Tutorial do primeiro beijo Seguir historia

madderjen Jean Felipe

Chanyeol estava com um problema, precisava urgentemente aprender a beijar, mas o garoto era um nerd virgem de plantão. Não sabia o ângulo certo e muito menos onde a língua entrava no processo. Não é exagero, o garoto nunca nem deu um selinho. Desesperado por ajuda, Chanyeol recorre ao seu melhor amigo, Kris, um expert nato na arte de beijar. O mais novo, totalmente aflito, implora por ajuda, mas o que ele não esperava era que o tutorial era mais prático que teórico.


Fanfiction Bandas/Cantantes No para niños menores de 13.

#krisyeol #exo #chanyeol #kris-wu
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O mestre dos beijos

Chanyeol estava com um problema, um problema dos sérios. E a pior parte de tudo? Ele não sabia como e nem se podia resolver, mesmo que quisesse Chanyeol jamais conseguiria resolver tal problema.


O garoto viciado em quadrinhos e videogames estava completamente desesperado, aflito, angustiado, exasperado e atormentado, não sabia o que fazer. Eram muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo e o grandão não sabia lidar com tudo isso. De fato, Chanyeol não sabia nem por onde começar.


Na realidade, nunca acreditou que o seu plano para chamar a atenção de Baekhee daria certo, mas deu. Foi uma surpresa e tanto quando o Park, ao abrir seu armário no colégio, encontrou o bilhetinho com a resposta da garota. A princípio, Chanyeol acreditou que era alguma brincadeira de mau gosto, mas quando viu o sorrisinho que a garota lançara para si, não tinha mais o que contestar. Foi aos céus naquele mesmo instante, porém, ao se dar conta da realidade e de que estragaria tudo, caiu mais rápido que o cometa que teoricamente acabou com os dinossauros.


O nerdinho ficara contente no início, mas com o passar do tempo o desespero bateu à porta. Como abordaria Baekhee? “Oi? Bom dia, tudo bem?”. Claro que não, pois, além de ser uma abordagem horrível, seria muito estranho! “Recebi sua resposta. E aí, vamos fechar?”. Chanyeol não sabia qual das duas era a pior. Além disso, o grandão estava até um pouco receoso em ter algo com a líder de torcida, pois não tinha certeza sobre seus gostos.


O Park vivia numa corda bamba, não sabia exatamente do que gostava e do que desgostava. Sua dúvida era universal. Dragon Ball ou Naruto? Doce ou salgado? Biscoito ou bolacha? Bota casaco ou tira casaco? Garotas ou garotos? Tinha muitas dúvidas e elas abrangiam até sua sexualidade. Não tinha muita experiência, então não sabia qual era sua praia exatamente, mas que sentia atração tanto por homens quanto por mulheres era fato. Chanyeol, na sua nerdice virgem, se sentia culpado quando, ocasionalmente, olhava a bunda gostosa dos garotos do time de futebol ou os seios enormes das líderes de torcida.


E não era sua culpa que ninguém se interessasse por si, afinal, ele não deixaria de gostar de seus quadrinhos. Era fato, muitos ignoravam Chanyeol por causa do seu gosto extremo em relação às HQs, mas ele não podia fazer nada. He was born is this way!


— Minseok! Me ajuda. — gritou do outro lado do corredor quando avistou o amigo. Correu na sua direção, todo desengonçado, arrumando os óculos frouxo que insistiam em fugir da sua face.  Minseok lia um mangá de Naruto, todo concentrado, e quando viu o amigo se aproximando, revirou os olhos. Sabia que Chanyeol o atormentaria com algum de seus dramas. — Pare de ler essa bosta, aí! Todo mundo sabe que One Piece é melhor...


— Você quer realmente minha ajuda? — Concordou. — Então cala a boquinha, senão vou ter que explicar os mil motivos que tornam Naruto melhor que One Piece!


