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nonna.ayanny Nonna Costa

Tudo começou com um bilhetinho na aula de Português. Não um de amor ou de preconceito, mas um pedacinho de folha de caderno com a resposta escrita em cima. Naruto não me pertence, mas ao Masashi Kishimoto. Contém yaoi, se não gosta, não leia. Evite e denuncie plágio


Fanfiction Anime/Manga Sólo para mayores de 18.

#universoalternativo #suspense #r18 #romance #sasunaru #naruto
Cuento corto
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Capítulo Único


Tudo começou com um bilhetinho na aula de Português.

Não um de amor ou de preconceito, mas um pedacinho de folha de caderno com a resposta escrita em cima.

Se Naruto não respondesse à pergunta da professora, ficaria sem participar do recreio. Tudo bem que ele não levou lanche, afinal não tinha comida em casa, o que não era tão bem assim, mas queria brincar um pouco para enganar a tristeza da barriga  e da vida. Foi beber água para forrar o estômago e voltou para sala.

Todos os seus colegas já haviam saído para o pátio onde acontecia o recreio e a professora ainda lhe esperava. Sentou-se em sua cadeira e fingiu observar o caderno para buscar a resposta, mas os dois sabiam que não havia nada escrito. Mas havia algo lá. Um bilhetinho com uma caligrafia bonita, quase feminina.

“Os por quês separados são os de pergunta e os juntos são os de resposta”. Naruto arregalou os olhos. Era a resposta! Foi até o quadro e escreveu exatamente o que estava no bilhetinho escondido em seu caderno. A professora lhe deixou ir brincar ao dar-se satisfeita pela resposta, ainda que fosse simples.

Quando voltou, para a terceira aula, o papel havia desaparecido. Ele pensou que a professora descobrira a verdade, mas ela nem desconfiava de nada. Por via das dúvidas, Naruto anotou aquela informação em caderno com a seguinte indicação: primeira dica. Se alguém lhe perguntasse, ele saberia dizer que os por quês separados são os de pergunta e os juntos os de resposta e isso lhe deixava muito feliz. Que perguntassem mil vezes, ele responderia todas mil com segurança.

No dia seguinte, era aula de Matemática e Naruto já estava se preparando para limpar a sala depois da aula, já que aquela matéria não fazia sentido algum para si, de modo que ficava sempre de castigo ao fim do dia. O professor escreveu no quadro a sua pergunta e esperou que ele respondesse, mas Naruto não sabia como resolver aquele problema até que uma bolinha atingiu sua nuca. Naruto olhou para trás e viu que Kiba debochava de si porque sabia que ele ficaria de castigo.

Quis reclamar-lhe, mas estava faminto demais para isso. Voltou-se para seu caderno e fitou o problema escrito ali. Havia outro bilhetinho. Ele arregalou os olhos ao ler. “2x+7=15. Qual o valor de X? R: Se vc precisa de 15 pães, mas já tinha 7 e só pode pegar na cesta de pães mais duas vezes, quantos pegará de cada vez para ter 15 no final?”. Aquilo fez todo o sentido do mundo para Naruto.

-QUATRO PÃES! - berrou e o professor lhe encarou sem entender. - O x é 4. - se corrigiu com um pigarro.

-Muito bem, Naruto. Parece que anda estudando. - o professor comentou e o menino sorriu animado por ter entendido o problema.

Fitou Kiba e lhe deu língua, orgulhoso de si mesmo. Nunca mais se perderia no valor de X. Bastava saber que o lado direito do igual era o quanto de pão precisava, o número somado era o quanto tinha ou subtraído era o quanto não tinha de pão, do lado esquerdo do igual, e o tal do X era o que faltava. Estava se sentindo tão inteligente que teve vontade de comer pão na padaria, mas não tinha dinheiro para isso, então apenas foi para casa de barriga vazia, mas de alma lavada.

Os dias iam seguindo e de vez em quando, nas aulas que Naruto era questionado e ele não sabia a resposta, os bilhetinhos surgiam em seu caderno e ele anotava cada uma das dicas como se aquilo fosse lhe tornar mais próximo do seu amigo secreto.

Ele era órfão, vivia de favor numa casa, recebia dessa pessoa apenas o mínimo e sempre tentava chamar atenção de todos para si porque era uma alma solitária. Ninguém queria ser amigo do menino de 12 anos que era burro e só passava de ano por causa da benevolência dos professores, que sempre lhe passavam trabalhos, estes feitos na biblioteca. Mas naquele ano, era diferente. Naquele ano, alguém passou a lhe enxergar e a se importar consigo, afinal qual seria a outra razão para alguém se dar ao trabalho de escrever os bilhetinhos e colocar em seu caderno?

Passou a vigiar seus colegas. Chouji e Shikamaru eram melhores amigos, estavam sempre juntos, mas quase nunca lhe dedicavam um mínimo olhar, primeiro porque quando não estavam conversando, Chouji estava sempre comendo e Shikamaru dormindo; segundo porque os dois tinham vergonha de si. Podia ver por seus olhos.

Era impossível ser Kiba. Os dois competiam sobre quem teria a letra mais ilegível da sala. E Kiba fazia de Naruto seu bode expiatório particular. Sai era o intercambista que nunca anotava nada, apesar de saber todas as respostas. Ele passava a aula toda desenhando e conversando com as meninas, nem sabia que Naruto existia e isso já havia se comprovado.

Rock Lee até conversava consigo às vezes, mas era dado mais aos esportes e também tinha uma letra feia, além de que não era tão inteligente assim. Não poderia ser ele, pois já havia lhe perguntado e lhe dissera que não fora sua autoria. Também concordava que a letra era bem diferente.

Os Cabeças de Ferros não se misturavam com ninguém, salvo o caso de Shino, que era muito amigo de Kiba. Os CDF’s eram seres humanos muito além da capacidade de Naruto entender o que diabo eles faziam naquela turma. Neji e Shino eram seres do além, tinha certeza disso. Shikamaru também era muito inteligente, mas ele era um menino normal que passava a aula dormindo, enquanto aqueles dois pareciam ter computadores nos lugares dos cérebros. Impossível ser eles.

A letra indicava uma pessoa caprichosa, com certeza, pois era bem desenhada e cuidadosa com a caneta azul, sem borrar. Só as meninas conseguiam escrever de caneta, pois os meninos mais riscavam do que escreviam. Quem seria a menina que estaria lhe ajudando assim? Queria agradecê-la, mas todas elas fugiam de si sempre que se aproximava.

Não podia ser Sakura porque ela lhe odiava ao ponto de bater em si quando tentava dizer alguma brincadeira para descontrair. Era uma das meninas mais gentis e solícitas da turma, mas só com a turma, os professores e as outras turmas. Naruto não fazia parte daquele universo, não se sentia integrado.

Ino só queria saber de Shino e de Sai, que eram os meninos mais bonitos da sala, segundo o conceito dela. Era a menina mais inteligente da sala, já havia ganhado muitos prêmios inclusive em competições e olimpíadas, a letra era muito bonita, desenhada, mas Ino lhe desprezava tanto quanto Sakura por ser um menino “sujo e desleixado”, como ela dissera. Também não havia condições de ser aquela sua colega.

