Between the Stars Seguir historia

sankdeepinside Lara Franco

Kim Minseok cresceu sonhando em um dia voar alto e ser astronauta. Contudo, quando seu sonho se concretiza, ele descobre que, entre as estrelas, há muito mais do que apenas escuridão. [KRISMIN | YOU ARE THE ONE]


Fanfiction Bandas/Cantantes No para niños menores de 13.

#exo #xiumin #krismin #yifan
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Capítulo único

Minseok se lembrava bem da primeira vez em que pensara em fazer uma viagem ao espaço. Ele tinha seis anos.

Os pais haviam levantado de madrugada para pegar a estrada e chegar a tempo do aniversário de casamento dos avós, que moravam em uma cidade afastada da grande metrópole que era Seoul.

Era quatro da manhã e a mãe carregava o pequeno Minseok ainda adormecido e de pijamas no colo, sem perceber que o garoto abrira os olhos e fitava com curiosidade a imensidão estrelada acima de si. Ele nunca havia reparado na quantidade de estrelas que brilhavam no céu e que de madrugada, quando todas as luzes da cidade estavam apagadas, pareciam brilhar de forma ainda mais esplendorosa.

Com a cabeça apoiada no ombro da mãe, ele perguntou em voz baixa:

- Mãe, você já viu uma estrela de perto?

- Não, querido, as estrelas estão muito distantes, no espaço. Só os astronautas veem estrelas de perto e ainda assim é muito longe.

Aquela resposta não foi a que a Minseok esperava receber, entretanto, ainda assim, foi o suficiente para fazer com que seu maior sonho tomasse forma.

Depois daquele dia, o quarto do pequeno Minseok aos poucos foi somando à decoração réplicas de foguetes, astronautas de plástico, pôsteres da lua e do herói Neil Armstrong. Ganhando maquetes do sistema solar e, alguns anos mais tarde, protótipos elaborados de equipamentos que poderiam ser de grande utilidade à tripulação de um ônibus espacial.

Quando comprou o próprio apartamento, a situação já estava um pouco pior e Minseok dividia a cama com livros de física quântica e treinamento espacial. Era tudo sobre o que ele falava: viajar ao espaço. Chegar o mais perto possível das estrelas era seu maior e mais importante sonho.

Em determinado momento de sua vida, ele descobrira que de perto, as estrelas nada mais eram do que matéria gasosa com um pequeno núcleo materializado, impossível de ser tocada. Entretanto, aquela descoberta não foi o suficiente para desanimá-lo em seus anseios, ele já era grande o suficiente para saber que o universo era fascinante por todos os seus elementos, independentemente de serem alcançáveis ou não ao toque humano.

O pequeno Kim Minseok crescera para ser astronauta e explorar a imensidão negra muito acima da atmosfera terrestre. Ele passara muitos anos afundado em livros e laboratórios, estudando mapas, planetas, órbitas e máquinas, apenas para que um dia pudesse tirar seus pés do planeta Terra e pousá-los em qualquer outro.

Aquela devia ser décima missão de Minseok como comandante, a décima oitava missão espacial tripulada como astronauta qualificado. Em toda sua vida, ele já havia visto muitas estrelas do mais perto possível que alguém poderia, mas como a própria mãe dissera, ainda era longe.

Entretanto, tocar em uma estrela era apenas um sonho infantil perto de toda a realidade que ele agora conhecia.

A espaçonave comandada por Minseok estava em uma missão de substituição de um telescópio espacial defeituoso na órbita do planeta anão de Eris. Era longe de seu planeta natal, muito longe. Até algum tempo atrás, a tecnologia não seria suficiente para ir tão distante sem que a nave ficasse desprovida de recursos, mas àquela altura, muito havia se avançado, especialmente no que dizia respeito às viagens espaciais.

Mesmo sem expressar em palavras, Minseok sabia que a tripulação estava ansiosa por aquela missão, era a primeira vez que uma equipe de astronautas iria tão longe para realizar a substituição de um telescópio defeituoso. Entretanto, era seu trabalho manter todos tranquilos e explicar inúmeras vezes o papel que deveria ser desempenhado por cada um para que a missão desse certo.

Alguns ali ainda tinham pouca experiência e o destino tão longínquo causava preocupação, mas todos confiavam no comandante Min. Ele já havia ido longe o suficiente numa vastidão de vezes suficientes para que todos prosseguissem sem entrar pânico.

A missão em Eris era simples: entrar na órbita, retirar o telescópio antigo que estranhamente havia paralisado suas funções e substituí-lo pelo novo. Fácil o suficiente na teoria.