Chanyeol cerrou os olhos e cruzou os braços. Se não tivesse tão desesperado por ajuda iniciaria um discurso em defesa do seu anime favorito, mas não, tinha prioridades no momento.


— Ok, qual é o seu problema? — perguntou o mais velho, deixando de lado o mangá e dando um pouco de atenção para o amigo. — Seu plano não deu certo e Baekhee espalhou para o colégio inteiro que o nerd está apaixonado por ela? — Tentou adivinhar, segurando uma risada.


Chanyeol suspirou antes de tentar falar, mas no segundo seguinte sua voz desapareceu. Baekhee, no fim do gigantesco corredor, lançou um beijinho no ar para si e ainda deu uma piscadela. O garoto novamente foi ao céu, mas o amigo o trouxe de volta à realidade.


— Channie? — perguntou Minseok, preocupado, quando percebeu o olhar espantado do amigo, tentou olhar na direção, mas não viu nada mais que uma multidão de alunos. — Então, o que aconteceu?


O garoto suspirou fundo e tirou a garota dos pensamentos para tentar raciocinar um pouco melhor. Na realidade, Chanyeol não era tão louco assim por Baekhee, não ficou nervoso por ser ela quem estava o retribuindo, mas sim em como seria essa retribuição. E se ela quisesse beijá-lo? Teria que fugir, pois não ia passar vergonha. Seria covardia? Talvez fosse covarde...


E isso só pioraria sua situação. Chanyeol já não era querido devido aos seus gostos e, se espalhasse a fama de que era um péssimo beijoqueiro, seria seu fim. Na verdade, até tinha um plano B se isso viesse a acontecer: ele entraria em um seminário e se tornaria padre...


Chanyeol era péssimo em elaborar planos!


— Baekhee aceitou — falou por fim.


Minseok riu. Gargalhou até sua barriga doer e ficar sem ar. Era impossível acreditar que a garota mais popular do colégio havia aceitado sair com o nerd/otaku/virgem mais menosprezado do colégio. Era meio cômico, mas também um pouco duvidoso. E se estivesse tentando pregar algum tipo de peça? Não duvidaria, pois muitos sabiam que a garota não era flor que se cheire. Mas tente colocar isso na cabeça do Park... “Ela é uma rosa rara que precisa de um bom jardineiro para cuidar dela”, dizia.


— Por que está rindo seu idiota?! — Socou Minseok no braço. Era revoltante que seus próprios amigos não confiem em si. O loiro era um péssimo amigo, mas Chanyeol ainda assim precisava dele, afinal, amizades eram movidas a interesses - tanto benignos como malignos.


— É difícil acreditar, ok? Mas vou fazer o esforço... Enfim, vai trocar saliva com a Baekhee, né? — Minseok cutucou o amigo pervertidamente.


O moreno sentiu seu rosto esquentar pela vergonha. Era constrangedor admitir aquilo!


— Eu não vou beijar ninguém! — protestou Chanyeol, revoltado.


— Por quê? — perguntou o loiro, curioso.


— Eu vou passar vergonha... Quando eu contar que nunca beijei ninguém, ela vai rir da minha cara e vai me dar um fora.


Minseok não conseguiu conter o risinho quando o Park comentou que nunca havia beijado alguém, era até estranho que um garoto de quase 18 anos nunca tenha se quer sentido atração por alguém. Mas não era totalmente verdade, Chanyeol já fizera muitas coisas no banheiro pensando em várias pessoas, isso incluía Seulgi, a representante da turma, Jongin, líder do grupo de dança, e até mesmo o melhor amigo, Kim Minseok.


— Simples... Aprenda a beijar! — comentou o loiro em tom sarcástico, mas o moreno levou a sugestão muito a sério. Muito mesmo!


— Okay, vou procurar um professor! — falou, decidido. Minseok riu de tudo – como sempre. Chanyeol era um bobinho, por isso era seu melhor amigo, pois achava fofo toda sua aparente “inocência”.