Tenten era um pouco aérea às suas questões. Era uma menina muito alegre, divertida e gostava de esportes, podia passar horas conversando com Rock Lee sobre o tema, de vez em quando lhe dizia um “bom dia” na entrada da aula, mas não podia ser ela. Tenten era uma espécie de deusa inalcançável de simpatia e de gentileza. Nem era a mais inteligente e nem a mais burra, mas todos os professores a adoravam porque era a aluna modelo da escola, sempre sorridente e esforçada.

Só lhe restara a tímida Hinata, a menina que competia com Ino sobre quem era a mais linda da sala. Era muito inteligente e muito gentil com todas as pessoas, mas seu primo Neji a impedia de chegar perto de si ou mesmo de lhe falar, dizendo que ela se “contaminaria” com a sua existência. Podia ser ela. Hinata sempre lhe sorria quando os dois se olhavam e acenava discretamente. Tinha uma grande chance de ser ela.

Como os bilhetinhos sempre desapareciam quando Naruto ia procurá-los, podia ser que Hinata os recuperasse para impedir que Neji visse e denunciasse à mãe dela, que era tão exigente quanto o primo. Faz todo o sentido! Claro que era ela.

Quando descobriu isso, passou a corresponder os sorrisos e escrever “Obrigado pela ajuda :)” nos bilhetinhos, ou qualquer outra coisa legal que pudesse dizer sem dar bandeira que era ele que escrevia, para evitar que Neji soubesse da amizade secreta dos dois.

No ano seguinte, Naruto descobriu que não podia mais participar das aulas de Educação Física depois que desmaiou durante uma corrida. O médico do colégio disse que uma pessoa muito especial fizera respiração boca-a-boca e que tal atitude foi muito importante para que Naruto não ficasse pior, mas que tal pessoa pedira segredo para evitar problemas. Hinata era tão doce. O menino descobriu que tinha asma, que era uma doença herdada de seus pais, os quais não conhecia, e que não tinha cura. Era doente para sempre e isso lhe entristeceu ainda mais.

Podia participar de algumas atividades, mas nenhuma que lhe exigisse muito esforço. Se as crianças já não olhavam para si, tudo piorara porque ele era visto como um “virulento”, mesmo que o doutor dissesse que não era contagioso. A escola deu entrada em seus documentos para receber o medicamento gratuitamente todas as semanas no posto de saúde e era de responsabilidade de um adulto para buscar. Como o seu responsável era o Estado, e não o dono da casa onde morava, ele recebia na própria escola por segurança.

Qual era a boa notícia depois de tudo isso? Recebera o primeiro beijo da sua vida de Hinata. Como sabia disso? Todas as vezes que os dois se fitavam e ele sorria para a menina, ela ficava corada e baixava o olhar, nervosa. Naruto aprendeu nos mangás que lia que quando uma garota fazia isso, significava que ela gostava de si, só não sabia como admitir isso por ser muito tímida.

A outra novidade foi certo dia quando voltou para a sala, para buscar sua garrafinha de plástico para encher de água, e fitou sua mochila. Bem queria ter algo para comer e até pensou de tirar algo das mochilas de seus colegas, mas Naruto era tudo, menos mal caráter. Foi buscar água e quando voltou, pegou seu caderno para rever suas dicas, acumuladas ao longo de dois anos e totalizando 50. Notou que havia algo úmido e plástico lá dentro. Puxou com medo.

Podia ser mais uma pegadinha de Kiba, mas na verdade era um sanduíche de creme de frango. Arfou ao ver a comida com um bilhete. “Espero q lhe deixe mais feliz”. Naruto abraçou a comida e desatinou a chorar, emocionado, como se ali fosse a própria Hinata. Ela lhe fizera comida! Com certeza era sua melhor amiga de todo o universo! Como queria abraçá-la mesmo e agradecer bastante. Se Neji faltasse ao menos um dia, por causa de uma gripe, poderia falar com ela.

Comeu aquele sanduíche enquanto chorava e agradecia mentalmente pela gentileza, pois ainda existiam pessoas boas no mundo. Era por isso que Naruto tentava ser o mais correto possível, ainda que as adversidades lhe empurrassem para o mal caminho. Seria um menino de bom caráter para ser digno de dizer “Obrigado” a Hinata um dia. Pessoalmente. Cara a cara.

“Vc salvou a minha vida. Não sei o q seria de mim sem vc” ele escreveu emocionado no pedaço de papel e o deixou embaixo de seu caderno, mas bem visível para a menina. Quando terminou de comer, foi dar uma volta para espairecer. Não queria ser motivo de piada de Kiba e dos novatos que se associaram a ele por ter chorado. Já bastava os apelidos de “pouco amigáveis” que recebia por causa de suas restrições.

A vida seguia como dava a cada dia. Naruto sabia que tinha que levar sempre sua bombinha de asma em sua mochila e sempre manter a calma para não ter crises, mas nem sempre conseguia, pois era bem desorganizado, essa que era a verdade. No último dia de aula, durante a cerimônia de término do Ensino Fundamental II, quando todos estavam se despedindo, Naruto teve uma crise asmática. Correu para a sala procurando por sua bombinha, mas ela havia desaparecido de sua mochila e, por mais inacreditável que fosse, não fora de responsabilidade de Kiba, porque ele saíra bem cedo da escola.

Naruto se desesperou mais e tentou respirar para pedir ajuda, mas o ar estava se esvaindo de seus pulmões, a garganta estava fechando e ele não sabia mais o que fazer. Esquecera sua bombinha em casa, a que sempre ficava no bolso da sua calça, e a de reserva sumira de sua mochila. Sentiu-se tonto, achando que ia morrer enquanto vagava pelo colégio em busca da dita cuja, mas sem sucesso. Tentou subir as escadas, mas não tinha mais forças e não havia a quem recorrer.

Quando se voltou para trás, viu alguns alunos passarem e ele caiu, sem forças nas pernas. Não conseguiu saber quem eram, mas não importava, pois foram embora correndo. Ouviu uma porta se fechar e fitou o lado. Poderia ser um professor. Como se fosse mágica ou milagre, perto de sua mochila caída, viu uma bombinha de asma. Segurou-a e aplicou o remédio em sua garganta. Em poucos segundos, conseguiu respirar de novo.

Naruto foi até a sala, que curiosamente era a sua, significando que apenas andara em círculos o tempo todo, e abriu a porta, procurando pela pessoa que lhe salvara a vida, mas apenas se deparou com seus colegas lhe olhando com estranheza, pois estava com suas roupas amassadas e a aparência de um maluco. E Hinata estava conversando distraidamente com Neji. Naruto suspirou, pegou um pedaço de papel e escreveu nele, deixando-o num canto da mesa próxima da porta.

“Vc é meu anjo salvador. Obrigado por me salvar de nv. Espero te ver ano q vm na escola”. Foi quase como um pedido de que não lhe abandonasse. Quando chegou no Ensino Médio, qual foi seu espanto ao ver todos os seus colegas, os já mencionados, lá. Parece que não ia livrar-se deles tão cedo, constatou, dando de ombros. Sua sorte? Hinata estava lá também e isso lhe deixou mais feliz.

Naruto continuava recebendo bilhetinhos, quase dois por semana, às vezes três, e lanchinhos. Nas duas vezes que esqueceu sua bombinha de ar em casa, no primeiro ano, outras duas apareceram para si, salvando-lhe das crises. Mesmo sendo ignorado e desprezado por todos, pois a adolescência só ressalta certos comportamentos da infância, Naruto era feliz e até mais corajoso. Pelo menos o suficiente para pedir o número de celular de Hinata através de um bilhetinho e o receber.

