Amor na sacada Seguir historia

abruxakatty Kathelyn Illustra

"Com licença moça, mas o ladrão aqui sou eu. Não tem o direito de roubar meu coração" "Quem canta os males espanta, garoto" "Calma... shh... ele não mereceu você" "Não fica assim, tá bom? Nós estamos aqui..." "Bem... passado é passado, e deve continuar seu caminho" "É TUDO SUA CULPA!" A vista é tão linda daqui de cima... (História também disponível no Wattpad)


Fanfiction Juegos No para niños menores de 13. © Os personagens dessa história não me pertencem, mas a história em si pertence. Favor não plagiar

#SuicídioNãoÉAÚnicaSaída #rivertale #cherryberry #moçasaiadasacada #sanscest #undertale #underswap #underfell #universoalternativo #humanverse
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Moça, sai da sacada!


Se fossem dar o prêmio de oficial mais baixo da polícia de Ebbot City, dariam à Blueberry Popelevencorn. Com um metro e trinta e cinco centímetros de altura, cabelos prateados que geralmente ficavam presos em maria-chiquinhas, coques e rabos-de-cavalo e chegavam à sua cintura, grandes olhos azuis que brilhavam e um ar angelical porém determinado seria uma boa descrição da policial. Ela tinha duas parceiras na polícia, também baixinhas mas bem mais altas que si mesma, Ink Comyet e Dream Joku, e eram também suas melhores amigas. Seu irmão mais velho, Carrot, trabalhava junto das garotas na delegacia e tentava ao máximo cuidar muito bem de sua irmãzinha pura, inocente, determinada e bondosa. Obviamente, todos os amigos de Blue protegiam ao máximo sua inocência mesmo sendo uma oficial com um trabalho muito importante que sempre realizava com bons níveis mesmo com seu tamanho que a fazia parecer uma menina de oito anos de idade com uma roupa de policial e licença para usar uma arma.


O dia começou como outro qualquer. Blue bateu na porta de seu irmão mais velho para acordá-lo como de costume e depois desceu para a cozinha para beber uma caneca de café misturado com leite.

Não demorou muito e o homem alto, cabelos brancos bagunçados, olhos laranjas penetrantes e a barba já por fazer entrou no cômodo se espreguiçando.

- Bom dia, Papy. - cumprimentou a menor com sua animação de sempre enquanto punha algumas gotas de adoçante à sua bebida quente.

- B-b-b-bom dia, Blue. - disse Carrot não contendo um bocejo, pois apesar de ser um dos melhores policiais da cidade, também tinha a fama de ser um tremendo preguiçoso. - Dormiu bem?

- Muito bem, obrigada. Eu tinha mesmo que descansar, afinal, hoje irei ir atrás de integrantes da quadrilha da operação Rubrite.

Carrot, que bebia uma quantidade generosa de café, pousou sua caneca na mesa e deu um longo suspiro, tomando coragem para olhar nos olhos da caçula e dizendo:

- Blue, eu vou sincero. Eu não acho que deva sair em campo com a operação Rubrite.

- Mas... por que não? - perguntou olhando sem nenhum sorriso e o ar tristonho. "Ah, ótimo, muito bem Carrot, seu idiota", pensou Carrot olhando para a caçula. Respirou fundo e soltou o que tinha tirado seu sono:

- Blue... a quadrilha Rubrite é uma das mais perigosas da cidade. Ir atrás de integrantes dela é muito perigoso. Não que eu não ache que você é forte o suficiente para isso, mas entenda, não quero se machuque e...

Não conseguia mais falar. Aquele peso nas costas, aquela preocupação fraternal, não iria preocupar sua irmãzinha com aquilo tudo. Mesmo sentindo que não era uma boa ideia ela ir, não sabia mais o que fazer.

Blue se levantou, levou as canecas na pia e voltou para abraçar o mais velho, que retribuiu. A menor aspirou o cheiro de cigarro que o irmão tinha por alguns segundos até dizer:

- Papy, vai ficar tudo bem, okay? Eu vou me cuidar.

Obviamente Carrot não acreditou nessas palavras. Mas confiou em Blue, tinha que confiar.

- 'Tá bom. Vamos, temos que ir trabalhar. Eu lavo a louça. - murmurou separando do abraço e se levantando indo em direção à pia. Blueberry suspirou e foi se trocar com vários pensamentos rondando-lhe a cabeça.


O som do lápis batendo contra a mesa em um tique nervoso era o que por vezes irritava os outros oficiais, mas Ink nunca ligou para isso. Um metro e cinquenta e seis de altura, cabelos brancos presos em um coque bagunçado, sardas que não se destacavam tanto em seu rosto com a costumeira marca de nascença que lembrava uma sujeira de tinta. Outra coisa que sempre chamava atenção além do comportamento brincalhão, amigável e objetivo era o fato de Ink possuir heterocromia ocular; ou seja, seus olhos eram de cores diferentes, um castanho e outro azul.

A policial e artista na internet nas horas vagas olhou com um sorriso de canto para uma de suas parceiras, Dream. Um metro e cinquenta e quatro, olhos e cabelos dourados, sua aura de positividade e conhecimento em psicologia humana podia-se ser muito útil, principalmente em um interrogatório. Sorriu de volta e se sentou na cadeira defronte à mesa da parceira.

- Bom dia, Ink. - cumprimentou ainda sorrindo.

- Bom dia, Dream. - disse se endireitando e parando de batucar o lápis. - Como está o Nightmare?

Nightmare, o ex-chefe de quadrilha e irmão gêmeo mais velho de Dream. Depois de anos fazendo terapia, estava fazendo direito em uma das faculdades de direito mais bem vistas do mundo, em Stanford.

- Bem, até me mandou um e-mail ontem. - respondeu simples, mas ficando com uma feição preocupada olhando para os lados antes de murmurar: - Olha, sobre o que nós duas falamos no telefone...

- Também acho que a Blue não deveria se arriscar assim, mas o que podemos fazer? Ela vai fazer esta missão de um jeito ou de outro. - o tom de Ink era um de derrota. Por que a baixinha tinha que ser tão teimosa?! Olhou para o lado quando os irmãos Pipoca (como gostava de chamar a ambos devido ao "pop" e o "corn" no sobrenome dos irmãos) entraram e se aproximaram das duas.