O Park corria feliz pelos corredores. Sabia o que tinha que fazer para impressionar Baekhee, por isso discou o número da única pessoa que poderia ajudá-lo no momento. “O mestre dos beijos” era seu apelido pelo colégio, pois rolavam boatos de ninguém beijava como Wu Yifan.  E, para Chanyeol, não existia nada melhor que aprender sobre o assunto com um expert que era o amigo.

 


[...]


 

Não existia amizade mais provável que a de Chanyeol e Yifan. Enquanto um era extremamente popular e bom em quase tudo que existe no universo, o outro, em contrapartida, era excluído e bom somente em ler mangás e assistir animes ou conversar sobre multiversos da Marvel.


A amizade começou na infância. Kris nasceu na China, mas, por questões familiares, se mudou para a casa vazia que ficava do lado da de Chanyeol. Os dois, logo que se viram, se tornaram amigos e amizade perpetuou pela eternidade. Eram muito diferentes um do outro, mas a diferença deles era gostosa, um preenchia a ausência do outro. E era assim que os dois amigos se completavam...


O Park sabia que Kris, ao contrário de Minseok, o ajudaria de uma forma mais útil, afinal, o loiro só sabia rir e rir, mas suas risadas não conduziam a nada. O Wu, claro, daria umas belas risadas, mas no fim sempre o ajudaria.


Eram mais que amigos. A relação ia muito além para se restringir somente em amizade, eram irmãos. Irmãos de mães diferentes, irmãos sem ligação sanguínea, eram como deveriam ser... Mesmo que um dos lados buscasse algo a mais.


...


Chanyeol respirou fundo algumas vezes antes de bater na porta do apartamento do amigo. O mais velho deveria estar ocupado com alguma coisa importante, pois estava demorando para atendê-lo. O Park, com seu olhar de águia, percebeu que a porta estava aberta e, por ser de casa, não hesitou em abri-la.


— Kris, eu preciso da... — se interrompeu com o que viu.

O Wu estava realmente ocupado, mas não com algo importante. A preocupação do chinês estava voltada em morder os lábios do líder do time de basquete do colégio, Oh Sehun. Kris sinalizou, com o dedo indicador levantado, para que o amigo esperasse. Por fim, deu uma última mordiscada nos lábios do outro e, assim, voltou sua atenção para o amigo desesperado.


— Channie... — falou ofegante, deixando o Oh de lado.


Chanyeol estava sem palavras. Sabia que muitos garotos e garotas procuravam o amigo por ajuda ou consolo, mas o moreno não fazia ideia que a ajuda e o consolo era nesse sentido. Na verdade, estava com vergonha, ou melhor, muito constrangido e com um pouco de raiva... Talvez até enciumado. Era normal que amigos sentissem ciúmes uns dos outros, né?


— Oi, Yifan — respondeu, seco, fazendo questão de demonstrar sua irritação. Kris, como o idiota que era, não percebeu. Poderia ter percebido pelo “Yifan” que o amigo lançou porque ele nunca o chamava assim, mas estava anestesiado por conta dos beijos de Sehun e nem percebeu.


O clima estava meio tenso, mas Chanyeol ficou feliz porque chegou a tempo de atrapalhar e impedir que os dois fossem para além dos beijos. E Sehun, já experiente nessas situações, entendeu o sorrisinho de canto que nerdinho tentou disfarçar.


— Quem é ele? — perguntou o Oh.


— Meu melhor amigo, por quê? — O garoto cerrou os olhos e encarou Chanyeol com desgosto.


O Park entendeu o aviso que o olhar do garoto transmitia, ele e Kris tinham algo. Poxa, só estava protegendo o amigo... Não é como se ele gostasse de Yifan! Primeiro que ele veio à casa do Wu para pedir ajuda para beijar Baekhee, nada mais que isso, mas se atrapalhou o “casal”, a culpa não era sua.


— Por nada. Pode pegar um pouco de água? Está quente, sabe... — pediu.