Conseguiu um trabalho de meio período numa lanchonete, de modo que não precisou mais morrer de fome ou viver de favor. Até comprou um celular bem simples para poder se comunicar com o mundo. Mentira, comprara o aparelho apenas para trocar mensagens com Hinata. Como seu celular era realmente muito simples, nem Wireless tinha ou Bluetooth, só trocava mensagens mesmo, como antigamente.

Os dois passavam alguns minutos conversando sobre qualquer coisa e eram nesses minutos tão poucos ao fim da noite, perto das dez horas, que Naruto sentia-se a pessoa mais feliz do mundo, pois tinha motivos para rir com os comentários ousados e até mesmo levemente sarcásticos de Hinata.

-Por que é que está tão feliz? - resmungou outro aluno desordeiro que decidira fazer Naruto de alvo.

Kiba se “convertera” quando começou a namorar e para desespero pessoal de Naruto, era justamente com sua melhor amiga. Ele bem queria perguntar a ela sobre isso, mas os dois nunca conversavam sobre assuntos íntimos como namoro, família e outras amizades. Eram sempre assuntos bem aleatórios e, algumas vezes, sobre os dois.

-Não é da sua conta. - rebateu, segurando firme seu celular.

O rapaz percebeu e tomou o aparelho de sua mão. Sua sorte era que o número de Hinata estava salvo como ******, pois já sabia que aquilo poderia acontecer. Novamente. O celular foi quebrado.

Naruto não se abalou. Apenas deu de ombros e foi jogá-lo no lixo, espantando o tal aluno e sua patota. Mal sabiam eles que por baixo da camiseta de mangas que usava, bem em seu ombro direito, ele havia tatuado o número do celular porque sabia que poderia facilmente esquecer ou perder se anotasse em qualquer lugar. Fora esperto ou maluco. Não sabia e nem importava.

-Idiota! Esquisitão! Pobre nojento! Não tem dinheiro nem para ter um celular que preste! - o cara debochou e todos riram, exceto Hinata e Kiba, que olhavam com certa preocupação para Naruto.

Será se Kiba sabia de sua amizade secreta com Hinata? Provavelmente não. Se soubesse, já teria a impedido de falar consigo, pois ele era de certa forma ciumento com os meninos. Talvez o seu nome no celular de Hinata fosse outro e ela sempre apagava as conversas, como o próprio Naruto fazia.

Bom, eram apenas suposições que fazia, nada era certo, pois ela não lhe dizia nada nesse sentido. Apenas lhe afirmara que a amizade dos dois estava bem segura. Naruto só teria que esperar um pouco para comprar um aparelho novo, mas tudo bem.

“Aquele cara é realmente um idiota”, ela lhe enviara quando ele lhe mandou uma mensagem informando que já estava com um celular novo, tão simples quanto o primeiro.

“Nem ligo mais. Dsd q não troq de n°, eu não me esquento. Tenho seu n° guardado pra sempre” o rapaz avisou muito corado de vergonha por admitir algo assim.

“Nunca vou trocar este número. É uma jura pra sempre”. E foi nesse momento que Naruto descobriu que estava perdidamente apaixonado pela Hinata das mensagens.

Ah sim, a Hinata das mensagens era diferente da Hinata da sala de aula. A da sala era bem fofa, amável, mas muito reservada e tímida, enrubescendo por quase todas as razões, além de extremamente apaixonada por Kiba, ao ponto de lhe dar mimos alimentícios todos os dias. Sem falar que aquela Hinata não lhe sorria e nem corava ao lhe olhar, mal lhe cumprimentava. Mas Naruto sabia que aquela mudança se dera por causa do namoro sério e respeitava perfeitamente aquilo. Da mesma forma que Kiba amadurecera e deixara de picuinhas consigo, Naruto maturara e soube que às vezes as pessoas mudam por causa de outras pessoas, principalmente para ficar com elas quando há um interesse mútuo. É normal.

Só que a Hinata das mensagens era diferente, de certa forma. Ela ainda era amável, reservada, simpática em certo nível, mas muito direta e até irônica. Era meio sabichona também, não tinha medo algum de falar o que lhe vinha à mente e tampouco de conversar certos assuntos, como da vez em que os dois debateram sobre qual deles tinha a fantasia sexual mais insana. Hinata venceu ao admitir que queria ser masturbada numa linha férrea, faltando pouco tempo para o trem passar. Naruto riu mais do que se sentiu constrangido em confidenciar seus desejos a uma mulher.

A Hinata das mensagens sempre tinha tempo para conversar consigo e não lhe ignorava quando ele a cumprimentava, não tinha medo e nem papas, aparentava ser muito mais corajosa do que Sakura.

Foi quase que inevitável se apaixonar por sua melhor amiga e, curiosamente, era por aquela do celular. Naruto conseguia perceber as discrepâncias entre as duas, como se fosse um lado que a jovem escondia de todos por ser muito reprimida pela própria família, que exigia muito de si constantemente e queriam que ela se comportasse de um determinado jeito, que ia contra o que ela realmente era, como já havia lhe dito. Ela era doce, mas havia certa amargura em seu sabor por causa dessas imposições familiares, que Hinata tentava lidar da forma mais adulta possível e Naruto sentia que isso era uma espécie de culpa por conversar com um órfão que nunca foi adotado. Coisas sem sentido que ele percebia.

E para fechar com chave de ouro, aquela Hinata se importava consigo. Todos os dias, quase como uma religião, ela lhe vinha com mensagens de bem querer e lhe questionava sobre algum comportamento diferente percebido ao longo do dia. Naruto sentia-se praticamente amado quando revelava que sofria por algum motivo e Hinata não ia dormir enquanto não tivesse certeza que ele estaria bem ao dormir. Como não amar?

O fim do Ensino Médio foi um baque inevitável e Naruto sentiu que aquele olhar que a jovem lhe dedicou do portão da escola, quase como se dissesse adeus, fosse o último contato dos dois, mas quem diria que aquela “religião” continuaria por mais de dez anos. Continuaria mesmo depois de descobrir, pois ela não lhe dissera, que Hinata havia se casado e teria sua própria família, a qual não seria com Naruto. Os dois continuavam trocando mensagens todos os dias, seja por cinco minutos pela manhã ou por duas horas pela madrugada. Mesmo adultos, velhos e com seus próprios compromissos, os dois ainda tinham tempo um para o outro como se ainda estivessem na escola.

Ela nem mudara e nem lhe repelira quando Naruto admitiu que a amava mais que apenas sua melhor amiga, que a queria como namorada, apesar de não ter desejos sexuais, pois seu relacionamento não era baseado na Hinata real. A sua Hinata não tinha necessariamente um corpo e isso preocupou Naruto por muito tempo, pois temia amar uma ideia que só existia na sua cabeça. Mas mensagens como “Eu não sou bem como na escola. Vc não vê como sou de fato. Aliás, quase ninguém vê” lhe faziam crer que a verdadeira estava escondida e só precisava da oportunidade correta para se mostrar.

“Eu te amo muito. Tipo pra caralho. Amo como uma pessoa ama a outra e tem vontade de beijar e etc.” admitiu certa noite e temeu pela resposta.