Na teoria.

Minseok não podia dizer ao certo o que deu errado, já que poucos minutos após a primeira tentativa de substituição do telescópio, toda a espaçonave entrou em modo de emergência. Enquanto comandante, era trabalho dele descobrir o que havia dado errado, contudo seus olhos castanhos corriam apressadamente pelo relatório da nave e nada parecia fazer sentido.

Eram muitas falhas para serem solucionadas em tão pouco tempo. Todo o sistema estava em colapso, não dava sequer para escolher por onde tentar começar a reparar. O que mais perturbou o comandante Min foi a falta de um motivo. Podia ser algo relacionado à órbita de Eris? Algum tipo de componente? Todo o procedimento havia sido feito corretamente, as condições dos equipamentos e da segurança haviam sido checadas inúmeras vezes antes da autorização ser emitida. Não fazia sentido.

Não havia motivo para a falha completa no sistema. Contudo, Minseok não podia ficar ali parado, vendo sua nave ter uma pane completa. Com sua voz um pouco alterada, o comandante ordenou que todos se encaminhassem o mais rápido possível para a cápsula de escape da espaçonave.

Enquanto a tripulação se apressava para se salvar, Minseok emitia pedido de resgate para a base espacial. Foi nesse exato instante que seu olhar se prendeu em algo completamente inimaginável. As imagens das câmeras laterais da nave poderia estar com defeito também? Ou seria o pânico provocando alucinações? Não podia ter certeza, tampouco tinha tempo para averiguar, mas Minseok podia ter certeza que havia visto algo.

- Comandante Min! – O rádio comunicador em seu traje o despertara de seu pequeno devaneio. Um dos engenheiros de sua tripulação gritava em desespero para si. – Precisa entrar na cápsula imediatamente. Há algo... há........................

A comunicação foi cortada e a cápsula de emergência ejetada. Ejetada sem Minseok.

O comandante apertou freneticamente o botão da comunicação do traje, chamando desesperadamente por qualquer membro de sua tripulação em busca de resposta, contudo, não obteve nada além de ruídos ininteligíveis. Minseok entrou em pânico, desprendendo imediatamente o traje da fita de segurança e se lançando para fora da cabine, usando a falta de gravidade para flutuar o mais rápido que conseguisse até a segunda e última cápsula de emergência.

Seu coração batia veloz e os únicos sons que o acompanhavam era o de sua respiração entrecortada dentro do traje e das sirenes agudas de pane na nave. A cultura popular diz que o comandante sempre deve afundar com seu navio, Minseok tinha ciência daquilo. Provavelmente, se alguém lhe perguntasse como gostaria de morrer, ele talvez respondesse “entre as estrelas, é claro”, mas agora, em que aquilo parecia tão próximo de se tornar realidade, Kim Minseok não teve vergonha de admitir que estava repleto do mais puro e primitivo medo.

- Não vou morrer, não vou. – Falou baixo para si mesmo enquanto se atrapalhava com as travas de segurança da cápsula. Ele estava quase acreditando no próprio mantra, quando, para seu total desespero, tudo ficou escuro. O motor da nave foi subitamente desligado, toda a energia cortada e nem mesmo as luzes emergenciais se acionaram.

“Não, não, não, não, por favor, não”, choramingou mentalmente enquanto tentava mover qualquer controle. Nada estava funcionando. Teria apenas os recursos do traje para se manter por pouco tempo e então tudo estaria acabado, mas apenas se nada pior acontecesse.

Uma colisão forte fez com que Minseok fosse arremessado contra a porta travada diante de si. Ele se agarrou o quanto pode a ela, apertando os olhos no escuro, tentando não pensar que estava completamente à deriva no espaço, deixado para morrer na órbita do planeta anão mais distante do sistema solar. Do ponto mais longe possível de sua casa, de seus foguetes de plásticos e pôsteres repletos de inspirações e sonhos.

Mesmo com o som de sua respiração ecoando desenfreadamente pelo traje, Minseok não pode ignorar o som alto e agonizante de metal sendo raspado. Ele queria rir e dizer para si mesmo que havia sido uma colisão com algum lixo espacial ou algum fragmento da espaçonave se desprendendo e arrastando pelo casco, mas ele sabia. Ele havia visto.

Havia algo na nave.

Pior.

Havia alguém na nave. Ele não estava sozinho.