Ao mesmo tempo em que o Wu foi à cozinha, Sehun se levantou e andou na direção do Park, parou na sua frente e cruzou os braços. Sehun era um garoto sagaz, sabia ler as pessoas e Chanyeol era quase um livro em exposição.


— Então, desde quando gosta de Kris? — perguntou.


O maior arregalou os olhos e forçou um riso. De onde esse garoto estava tirando essas ideias? Chanyeol estava confuso sobre sua sexualidade, mas gostar do seu melhor amigo? Fora de questão!


— Eu não gosto do Kris! — gaguejou, tentando se defender.


O comportamento de Chanyeol estava entregando tudo e Sehun não deixou de notar. Achou engraçadinho o modo como o Park se portava, mas também achou interessante o corpo não tão malhado de nerdinho... Uma pena que foi alertado para ficar longe do garoto, pois se o Wu não o tivesse ameaçado, teria o prazer de brincar com o nerdinho.


— Então, gosta do que? — Chanyeol percebeu que Sehun falou “do que” e não “de quem”, então constatou que se referia aos seus gostos. Estava confuso em relação ao que gostava, mas nessas situações preferia escolher como a maioria.


— Eu gosto de garotas! — Tentou parecer convicto.


— Você gosta só de garotas?! Não sabe o que está perdendo! Ambos os lados são deliciosos. — declarou alisando o peito de Chanyeol. — Você tem sorte, hein!


— Eu gosto só de garotas e não gosto do Kris! — Deu um tapinha na mão de Sehun, assustado. Existem pessoas que gostam tanto de garotas quanto de garotos? Chanyeol ficou surpreso, não sabia disso. Era muito perdido nessas causas sociais e, como não conhecia muito, para ele só existiam héteros e gays.


O líder do time de basquete riu, sua risada era gostosa de ouvir. O Park imaginou se Kris sabia disso.


— Sei... Então, por que está irritado? Queria estar no meu lugar? — Sehun se aproximou e Chanyeol notou que ele era realmente muito bonito. O moreno não queria parecer medroso, mas se afastou, levando o Oh a rir escandalosamente. — Relaxa, eu prefiro garotas! — Colocou a mão no ombro do maior. — Posso dizer uma coisa? Wu Yifan é um completo gostosão, aproveite! — Deixou um beijo na bochecha de Chanyeol e saiu do apartamento.


O nerd ficou sozinho na sala de estar do melhor amigo e Kris só apareceu depois de alguns minutos com um copo de água em mãos, olhou em volta à procura de Sehun, mas não o viu.


— Cadê o Sehun?


— Foi embora — respondeu seco novamente e dessa vez o mais velho notou.


— O que houve? Você está estranho...


Chanyeol revirou os olhos, tomou o copo da mão de Kris e, tomando todo o conteúdo, sentou no sofá de couro. O garoto estava nervoso, não sabia por onde começar, mas esperou que o Wu perguntasse o motivo da visita.


— Então, o que veio fazer aqui? — perguntou, sentando ao lado de Chanyeol no sofá.


— Preciso da sua ajuda, preciso que me ensine a beijar... — falou de uma vez.

Kris olhou Chanyeol surpreso. Por que diachos o garoto viria pedir sua ajuda? Sabia como era conhecido pelo colégio, mas era algo natural em si, não tinha como ensinar.


— Como eu vou te ensinar? E por que você quer aprender a beijar? — Kris perguntou, curioso.


Chanyeol resolveu contar tudo de uma vez. Contou sobre Baekhee e o modo como a garota estava flertando ao longe consigo, sobre seu desespero e seu medo de ser rejeitado. O amigo ouviu tudo e no final deu umas boas risadas.


— Você pode me dar algumas dicas! — implorou.


— Não! Claro que não, por que eu?


— Porque você é o melhor beijoqueiro que eu conheço e também é meu melhor amigo! Kris, por favor, me ajude... Você é o único que pode me ajudar! — Agarrou o braço do amigo e implorou como uma criança.