- Falando no diabo...

- Bom dia, gente! - exclamou Blue com sua animação habitual.

- 'dia. - disse Carrot bem menos empolgado que a caçula.

As garotas devolveram o cumprimento e Carrot não demorou a ir para sua mesa, que era afastada das garotas mas ao menos conseguia pôr um olho nas três.

- Enfim Blue, 'tá ansiosa para sua missão? - perguntou Ink.

- Mais do que ansiosa! - respondeu ainda animada.

- Só queremos que tome cuidado, okay? - ser direta e sincera era um dos fortes de Ink, mesmo que às vezes suas amigas eram as "vítimas".

Okay, eu vou me cuidar.


Blue não se irritou com aquela superproteção toda. Amava seus amigos e família o suficiente para saber que eles apenas queriam seu bem, por mais que estivesse preparada para a tal missão. Mas enquanto terminava de afivelar o cinto já dentro do carro, sentiu um arrepio estranho que a fez segurar forte o pingente de um colar que sua mãe lhe dera quando pequena. Era azul e tinha um desenho preto, rosa e roxo que lembrava uma borboleta, além disto lembrava uma pequena pedrinha de um rio. Chamar de "amuleto" não seria incorreto, pois sempre a lembrava que estaria sendo guardada por sua mãe. Respirou fundo e rezou baixo, depois soltou o colar e ligou a viatura saindo do estacionamento e partindo em direção à onde poderia encontrar algum meliante da quadrilha Rubrite.

Dirigiu discreta no bairro onde se via várias olhares direcionados à si, mas procurando algum símbolo, algo que caracterizasse o máximo possível alguém da Rubrite. E encontrou um cara qualquer usando jaqueta de couro com alguns espinhos e um "R" em pedras vermelhas discreto. Arregalou levemente os olhos, pois aquele "R" era exatamente o que procurava!

Estacionou e saiu do carro indo rápido até o homem de jaqueta, com passos fortes e determinados.

- Ei, senhor! O senhor de jaqueta preta e cabelos morenos! - disse alto já a dois passos do homem descrito. O mesmo olhou para Blue, o que a fez estacar por breves segundos ao olhar naqueles olhos vermelhos que possuíam um ar de maldade com apenas uma sobrancelha erguida enquanto olhava a garota. Aqueles mesmos olhos a olharam de cima a baixo e deu um sorriso de canto que mostrava melhor o canino de ouro um pouco grande mas... que aumentava seu charme?

- Own, que gracinha, uma menininha brincando de policial. - disse com um pequeno tom de deboche. Além de Blue corar um pouco também inflou as bochechas e se empertigou olhando séria para o maior.

- Senhor, por favor, não sou uma menininha e muito menos estou brincando de policial. Sou a oficial Popelevencorn, da polícia de Ebbot City, e apenas quero que me acompanhe, se não se importa.

As sobrancelhas do desconhecido se ergueram com um pequeno espanto. Ouvira falar bastante de um oficial Popelevencorn, que solucionava crimes e trabalhava na polícia da cidade, e se fosse mesmo o mesmo oficial, estava em apuros.

- Bem... pensei que fosse homem. E mais... alta. - confessou olhando a oficial de cima a baixo novamente. Blue simplesmente corou mais ofendida.

- Isto é uma calúnia! Não é porque eu sou um pouco baixa que não posso fazer meu trabalho! - mal o maior se aliviou internamente pela mesma não ser feminista... - E o que tem a ver ser policial e ser mulher?! Por acaso acha que não posso ter porte de arma durante a TPM se não atiro em qualquer um???

- Nada não, só que ouvi falar de um oficial Popelevencorn e pensei no estereótipo de policial homem alto! - ergueu as mãos se afastando um pouco da menor. Sentiu que tinha falado demais quando a mesma deu um sorriso vitorioso com os braços cruzados e o peito estufado.

- E como sabe que tem um oficial Popelevencorn no sistema? - tinha conseguido encurralar o homem, agora faltava pouco para uma confissão ou então para levá-lo à delegacia e conseguir a confissão. De qualquer modo, tinha conseguido boa parte de seu objetivo.

- Eu... não acho que isto seja da sua conta, então é melhor ir embora, ô baixinha.

- Eu não sou baixinha! Apenas não tenho a mesma altura que você!

- Pois é, dá para ver, vou ficar com dor no pescoço só de olhar no seu rostinho fofo de bebê. - cutucou o nariz de Blue ainda zombando da garota, que simplesmente abaixou a cabeça. - Que foi agora?

A menor levantou a cabeça com os olhos marejados e com cara de choro, e aquilo partiu o coração do homem. "Ela vai chorar? Ah, cara... ela vai chorar. Meu Deus, que fofura... mas e se ela chorar? Ai meu Deus, ai meu Deus, ai meu Deus, ai meu Deus, ai meu Deus...", pensava entrando em desespero quando uma lágrima saiu dos grandes e belos olhos azuis e soltou um soluço. Olhou para os lados vendo gente olhando na direção dos dois e tomou uma decisão drástica.

- Não chora! É sério, fica quieta ou eu te calo à força! - ameaçou baixo o suficiente para apenas Blue ouvir, mas só piorou a situação; mais lágrimas saíram e os soluços aumentaram, junto dos olhares para os dois. - Eu te avisei.

Se abaixou, pegou a menor no colo e a pôs ao ombro saindo andando até a viatura. Levou vários tapas e socos no trajeto mas abriu a porta de trás e a colocou à força entrando na frente e começando a dirigir. "Por que ela está tão quieta?", pensou olhando pelo retrovisor e vendo que, mesmo tendo parado de chorar, ainda soltava um soluço ou outro. Desviou o olhar ainda dirigindo e entrando em outro bairro respirando fundo.

Blue estava quase deitada no banco de trás olhando rápido para o desconhecido muito quieta. Pegou o rádio no cinto e o ligou sussurrando:

Dream? Responda!

- "Blue? 'Tá tudo bem? Aconteceu alguma coisa?" - perguntou a amiga também falando baixo e preocupada.