“Tbm te amo muito, Naruto. E tenho muita vontade de encher tua boca com meus beijos… Apesar de não poder ainda. Sinto muito.”. Mensagens assim eram como unguentos. Ela devia ter suas razões, como a família lhe impedir de se relacionar com pessoa pobres ou por estar casada, quem saberia? Nunca lhe dissera nada e Naruto não queria saber, pois poderia quebrar a ideia e ele sofreria novamente com o medo da solidão.

Naruto sentiu falta dos bilhetinhos, tinha que admitir. Foram eles o começo de tudo e não guardara nenhum, porque Hinata os pegara de volta sempre. Sentia falta desse contato mais físico e nenhum dos dois tinha tempo para marcarem encontros para se reverem. Ou Naruto estava ocupado no escritório ou Hinata estava ocupada no trabalho dela, que era administrar a empresa do pai, coisa de família rica.

No entanto, uma ligação lhe pareceu ser a esperança de mudar toda aquela falta que estava em seu peito há tanto tempo.

-Naruto? - a voz falou quando ele atendeu.

-Professor Kakashi?! - Naruto se animou. Era um dos professores do Ensino Médio que lhe ajudou com seus estudos.

-Ele mesmo. Como está?

-Bem, obrigado por perguntar. A que devo a ligação depois de quase quinze anos? - realmente. Fazia quinze anos que o vira no ano daquela ligação.

-Eu quero convidá-lo a participar de uma pequena reunião de velhos colegas da sala do terceiro ano. O que me diz?

O que diria? Naruto quase berrou um sim no mesmo tom quando berrou 4 pães na infância. É claro que iria, afinal queria rever Hinata e até, quem sabe, poder finalmente dizer obrigado por tudo o que ela fizera durante sua vida. Quando Kakashi desligou, Naruto teve que usar sua bombinha, pois a euforia lhe deu uma crise.

A reunião seria em duas semanas, às seis num restaurante bem conhecido, mas pouco movimentado. Naruto combinou com seu chefe para ter folga no dia seguinte, caso ficasse até tarde fora de casa e ele concordou, afinal combinara com bastante antecedência. Estava tão feliz que podia chorar.

“Soube da reunião da turma?” indagou no dia seguinte.

“Soube. Vc vai?”

“Vou sim. Vc não?” Naruto torcia para que ela fosse, mas não diria porque, pois queria fazer uma surpresa especial.

“Já q vai, eu vou dar um jeito de ir”.

O homem começou a dançar em comemoração ao ver a resposta. Colocou uma música em seus fones um pouco mais alta e sacudiu pelo quarto, como uma criança em dia de Natal. Sua felicidade não cabia em si. Fora tanta e tão boa, que nem sentiu falta de ar. Hinata tinha esse efeito quase curativo em si.

E de repente, a grande noite chegou. Naruto pensou em comprar flores, chocolates, uma camiseta, um ursinho, qualquer coisa que pudesse dar de presente a ela, mas desistiu. E se o marido dela fosse Kiba? E se Neji estivesse lá e ainda lhe repudiasse? Era melhor evitar constrangimentos para ela. Arrumou-se de maneira bem apresentável, passou um bom perfume e sorriu para si mesmo diante do espelho. Não era mais o garoto fedorento e faminto da infância. Tinha a aparência de um homem respeitável agora.

Tomou o ônibus para o restaurante e quando entrou no ambiente, quase tomou um susto ao ver que poucos haviam mudado a aparência. Até mesmo Neji mantivera os cabelos longos e Shino ainda usava óculos escuros, tão atípico. Ino e Sakura eram belas mulheres agora e estavam casadas, pelo o que ouvira das conversas. Naruto cumprimentou a todos que sabia que não iriam lhe ignorar e até os que sabia que só lhe diriam um “boa noite”.

Certas coisas não mudaram, pensou enquanto tomava uns goles de suco de laranja. Shikamaru parecia estar bem de vida e era casado também, podia ver a aliança em seu dedo. Chouji estava grande ainda, mas tão feliz que causou risos de satisfação em Naruto. Era um dos meninos mais simpáticos da sua turma, torcia tanto para que ele fosse feliz. Sai casou-se e quem diria que fora com Sakura? Essa pegou Naruto de surpresa. Rock Lee e Tenten terminaram como o homem esperava: casados, felizes e falando sobre esportes.

Naruto estava tão feliz por ver todos se dando bem, mesmo que soubessem que eles tinham lá os seus problemas, como todas as pessoas adultas do mundo.

Então Hinata e Kiba chegaram. Realmente os dois estavam casados e ela estava com um enorme barrigão de oito meses. Naruto suspirou, encantado em vê-la tão linda grávida e Kiba rindo como um bobo por saber que logo logo teria sua criança nos braços. Ele achou que iria ter uma crise quando visse a mulher, por causa das mensagens e das conversas, até apertou com força a bombinha no bolso do seu casaco, mas curiosamente seu coração estava em paz. Aquela não era a sua Hinata, então estava tudo bem consigo.

-Naruto! - era a voz de Kakashi. O homem viu seus ex professor se aproximar e o abraçou com força. - Meu Deus! Olha só para você… Como cresceu! É um homem agora!

-Obrigado, professor. Parece que a idade só lhe fez bem. - comentou ao observá-lo melhor. Kakashi era um daqueles homens de meia idade que muito bonitos.

-Que é isso? - ele riu e puxou conversa com Naruto por quase 30 minutos. Falaram sobre a vida, o mundo, tudo e nada, como velhos amigos. Até que Kakashi franziu o cenho ao olhar em volta.

-Procurando alguém? - Naruto indagou, já dando uma vistoriada.

-Falta um aluno. Eu imaginei que ele viria. Me confirmou ontem. - Kakashi comentou e Naruto franziu o cenho.

-Da velha turma?

-Sim. Não lembra dele? - o homem lhe questionou com certa desconfiança?

-Quem?

Quando Kakashi ia responder, viu uma pessoa entrar no restaurante. Era Gaara. Naruto esfregou os cabelos e começou a rir. Como pôde ter esquecido o icônico Gaara? Ele era o único aluno diferente que ninguém ousava mexer porque era bom de briga. Gostava de pintar os olhos e tinha uma tatuagem na testa, mas ninguém o questionava.

Que cabeça a sua, Naruto!

Ele começou a andar pelo restaurante observando o ambiente com uma estranha nostalgia, pois sentia-se num ambiente familiar.

Ver aquelas pessoas, por mais que elas não a vissem, ou se vissem apenas lhe cumprimentassem com um aceno mecânico de cabeça ou um “Boa Noite” seco, fazia Naruto lembrar de seu Ensino Médio e de todas as coisas boas que vivera nele.

Ficou por perto, ouvindo as conversas e rindo discretamente. Todos ainda pareciam serem amigos entre si e isso era bom. Naruto aplicou um pouco do medicamento em sua garganta, foi até uma mesa sentar-se já que não havia mais vagas na mesa grande, onde todos estavam acomodados. Sua vaga foi dada a Gaara e isso realmente não incomodou Naruto, pois mesmo que se divertisse com aquele pessoal todo, não era amigos deles, era apenas um colega distante. Um forasteiro.

Fitou seu celular. Enviara uma mensagem havia uns 50 minutos avisando que já estava na reunião e que esperava-a. Pensou em Hinata. Ela bem que poderia lhe dizer ao menos um boa noite já que era tão sua amiga. Naruto era tão indigno assim para merecer depois de tantos anos de amizade?

