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tartareuguinea 9


Baek Hyun acordou sozinho, numa pele diferente, num corpo diferente e numa realidade dez anos adiante da qual se lembrava. Mas uma coisa não havia mudado: seu coração metálico. Sua última memória, o filho de seu tutor, seria sua guia na busca por esse homem desaparecido em um mundo caótico.


Fanfiction Bandas/Cantantes Sólo para mayores de 18.

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Reinstalar o Sistema

Começou estranho pelo fato de eu abrir os olhos. Eu nunca os havia fechado antes, era um mecanismo para que pudessem nos distinguir dos humanos, já que muitos possuíam membros robóticos.

Posso dizer que acordei em um ambiente branco, parecido com uma sala, não sabia o que estava fazendo ali, nem que horas eram e se a manutenção já havia terminado. Estranho, eu costumo ter uma noção mais linear de tempo. Sentia um certo frio, acho que por conta de uma coberta de tecido bem fino e a sala era refrigerada.
Outro ponto que eu não estava reconhecendo era minha ausência de roupas. Mesmo que muitas máquinas tivessem a liberdade de não usá-las, nós tínhamos adquirido muitos costumes humanos, tal qual podíamos entender seus conceitos de moral, de ética.
Fazia bastante tempo.

Robôs e humanos já haviam evoluído bastante, tanto na questão tecnológica quanto no entrelaçamento desses dois tipo de seres. Os robôs já estavam completamente absorvidos na sociedade humana e vice-versa.
Alguns nasciam, se desenvolviam e cresciam dentro de uma casa humana até. Não no sentido de uma gestação verdadeira, mas havia adoção de robôs. Muitos começavam funcionando pequenos, com peças de pequeno porte, para poucos serviços, mas, conforme a preferência do tutor, as peças pequenas poderiam ser trocadas por médias, sem afetar a parte interna desse robô, assim como, com o passar do tempo, poderiam ser trocadas por peças grandes. Logo, um robô que era adotado com cinquenta centímetros de altura, poderia chegar a ter a altura de um humano comum.