Sequestro-relâmpago, sem querer acabei abaixando a guarda e um suspeito me botou dentro da viatura e agora estamos indo para um endereço desconhecido.

- "Ai meu Deus... calma, por favor, preciso de um ponto de referência ou então algum nome..."

Acha que eu não 'tô vendo?! Dá isso aqui! - exclamou o homem de repente ainda dirigindo e tirou uma parte da grade tentando alcançar o rádio. Blue encolheu máximo que pôde contra o banco vendo uma placa com o nome da rua.

- ESTAMOS NA RUA DAS CAPIVARAS, POR FAVOR VEM RÁPIDO! - gritou antes do rádio ser pego e desligado. Soltou um soluço respirando rápido, estava realmente assustada. O desconhecido não olhou para a menor arrumando a grade e voltando a olhar a estrada.

- Boa tentativa, mas cala a boca. - disse virando uma esquina. Não falaram mais nada até ele estacionar perto de uma casa qualquer e o maior ir no banco de trás.

- F-fica longe de mim! - exclamou a policial se afastando do maior que apenas segurou em um pedaço da roupa da mesma e rasgou.

- Já mandei calar a boca. - disse entre dentes tampando os olhos da menor e a puxando para fora pegando novamente no colo. - Só fica quieta, 'tá bom? - repetiu mais baixo entrando na casa. Blue não fez nenhum barulho com medo do que poderia acontecer, pensando também se a ajuda estava a caminho.

Por mais que Blueberry não visse, tinha muitas pessoas naquele cômodo, homens e mulheres. Alguns polindo as armas, outros jogando algum jogo de azar ou apenas conversando. Um homem qualquer de cabelos rastafári e segurando uma arma de longo alcance olhou desconfiado para o moreno que ainda segurava a policial no colo.

- Onde 'cê 'tava, cara? Quase te meti bala achando que era algum 'rapa! Mano, o que 'cê aprontou e quem é a garota? - emendou olhando para Blue, que continuava quieta no colo do homem.

- Ela não vai dar problema. Agora, todo mundo fica de olho aberto, chamaram reforços. - gritou para o resto das pessoas no cômodo e foi para outro, onde tinha mais pessoas suspeitas, dentre elas um homem alto, cabelos morenos raspados de um lado, e uma cicatriz no olho que era de uma cor vermelho-vinho. As roupas eram de couro e usava um cachecol vermelho com alguns rasgos.

- Hum? Fell, quem é a garota? - perguntou o mais alto olhando para a policial.

- Não se preocupe Chefe, ela não dará problemas. Não aqui. - assegurou colocando a menor sentada no chão e amarrando suas mãos logo em seguida. - Ela é policial, mas já mandei o pessoal ficar alerta se aparecer reforços.

- SEU IMBECIL! POR QUE TROUXE UMA POLICIAL LOGO NO ESCONDERIJO?! - berrou o homem que devia ser chamado de "Chefe".

- AH, NÃO COMEÇA! CONSEGUI TRAZER ELA PARA CÁ SEM PROBLEMAS E TALVEZ ATÉ SEJA ÚTIL! - gritou de volta o homem que sequestrou Blue.

- FELL, VOCÊ ENLOUQUECEU DE VEZ?! E SE...

- CHEFE, PELO MENOS UMA VEZ, CALA A BOCA E ESCUTA!

Blueberry aproveitava seu silêncio e situação para juntar o máximo de informações possíveis. Já sabia o nome do homem que a sequestrara, mais um pouco e poderia confirmar que era da Rubrite. Teve sua venda improvisada retirada olhando o cômodo com o máximo de disfarce que podia juntar. As janelas estavam tampadas, e tinha várias cadeiras. Em uma delas, havia o tal Fell sentado. Chefe estava na cadeira ao lado olhando com um ar de quem falasse "Isso não vai dar certo, 'tô falando". Ainda tinha outras pessoas, todas com uma jaqueta com o "R" de pedrinhas. Voltou seu olhar para o moreno com o canino de ouro já armando um plano na cabeça.

- Acho que não faz mal nos apresentarmos corretamente. Meu nome é Fell, este aqui é o Edge, meu irmão. E qual seu primeiro nome, oficial Popelevencorn?

Apenas seu sobrenome sendo dito trouxe vários murmuros e olhares bons e ruins. Blue apenas continuou olhando Fell com calma e sua inocência natural; um ótimo truque para conseguir alguma coisa como um biscoito antes do almoço.

- Blueberry, meu nome é Blueberry. - disse ainda olhando o maior. Fell corou de leve involuntariamente, por Deus, que coisa fofa! Aquela vozinha de fada... Não! Foco!

Mirtilo, eh? - repetiu dando um sorriso de lado.

- Mamãe que me batizou, ela adorava a hortinha que construiu no quintal de casa com meu pai depois de se casarem... - abaixou a cabeça lembrando do brilho de saudade nos olhos do pai quando contou sobre a horta na casa em que passou a infância. O maior se levantou e andou até a policial.

- Você não 'tá na casa da mamãe, Mirtilo. Você está em um lugar onde vamos estragar esse rostinho bonito se não se comportar. - se agachou e levantou o queixo da menor e olhou cada detalhe do rosto da mesma. Desde os grandes e brilhantes olhos azuis, as bochechas gordinhas e a boca; seu olhar parou naquela pequena boca rosada e os lábios lembrando um pequeno coração. Lambeu do jeito mais discreto que pôde os próprios lábios, não sendo percebido por mais ninguém além de Blue que tomou a decisão mais louca de toda sua vida.

Segurou na jaqueta do maior e o beijou.

Fell ficou surpreso, tanto pelo ato inesperado quanto pela sensação do beijo. Era como se estivesse no céu, nunca nenhum beijo havia lhe dado aquela sensação. Nem percebeu que a menor tinha se levantado ainda o beijando nem que conseguira soltar as mãos.

Blue se separou do beijo muito corada mas dando uma joelhada certeira no queixo de Fell e correndo rápido até o outro cômodo. Os tiros não a acertavam, e ela não olhava para trás. Desviava dos obstáculos com agilidade e quebrou a janela ao pular na mesma. Se levantou ignorando por completo os cacos de vidro e os gritos correndo sem parar pela rua até ouvir uma buzina e um carro da polícia parar de supetão em sua frente.

