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krishoflowers Krisho Flowers

Hibisco (Hibiscus rosa-sinensis): A flor hibisco simboliza beleza delicada e virtude, e é também chamada de "mimo de Vênus", como uma referência a deusa egípcia Ísis, protetora da fertilidade. por @tinimyeon


Fanfiction Bandas/Cantantes Sólo para mayores de 18.

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Capítulo Único



Hibisco (Hibiscus rosa-sinensis): A flor hibisco simboliza beleza delicada e virtude, e é também chamada de "mimo de Vênus", como uma referência a deusa egípcia Ísis, protetora da fertilidade.



Junmyeon respirou fundo e fechou os olhos, preparando-se para o espetáculo de dança que começaria em breve. A música clássica coreana começou a tocar pelo anfiteatro, que se localizava bem próximo ao templo onde o imperador Gojong morava, local onde acontecia as cerimônias e festivais mais importantes.

No ano de 1906, era difícil para que um homem assumisse o espetáculo de forma tão centralizada, a dança que seria exibida ao príncipe chinês dali alguns momentos costumava ser apresentada apenas por mulheres. Todavia, Junmyeon se sentia orgulhoso em ser um os primeiros a realizar tal feito. Poderia mostrar, através de uma dança sentimental e suave, o seu respeito por aquele que o assistiria.

O local estava praticamente vazio, apenas com alguns guerreiros importantes, a família do Imperador e os Wu, mas isso não diminuía o seu nervosismo.

O anfiteatro era aberto e já estava anoitecendo, fazendo com que tons de rosa e laranja se misturassem no céu. Uma áurea romântica se instalou pelo lugar, fazendo Junmyeon sorrir suavemente antes de começar a dançar. Ajeitou a flor que estava presa nos fios escuros e a apresentação teve início.

Com passos que faziam o Kim e mais outras dez jovens flutuarem pelo palco, uma harmonia de roupas coloridas e sorrisos estonteantes encheu-se pelo ambiente, fazendo com que, pela primeira vez desde que chegara ao Império coreano, Wu Yifan sorrisse.

Porque aquilo era como magia.

A suavidade e delicadeza trazia impacto à coreografia, deixando tudo apenas mais gracioso. No entanto, em meio a tantas jovens bonitas, Yifan só conseguiu se prender em uma pessoa: o único rapaz dali.

Vestido em um tradicional hanbok vermelho, a aparência daquele homem havia deixado Yifan extremamente interessado. Os cabelos escuros, acompanhados de uma flor vermelha em meio aos fios, ele era simplesmente perfeito.

Wu jamais pensou que pudesse encontrar alguém que fizesse os seus olhos brilharem e enxergar uma áurea feliz e delicada ao redor, mas ele era a personificação de tudo isso.

— Há um rapaz ali — constatou Yifan em um tom baixo no ouvido de sua mãe, que olhava tudo completamente encantada pelas tradições coreanas. — Quem é?

— Deve ser Kim Junmyeon, o único garoto do qual o imperador me disse que havia, e por isso me recordo de seu nome. Isso é interessante, ele dança muito bem — respondeu-lhe e sorriu para seu filho. Yifan balançou levemente a cabeça, tentando parecer que não estava verdadeiramente interessado por Kim Junmyeon.  

Até mesmo as curvas de seu corpo, que ficavam disfarçadas pela roupa, faziam com que Yifan deslizasse o olhar minuciosamente sobre cada detalhe do dançarino. Wu precisava falar com ele, mas não sabia como abordá-lo para uma conversa, mesmo que soubesse falar coreano.

— O nosso povo deveria vê-los também, isso é incrível — pontuou Yifan, novamente sussurrando para sua mãe, que finalmente o olhou e piscou algumas vezes. — Entendo que seja uma dança deles, mas acredito que seja interessante se levemos ela para a China também.