O som de algo se arrastando ficou mais alto e alguns poucos instantes depois, Minseok o viu. Com os olhos muito abertos e incapaz de sequer piscar, Minseok achou que estivesse delirando.

Era branco e esguio, com escamas prateadas que pareciam emitir luz própria, iluminando à escuridão do espaço ao seu redor. Tinha olhos pretos e pupilas amarelas. E, claro, um par de asas.

Ali, no meio do espaço, na órbita do pequeno Eris, o comandante Min se encontrou com um dragão.

Uma fração de segundos depois, ele perdeu consciência.

 

 

Minseok abriu os olhos e foi subitamente cegado pela luz, sendo obrigado a fechá-los logo em seguida. Ele logo percebeu que já não estava mais em sua nave e em sequência se deu conta de algo mais chocante: tinha gravidade. Depois de longos meses, ele enfim não estava flutuando no ar.

Também havia oxigênio, mas a quantidade pequena tornava o ato de respirar um pouco mais trabalhoso. Não era algo tão desconfortável para ele, que passara muitos anos em estações espaciais, lidando com condições especiais de respirar.

Também não estava com seu traje, apenas com a roupa que usava por baixo dele. Olhando ao redor, não havia nada além da pequena cama em que se encontrada. As paredes eram de metal chapado e diante de si, uma longa vidraça transparente. Parecia com uma prisão, uma jaula.

- Está acordado? – Uma voz desconhecida, grave e cheia de estática ecoou pelo pequeno dormitório em que Minseok se encontrava. Ele não respondeu. – Posso ver que está acordado. – A voz continuou, soando um tanto ameaçadora para o astronauta.

- Estou na Terra? – O comandante questionou vacilante.

Levou um instante para que obtivesse resposta.

- Não, você está em Disnomia, na lua de Éris. Não pude levá-lo para casa, me desculpe.

Minseok franziu o cenho. Como era possível que estivesse na lua de Éris? O planeta era longínquo e frio demais para qualquer ser humano suportar, tal qual suas redondezas. Havia alguma estação ali que não havia sido reportada? E o mais importante: como havia uma pessoa ali?

- Eu não compreendo...

- Eu o resgatei. – Estática – Sei que parece incompreensível para você agora, mas quanto menos souber, menos traumático isso pode ser. Descanse, passou muitos dias desacordado, achei... – a voz fez uma pequena pausa e sorriu envergonhada – achei que o tivesse matado quando o peguei.

Minseok se sentou sobre a cama, se sentindo completamente amedrontado com aquelas palavras.

- E minha tripulação? Fez algo com eles?

- Eles fugiram enquanto eu me aproximava, mas acho que estão vivos, eles não estavam no meu raio de alcance.

- Raio de alcance do quê?

Mais estática.

- É melhor que não saiba agora, acabou de acordar. Há uma mochila com tudo o que consegui pegar de sua nave, há muito com que pode se alimentar por um bom tempo. Ao menos... até eu saber o que fazer com você.

Minseok franziu os lábios.

- Se diz que me resgatou, por que estou preso?

- Porque dentro da cela é o único lugar que consigo fazer com que circule oxigênio. É projetada para abarcar prisioneiros de mais de 800 espécies, inclusive humanos, para sua sorte.

Humanos. Minseok engoliu seco, pensando seriamente se realmente gostaria de fazer a pergunta que faria logo a seguir.

­- V-v-v-você não é humano?

A estática ficou mais alta e Minseok sentiu um arrepio correr por toda sua espinha. Aquela voz grossa era assustadora, mas então o piloto se deu conta de que o dono da voz estava rindo.

- É claro que eu não sou humano. – Respondeu por fim, quase chorando de rir.

 

 

Minseok não teve mais paz após se dar conta de que era prisioneiro de um alienígena na parte mais fria, escura e afastada do sistema solar. A base na Terra a àquela altura já devia tê-lo dado como morto.

Não haveria resgate.

Ele nem mesmo fazia a menor ideia de como o alien poderia agir consigo, se era pacífico ou estava louco para engordá-lo e comê-lo no jantar. Ele nem mesmo poderia pensar em fugir, já que nem mesmo a atmosfera estava a seu favor.

Apesar de se considerar uma pessoa relativamente centrada, entrar em pânico parecia ser a solução mais sensata, afinal, quais eram suas chances ali? A mente do comandante estava a mil por hora, mas qualquer pensamento que tivesse sempre acabava em um beco sem saída.

