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mandy

"À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém" Cercado pelo pecado, nem a mais fervorosa das orações poderia salvar a alma do pobre seminarista, atormentado por um incubus de cabelos loiros e olhos vermelhos. Nefarius; do latim: vilão, imortal; o adjetivo perfeito para maior corruptor que o diabo podia oferecer.


Fanfiction Anime/Manga Sólo para mayores de 18.

#bakugou #kirishima #lemon #bnh #bokunohero #kiribaku #yaoi
Cuento corto
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O fogo

 

Sub tuum praesídium confúgimus, Sancta Dei Génetrix. Nostras deprecatiónes ne despícias in necessitátibus, sed a perículis cunctis libera nos semper, Virgo gloriósa et benedícta. Amen

(À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita. Amém)



De joelhos, Eijiro escondia entre entre os panos da batina a ereção quase dolorida,  os olhos fechados e as mãos unidas no fervor da reza protetora contando seus números no terço marrom, tinha lábios quase secos  durante a repetição exaustiva mas se dispunha a ir mais além até ser agraciado com a proteção da virgem Maria uma vez que ele ainda sentia. A pele quente e sensível parecia ferver contra as roupas, as calças úmidas pelo pré gozo abundante enquanto sentia que aqueles olhos vermelhos o rondavam e aquela boca macia o tomava para si em pecados brutais dos quais ele procurava se manter afastado.

— (…) Nostras deprecatiónes ne despícias in necessitátibus, sed a perículis cunctis libera nos semper… — A frase no latim aperfeiçoado ao longo dos anos de seminário era repetida constantemente, os lábios tremiam no altar enquanto os joelhos cansados reclamavam, Kirishima não podia parar de rezar… era isso que ele queria. O demônio que o atormentava primeiro em sonhos e agora ganhava força no mundo exterior, trazendo o pecado tão tentador à sua mente e corpo, espalhando desejo em sua carne e fazendo queimar nas veias tais quais as chamas infernais que ameaçavam tomar Kirishima a todo instante.

O terço tremeu nas mãos, uma pontada aguda de puro desejo correu em direção à pélvis e o seminarista sentiu o pulsar intenso nas calças, ele podia ouvir a voz rouca sussurrando ao seu redor mas não abriria os olhos para checar sua presença, não deveria; assim que as mãos mudaram de conta, a oração reiniciou.

— Sub tuum praesídium confúgimus… — Kirishima controlou os suspiros, evitando as pausas enquanto sentia o calor do enorme salão parecia aumentar tal qual seu tesão, erguendo o pênis da base à ponta e fazendo pressão no corpo para que cedesse e finalmente se tocasse entre as pernas em local ungido; Kirishima se manteve forte, ou tentou.

— Por que tentar lutar contra? Você deseja isso, Kirishima Eijiro… deseja provar os prazeres da carne num corpo semelhante ao teu, por que fugir dos impulsos atrás de bênçãos vazias? Ninguém vai te ajudar se essa não for a tua vontade… E nós dois sabemos que não quer ser ajudado…

Kirishima ignorou, as mãos tremendo o dobro enquanto recomeçava a oração outra vez, os dedos trêmulos mudando as contas enquanto ele repousava sozinho no altar quando todos os outros seminaristas tinham seu momento de descanso na tarde.

— O quão perdido é um homem que não acredita na própria prece? — A voz rouca reverberou em seu corpo, parecia ecoar em todo altar mas Kirishima duvidava que alguém mais escutasse a presença tentadora. — Tão ingênuo, acha que será privado de meus toques…

— Sub tuum- ah…! — Um gemido lânguido escapou aos lábios do seminarista, que curvou ainda mais o corpo quando sentiu, de alguma forma, mãos firmes e quentes ao redor de sua ereção. O demônio estava em sua mente outra vez, Kirishima beliscou uma ponta de pele na mão antes de retornar às orações fervorosas — Sub tuum praesídium confúgimus…

— Seu ciclo foi quebrado, Kirishima Eijiro… — A voz retornou aveludada próxima ao ouvido sensível, uma boca úmida acariciando seu lóbulo enquanto dentes provocativos o seguravam e se arrastavam na pele. — Se renda a mim…

— (...) Sed a perículis cunctis libera nos semper, Virgo gloriósa et benedícta. A- aaahn! — No último seu clamor, foi cortado; ele parecia sentir as mãos quentes tão firmes pressionando suas veias saltadas enquanto as pontas dos dedos brincavam com o pré-gozo; num instante Kirishima se viu totalmente nu num imenso vazio escuro, apenas focado no corpo pecaminoso do homem que o acompanhava. Outra vez ele fora fraco.

O pau pulsava ansioso enquanto o demônio de olhos vermelhos sentava sobre a ereção e deixava o corpo deslizar fundo, revirando os olhos de satisfação pelo gemido longo e rouco do seminarista; a mente de Kirishima fora completamente tomada, de repente tudo o que havia era prazer e o aperto proporcionado pelo incubus de cabelo loiro que cavalgava em si com as mãos em seu peito; Eijiro sentia o corpo arrepiar e sensibilizar cada vez que as unhas lhe raspavam as costas, lutando contra a necessidade de marcar a pele clara do outro com sua boca e deixando o terço de outrora escorrer sorrateiramente entre os dedos enquanto era tomado um pouco mais pelo pecado de sua própria mente.

E quando abriu os olhos, estava no altar com o corpo quase desfalecido, as mãos dentro das calças apertando com certa força o pau, movendo-se inconscientemente enquanto um fio de saliva escorria do rosto deitado em direção ao chão; o terço arrebentado se espalhava ao redor da cruz e dos bancos enquanto Kirishima ofegava sem parar, sem que a reza o pudesse proteger.

Borrado, dos pés a cabeça, Eijiro podia vê-lo: o demônio loiro de vestes escuras e olhos vermelhos que vinha atormentando-o a meses e parecia não querer sair de si de jeito nenhum, sorrindo vitorioso e ainda mais forte pela recente recaída do seminarista. E num piscar de olhos sumiu para deixar Kirishima sozinho com sua vergonha e pecado visíveis aos olhos humanos; e foi nesse momento que a porta foi aberta e por ela passou Kaminari Denki, flagrando Eijiro em um momento sensível.

— Parece que precisa de ajuda…

Kirishima se viu parcialmente sozinho, um vazio o tomou e os sentidos turvaram diante do seminarista loiro. Com a batina esticada do outro a seus pés, Kaminari não mostrava nenhuma surpresa ou desconforto com sua situação; pelo contrário; parecia achar bastante curioso e até mesmo divertido que Eijiro tocasse o corpo tão fervorosamente logo ali, reparando nas contas espalhadas e no suor na testa do colega de seminário.

— Eu… Eu não — Kirishima tentou se defender dos olhos astutos de Denki, mas não havia muito o que pudesse fazer senão surpreender-se ao ter o loiro ajoelhado ao seu lado com as mãos alisando seu peito em direção às calças lentamente enquanto um sorriso discreto pairava nos lábios.