E a senhora Wu finalmente pareceu cogitar a possibilidade, intercalando o seu olhar ao filho — que novamente tinha a atenção desviada para o espetáculo — e a movimentação dos dançarinos, que enfim, terminaram a apresentação.

— Podemos pensar sobre isso.

Aquela resposta fora o suficiente para fazer Yifan sorrir.

Todos os doze dançarinos curvaram-se respeitosamente na direção de ambas as famílias, e Yifan suspirava interminavelmente, apenas admirando o rosto encantador.

Quando todos eles saíram do palco, os que estavam na plateia se levantavam para seguirem em direção ao banquete que os esperava no salão fechado do teatro. Yifan se levantou também, olhando ao redor. O pequeno teatro aberto era lindo e ele sentia que poderia passar uma eternidade olhando para Kim Junmyeon naquele espaço. O salão para o qual seguia naquele momento também parecia agradável na sua opinião.

— Eles estarão na festa? — Yifan questionou dessa vez para seu pai, indicando com o olhar para o palco vazio, esperando que ele entendesse.

— É um banquete particular, apenas ambas as famílias e alguns convidados íntimos, não uma festa com todos — explicou-lhe pacientemente, embora estivesse estranhando o comportamento de seu filho. Ele nunca se interessava por nada (e nem ninguém).

— Convide-os — pediu seriamente e isso fez o Wu mais velho rir fracamente, enquanto andava na direção do salão. Sua mãe, que conversava com a imperatriz coreana, sequer dava-lhe a atenção. Yifan mantinha o semblante rígido no rosto e isso fez o Imperador franzir o cenho.

— Por que está tão interessado que eles estejam conosco? Alguma mulher despertou o seu interesse? Eu deveria agradecê-la, se elas não estivessem tão abaixo de nós — seu pai disse em desaforo, fazendo Yifan frustrar-se internamente. — Procure uma chinesa que esteja no mesmo patamar que nós. Está na hora de você nos dar herdeiros — continuou, e agora já estavam dentro do salão. Um silêncio foi tudo que o imperador recebeu em troca, deixando-o insatisfeito com o próprio filho. — Não me decepcione ainda mais aqui, é o que peço. — Após sua fala, suspirou frustrado e se afastou, indo em direção a sua esposa e a Imperatriz, que estava acompanhada do Imperador.

Yifan observou ao redor, e a imagem do belo ambiente fez com que ele pudesse se sentir menos irritado com a situação. Ele, obviamente, ainda queria encontrar-se com Kim Junmyeon, entretanto, agora passara a admirar o salão tradicional.

Mesmo que ele não revelasse, essas coisas o encantavam. Yifan gostava bastante da cultura coreana, aquele local repleto de decorações e a música baixa ao fundo mexiam consigo, era bonito, combinava bem demais. Ele esperava que pudesse vê-lo mais uma vez.

Sem apetite para beber ou comer naquele momento — motivo de repleta amargura —, ele vagou sem uma direção específica, até que encontrasse uma outra saída dali. Olhou sem muita afetividade para trás, pensando que o ar fresco pudesse deixá-lo mais tranquilo.

Contudo, não esperava vê-lo ali. Dentre diversos tipos de flores, Kim Junmyeon misturava-se, ainda vestido com a mesma roupa da apresentação. Ele estava de costas para Yifan, entretanto, percebeu que alguém o observava. Junmyeon tampouco esperava ver alguém da família Imperial chinesa ali, fazendo com que ele ficasse instantaneamente nervoso.

— Desculpe, estou atrapalhando? — A voz grave ressoou no jardim, e mesmo que Wu Yifan tivesse a aparência intimidante, combinava em meio de tantas flores, por mais que fossem delicadas. O chinês se aproximou calmamente de Junmyeon, e ofereceu um sorriso pequeno a si.

Recém despertado do transe em que se encontrava, Junmyeon se curvou algumas vezes, murmurando um pedido de desculpas em coreano, já que Yifan estava falando o mesmo idioma. — Eu não deveria estar por aqui, devo sair — falou baixo.

