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krishoflowers Krisho Flowers

Lótus (nelumbo nucifera): A flor de Lótus simboliza mistério, espiritualidade, verdade, proteção e amor. E devido ao ciclo de vida desta flor, os budistas atribuem também o significado de vida eterna. por @euskyss


Fanfiction Sólo para mayores de 18.

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Lótus (nelumbo nucifera): A flor de Lótus simboliza mistério, espiritualidade, verdade, proteção e amor. E devido ao ciclo de vida desta flor, os budistas atribuem também o significado de vida eterna.

 

Em 1803, País de Gales.

 

O canto dos anjos da noite tinha uma valsa própria e um timbre suicida.

Vinha da capela gótica a voz de uma mulher que se tornava amante da escuridão, o inglês dos antigos subtraía o tempo remoto para o atual como se fizesse parte de ambas as estradas. Perguntava-me o motivo desse canto se repetir noite após noite, seja ela chuvosa ou não, nada mudava em sua cantiga melancólica.

Embrulhava-me as entranhas sair à própria sorte no breu agourento para findar minhas curiosidades, mas a minha paz dependia de minhas descobertas em torno da dona de tal voz que ouvia até estar em pleno sono profundo. Não me torturaria mais, sendo assim, tomei um lampião com uma chama tão medrosa quanto para me acompanhar em passos tão cuidadosos que podia ouvir o mínimo respirar que fazia bem lentamente.

Tremi ao passar por entre as lápides à frente da capela esquecida, as placas de pedra estavam rachadas e tortas, algo como uma cicatriz causada por alguns séculos de negligência. A nuance do céu triste e da lua tímida faziam que um vento gelado subisse por baixo de minha camisola e atiçassem o medo, a vontade de fuga, mas não conseguia parar de seguir aquele belo canto. O caminho estava enxovalhado, a grama alta parecia furar minha carne como se avisasse do inevitável perigo que meu espírito enxerido havia me colocado. Por pouco, eu quase desisti; então a voz se calou.

A porta da capela se abriu vagarosamente, o ruído das dobradiças era alto o suficiente para ouvir da altura do caminho no qual estava. A madeira pesada e escura dava passavam para a luz cobre que se mesclava ao branco gelado que o astro romântico inibido fornecia dos céus. Não pude resistir, agora ainda mais tentada a sucumbir ao abismo desconhecido que cheirava a lótus e meus pés seguiram angustiados com os momentos que se sucederam, uma dependência parecia partir daquele antro quase maligno e luxurioso em sua sutileza sacrossanta.

Repentinamente, um vento sobrenatural apagou a chama de meu lampião no momento que pus os pés no último degrau da escada coberta por hera, qual era o obstáculo derradeiro para adentrar na capela e saciar meus questionamentos.

Porém, uma pontada de decepção assolou-me o âmago ao ver o local vazio.

Empurrei melhor a porta para ter a visão ampliada, mas nada via além de velas acessas e muitas teias de aranha trazendo um ar fúnebre ao santuário cristão. Os bancos rústicos estavam cinzas pela poeira do tempo, nada parecidos com o que foram um dia em seus tempos áureos. O medo causou um gosto de ferrugem assolador na ponta da língua e uma intensa vontade de chorar, mas ignorada logo que deixei o lampião sobre um dos mesmos bancos empoeirados e segui em passos cautelosos pelo piso esburacado com mosaicos belos e tão antigos quanto o mundo.

“O que fazes aqui, pequenina flor de lótus?” Ecoou uma voz de mulher, um pouco rouca que agradava meus ouvidos. Um perfume de flores escaldou o ambiente em fogo e vinho, logo senti meu rosto ruborizar ao tomar para si o que havia me dito.

“És tu que cantas aqui todas as noites?” Perguntei. “Diga-me, eu estou curiosíssima!”

“Que pombinha abelhuda!” Ela me respondeu, então sua figura saiu da escuridão atrás do altar repleto de velas carcomidas. Sua aparência era estonteante, os cabelos cor de cobre eram longos como os meus com pontas lisas até abaixo dos seios sinuosos. Ela era muito alta, os braços longos estavam nus em sua vestimenta de estampa triste em marrom desbotado. “Sou eu sim, minha daminha. O que desejas? Saciaste seu interesse?”

“Por quê cantas tão triste todas as noites? Sua voz impregna meus sonhos com melancolia, senhorita!” Falei dando um passo à frente, minhas mãos comichavam apertando bem o tecido de minha veste. “É como se estivesse presa à sua cantiga...”