— Está tudo bem… todos nós precisamos de um alívio às vezes, não há nada de errado… — Eijiro piscou confuso, a voz aveludada de Kaminari parecia convidativa, especialmente quando a carne parecia falar mais alto que o espírito, e então o seminarista lembrou-se das histórias acerca de Denki: sobre seus pecados com os outros dali e como, vez ou outra, jovens ou até mesmo os já formados padres eram vistos em seus braços. Tudo era verdade, e Kirishima quase se tornou mais um nos boatos quando teve a ereção tão necessitada e sofrida tocada sobre a batina. Kaminari o acariciava devagar e em silêncio, os olhos brilhando em sua direção, o rosto se aproximando aos poucos; por um instante o homem rendeu-se antes de abrir os olhos em alarme lembrando-se de todas as promessas que fizera ao entrar no seminário.

Eijiro ergueu o corpo num piscar de olhos, deixando em Denki expressões quase frustradas, e saiu dali sem dizer absolutamente nada, em direção ao primeiro chuveiro de água gelada que conseguisse encontrar.






Sentindo a temperatura gélida na pele, – a água escorrendo em seus ombros enquanto Kirishima apoiava os braços no azulejo escuro do box – o seminarista ofegava sentindo o corpo inteiro formigar em chamas, a pele em choque térmico e a mente em pura neblina sofrendo os efeitos de sua fraqueza.

Fazia meses que Eijiro estava sob os efeitos de um incubus, um demônio que se aproveita das fragilidades de alguém para tomar sua energia através dos sonhos, e para isso tomava o corpo desta em seu subconsciente através do pecado carnal – o sexo. Kirishima tentou durante todos os seus anos de seminário manter a mente limpa e firme, se escondendo através da batina, negando sua própria pessoa em razão do medo em relação à própria sexualidade e da tentativa de honrar os desejos de sua falecida mãe; e ele não era o único ali, sabia.

Conheceu diversos homens ao longo do caminho percorrendo a mesma jornada, uns como ele que persistiam, outros como Shinsou que deixavam de lado a batina, outros como Kaminari que se rendiam a luxúria sob o teto sagrado… e assim suas barreiras caíam aos poucos, seus questionamentos vinham, seu emocional ficou cada vez mais abalado até que um dia ele apareceu em um sonho. Cabelos loiros e olhos tão vermelhos quanto o tom luxurioso da maçã de Eva, um sorriso cruel e dominador enquanto as mãos se esfregavam em seu corpo, Kirishima sentira tudo tão vividamente que chegou a se perguntar se aquilo não havia acontecido em um episódio de sonambulismo; as bocas unidas, peles fervendo em contato, um ritmo tão brutal e aqueles gemidos roucos que o faziam acordar com fortes e úmidas ereções todas as noites – sem exceção.

Durante o seminário ele apegou-se às rezas, chamou por todos os santos e passava horas sôfregas de joelho no altar, a batina quente e o terço parecendo queimar nas mãos, aos poucos definhando perante os homens enquanto seu parasita ganhava forças, cada vez mais presente em sua mente até o momento em que conseguia manifestar sua presença frente a frente; Eijiro odiava-se por achá-lo tão bonito.

Ele podia senti-lo perto em quase todo canto, tão forte que as igrejas não mais o repeliam como no início – seus únicos segundos de paz eram justamente as missas, as quais não conseguia prestar atenção por estar extremamente cansado, depois disso até mesmo ali podia ouvir os sussurros daquele que considerava o inimigo em seu ouvido, chamando-o baixinho, tão rouco e sedutor que por diversas vezes Eijiro cogitou segui-lo, mas era fiel ao seu propósito e manteve-se forte. Mesmo com as investidas de Kaminari ainda no começo do seminário, mesmo com a tentação de experimentar os lábios dos colegas ele foi forte, e se recusava a ceder para um demônio. Ou tentava se recusar.

Exausto e em nervos, Eijiro apertava os olhos debaixo d'água, a ereção despontando e a consciência de que o demônio estava ali, com o corpo quente serpenteando ao seu redor e um riso de escárnio ao notar a condição patética de sua vítima. Kirishima estava fraco, e não sabia dizer se de corpo ou de espírito, comia pouco e estava cansado de sua rotina, quase rendido ao demônio loiro que o atormentava noite e agora dia, seguindo em uma resistência falha que parecia apenas atormentá-lo ainda mais.

— Não vai parar… — Ele conseguia ouvir a voz atrás de si; não, não podia olhar… aquele contato somente o daria mais poder e influência, Kirishima não tinha ideia do que poderia fazer se o visse. — Não vai embora… — Uma pontada mais forte diretamente em seu pau, ele estava jogando consigo outra vez — Não vai acabar até que se toque, Kirishima Eijiro… — Seu nome saía arrastado, a voz rouca acariciando seus ouvidos diante do silêncio e tornando o corpo febril ainda mais necessitado, quase em delírio — Não vai parar até que se renda a mim…

Kirishima prendeu a respiração em agonia com o corpo necessitado, uma excitação tão forte que quase o torturava, a pélvis sensível formigava buscando qualquer toque que pudesse calar seu desejo, melando a própria pele enquanto o homem sentia os olhos cheios de lágrimas na tentativa de permanecer longe da luxúria que parecia tão deliciosamente certa.

— Você quer isso… admita. Olhe pra mim, Eijiro… — A forma íntima do nome o pegou quase desprevenido, seu corpo respondendo aos poucos a voz sedutora e ignorando a consciência; Kirishima poderia ter chamado pelo espírito santo se não estivesse revirando os olhos de tesão.

Antes que os pés pudessem se movimentar, ele caiu de joelhos no chão – o corpo cansado numa última tentativa de não ceder – mas o demônio parecia ter mais poder que nunca sobre si e Kirishima moveu o pescoço para trás sem saber se aquela era sua vontade ou não, os olhos cerrados com força pareciam cansados de lutar e se abriram, encontrando nada mais que a parede escura do corredor que dava acesso aos chuveiros, o corpo relaxando na ilusão de estar sozinhos um instante; o seminarista baixou os ombros e suspirou, virando de volta apenas para deixar um grunhido surpreso escapar ao ter ser corruptor tão próximo a sua frente, de pé e sem roupas, o susto fazendo com que o tronco caísse para trás.

— Achou…! — O deboche venenoso na voz caiu como raios e Kirishima sentiu uma corrente elétrica em todo corpo, o pau escorrendo pré gozo ao se deparar com a nudez alheia, o odor afrodisíaco atingindo em cheio suas vias e confundindo seus sentidos até que os olhos estivessem completamente escurecidos de desejo.

— Demônio… — Eijiro murmurou, o corpo mole a mercê como se estivesse em um de seus sonhos eróticos, mas o loiro não o deixou terminar, levantando o dedo indicador e fazendo um sinal negativo. As unhas pontudas e escuras – seriam garras? – balançando de um lado para o outro.

— Eu tenho um nome, e quero ouvir você gemendo pra mim…

Kirishima engoliu em seco, sentindo como se uma coleira ‘tivesse sido posta em seu pescoço, seu corpo respondia ao da criatura de imediato; o tal nunca havia lhe dito o nome mas a conexão estabelecida permitia que Kirishima, de alguma forma, soubesse mesmo que se recusasse a pronunciar ou admitir.