— Não saia, eu queria encontrá-lo, de qualquer forma — Yifan admitiu sem hesitação, embora, por dentro, estivesse extremamente aflito com o primeiro contato com aquele dançarino tão bonito. Viu o rosto que era iluminado apenas pelo luar e tochas espalhadas pelo jardim mudar para uma expressão de surpresa. — Como se chama?

— Kim Junmyeon. É uma honra conhecê-lo. — E ao se curvar novamente, deixou o Hibisco que antes estava em seu cabelo cair. Ágil e rapidamente, Yifan se agachou para pegá-lo, e ambos ergueram-se ao mesmo tempo, trocando olhares.

— É uma honra, para mim, conhecer alguém tão talentoso como você, Kim Junmyeon — disse e sorriu levemente, um pouco tímido. A flor em suas mãos estava inquieta, e atraía a atenção de Junmyeon, que sequer conseguia olhar no rosto de Wu Yifan. Era de uma beleza inegável. — Posso? — Estendeu a flor, indicando que a colocaria de volta nos fios escuros. Junmyeon assentiu, olhando por fim nos seus olhos.

Em um cuidado que refletia na íris negra de Yifan, ele colocou de volta a flor, encaixando-a entre os fios. As mãos tocaram rapidamente seu cabelo, e por fim Wu se afastou. — Fica bonito em você, é delicado.

Junmyeon sorriu, à medida que sentia o coração descompassado pelas palavras gentis do chinês. O dançarino pensava que Yifan era louco porque aos poucos ele entendeu: O chinês estava cortejando-o.

— Já me disseram que ela simboliza a delicadeza, por isso achei que combinasse com você — Yifan acrescentou, sem conseguir parar de olhar na direção da flor e do rosto aparentemente macio de Junmyeon. — Enquanto você dançava, parecia que estava flutuando. Todos gostaram bastante, eu principalmente.

— Obrigado, novamente. — Dessa vez, Junmyeon apenas curvou a cabeça, já não tão formal. — Eu realmente estou curioso para saber o porquê de querer me encontrar.

— Se quer mesmo saber, me daria o prazer da sua companhia durante essa noite? — Yifan perguntou e o outro arregalou um pouco os olhos, ficando em um silêncio agoniante para Yifan, e, por fim, assentindo em um sorriso tímido.

E então quase que automaticamente, os dois começaram a caminhar pelo jardim que era, aparentemente para Yifan, extenso. Junmyeon conhecia muito bem aquele lugar, entretanto, ficou surpreso quando o chinês lhe contara sobre o significado da flor que carregava entre as madeixas.

— Gostei muito da apresentação de vocês, mas quem se destacou no meu ponto de vista, foi você — O príncipe disse naturalmente e aquilo fez, novamente, o coração do dançarino explodir dentro do peito, o que estava acontecendo, afinal? — É dançarino há quanto tempo? Eu... Gostaria de saber mais sobre você, se permitisse.

E Junmyeon entendeu que ele estava tão tímido quanto si, fazendo sorrir, pensando o quanto aquilo era adorável.

— Eu danço desde que era criança, já que minha mãe me ensinou. O meu pai nunca aprovou, ele queria que eu fosse um guerreiro como ele — contou, enquanto os dois caminhavam. Yifan não conseguia tirar os olhos de Junmyeon, da sua história e da sua voz doce. Era como estar entorpecido. — Eu até participo dos treinos, mas ele sabe que eu gosto mais de dançar. Fora isso, eu ajudo a vender os alimentos que plantamos.

— Parece agitado, e ao mesmo tempo, calmo da forma que eu gostaria de viver — Yifan disse, e isso provocou um olhar curioso vindo de Junmyeon. — Mesmo sendo o segundo filho, ainda assumo responsabilidades grandes. Pelo menos não terei de ser Imperador, isso soa grande demais para mim.

