Clube dos Oito Seguir historia

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O Clube dos Sete vivia bem. Cada um dos seus integrantes tinha uma vida corrida, com esportes e clubes que demandavam todo o tempo escolar. Fora do colégio, um primeiro amor não apoiado pela família, um mistério que separou dois irmãos, um segredo de outro país e batalhas contra o espelho também recheiam a vida deles. Mas uma coisa era certa: os finais de semana passavam-se sempre na Lanchonete, e ninguém jamais podia faltar; Até mesmo quando os sete tornaram-se oito. Uma história sobre esse clube de adolescentes cada um com suas peculiaridades, e o objetivo de sobreviver ao último ano do Ensino Médio numa escola particular.


Cuento No para niños menores de 13.

#comédia #aventura #romance #ensino-médio #original #lgbt
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Eli e Rory



Eli Francis Gibbons chegou à Perse vestido fielmente com o uniforme social preto e branco e foi direto para seu armário pintado de lilás, como todos os outros. Particularmente, ele gostava que a cor da escola fosse roxo ameixa, mas ainda não via a necessidade da escola em enfiar aquilo em tudo que conseguissem. 

— Bom dia, raio de sol! — Ele ouviu Rory, o cara mais desajeitado que ele conhecia, gritar assim que chegou ao seu lado. O amigo era alto, tinha o cabelo repicado, estava com um pouco de sobrepeso e tinha uma carinha parecida com aqueles nenéns bochechudos que fazem propaganda de fraldas.

— Bom dia, Rory — respondeu com um sorriso de lado, mas sem olhar para o amigo. Tinha que pegar os livros de química, história e biologia, já que eram as primeiras aulas do dia. 

— Como passou o esplêndido final de terça-feira? — Rory encostou-se aos armários e levou o dedo anelar até à boca, mordendo os cantos da unha curta.

—Bem, e você? — Fechou a porta do armário e virou-se para o amigo. Eli achava incrível a bagunça que Rory era; desde os cabelos negros até o uniforme sem o blazer por cima, e a blusa social por fora das calças. 

— Monótono como sempre. — Sorriu amargo de lado. — Mais uma vez, minha mãe me proibiu de comer as porcarias que eu queria.

— Sabe que ela faz isso porque acha ser o melhor para você. — Colocou a mão direita no ombro do amigo, como num gesto de conforto. 

— Sei — respondeu o outro, ainda torcendo os lábios em desgosto. — Temos reunião hoje, não é? — Rory trocou de assunto. 

— Você finalmente está conseguindo saber dos seus próprios horários? — Eli riu irônico.

Nope — o menino respondeu rolando os olhos. —Por isso estou te perguntando. 

— Temos sim, idiota. — O menino negro deu um tapa leve na nuca do amigo no mesmo momento que o sinal tocou avisando o começo da primeira aula. 

Os dois correram para a sala número dois do primeiro andar e rezaram para que o Sr. Hopes, professor de química, estivesse de bom humor e atrasasse um pouco para chegar na sala. Seria muito feio se o presidente e o tesoureiro do grupo estudantil chegassem tarde à aula. 

Ser presidente demandava muita energia, Eli não podia negar. Depois de todos os dias escolares — e às vezes até nos finais de semana — ele, Rory e mais dez alunos se reuniam na sala do grupo estudantil e debatiam melhorias para a escola. E por ser o que colocava ordem nas discussões, Gibbons sempre chegava com dores de cabeça em casa. 

Mas se tinha uma coisa que Eli não podia reclamar, era de ter entrado na Perse. 

O senhor tem um ótimo histórico escolar e uma incrível visão de futuro. Ficaríamos muito felizes de tê-lo como nosso aluno pelos próximos anos de sua vida estudantil. — Eli lembrava-se perfeitamente das palavras de sua carta de admissão. No último ano do ensino fundamental, teve a oportunidade de passar por uma seleção e ganhar bolsa integral. 

Meu bom Deus! — Ele também se lembrava de como sua mãe, Olivia, chorou de felicidade no momento em que o menino leu aquelas palavras em voz alta para ela e as irmãs. Toda vez que se lembra das três mulheres sentadas apertadas no pequeno sofá da sala, ele ri. Joanna e Lia gritaram tão alto que depois os vizinhos foram verificar se algo tinha acontecido no apartamento 41. 

A aceitação do menino na Perse era como uma vitória para aquela família. As três mulheres não tinham feito faculdade, Olivia era empregada doméstica em casas de famílias ricas da cidade, e as meninas trabalhavam como garçonetes em restaurantes diferentes. Tudo que queriam para Eli era que pelo menos ele tivesse um diploma de ensino superior. 

