Valse Sentimentale Seguir historia

senhorasolo Elane Santiago

“Toda vez que Rey pegava o metrô para casa, ele estava lá, tocando violino. Ele sempre tocou a mesma música. Às vezes, à noite, ela sonhava que estava em um baile de máscaras, dançando àquela música com um cavalheiro mascarado, valsando no centro de um salão iluminado, com todos olhando para ela e para ele. O cavaleiro beijou sua mão no final da valsa. Quando ela acordou, sentiu a estranha impressão de que não era um sonho, mas uma lembrança." • Universo Alternativo • Reylo


Fanfiction Películas No para niños menores de 13.

#drama #reencarnação #star-wars #reylo #reyben #Tchaikovsky #valse-sentimentale
Cuento corto
1
4666 VISITAS
Completado
tiempo de lectura
AA Compartir

Capítulo Único

Estava atrasada. Dormiu tarde e não ouviu o alarme tocar. E por causa disso, acabou perdendo a carona que Finn, um amigo que estudava na mesma faculdade que ela e morava uma rua abaixo, dava-lhe todas as manhãs. Sua alternativa agora é o metrô. Um grande formigueiro de pessoas disputando por cada centímetro quadrado, cheios de compromissos e responsabilidades, assim como ela, e apressados para chegar, assim como ela. E está atrasada.

Assim que chega a estação, correndo, sem olhar direito para quem estava à sua frente e aos lados, esbarra em um homem. Reconhece-o assim que levanta a cabeça e olha para o seu rosto. Moreno, cabelos lisos cobrindo as orelhas, alto, de pele clara; o nariz grande, os olhos castanho-esverdeados belos, perdidos e tristes; vestido de preto dos pés à cabeça, como sempre.

Ela o conhece, embora que ele não a conheça. É o violinista que tocava no metrô. Toda vez que Rey pegava o metrô do trabalho para casa, por volta das sete da noite, ele estava lá, tocando violino. O estojo do instrumento era onde as pessoas depositavam alguns trocados. Não dizia nada, apenas tocava o seu instrumento, com entrega e perfeição admiráveis.

Tocava sempre a mesma música.

Às vezes, à noite, ela sonhava que estava em um baile de máscaras, em outra época, dançando aquela música com um cavalheiro mascarado, valsando no centro de um salão iluminado, com todos olhando para ela e para ele. O cavaleiro beijava sua mão no final da valsa. Ao acordar, sentia a estranha impressão de que não tinha sido um sonho, mas uma lembrança.

Isto vinha acontecendo há três meses. Coincidentemente o mesmo tempo em que ele começou a tocar violino ali e o mesmo tempo em que ela vinha tentando descobrir qual o nome da música. Sabia que era uma bobagem, mas a música a intrigava muito, desde a primeira vez que a ouviu. Ela sabia que estava escutando aquela canção pela primeira vez, porém, era como se já a conhecesse há muito tempo.

Quem sabe de seus sonhos. Quem sabe já sonhasse com o cavalheiro mascarado e a valsa antes, contudo, esqueceu-se. Esta era a explicação racional, pelo menos. Em extremos, chegou a questionar-se se aquelas não eram lembranças de outra vida, despertadas pela música, que, provavelmente, deve ter sido importante e marcante para o seu eu do passado.

Entretanto, não dava crédito a tal teoria. Não que fosse uma cética, mas achava impossível a ideia de reencarnação. Acreditava sim, que havia algo além da vida, algo que ela não sabia bem o que era, nem se limitava ao conceito que uma ou outra religião dava. Apenas acreditava havia outro plano, para onde todos vão, um mundo espiritual, quem sabe, e de lá não voltam. Ela não desejava morrer para descobrir; limitava-se às teorias.

Talvez a verdade esteja diante dela – literalmente – e ela não tinha visto antes. Criou uma fantasia com o violinista, porque talvez ele a atraia de alguma forma. E ele tocar violino é algo que ela acha bonito e romântico. Então seu subconsciente criou uma fantasia. Aquele sonho não passa de algo inventado por sua mente. A música que ele toca é a valsa que eles dançam.

Ela nunca viu o rosto do cavalheiro mascarado, mas algumas características dele e do violinista eram semelhantes. A altura, o porte varonil, as roupas escuras, o cabelo liso e castanho escuro – embora que o mascarado de seus sonhos tivesse as madeixas um pouco mais compridas.

— Algum problema? — ele pergunta.