— Uh, eu... Pensei que você fosse o mais velho — Junmyeon admitiu e pareceu meio confuso, fazendo com que Yifan sorrisse levemente, parecendo um pouco triste também.

— Wu Yixing está doente, é um futuro incerto ainda.

— Sinto muito, eu não sabia... — Junmyeon fechou os olhos, repreendendo a si mesmo. Yifan apenas balançou a cabeça, sinalizando que estava tudo bem. — Então você talvez se torne Imperador, correto? — questionou.

— Eu espero que, pela saúde de Yixing, isso não se torne verdadeiro — encerrou o assunto, tentando tirar pensamentos ruins da mente. Junmyeon entendeu.

— Aqui é muito diferente da China?

— Na verdade, só as pessoas — contou Yifan. — Nos dois lugares, há somente uma pessoa que eu me interesse — completou e ambos se entreolharam, fazendo Junmyeon ruborizar. — É você, Junmyeon.

Ele completou a frase antes que Junmyeon pudesse questionar a si mesmo, e isso o deixou totalmente chocado.

— Você sabe que...

— É errado só porque somos homens? — Yifan o interrompeu em uma voz baixa e Junmyeon se virou subitamente, fazendo com que o chinês parasse um pouco depois que si, e então os dois se esbarraram superficialmente. Com os rostos até que próximos, ele perguntou. — Ou porque você não está interessado como eu?

Junmyeon engoliu em seco, porque era totalmente o oposto, mas eles eram dois homens, afinal. Como que um cortejo poderia funcionar naquelas situações?

— Você realmente não se importa de sermos homens? — reforçou Junmyeon e o príncipe sorriu suavemente para si.

— Você quer saber? — Junmyeon assentiu, mesmo que estivesse nervoso por dentro. Ele queria se aproximar de Yifan, mas queria ter a certeza de que o outro soubesse o que estava fazendo. — Eu, realmente, não me importo — sorriu em seguida, fazendo-o retribuir em um sorriso acanhado. Com os dois parados e de frente um para o outro, Yifan admirou cada detalhe que preenchia o rosto bem desenhado do dançarino — Se eu estou aqui com você, é porque cada detalhe seu fez com que eu me interessasse. Unicamente seu.

— É inacreditável alguém como você dizer isso para mim... — Junmyeon cortou o contato visual, desviando o olhar para as flores que estavam ao redor. Sentiu as mãos firmes de Yifan arrumar a flor em seu cabelo mais uma vez, aproveitando para acariciar os fios escuros.

— Por que é tão inacreditável assim? Somos duas pessoas que acabaram de se conhecer e quiseram conhecer um ao outro, não há nada de errado — explicou Yifan como se fosse óbvio, mas uma das suas mãos continuavam nas madeixas de Junmyeon, fazendo o coração deste disparar conforme os toques o acariciavam.

— Você está me cortejando, não está?

— O que acha? — Yifan ergueu uma sobrancelha, tentando parecer galanteador, mas isso só fez o Kim soltar uma gargalhada que o fez sorrir junto. — Você é tão lindo, Junmyeon... — falou baixinho após estarem um tempo em silêncio. Sua destra escorregou pelo rosto do outro, e Junmyeon fechou os olhos calmamente.

— Você também é muito bonito, Yifan — admitiu em um sussurro, e isso só fez o sorriso de Yifan aumentar. O clima estava tranquilo entre eles, e enquanto Wu observava Junmyeon de olhos fechados, as coisas pareciam acontecer lentamente. No entanto, um barulho assustou-os e os tirou desse transe.

— Junmyeon! — Uma voz relativamente fina e conhecida pelo dançarino gritou por si. O Kim rapidamente se afastou do corpo e do rosto que antes estava perigosamente próximo. Yifan, sem entender, virou-se para ver o rosto da garota, que reconheceu ser uma das dançarinas. — Finalmente te encontrei. Nós precisamos ir, temos que voltar para casa.

Junmyeon assentiu e pediu que a amiga esperasse fora do jardim, fazendo com que ela rapidamente entendesse que eles estavam em um momento mais privado — mesmo que isso fosse bastante esquisito.