Minseok então decidiu se sentar no chão, respirando fundo, tentando digerir um fato de cada vez. Vasculhou embaixo da cama e, como lhe fora dito, encontrou ali uma mochila repleta de suprimentos. Escolheu rapidamente algo entre as opções e se alimentou, tentando ao máximo não pensar em nada.

Ele se concentrou tão arduamente, que sequer percebera que não estava mais sozinho.

- Você tem uma mente interessante. – Daquela vez, a voz grave não saíra de caixas de som, pelo contrário, estava tão próxima, que Minseok sentiu todo o corpo gelar.

Ao erguer o olhar, o astronauta se deparou com um humano. Ou ao menos com a imagem de um.

Do lado de fora de sua “prisão”, um homem alto e esguio o fitava diretamente. Tinha cabelos escuros, lábios grossos e nariz longo, os olhos eram puxados, asiáticos, como os seus. Estava vestido com uma camiseta simples e jeans. Completamente normal, até mesmo um tanto bonito.

- Essa aparência o agrada? – Ele perguntou com um sorriso – Imaginei que seria mais fácil se me visse em uma forma semelhante.

Minseok não conseguiu pronunciar nada. Se mantendo estático, sem nem mesmo piscar.

- Você está em choque, não é mesmo? Eu devia ter mentido e dito que era humano, não é? Me desculpe.

- Você é o dragão, não é? – Minseok enfim questionou – Pensei que fosse coisa da minha cabeça, mas...

- Dragão? Eu não sou um dragão. – Ele fez uma pausa e olhou diretamente nos olhos de Minseok, que embora desejasse desviar o olhar, se viu hipnotizado por aquele cara. – Oh, isso é interessante. Em seu mundo eu sou uma criatura mitológica. Talvez algum ancestral meu vagou pelo seu planeta, por isso acredite que eu seja um dragão por sua história, mas eu não me chamo dragão. 

- Ah... – Foi tudo que Minseok conseguiu responder e mais uma vez o alienígena riu.

- Me desculpe, estou sozinho por muito tempo, não é sempre que tenho uma mente para ler e argumentar. – Ele riu sem graça e puxou uma cadeira, se sentando diante da vidraça que o separava do astronauta – Kim Minseok, é seu nome, não é mesmo?

- Sim. – Minseok franziu o cenho levemente – Você leu minha mente?

- Sim, mas seu nome eu descobri no seu uniforme.

- Mas c-como?

- Lendo. – O alien respondeu e por um instante Minseok o encarou descrente. Aquilo era uma piada?

- Não, quero dizer, o que é você? Como veio parar aqui? Quem é você? Por que não me matou? – Eram tantas perguntas que o astronauta subitamente sentiu toda a cabeça girar.

- Eu disse para não perguntar, não agora. Pode me chamar de Wu Yifan, dos meus nomes, é meu favorito. Você devia descansar um pouco mais, comer um pouco mais, não me parece bem.

Foi o que Minseok fez, ele se deitou novamente e caiu em sono profundo mais depressa do que imaginava.

Levou um certo tempo para que se acostumasse com a ideia de que o ser humano não estava sozinho no universo, que havia uma infinidade de outras espécies habitando planetas em outras galáxias e que poucas delas, segundo Yifan, eram verdes e com dedos brilhantes.

A espécie de Yifan era uma das mais antigas e temidas pelo universo (segundo o próprio Yifan), a maior parte dos habitantes dos outros planetas não gostava da sua espécie em função da habilidade de se transmutar nas mais diferentes aparências, podendo dissimular e invadir facilmente muitas nações.

Ele havia sido exilado em Éris após uma conspiração contra seu povo e um decreto de que todos de sua espécie deviam ser separados e impossibilitados de transitar entre os planetas.

- Mas como você vive? Não há nada aqui. Éris é feito de gelo, Disnomia nem mesmo é um planeta com vida. Não há nada que para ver ou viver aqui. É um pedaço escuro e sólido do sistema solar.

Minseok conversava com Yifan enquanto acrescentava água no suco em pó que seria sua bebida após o jantar. O alienígena, como nos dias anteriores, se mantinha sentado, fitando-o atentamente.

- Energia. – Respondeu – Eu me alimento de energia. Por isso sua nave entrou em pane, eu estava passando com muita fome. – Yifan riu sem jeito e Minseok acabou rindo junto.

A situação era tão absurda, bem como as coisas que o outro falava. Ás vezes o astronauta tinha certeza que estava em algum programa de TV sem lógica e pensar naquilo o fazia achar graça.

- Você comeu toda a energia da minha nave? Você devia ter mais cuidado com essas coisas!