Com os cotovelos apoiados no chão e as pernas abertas de barriga pra cima, ele viu o demônio – ele ainda se recusava a dizer seu nome – chamar-lhe com aquele mesmo dedo indicador, repousando em baixo do mesmo chuveiro em que Kirishima esteve outrora com uma ereção tão chamativa quanto a sua.

— Não… — Sussurrou, a voz falha pela garganta completamente seca, o corpo pesando na direção daquele loiro de sorriso sádico quando sua carne pareceu entrar por inteiro em uma espécie de torpor diante da imagem tentadora, num piscar de olhos Kirishima se viu erguendo o corpo para girar e engatinhar até o demônio, totalmente hipnotizado, a pele fervendo como nunca antes.

— Que patético… — O outro passou o polegar nas lágrimas do homem aos seus pés, sorrindo satisfeito com o estado entregue em que ele finalmente se deixou ficar; mesmo sendo experiente em sua função, reconhecia que aquele em especial havia sido trabalhoso de se tomar. Queria brincar com ele — Um homem de falsa fé, tão entregue à luxúria que rasteja aos pés de um demônio… — A língua ávida lambeu o polegar molhado com as lágrimas tortuosas de Kirishima, antes que as mãos segurassem os cabelos escuros e aproximassem o rosto do outro de sua ereção, encostando-a no rosto macio.

— Sei o que quer fazer… tão desejoso, vamos… quero ver como se dará prazer, chame meu nome.

O grave daquela voz ativou outra vez o gatilho de Kirishima, que gemeu manhoso e fraco rente ao pau do outro, a língua encostando na pele quente somente por instantes antes que o incubus o afastasse – ele não o permitiria por hora.

As mãos juradas à santidade alisaram o próprio corpo, encontrando seu íntimo e apertando em desejo cada canto encontrado em movimentos sôfregos; Kirishima arfou sentindo os lábios encontrarem novamente a ereção alheia, traçando um caminho reto em seu rosto – na vertical, chegando a encostar em seu nariz.

— Bakugou… — Ele finalmente gemeu, desarmado contra seu incubus em um som mais alto que o programado — Katsuki, eu… — Seus cabelos foram segurados com mais força, Kirishima podia sentir a escuridão rondando seus corpos conforme os olhos tão vermelhos quanto os seus brilhavam com mais força, as garras de Bakugou cravando em si devagar, o limbo os tomando a medida que o orgasmo vinha avassalador e Bakugou puxava seus cabelos até que estivesse de joelhos, liberando a única mão que usava de apoio.

Kirishima conseguia entender seu recado, um fio de saliva escorrendo pelos lábios enquanto ele se atreveu a procurar a própria entrada e pressionar os dígitos até sentir a carne apertada em volta, Bakugou sempre próximo; Eijiro podia sentir a glande em sua pele, o gosto salgado tão próximo aos lábios ofegantes e quentes enquanto Katsuki fazia questão de mover os quadris em provocação, apoiando seu rosto suado enquanto ele gemia manhoso.

— Isso, Kirishima… desse jeito — O demônio fazia questão de aprovar seu ato, os olhos direto no corpo do seminarista recém desviado, satisfeitos com seu trabalho enquanto Kirishima gemia a seus pés, totalmente entregue.

Eijiro sentia cada pedaço de pele extremamente quente, os joelhos tremendo, os mamilos sensíveis em contato com o ar gélido, o rosto formigando ao tocar o pênis de Katsuki e principalmente o próprio pau latejando cada vez mais, especialmente após o início da penetração que, mesmo que pouca, lhe causava espasmos. Não foi muito fundo, as pontas dos dedos brincavam em sincronia com a mão fechada ao redor da ereção e as garras do incubus se embrenharam em seus cabelos com força bruta, Kirishima gemeu em êxtase sentindo o abismo mais perto do que nunca, a língua escapando dos lábios e tocando o pau de Bakugou, sentindo as veias saltadas pressionarem suas papilas e fazendo o demônio gemer em sincronia pelo toque inesperado.

Pela primeira vez, Katsuki passou a tocar-se no mesmo ritmo que sua vítima, estimulando-o cada vez mais no prazer avassalador; Kirishima sentia o mundo em câmera lenta, o suor frio na pele quente era abundante, melava seu corpo e o fazia tremer mais e mais à medida que a eletricidade o tomava, Eijiro viu-se completamente frenético nos próprios movimentos e jogou a cabeça pra trás, o orgasmo vindo aos pés de Bakugou quando o demônio agarrou seu rosto e despejou-se ali, sujando-o com a marca do pecado que havia cometido no banheiro de uma instituição voltada para o divino.

O escuro veio rápido, tomando Eijiro por completo enquanto seu corpo desfalecia no chão úmido sem forças ou estruturas para continuar, caindo sob o sorriso vitorioso do incubus que o tomou durante meses no escuro silencioso da madrugada.








Era quente, quase agonizante, o peito subindo e descendo fora de ritmo no escuro vazio até o momento em que Kirishima finalmente abriu os olhos num movimento súbito e assustado, se encontrando em uma sala nunca antes vista: blocos e blocos de cimento empilhados a luz de velas com diversas cruzes de todos os tamanhos e materiais cravadas compondo o cenário gótico, nenhuma janela e a única vista era a pesada porta de madeira na outra ponta do quarto; Eijiro sentia o corpo úmido, água benta ele apostava, de forma incômoda a sua nudez parcial, a calça cáqui grudando em partes do corpo enquanto seu andar pesado o arrastava até a porta, as mãos fracas tentando abrí-la.

Um estalo e um arrastar freado ecoam corredor a fora, do lado de dentro Kirishima sentiu os ouvidos zunirem pelas correntes pesadas que prendiam a madeira ao batente e pisca confuso ao notar que não estava em repouso e sim trancado como se representasse perigo. O corpo ainda dolorido tentou despertar diante da recente percepção mas tudo o que Eijirou pôde fazer foi gemer de dor e cansaço enquanto voltava quase sem forças para se atirar na cama, deixando os músculos descansarem no colchão duro enquanto o ar escapava entre os lábios ofegantes.

Ele não sabia dizer quanto tempo mais ficou ali, a mente alternando entre a realidade e a inconsciência em grandes vazios escuros toda vez que o seminarista piscava, criando novos vácuos de sono pesado, ou não, pela exaustão; Kirishima ainda podia sentir a influência demoníaca do incubus em seu corpo, ainda podia senti-lo bem perto em seu interior e sussurrando em seu ouvido indecências que contestavam sua força e, principalmente, sua fé.

Talvez fosse noite, ou um novo dia, quando as portas se abriram e Eijiro finalmente foi agraciado com alguma luminosidade – de uma lamparina que parecia um tanto antiga –, os lábios secos prensados sendo separados pela ponta da língua pastosa enquanto as pálpebras piscavam preguiçosas. O seminarista semicerrou os olhos antes de abrir para encontrar o padre que lhe ensinava acompanhado de um bispo, ambos empunhando cruzes com cautela ao olharem para si com certo receio.