— Você ficará pouco tempo? — Junmyeon perguntou quando se virou novamente para Yifan.

— Em poucos dias tenho que retornar. Podemos nos encontrar novamente? — Yifan indagou com muito receio, ele queria verdadeiramente que houvesse uma próxima vez entre eles.

— Todas as noites estou fazendo apresentações, venha me encontrar aqui — pediu Junmyeon em um sussurro, porque ele estava com medo de que isso fosse demais para Yifan.

— Eu virei todas as noites — avisou Yifan e isso fez com que os dois sorrissem um para o outro. — Você precisa ir... Mas eu queria que soubesse que eu gostei muito de estar contigo hoje à noite.

— Eu também fiquei feliz de estar em sua companhia, Yifan — sorriu para si, e isso fez o chinês quase explodir por dentro. Junmyeon, apressadamente, pegou a flor em seu cabelo e colocou em uma das mãos de Yifan, que ficou olhando para baixo, analisando cada pétala avermelhada.

— Fique para você.

Sem ter o olhar do chinês, Junmyeon ganhou um pouco de coragem. Ele não sabia porque se sentia tão tímido e, ao mesmo tempo, com muita vontade de fazer tal coisa. E então, no momento que Yifan ergueu a cabeça para olhá-lo pela última vez, Junmyeon beijou-lhe a bochecha demoradamente. Wu sorriu um pouco incrédulo, e o Kim sorriu, sussurrando pela última vez:

— Tenha uma boa noite, Yifan.

Dito isso, já saía praticamente correndo do jardim, porque sabia que todos estavam lhe esperando. Isso, felizmente, foi um motivo para que ele não precisasse encarar Yifan depois do que fizera, já que, mesmo sendo um singelo toque, era tudo muito íntimo onde eles viviam.

Quando Junmyeon saiu do local e encontrou a amiga, que o encarava em um olhar curioso, juntaram-se, por fim, aos outros dançarinos, e todos eles foram para casa. Entretanto, por mais que ele tentasse prestar atenção nos seus amigos que conversavam animados, Junmyeon só tinha uma única pessoa em mente, a qual o fizera sorrir pelo resto da noite que se seguiu: Wu Yifan.


...


Como prometido, pelo resto dos dias que se seguiram, Yifan assistia as apresentações de Junmyeon para depois eles caminharem pelo jardim ou apenas ficarem sentados no auditório, observando o céu, sem que a conversa acabasse. Ou, quando eles se mantinham em silêncio, era para não apenas apreciar o céu ou as flores, mas também a presença um do outro.

Yifan estava completamente encantado, enquanto Junmyeon também se aventurava na primeira experiência de estar tão próximo de outra pessoa — e ele nunca imaginaria que ela seria, na verdade, um homem.

Contudo, era inevitável de não imaginar a todo instante o rosto, a voz e até mesmo o corpo de Wu Yifan, porque ele não era apenas bonito, como inteligente e gentil. E claro, em todo fim da noite, Junmyeon o presenteava com um o Hibisco que estava preso em seus cabelos, o qual o príncipe insistia em guardar, ainda que mais cedo ou mais tarde viessem a murchar.

Em uma das noites, os dois se sentaram no gramado do jardim lado a lado, enquanto Junmyeon contava mais uma das histórias. Por ter vinte e três anos agora, seus pais insistiam para que ele se casasse logo.

— Aquela reunião foi um desastre! Tentei ser o mais educado possível, mas a jovem realmente não se importava com uma palavra do que eu dissesse. Eu tenho certeza de que ela tinha outro companheiro! — Junmyeon riu. — E é por isso que eu me considero um fracasso quando se trata de uma companheira, nunca deu certo.

— Você sabe que está dizendo isso para o seu futuro companheiro, não sabe? — Yifan balançou a cabeça como se desaprovasse a história que Junmyeon estava contando.