Esfregou os olhos, querendo afastar os maus sentimentos, e bebeu um gole do seu suco enquanto observava o que iria pedir para comer. Estava com um pouco de fome. Algo lhe chamou atenção. As pessoas pararam de falar, pois ele ouviu seu estômago resmungando de fome. Franziu o cenho e observou a grande mesa, perguntando-se o que acontecera para todos se calarem.

Todos, sem exceção, fitavam a porta do restaurante. Como Naruto estava de costas, não viu nada, então girou no próprio eixo e fitou a tal da porta. Um homem acabara de chegar. Quando ele arregaçou as mangas de sua camisa de tricô, tatuagens bem tribais apareceram e a sensação que Naruto teve era que estava diante de um Yakuza. E quando viu o cabo da arma presa na parte detrás da calça, pois ele começou a contornar a mesa cumprimentando cada um dos presentes, Naruto teve certeza.

Caramba, quem era esse? E por que todos cumprimentavam-no de maneira tão calorosa se ele parecia indiferente a todos? E de onde todos o conheciam? Realmente fora seu colega? E por que sua turma seria amiga de um Yakuza? E por que isso era tão desesperador para Naruto, se ele não tinha intimidade com ninguém?

Ele desviou o olhar e escolheu um prato de macarrão ao molho. Da mesma forma repentina que o barulho findara, ele recomeçou, o que serviu até de alívio para Naruto. Pegou seu celular, enquanto esperava, e mandou uma mensagem para Hinata, esperando não atrapalhá-la ou atrair a atenção de Kiba.

“Posso te fazer uma pergunta?”

“Pode”

“Qm é esse cara tatuado?”

“Q cara?”

“O na sua frente”

De fato o tal yakuza estava diante de Hinata. Naruto se voltou para a mesa, querendo ver se Hinata estava lhe olhando ou não, e se deparou com tal homem lhe observando fixamente com a sobrancelha arqueada. Ele engoliu em seco e abaixou o olhar rapidamente, fingindo que estava vendo algo no celular.

-Boa noite. - a voz grave retumbou perto de si e Naruto tremeu dos pés a cabeça. Puta merda, o yakuza ia lhe matar e ele nem sabia por que ia morrer.

-Boa noite. - sorriu amarelo, tentando demonstrar ao menos educação. O homem sentou-se na cadeira à sua frente, colocando a carteira e o celular sobre a mesa, e fez sinal para o garçom. E agora? O que faria?

-O mesmo que ele. - indicou e o rapaz se afastou assentindo. - Quer saber quem sou eu, Naruto? - ele lhe questionou com um leve tom de zombaria somado à arrogância.

Como que aquele cara lhe conhecia e o contrário não era recíproco? Nem lembrava daquele rosto com tatuagens subindo pelo pescoço, pareciam chamas negras, e sumindo atrás dos cabelos negros sutilmente longos. Engoliu em seco e não respondeu à pergunta, apenas olhou Hinata de soslaio. Por que ela lhe denunciara? Mandou a mensagem com tal questionamento e esperou.

Ouviu o celular do tal vibrar e o fitou. O yakuza leu a mensagem pacientemente e depois fitou Naruto, fazendo surgir um sorriso discreto nos lábios finos. Ele apoiara uma mão em seu queixo, deixando as costas bem visíveis, e dentre aquelas tantas tatuagens, uma específica lhe chamou a atenção. O garçom trouxe os pratos pedidos enquanto Naruto tentava não surtar com o que estava vendo. Havia uma sequência numérica perto dos nós iniciais dos dedos, bem nas costas da mão, e era uma coincidência muito macabra… Pois mesmo que visse de cabeça para baixo, eram os dígitos correspondentes aos números do seu celular. Naruto pegou sua bombinha e mandou uma borrifada de remédio para dentro de sua garganta quando sentiu-a começar a se fechar.

-Desculpe, mas posso lhe fazer uma pergunta um pouco estranha? - o yakuza assentiu enquanto comia. - O que são esses números tatuados na sua mão?

Ele fitou-os ao esticar os dedos.

-O teu celular. - disse tranquilamente antes de levar mais uma garfada de macarrão para a boca. - Para não esquecer.

-Desculpa… - Naruto se sentiu levemente zonzo com aquela informação. - O meu o quê?

-O número do seu celular. - o outro falou mais pacientemente. - Já que tatuou o meu, eu resolvi tatuar o teu. - Naruto estava atônito e mal piscava. - Que foi?

-Quem é você? - balbuciou.

-Sasuke Uchiha, lembra não? Estudamos juntos desde os doze. Eu sentei atrás de você a vida toda. - explicou como se Naruto realmente se recordasse disso.

Foi como um soco poderoso na cara do homem, ao ponto de ter uma crise forte de asma, tossindo com força. Era ele? Como se estivesse assistindo novamente ao mesmo filme, todas as suas memórias de infância e adolescência mais relevantes vieram à tona. Sasuke Uchiha, o fantasma. Quieto, muito inteligente, sempre na diretoria por causa de brigas com os alunos mais velhos, tinha aulas complementares durante a tarde, assim lhe disseram, ficava no fundo da sala, sempre calado e de aparente mau humor eterno.

Naruto o temia porque ele parecia ser o tipo de pessoa que te bateria sem motivo, mas como Sasuke nunca se manifestava, simplesmente foi “borrado” de suas memórias, mas agora que era mencionado… Lembrava-se dele nas mais diversas situações. Olhos negros observadores e intimidantes, nem mais o confiante professor, como Kakashi, dedicava-lhe atenção em sala por causa dessa postura.

Espera… Se Sasuke Uchiha tinha seu telefone e sentou-se atrás de si durante todos esses anos, significa que… Pegou seu celular e mandou uma mensagem para o tal número que tinha salvo por mais de 15 anos. Sasuke apenas fitou o celular e Naruto pode enxergar sua mensagem chegar na tela do aparelho moderno. O nome do contato era “Meu Melhor Amigo”. Era ele?! Todos esses anos e era ele? O garoto fantasma?!

Sua visão ficou turva e sua tosse mais forte, seu peito ardia e ele já estava tonto, de modo que sentiu seu corpo cair da cadeira. Estava sufocando de desespero, literalmente. Sasuke veio em seu socorro, apoiando o corpo trêmulo sobre seu colo enquanto berrava para alguém trazer seu casaco.

Tirou dali uma injeção e a aplicou em Naruto, bem na coxa. O que ele lhe…? Antes que a pergunta se completasse em sua mente caótica, sua garganta começou a se dilatar e a permitir a passagem de ar nos dois sentidos. Naruto respirou fundo quando pôde e fitou Sasuke, este lhe observava com clara preocupação por sua vez. Ninguém mais sabia qual era o remédio certo e onde administrá-lo quando tivesse uma crise forte de asma, exceto… Era para ser Hinata, mas agora caía a ficha de que era Sasuke este tempo todo.

-Vou te levar para casa. - avisou em seu ouvido. - Precisa descansar. - Naruto nem teve forças para questionar, apenas se deixou ser erguido usando o corpo alheio como apoio. Sasuke pagou a conta, pegou as coisas dos dois e seguiu devagar para fora. - Veio de quê?

-Ônibus. - chiou e só viu o homem assentir. Foi puxado para o estacionamento, onde estava a Hillux preta de Sasuke. - Não precisa… - foi acomodado no banco do carona.