Rey piscou os olhos e desprendeu-se do limbo em que emergiu. Quanto tempo passou encarando o violinista? Rey pergunta-se a respeito disso e também se não estava com cara de boba. Ainda que já desconfiasse da resposta da segunda pergunta. Deu um passo para trás e pediu desculpas sinceras. Sentia o rosto quente. As bochechas coradas e então não conseguia mais olhar para ele. Queria fugir dali, ou sumir, de tanta vergonha que tinha.

Ele não diz nada. Passa por ela e vai embora. Rey esperou até que ele sumisse de vista e então soltou um suspiro e lamuriou-se. Havia feito papel de boba na frente daquele homem, encarando-o sem parar, presa em pensamentos inúteis. E ainda sentia o coração partido por ele ter ido... Mas por quê?

Estava tão nervosa que mal se lembrou de que tinha falado com ele pela primeira vez. Agora que ele se foi, Rey só consegue sentir muita raiva de si mesma pelo que fez e pela maneira como foi: totalmente diferente de todas as vezes que ela havia imaginado.

O violinista ocupava grande parte dos seus pensamentos durante todo o dia. Depois da faculdade, ela iria para o trabalho e de lá voltaria de metrô, como todos os dias. Salvo por domingos e quintas-feiras – estranhamente ele não ia às quintas-feiras –, Rey o vê constantemente no mesmo horário, perto de uma coluna, tocando a canção que ela ainda precisa descobrir como se chama. Recusava sempre caronas de amigos do trabalho ou até mesmo a comodidade de pegar um táxi quando estava com dinheiro, apenas para ouvi-lo e vê-lo tocar por dois ou três minutos.

Dois ou três minutos era o tempo que ela tinha para ele. Sabia que ele já estava lá antes dela chegar e continuaria lá depois que saísse. É a sua parte favorita do dia. Além de ser a primeira vez que “fala” com ele, é a primeira vez que se veem nesse horário, tão cedo. “Ele ficava lá o dia inteiro?”, perguntou-se. Não estava com o estojo do violino, mas este não deveria estar muito longe. Ela gosta de acreditar que ele está sempre com o violino.

Como um banho de água fria, Rey se lembra de que estava atrasada, portanto corre apressadamente e não chegará a tempo para a segunda aula. Agora está duplamente atrasada! Perdeu tempo demais com aquilo, e não levou a lugar algum. Pagou um mico, não trocaram mais que dez palavras, deixou uma má impressão dela sobre ele e provavelmente não se falariam mais. Ela também acredita que o violinista seja inacessível.

Na verdade, Rey passa boa parte do seu tempo imaginando coisas sobre o violinista. Ela vem criando um retrato da personalidade dele, quase como um robe. Mal presta atenção na aula pensando sobre isso.

Ele é solitário e infeliz. É amante de música clássica. Ela imagina que ou ele só saiba tocar violino, ou que também toque violão e piano, e que extravasa na música todos os seus sentimentos, emoções e desilusões. Ele compõe, tem quase certeza sobre isso, porém, tem vergonha de mostrar suas composições.

Imagina que ele não seja muito sociável. Não é casado nem noivo, pois não usa aliança. Gosta da cor preta, de comida japonesa, de chá. Não toma café. Acha que ele não tem família, como ela; não viva, pelo menos. Ela mal percebeu como era voz por conta do nervosismo, mas lembrava-se de como ficou arrepiada. Estava tentando imaginá-lo cantando, mas é difícil pintar o retrato em sua mente de seu violinista cantando. Só consegue imaginá-lo tocando violino, e piano.

Uma forte suspeita é de que seu violinista tenha sofrido por amor no passado. Quem sabe uma desilusão amorosa ou a perda de um grande amor. Por isso ele sempre aquela música tão sentimental, cujo violino esfola seus ouvidos e a faz sentir a dor dele bem palpável em seu coração. O choro frustrado, penoso e contido de um apaixonado que não pode estar com a sua amada. Aquela melodia carregava a carga pesada das amarguras sentidas por aqueles que sofrem por amor.

Mas esta é somente a sua percepção. Tem coincidência de que pode estar errada; de fato apreciaria se estivesse. Gosta de mistério, e aquele homem certamente é um. Daria tudo para desvendá-lo, conhecê-lo a fundo.

Todavia, Rey coloca o pé no chão e recolhe-se em sua insignificia. Aquele homem é impossível, inacessível. Isso é um fato. Não sabe o seu nome, não se importa com ela, não perde seu tempo imaginando como é a vida dela ao invés de cuidar de sua própria. O certo a fazer é se concentrar em seus próprios problemas, deixar o violinista de lado, pois todas as vezes que pensa nele, fica deprimida.

O dia passa lentamente. Rey deseja morrer devido ao tédio que sente e não consegue se livrar. Ela se esforça tanto para manter o foco nas aulas e depois no trabalho, e sua injusta recompensa é uma dor de cabeça.