— Você é um bobo, Yifan — disse timidamente, tentando conter o sorriso que insistia em aparecer nos seus lábios. — Eu deveria desconfiar de você, já tem vinte e cinco anos. Está velho demais — brincou e Yifan ficou boquiaberto, fingindo incredulidade.

— Logo estaremos velhos, não seria melhor se apenas ficássemos juntos de uma vez? Ninguém desconfiaria de nós — sugeriu Yifan e Junmyeon o empurrou levemente.

— Eu me questiono como você sempre tem uma resposta para dar. Uma que me deixa com as bochechas queimando — Junmyeon disse como se estivesse bravo, e o outro sorriu docemente na sua direção.

— Essa, na verdade, é a minha única intenção — Yifan aproximou de Junmyeon que foi diminuindo o sorriso na medida em que o chinês se aproximava, fazendo com que, ainda sentados, pudessem sentir a respiração um do outro. O coração de Junmyeon batia forte no peito, e Yifan queria muito beijá-lo agora.

— Você vai embora amanhã, não é? — Junmyeon perguntou, interrompendo Yifan que também perguntaria uma coisa (e que era totalmente oposta a esse assunto).

— Como você sabe? — Yifan suspirou e os dois se afastaram, fazendo com que uma atmosfera séria se instalasse entre os dois. — Eu ia te contar, mas eu queria aproveitar os momentos com você.

— É ruim você estar com alguém e descobrir apenas depois que era uma despedida — disse Junmyeon. — As dançarinas estavam comentando durante o nosso ensaio — explicou e Yifan balançou a cabeça.

— Eu quero te pedir uma coisa — disse sério, mas o seu olhar estava preso nas flores ao seu lado. Yifan não tinha coragem nenhuma para olhá-lo.

— Peça... — sussurrou, novamente próximo ao chinês.

— Vá comigo para a China — encarou Junmyeon sem hesitação pela primeira vez desde que a conversa começara, enquanto o Kim abriu a boca diversas vezes, sem saber o que dizer. — A Coreia está passando por tempos difíceis, praticamente a China e o Japão que estão manipulando o Império. Na China teremos mais oportunidade, é um período onde estão valorizando a cultura e a dança — explicou e suspirou no fim. Pegou discretamente em uma das mãos de Junmyeon, que olhou para o contato. — É o que você queria... E eu levaria o grupo de dança para realizar os espetáculos, não seria apenas você. Seria uma grande oportunidade para vocês crescerem e, bem, você poderia ficar comigo lá.

— Não é algo precipitado? — Junmyeon franziu o cenho, meio nervoso.

— Não faço isso apenas por você, mas porque acho interessante a dança que vocês apresentam. Pessoas talentosas merecem oportunidades, não acha? — Yifan disse, virando-se para si. Entreolharam-se e Junmyeon soltou um suspiro.

— Eu quero ir. Podemos conversar com as minhas colegas? Elas ainda estão aqui — pediu Junmyeon e Yifan sorriu, levantando-se rapidamente e assentindo. Estendeu a mão para que Junmyeon a segurasse, e os dois foram em direção aos outros dançarinos, prontos para revelar a proposta.


...


Com dois meses e meio de viagem, Junmyeon já estava habituado a viver na China. Tudo aconteceu com uma rapidez extrema, mas ele se sentia feliz em viver durante um tempo ali. Seriam exatos cinco meses morando na China e, dependendo das circunstâncias, os dançarinos coreanos podiam ficar ou voltarem para a Coreia, em seu país natal.

Desde que os dançarinos comemoraram com a oportunidade de expandirem a sua dança, o espetáculo se popularizou na China. Em um acordo que fizeram, todos se dispuseram a participar daquela grande aventura e, tudo com o apoio do grandioso Wu Yifan, eles puderam ter o seu alojamento na aldeia mais popular da China, que ficava perto do centro do Império, possibilitando que os encontros de Junmyeon e Yifan se tornassem cada vez mais frequentes.