— Padre...? — Ele chamou com a voz rouca pela garganta seca e arranhada, o rosto quente e os olhos pesando cada vez mais pela luz incômoda. — O que…?

Kirishima teve o sinal da cruz feito ao redor do corpo, dedos pairando ao seu redor enquanto seu olhar acompanhava de forma lenta, em seguida uma oração rápida e fervorosa antes que o segundo mais velho no local tocasse seus ombros agradecendo a Deus. A explicação veio em seguida, palavras ditas de forma pesarosa mas cheias de alívio pelo fim do ocorrido.

— Esteve sob influência demoníaca, Kirishima. Alguns de seus colegas de seminário o encontraram se debatendo no banheiro e você os atacou, esteve… possuído. O demônio mexeu com você.

Kirishima engoliu em seco, olhos arregalados seguidos da boca completamente aberta quando as mãos se apertaram sobre as coxas.

— Eu os machuquei?

O padre negou, atravessando um olhar com o bispo antes que Eijiro se desse conta do que realmente havia acontecido, corando.

A influência demoníaca era a luxúria, ele esteve possuído por… Bakugou.

— Não aconteceu nada, eu e os outros padres chegamos pouco tempo depois. — O padre completou, suspirando sob o olhar severo do mais velho que variava, vezes em si vezes no seminarista – especialmente no seminarista — Tivemos que trancá-lo aqui, tentamos um exorcismo mas o demônio era mais forte e se recusava a sair… dizia coisas impossíveis. Depois de muito tempo você desmaiou, acreditamos que o exorcismo funcionou mas…

— Mas… ?

Somente ali Eijiro notou que seus superiores traziam um espelho consigo, entregando-o nas mãos trêmulas pela fome e desidratação. As cenas seguintes foram confusas: os olhos antes escuros agora se encaravam tão vermelhos quanto os do próprio demônio, assim como os cabelos estavam em vermelho vivo e os dentes… sua maior surpresa: pontiagudos como grupos de presas dentro dos lábios. Kirishima sentiu a cabeça ainda mais pesada, um latejar intenso tomou o crânio em questões de segundo enquanto ele procurava detalhes em sua nova aparência tão selvagem e colorida, pasmo pela mudança radical.

Kirishima tentou falar mas as palavras morriam em sua garganta, sufocadas pelo espanto e corroídas pela perplexidade. Aquela era a influência de Bakugou sobre si? Talvez a marca de seu pecado? Ele não era capaz de dizer.

— Padre… o que aconteceu comigo?








Sua aparência se tornou permanente, pelo menos esse fora o veredito após alguns dias a mais de confinamento na mesma sala sagrada e escura, acompanhado somente por uma bíblia de orações que ele já conhecia e as memórias dos momentos de tormento que fizeram parte de seus dias e noites dos últimos meses – lembranças vividas que faziam seu corpo quente e o tentavam cada vez mais, se inibindo somente durante as visitas de seus superiores na igreja, que vigiavam seu estado para garantir a ausência de qualquer possessão e levar alimentos.

Durante o que deveria ser noite – a noção de tempo era realmente prejudicada naquele lugar – Kirishima podia jurar que via algumas das cruzes inverterem suas pontas, virando de ponta a cabeça e nesse momento seu desejo era ainda mais forte, tão intenso que por mais de uma vez ele caía em tentação; as mãos quentes dentro das calças se mexendo devagar, apertando a glande do jeito que ele havia aprendido a gostar enquanto gemia baixo, os lábios tentados a chamar o nome de seu corruptor mas a mente lutando contra o ato insano, pecados e mais pecados se acumulando entre quatro paredes até o último dia.

Quando o seminarista finalmente foi liberado não fazia sol, nuvens escuras e carregadas cobriam as construções santas e combinavam com suas feições, cansadas como quem aproveitara o horário noturno para coisas que não incluíam dormir, os olhos vermelhos atormentados pela luxúria e as mãos trêmulas pela culpa de ter profanado o próprio corpo e um lugar abençoado outra vez.  Kirishima foi acompanhado até mesmo no banho por autoridades religiosas, que o esperavam perto da porta enquanto o seminarista fazia um esforço sobre humano para esquecer de tudo que havia acontecido naquele banheiro; a culpa desaparecia aos poucos mas ainda pesava nos ombros e fazia com que se sentisse rebaixado – mesmo que uma parte de si estivesse extremamente satisfeita com os atos, como se finalmente estivesse liberta depois de anos de confinamento.

Tudo aquilo ia contra todos os seus ensinamentos e o que fora ensinado a acreditar, o pecado, a satisfação, a rendição… Eijiro começava se perder aos poucos e não queria dar-se conta tarde demais, precisava buscar sua redenção e escolheu começar pelo perdão, por isso procurou o líder de sua classe no seminário.  

— Padre, eu quero me confessar.

Kirishima recebeu um olhar brando e foi instituído a atravessar a área aberta que separava os dormitórios dos seminaristas e a igreja principal, despedindo-se com um sinal de cruz como benção e caminhando de cabeça baixa até o outro lado.

Finas gotas caíam do céu escuro quando Eijiro tocou o caminho feito de pedras que cortava o gramado, um único espaço aberto que separava a morada dos alunos da igreja naquele seminário isolado, um lugar afastado para manter os discípulos mais especiais – ou seja: com qualquer inclinação homoafetiva – longe da tentação como se estivessem de alguma forma errados por suas escolhas, um pensamento idiota por milhares de maneiras e só mais um dos motivos para que Kirishima não se sentisse totalmente bem naquele lugar.

A chuva começou quando entrou na igreja, o salão vazio iluminado pelas velas do altar o protegendo dos primeiros trovões e da água que caiu raivosa do outro lado, agraciado as plantas e punindo com sua força algumas estátuas feitas pelo homem. Eijiro se benzeu por costume, atravessando o tapete que levava ao altar e se dirigindo ao confessionário sentindo na espinha um arrepio gélido um tanto incomum; os cabelos vermelhos se destacaram na ornamentação dourada, o poder da igreja sendo marcado através do ouro maciço utilizado em sua construção, tão extravagante quanto poderia ser ao engolir a figura pequena de um homem mirado pelos olhos dos anjos pintados no enorme teto. Todos o acusavam silenciosamente: pecador.

Kirishima costumava sentir culpa, mas seu peito parecia estranhamente conformado naquele momento – apenas uma parte, mesmo que ainda se sentisse diminuído dentro da tão enorme construção.

O confessionário ficava num canto um pouco mais afastado, a construção de madeira um tanto mais espaçosa do que o de costume – o que era bom já que às vezes Kirishima sentia-se sufocado dentro daquelas que pareciam caixas de fósforos – um tanto menos iluminada, dificultando a visão dos rostos. Com a parede de madeira cheia de minúsculos círculos abertos de um lado e o resto do conjunto fechado, Eijiro esperou até que a porta fosse aberta e deixasse um frio úmido entrar, fazendo com que o seminarista se encolhesse e as velas se apagassem, antes de ouvir passos firmes em sua direção; o coração batia forte no peito por algum motivo, estava ali apenas para conseguir seu perdão e nada mais. Queria purificar-se… Certo?

