Cuento corto
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Alguns tons de sentimentos

BaekHyun era incrível. De todas as formas, ele não conseguia ser menos do que extraordinário.

O menor era uma das coisas mais bonitas que eu já vi em toda a minha curta vida. Com pele aveludada, madeixas macias e um corpo delicado, ele era a razão do meu coração acelerar todos os dias. BaekHyun tinha algo único, tão surpreendente como o céu estrelado de algum lugar distante das grandes cidades.

Eram seus olhos.

BaekHyun possuía quase que um poder. Dependendo de suas emoções, a cor de seus olhos mudava. O garoto era tímido, ficava nervoso com a ideia de iniciar uma conversa com alguém. Quando o fazia e por algum motivo passava vergonha para si, sua orbes amarelavam, mudando do escuro preto habitual para uma mistura de castanho com amarelo, um pouco mais intenso do que um olho cor de mel. Lembrava-me um gato. Ele tem consciência dessas mudanças, e seus amigos também. Então para si, só piorava a situação.

Às vezes BaekHyun ficava triste. Aparecia com uma expressão fechada, de submissão e desconforto. Seus olhos obtiam uma coloração azulada, não era um azul forte como o céu, mas sim intenso como o alto mar. Tal olhar não possuía brilho, ficava opaco e sem vida. Quando eu o via com o olhar azulado, meu mundo despedaçava.

BaekHyun também tinha seus momentos de felicidade. Modéstia a parte, quando está comigo. Esses são meus olhos favoritos. Rosados, um pouco puxados para o roxo. Excessivamente brilhantes. Minhas metas diárias eram ver aquela coloração maravilhosa. 

O sentimento precisa ser muito intenso para que suas íris mudem de cor. Esses eram os tons que apareciam com mais frequência. Mas não são apenas esses. Creio eu, com muita decepção, que não pude ver todas as tonalidades que os olhos do menor conseguiam possuir.

Uma vez (nós já namorávamos) ele estava em minha casa jogando algo comigo no sofá da sala. Seu olhar  estava em seu tom amadeirado de costume, o que era bom, já que ele chegara lá com ambos bem azulados. Até que o jogo travou, e eu levantei para tentar consertá-lo. Passei alguns minutos ali frustrado por não ter conseguido salvar nada da partida. BaekHyun mantinha-se calado atrás de mim. Até que eu virei, e ele estava de cabeça baixa, com os cotovelos sobre as coxas apoiando seu queixo.

— Baekie, o que foi? – indaguei aproximando-me. Ele ficou um pouco hesitante, mas levantou o olhar. E eu pude ver. Duas esferas vermelhas como sangue. Nunca tinha visto algo assim antes, logo não tinha a mínima ideia do significado. Perguntei a ele quase que instintivamente o que aqueles olhos tão bonitos e reluzentes queriam dizer. Tentei não me desconcentrar com aquilo que pareciam duas safiras vermelhas. Era tão chamativo e viciante de se ver. Não sei como consegui desviar o olhar.

Quase dois minutos se passaram, vi isso no relógio pendurado na parede, e ele continuava calado. Olhei para si, tentei achar alguma pista. Sempre tinham. Então vi, um volume em sua calça. Suspirei, tentando não rir da situação e ficando feliz por descobrir mais uma cor.

— Não sabia que excitação era vermelho. – acabei soltando sem querer. Arrependo-me amargamente até hoje pela minha boca frouxa. As safiras amarelas tornaram-se dois pequenos pedaços do sol. Ele ficou envergonhado. Comecei a rir muito forte. E ele escondeu seu rosto corado. Eu o avisei que não havia problema algum com aquilo.

— Vamos ver algum filme. – foi sua resposta. E nós o fizemos. Não insisti mais no assunto, porém ao lembrar soltava risadas baixinhas e ele ignorava.

Um mês depois, fizemos sexo pela primeira vez. Foi a primeira vez de BaekHyun, então eu guiei tudo. Isso o deixou com tanta vergonha que seu olhos poderiam se assemelhar ao sol. Era lindo. Ele era lindo. Seus olhos ficaram laranjas, e eu entendi rapidamente que aquilo era uma mistura da sua vergonha com excitação. Fiquei feliz. 

BaekHyun poderia ser a minha maior felicidade. Ele, sem dúvida, é uma pessoa extraordinária para muitas pessoas. Seus olhos mudam de cor! Todavia, para mim, o garoto de sorriso gentil e palavras calmas era muito além disso. Eu poderia listar centenas de características incríveis nele que ultrapassam seus olhos.

BaekHyun conhecia sobre muitas coisas. Era como se ele passasse o dia todo absorvendo informações novas. E parecia que tudo era cem vezes mais incrível quando descrito por seus lábios. Eu viajava em suas palavras e ficava completamente à mercê dele, poderia passar semanas apenas o ouvindo. Uma vez ele me contou sobre uma de suas maiores paixões: as borboletas.

— É clichê, mas elas me acalmam. Eu gosto de analisá-las de perto. Todos os desenhos nas asas. São um dos animais mais admiráveis pra mim, nenhum tem tantos detalhes como as borboletas. – contou enquanto desenhava uma borboleta, deitado no chão do meu quarto. Eu estava dormindo quando o vi sobre o tapete, colorindo algo em seu caderninho.

Com o passar dos meses, comecei a notar que o menor não era um raio de sol (acho que arco íris seria mais apropriado) ambulante. Percebi que os dias dos olhos azuis assustadores começaram a ficar cada vez mais frequentes. Certo dia o perguntei o que o deixava triste. Ele respondeu algo que eu nunca irei conseguir esquecer.

“Da mesma forma que tudo me encanta, tudo me deixa assustado. O fogo é bonito de se ver, mas se você tocá-lo, irá se machucar. Eu amo muita coisas. Amo minha mãe alcoólatra e amo meu pai morto. Mas tais coisas são como fogo, e elas me assustam. E eu sinto muita dor.”

Depois disso, eu não disse mais nada. Ele abaixou a cabeça e eu entendi que aquilo era um pedido para eu não falar mais nada, apenas o aquecer em um abraço sincero. Dois dias depois, eu corri até sua casa. Nunca tinha ido lá antes, e acho que ele não queria que eu fosse, pois ao abrir a porta, me empurrou para fora e me levou até um parque da vizinhança. Eu não disse nada. Vi seus olhos opacos e um tanto avermelhados ao redor e o abracei. Queria sentir que de alguma forma meus braços fariam sua vida melhor. E ele chorou, quase que por meia hora, em meus ombros. Eu fiz carinho em seu cabelo até que seu choro cessasse e eu reparasse que o menor havia adormecido aninhado a mim.

Namoramos por quase dois anos. E eu vi mais do que o arco íris nos olhos de Byun BaekHyun.

Eu vi o céu inteiro ali dentro.

E, naquele dia, eu sabia que algo estava errado, não conseguia dormir. BaekHyun havia me ligado chorando dizendo que me amava. Eu perguntei se estava tudo bem e ele disse que só queria que eu lembrasse disso.

Corri até sua casa. Mas eu hesitei. Fui um tolo em achar que estava tudo bem por alguns minutos.

Não estava.

Seu último ato foi sorrir, o sorriso mais triste do mundo com os olhos mais vazios de todos. Eu vi uma nuvem cinza naquele olhar que sempre tem algo novo para mostrar. Foi a primeira e última vez que vi aquelas íris. E elas eram brancas. Como se todas as cores existentes tivessem explodido bem ali.

Porque BaekHyun não tinha mais cor alguma dentro de si.

26 de Octubre de 2018 a las 19:55 0 Reporte Insertar Seguir historia
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