“Oh, atrapalhei-te? Não imaginava que poderias ouvir meu canto de tão longe. Perdoe-me, daminha linda.” Seu corpo comprido virou-se para o altar, a palma da mão apagou algumas velas tão vagarosamente que podia sentir a dor em minha própria pele. “Alguém mais, além de ti, consegue ouvir-me? Seja sincera, musa mirim.”

“Apenas eu escuto. Meus pais e irmãos nunca mencionaram, e de qualquer forma, jamais falei sobre isso! Falariam que estava passando por um delírio!” Relembrei da promessa de casamento, se dissesse sobre o que ouvira iriam desatar o noivado no mesmo momento. Não era um desejo meu casar, mas jamais permitiria ser a desonra de minha família.

“Compreendo, compreendo.” Tornou me olhar, agora esboçando um sorriso cálido nos lábios vermelhos sangue. O corpo esguio seguia um caminhar cheio de graciosidade de pés descalços e muito brancos. “Temes às doutrinas de seu pai e irmãos? Guardas muitos segredinhos, pombinha?”

“Não sou uma mentirosa!”

“Mas eu não disse que és uma.”

“Tenho meus motivos, senhorita.” Falei. “Eu posso saber o seu nome? Por favor!”

“Kris.” Respondeu. “Kristine, mas prefiro que só diga Kris.” Ela ergueu os olhos desaguando uma melancolia antiga em meu coração, o desvirginando da frieza do que era desconhecido. “E como se chamas, daminha bela?”

“Jun.” Tremia. “June para os desconhecidos, se quiser chamá-lo assim.”

“June, ah, que belo nome.” Pude ver melhor o decote da roupa em seus seios quando passou a caminhar até onde eu estava, observei os cordões que atavam a roupa em tal lugar estavam frouxos e desleixados. “Um nome estonteante para uma bela flor, nada mais justo.”

“És tão gentil com seus elogios, Kristine!” Ela pôs o indicador sobre meus lábios, mal percebi que estava tão próxima desse modo.

“Kris.” Sussurrou. “Chame-me por Kris, minha pombinha.”

Seus braços compridos se estenderam ao redor de meu pescoço, a sua presença era quente como uma brisa de lareira em um dia de nevasca. O perfume parecia um bálsamo que entorpecia todos os meus medos, algo em seus olhos tentava desvendar todos meus pequenos segredos com sua sabedoria antiga.

Sua mão se moveu atrás de mim – eu pude pressentir – e a porta pesada pareceu obedecer ao seu comando sobrenatural. A capela ficou quente como ela e muito mais perfumada, o seu canto se iniciou baixinho sendo entonado da garganta em palavras inaudíveis. Kris tirou-me para dançar uma valsa fúnebre no corredor judiado, o meu corpo obedecia aos seus movimentos pitorescos e cheios de vaidade.

“Kris, não sei valsar!”

“Como um anjo, tu tens asas para dançar sem qualquer medo da queda.” Ela me fez rodopiar e segurou em minhas costas tão firmes como só um cavalheiro faria. “E por mais uma noite, tu esqueces de mim.”

“Como posso esquecê-la? Acabei de encontrá-la aqui!” E dei mais um rodopio, o seu final fora ousado com nossos rostos tão próximos como os corpos.

“A sedução da noite subtrai suas memórias, doce anjo, assim não sofrerás quando eu partir em breve.” Kris murmurou rodopiando junto a mim. “Não precisarás de mim, já que irá noivar e outro a protegerá.”

“Como sabes disso?” Fiz que parasse e levei as mãos para seu rosto morno. “Diga-me, explane seus mistérios!”

“Há séculos velo por sua vida, minha doce criança. Protejo seus filhos, os netos de seus filhos, até que uma nova de ti nasça para que eu a vele novamente.” Suas palavras tinham verdade, não conseguia levar em conta o absurdo que ditava.

Eu tremi.

“Seu canto é como os das sereias, Kristine? Seduz a mim toda noite para que no dia seguinte a esqueça e isso se perpetue? Oras! Para que carregas esse tamanho fardo?” Bati o pé, agora com o peito repleto de pena e amor seco.

“Pequenina, minha pequenina.” Kristine beijou-me no rosto e afagou os cachos de cabelos meus que recaíam sobre meus seios. “Atravesso a eternidade para te encontrar, seja onde for, até no dia que tua alma queira se juntar à minha na grande aventura daqueles que não podem morrer. Oh, eu posso soar egoísta... E como estou soando! Mas, por todos meus deuses, já não suporto mais vê-la doar seu amor para outros que jamais a entenderão como eu faço por todos os milênios do passado.”