Era difícil que tivessem peças maiores porque eles, ainda de certa forma, assustavam os humanos, as partes metálicas. Tanto é, que alguns robôs eram especialmente planejados para a linha de defesa do exército.
Mas isso já fazia bastante tempo, e eu não tinha tempo para divagar tanto como fazia antigamente. Eu ainda não sabia onde estava, nem porquê estava despido, piscando e com meus sentidos de tato e olfato tão aflorados normalmente. Eles não costumavam ficar assim, a não ser que eu sentisse que estava em perigo. Como um sensor humano libera adrenalina. Eu não produzia hormônios, mas " nasci" em um tempo em que já se era possível mesclar sensações humanas com cérebros robóticos.
Talvez, eu devesse ficar deitado. O que meus olhos viram, talvez, eu não quisesse ver. Poderia ser um sonho, mas era impossível que máquinas entrassem no estado R.E.M. Não fechávamos os olhos, mas nosso sistema poderia ser ligado e desligado por opção própria ou de um tutor, nisso era possível ficar entre o estado de sonho e o estado de sono.
E era o que parecia minha vista, um sonho. Eu estou com aparência de um humano. Meu corpo tinha pele humana e eu o sentia mais pesado, não qualquer pesado de quando um humano tem ressaca, de se sentir mal, mas eu me sentia mais pesado em massa, no corpo inteiro e ele estava revestido por pele, carne e gordura, aparentemente. Não era como se eu pudesse descrever, de verdade a sensação, mas imagine que você estivesse com dois sacos de arroz nas costas. Acho que parece uma comparação mais plausível.
Tive até que me segurar naquela espécie de cama, sentado era meio difícil de se manter em equilíbrio e minha cabeça começou a girar bastante. Eu estava com alguns resquícios de sensores por eles aparecerem em minha visão, então tinha uma pequena noção do quarto, as medidas, proporções, onde existiam portas.
Continuava tudo estranho, eu não tinha mais olhos biônicos completos, descobri ao tatear minha face e encontrar mais pele, mais carne, mais coisas estranhas tipo cabelo.... Ah, meu deus, aquilo era cabelo de verdade. Tanto no queixo, quanto nas sobrancelhas e cabeça. Argh! Que merda era aquela? Tudo parecia tão humano, tão menos robótico do que eu costumava sentir. Mesmo robô, era possível "sentir", ser sensível ao toque. Não era como o tato verdadeiro, mas um outro sensor, e completamente diferente disso que está em mim agora.
Minha cabeça estava uma bagunça, com um zunido estranho pra caramba, parecia que estava se reorganizando aos poucos, mas eu conseguia pensar com clareza, mais até do que qualquer outra atividade que eu tentasse fazer, parecia um bebê, mas pensante?
Ao puxar um pouco o lençol, eu vi mais pele, mais pelos, duas pernas com pés e dedinhos bonitos, até minhas mãos eram bonitas: grandes, bem desenhadas, proporcionais, de dedos longos; de tom normal para asiáticos, meio branco, meio amarelo, embora estivessem com aquelas dedeiras que eu ainda não havia identificado a função. Não parecia meu corpo, mas eu sentia que estava ali, já comecei a sentir melhor aquele conjunto como todo e conseguia mover meus membros, mas eram muito pesados, tive que me acostumar com aquele peso todo, de verdade. Era algo que eu não sabia como controlar direito então, eu parecia um boneco; daquele jeito, andar seria um porre. Me faltava ponto de equilíbrio. Quando consegui manter a coluna reta, senti tudo estalar, eram o barulho de ossos, mas isso não era possível porque eu não tinha ossos. Ou... tinha?
Meus joelhos e pulsos provavam que sim, até aquele momento.
Isso só pode ser um sonho, não há outra explicação. Meu primeiro sonho, mas eu não tenho noção de como sair dele. Nem de como vou conseguir me equilibrar se sair dessa cama. Provavelmente, estou atrasado para arrumar as bicicletas. Eu não sei muito o que houve durante essa manutenção, mas foi algo completamente diferente de todas as outras.
Todos os anos, há um mês de confraternização entre humanos e robôs desde que salvamos a Terra de um colapso tecnológico. Foi uma grande colaboração entre cientistas humanos e robôs, anterior à minha criação, mas a história já se contava há poucas décadas e ainda era contada com bastante glória. Foi-se necessário o uso de uma inteligência artificial para que se combatesse o supervírus desenvolvido por um grupo secreto das bases da deep web. Ele estava causando destruição por todos os países de economia muito ativa no mundo ao se infiltrar nos computadores das bolsas de valores desses países, além de bloquear bancos, modificar dados e isso quase causou uma guerra entre potências porque havia modificado cláusulas de acordos internacionais, juntamente com as instruções de comércio externo desses países.
Especialistas de todo o mundo se juntaram para criar a tal inteligência artificial e ela possuía muitos riscos. O primeiro e mais importante: a experiência poderia dar certo, mas custaria uma boa parte do controle das máquinas, ao ponto de elas se tornarem quase autônomas verdadeiramente.
Segundo e quase tão importante: elas fariam parte integralmente da vida dos seres humanos a partir daquela data e metade da população mundial viveria com pouquíssimas condições de acesso à internet porque se demoraria trezentos anos para que se pudesse recaptar todos os dados perdidos com a intervenção da inteligência artificial.
