Amor em Pigmentos Seguir historia

kalinebogard Kaline Bogard

O mundo não possuí cores. Ou melhor, o mundo possuí cores. Mas nem todas as pessoas alcançam o privilégio de enxergá-las. Há uma maldição que tinge a tudo de tristes tons de cinza. A única forma de libertar-se é encontrando a Alma Gêmea. Kiba descobre que seu companheiro destinado pode ser um dos piores tipos e que terá que escolher entre viver com alguém de pouco caráter para ter direito de ver as cores ou abrir mão disso para encontrar um amor que vale a pena.


Fanfiction Anime/Manga No para niños menores de 13.

#universo-alternativo #linguagem-impropria #omega #alpha #omegaverse #abo #shinokiba #kiba #shino
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O preço que tem as cores

Notas iniciais:

* Naruto é um anime e não me pertence. Feito de fã para fãs sem fins lucrativos. 

* ATENÇÃO: esse capítulo tem uma cena de intimidação que pode servir de gatilho. Leia com consciência. 

* Não foi betada, revisei com cuidado. Mas erros sempre escapam. 

* Feita sob encomenda. Presente para a Ariane por algum motivo que eu não me lembro mais ' ' hohoho espero que goste! Apanhei do tema, não vou negar. Pode não ter ficado tão dinâmica quanto outras xD 

* Boa leitura


****************


Kiba estava de péssimo humor. Numa escala de medição, poder-se-ia dizer que ele criou um novo nível de mau-humor. Tal fato, visível na face emburrada, admitia fácil. O que nunca admitiria para ninguém (nem para si próprio) era a boa dose de medo que sentia por baixo da postura raivosa.

Como era uma pessoa pontual (pontualidade recém adquirida) chegou muito cedo no prédio do Conselho, se apresentou e foi conduzido para a sala onde faria o curso de Deveres Cívicos e Sociais, punição alternativa ao “crime” que cometeu.

Foi o primeiro a chegar na classe e isso lhe deu um grande alívio. Podia se sentar em qualquer carteira! E escolheu a do canto perto da janela, a última da fileira.

Colocou a mochila no gancho embaixo da mesa, cruzou os braços sobre o tampo de madeira e descansou a cabeça, suspirando sofrido. Faltava meia hora para a aula começar.

Observou o local: um cômodo grande, com cerca de trinta carteiras organizadas em cinco fileiras em frente ao quadro negro que tomava quase toda a parede atrás da mesa do professor. Havia grandes janelas de vidro dando para o pátio interno do Conselho. Tudo em variados e monótonos tons de cinza.  Shifters costumavam enxergar apenas espectros de cinza, às vezes a incidência da luz permitia vislumbrar preto e branco. Havia uma parcela da sociedade que conseguia se libertar disso que era considerada uma maldição shifter, mas Kiba não tinha esperanças de mudar sua situação.

A vida era injusta.

Muito.

Como se já não bastasse ter ouvido cobras e lagartos da mãe furiosa e levado mais puxões de orelha do que podia contar; ainda era obrigado a participar daquele curso corretivo caso não quisesse ter seu currículo manchado e correr o risco de perder a bolsa de estudos da faculdade.

Tudo por quê?

Porque foi na onda do melhor amigo, Uzumaki Naruto, com quem usou um jutsu de transformação e tentou invadir um banho público.

E onde estava o problema nessa brincadeirinha quase inocente?

Bem, o banho público era numa ala fechada exclusivamente para Alphas. Naruto era um Beta e Kiba era o azarado infeliz de um Ômega. Imagina o escândalo: um Ômega invadindo o espaço dos Alphas, correndo “risco”, ainda que tivesse apenas dezessete anos e nem passou pelo primeiro cio ainda… uma afronta.

Obviamente o engodo foi descoberto fácil. E os dois pegos no pulo do gato, autuados em flagrante.