Kris tentou, com afinco, não se submeter aos planos de Chanyeol, mas sua fraqueza era o próprio amigo. Poderia ser contra qualquer plano dele, mas se o amigo fizesse alguma expressão fofa, seu coração se derretia e se sucumbia aos desejos deste. Às vezes, suspeitava que o Park sabia disso e o fazia de propósito.


Kris respirou fundo e falou:


— Eu vou te ensinar, mas você vai ter que aceitar todos os meus métodos. — Estendeu a mão e Chanyeol, relutante, apertou. — Então, vamos às lições.

 


[...]


 

Chanyeol queria poder voltar atrás com aquela ideia idiota. Por que foi ouvir Minseok? Era um péssimo plano desde o início, como não percebeu? Agora estava com Kris na sua cola tentando ensiná-lo a ser um mestre dos beijos como si.


— Chanyeol! Pare de desviar! — Puxou o rosto do moreno e fitou seus olhos novamente. — Manter contato visual é muito importante!


O mais alto esbravejou.


— Por quê? — Olhou em outra direção.


— Porque demonstra que você está interessado. Por exemplo, você pode olhar os lábios da pessoa. — Kris puxou o rosto de Chanyeol e revezou o olhar entre os olhos e os lábios do amigo. — Viu? Não pareceu que eu realmente queria te beijar? — O moreno concordou.


Chanyeol não entendia o porquê, mas estava se sentindo estranho com tudo que estava acontecendo. Estava nervoso, ansioso e até paranoico. O nerdinho sentia algo estranho quando Kris o encarava daquela forma, mesmo sendo uma “atuação” da parte do amigo. Era normal que sentisse aquele formigamento na boca do estômago ou que seu amiguinho lá de baixo, o mini Chanyeol, quisesse dar as caras?


— Agora sua vez — falou, encorajando o mais novo.


Chanyeol tentou, tentou no seu máximo, mas toda vez que encarava Yifan seu rosto ardia em vergonha. Kris achava tudo aquilo uma graça, mas guardou tudo para si. Afinal, seria estranho dizer que adorava essa fofura do amigo, não? Além disso, seria estranho fazer qualquer tipo de elogio para o amigo sem parecer que estava flertando, por mais que quisesse.


O nerdinho respirou fundo e encarou o amigo, olhou profundamente em seus olhos e preferiu não ter feito isso. O cérebro de Chanyeol entrou em pane total. Os olhos de Kris eram incrivelmente bonitos, escuros e sedutores. O pior veio depois quando encarou seus lábios, por que os achou tão chamativos? E por que pareciam tão fofos?


— Isso! Esse é o olhar! — exclamou Kris, tirando o maior de seu transe. — Até acreditei que você queria me beijar. — Riu, mas Chanyeol não.


— É só isso? — perguntou o mais alto na sua “inocência” de sempre.


— Claro que não. Junto com o olhar tem que vir o sorriso. Isso demonstra que você está feliz em beijá-la, mas tem que ser um sorriso sincero, não forçado. Garanto, dá pra perceber.


— Mas, e se eu não estiver feliz?


— Se você não está feliz, por que beijará Baekhee, então? Você está feliz que finalmente ela te notou?


A pergunta pegou o moreno pela culatra. De fato, Chanyeol ficou feliz por ter sido notado, mas, bem no fundo, não queria nada com Baekhee. Era estranho, não? Lutou para conseguir a atenção da garota, mas no fim não queria nada. O Park era um caso confuso dentre muitos.


— Não... sei... — confessou.


— Então por que quer aprender a beijar? Gosta de alguém? Homem? Mulher? Homem e mulher?


Chanyeol estava se sentindo estranho com o rumo da conversa. Por que Kris estava interessado nesse assunto? Estava sendo bem evasivo mesmo que fossem melhores amigos. O Park gostava de mulheres, óbvio, mas tinha uma leve e insignificante atração por homens.