Um ranger mínimo do outro lado foi escutado e em poucos segundos a outra figura masculina se acomodou ao lado da divisória, criando uma atmosfera densa que fez Kirishima se ajeitar procurando, talvez, um modo de relaxar e deixar escapar a aura densa que sentiu ser formada ali; o homem do outro lado ergueu uma mão e maneou a cabeça pedindo para que falasse e Kirishima abaixou a cabeça.

— Perdoe-me padre pois eu pequei. Fui fraco ao ser atormentado por forças… malignas. Rendi-me às tentações e compactuei com ações libidinosas… — Conforme dizia, sentia um misto de sentimentos borbulhando em seu peito: um deles sendo embaraço crescente pela exposição, coisa que fora ensinado a sentir desde cedo quando teve a sua sexualidade negada, seus instintos naturais foram demonizados e Kirishima fora instruído a esquecê-los, abdicar-se de todos, no entanto às vezes a carne falava mais alto e ele parava ali, julgado, condenado até que recebesse seu perdão pela boca de um homem talvez tão pecador quanto si, cuja palavra tinha o peso do divino. Kirishima ainda tinha problemas para entender tudo aquilo. — Deixei que a luxúria me tomasse por completo mesmo em um ambiente sagrado, e por tudo isso eu me confesso.

— Diga-me, Kirishima Eijiro… Por tudo o que fez, se arrepende?

O seminarista estancou no mesmo momento sentindo o ar nas narinas rarefeito e o coração acelerado, no mesmo instante em que as palavras foram proferidas de forma tão cortante e intensa ele reconheceu a voz grave e maliciosa, erguendo a visão em seguida para encontrar olhos rubros atrevidos através da divisória esburacada do confessionário, brilhando em sua direção como se tentassem hipnotizá-lo.

— Você… o que-

— Shiiiiu, ainda não respondeu minha pergunta… — Kirishima sentiu algo no ar, um cheiro de pimenta rosa característico àqueles que sentia em seus sonhos mais pecaminosos onde o incubus aparecia, assim como lembrou-se de sentir no banheiro e em todos os outros lugares em que fora atormentado; a fragrância suave tomando seus sentidos enquanto o pequeno espaço era tomado por uma fumaça densa e inebriante onde somente os olhos vermelhos de Bakugou se destacavam, parecendo derrubar a pouca distância e empecilho entre ambos e pondo o santo e o demônio cara a cara; tão próximos que sentiam suas respirações mescladas.

Kirishima sentia a garganta fechada e implorava em silêncio para que suas sinapses funcionassem e movessem seu corpo de alguma forma, vendo-se totalmente preso nos encantos libidinosos da criatura sedutora que o cercava; talvez fosse algum masoquista – aos poucos aceitando a prisão e indo contra a parte que gritava para correr –,a pergunta de Bakugou ainda ecoava em seu cérebro.

Buscara o perdão, mas realmente se arrependia? Ali, cara a cara com o pecado mais puro em forma humana, ele não sabia dizer; não queria dizer.

O demônio o tocou, espalmando as mãos em seus ombros e descendo pelo peito num movimento longo e arrastado, um sorriso ladino decorava seu rosto e fazia o queixo tornar-se um tanto pontudo na extremidade do queixo.

— Dignos são os homens que assumem seus pecados perante ao céu e inferno, e amaldiçoados serão os que os negarem perante os olhos de Deus. — Katsuki murmurou, a língua passando na ponta dos lábios enquanto um dedo indicador subia para tocar o queixo de Kirishima. — É feio mentir para o diabo na casa de Deus, seminarista.

O corpo de Kirishima resetou e ele sentiu um arrepio incomum atravessar-lhe a espinha, o total xeque de suas crenças com seus instintos e desejos em frente a face dos maiores pecados; Eijiro quis esconder-se como fazia quando envergonhado, no entanto estava aos olhos de todas as entidades e tal onisciência o encurralava. Kirishima tocou-se diversas vezes na presença do incubus e longe dela, sucumbiu aos desejos mais íntimos e tornou alguns poucos realidade mesmo sabendo que a fé o condenaria e no entanto pegava-se desejando mais, pensando em como seria estar totalmente imerso no prazer da carne mesmo estando em solo ungido – na verdade, em nada aquilo impediu a entrada do demônio uma vez que o próprio Eijiro parecia convidá-lo.

— Até onde sua hipocrisia o leva? — Katsuki usou a mão que jazia no rosto para aproximar os lábios, os hálitos quentes começando a se mesclarem quando a mão que passeava no peito de Eijiro desceu livremente pela barriga alheia e Kirishima não apresentou resistência alguma quando o loiro tocou-lhe sobre a calça, as mãos ao redor do pau semi ereto fazendo-o suspirar. — Está mesmo arrependido?

Kirishima cerrou as pálpebras, os cílios longos e escuros se juntando enquanto os lábios se apertavam e continham um gemido baixo; suas últimas barreiras ruíram quando a língua de Bakugou tocou o canto de seus lábios e se arrastou até a orelha, a voz aveludada o tragando como ondas num mar traiçoeiro; águas aparentemente calmas que puxavam seu corpo sem que percebesse.

 Se ajoelhe, vou te ensinar a rezar.

Seu corpo o respondeu de imediato, as pernas cedendo até que estivesse de joelhos em frente a ereção do outro, a ponta do nariz encostando nas roupas aquecidas pela carne e a boca semi aberta em expectativa, salivando em conjunto com o olhar nublado.

Não, ele não se arrependia.

Kirishima esperou impaciente o deslizar do tecido bruto das calças até que seu objeto de desejo fosse liberado; pulsante e rosado, tão próximo a sua boca que quase podia sentir seu gosto.

— Vamos, devoto, mostre como pretende me adorar.

Bakugou sorriu ao alimentar o próprio ego, comemorando internamente o cumprimento de sua missão ao sentir os lábios macios de seu alvo circulando a glande devagar, envolvendo-a com a língua e se arrastando lentos num calor úmido que o fez resgatar um gemido da garganta, um som feroz que se estendia ao passo que Eijiro avançava até onde podia – tão entregue e relaxado que demorou a sentir qualquer efeito para o garganta profunda que veio a dar, o corpo formigava em expectativa e o seminarista, àquela altura ex-seminarista, apenas inclinou o corpo para frente até sentir a pélvis alheia tocar sua face. Os olhos vermelhos se levantaram e os cabelos igualmente coloridos foram agarrados com força por mãos esguias que agora possuíam garras; Eijiro se deparou com a esclera de Katsuki escurecida – antes brancas e comuns agora se tornavam negras e opacas, ressaltando ainda mais o vermelho brilhante de suas íris e evidenciando a perda de controle que o prazer o trouxe, sua face menos humana aparecendo em pequenos traços e se Eijiro pudesse reparar, notaria que o mesmo acontecia consigo.

O incubus sentiu o pré gozo escorrer da cabeça sensível, e teve o prazer de observar atentamente Kirishima sorve-lo com a língua fazendo uma espécie de concha, antes que os lábios o tomassem novamente – famintos e desejosos.