Os responsáveis assumiram o risco,  até mesmo os países mais conflituosos entraram na causa porque os computadores recebiam vírus que se codificavam em super bombas. Nisso, o resultado foi a minha realidade: uma sociedade completamente mesclada de humanos e robôs.
Muitos humanos possuíam partes do corpo robóticas como consequência das sequelas da superbactéria que atingiu o planeta depois da criação da inteligência. Os remédios normais já não faziam tanto efeito quanto quando foram descobertos.  E os metais usados na produção de próteses era resistente o suficiente para controlar as superbactérias.
O mundo humano estava completamente imerso nas graças dos robôs e por isso se era comemorado o mês de confraternização entre essas mesmas máquinas e os humanos.
Nele, dedicávamo-nos às manutenções das máquinas ficando quase uma semana desligados para que atualizações fossem programadas, trocando peças velhas ou defeituosas e adaptando nosso corpo um pouco mais ao dos humanos, como com plásticas, por exemplo.  Depois, voltávamos para nossos tutores ou criadores.
Era em uma dessas manutenções que eu me lembro de ter entrado, mas não de ter saído. E o que me deixava mais confuso era o local onde eu estava, que nada se parecia com as casas de manutenção. Muito menos a que eu aparentava estar. Elas tinham um aspecto mais de vida, mais de coisas boas, não o aspecto quase funesto desse quarto, muito diferente de minha última lembrança.
Um pouco menos tonto e ainda sentado, meu sistema já se reoganizava com rapidez, mesmo com a novidade desse lado humano. Eu ainda acreditava que poderia ser um sonho, mas a atividade cerebral estava muito rápida para que eu pudesse ter meu primeiro sonho. Sem contar que era uma hipótese porque eu nunca havia experimentado a sensação de ter um.
Ao que me constava, até por dentro eu tinha características humanas, mesmo meu cérebro, mas o que seria meu coração, possuía um pequeno dispositivo embaixo e aquilo deveria ser a origem do meu lado robótico. Se meu cérebro era humano, eu teria reações humanas, tal como o desconforto pelo frio e um sintoma estranho em minha barriga.
Então, o próximo passo era sair daquela cama. Com certo cuidado, tentei tirar alguns dos aparelhos em meus dedos, eram poucos, mas eu não poderia andar livremente e teria que carregar aquilo, além do peso de meu corpo. Saí devagar, e foi completamente diferente de qualquer coisa que eu já havia experimentado. O chão gélido contra meus pés me causava arrepio e fascinação ao mesmo tempo. Movi meus dedos dos pés, querendo sentir aquilo melhor e eu não sei como explicar. Não sabia se eram as famigeradas emoções que me tomavam, mas eu estava sentindo algo diferente que me deixava com uma sensação boa.
Quase fui ao chão, na tentativa de dar um passo, mas tive que usar o peso do corpo pra me manter em pé. Era difícil achar um centro de equilíbrio. Nisso, fui caminhando mais lentamente e completamente apoiado na cama pelas mãos e braços. Eu não poderia cair, não, quando não sabia se conseguiria levantar sozinho.
Enrosquei o lençol no corpo, como forma de diminuir um pouco o que eu interpretava como queda de temperatura e continuei até um armário, perto de uma janela. Não era algo muito grande, se visto de pé, diferente de quando eu estava deitado.
Sem querer, abri a porta do armário, tentando me apoiar, mas acabei descobrindo algumas roupas que pareciam melhores que o lençol. Eram coisas simples, mas fiquei com medo de não ter força para vesti-las. Eu já estava ofegante. O corpo que me sustentava era pesado e eu podia notar incômodos na coluna, principalmente, mas nas coxas e nos joelhos também. Eu não entendia como conseguia andar. Voltar pra cama, talvez, tenha sido algo que eu fiz com pressa, mas não bastou que eu a tocasse, quase caí novamente. Estava com dificuldade até para andar.
Com certo esforço e sentindo a coluna latejar, consegui por uma cueca e uma calça de tecido macio, mas foi terrível erguer os braços. O que eu julgava que eram músculos, causavam uma sensação terrível, mas não desisti, indo com calma pelos braços de novo, tronco e sentindo cada vértebra estalar, consegui me vestir.
A porta se abriu poucos segundos depois e dois olhos curiosos pairavam sobre mim.
— É um milagre? — perguntou uma. Ela usava um jaleco, provavelmente eu estaria em um hospital ou laboratório. O que não era algo comum, visto que máquinas eram levadas às casas de manutenção.
— Não sei. Mas, com certeza, é extraordinário depois de dez anos.
Se eu já estava confuso, fiquei pior ainda. Como assim, dez anos? De que merda elas estavam falando? Adentraram no quarto, sem muito cerimônia, ao me ver sentado na cama e as olhando com algum espanto.
— Você consegue falar?
— Sim. — minha voz saiu grossa. Como eu nunca tinha escutado. Sempre a ouvi com ruídos metálicos, mas aquele som era de vibração.
— Vejo que já acordou disposto. Já até colocou uma roupa. Como se sente?
— Pe...sado — disse, rouco. Parecia que eu não usava há tempos. — E cansado.
— Ah, sim. É normal se sentir assim, quando se desperta de um coma. Mas você me parece muito mais do que excelente, para alguém que saiu do estado vegetativo.
Como? Estado vegetativo? Ela deve ter percebido meu espanto, logo tratando de se explicar.
— Faz dez anos que você está em coma e foi deixado aqui com todas as suas despesas pagas.