-Relaxa. - Sasuke disse ao entrar e deixar a arma num local da porta. - Vou só te levar para casa e ficar contigo até melhorar. Não vou te deixar sozinho quando está passando mal. - ligou o carro e saiu dali. - Nunca fiz isso antes, não vou fazer agora.

Levou um tempo para Naruto digerir toda aquela informação. A Hinata das mensagens na verdade era o cara que nunca notou em toda a sua vida. Quem diria que fizera com alguém, sem querer, aquilo que foi feito consigo? Naruto aceitou com gratidão a xícara de chá de hortelã e menta bem fumegante e deixou perto do nariz. Não era para beber, apenas para inalar o vapor. Sasuke sentou-se na sua frente, na cama, e retirou sua arma, deixando-a no criado-mudo, juntamente com a carteira e um estojo que estava preso em seu cinto durante aquele tempo.

-Achou que eu era quem este tempo todo? - ele lhe perguntou enquanto retirava os sapatos sociais. Apesar das tatuagens, ele até estava bem formal.

-Hinata. - admitiu. Não tinha como mentir para a única pessoa que se importou a vida inteira consigo e lhe dissera que lhe amava. Naruto arfou cansado ao se tocar que se declarava para um homem ao invés de ser para uma mulher e que recebia uma resposta todas as vezes. - Ah que merda…

-Que foi? - Sasuke passou para o outro lado da cama, por cima de Naruto, e se deitou ali confortavelmente.

-É que eu… - esfregou a xícara. - Eu dizia que te… Amava e… Eu achava que era a Hinata e… E você dizia que me amava também e agora eu sei que você é você e não a Hinata e… - esfregou novamente.

-Você está achando que te enganei sobre os meus sentimentos ou está decepcionado porque sou homem e não a Hinata? - perguntou calmamente.

-Eu… Não sei… Eu achava… - ouviu Sasuke rir baixo e o fitou. - Do que está rindo?

-É isso que eu amo em você. - comentou sem nenhuma vergonha. - Você é muito sincero consigo mesmo. Me ama, e isso é fato, mas o fato de eu ser homem põe tudo o que acreditou em cheque, mas deixa eu te dizer que não põe. - sorriu e tocou gentilmente a mão de Naruto. - Você me conhece e nunca teve dúvidas que a pessoa com quem conversava não era a Hinata, mas apegou-se a essa ilusão porque ela era a única que não te maltratava diretamente.

O loiro deixou sua xícara no criado-mudo, perto da arma, ao sentir mais tranquilo. Aquela forma de falar. Fazia mais sentido naquela voz masculina forte do que na suave e feminina de Hinata. Todas as incongruências que existiam sobre a Hinata virtual desapareceram no instante que Naruto se propôs a abraçar aquele homem.

O outro sentiu seu peito encher de felicidade ao sentir aquelas mãos ao redor do seu corpo, apertando-lhe a camisa. Como que para provar o que dizia, Sasuke sussurrou os assuntos mais íntimos que os dois já haviam conversado em seu ouvido, como a vez que Naruto quis cortar seus pulsos e se matar, mas as insistentes mensagens dele impediram-no. Enviou mais de 50 “Eu te amo.” e “Fica cmg” seguidos naquela noite para Naruto.

Os dois se fitaram, mas não se soltaram e nem podiam. Naruto afagou os cabelos negros com intimidade, permitindo-se tocar aquele corpo como se lhe fosse velho conhecido, e não o era? Sasuke puxou o outro para seu colo e se acomodou mais perto da cômoda, para pegar a xícara e deixar ao alcance de Naruto. Ele ainda tinha que fazer inalação.

-E agora? - ele afagou seus cabelos loiros, achando-o muito bonito nessa versão mais adulta, se assim poderia pensar e não soar errado. - Não sei o que dizer agora que está diante de mim… Ou embaixo. Depende do ponto de vista. - Naruto riu baixo e fitou Sasuke dobrar uma perna, o que acabou por fazê-lo se inclinar sutilmente sobre ele.

-Ah sei lá… - o Uchiha afagava uma das coxas alheias com o polegar enquanto a outra mão estava apoiada sobre o joelho dobrado. - Podia começar com um “que bom finalmente te conhecer” - Naruto riu, assentindo. - e um “Graças a Deus que não é a Hinata”. - deu de ombros.

-Por quê?

-De que adianta você amar uma mulher casada que está com outro por mais que diga que te ama? - foi sincero e o outro só pode concordar. - E ela nunca teve interesse algum em você. - Sasuke o puxou mais perto de si.

-E por quê você nunca se manifestou para mim antes? Em relação aos bilhetes, aos lanches, a tudo? - murmurou, sentindo-se estranhamente confortável naquele colo.

Acabou por se deitar e ficar com a xícara perto de si, sobre um pano dobrado e sobre a barriga de Sasuke, acomodou seu rosto em cima do peito alheio e suspirou.

-Porque eu tinha vergonha… Quero dizer, eu não queria arrumar mais brigas do que já tinha, além de que eu achava que você poderia se afastar de mim se soubesse a verdade. - respondeu, deixando a xícara no criado-mudo de novo, por segurança, e se abraçando ao corpo alheio.

Aquilo fazia muito sentido, se pensasse bem. Era uma criança. Seria o mais lógico que faria se soubesse que alguém como Sasuke Uchiha estava lhe “perseguindo”. Talvez se aquele anonimato e aquela confusão não tivessem acontecido, Naruto seria uma alma solitária para sempre ou já estaria morto àquela altura do campeonato. Aninhou-se mais sobre o peito alheio e suspirou sorrindo com lágrimas nos olhos, de pura felicidade.

Ficaram alguns minutos naquele silêncio especial, em que as mãos afagavam as costas alheias com carinho e lentidão. A sensação que o Uzumaki tinha era que fizera aquilo a vida toda, mas ao invés de um corpo, era um celular simples entre as mãos. Sasuke lhe olhava como se soubesse cada pensamento da mente de Naruto e concordasse com eles. Aproximou-se sutilmente dele e deixou-lhe um beijo suave na testa, fazendo o loiro fechar os olhos e suspirar em paz, baixinho.

-Eu te amo. - Sasuke disse, olhando-o intimamente e os olhos do outro se encheram de lágrimas de emoção. - Te amo muito e de verdade. - suas bochechas estavam sutilmente coradas, mas ele ainda lhe sorria com doçura.

-Eu também te amo, Sasuke. - Naruto afagou o rosto que finalmente via com suas mãos e sem perceber, tocou os lábios dele com os seus num selinho breve. Arregalou os olhos ao entender o que fizera e se sentou de vez na cama. - Desculpa, eu…!

Sasuke sentou-se lentamente, encarou Naruto começando a respirar um pouco mais rápido e girou seu rosto com os dedos para si. Beijou-o. Não um simples selinho, mas tomou aquela boca como já desejara tantas e tantas vezes em toda a sua vida.

Desde pequeno, aquele menino loiro franzino, sujo e muito abatido sempre lhe chamara atenção. Notava que todos sempre o desprezavam e o maltratavam por esses motivos, no entanto Sasuke queria saber por que Naruto era daquele jeito. Passou a segui-lo de longe, discreto, e foi aí que descobriu toda a história densa.