— Enfim, qual é o próximo passo? — perguntou, mudando de assunto e Kris, entendendo que o amigo não falaria nada, resolveu continuar.


Suspirou fundo e colocou a mão no joelho do amigo.


— Toque a pessoa. — Chanyeol estremeceu com o toque do amigo. — Só continue se ela estiver à vontade, senão, se afaste. Por exemplo, você está bem tenso agora, por quê?


— É estranho um garoto me tocar assim, mesmo sendo você...


— Eu sou seu melhor amigo, ora. Já tomamos banhos juntos diversas vezes, por que eu te tocar seria estranho?


Kris não tirou a mão do joelho de Chanyeol, permaneceu com a mão onde estava e isso só o deixou mais nervoso.


— O próximo passo é se aproximar para o beijo. — Kris se aproximou de Chanyeol, mas este nem se moveu. Olhou para o chinês e percebeu que o amigo o olhava intensamente e, como havia dito, revezava o olhar entre seus olhos castanhos e seus lábios virgens. O melhor amigo queria beijá-lo?


O Wu tirou a mão das pernas do mais novo, sentou em seu colo e passou a acariciá-lo nos braços, carícias leves e sem malícia. Chanyeol sentia um nervosismo muito incomum, seu estômago estava borbulhando em um sentimento diferente. Não sabia descrever o que estava sentindo.


— Em seguida, você inclina sua cabeça. — Chanyeol seguiu as ordens e inclinou a cabeça no ângulo oposto em que Kris inclinava a sua. — E depois você fecha os olhos...


A completa escuridão dominava a visão do moreno e o escuro o deixava muito ansioso. No entanto, quando sentiu a leve pressão sobre seus lábios, seu nervosismo desapareceu. O estranho não era pensar que um garoto o estava beijando, mas que este garoto era seu melhor amigo.


No entanto, diferente do que pensava, o beijo não durou nem três segundos, deixando Chanyeol confuso, mas, no fundo, sedento por um pouco mais.


— Algumas pessoas costumam deixar a boca um pouco aberta — comentou, observando a expressão confusa do amigo.


— Por quê?


— Para a língua. Você sabe, né? — O mais novo concordou. — Quer tentar novamente? — Chanyeol abaixou o olhar, mas no segundo seguinte Yifan o obrigou a olhá-lo novamente. — Uma dica: use as mãos durante o beijo.


— Kris, eu quero... — o coração do nerdinho corria rápido em seu peito. Estava confuso, mas tinha uma certeza, queria continuar com a aula.


O Wu colocou uma das mãos na nuca de Chanyeol e o puxou para perto. O maior fitou os olhos escuros de Kris e constatou que o negro da íris combinava perfeitamente com o sorriso lindo do amigo. O amigo estava sorrindo, ele estava feliz?


Chanyeol fechou os olhos e deixou a boca um pouco aberta. Logo, sentiu os lábios de Kris e pouco tempo depois sentiu algo estranho invadindo sua boca. O nerdinho empurrou o mais velho, assustado.


— O que foi isso?! — meio perguntou, meio gritou.


— Minha língua — Riu.


O Wu limpou um pouco de baba que escorria pelo canto da boca de Chanyeol. Aproveitou para acariciá-lo e tentar lê-lo. Era curioso que o mais novo não tivesse o socado ou brigado, mas compactuou para que se beijassem. Se fosse um pouco mais “heterossexual”, provavelmente teria matado Kris por tê-lo beijado.


— Quero tentar novamente — pediu.


O mais velho riu.


— Você gostou de me beijar, foi? Se quisesse era só ter pedido antes. — Brincou, mas Chanyeol não riu. — Espera, você queria ter me beijado antes? — O moreno desviou o olhar.


Kris sorriu, de verdade, estava feliz. No fundo, sempre gostou de Chanyeol, mas acreditava que o amigo não gostava de garotos, então supria sua falta com outros garotos, mas o mais novo não precisava saber disso, por enquanto.