E o menino fez de tudo para conseguir dar esse orgulho para a família. Desde pequeno era muito empenhado e estudioso. Eles moravam na parte afastada — também pobre — da cidade de Cambridge, e Eli sempre frequentou as escolas públicas da área. Gibbons entendia o porquê da mãe e das irmãs quererem tanto aquele tipo de futuro para ele. Eram negros, afinal de contas. Tudo sempre seria mais difícil. As mulheres só queriam que para o menino não fosse como foi para elas. 

Então ele cresceu sendo o magricelo e estudioso da sala do fundamental, o que não parecia ser uma coisa muito boa para os outros meninos, já que gostavam bastante de praticar bullying com ele nos intervalos e fins de aula. Até o dia, pouco antes de seu aniversário de quatorze anos, que uma de suas professoras lhe mostrou um anúncio da Perse, que estava promovendo bolsas para alunos vindos das partes mais humildes da cidade. 

Como você poderia se descrever, senhor Gibbons? — A entrevistadora, Srta. Carter, e também vice-diretora, tinha lhe perguntado no dia da entrevista.

Eli teve que primeiro mandar todos os seus boletins escolares e comprovações de renda existentes para finalmente chegar à fase da entrevista. E quando aquele dia chegou, ele lembrou-se que estava muito nervoso. Mais do que já estivera em toda a sua vida.

Bem... — Ele se lembra de como suas mãos tremiam e como as escondeu embaixo da mesa, cruzando os dedos em cima do colo. — Muito estudioso, com grande capacidade cognitiva. Empenhado em sempre aprender mais, não apenas sobre o tradicional do currículo escolar, mas também sobre outras habilidades, como as esportivas. — Okay, ele tinha mentido sobre o esportivo, mas de resto tudo tinha sido verdade. — Gosto, particularmente, de sempre estar a par dos assuntos importantes da escola e do mundo. Também sou muito centrado e sério. 

E suas relações familiares? — Ela tinha perguntado e talvez, só talvez, essa foi a parte que Eli mais teve receio de falar sobre naquele dia. 

Minhas irmãs e minha mãe são as pessoas que mais me apoiam em minha vida. Desde pequeno, sempre me ajudaram como podiam com os deveres da escola e não me deixaram começar a trabalhar para ajudar com a renda por dizerem que preciso apenas ter foco nos estudos. Elas são também minha fonte de inspiração. As três saem de manhã e só voltam pouco antes da hora que estou me preparando para dormir. Eu vejo como se sacrificam tanto para conseguir manter nossa situação estável. Chegar a uma faculdade será orgulhar e honrá-las. 

Ele tinha feito o seu melhor para segurar as lágrimas e não as deixou cair depois que disse tudo aquilo. Falar sobre as mulheres de sua família sempre mexoa com os sentimentos dele. 

E seu pai? — Srta. Carter também tinha perguntado. 

Prefiro não comentar sobre isso, se possível — ele respondeu simplesmente, com um amargor que ainda podia sentir pesar em sua língua. 

Stra. Carter apenas meneou a cabeça positivamente e escreveu mais coisas em sua planilha, que carregava desde o começo da entrevista. Eli tinha respondido mais algumas perguntas sobre horários livres, grupos e times escolares que gostaria de participar e, por fim, a mulher disse que tiveram uma ótima conversa e que dentro de alguns dias ele iria receber uma carta contendo, ou não, a sua admissão. 

E, bem, ele tinha sido aceito! 

Depois de três anos, lá estava ele, sentado prestando atenção na aula sobre polaridade de moléculas. 

 

 

Quando o intervalo chegou, Gibbons deu um suspiro aliviado. Precisava mesmo comer alguma coisa. 

O refeitório da Perse era grande, largo e sempre bem limpo, com as mesas redondas e pintadas de — surpresa — roxo claro. A escola servia almoço e lanches, mesmo que poucos realmente comessem. O que não era o caso de Gibbons que raramente trazia seu próprio almoço, então, nos intervalos ele dirigia-se para a mesa dos amigos com a bandeja — mais uma vez — roxa, nas mãos. 

Normalmente, ele passaria o intervalo com o Clube dos Sete — que diariamente eram seis —, mas naquele dia eram apenas ele e Rory. Aparentemente todos os outros integrantes do grupo tinham coisas mais importantes para fazer.

E, na verdade, Eli não ligava muito quando ficavam ele e Fish. Na maioria das vezes o outro comia o lanche trazido de casa, roubava a sobremesa da bandeja dele e depois ficava o importunando enquanto tentava estudar.