A sociedade tinha evoluído muito, isso era inegável. Mas nascidos Alphas ainda usufruíam de prerrogativas e benefícios exclusivos, inalcançáveis às outras castas.

Certos erros são considerados piores dependendo de quem os realiza. Naruto escapou com uma bronca e serviços comunitários por um mês. Kiba teve que ir para as aulas extras depois da escola, aprender mais sobre os riscos de transgredir regras que “visavam o bem comum”. E ali estava ele, entediado, raivoso e preocupado com o conteúdo das aulas. Não era o shifter mais esperto do mundo, odiava provas e o mais preocupante: não tinha travas na língua. Já se via arrumando encrenca com o professor e com os outros colegas transgressores, supostamente Alphas, Betas e Ômegas; pois aula era uma das atividades inclusivas em que as três castas conviviam abertamente.

Pois pensar tampouco era o forte de Kiba. Esperar era um saco. Os olhos começaram a pesar, as piscadas ficaram cada vez mais longas… mais lentas…

Mal percebeu quando cochilou, sozinho na sala, aproveitando uma sonequinha gostosa de final da tarde. E, com isso, sua intenção de passar despercebido durante o curso foi por água a baixo. Porque a sala foi se enchendo à medida que os outros alunos chegaram, muitos Betas e alguns Alphas, com idades variando entre quinze e dezoito anos, e diversificadas expressões de tédio a rancor e raiva contra o mundo.

As carteiras foram se preenchendo até que não restasse nenhuma vazia.

Pontualmente às cinco horas da tarde, horário marcado para o início da aula, o sensei chegou. Um Beta alto, de aparência séria, quase rígida. Postou-se a frente da grande mesa do professor e lançou um longo e avaliativo olhar a todos os jovens presentes na classe. Possuía um bom olho, acostumado à natureza infratora de quem ali estava. Sabia reconhecer quais daqueles jovens conseguiria recuperar e quais eram casos perdidos, que sairiam dali sem apreender nenhuma das valiosas lições. Quais daqueles pequenos meliantes…

Foi então que notou algo inusitado em todos os anos que começou o trabalho de recuperação de jovens shifters: um Ômega.

Dormindo.

Na verdade babando na carteira dos fundos, como se estivesse no conforto da própria cama.

Nunca, em todos aqueles anos de experiência passou por algo assim. Seria uma boa oportunidade para usar de exemplo e prevenir incidentes futuros.

 

---

 

Kiba estava tendo um sonho ótimo. Um em que ele era tipo o Alpha rei da coisa toda e não precisava pagar castigo por tentar usar um banho público. E estava aproveitando as termas deliciosas quando o mundo explodiu.

Ou algo perto disso.

O professor bateu com o apagador na carteira em que ele dormia confortavelmente, causando um estrondo avassalador. Assustou Kiba, que despertou na mesma hora.

E o que se seguiu foi uma sequencia de muitas coisas dando tão erradas que pareciam o roteiro de um filme de quinta categoria.

O Ômega acordou desorientado, perdido no espaço e no tempo. Olhou de um lado para o outro tentando se localizar, apenas para que o mundo explodisse diante de si em…

Cores.

Cores.

Cores.

A sala não era mais um degrade de cinza. As pessoas não eram acinzentadas. Kiba notou-se cercado de tons que nunca tinha visto antes. Levantou-se de um salto, arrastando e quase derrubando a cadeira, ganhando olhares de surpresa de quem já o assistia com interesse e curiosidade.

Ignorou o homem parado a sua frente, claramente o professor e mirou as próprias mãos, impressionado em ver a cor de sua pele pela primeira vez na vida. Foi uma descoberta impactante e significativa, que lhe roubou a reação por longos segundos, enquanto a sala acompanhava o Ômega que parecia surtar com algo.

E então… aquele fisgão doloroso no ventre.