No começo, houve relutância dos pais a deixarem as filhas — e o único homem — a irem para a China. Entretanto, a pedido de um dos membros da família Wu, não foi tão mais difícil de convencê-los.

Estavam todos animados. Fazendo duas apresentações semanais, eles também começaram a ensaiar outras coreografias, expandindo cada vez mais o grupo de dançarinos.  E, claro, Yifan sempre acompanhava tudo bem de perto.

Alguns costumes mudaram na vida de todos, menos um na vida de Yifan e Junmyeon: eles sempre trocavam flores, e Yifan nunca se cansaria de dizer que o Kim era tão delicado e bonito quando aquele Hibisco vermelho que sempre estava entre os seus cabelos.

Naquela noite, sem mais apresentações, Yifan roubara Junmyeon só para si. Os dois passeavam juntos pelo vilarejo que ficava ao redor do templo central dali, e Yifan se sentia cada vez mais próximo de Kim, que, mesmo que indiretamente, retribuía aos seus cortejos.

— Todos estão animados hoje — Junmyeon comentou, observando a movimentação de danças e músicas que aconteciam em alguns focos do vilarejo. Em outros lugares da rua, estavam apenas vendendo alimentos.

— Acho que você está alegrando a noite — Yifan sorriu e Junmyeon rolou os olhos, tentando não rir das bobeiras do outro. — Quer ir para algum outro lugar? Podemos ir até o topo da torre — comentou, apontando para o palácio real, onde morava.

— Eu não deveria entrar assim — Junmyeon rebateu, justificando que ele sequer era chinês.

— Você está ao meu lado, ninguém irá nos questionar — Yifan assegurou. — Aliás, eu tenho uma surpresa para você. — E isso foi o suficiente para fazer Junmyeon ceder e o acompanhar até a torre, que se localizava em uma das extremidades do palácio chinês.


...


— Como fez tudo isso? — Junmyeon observava ao redor, boquiaberto. No topo da torre havia um local que antes ficava vazio, e raramente alguém ia até lá — que, na verdade, funcionava apenas como um observatório do céu estrelado.

No entanto, naquele dia, Yifan preparou uma surpresa. Como o espaço do topo era pequeno e redondo, o muro que os protegia estava cercado com a flor preferida de Junmyeon: o Hibisco.

Com a cor vermelho marcante tomando espaço naquele lugar que antes parecia tão sem vida, Junmyeon parecia totalmente entorpecido por aquela visão. Yifan estava apoiado — com o maior cuidado para não amassar nenhuma das flores — no muro, sorrindo para si, e com um céu lindo atrás. Era uma cena perfeita, e Junmyeon queria muito registrá-la de algum modo. Observou isso durante longos segundos, eternizando aquele momento.

— É para você. — Um sorriso ainda maior brotou nos lábios de Yifan, fazendo com que Junmyeon ficasse com os batimentos cardíacos acelerados, incapaz de sustentar aquela pintura tão bela e vivaz em sua mente.

— Isso é simplesmente lindo. — Junmyeon estava sendo sincero, aquilo ali parecia como as pinturas que via, em cenários belos e quase que utópicos. Mas ele estava ali, ao seu lado. Era real.

— Você é ainda mais lindo.

Yifan dizia coisas tão calorosas e gentis que Junmyeon se perguntava como era capaz que o seu coração aguentasse tanto tempo. Ele estava pronto para aproximar-se ainda mais de Wu, conhecê-lo não apenas conversando, mas talvez conhecendo, pela primeira vez, um outro corpo.

Seu interior se revirava apenas em pensar, e Junmyeon sabia que Yifan sentia a mesma coisa, já que era ele que sempre acariciava os seus cabelos ou, em momentos mais raros, beijava-lhe a testa. Sempre com muito carinho e respeito, e Junmyeon gostava disso.