— Sua vez de ter iniciativa — falou Kris.


Chanyeol suspirou algumas vezes e encarou o amigo. Fez tudo que havia aprendido. Acariciou os braços de Kris, depois seu rosto e aproximou os rostos para o beijo. Pressionou os lábios contra os do Wu e levemente foi introduzindo sua língua. Para o Park era estranho e um pouco nojento tudo isso, a saliva e o toque das línguas, mas existia algo gostoso nisso, um sentimento bom, uma sensação boa.


O Park agarrou a cintura de Kris e apertou com força, mordeu e sugou os lábios aveludados do amigo em um ato quase casto. Na realidade, o nerdinho não sabia o que estava fazendo, mas sentia instintivamente que deveria fazer o que fez. E confirmando seu ato o amigo gemeu em seus lábios.


— O que foi isso? — perguntou Kris, ofegante e sorrindo.


— Foi bom? — perguntou o nerdinho, meio envergonhado. Estava extasiado com a sensação de beijar Kris. Mesmo achando meio nojento o ato de beijar em si, com o amigo parecia mais gostoso. Era normal que sentisse um calor absurdo naquele momento?


— Bom? Foi ótimo! — Sorriu em resposta. — Nem parece que é o seu primeiro beijo...


Kris ainda estava sentado no colo de Chanyeol e isso estava tornando a situação um pouco mais embaraçosa. O corpo do moreno estava respondendo aos estímulos provocados pelo outro, era uma sensação estranha e nova, mas muito boa e muito gostosa, e isso fazia o mais novo querer mais, muito mais. Fazia Chanyeol querer mais do amigo, mais beijos, mais toques, queria fitar os olhos escuros do amigo e apreciar seu sorriso magnífico.


É claro, o moreno ainda estava aprendendo, por exemplo, não sabia o que fazer com a baba e precisava aprender a utilizar mais a língua, mas era questão de tempo para que se tornasse um “expert”, afinal, o nerdinho aprendia rápido.


— Sabe... — comentou Chanyeol, passeando com as mãos pelos braços de Kris. — Acho que preciso aperfeiçoar mais meu beijo...


— É? — Kris perguntou em um tom sedutor. — Então, devemos praticar mais?

Chanyeol resolveu ser mais ousado. Empurrou o Wu para o lado e sentou em seu colo. Kris sorriu com a atitude do outro, não podia esperar por algo melhor. Sabia que o Park tinha um jeito dominador, só precisava de alguém que o ajudasse a descobrir tudo isso.


— E Baekhee? — resolveu perguntar.


— Dane-se, eu não quero mais beijá-la! — falou o mais novo, sorrindo.


— E quem você quer beijar?


Chanyeol não respondeu, seu ato seguinte revelou tudo. Agarrando o melhor amigo pela nuca, selou os lábios em um movimento rápido e deixou que o misto de sensações o dominasse. O moreno não estava mais confuso sobre seus gostos, sabia o que queria e do que gostava. Kris fez questão de mostrá-lo a verdade.


Esse foi o primeiro beijo de muitos. Chanyeol aprendeu com Kris a beijar, mas a maior lição que aprendeu foi que o amor pode estar no lugar que você menos espera. O nerdinho não esperava encontrar o amor no melhor amigo, mas, depois do pequeno tutorial, constatou que só ele poderia beijá-lo, que só Kris poderia tocá-lo em todas as partes que quisesse, que só Wu Yifan teria seu coração por completo e que só com ele pretendia construir um lar e ter sua própria família...


Aprendiam um com o outro, experimentavam novas sensações quase todo dia. Não havia ninguém que beijasse melhor que os dois e foi na praia, sob a luz do luar, que juraram que seriam eternos. E realmente foram.


E no fim desta história tanto Chanyeol quanto Kris se tornaram os mestres na arte mais inusitadas de todas: a arte do beijo!

8 de Diciembre de 2018 a las 15:38 0 Reporte Insertar 1
Fin

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