- AI MEU CORAÇÃO! BLUE! - gritou Ink saindo do carro e correndo até a menor do trio. - Você 'tá bem? 'Tá machucada? O que fizeram com você? Ah, Blue... - a maior abraçou a amiga que também foi abraçada por Dream, que estava sem palavras. Apenas abraçou de volta e entraram na viatura indo para a delegacia enquanto Blue contava tudo o que acontecera desde de ter avistado Fell à sua fuga.

As outras ficaram em silêncio enquanto a menor falava, muito sérias. Então Blue finalmente chegou na parte da fuga:

- Não via outra alternativa, então aproveitei que ele estava perto e o puxei pela jaqueta e... - parou de repente de falar e começou a corar. Desde que tinha saído de onde julgou ser a base dos Rubrite, não parara para pensar no beijo que roubou de Fell. Aquele fora seu primeiro beijo! Ah, o que Carrot, Ink e Dream iriam dizer? Então lembrou-se do gosto azedo de mostarda dos lábios do maior e de seu cheiro de lavanda.

Dream olhou para a amiga percebendo seu estranho rubor. Falou baixo pedindo para a mesma continuar:

- E...? - Blue abaixou a cabeça brincando com os próprios dedos. Murmurou:

- O atordoei.

- Como?

- Prometem que não vão contar 'pro Papy?

- Prometemos. - disseram em coro. Viram o olhar de Blue. Fizeram um sinal de triângulo sob onde era o peito esquerdo. - De coração.

- ... eu beijei ele.

Ink quase bateu no carro da frente de susto. Ela e Dream olharam estupefatas para a menor que se encolhera no banco de trás.

- VOCÊ O QUÊ?! - gritou a de olhos heterocrômicos.

- Beijei ele... - sussurrou se encolhendo mais.

- Mas Blue... Você nunca tinha beijado ninguém antes, certo?

- Não, foi meu primeiro beijo... foi como se tivesse apenas nós dois lá por alguns segundos... - voltou a corar sem perceber que sorria boba ao se lembrar novamente do beijo.

- Que lindo, 'xonou no "Zé Droguinha" no primeiro beijo. - comentou Ink seca voltando a dirigir.

- Não falem para o Papy, por favor!

- Não vamos falar, não fica preocupada. - consolou Dream voltando a olhar para frente.


Se passaram duas semanas após o ocorrido. Mesmo tendo sofrido perigo, Blue informou tudo que conseguira juntar sobre a Rubrite. O esconderijo foi encontrado, e quase vazio. Poucos integrantes que ficaram para trás foram presos e iam sendo interrogados.

Mereciam aquele final de semana de folga, ao final das contas. Ink, Dream, Swandy, Blue e Carrot reunidos na casa dos irmãos vendo animes e comendo besteiras. A menor ali se levantou e pegou um casaco dizendo que iria apenas dar uma volta.

- Toma cuidado. - pediu o mais velho para a garota que já saía pela porta. Sorriu e assegurou:

- Vou tomar.

Começou a andar pelas ruas do bairro, sentindo a brisa gelada bater em seu rosto enquanto relembrava mais uma vez daquele beijo. Não era sua culpa que não conseguia esquecer; quem esqueceria o primeiro beijo?

Nem sabia que Fell Alonso, chefe da Rubrite, também não conseguia esquecer. Maldita policial que beijava como um anjo! Fell não dormia, não conseguia comer nada, e nem mesmo fumando conseguia esquecer a tal "oficial Mirtilo".

- Ah, quer saber? 'Tô saindo! - exclamou irritado pegando sua jaqueta e saindo antes de alguém o impedir. Bufou andando sem rumo até chegar em uma quermesse na praça central da cidade; o prefeito estava tentando reproduzir uma daquelas "Festas Juninas" que ocorriam no Brasil. Obviamente, nada superava o São João brasileiro, mas até que estava perto da autenticidade.

Andou olhando para algumas barracas de jogos e quitutes pensando novamente na policial; foi trago de volta à realidade quando trombou com tudo em uma garotinha de gorro e cabelos prateados.

- Olha por onde anda. - resmungou olhando a menina e tendo uma surpresa: a "garotinha" era uma Blueberry inflando as bochechas gorduchas corada e olhando brava para o maior. Pela expressão que fez depois, estava tão surpresa quanto Fell. O moreno tossiu e sorriu debochado olhando para a menor: - Ora, ora, ora... Se não é a oficial Popelevencorn. O que faz aqui sozinha? 

- Andando sozinha e armada. E você, está doidinho para ser preso, não? - respondeu ficando nas pontas dos pés calçados em botas olhando determinada nos olhos vermelhos que devolviam com um olhar convencido.

- Nem se pode mais aproveitar uma quermesse como um cidadão honesto e comum nesta cidade. - brincou fingindo estar ofendido.

- Tenho meus motivos para estar desconfiada.

- E quais seriam?

- Você é um criminoso, me sequestrou e ainda por cima... - parou de falar olhando desviando o olhar e o rubor preenchendo suas bochechas. Fell abriu um sorrisinho e se curvou aproximando seu rosto do rosto da menor.

- "E ainda por cima..."? - repetiu provocando. Blue brincou com os dedos sussurrando:

Roubou meu primeiro beijo...

Fell sentiu o rosto esquentando; afastou-se um pouco se endireitando e provocando com ar de deboche:

- Quem roubou um beijo de quem aqui foi vocêMirtilo.

Nani?! - exclamou em japonês olhando o maior.

- Isso mesmo. Você quem me beijou.

- M-mas foi meu primeiro beijo!

- Que gracinha, perdeu o BV comigo foi?

- Seu... seu... baka!

Fell riu, mas parou dando uma exclamação de dor ao sentir um chute em seu joelho.

- Sua peste filha de uma... Agora você vai ver só! - levantou do jeito que pôde vendo Blue correr. Correu atrás com um pouco de dificuldade tanto pela perna machucada quanto pela multidão. Pensou ter perdido a policial de vista quando viu a mesma sentada em um dos bancos da praça ofegante.

