duas sacerdotisas que só perceberam sua presença quando começaram a falar.

— Desculpe, elas estavam focadas no seu trabalho, eu vou acompanhá-los.

Antes que pudesse fazer qualquer movimento, Senue a impediu.

— Não, tudo bem, na verdade, eu vim falar com a Yuno primeiro.

Haru deu uma pausa, sussurrando um “entendi” para si mesma.

— Ela pode? — perguntou Senue.

Era de conhecimento público que a Sra. Arakawa era um tanto rígida, Senue esperava que não fosse um problema já que o lugar estava tão vazio.

— Sim, claro, ela está lá atrás.

Senue deu meia volta, se virando para Osingu e assentindo uma única vez, um sinal para que ele esperasse aqui.

Osingu assentiu em entendimento, dando um passo para trás enquanto a assistia dar a volta no Santuário Aki pela direita.


『。。❆。。』



Arte por Matcha

Qualquer feedback, crítica, dúvida, sugestão ou apontamento de erro na escrita é muito bem vindo!

Obrigado por ler "O Clã Honoka"!

14 de Febrero de 2019 a las 17:40 3 Reporte Insertar 3
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Acquarelle Acquarelle
Definitivamente a plataforma é capaz de auxiliar e atrapalhar a leitura. Por aqui foi bem mais fácil ler o capítulo do que no Wattpad, vai entender (apesar d'eu ter preferido comentar separadamente para gerar mais interação nas duas plataformas. De nada.) Eu amei como você foi descrevendo o cenário intercalando outros eventos e informações, pois assim a leitura fica mais dinâmica e menos: "Olha, eu só ambientei isso aqui porque era necessário, mas não faço a mínima ideia do que estava fazendo" como muita coisa que a gente lê por aí. Assim como na versão antiga, o santuário Aki continua sendo um dos meus lugares favoritos. Só de imaginar a cena das árvorezinhas e um cenário completamente em tons terrosos e avermelhados, me dá uma boa sensação. Entendo perfeitamente o sentimento da Senue. Em todo caso, como eu comentei no Wattpad, vai ser ótimo acompanhar esse desenvolvimento psicológico da Senue. Ela é uma protagonista que dá para se apegar facilmente devido aos acontecimentos e todo o sofrimento que nos é apresentado desde os primeiros parágrafos. Também estou ansiosa para ver as alterações dos demais personagens!
26 de Febrero de 2019 a las 13:55

  • Deryk Warrel Deryk Warrel
    Por que não dá pra dar amei num comentário aqui mesmo? Obrigadinho! ♥ 27 de Febrero de 2019 a las 22:28
  • Deryk Warrel Deryk Warrel
    TAMBÉM NÃO DÁ PRA EDITAR Enfim, eu também preferi muito mais ler aqui independente do quão grande o capítulo é, mas o sistema de comentários do Wattpad é incomparável mesmo. As alterações nos outros personagens vão aparecendo aos poucos, por enquanto são coisas como a posição do Osingu ter mudado por ele não ser mais da família Honoka, ainda estou considerando se devo aumentar ou não a posição da Mora na hierarquia do exército, etc. Mas com o tempo, vai ter muita coisa nova neles, provavelmente os membros de outros clãs em especial vão ser muito mais interessantes (Apesar de que a Chizuko sempre foi um amorzinho) 27 de Febrero de 2019 a las 22:33
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