Wolfsbane Seguir historia

jenniffersamara Jenniffer Samara

Joana é apaixonada por escrever contos, um hobbie que compartilha com sua melhor amiga Lorena. Mas suas histórias passam a se tornar mais sombrias, quando ela e toda a sua cidade começam a testemunhar hediondos assassinatos e a identidade do assassino custa a se revelar. Enquanto Joana e Lorena tentam seguir pela razão, o sobrenatural as envolve num jogo macabro de vida e morte.


Paranormal Hombres lobo Sólo para mayores de 18.

#licantropia #lobisomem
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Prólogo

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A pacata Monte Alegre era sempre uma agitação no sentido da rodoviária, com seus vários camelôs, sorveteiros e seus carrinhos e apitos, a constante massa de pessoas indo e vindo, estudantes indo para seus respectivos colégios, fumando seus cigarros baratos sem se importar como aquilo faria mal.

Os ventos de agosto sopravam forte quando o ônibus chegara na plataforma, os sacoleiros alegres contando como a capital era linda e arborizada, mas ainda assim uma assustadora selva urbana. Ele desembarcara, com seus humildes par de sapatos muito bem engraxados, a camisa listrada bem alinhada e trazia no rosto um sorriso humilde, amistoso. Passou pela rodoviária inteira, prestando atenção nas crianças que imploravam as mães um geladinho, nos velhos ranzinzas que pediam informações para motoristas cansados. Ninguém suspeitava quem ele era, apenas os cachorros.

Os pobres cães olhavam apreensivos aquele estranho homem que chegara na cidade, com seu olhar penetrante e astuto, perscrutando toda a singela população, estudando a rotina pacata, o perfil do próximo vizinho, da próxima garota que ele poderia levar para tomar uma gasosa e depois satisfazer seus desejos mais profanos e imundos. Só os animais pressentem eles,assim como toda a sorte de alma penada que ousa colocar os pés na Terra, os antigos diziam que quando eles latiam para a lua era a chegada de novas almas, e quando cavavam buracos, alguém morreria. O homem não duvidava, achava particularmente a raça canina interessante e adorava os cães tiatinos, que vinham lhe pedir comida, lambiam seus dedos e faziam uma troça em troca de carinho. Uma coisa muito incomum numa cidadezinha da parte setentrional do estado, onde as pessoas iam para suas novenas e sequer gostavam de cachorros de rua.

— Você gosta de cães mesmo, não é? Nunca vi alguém acariciar esses pobres cachorrinhos.— a morena olhou para ele com olhos cintilantes de ternura e compaixão, essas coisas não são coisas que se vê todo dia.

— Ah sim, amo, adotei muitos quando era pequeno. Minha mãe me deixava ficar com eles, sempre me acalmaram. Além do mais, são amigos fiéis.— o lábio dele contorceu-se num sorriso maroto, quase obsceno. Um dos cachorros chegou mais perto dos dois — Está esperando alguém, não que seja da minha conta.

— Bem, estou esperando o ônibus, vou visitar uma amiga, iremos ao Fama hoje, tomar uns billinights.— a moça sorriu timidamente.

— O Fama deve ser uma danceteria suponho, agora billinights é alguma gíria daqui da cidade?— ela corara repentinamente e respondeu-lhe mais introspectiva, olhando ora para o chão, ora para o cachorro.

— Desculpe, é uma gíria que minha avó e as amigas dela usavam para falar drinks. O Fama fica um pouco longe daqui, vai bastante gente lá, se divertir.

— Ah, gostei da gíria. É engraçada, admito, lá na capital não falamos assim. Mas aqui é mais legal. Talvez eu vá hoje ver como é esse Fama, quem sabe é o bicho!

— Bem, se você for, seria bem legal.— a moça levantou-se de supetão, caminhou até a borda da calçada, virou para ele lentamente e com um sorriso gentil — Não há tantos homens bonitos na cidade.— e saiu caminhando para o ponto de ônibus, com seus cabelos esvoaçantes e a pele que brilhava quando os raios de sol lhe beijavam. Ele a viu ir embora, hipnotizado, então se lembrou que não havia perguntado o seu nome, mas o cheiro dela estava bem fresco, entorpecendo seus sentidos e despertando seus desejos mais latentes.

31 de Agosto de 2018 a las 00:56 0 Reporte Insertar 1
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