Kiba gemeou baixo, capturado por uma sensação a qual só estudou na escola e ouviu falar. Algo o enlaçou no amago, envolveu sua essência Ômega e a fez aflorar. O ambiente deu a impressão de encolher, diminuir, sufocar. O ar esquentou enquanto um gemido escapava pelos lábios sem que pudesse controlar. Tão rápido quanto o cheiro agridoce espalhou-se pela ambiente. Havia um Alpha ali que despertou todas aquelas reações em Kiba, e o garoto agiu no sentido de seduzi-lo. Seu cio se antecipava anos do que era esperado, trazido a tona por um encontro não planejado. Kiba soube que estava perto de sua Alma Gêmea e a parte animal saiu do controle.

Mas, infelizmente, a tática não podia ser direcionada e atingiu a todos os Alphas daquela sala.

Um após o outro foi se erguendo, aceitando o convite espalhado pelo ar, um marcante e delicioso cheio de morangos silvestres, um desafio impossível de ser rejeitado.

Rosnados se ouviram aqui e ali. Pelo menos dez dos alunos pertenciam à casta Alpha e estavam perdendo o controle diante do inesperado cio do Ômega.

O professor praguejou baixo, sabendo como as coisas poderiam ficar feias naquele cenário.

O próprio Kiba deu um passo para trás, o medo surgindo por baixo de seu despertar. Na sociedade moderna era raro que um Alpha perdesse o controle, estudos, educação, remédios tomados por Ômegas adultos… tudo ajudava a manter a parte irracional e violenta sob domínio. Porém, de vez em quando, se ouvia um ou outro relato de Ômegas que entravam no cio e acabavam sofrendo algum tipo de estupro.

Estupro coletivo…

Gemeu de novo, enquanto dava um segundo e um terceiro passo, até que se encostasse na parede dos fundos da sala, encurralado. Notou muito de leve como outros Ômegas e alguns Betas se erguiam das cadeiras, assustados e tentavam sair da sala com medo do que estava prestes a acontecer. O professor parecia igualmente perdido, era um Beta afinal, e não sabia se ajudava os alunos a sair da sala ou se enfrentava os Alphas que se envolviam na essência daquele Ômega que entrava no cio.

O cenário era o pior possível. Kiba nunca pensou que se veria em tal situação! Esperava que seu amadurecimento fosse como o da maioria: apenas por volta dos dezenove, vinte anos. Não numa sala de aula, cercado por Alphas que o olhavam como se fosse um pedaço suculento de carne a disposição para ser devorado.

Um desses mesmos Alphas se destacou. Avançou costurando entre as carteiras até parar em frente à Kiba, cujos olhos começaram a lacrimejar de medo e raiva. Era real, estava a um passo de acontecer: seria tomado ali, não apenas por um, mas por todos os Alphas sem que pudesse se defender! O professor parecia mais perdido do que tudo, e era apenas um Beta. Nunca conseguiria impedir os Alphas. Se o homem saísse para pedir socorro, Kiba ficaria completamente a mercê dos demais shifters.

Mirou o rapaz parado a sua frente, sequer registrando os lindos tons do tecido que compunham as vestes daquele jovem Alpha, ou analisando a postura sinistra e face séria parcialmente escondida pelo par de óculos escuros.

A única coisa que passou pela mente enevoada foi o pior de todos os fatos: o rapaz começou a desabotoar o longo casaco que trajava.

Aquele Alpha queria ser o primeiro. E nada parecia capaz de impedi-lo.

 

7 de Noviembre de 2018 a las 17:19 2 Reporte Insertar 3
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Blue Martell Blue Martell
Ai, Jesus, medo... Mas já quero o próximo. A capa é tão bela, e a Ariane um chuchuzinho, e você uma ótima escritora, te admiro muito!
8 de Noviembre de 2018 a las 02:00

  • Kaline Bogard Kaline Bogard
    Hohohohohohoohhoohho alimentar esse medo foi o que me fez parar bem ali! E deixar o resto pro próximo! Ariane é um bb ♥ muito obrigada!! 8 de Noviembre de 2018 a las 04:56
~

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