Aproximou-se em silêncio por trás e a agarrou fazendo cócegas. A menor gritou de susto começando a rir em desespero, dando uma cotovelada no estômago do maior que caiu sem ar no chão ainda segurando Blue.

- Me solta! - mandou se desvencilhando e levantando vendo o estado de Fell. Levou as mãos à boca e se ajoelhou ao lado do moreno. - Me desculpa! Eu não queria... eu bati muito forte?

Bateu muito forte?! Cara... - o maior ofegou tentando recuperar o ar. Blue o fez sentar no banco e correu. - Que maravilha...

Bufou olhando para o céu escuro com uma estrela aqui e ali. Levou um susto quando viu a albina se aproximar com um copo de refrigerante e um par de meias.

- Mas que porra é essa?! - exclamou quando ela sentou ao lado de si e abriu a tampa do refrigerante pegando olhando gelo dentro. A outra olhou inocente e confusa para o maior.

- O que é porra? - perguntou.

- 'Tá zoando, né?

- Não. - disse pegando uma das meias e pondo o gelo dentro. - Aqui, vai ajudar com a dor.

Adentrou a camisa do maior pondo a meia com gelo onde dera a cotovelada. O mesmo grunhiu meio incomodado mas deixou corando.

- Melhor? - indagou olhando preocupada para o moreno.

- Já fiz curativos piores. - confessou segurando a meia do lugar. Blue tirou a mão olhando para o outro lado. - Mas valeu pelo gelo.

- Não há de quê. Aproveita que estou de folga e não posso te dar voz de prisão. - brincou dando um meio sorriso.

- Vou aproveitar. - sorriu de volta. Blue se levantou tampando o refrigerante e deixando a meia do lado levantando.

- Eu tenho que ir, meus amigos e meu irmão devem estar preocupados. Tchau, Fell. - sorriu se afastando enquanto dava um pequeno aceno.

- Tchau, Mirtilo... - viu um lenço azul caindo do bolso da policial e se apressou em levantar e pegar o pano. - EI! ESPERA!

- O que foi? - perguntou olhando.

- Seu lenço, senhorita. - brincou com um tom de voz formal pegando o lenço.

- Oh, obrigada senhor. - em resposta à brincadeira colocou um pedaço do cabelo para cobrir o rosto. Nem parecia mais que eram dois inimigos declarados; lembravam dois amigos que adoravam brincar um com o outro. Algumas pessoas olhavam e riam do "casal".

Blue por fim pegou o lenço e o reembolsou no bolso dando um "tchauzinho" para o maior indo embora. Fell soltou um suspiro sorrindo para a albina. Mal sabia que após aquele encontro teria outro, e mais outro, e mais outro. No quinto encontro, a oficial teve a surpresa de ser pedida em namoro pelo líder de quadrilha.


- VOCÊ ESTÁ BRINCANDO! - gritou Ink quando a amiga contou do pedido. Ela e Dream sabiam desses encontros e nunca falavam nada para ninguém. As três estavam no apartamento da maior, onde vestiam pijamas e o lugar arrumado para uma festinha de pijama - via-se uma pequena bagunça à um canto onde várias telas cheias de rascunhos estavam cobertas por um pano, pincéis, latinhas de tinta e uma câmera (Ink costumava postar várias speedpaints em seu canal no SheepTube).

- E o que você respondeu??? - perguntou Dream ansiosa.

Eu aceitei. - sussurrou com o rubor no rosto se intensificando enquanto abraçava o travesseiro com um sorriso bobo.

- Ah, pelo amor de... qual o nome daquela santa lá da sua tia? - indagou a de olhos heterocrômicos.

- Nirágua. E ela não é uma santa, é um tipo de divindade. Além disso, pensei que você era cristã. - respondeu Blue franzindo a testa para a amiga, que apenas deu de ombros.

- E agora? Como seu irmão vai reagir??? - murmurou Dream.

- Ele... não sabe.

- Por quê?!

- Porque ele vai mandar prender o Cherry quando descobrir!

Cherry? - repetiram as maiores em coro.

- Eu apelidei o Fell de "Cherry".

A menor ali não gostou muito dos olhares que as amigas trocaram. Porém, mal abrira a boca e Ink falou:

- Não vamos contar nada para o Carrot. - deu um sorriso sapeca. - Mas com uma condição.

- Que condição?

- Dar a ele um de seus tacos caseiros.

- Mas e se ele não gostar? - fez um bico.

- Todos gostam dos seus tacos, Berry. - aquela era uma grande mentira. Definitivamente, os tacos caseiros de Blueberry eram por vezes dados como castigo para os presos mal comportados; ela não sabia, obviamente, ninguém dizia que os tacos dela eram horríveis. - Se ele recusar, é porque não tem bom gosto.

"Ou não quer ter uma infecção alimentar", pensou vendo a menor concordando com a cabeça.

- Até a Cross Jakei gosta dos seus tacos, Blue. - comentou Dream. Cross era ex namorada de seu irmão Nightmare, amiga e colega de trabalho do trio. Se pudesse ser possível, ela era ainda mais baixinha que Blueberry.

- E das suas tortas de caramelo e canela, Dream. - acrescentou a artista com um sorriso de canto.

- E dos seus chocolates, Ink. - disse Blue rindo. Passaram o resto da noite vendo animes, comendo besteiras e zoando como boas amigas. Às duas da manhã, praticamente capotaram nos colchões de tanto sono. Por não estar tão cansada, Blue pegou o celular e deu uma olhada em sua conversa no Owlapp com Fell e vendo que ele estava online. Como a namorada que não desconfia do seu namorado que ela não é, mandou uma mensagem.


Você: "Oi Cherry. Ainda está acordado?"
CherryS2: "Estou. E você? Por que está acordada?"
Você: "Sem muito sono. E por que você está acordado?"
CherryS2: "Apenas resolvendo algumas coisas com meu pessoal, nada demais"
Você: "Apenas pessoas do seu 'trabalho' ou tem coisas além?"
CherryS2: "Só trabalho. Por que fica insistindo nisso?"
Você: "Não estou julgando você, Cherry. Só... desculpa"


O moreno que estava a quilômetros de distância, sentando em uma viga enferrujada, pensou durante algum tempo enquanto encarava o nome do contato da oficial. Lembrou-se de quando, de uma forma quase possessiva, abraçava seu braço e lançava um olhar assustador para qualquer garota que olhasse com interesse para Fell, antes mesmo de pedi-la em namoro. Quase deu um tapa na testa ao perceber que eram ciúmes - e tinha sempre a possibilidade de Blue pensar que Fell estava com alguma outra garota.