Puta merda, mas o que estava acontecendo? Eu tinha ido para a manutenção, como em todos os anos. No centro. A exatas dez casas da minha. Não saí totalmente feliz, até um pouco irritado, eu diria. Primeiro, porque algumas peças estavam velhas demais e aquilo me prejudicava na hora de ajudar meu tutor. Segundo, porque o filho dele continuava a fingir que eu não existia ou que eu era apenas o empregado dele, e eu estava absolutamente cansado de demonstrar sentimentos por alguém que me desprezava.

Certo, eu nunca fui o robô mais convencional do mundo. De certa forma, detectaram que eu era capaz de desenvolver afeto e justo por alguém com quem eu me desenvolvi e o vi crescer. Mas alguém com uma alma quebrada e que não parecia querer colar seus cacos. Nem deixar que eu colasse, mas não é como se isso fosse importante, agora.

Eu estava em um hospital, com características humanas e tinha acabado de descobrir que passei os últimos dez anos em coma, sendo que robôs não passam por esse estágio e muito menos são acolhidos em hospitais. Existiam uma quantidade absurda de paradoxos, naquele momento e eu não sabia por onde começar. Eu era um robô, mas um humano?
— O que é isso? — eu não tinha mais outras palavras…. Era o que consegui pensar mais rápido e o que minha voz conseguiu dizer.
— Um hospital? — perguntou a outra, retórica, não sabendo um décimo do que se passava dentro de mim.
Muitas das minhas capacidades ou estavam lesadas ou tinham desaparecido, ou ainda estavam escondidas pela falta de adaptação com o novo corpo, mas eu conseguia distinguir ironias com facilidade. Coisa que eu nunca tinha feito, mesmo que pudesse distinguir sentimentos.
— Se acalme, SooYah, Baek Hyun está nesse estado há anos. Você não pode cobrar algo dele exatamente após acordar de um coma.
Baek Hyun. Baek Hyun. BaekHyun. Baek.... Hyun esse é meu nome. Elas parecem me conhecer. Esse nome era o segundo usado pelo meu tutor. Eu me lembro dele, mas não sei como ele está, se o que elas me dizem é verdadeiro. O que caralhos era aquilo?

— Malditos robôs — a que tinha me respondido sobre o local proferiu. — Se não fosse por eles, você não precisaria ter perdido tanto tempo da sua vida aqui.

Do que ela estava falando? A outra, ao seu lado, fez uma expressão pesarosa com a fala da colega. Por que as duas me olhavam daquele jeito?