Ela se afastou e se curvou até sentar no chão puro do altar.

“Não sei o que falar, não a compreendo! Como podes fazer tal coisa? Ninguém de carne e osso pode viver por tanto tempo!” Ouvi-a soluçar, o seu choro era contido e muito silencioso.

“Sou de carne e osso, mas não humana. Sou alguém que chora e se magoa, mas que não pode morrer de amor.” Seus olhos se voltaram para mim, mas agora eram de um lilás cristalino que não soube descrever. Sua pele havia ficado ebúrnea como as dos mortos que já tinha visto em poucas oportunidades. Seus dentes salientes se mostraram quando riu baixinho em um escárnio tristinho. “Esse é o momento que sai pela porta da capela praguejando contra mim, minha pombinha.”

“Mas eu não quero!” Eu estava com medo, meus dedos tremiam e meus pés pareciam não tocar o chão. Porém, não corri. “Se não és humana, qual é sua natureza?”

Strigoi*.” Disparou. “Ou como conhecem, um vampiro. Porém, ah, há muito tempo vivo sem beber da morte de inocentes ou culpados. Sou um monstro, minha pequena.” Apesar de falar essas barbaridades, não sentia perigo emanando dela. Ao contrário, apenas percebia uma densa devoção.

“Não acho que sejas.”

“Mas eu sou.”

“Não é!” Tomei partido me ajoelhando ao seu lado e outra vez levei as mãos para seu rosto, tão belo e triste que quase pude chorar junto a ela. “Ainda tremo por dentro, a sua natureza me deixa temerosa, mas não consigo sair para longe. Não quero deixá-la, pois sinto coisas que jamais havia tido a oportunidade de explorar. Tire de mim essa venda, mostre-me a minha história! A nossa história!”

“Esse não é um sonho, June. Eu sou um terror real, jamais deixarás o seio de sua família para seguir uma sanguessuga pelo mundo.” Sua fala me irritou, o seu sorriso triste ainda mais. Belisquei-me tão forte que dei um grito que ecoou pela capela a fora. “O que estás fazendo?!”

“Não estou sonhando.” Retruquei. “Por isso eu nunca me senti segurar comigo mesma e sempre quis explorar o desconhecido! Kristine! Eu deixaria casamentos e tudo que fosse possível para explorar o mundo, ainda mais ao lado de quem me sinto segura.”

“E sentes isso, abelhinha curiosa?”

“Eu sinto, não sei como e nem o por quê de ter inibido isso antes, porém, eu sinto!”

“Combinaremos o seguinte, June.” Sua testa se uniu à minha, a sua voz parecia um coro de anjos que acalentavam meu coração angustiado. “Se na noite de amanhã tu ainda lembraste de mim, venha me encontrar aqui com seus pertences. Irei levá-la para a nossa casa na França, onde poderemos viver até o fim dos tempos.”

“Prometa-me que não irá me deixar sozinha caso isso dê certo, e nem me abandone aqui na noite de amanhã.” Intimei-a. “Estarei desonrando minha família, então...”

“Não irei deixá-la.” Kris me beijou silenciosamente nos lábios, o toque era puro e casto, mas ao mesmo tempo lascivo e repleto de paixão. “Agora vá, não tarde. Espero ansiosa por amanhã, minha daminha.”

Nos foi ensinado desde o berço que os monstros são os piores das criaturas que nunca possuirão a capacidade de amar, mas afirmo que isso é uma inverdade. Os humanos que são ensinados que não devem contemplar o mundo em sua totalidade, sempre ignorando aquilo que não compreendemos através dos dogmas e pragmatismos.

No entanto, o quanto já perdemos por nos privar de aventuras e sentimentos?

Queria beijar o céu ate que não mais existisse, navegar pelos mares até que secassem, amar até que não restasse mais coração em meu peito. Minha curiosidade foi a cura para as algemas invisíveis que não percebi por anos a fio, tais que foram retiradas pela minha bela amada Kristine. Isso apesar da vergonha que pus em minha família pelos seguintes séculos, a minha própria ação egoísta seria algo que jamais abriria a mão para que almas alheias se encontrassem na paz do comodismo.

Atravessaria a eternidade segura, pois, não mais temia o mundo e ao amor.

16 de Enero de 2019 a las 06:38 0 Reporte Insertar 120
Fin

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Krisho Flowers O KrisHo Flowers é o primeiro projeto no Spirit Fanfics e no Inkspired com objetivo de cultivar e fazer florescer novas fanfics KrisHo.

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