Ángel<3: "Tem mais alguém aí?"
Você: "Tem só umas garotas"
Ángel<3: "São bonitas?"
Você: "Só tem uma garota que acho que é a perfeição personificada"
Ángel<3: "Quem???"


Blue sentiu uma fisgada familiar de ciúmes, mais um receio que apertava seu coração. Leu as próximas mensagens ansiosa.


CherryS2: "Ela é fofa, baixinha, tem olhos azuis lindos, e um enorme cabelo prateado. E é meu ángel da guarda"
CherryS2: "É você, meu amor"


Blue sentiu seu rosto esquentar, com um pequeno sorriso surgindo em seus lábios.


Você: "Você me assustou, Cherry"
CherryS2:"Não precisa se assustar, sua ladra"
Você: "Ladra? Eu nunca roubei nada!"
CherryS2: "Roubou meu coração"


Blue se surpreendeu de como conseguia ficar mais mole do que manteiga derretida quando Fell flertava consigo.


Ángel<3: "Quando vamos nos ver de novo?"


Fell olhou para o irmão que discutia com o líder de outra quadrilha sobre tráfico de medicamentos clandestinos -  ambos estavam em uma reunião com seis quadrilhas diferentes incluindo a Rubrite. Mordeu o lábio inferior pensando... bem, Edge não se incomodaria com um sumiço do mais velho, afinal, seria apenas por algumas horas.


Você: "Se estiver livre amanhã, podemos passar um tempo juntos"
Ángel<3: "Mas amanhã eu combinei de ir no cinema com as meninas..." 
Você: "Ah, tudo bem. Quando vai estar livre?"
Ángel<3: "Eu não sei, mas posso te mandar uma mensagem assim que puder"
Você: "Okay. Acho melhor você ir dormir, ladrazinha de meia tigela"
Ángel<3:"Não sou ladra! E se esse 'meia tigela' tiver a ver com a minha altura, você verá o que significa a expressão 'Se correr o bicho pega e de ficar o bicho come' >:^"
Você: "Só se eu for o bicho 7w7"
Ángel<3:"Hm? Não entendi :^"


Como Fell adorava aquela inocência sem limites de Blue. Ele já tivera um sonho bem... digamos... indecente com a menor, mas obviamente não tinha falado nada sobre com a amada. Visualizou a mensagem que ela mandara desejando boa noite e depois ela ficando offline.




























Eles se encontraram outras vezes, mas era sempre quando a oficial tinham folga no trabalho. Nesse dia, uma bela tarde sexta-feira, foram passear por uma viela simpática; Fell estava olhando algumas variedades de sementes de mostarda enquanto Blue entrara em uma lanchonete para usar o banheiro quando foi segurado por um policial de passagem.

- O que pensa que está fazendo?

- Sendo segurado pelo senhor.

- Aaaah, um piadista com a cara de um criminoso procurado?

Fell engoliu em seco enquanto o guarda deu um sorriso de canto vitorioso.

- Vamos, então. - concluiu começando a puxar o moreno. Até que Blue apareceu vendo a cena; nem deu tempo para o guarda dar mais dois passos e a menor apareceu em sua frente falando:

- Moço, senhor, tudo bom contigo?

- Sim, com lic... - começou, mas foi cortado por Blue.

- Posso saber qual é da mãozinha no meu namorado por favor? Posso saber? Com gentileza?

- Espera, quantos anos v...? - outra vez interrompido.

- Você pode, por favor, soltar o meu namorado, porque ele não fez nada de errado?

- Na verdade, eu estou levando ele porq...

- Ele 'tá sendo preso? Por que? Eu posso saber?

- Se a senhorita deixar eu...

- Porque ele é lindo? Você deve estar com inveja, né? Seu invejoso!

- Senhorita, não tem n...

- Só eu posso fazer ele fazer expressões diferentes! - bateu o pé e apontou para Fell (que estava com a expressão entre segurar o riso e pavor), sem ligar que estava chamando atenção ou não. - Olha aí! Olha o que você fez com ele! Olha a cara que ele 'tá fazendo! Cara, 'cê tem ideia, 'cê 'tá ligado? Mano, tira a mão do meu namorado agora!

- Mas senhorita! Sinto muito, mas vou ter que algemar os dois se continuar assim! - exclamou o guarda espantado.

- Se você pôr uma algema em alguém tem que ser em você, porque você fez o crime de ser tão ridículo!

- Senhorita, francamen...

- Vai,  vai, solta meu namorado agora, SOLTA MEU NAMORADO!!!

O guarda deve ter se assustado com alguma coisa nos grandes olhos azuis de Blue, porque soltou Fell e recuou vários passos. Bufando, a oficial segurou a mão do moreno e olhou para ele de forma preocupada e carinhosa.

- Ele te machucou? - perguntou com um tom completamente diferente de voz.

- Não, estou bem, ángel. - respondeu Fell sorrindo para a menor. - Vamos?

Blue assentiu e saíram da viela, começando a andar na calçada de uma avenida movimentada.

- Olha, não precisava comprar briga por minha causa... - começou o moreno, fazendo a menor balançar a cabeça.

- Ele ia te levar preso, e de qualquer jeito, eu iria defender você. - murmurou pondo uma mecha do cabelo prateado atrás da orelha. Fell sorriu novamente.

- Já falei que eu te amo? - indagou de repente quando entraram no parque municipal.

- N-não hoje... - respondeu olhando levemente ruborizada e surpresa para o maior. - Por quê?

- Porque eu te amo. - abriu um sorriso maior vendo Blue corar ainda mais.

- Eu também te amo, Cherry.

Fell se curvou um pouco e abraçou a cintura de Blue roubando-lhe um beijo, que a menor retribuiu abraçando o pescoço do maior. Sentiu a língua passar entre seus dentes pedindo passagem, cedendo de bom grado. O moreno explorou a cavidade bucal, uma mão nos cabelos da namorada e outra em sua cintura.