Bakugou arqueou o corpo, apoiado em uma das paredes do confessionário que parecia ficar cada vez menor, apenas alguns pontos da pouca luz natural que restava ultrapassavam a madeira pelos buracos tornando o ambiente mais íntimo, pela meia luz Bakugou podia notar o suor e as expressões luxuriosas de Eijiro, sua vítima mais complicada e o trabalho que mais valeria a pena; as escleras amarelas e vibrantes cada vez mais aparentes e a pele atingindo tons mais avermelhados, uma obra prima na visão de Katsuki; a forma mais bonita que ele poderia atingir.

A mesma claridade que dava a Katsuki clareza na visão do devoto deixava Kirishima com não mais que uma sombra de pé, curvilínea e imponente de olhos vibrantes e gosto viciante, uma figura misteriosa que ele não se cansaria de olhar seja qual fosse a situação; no minuto em que os olhos se prenderam nunca mais soltariam, e Bakugou acharia tudo extremamente clichê se não fosse um demônio recebendo um oral dentro de um confessionário fechado.

Kirishima recuou outra vez, o corpo repuxando com a ereção que clamava por atenção dentro da própria calça e o – agora – ruivo ainda manteve a língua parcialmente exposta ao tocar o próprio pênis por cima da calça, o rosto próximo o suficiente para que pudesse sentir o cheiro de Bakugou tomando seus sentidos por completo. Os olhares ainda estavam presos, comunicando-se em silêncio e daquela forma ele soube que era sua hora de tirar as calças, abaixando o zíper e não demorando a expor a ereção dolorida pela falta de atenção, a glande avermelhada exigindo um toque quando suas próprias mãos a acolheram antes de voltar os lábios a sua tarefa inicial. Katsuki gemeu com a visão, o sangue correndo como fogo nas veias e espalhando vibrações por todo seu corpo a ponto de quase se tornarem espasmos, pontadas descendo por sua espinha até a pélvis enquanto a mente acelerada parecia se perder.

Bakugou sentiu-se flutuar, o coração entrando em frenesi e a boca tremendo involuntariamente quando Kirishima aumentou o ritmo de suas investidas, a boca quente o puxando enquanto as mãos cravavam em seus cabelos a ponto de repuxar a cabeça em alguns momentos, os quadris balançando contra a parede do confessionário e em seguida contra a boca de Eijiro.

Kirishima gemeu com as cordas vocais, um som desconexo deixando seus lábios quando sentiu o tesão emanando do outro e estimulou ainda mais o próprio corpo, os olhos revirando aos poucos e ficando mais intensos a medida que sentia o inchaço de Bakugou aumentar, o demônio gemeu entregue e toda cena se tornou irônica porque Kirishima foi o adorado quando Bakugou finalmente deixou seu gozo sair em jatos certeiros na boca do outro, chamando seu nome de forma rouca e arrastada com um suspiro extasiado.

O fôlego de Eijiro se perdeu, o ar escapando quente pela boca  enquanto as mãos eram apoiadas no chão e o cabelo grudava nas faces, as forças retornando ao corpo motivadas pelo tesão ainda contido, os olhos nublados alheios às transformações ocorridas no próprio corpo e fixos no incubus ofegante; Kirishima se ergueu decidido a tomá-lo, fosse ali, no salão da igreja ou até mesmo no altar.

Bakugou foi tomado em braços fortes sentindo a pele ferver tão quente quanto o próprio fogo do inferno e pela primeira vez em sua existência foi conduzido em um beijo necessitado enquanto tinha o corpo rendido nas mãos do aprendiz de sacerdote, a ereção molhada de Kirishima em seu abdômen fazendo seu próprio pênis despertar outra vez enquanto as mãos ansiosas do outro tocavam cada canto exposto de sua pele. Quando os olhos vermelhos se abriram em meio àquela bagunça de sentidos e toques, Katsuki quase se afastou reclamando da ousadia que tomou o corpo excitado de Eijiro, no entanto a língua ágil fazia um trabalho inebriante e o distraiu maravilhosamente até o momento em que separaram os lábios e ele segurou o rosto de Kirishima.

— O que pensa que está fazendo, homenzinho?

— Demonstrando minha devoção ao meu senhor. — A resposta veio imediata, os olhos escuros de tesão voltados aos seus totalmente nublados e Bakugou amaldiçoou a tentadora forma demoníaca que Kirishima havia assumido, os dentes ainda mais afiados e as expressões libidinosas se misturando numa harmonia selvagem o suficiente para fazer Katsuki prolongar o trabalho; um pecado a mais não faria mal algum e ele estava totalmente ansioso para saber o que Eijiro faria consigo.

— Para alguém que veio se confessar pelos pecados… Não parece arrependido- — A fala venenosa foi seguida por uma mordida, os dentes de Eijiro cravaram na curva do pescoço do loiro enquanto eles terminavam de se despir e Kirishima o empurrou contra a porta destrancada e expôs os corpos às pinturas santas da igreja vazia. — Quer mesmo se expor aos olhos celestes, seminarista?

Kirishima sorriu, o prazer o tomando inteiro cada vez mais forte e comandando suas ações; sua mente rendida a inércia da luxúria e a carne sendo comandada por seus instintos mais primitivos quando sussurrou aos ouvidos alheios com a voz arrastada, a garganta rouca pelo esforço de outrora:

— Com medo da punição, demônio?

Bakugou arfou, um movimento tanto excitado quanto indignado antes de agarrar os cabelos de Kirishima e puxá-lo para si com brutalidade, os lábios se chocando com força e em seguida os dentes de Katsuki os prenderam e morderam a ponto de sangrar, manchando-os e deixando ainda mais avermelhados antes que Bakugou o levasse em silêncio para outro ponto do santuário; Kirishima nunca saberia como de fato haviam chegado lá, estava tão entretido com a figura nua e desejosa que não percebeu seus próprios movimentos ao acompanhá-lo.

O altar ornamentado conseguia ser mais chamativo que a decoração geral, talvez por ser uma espécie de palanque mais alto ou pelo simples fato de ser ali que todo sermão começava, os objetos preparados para a missa se dispunham e Katsuki agarrou um cálice entre os dedos com um sorriso de escárnio antes de tomar um gole do vinho ali contido – o vinho do sacramento – e sorrir para Eijiro, que admirava o corpo reluzente pela fina camada de suor que o encobria. O segundo movimento foi similar, Bakugou levou o líquido aos lábios no entanto não o engoliu, e sim se aproximou para tomar os lábios de Kirishima outra vez e compartilhar por ali o vinho com um sorriso ladino.

O outro sentiu o corpo ferver conforme o líquido descia pela garganta, uma das mãos de Bakugou segurando com firmeza sua nuca enquanto as garras tocavam a pele de leve e os peitos se grudavam prensados; a ação seguinte de Eijiro foi tocar os mamilos rosados de Katsuki e ser deliciosamente surpreendido com um gemido manhoso antes que o demônio o repelisse alguns centímetros, o corpo arrepiado com os dedos hábeis de Eijiro, que riu nasal ao notar o ponto sensível do outro.