Órfão dos pais, vivia na casa de uma pessoa que não era nada sua, apenas fingia que fazia parte de um programa social de auxílio aos órfãos. Todos os dias sofria abusos quando era deixado sem nenhuma refeição ou mesmo apanhava por se sair mal na escola. Aquilo fez Sasuke se sentir mal, muito mal. Não por ele ser de família rica e ter a possibilidade de nunca trabalhar na vida por causa dessa fortuna, mas porque o via como um igual. Sasuke também era desprezado por aqueles que cuidavam de si, mas não naquele extremo, na verdade no outro extremo: era sempre condicionado a ser quem ele não queria, fazer coisas que não gostava, estudar e se dedicar mais que todo mundo, impedindo-o de viver sua infância. A vida não era justa para os dois.

A partir daquele dia, Sasuke passou a cuidar de Naruto, do seu jeito, enviando-lhe bilhetinhos com explicações e as respostas das aulas. Para seu azar, Naruto nunca reparava em si, mesmo que estivesse sempre sentado atrás dele, todos os dias e todos os anos até o final do colégio. Mas estava tudo bem, pois fazia aquilo de coração, sem esperar receber nada em troca.

Quando viu Naruto desmaiar durante a aula de Educação Física, foi o único que se preocupou com ele e fez alguma coisa para salvá-lo. Depois de saber que seu amigo sofria de asma, passou a ter sempre em sua bolsa duas bombinhas de medicamento, iguais as de Naruto, para prevenir problemas. Quem diria que sua atitude o salvaria da morte por asfixia tantas vezes? E Sasuke continuava com aqueles cuidados porque era a única coisa que fazia por vontade própria e com muito gosto pessoal. Cuidar de Naruto era aquilo que o fazia lembrar que era um ser humano e lhe dava forças para ser ele mesmo a cada dia.

E qual foi sua emoção quando pegou o bilhetinho com o pedido do seu celular? Agora poderia conversar diretamente com ele, mas tinha que manter o anonimato para protegê-lo, pois que Naruto sempre fora o bode expiatório da sala, mesmo que sem motivo. Se as pessoas soubessem que ele, o valentão da escola, era amigo do “pior aluno”, nem conseguia imaginar que tipo de violências o rapaz sofreria. Quando tudo isso acabar, poderão se encontrar, pensou Sasuke por todo o Médio.

Ao fim… Não pôde. Seu pai lhe enviou para fora para estudar mais ainda, especializar-se e assim assumir a diretoria da empresa ao lado de seu irmão, mas Sasuke só aceitou essa imposição com uma condição: que seu pai não intervisse na forma como ele queria ser. Por isso as tatuagens, os brincos, as roupas e o porte de arma, um homem como ele tinha que andar sempre protegido.

Antes mesmo de Sasuke terminar o Ensino Médio, já estava totalmente apaixonado, amando profundamente Naruto. Seu sonho adolescente era levá-lo consigo para o exterior, mas seu pai poderia fazer alguma loucura se soubesse dos seus sentimentos por um “mendigo”. Quando soube que também era amado, Sasuke foi para o céu e soube que tudo o que fizera a vida toda valera à pena. Era o homem mais feliz do mundo, pois era amado e amava verdadeiramente alguém.

Por diversas vezes teve sua racionalidade posta em cheque quando percebia Naruto falar em por um fim à própria vida. O que faria? Não podia abraçá-lo e beijá-lo até que ele se sentisse amado. Por isso o caso da noite das mais de 50 mensagens. Era o único jeito que conhecia enquanto estava longe e sua fé que alguma entidade superior ouviria suas preces, perceberia o seu fervor e lhe ajudaria a impedir que o amor da sua vida se matasse. Sasuke tinha seus nervos testados como nenhum outro por causa dessas coisas.

Iria amá-lo agora. Depois de tantos anos de sentimentos reprimidos por não ter contato com ele, iria amar Naruto até ele entender e sentir na parte mais profunda da sua alma que era amado. Beijava-o de tal forma que o fôlego lhe faltava rapidamente, pois era sugado pelo outro. Afastou a boca da dele e observou-o respirar enquanto ouvia o chiado baixo da asma. Iria amá-lo tanto.

-Sasuke… - seu nome soou um pouco engraçado, mas não se importou. Fitou a virilha alheia e começou a desfivelar a calça, para espanto de Naruto. - O que vai…? - sua voz foi engolida pelo beijo sedento do Uchiha.

Masturbou-o enquanto o beijava. Os dois se fitaram. Naruto estava confuso, mas seus olhos pareciam pedir por mais. Sasuke ajoelhou-se sobre a cama e começou a despi-lo enquanto distribuía beijos por toda a pele corada e suada. Quando o viu nu, deitado abaixo de si, e totalmente excitado, Sasuke arfou rouco, sentindo seu membro pulsar.

-Fica aí. - pediu ao sussurrar em seu ouvido. Lembrara-se de algo importante para aquilo dar certo. Sentou-se e calçou seus sapatos. - Eu venho já.

-Onde vai? - Naruto perguntou desesperado, pois estava nu e numa situação bem constrangedora.

-Vou na farmácia. - Sasuke lhe deu um beijo ardente e arfou. - Quando eu voltar, vamos fazer bastante. - avisou sorrindo de lado. - Vai ser meu, não vai?

Naruto assentiu timidamente enquanto era beijado. Sasuke saiu às pressas e o homem ainda chegou a ouvir os pneus do carro cantando do lado de fora. Naruto aproveitou aquele tempo sozinho para fazer inalação e não passar mal quando o outro chegasse, pois saberia que o esforço excessivo poderia lhe travar as vias aéreas. Esquentou novamente o chá e ficou na cama, com a xícara perto do rosto, respirando lenta e profundamente enquanto pensava nos beijos e nos toques.

Iria mesmo fazer aquilo com Sasuke? Por que não? Amava-o e era amado por ele, além de que os dois esperaram tempo demais para se reencontrarem, para se verem, para se tocarem, para se beijarem, para… Se amarem. Ficou ali, enrolado nos lençóis, fazendo a inalação enquanto esperava pacientemente. Ele voltaria. Pediu para esperar, então voltaria.

O coração de Naruto palpitou mais forte quando ouviu o carro estacionando do lado de fora e a porta abrindo/fechando. Nunca duvidou de Sasuke antes e não seria agora que duvidaria da integridade dele. Fitou a entrada do quarto e sorriu abertamente quando viu o Uchiha aparecer com uma sacolinha nas mãos.

-Demorei? - Sasuke questionou enquanto se aproximava e ia se desfazendo de suas roupas. Naruto negou. Nem sentiu os quinze minutos passarem. - Pois eu achei que demorei demais. - brincou e Naruto riu.

Só de cueca, foi para a cama e tornou a beijar e abraçar com desejo o corpo nu. A xícara foi deixada num local seguro e os dois mergulharam naquele mundo de prazer particular. Naruto estava de quatro, sentindo seu membro ser masturbado enquanto três dedos iam e vinham dentro de si, depois de algum tempo naquela preparação. Sasuke fora por camisinhas e lubrificante e Naruto agradecia mentalmente por isso, pois que pesquisara como mais ou menos o sexo anal se daria caso os dois fizessem e ficou preocupado que não houvesse lubrificação para evitar a dor.

Nunca fizera aquilo antes com ninguém, pois só saíra com algumas mulheres a vida toda, mas estava extremamente feliz por se entregar a Sasuke daquela forma, pois ele era tão gentil e cuidadoso consigo. Os beijos em suas costas e em seus ombros lhe acalmavam e as palavras sussurradas em seu ouvido só lhe incendiavam. Aquela felicidade só se equiparava a de quando descobriu que seu amor era recíproco.