- Me desculpe. Não é comum ter outras fontes de energia por aqui além das estrelas.

Minseok riu e Yifan achou o som de sua risada encantador.

- Você se alimenta de estrelas?

- Sim. – Yifan o observou arquear uma sobrancelha e levar a mistura do suco aos lábios. – Você quer saber como elas são de perto?

 Minseok agitou a cabeça em uma negativa. Sabia que era impossível para um ser humano se aproximar de uma estrela a ponto de tocá-la. Saber que um outro ser vivo tinha aquela habilidade era invejável e despertava sua curiosidade, entretanto ele não gostaria que a descrição do outro colocasse seu sonho infantil àbaixo.

- Prefiro que não descreva.

Yifan sorriu abertamente.

- Eu gosto de sua mente, Kim Minseok, ela é linda.

 

 

Minseok talvez desconfiasse que Yifan o observava durante o sono uma vez ou outra, mas jamais poderia imaginar que os olhos do outro estavam constantemente sobre si, em todos os momentos e ainda mais intensamente enquanto ele dormia.

Para Yifan, o humano era absolutamente fascinante. Desde o formato do corpo, os braços, pernas, olhos e boca, à mente e coração. A raça humana era extremamente frágil e ainda assim conseguia usar a mente para ir além de sua fragilidade.

Sua solidão também era um agravante. O exílio o tornara tão sedento por companhia que nos poucos momentos em que precisava se afastar de Minseok para lhe dar privacidade, Yifan se sentia desolado.

Mas a pior parte, ele sabia, era saber que não poderia tê-lo ao seu lado para sempre. Em breve ele voltaria a ser a alma solitária que sempre fora e aquilo o devastava por dentro. Por isso, ele dedicava horas inteiras a memorizar cada fragmento de Minseok, físicos e psicológicos, apenas para guardá-los com muito carinho dentro de si.

Era mais uma noite de observação para Yifan, quando ele notou aquela distorção na mente do astronauta. Minseok se debatia e murmurava durante o sono, algo que Yifan nunca havia presenciado. Levou alguns instantes para que ele percebesse que aquilo se tratava de um pesadelo. Um bem ruim.

O que mais assustou Yifan foi ver a si mesmo no sonho ruim de Minseok. Era algo irreal, já que o astronauta se imaginara despencando através da imensidão negra do universo em direção à boca de Wu Yifan, em sua forma original.

Aquilo o assustou e o entristeceu, mas ele logo percebeu que o astronauta não despertara e continuava agonizando sobre a cama. Foi naquele instante que Yifan tomou uma decisão arriscada, invadindo o pequeno cubículo de Minseok.

O oxigênio não era muito agradável para si, mas ele não hesitou, se aproximando rapidamente da cama, até parar subitamente, quando estava perto demais.

A pele clara do astronauta estava brilhante, salpicada com gotas de suor e seus lábios bem desenhados entreabertos, disparando palavras incompreensíveis.

Yifan queria tocá-lo, queria acalmá-lo, dizer que sim, ele poderia ir embora se quisesse, ele daria um jeito, mas ele percebeu que aquilo também o assustava.

Lentamente, se permitiu esticar o braço, tocando a ponta dos dedos nos cabelos negros e úmidos de suor do comandante.

- Está tudo bem, não tenha medo de mim, por favor. – Disse em voz baixa enquanto se ajoelhava na altura da cama, ficando próximo o suficiente para ver cada pequeno detalhe no rosto de piloto. – Não vou machucá-lo, não pense essas coisas.

Yifan se inclinou um pouco para frente, se debruçando sobre o tronco de Minseok e sentindo o calor de seu corpo tocar sua pele fria, ouvindo seu coração acelerando pulsando vivo e fronte.

- Acorde Kim Minseok, você está sonhando absurdos. – Ele tomou a mão do comandante na sua, percebendo a diferença de tamanho entre ambas. A sua era tão grande e grosseira, a dele era pequena e macia ao toque.

Ainda assim Minseok dormia e se apavorava. Talvez os longos anos vivendo em estações espaciais tornaram seu sono pesado e imperturbável por toques tão sutis. Por aquele motivo, Yifan decidiu agir um pouco mais drasticamente, fazendo uso das informações que já havia roubado da mente do astronauta e lhe tocando diretamente nos lábios com os próprios. Pressionando-os contra os seus, absorvendo o calor e a doçura que habitava a boca do humano, até vê-lo abrir os olhos.

Ao perceber que ele havia acordado, Yifan imediatamente recuou, envergonhando, mas aliviado.