As pessoas que passavam ou olhavam com nojo, ou censuravam baixinho, ou até mesmo soltavam pequenos "own". Após algum tempo separaram-se para recuperar o fôlego um se perdendo no olhar do outro. Aquele segredo, tão íntimo e perigoso, que ambos compartilhavam, estava bem claro, eram Romeu e Julieta; Romeu e Julieta acabaram juntos, mortos, mas juntos.


É claro que mais gente foi sabendo, e foi necessário Blue pedir para todos ficarem em silêncio. Ink, Dream, Epic, Cross, Hate - amigo de Fell, um psicólogo especialista em manusear espadas  -, Swandy, e até mesmo o sogro de Fell soubera quando foi visitar os filhos em um dia onde Carrot tinha ido pescar com alguns colegas de trabalho - todo obviamente sabendo do namoro entre a doce irmã caçula do oficial com um criminoso procurado - e Fell foi passar o dia na casa da namorada.


- Você não é o tal Fell, chefe da Rubrite? - foi a primeira coisa que ouviu quando o moreno abriu a porta e viu um homem alto, cabelos brancos e os olhos com cores divergentes (um azul e o outro laranja). Mas percebeu a gigantesca semelhança com Blueberry, principalmente nos olhos, que mesmo sendo diferentes lembravam os olhos da oficial.

- S-sou, sim senhor. - murmurou enquanto o homem passava pela porta.

- E o que faz na casa dos meus filhos? - perguntou erguendo as sobrancelhas. Fell foi poupado de responder com Blue vindo correndo abraçar o pai. Poucos minutos depois, com a menor explicando tudo o que aconteceu em um alemão particularmente rápido, o sr. Popelevencorn pareceu bem mais tranquilo.

- Então... o senhor é o pai da Blue. - disse baixinho enquanto a namorada ia para a cozinha preparar um chá.

- Sou. E o senhor é o namorado da minha filha. - o tom do sr. Popelevencorn, mesmo sendo sério, tinha um quê de quem estava achando graça com toda aquela formalidade. Fell assentiu nervoso. O albino riu. - Não se preocupe, não vou matá-lo ou algo do tipo. Eu sei, melhor do que ninguém, que o amor é cego.

O moreno ergueu os olhos escarlates para seu sogro. O sr. Popelevencorn continuou:

- A família da minha esposa era, digamos, a definição perfeita de "incomum". Não sei o que deu nela, um verdadeiro ícone da ciência atual, para se casar com um garoto de recados como eu era.

- Por que a sra. Popelevencorn não veio junto? - mal Fell terminou a pergunta e o sr. Popelevencorn desfez o sorriso olhando para o outro lado. - D-desculpa, eu não queria...

- Riverperson sofreu um acidente no trabalho, e aquilo a afetou tanto que precisei interná-la em um hospital psiquiátrico. Blueberry tinha um ano quando aconteceu, mas Carrot tinha seis e presenciou o ocorrido.

Um silêncio desconfortável se instalou na sala de estar. O sr. Popelevencorn tirou uma foto do bolso e chamou o moreno com uma mão. Fell se aproximou hesitante e olhou a fotografia: uma família em um quarto de hospital sorria para a câmera. Reconheceu Carrot, uma criança que tinha um sorriso banguela que segurava nos braços uma bebezinha recém-nascida que não era maior que uma forma de pão, a pele tão branca quanto a neve e de aparência delicada, sentado ao lado da mãe. Fell quase se assustou ao observar o rosto com características indígenas da sra. Popelevencorn, uma bela mulher negra de cabelos negros ligeiramente grisalhos e os mesmo olhos laranjas penetrantes do filho. O sr. Popelevencorn, vários anos mais novo, estava abraçando os filhos com um braço enquanto o outro abraçava a mulher.

Fell sabia que o sr. Popelevencorn o observava, porém não tirou os olhos daquela fotografia, mais especificamente da bebezinha que hoje estava na cozinha preparando um chá; um pensamento engraçado surgiu na mente do moreno que não conseguiu se conter:

- Quando eu e sua filha tivermos um bebê, espero que puxe à mãe. - o mais velho se surpreendeu e guardou a foto.

- Já pensando em filhos com a Blue?

- Sim, senhor. Mas vou fazer isso do jeito certo. Quando eu limpar meu nome, vou pedir a mão dela em casamento. O que sinto por ela nunca senti por mais ninguém...

O mais velho sorriu e deu um tapinha no ombro do moreno enquanto guardava a fotografia no bolso.

- Quando isso acontecer, terá a minha bênção. - murmurou.

- Do que estão falando? - perguntou Blue entrando na sala segurando o celular.

- Nada não, Blueberry. Seu irmão volta quando?

- Daqui a meia hora. - suspirou olhando para o namorado que levantou.

- Foi um prazer conhecê-lo, sr. Popelevencorn.

- Igualmente, Fell. - levantou e apertou a mão do moreno. - Ah! Mais uma coisa: diga à Charla Sapien que pare de rogar pragas para cima de mim, okay?

Fell assentiu surpreso. Charla era uma mulher de pele branca cheia de sardas, cabelos castanhos-arruivados e os olhos que lembravam dois rubis sem brilho algum. Trabalhava na Rubrite como assassina de aluguel junto de seu noivo - que na maioria das vezes era mais mulher que homem - Drakó.

Foi embora pensando. A imagem daquela família tão feliz no quarto de hospital não parava de aparecer em sua mente, e o fazia lembrar o quanto Blueberry era frágil e que a sra. Popelevencorn não vira a menina crescer, não viu seus filhos se formarem, não os viu se tornarem adultos e isto fez lembrar de sua própria mãe... engoliu em seco para não chorar.

- "A vida é como mãe, que faz o jantar e obriga os filhos a comer os vegetais, pois sabe que faz bem" - cantarolou uma voz de mulher vinda de um quarto em um hospital psiquiátrico para uma figura que estava observando o filho tão só.



Blueberry estava desesperada. Fell não fazia o menor contato consigo já havia um mês. Suas mensagens não eram respondidas, por mais que mandasse várias por dia.