A duras penas termina seu experiente. Seu único desejo é estar em casa e descansar seus pés em uma bacia com água quente. Mas antes disso acontecer, ainda precisa pegar o metrô. Rey decide que pegaria outro caminho para sair da estação. Nem que tivesse que caminhar mais, mas ela não se torturará em ver seu violinista inacessível e sofrer por isso.

Deve ser por isso que gostava tanto da música que ele tocava e à noite sonhava com ela. Porque ela também sente aquela amargura e aquele desejo de pertencer. E isso nunca irá acontecer, não com o violinista pelo menos; e por essa razão sua frustração só cresce a cada dia.

Antes de se deitar, Rey é impelida a uma incompreensível necessidade de chorar. Chora tanto que soluça e chega a perder o fôlego. E ela não compreende por que chora. Pois o violinista não ser acessível para ela não é razão suficiente. Rey que já foi abandonada e traída antes por aqueles que muito amou não choraria dessa forma por um violinista que não sabe o nome ou a razão porque sempre toca a mesma música.

— Por que estou chorando? — pergunta-se, deixando o quarto e andando pela casa. As lágrimas ainda escorrem pela face sem previsão de acabarem.

Ela geme alto, o peito dói, as mãos tremem e os joelhos perdem a força, levando-a ao chão. Falta-lhe ar e ela precisa respirar fundo para não desmaiar. A dor é emocional e física.

Rey encolhe-se em posição fetal sobre o tapete de sua sala. O choro diminui, ela não geme mais, mas permanece triste. Fecha os olhos e tem uma visão.

Três homens, um está tocando piano, outro violino e o último violoncelo. O mascarado aproxima-se e a tira para dançar. Ela está diferente. Usa um vestido carmesim, com corte delicado e que valorizava bem o seu corpo pequeno e esguio. Seu cabelo é comprido, cacheado, com pequenas tranças e fitas na cor creme a ornamentá-lo. Sente-se apaixonada, motivada, confiante. Ela dança com o mascarado e percebe que também está usando uma máscara. Enquanto a dele é preta, a sua é branca.

Ele sussurra algo em seu ouvido antes de girá-la. Quando a dança acaba, ele beija sua mão e afasta-se, abandona o salão. Ela espera até ir atrás dele. Encontram-se perto da fonte, onde havia a estátua da deusa Vênus. E ele estava lá, a sua espera. Ele a beija, faz juras de amor e promete voltar, então vai embora. Rey – a da visão e a deitada no tapete – choram por isso. A da visão chora por ele ter ido, a Rey real chora porque ele não conseguiu cumprir sua promessa. Ele nunca voltou.

Rey abre os olhos com sua cabeça doendo como se tivessem a martelado muitas vezes. Ela está tonta e mal consegue se por de pé. Suas memórias voltam como uma avalanche. Rey cai sentada no sofá, desesperada e não há mais lágrimas. Somente tristeza e confusão. As memórias da outra vida misturando-se com as dessa.

Ela se lembra de tudo. Ele, o violinista é na verdade o cavalheiro mascarado, que foi o grande amor do seu antigo eu. Um amor proibido, que os levou a muito sofrimento. Ele foi para a guerra, prometendo voltar para tomar a mão dela, mesmo que fugir necessário fosse. Mas morreu no campo de batalha, deixando-a sozinha, de luto e sem esperança, com o coração partido e a certeza de que não queria viver sem ele. Desistira da ideia de tirar a própria vida, mas aconteceu algo. Alguém a matou. Ela lembra-se disso. Lembra-se de quando foi empurrada da sacada, mas não conseguiu ver quem era.

Subitamente, Rey decide ir atrás dele. Um impulso irracional de procurá-lo, mesmo não sabendo onde ele está e numa cidade tão grande como aquela. Ela veste uma jaqueta e calça sapatos, antes de sair de casa – de pijama – e ir para o primeiro lugar que lhe vem à mente: o metrô.

Parece ser obra do destino, pois quando ela chega ao metrô, o violinista está lá, perto da mesma coluna onde ela costumava vê-lo. Não estava com o violino, e usava uma camisa de algodão preta e calças jeans. Rey sente um pouco de vergonha por ter colocado somente uma jaqueta por cima do seu pijama – camisa branca, leve de mangas longas, e calças quadriculadas azul e preta. Mas ele também parece ter se vestido com pressa – ela percebe quando chega mais perto, sua roupa está amarrotada e o cabelo está desgrenhado.