— Você foi trazido bastante ferido pra cá. Eu não estava aqui, mas há fotos. Haviam pedaços de máquina em você, mas ao que aparenta, alguém conseguiu tirá-los, antes de você chegar aqui. E esse era um dos motivos para estar tão ferido.

— Ainda não entendo como puderam confiar tanto… Como ainda confiam tanto.

— Você sabe que… — suspirou pesarosa. — Que são necessários. Nós precisamos deles.

— Vocês têm notícias sobre algum tut-parente meu? — preferi não usar a palavra tutor. Elas visivelmente odiavam máquinas, como eu poderia dizer ser uma em um corpo de humano? Eu ainda estava fraco, não poderia me arriscar daquele jeito também.

Se eu não poderia dizer o que eu era, qualquer esperança minha de voltar para casa já tinha ido pelos ares. Pelo visto, eu não precisava mais pensar nisso. Estava completamente sozinho no mundo, sem saber o paradeiro de quem cuidava de mim, em um corpo novo, e com um mundo com uma visão completamente oposta ao que eu sempre fui acostumado

— Infelizmente, não. Desde que te trouxeram, as enfermeiras disseram que apenas era para te deixar ir embora quando acordasse, que não mexessem em seu corpo, mas que cuidassem, enquanto desse sinais de vida. Achamos que nunca fosse acordar.

— O que aconteceu hoje. — completou a outra, sorrindo breve.

Eu não tinha muito o que fazer. E nem poderia ficar ali, mas, se meu corpo fosse realmente humano, logo eu teria necessidades biológicas. Talvez eu tivesse num labirinto pior do que eu jamais pudesse pensar.

♠♣♦♥

Passaram-se três dias desde que acordei. Eu sabia ler, pensava de forma coesa, ia ao banheiro de forma regular para fazer necessidades humanas que agora também eram minhas necessidades.

Nos primeiros dias era estranho sentir tanta sede. Acho que nunca tinha bebido outra coisa além de óleo, então tomar água pela boca era algo estranho. Tudo era estranho, sendo bem sincero. Eu ainda sentia o peso de meu corpo, mas estava mais acostumado a ficar de pé. Só precisava encontrar o ponto de equilíbrio perfeito.

Aquilo não deveria ser estranho. Fui alimentado durante dez anos por sonda e por líquidos intravenais. Não sei como não dei curto circuito nesse período. Ou eu era muito bem montado, ou minhas peças tinham sido trocadas. E eu não fazia ideia sobre o que acreditar. Talvez estivesse querendo viver o momento e me adaptar à ele, antes de saber o que tinha acontecido comigo. O que eu, e somente eu, sabia era que uma parte de mim já não era máquina. Só não sabia a porcentagem disso.

Continuava internado naquele hospital, mas preferia não manter contato com muitas pessoas. Tinha um quarto só para mim, então era mais fácil manter distância. Quando robô, eu tinha uma sensibilidade diferente dos outros robôs. Eu conseguia perceber rejeição. Pelo menos era isso que eu entendia, identificava. Rejeição. O filho de meu tutor não gostava muito de mim e eu não tinha ideia do motivo. Logo, preferia ficar mais quieto, só falando o necessário com ele. Não podia saber quem gostava de mim, e na dúvida, preferia que não me conhecessem para evitar aborrecimentos. Talvez isso justificasse essa vontade de afastamento, mas não poderia afirmar com certeza. Tudo parecia confuso.

Mas algo que me marcou foi minha primeira refeição. Eu nunca tinha feito uma refeição na vida. Não de sentar na mesa, porque meu tutor parecia gostar de mim, mas nunca tinha comido comida de verdade. O tempo que passei em coma não poderia ser contado já que não era eu a fazer aquele ato. E eu queria usar minhas novas mãos, minha boca, meus olhos. Queria aproveitar o momento, como nunca tive tato para fazer.