— Não gosta disso, Bakugou? Do que tem medo? — A pergunta irônica serviu para fazer Bakugou ranger os dentes e agarrar a cintura de Kirishima com força, a boca marcando o pescoço enquanto os dedos se esgueiravam em direção a ereção, apertando a glande sensível e fazendo Kirishima gemer frouxo.

— Sou eu quem está no comando aqui, idiota!

Kirishima sorriu de canto, a língua passando nos dentes devagar fazendo Katsuki imaginar ainda mais jeitos de levar aquele corpo à perdição.

— Veremos por quanto tempo...

Bakugou teve os pulsos agarrados, o cálice escapando das mãos fracas e manchando o chão com o vinho escuro quando Kirishima tomou seus lábios e dali arrastou a língua pelo maxilar forte, o corpo tremendo em desejo e dando voz às vontades escondidas desde que começara a sonhar com aquele incubus atrevidos que ousou lhe perturbar a paz. Bakugou gemeu, uma perna enroscada em Eijiro enquanto os quadris se moviam esfregando as duas ereções, Kirishima o agarrou pela bunda sentindo um calor ainda maior e úmido; jamais imaginou que mesmo um demônio com aparência masculina pudesse produzir algum tipo de lubrificação, no entanto a notícia – muito bem vinda – não o impediu de se esticar e mergulhar dois dedos no óleo que repousava próximo onde antes estava o cálice, esperando que o material ungido não afetasse o demônio – e parecia não afetar – quando tocou com as pontas dos dedos sua entrada pulsante; fazendo Bakugou rosnar abafado e morder seus ombros.

— O que acha que está fazendo?

— Tudo o que me deixou desejando fazer — Kirishima respondeu de imediato, a voz embargada e os olhos fixos nos outros vermelhos quando inseriu dois dedos de uma vez, fazendo Katsuki arquear a cabeça para trás com um solavanco corporal direto no altar; Kirishima gemeu consigo, apreciando o calor apertado do interior de Bakugou, que parecia moldar-se ao redor de seus dedos toda vez que o loiro rebolava. Do lado de fora, um trovão estourou e encobriu os gemidos mais agudos que ambos deixaram escapar, o céu enegrecido privando a luz de passar pelos vitrais e apagando as vistas dos anjos ali retratados, deixando apenas as poucas velas que restaram acesas iluminarem os corpos em chamas e dando início a uma chuva mais forte que marcava o provável início de uma tempestade.

Kirishima quase se permitiu distrair, reparando rapidamente no entorno da igreja vazia, mas a imagem de Bakugou era mais tentadora e àquela altura assuntos santos não o interessavam mais. Katsuki tinha parte do rosto avermelhado quando Kirishima começou a se mover, causando nele um espasmo que o levou a arranhar a pele quente do seminarista ansioso por finalmente estar dentro de si.

— Vamos, sei que está louco pra me foder… — Bakugou chiou enquanto Kirishima se abaixava outra vez para sugar-lhe os mamilos, apertando-os entre os dentes e fazendo com que gemesse mais alto ainda. — Desgraçado, eu…!

— Eu tenho um nome… — Eijiro sussurrou, tal qual o próprio Bakugou fizera consigo — E quero ouvir você gemendo pra mim!

Bakugou rogou todas as maldições que conhecia em mente, contraindo-se para Eijirou, ofegante, quando os dedos foram girados dentro de seu corpo.

— Kirishima…! — Um palavrão quase acompanhou a exclamação, mas foi o suficiente para que Eijirou sentisse outra vez o pau pulsar e dar fim a qualquer preliminar; precisava foder Bakugou e rápido!

Bakugou entendeu a tensão súbita nos ombros alheios, a forma com que Kirishima passava as mãos em seu corpo foi mudando e se tornando um tanto mais possessiva, os corpos grudados fazendo Katsuki sorrir de canto pois Eijiro o estava desejando tanto a ponto de profanar um local totalmente sagrado.

— Sei o que deseja, Kirishima… vamos, aqui e agora. Me foda. — O loiro murmurou contra a curva do pescoço de Kirishima, a língua passeando ali numa carícia suave e íntima antes que seu corpo fosse virado para se apoiar no altar.

Num único instante quase tudo foi ao chão, desde o incenso até o crucifixo – este que Bakugou fez questão de empurrar – e Katsuki apoiou o peito e as mãos no local antes de receber o calor de Kirishima sobre o seu, os lábios beijando sua espinha e mordendo a carne de sua bunda antes que o ruivo puxasse seu cabelo e encostasse a glande em si, ansioso com o que viria. Bakugou sorriu no minuto em que a pélvis de Eijiro tocou suas nádegas, a virgindade dele fora tomada por Katsuki e finalmente Kirishima era um pecador mundano, que se movia sem piedade alguma buscando aplacar o desejo que mais parecia insaciável.

Eijiro não podia descrever a sensação de finalmente libertar-se, atendendo seus desejos contidos; especialmente sendo Katsuki ali, cujo corpo parecia – e era – totalmente moldado para o pecado, abrigando-o em seu interior e fazendo questão absoluta de apertá-lo em cada movimento, o corpo quente exigindo de Kirishima mais intensidade e proporcionando novas injeções de adrenalina toda vez os corpos de chocavam.

Bakugou gemeu, o rosto contra o altar e os cabelos puxados nas mãos de Eijiro – com força o suficiente para que erguesse a cabeça e parte do tronco antes que uma das mãos de Kirishima voltasse a brincar outra vez com seu mamilo, causando em si novos espasmos que se prolongaram com os lábios e dentes de Eijiro em sua orelha, mordendo e amaciando enquanto um ou outro sussurro embargado aumentavam sua excitação através do ego. Katsuki o havia rendido, o trouxe para o pecado, foi seu nome o dito nos momentos de prazer e nada poderia ser mais satisfatório porque, bem, havia gostado bastante de estar ali atormentando a alma condenada daquele homem. Se pudesse – e podia! – a tomaria para si.

Um raio cruzou os céus, iluminando os vitrais do teto e assim os olhos angelicais que viram o exato momento em que os lábios se encostaram, Kirishima os tomou com verdadeira devoção; as mãos atingindo com força a bunda de Katsuki, que rebolava mais a cada nova estocada e atiçava o seminarista em seus movimentos. Ainda restava um pouco do gosto de vinho nos lábios de Bakugou, e isso motivou Kirishima a sugar sua língua com um tanto mais de intensidade entre o beijo, melando os lábios alheios ao arrastar sua própria língua dali pela pele, diminuindo o ritmo e aumentando as intensidade de cada movimento ao sentir seu clímax próximo.

Bakugou podia senti-lo pulsar, o corpo inteiro vibrando contra o seu, as mãos o apertando contra o altar e fazendo com que revirasse os olhos de prazer cada vez que Eijiro arremetia mais fundo, a adrenalina correndo em suas veias quando numa última estocada bruta Eijiro gozou dentro de si, deixando os vestígios de seu prazer escorrerem entre suas coxas enquanto o próprio Bakugou atingia seu ápice com os dedos médios levantados na direção dos vitrais angelicais e do céu como um todo.