Ela para diante dele. Seus olhos estão vermelhos e parecem mais escuros quando ele olha intensamente para ela. É diferente de quando a olhou pela manhã. Não é indiferente, ele a conhece agora. Rey tem a certeza de que ele também se lembrou. No mesmo momento em que suas memórias voltaram, as dele também.

— Kira — ele diz. Sua voz é grave, macia, e arrepiou novamente os pelos de seu corpo.

— Não — Rey responde. — Não mais Kira. Rey. — Ela sorri para o seu rosto confuso. — Kylo?

— Kylo não. É Ben agora.

— Você foi Kylo, e eu fui Kira — ela abaixa a cabeça, fita o chão com lágrimas nos cantos dos olhos. — No entanto...

— Muita coisa mudou — completou por ela. — Mas meu amor permanece igual, mesmo depois de séculos. — Suas palavras a fazem erguer o olhar para ele novamente. Algo dentro dela se atiça, seu coração está batendo forte e rápido dentro da caixa torácica. Seu sangue ferve, seus dedos formigam para tocá-lo. Mas a dor... A dor ainda permanece, e dói tanto ou mais do que doía antes.

— Você não cumpriu a sua promessa — ela fala, deixando lágrimas caírem sem reprimi-las. — Você não voltou para mim.

— Eu voltei! — replicou. — Meu amor, eu voltei. Três anos depois, a guerra havia acabado.

— O que?

— Você não estava lá.

— Não... Você morreu na guerra, me contaram e eu não acreditei, então recebi uma carta do seu general e...

— Eu mandei uma carta para você. Pedi que você me esperasse, porque eu lutaria e voltaria vivo para você. E você não me esperou... Você... Como pôde escolher aquele destino? Por que, Kira? — Usou o nome de seu outro eu, o que ele amou. Ela não se sentia mais como aquela mulher, ainda que sofresse as dores dela. Ela era Rey agora.

— Eu não sei do que você está falando. Não recebi carta nenhuma, e se tivesse recebido eu teria esperado por você para sempre se fosse preciso.

— Então por que se matou?!

— O que?... Não! Eu não me matei.

— Você se jogou da sacada!

— Eu fui empurrada!

— Como?

— Confesso que pensei sim em me matar, mas desisti. Ter que viver sem você era melhor do que não ter vida nenhuma, e eu era católica! Mas eu fui assassinada.

— Disseram-me que você se matou. Eu visitei o seu túmulo, estava lá, morta! Falaram tantas coisas, todos diziam que você se atirou da sacada. Sabe o quanto eu sofri?

— Eu não sei o que você sofreu, mas eu sei que não me joguei de sacada nenhuma. Fui empurrada e o meu assassino mentiu para você e para todos!

— Kira...

— Por favor, não use esse nome! Não me chame mais de Kira. Kira está morta!

Ben engoliu em seco. Uma lágrima escorria pela sua face direita e ele virou o rosto para impedir que ela visse, mas ela já tinha visto.

— O que aconteceu com você? O que você fez depois que... — Engoliu em seco e secou o rosto com as mãos. Respirou fundo antes de dar continuidade. — Depois que te enganaram?

— Eu fui embora — disse ele. — Para bem longe. Queria fugir não só daquele lugar, mas tentei também fugir de você, inutilmente. Sofri com a tua lembrança pelo resto dos meus dias, até morrer de tuberculose.

— Ben! — Rey jogou-se aos seus braços. Derramou suas lágrimas na camisa dele. Foi envolvida por seus braços e compartilharam suas dores. — Nunca mais! Nunca mais, meu amor! Recebemos uma segunda chance, vamos viver o amor que nos foi roubado.

— Nunca mais — repetiu as palavras dela. — Eu amo você.

— Eu amo você. Sempre amei e sempre vou amar.

Beijou-o e ele prontamente correspondeu. Viveu e morreu com a saudade daqueles lábios consumindo suas carnes todos os dias. Renasceu para poder beijá-los novamente.

Ela foi assassinada, ele foi enganado. Ambos sofreram por culpa de outra pessoa, mas o amor foi mais forte e venceu no final.

15 de Octubre de 2018 a las 21:11 2 Reporte Insertar 3
Fin

Conoce al autor

Elane Santiago Não sei como vim parar aqui. Só queria viajar na TARDIS ao lado do 8º Doutor, conquistar Westeros com meu sabre de luz, me juntar aos Vingadores depois de ter reunido todas as esferas do dragão e conhecido os Beatles. Mas virei uma escritora fracassada viciada em café.

Comenta algo

Publica!
Lyse Darcy Lyse Darcy
Amei ... Que one mais intensa e triste ... Tu arrebenta na escrita me deixou com um nó na garganta Adorei! Beijos linda
16 de Octubre de 2018 a las 08:11

~