Nesse momento, acabei conhecendo uma espécie de enfermeiro do hospital. Seu nome era JongIn, mas preferíamos nos chamar por codinomes. Eu o chamava de Kai. Ele não sabia como me chamar. Mas se aproximou porque eu não sabia como usar talheres direito.

— Ei! Tudo bem? — eu estava no refeitório nesse terceiro dia. Era a primeira vez que saía do quarto, mas o garoto foi rápido ao perceber que eu estava com alguns probleminhas.

— Bom, eu não consigo usar os talheres direito, ainda. É como se eu estivesse reaprendendo coisas básicas.

Aquela foi a primeira vez que consegui firmar um garfo e uma faca. Foi divertido ao mesmo que assustador porque eu tinha força demais para um humano. E, nisso, eu comecei a perceber também que meu lado robô não se restringiria apenas aos meus olhos.

JongIn me ajudou a não forçar tanto as mãos e os movimentos de mastigação foram mais fáceis. Minha boca doía um pouco. Eu não era acostumado a fazer aquilo, embora, aparentemente, fizesse fisioterapia com frequência.

Foi divertido aprender pequenas coisas como essas. Embora não soubesse escrever ainda, eu gostava de ler. Então era o que eu passava o dia fazendo, assim como intercalava a atividade de leitura com musculação e aeróbicos. Não sentia que era uma boa ideia fazer aquilo porque meu corpo, apesar de mais acostumado, ainda pesava muito. E eu não sabia mais quanto tempo demoraria para me acostumar.

Meu colega percebia meu desconforto com algumas coisas. Percebia tanto que acabou me surpreendendo por me conhecer tão profundamente. Não sabia se podia confiar nele totalmente, mas fiquei sem saída.

Na semana seguinte ao meu despertar, eu tentei fugir durante a noite, no horário de maior movimento. Sim, era algo completamente improvisado e eu deveria saber que não era uma boa ideia fugir do hospital quando eu não tinha nada lá fora.

Eu me sentia bem, a fisioterapia funcionava, estava comendo, já me encontrava em situação melhor, mas a forma como as pessoas falavam de robôs lá dentro me assustava. Eu ainda não sabia como lidar com aquilo. Então, resolvi que já era hora.

Mas não deu muito certo. Na porta do hospital, dei de cara com JongIn bebericando algo alcoólico. Estava frio. Eu tinha tato para sentir agora, mas talvez aquilo o esquentasse mais do que apenas alguns casacos.

O fato era que, em segundos, eu não estava mais na claridade do meu quarto, mas em alguma sala escura daquele hospital, sendo praticamente interrogado pelo rapaz sério. Diferente daquele sempre risonho que me visitava pela manhã.

— Baek Hyun. Me responda com sinceridade. O que você pensa sobre robôs? — ele foi bem direto.

— Eu não sei muito sobre eles — menti. Não era uma mentira completa, eu realmente não sabia o que havia acontecido desde o tempo em que entrei em coma, mas eu sabia mais do que qualquer pessoa sobre o que era um robô. — Mas não os acho tão ruins quanto alguns pensam.

— Você tem motivos para isso, não tem? — retrucou mais curioso do que opressor.

— Alguns. — respondi, sem medo. Embora, bem no fundo, eu imaginasse que ele poderia fazer algo.

— Eu também tenho alguns. Fazia muito tempo que eu não falava com alguém sobre isso. Mas acho que eu posso falar disso com você.

— Por quê? — estava curioso para saber, mas talvez, a resposta me deixasse mais abalado do que eu poderia imaginar. O tom de sua voz era calmo. Com algumas pitadas de rancor e mágoa, mas calmo. Ele realmente não parecia ter a intenção de me ferir. Era apenas uma conversa., mas uma conversa que poderia mudar completamente meus rumos.

— Por quê, assim como você, eu também sou um.

3 de Noviembre de 2018 a las 01:11 0 Reporte Insertar Seguir historia
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