Kirishima sentiu todos os músculos do corpo tensionarem, os quadris se movendo para trás lentamente ao deixar o interior de Katsuki com certa relutância, esforçando-se para prolongar o toque íntimo entre os corpos suados. Bakugou gemeu quando finalmente se separaram e virou o corpo devagar, ofegante como nenhum outro humano o deixara… se bem que, olhando naquele momento…

Kirishima mal se deu conta da própria aparência até notar o sorriso de Katsuki, com seus caninos que pareciam mais afiados e escleras escuras, pele cujas extremidades pareciam escamas negras e chifres curvados para trás que Kirishima não havia visto antes, era assustador e extremamente sensual; por um instante Eijiro quis possuí-lo daquela forma, mas seus pensamentos foram interrompidos por outra trovoada forte, o céu ainda mais coberto e agora uma chuva estrondosa caía a medida que Kirishima sentia o corpo febril.

— Está sentindo…? Essa ardência? É sinal de que não é mais bem vindo aqui. — O riso de escárnio ecoou por todo salão quando a respiração de Eijiro pesou e seu corpo cambaleou, confuso e um tanto fraco. — Pobre rejeitado…

Katsuki o rondou outra vez, passos lentos ao se aproximar para tomar os lábios de Kirishima outra vez, ouvindo outro estrondo soar no céu como uma clara represália a situação profana. Eijiro se apoiou naquele beijo, como se usasse as forças de Katsuki para se manter de pé.

— O que… o que está dizendo?

— Que confessionário nenhum vai salvar sua alma, Kirishima Eijiro… — Contra os lábios inchados do seminarista, Bakugou ronronou totalmente manso ao guiá-lo para perto do altar bagunçado, mostrando ambos os reflexos em uma bandeja de prata cujo conteúdo a muito fora ao chão. — Ela já pertence ao outro lado…









Eijiro guardou sua aparência na memória com o susto inicial, a bandeja que Bakugou lhe mostrava foi arremessada longe ao som da risada do incubus, que parecia se divertir com seu mais novo tormento tanto quanto fizera outrora. Kirishima viu não somente os dentes pontudos e cabelos vermelhos como suas próprias escleras amarelas e pele avermelhada, as escamas que em Bakugou pareciam negras em si eram vermelho sangue, assim como as garras que causaram algum estrago na pele de Katsuki minutos mais cedo.

Um misto de sentimentos se apossou de seu corpo naquele instante, ouvindo tudo o que o loiro dizia sobre sua vida e quem ele era; sobre como sua mãe havia caído nos braços de um ser profano quando era viva e tentou salvar-lhe de seu lado meio demônio através da coerção, colocando-o no seminário e induzindo sua vida daquela forma; sobre como ele reprimiu seus desejos mesmo antes de seu lado obscuro despertar e como aquilo o matava por dentro, quanto mais Bakugou falava mais Kirishima sentia o peito acelerado e mesmo que em seu corpo habitasse somente o humano o discurso não deixaria de fazer sentido. Todos os momentos em que negou a si próprio culminaram ali e agora ele finalmente libertou-se.

— Achamos que era hora de trazer você para o lado divertido. Você já havia despertado seu lado demônio quando o dexei o banheiro, aqueles idiotas acham que foi possuído... — Katsuki sorriu de lado em escárnio ao lembrar-se dos padres, as mãos brincando com um dos objetos litúrgicos. — É claro, não poderíamos entrar em local sagrado sozinhos por isso precisamos ser chamados, aceitos… Você me deixou entrar e eu retribuí o favor desfazendo aquele seu disfarce humano ridículo.

— Poderíamos? — Kirishima arfou, a garganta ardendo pela ansiedade causada por tantas informações, a frase no coletivo o chamando a atenção. — Eu... Como eu...?

— Eu não fui o primeiro a tentar de buscar, Kirishima… — Os olhos vermelhos de Bakugou voltaram para si, fixados tão rápidos como uma flecha. — Kaminari estava aqui antes de mim, acontece que você foi resistente e então precisaram de artilharia pesada. Sabe, um demônio de verdade… — Se gabou, como se Denki sozinho não fosse responsável pelo desvio de dezenas. — Nascido da uma união profana, você é parte do mesmo fogo que eu, fui encarregado de te buscar, e agora você é meu…

Kirishima foi atacado outra vez, vencido pelos lábios de Bakugou antes que pudesse dizer qualquer outra coisa.

— Você está livre, Kirishima Eijiro. Livre das amarras humanas, livre da hipocrisia na qual você mesmo mergulhava… — Ele sussurrou em seu ouvido, arrastado e rouco como se estivessem outra vez tomados pelo prazer, mas Kirishima ainda tremia, havia estudado o bastante para preocupar-se.

— Mas há que preço? — A voz falha se perdeu entre os toques de Katsuki, determinado a fazê-lo relaxar e aceitar sua nova condição de uma vez, afinal, ele precisava de um “sim”.

— Uma vida eterna do jeito que bem entender, sem regras estúpidas ditadas por homens ou doutrinas… qualquer preço e mínimo, não é?

— Não respondeu minha pergunta.

Os músculos de Katsuki resetaram, os lábios comprimidos momentaneamente enquanto sua mente praguejava e os dedos apertavam os bíceps de Eijiro.

— Virá comigo, conosco… fará o que fazemos, vai jurar sua fidelidade ao chefe, você sabe quem é… não é um maldito filme de terror onde todos ao seu redor morrem, pare de torrar minha paciência, estou tentando aproveitar você…

Kirishima sentiu um arrepio, a língua de Bakugou delineando seu maxilar lentamente enquanto as mãos desciam pela barriga, e novamente ele estava sendo tragado naquela bolha de prazer, o corpo inteiro arrepiado pelos sussurros indecentes que aos poucos eram despejados em seu ouvido.

Kirishima sentiu o chão tremer, seu corpo inteiro vibrou nas mãos de Bakugou naquele momento, sua mente imaginando o que tinha a perder e a ganhar. Tudo estava tão quente… mas seus olhos apenas eram focados em Katsuki, seus lábios aveludados o faziam sorrir para suas provocações, e não mais lhe importava que os vidros da igreja estivessem, aos poucos, estourando ao seu redor.

— Vamos, Kirishima… diga sim.

Quando Bakugou sussurrou contra sua boca, os olhos fixos no rosto de Eijiro, tudo pareceu se mover em câmera lenta e o coração do ruivo quis sair pela boca. As velas da igreja se reacenderam, a cera derretendo com pressa e iluminando os corpos grudados quando Kirishima segurou o rosto de Bakugou com uma das mãos; o coração palpitando tão forte que ele pensou que tudo acabaria ali mesmo.

Naquele instante, tudo dentro de si pareceu queimar, e ele não se importaria se aquilo se espalhasse em seu corpo enquanto esfregava seus lábios quentes nos de Bakugou.

— Sim.


Ele seria o próprio fogo.Ele seria o próprio fogo.






31 de Enero de 2019 a las 21:04 0 Reporte Insertar 2
Fin

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Mandy Filha do caos, adepta ao drama.

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