Ele sabia que aquela tinha sido a decisão certa. Junmyeon ainda trabalhava em plantações, mesmo que na China, mas ele estava feliz de, pela noite, trabalhar com a dança. Mais do que isso, ter alguém lhe esperando ao final de cada apresentação.

Estar naquele país era como Yifan dizia: embora que nós dois nos conhecemos de tal forma, a viagem para a China foi por mérito exclusivamente seu e de suas colegas. Todos vocês mereceram essa oportunidade para crescer e se descobrirem através da dança.

Yifan estava orgulhoso de Junmyeon, e o próprio Kim se orgulhava de si mesmo e de suas colegas que sempre estiveram o apoiando tanto. Contudo, ele sentiu que chegou o momento de estar verdadeiramente com Yifan. Ele queria muito beija-lo, e não fugiria se acontecesse tal coisa.

Com uma enorme vontade de se aproximar, caminhou em sua direção e rodeou os braços pelo corpo do chinês, fazendo com que este ficasse surpreso e, durante alguns segundos, sem reação. No entanto, Yifan logo retribuiu o quase abraço, rodeando os seus pela cintura de Junmyeon.

Os corpos agora colados eram como forças maiores do que eles poderiam entender, se atraíam um pelo outro e cada vez mais Junmyeon entorpecia-se pelos olhos negros de Yifan. Queria desvendá-los, provar o sabor de seus lábios.

Quando olhou para a boca de Yifan, suspirou.

— Faça o que tem vontade, seja o que — sussurrou Yifan e Junmyeon o encarou novamente, ruborizando. Wu sorriu para si, acalmando o seu coração (que, de forma contraditória, só disparou ainda mais) e dando-lhe a permissão para avançar aquele laço, se quisesse.

E Junmyeon queria. Muito.

Ele tocou o rosto alheio com carinho e isso foi o suficiente para fazê-lo fechar os olhos, totalmente alheio ao resto do mundo e focando-se apenas nos dedos macios e curiosos do Kim. Ele dedilhou lentamente cada parte do rosto do chinês; desde a bochecha, o maxilar, e também passou pelos lábios, analisando-os por mais tempo.

Yifan abriu os olhos lentamente, e sussurrou em meio a um sorriso relaxado:

— Eu gostaria muito de te beijar, Junmyeon.

O Kim retribuiu o sorriso, alcançando a boca de Yifan. Devagar, fechou os olhos e colou os lábios, e isso fez com que Yifan apertasse sutilmente a sua cintura, ajeitando o contato entre as bocas.

Junmyeon estava com receio porque no começo era diferente, mas tudo foi se tornando melhor porque era Yifan ali. Com cuidado, o príncipe o guiou naquela nova experiência — e não era como se ele fosse o maior experiente de todos. As línguas dançaram em um ritmo calmo, como se aproveitassem cada segundo daquele contato íntimo e tão desejado nos últimos dias.

As mãos de Junmyeon subiram até a nuca do outro, sem a intenção de parar, por mais que ainda estivesse se acostumando. Ele admitia que estava um pouco desajeitado ainda, mas era o que deixava ainda mais natural.

Os dois se afastaram após um tempo, e sentiram que as coisas estavam nos eixos como deveriam. Não havia outro lugar que Junmyeon quisesse estar, tampouco com outra pessoa. Seu lugar era com a dança, com amigos e ao lado de uma pessoa que estava se apaixonando.

Yifan também nunca se sentiu tão completo. Sentia-se bem consigo mesmo, satisfeito por acompanhar Junmyeon e por, finalmente, tê-lo como mais do que um amigo.

Ainda era cedo para dizer o que eles eram, mas todas as estrelas, a Lua e os hibiscos ao redor testemunharam o início de um verdadeiro amor.

19 de Diciembre de 2018 a las 23:14 0 Reporte Insertar 3
Fin

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Krisho Flowers O KrisHo Flowers é o primeiro projeto no Spirit Fanfics e no Inkspired com objetivo de cultivar e fazer florescer novas fanfics KrisHo.

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