Você: "Cherry? Está tudo bem? O que aconteceu???" 
Você:"Cherry, por favor me responda, estou preocupada" 
Você: "Eu fiz algo de errado?"
Você: "Se eu fiz algo ruim, me desculpe" 
Você: "Ao menos mande algo para eu saber que está vivo..."
CherryS2: "Me encontre no parque central às 18:20"


Felll se culpava por deixar sua amada tão preocupada por tanto tempo. Mas iria valer a pena, já estava com tudo pronto para sair da Rubrite e com uma caixinha de veludo negro no bolso.

- Não acredito que vai deixar a gente por causa daquela policialzinha traidora! - reclamou Sandra, a "víbora mais venenosa" da quadrilha.

- Do que está falando? - perguntou o moreno olhando para a loira oxigenada de olhos verdes.

- Vai me dizer que ela não é uma boa atriz em fingir que te amava só porque queria saber tudo sobre a nossa quadrilha para passar para o chefe dela?

Fell sentiu seu chão sumir e o coração parar de bater por um segundo. Blueberry nunca fez uma única pergunta sobre a Rubrite, mas e naquela noite em um quarto de motel? Foi lá onde o moreno tirou a virgindade da albina... ela poderia muito bem ter conseguido o queria enquanto ele estava quase cochilando depois de tudo... ela tinha dormido primeiro, mas e depois? Quem garantiria que ela não tinha fingido dormir?

Sentou-se, pois sentiu que iria cair duro no chão. Fazia sentido para ele, afinal, Blueberry não o beijara na primeira vez para conseguir fugir?

- Sabe que eu nunca mentiria para você, Fellzinho... - murmurou com a voz suave, quase rindo por dentro. Era uma mentira e tanto a que inventou! Até mesmo entregou a Rubrite para a polícia em troca de sua própria liberdade! Mas sua alegria se foi ao ver seu chefe saindo possesso de raiva. Por que tinha que levar tão a sério aquela policial estar na farmácia com as amigas comprando testes de gravidez? Por quê?!


- Cherry! - exclamou a menor correndo até seu amado para abraçá-lo.

- Fica longe de mim, sua puta traíra! - gritou empurrando a albina tendo prazer ao vê-la cair no chão. Mas a raiva falou mais alto quando ela o encarou confusa. - Você é uma interesseira de merda! Achou que eu não iria descobrir que só estava comigo porque queria saber tudo sobre a Rubrite?!

- O-o quê...? - babulciou se levantando nervosa. Não estava entendendo nada; ela, namorando Fell por interesse? - Do que está falando?

- EU DESCOBRI TUDO, BLUEBERRY! VOCÊ NÃO PRESTA PARA NADA! AINDA BEM QUE SUA MÃE MORREU ANTES DE VER A FILHA SE TRANSFORMAR EM UMA VACA!

- NÃO META A MINHA MÃE NISSO, ALONSO! NÃO FALA DO QUE VOCÊ NÃO SABE!

- EU IA TE PEDIR EM CASAMENTO! EU IA MUDAR A MINHA VIDA INTEIRA POR VOCÊ, MAS JÁ VI QUE ISSO TUDO FOI APENAS ILUSÃO! ACABOU PARA SEMPRE, NUNCA MAIS OLHE NA MINHA CARA! SUA PESTE!

No auge de sua raiva, o maior acertou em cheio a testa de sua agora ex namorada com a caixinha de veludo que, ao cair no chão, se abriu e deixou à mostra uma bonita aliança simples. Virou-se e foi embora, a raiva ainda à flor da pele, pensando em mais coisas que poderia ter dito. Mas, ao relembrar as expressões que Blue fez durante a briga, seu coração apertou e teve vontade de chorar.

- "Somos programados 'pra cair"  - cantarolou novamente a voz de mulher que estava presa dentro daquela quarto para a figura que agora chorava, desejando que seu filho tomasse juízo e concertasse a burrada que tinha cometido.



- Ainda bem que pegamos os irmãos Alonso. 'Tô afim de saber se é verdade aquele negócio que ele estava namorando a minha irmã. - disse Carrot na delegacia, uma semana depois. A quadrilha inteira foi presa graças à denúncia de Sandra, que esperava ansiosa seu ex-chefe duranre o horário de visita. Ouvir os policiais conversando baixinho por ali apenas piorava o peso em sua consciência.

O moreno finalmente apareceu, sentando e observando a loira. Sandra agarrou o telefone ao seu lado e começou a falar:

- Preciso falar uma coisa.

- Não sou padre para ouvir seus pecados, Sandra. - resmungou Fell segurando o telefone do outro lado da linha.

- Fell, fui eu quem denunciei vocês em troca da minha liberdade. - disse sem rodeios. - Eu menti. A oficial Popelevencorn é inocente.

COMO É QUE É?! - berrou Fell se levantando em um salto e fazendo o telefone não ser mais necessário.

- Desculpas...

- VOCÊ MENTIU PARA MIM, FEZ COM QUE EU TRATASSE A MULHER QUE EU AMO COMO LIXO, ME FEZ SER PRESO E AINDA POR CIMA VEM PEDIR DESCULPAS?!

- Eu pensei que se vocês terminassem, eu teria alguma chance com você. Sabe que meu pai queria que você casasse comigo para aumentarmos o poder de nossas quadrilhas...

- POIS PENSOU ERRADO! SE EU TE VER NOVAMENTE, JURO QUE VOU MATAR VOCÊ! - gritou largando o telefone e indo embora, furioso. Engoliu o choro de ódio que ameaçava escapar e voltou para sua cela.


- "A vida é como manhã, que brilha com o sol e à noite volta a escurecer, pois o mundo não tem nada a me oferecer". - cantarolou uma garota de cabelos prateados e o rosto manchado de lágrimas enquanto cortava sem pressa seu próprio antebraço com uma faca bem amolada. Cada lágrima era acompanhada de uma gota de sangue que caía na pia do banheiro e ia para o ralo apenas seguindo o próprio curso da gravidade.

17 de Diciembre de 2018 a las 18:04 0 Reporte Insertar 1
Continuará… Nuevo capítulo Cada 30 días.

Conoce al autor

Kathelyn Illustra Only a magic girl in a mungle world

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