-Ainda te dói? - Sasuke perguntou e Naruto negou antes de beijá-lo na boca. - Posso meter? - assentiu e se posicionou melhor para receber a primeira investida, lentamente em seu interior. Os dois gemeram juntos quando estavam totalmente conectados. - Tudo bem? - Sasuke arfou rouco.

-Está… Eu estou feliz com você em mim. - sussurrou, apaixonado, e gemeu quando sentiu Sasuke crescer em seu interior. Mexeu-se de leve, procurando mais daquela sensação intensa que sentiu na primeira investida. - Por favor, eu quero…

Sua fala foi interrompida pelos movimentos em seu pênis, somados às investidas de Sasuke. Naruto segurou-se com as duas mãos na cabeceira da sua cama e deixou-se ser tomado com vigor pelo seu amante, não contendo sua voz em nenhum momento, pois sentia-se tão vivo quanto bem. Os dois se fitavam de quando em quando para se beijarem e sussurrarem alguma coisa que estava presa em seus corações.

Não demorou para que gozassem, pois o prazer era tão intenso que chegava a ser insuportável para ambos. Arfaram juntos em uníssono e Naruto foi deitado quando viu o amante trocar as camisinhas. É claro que queria mais, ainda estava duro e excitado por ele. Sasuke tornou a ocupar o espaço quente no interior que lhe desejava. A cama rangia e a cabeceira batia contra a parede a cada movimento intenso dos dois corpos.

Sasuke mal conseguia piscar de tanto que precisava capturar cada uma das reações de seu amante quando o penetrava rapidamente. Em alguns momentos, Naruto tossia forte buscando ar, pois a asma atacava, mas Sasuke empurrava o ar diretamente aos pulmões ao beijá-lo. Investia mais devagar para que o outro pudesse recuperar o fôlego. Respirava devagar e forte sobre ele, cadenciando com suas estocadas, para que Naruto imitasse, e assim se dava.

Estava tudo bem, por mais que lágrimas caíssem e o outro chiasse ao respirar, estava tudo bem, eles ficariam bem, pois confiavam plenamente um no outro.

Naruto segurava-se em Sasuke com seus braços e suas pernas, alternando em ser vigorosamente beijado e gemer sem o mínimo de pudor, pois sua próstata era tocada diversas vezes seguidas. Os dois se fitavam febrilmente e era claro que ambos queriam que aquele momento sublime de amor durasse para todo o sempre, se assim fosse possível. Naruto já chorava de prazer e contorcia-se para ter mais contato com Sasuke, pois ele lhe amava demais. Chamava-o constantemente e era igualmente evocado pela voz grave.

Palavras não eram mais ditas, pois não havia nada mais que os dois pudessem enunciar que já não fosse demonstrado pela troca inquebrável de olhar. Naruto estava pulsando cada vez mais e se acariciava mais rápido a cada investida apressada de Sasuke em seu interior, pois clamava pelo momento em que sentiria um só com ele. Aconteceu durante um beijo, num movimento bem fundo no corpo dele, ao passo que Sasuke se encarregara de lhe acariciar a intimidade para que gozasse.

-Eu poderia fazer isso a noite toda… - Sasuke murmurou depois que se recuperou do orgasmo forte, deitado de perfil com Naruto. - E não me cansaria porque é muito bom fazer amor com você… - sorriu.

-Eu também… - o outro ofegou, aproximando-se mais dele e acompanhando o ritmo alheio. - Mas preciso retomar… O meu… Fôlego… - arfou. Sasuke lhe deu um beijo entre os olhos e pegou a bombinha sobre o criado-mudo. - Obrigado… - aplicou o remédio e suspirou de alívio.

-Descansa um pouco. - ele acariciou os cabelos suados. - Eu posso esperar por você o tempo que for preciso. - deu-lhe um selinho.

Levou certo tempo para que Naruto tivesse o controle de seus pulmões de volta, mas da mesma forma que o Sasuke das mensagens era muito paciente, o da vida real também foi. Os dois comeram um pouco, pois mal puderam tocar na comida do restaurante, e foi nesse momento que Naruto descobriu que Sasuke não era um yakuza, só um empresário bem incomum em aparência, enquanto este por sua vez soube que seu amor trabalhava num escritório como assistente.

Ao final, depois que Naruto se constatou bem de verdade, os dois namoraram mais um pouquinho na cama. Dormiram quando a exaustão chegou em ambos, principalmente em Naruto, e não se soltaram em nenhum momento. Estavam juntos e em paz agora e nada era mais certo do que aquilo.

Naruto despertou devagar, sentindo aquele leve incômodo em sua bunda. Sasuke não estava mais ali, em sua cama, mas seu cheiro e seu calor estavam por toda parte, Naruto podia senti-los só de tocar os lençóis. Estava deitado de bruços sobre os travesseiros e havia ainda uma xícara fumegante de hortelã e menta no criado-mudo, ajudando-o a respirar. Embaixo, havia um bilhete. “Quer namorar comigo?” era letra que nunca esquecera.

Saiu da cama, vestiu uma cueca e uma camiseta, a primeira que achou, e foi para a cozinha comer algo. Sorria bobamente. Claro que diria sim, mas só daria a resposta à noite, quando sabia que ele estaria disponível. Quando chegou à cozinha, sentiu o cheiro de café, de ovos e se deparou com Sasuke comendo enquanto ouvia rádio.

Os dois se fitaram e ele empurrou a cadeira para trás quando viu aqueles olhos azuis lindos cintilarem de lágrimas. Mesmo mastigando, fez sinal para que viesse ao seu colo e logo Naruto estava sobre ele, abraçando-o e o beijando enquanto choramingava baixinho. Era a primeira vez na vida que ia ter companhia para o café da manhã, uma de verdade. Os dois arfaram ao afastar as bocas.

-Tudo bem contigo? - Sasuke perguntou ao passar as mãos por cada parte que podia daquele corpo que ele bem conhecera na noite anterior. Naruto assentiu. - Não está com dor? - negou rapidamente. Sasuke o beijou. - Por que o choro então?

-Eu não esperava te ver aqui ainda, Sasuke. - sussurrou o abraçando mais, querendo-o deixá-lo tão perto quanto possível. - Eu pensei que iria embora e me deixar sozinho… Eu imaginei que…

Sua voz chiou e ele começou a hiperventilar sutilmente. Naruto apertou os ombros de Sasuke, por cima da camisa, e quis se aconchegar mais, tentando fugir da agonia que lhe acometia ali. Sasuke percebeu e lhe envolveu mais com os dois braços, fazendo os rostos ficarem bem próximos.

-Hei… - Sasuke enxugou suas lágrimas e lhe deu um novo beijo, ajudando-o a retomar o controle da respiração, pois estava no início de uma crise asmática. - Eu já te deixei sozinho alguma vez antes? - Naruto negou acompanhando a respiração dele.

Ele arfou longamente quando recuperou o controle de seus pulmões. Sorriu ao saber que o efeito curativo ainda era o mesmo. Os dois trocaram mais alguns beijos carinhosos e Naruto quase achou que estava sonhando ou delirando.

-Não, mas... - os dois se fitaram e Sasuke exibiu um pequeno, mas doce sorriso para aquele homem asmático.

-Eu nunca fiz isso antes, Naruto, não vou fazer isso agora.

28 de Diciembre de 2018 a las 02:17 0 Reporte Insertar 5
Fin

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