Depois eles iam até a biblioteca para Eli ter mais silêncio e Rory lembrava que precisava jogar no celular.

Às vezes, por algum milagre, Fish pedia ajuda em algum dever de casa e eles ficavam por lá, resolvendo exercícios.

Era uma rotina realmente agradável.


***


— Estou morrendo de fome! — Rory reclamou baixinho, meia hora depois do intervalo.

Os meninos estavam agora na aula de inglês e tudo que ele conseguia pensar era em como gostaria de estar comendo algum lanchão bem calórico.

— Você só comeu aquelas cenouras? — Eli perguntou sem parar de copiar o que a Srta. Owen passava na lousa.

— Foi tudo que minha mãe me mandou. — Ele deu de ombros. Copiou algumas coisas do quadro e logo parou de novo.

Rory Fish sentava-se do lado da janela que dava para as quadras da escola. Beisebol, os dois tipos de futebol, críquete e também o ginásio para as líderes de torcida e a piscina olímpica. Não era um cenário muito bonito, mas era a melhor visão que ele tinha nos horários de estudo. Às vezes, ele pensava que seria bom entrar em algum time. Talvez assim ele perdesse mais quilos do que com aquela dieta ridícula de sua mãe. Mas tinha que se movimentar mais que o normal, então descartava a ideia.

E ah, a dieta? Bem, tinha começado desde que ele era pequeno e com muito mais quilos que uma criança precisava ter.

Anna, sua mãe, decidiu que o filho passaria a ter um cardápio restrito e seria um garoto saudável. Eles foram a um nutricionista e também o matriculou em um time de futebol — que Rory nunca foi já que todas as tardes, ao invés de comparecer ao treino, ele ia para a pracinha do outro lado do quarteirão e ficava jogando em seu PSP.

— Você deveria preparar seu próprio almoço se quer comer de verdade — Eli falou. Dessa vez ele olhou para o amigo já que tinha terminado de copiar a matéria.

— Preguiça. — Rory virou-se para o amigo, já deixando a visão dos campos da escola.

— E comer no refeitório? — Eli propôs.

— É nojento! — ele disse fazendo uma careta. — A Srta. Ivey vive coçando o nariz. E ela tem aquela verruga horrenda perto da boca. Aquilo encosta na mão dela toda vez.

— Então não reclame do que sua mãe te prepara. — O garoto negro revirou os olhos. — Mas ela ainda continua com essa ideia? Achei que tinha parado depois que entramos para o ensino médio.

— Ah, quem me dera. — Rory suspirou. — Ela na verdade piorou. Diz que eu preciso dar mais interesse às meninas. Que do jeito que estou, vai ser difícil conseguir alguém.

— Isso... É bem cruel — Eli disse franzindo as sobrancelhas.

— É... — concordou. — Mas você conhece minha mãe. É o jeito dela.

Ele voltou a olhar para além da janela quando a professora começou a explicar a matéria do dia. Ele odiava inglês. Era entediante demais para seu cérebro. Então virou a folha do caderno e começou a desenhar o amigo ao lado. Ah, desenhar era algo que ele gostava. E era bom pelo menos em alguma coisa. Rory pensou e sorriu de lado com amargor.

Quando o sinal tocou, Eli teve que praticamente acordá-lo do seu sonho do quarto período. Rory pegou suas coisas rapidamente e se levantou mais rápido ainda. Quando levantou, sua bolsa esbarrou na cadeira e acabou derrubando-a.

— Tinha que ser a baleia! — exclamou Peter Flynn, o quarterback do time de futebol de americano da Perse. Peter era tudo que Rory não conseguia. Bonito, loiro, forte e popular.

Fish olhou com ódio para o menino e respirou fundo tentando se acalmar.

Quando mudou de escola tinha esperado muito não sofrer com esse tipo de coisa. Ter saído na oitava série da escola onde tinha crescido foi um grande passo assustador, mas também libertador.

Entrar na Perse não era uma coisa fácil. A maioria das vezes quem estudava ali era desde o berçário e só saía formado. Então quando conseguiu a vaga — e passou por uma entrevista quase igual à de Eli, mudando o fato que tinha sido apenas para cumprir tabela, já que ele podia pagar a mensalidade — Rory ficou bem nervoso em ter que tentar se enturmar com pessoas que já tinham crescido juntas. Mas ele permanecia com a ideia de que aquilo era a melhor coisa. Definitivamente melhor do que tinha acontecido na antiga escola.