- Você acordou.

- O que...?

- Você estava tendo um sonho ruim e nada que eu fiz te acordou, então... então... – Os olhos de Yifan se desviaram para o chão – Você tem medo de mim, comandante?

- Um pouco. – Minseok respondeu e viu uma ponta de tristeza nos olhos do outro, aquilo o surpreendeu. Ele engoliu seco e esticou a mão, tocando o rosto longilíneo de Yifan com carinho. – Nós sempre tememos o desconhecido Yifan, me perdoe, é parte da natureza humana.

- Entendo.

- Mas... se há algo que humanos sabem fazer muito bem é se adaptar, olhar além do medo e ver as coisas boas que podemos conhecer, embora nem todos saibam bem como fazer isso, é nossa maior qualidade, desde o princípio. Vencer o medo. – Minseok se sentou sobre a cama e estendeu as mãos para que Yifan se aproximasse e se sentasse ao seu lado. – Você é uma criatura doce, no fim das contas. Eu posso não compreendê-lo em sua totalidade, mas isso eu sei, você é bom, Wu Yifan.

- Eu o amo comandante Min, queria tê-lo ao meu lado para sempre. – O alienígena enfim confessou, sentindo um pequeno ardor em seus olhos, seriam lágrimas?

- Por quê está chorando? Pelo que sei, eu vou ficar aqui por muito tempo, ao menos até eu morrer de fome ou frio. – Riu sarcástico.

Entretanto, Yifan não riu de volta, agitando a cabeça em uma negativa.

- Não, Kim Minseok, eu vou levá-lo para casa, você já ficou tempo demais entre as estrelas.

- Hã? Pensei que tivesse dito que era impossível?

- Eu menti. – Yifan riu minimante. – Pode tocar seus lábios nos meus novamente? Como um beijo de adeus?

- Eu não entendo.

- Nunca disse que era para que entendesse. Por favor... apenas mais uma vez.

O comandante se esticou devagar, percebendo que Yifan o encarava com os olhos abertos, ele riu.

- Feche os olhos.

- Por quê?

- Apenas feche.

Yifan o obedeceu e foi docemente presenteado com a boca de Minseok sobre a sua, mas dessa vez tinha algo mais, havia as mãos mornas do astronauta tocando seu peito, subindo devagar até alcançarem sua nuca. Havia os lábios carnudos de Minseok sugando os seus de forma dolorosamente deliciosa. Também havia a língua, quente e úmida, abrindo caminho por sua boca, até tocar a própria língua tímida de Yifan e brincar com ela.

Aquele tipo de toque não se parecia com nada que Yifan já tivesse vivenciado e ele fez questão de memorizar cada pequeno gesto. Assim que Minseok separou suas bocas em busca de ar, Yifan repetiu o que havia feito no momento em que se encontrara com o humano e roubou para si quase toda sua energia, apagando-o complemente.

 

 

- Cheque o pulso! – Uma voz masculina falou distante.

- Está baixo, muito baixo.

- Como ele chegou aqui? Disseram que a nave estava apagada no outro lado do sistema solar.

- Acho que foi obra divina, só isso explica.

- Precisamos tirá-lo logo daqui, ele precisa de cuidados médicos.

Minseok gemeu enquanto sentia todo o corpo completamente fragilizado sendo movido.

- Yifan...

- Shhh, comandante, não se force, iremos cuidar bem do senhor.

- Onde ele está? – Perguntou ainda com os olhos fechados, sem força sequer para abri-los.

- Quem?

- O dragão.

- Pobrezinho, ele está alucinando. Vamos logo com isso, ele está muito fraco. 

- Por favor... – Minseok tentou perguntar, mas perdeu a consciência novamente.

- Durma capitão, você fez uma longa viagem, mas agora tudo acabou, você está em casa.

20 de Noviembre de 2018 a las 21:35 1 Reporte Insertar 1
Fin

Conoce al autor

Lara Franco Jornalista de 23 anos de idade e ficwriter desde os 15. Completamente apaixonada por Kim Junmyeon, Moon Taeil e tudo o que os rodeiam, defensora de Zhang Yixing e Kim Dongyoung, mantém um sonho secreto de povoar o site com fanfics SuLay, 2Ho e Doil. Milita a favor do fim da guerra entre ships e sonha com o dia em que os couples flops irão dominar o mundo.

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Anna Luisa Anna Luisa
Essa one ficou incrível demais, amei muito <3, beijos :3
21 de Noviembre de 2018 a las 09:47
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