E, como já apresentado, a única coisa que não tinha se livrado era do bullying. Mesmo que Eli o ajudasse muito com aquilo.

Ser melhor amigo do cara que praticamente manda — politicamente — na escola, tinha seus benefícios.

— Quer ir para a detenção, Flynn? — Eli se colocou na frente do amigo. Ver um cara magrelo e mais baixo que si tentando defendê-lo era engraçado se olhado de outro ângulo, mas era bem recorrente.

— Deixa, Eli. — Rory pegou no braço do menino negro e tentou puxá-lo para fora da sala.

— Da próxima vez, eu te coloco lá — Gibbons ameaçou com o indicador apontado para o meio da cara do jogador de futebol, enquanto era praticamente carregado pelo amigo.

— Um dia não vão ter as regras da escola para proteger vocês! — Peter exclamou com um sorrisinho de lado e foi acompanhado por risadas dos outros participantes do time.

Os meninos suspiraram. Rory em alívio por estarem fora daquele maldito lugar, e Eli em indignação.

— Você precisa parar de fazer isso! — Fish gritou com o outro assim que chegaram ao seu armário. Precisava pegar o livro de matemática.

— O que eu posso fazer? — Eli berrou de volta. — Não vou deixar aquele babaca falar assim com você!

— Eu sei, mas um dia vai ser como ele disse. — Rory abriu o armário com raiva e pegou o livro com mais raiva ainda, enfiando-o na bolsa. Respirou fundo e segurou na porta de metal pintada de lilás. — Olha, cara, eu te amo. E realmente aprecio que você faça isso, mas, pelo amor de Deus, você não pode ficar entrando nas minhas brigas assim. Você não é o Alec!

— Eu sei que não. — Eli suspirou. — Mas você também precisa fazer alguma coisa sobre isso. Sabe como eu odeio bullying, e só posso fazer alguma coisa se você denunciar. Eu odeio as regras dessa escola!

— Ei — Rory chamou. — Eu sei. Eu só não quero morrer com dezessete anos e virgem por ter dito ao diretor que o cara mais foda da escola fica me chamando de baleia.

— Mas devia — Eli disse colocando a mão no ombro do amigo.

— Morrer virgem? — Ele perguntou com um sorriso que fez Gibbons sorrir de lado também.

— Você é um idiota. — O menino negro rolou os olhos.

— Eu sei. — Rory sorriu e fechou o armário com uma batida. — Não está atrasado para a aula de filosofia?

— É meu período livre — Eli respondeu enquanto caminhavam até à sala que Rory ficaria.

— Achei que seu período livre era na sexta aula.

— Avisaram que mudaria durante a aula de inglês. — Eli sorriu. — Aquela que você estava dormindo acordado.

— Eu não estava dormindo. — Rory colocou a mão no peito em um gesto ofendido, mas ria. — Só estava fazendo manutenção do meu cérebro.

— O quê? — Eli perguntou rindo.

— É aqui que eu fico — disse Fish já entrando na sala de aula, deixando o amigo para trás. — Até mais, amorzinho!

Rory não gostava de ter aulas sem Eli. Era estranho não ter a companhia do amigo durante o período da escola.

Eli tinha sido seu primeiro amigo na Perse. Claro que o menino negro tentou não ser — longa história sobre como Gibbons não queria ser um perdedor na nova escola e andar com o garoto novo e obeso era a principal coisa a se evitar, então evitava o menino com todas as suas forças, mas depois Eli se arrependeu amargamente de suas atitudes e pediu desculpas, e eles viraram amigos — mas hoje quase não viviam separados. Rory às vezes punha à tona essa história só para conseguir algumas coisas do menino. O poder do arrependimento.

“Eli é muito puro para esse mundo,” Fish sempre dizia.

Às vezes ele também queria que Alec ainda estudasse.

O único participante do Clube dos Sete que não estudava na Perse era Alec Lavely, seu melhor amigo desde criança. Alec era como seu irmão mais velho. As mães eram melhores amigas desde a faculdade e fizeram questão de juntar os meninos quase desde o momento em que Rory nasceu.

E assim como Eli, Alec o protegia de tudo e de todos. Mesmo estando longe, e Rory realmente não precisar de tudo aquilo. Ele já era um homem, afinal! Bem, mais ou menos.

— Todos sentados! — Sr. Owen, o professor de matemática, exclamou assim que entrou na sala.

Okay, mais cinquenta minutos de pura tortura e sofrimento.

Pelo menos na aula de geografia teria Eli de volta. 

4 de Enero de 2019 a las 16:48 0 Reporte Insertar 2
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